sexta-feira, novembro 28, 2003

O fato é que já estou cansado de tudo.

Cansado destes meu retratos cheios de técnica e sem paixão nenhuma além da minha por estas meninas. Sem um clique subjetivo. Cansado de fazer uma coisa que aparentemente só interessa a mim mesmo. Masturbação técnica. Cansado de uma coisa que talvez nem eu acredite mais. Por isso essa sensação de que uma fase da vida acabou.

Cansado de parecer um maníaco, um voyeur, um tarado, pra quem se importa em ir um pouco mais a fundo nos porquês deste meu trabalho. Sim, eu fui um maníaco no caso da Lilly. Mas tem muito mais coisa além disso. E todo mundo só se concentra nesse fato bizarro.

Cansado da Dora também. Ela que é pintora mas sequer gosta de pintar. Ela e seu profundo sentimento anti-americano que sequer permite que eu chame Tinkerbell de Tinkerbell, ou Lee de Lee, porque estaria fazendo uma espécie de apologia à cultura yankee. Ela que, como o Caetano, teima em fazer algumas avaliações baseadas em gostos pessoais: nada profissional. Ela que, no fundo, só quer tirar sarro mesmo. De tudo: da arte, da vida e de mim incluso. Gente amarga. Cansado de querer tanto participar daquele mundo dela e me frustrar. Ficar me sentido um outsider (será que eu me sentiria assim no mundo da Lee?). E pra quê? Quando é que eu vou me conformar com o fato de que meu mundo é outro? Qual é o meu mundo mesmo?

Tô cheio de energia pra começar uma coisa nova. Outras pinturas, outras coisas. Já tenho várias idéias mas não vou ficar entregando o ouro aqui. E vontade de trabalhar, de empreender, de ganhar grana. Get a life. Mas obviamente eu nào vou poder fazer nada disso até eu terminar estas porcarias. Mas fica lá, anotado, em fase de planejamento. Ano que vem está chegando.

Cansado da fundação e do curso de artes. Estudei bastante, aprendi bastante, mas cansei. Vamos ao mundo real.

quinta-feira, novembro 27, 2003

Encontrei-me hoje com Enrico Camerini, um pintor italiano amigo de minha avó para mostrar-lhe os retratos. A conversa que tivemos apenas acentuou aquela ponta de aborrecimento que tive em relação aos meu retratos desde meados da orientação com a Dora. Aquela sensação de que essas pinturas não são nada.

Camerini elogiou a minha técnica e a idade na qual alcancei tamanha destreza. Mas, dizia ele, faltava ver onde estava o Pan. Ou seja, faltava a minha interpretação: as pinturas carecem de opinião! Ah, como eu queria ter mostrado minha Virgem e o Menino! E daria tudo para apresentar-lhe a Crucificação que tenho esquematizada mas que provaelmente só farei no ano que vem. De fato, daria tudo para, de uma só vez, colocar de lado tudo que tem a ver com meus retratos e apresentar no trabalho de graduação estas outras pinturas mais violentas, independentes de qualquer fotografia, e muito mais representativas de quem e como eu sou. Mas o fato é que só tenho à Virgem. E menos de duas semanas para a apresentação do trabalho. Quisera começar o ano novamente...

No final, ele aconselhou-me tomar algo simples, como uma maçã, e desenhá-la inúmeras vezes, para que eu entendesse o que é interpretação. Como se eu já não tivesse feito dessas coisas nos primeiros semestres do curso de artes. E para onde foi tudo aquilo??

Pena: quando cheguei em casa, não havia maçã alguma na fruteira...

terça-feira, novembro 25, 2003

Tia Margot faleceu hoje, dia 25 de Novembro de 2003, por volta da meia-noite e meia. Recebi a notícia de meu pai, que levava uma aparência debilitada e deprimida. Ele e minha mãe viajam para o nordeste hoje para estarem presentes nas cerimônias funerárias. E agora?

Nunca senti aquela profunda tristeza com a morte de um ente querido. Suponho que seja porque nunca experimentei a morte de uma avó ou de um parente mais próximo. Se você procurar os posts que dediquei à morte de meu primo, verá que são apenas dois, e escritos com pouca melancolia. E sempre me senti um pouco culpado por não sofrer. Como se eu devesse me deprimir, verter lágrimas e vestir preto. Ah, eu já visto preto...

Certa vez, tive um sonho onde uma personagem, uma fadinha com a cara de Asuka do Evangelion chamada Navi, morria jovem. As últimas recordações deste sonho eram de uma cerimônia funeral para ela. Seu túmulo tinha uma escultura em alto relevo de seu rosto e um texto qualquer talhado na pedra. Mas era uma cerimônia diferente: as pessoas celebravam a morte de Navi, em vez de lamentá-la. Não por que a detestassem, mas pelo contrário. Não lembro exatamente qual era a lógica do negócio, mas era como se estivéssem parabenizando-a por completar todo o ciclo da vida. Mesmo ela tendo morrido jovem. Não havia essa coisa meio egoísta de entristecer porque nunca a veríam mais. Acordei daquele sonho querendo que minha relação com a morte fosse assim. Não vou mentir e dizer que consegui efetuar uma mudança tão radical em mim mesmo.

*Suspiro*
Enfim, vamos ver o que acontece agora. Qualquer hora vai me bater o fato de que nunca mais verei Tia Margot e toda aquela besteira. Mas não preciso de consolos. Ela deixa um mundo que basicamente só a enraiveceu com sua estupidez e incompetência. Ela, que esbravejava contra os programas de TV ridículos e comandava aquela cidadezinha com punho de ferro contra a indolência do povo da terra. Ela que nunca casou (tá certo que isso não é um índdice de felicidade para todo mundo...).

domingo, novembro 23, 2003

Voltei para casa no carro do meu pai depois de deixar a Tink na casa dela. O celular dele, que ele havia esquecido, não parava de tocar com nossos parentes do nordeste. Logo vi que havia alguma coisa errada.
Chegando em casa, mamãe deu-me notícias de que Tia Margot foi internada. Se vocês se lembram dos posts do começo do ano, onde escrevi sobre a nossa família no nordeste, vão se lembrar dela. Adivinhem qual é o mau que a aflige: um aneurisma. Na aorta, me parece, mas não entendi direito. Isso é possível? Mamãe disse que ela precisará de uma cirurgia complicada e que, muito provavelmente não sobreviverá. Aliás, é quase uma certeza.

A primeira coisa que me passou pela cabeça, foi a experiência de meus pais. Suponho que, se eu fosse informado da morte de alguém, como fui informado da morte de meu primo, há uma boa parte de mim que já se conforma com a situação. Eu sei que nada posso fazer por uma pessoa que já morreu. Mas quando sou informado que uma pessoa da família ainda não morreu, mas tem suas horas contadas, parece-me ainda mais cruel. É certo que também não posso fazer nada por esta pessoa que certamente irá morrer (na opinião de dois especialistas no assunto que sabem com alguma relevante porcentagem de precisão quem vive e quem morre). Mas digo que é cruel porque nós sentamos e esperamos que aconteça. E fica aquela sensação de que algo ainda pode ser feito, mas nós apenas não descobrimos o que é.
Culpa. Depois fica uma sensação de culpa ilógica, porque aqueles parentes telefonaram para meus pais na esperança de que eles tivessem a solução e eles não têm. Então fico com uma sensacão estúpida de que a morte dela será culpa de alguma falha deles. Mas é tudo besteira. Sei que eles realmente nada podem fazer.

A segunda coisa que me passa pela cabeça é o que acontecerá com aquele lugar se ela se for. Entitulei os posts do começo do ano de Timeless place, porque naquela cidadezinha nada muda nunca. Apenas quem nasce e quem morre. Mas se Tia Margot morrer, tudo aquilo irá mudar e irá acabar. Tia Suzy não conseguirá cuidar da casa e de tudo sozinha. Provavelmente venderão aquela casa da família, onde gerações e gerações já cresceram. Aquele lugar faz parte do nosso inconsciente. Da nossa cultura familiar. Morrerá, com Tia Margot, uma boa parte da família, que não se resume a ela apenas.

Engraçado: em Hook, o Capitão Gancho diz que ele é a Terra do Nunca. Como se ele fosse algum fator imanente àquele lugar, e sem ele, tudo se desintegrasse. Sinto como se Tia Margot fosse aquela cidadezinha parada no tempo.

Medo...
Balada lá em casa!!

Pra comemorar o meu aniversário, que como seu escrevi se passou em meio ao meu trabalho de graduação, fiz um get toghether aqui em casa nesse final de semana. Além da turma de sempre, apareceu a Nana e o Thelus para completar.
Não correu como eu esperava, mas eu sou perfeccionista a ponto de ser chato mesmo. Se fosse como eu esperava, eu teria tempo pra preparar algumas coisinhas, algumas surpresinhas chiques, alguns entretenimentos. Coisas que eu devo fazer em outras reuniões... Se fosse como eu esperava, tudo estaria organizado de forma que o pessoal não agisse como animais. Mas eu também gosto da baderna! Só de ter todo mundo aqui em casa comendo macarrão como antigamente, já dá pra considerar tudo isso um sucesso. Eu só queria estar rodeado de gente de novo. Queria só ficar olhando pra eles.

Tivemos aquelas mesmas cenas de todos os anos: a Big Mama se revoltando com o comportamento de alguém (a revolta dela sempre tem a ver com o relacionamento alheio...), o Former Rebel falando de seus romances no trabalho, o irmão do Alex apresentando mais uma garota que nunca vimos antes e as intrigas correndo soltas nos bastidores. Como sempre. Talvez a única coisa que faltou foram o Alex e o irmão brigando. Ainda bem... Até a Sis apareceu!! Ficou com uma cara de ciúmes para os lados de meu irmão e a ex-namorada anterior, que também veio. Mas Sis foi embora cedo por causa de uma prova de vestibular no dia seguinte. A Little Wonder trancou-se na área de serviço com o novo namorado (razão da revolta da Big Mama desta vez...) e roubou pavê antes do tempo. Tink fez o molho desta vez: bolonhesa maravilhosa! E eu ficava só passeando por aí, sentindo a casa cheia de gente encantadora. Nem deu pra matar as saudades direito. Acho que vou organizar outra festinha em breve!

Às duas da madrugada, o pessoal começou a partir. Lavei os pratos todos com muito gosto (e agora estou aqui, escrevendo com mãos ásperas de detergente....).

sexta-feira, novembro 21, 2003

Been listening to Eric Satie's Gnossiene series while I wrote the gaduation papers. To anyone who's not aware, Satie plays the piano. I got aquainted with his work through my brother, naturally. But brother played his more lighthearted tunes. Gnossiene is a series of six short pieces. Numers one, three and four are that kind of suspense music used in movies where the killer is a mentally unstable person, given to his strange obsessions. I pictured myself running my brush on those canvases, obsessing with each girl's face. The tiny details: a dot of reflected light on the lips, the precise curve of a chin, the correct tone of shadow. I felt like the maniac that haunted Lilly with a camera.

The other three of Satie's tunes are suitable for a walk in the park, when the day is so windy that the dry leaves come loose off the branches and rain down in oblique patterns. Cold gray days that nonetheless carry some strange, almost british melancholic joy. Tunes for feeling old.
Bom... Meu trabalho de graduação está na gráfica, sendo impresso enquanto você lê isto.

Preciso agradecer amplamente a ajuda fundamental do Alex na odisséia que foi a conversão de arquivos .doc em .pdf. Rapaz, te devo um favor colossal! Se tiver qualquer coisa que eu puder fazer, é só pedir! Fico até as 3 da mnhã!

Agora dá aquela sensação de "depois". Sabe aquele clima de final de filme, quando a trama toda já aconteceu, o vilão já foi punido e tudo vai bem no mundo? Pois é. E eu sei que tenho ainda um trilhão de trabalhos de faculdade pra fazer, em ambos os cursos, de diversas matérias e assuntos pelos quais eu não poderia me interessar menos. Mas tudo parece tão insignificante perto desse trabalho de graduação...

Sinto como se tivesse acabado mais uma fase da minha vida. Vamos à próxima.

segunda-feira, novembro 17, 2003

Só um pouco de revolta moralista:

E agora o pessoal discute a "redução da maioridade penal" por causa do caso de Liana. Só porque o imbecil tinha 17, e o limite são 18 anos. Querem reduzir para 16. E quando algum outro pirralho de 14 der uma de valente e matar alguém? Vão pensar em reduzir mais?? Voltarão a dizer "se tem idade pra matar, tem idade pra ser preso"???

domingo, novembro 16, 2003

Não entendia de início o por que do caso de Lianadespertar tanto magnetismo em mim.
Hoje de manhã, quando abri a porta e vi as revistas semanais aos meus pés, algo começou a fazer sentido. Em uma delas, o rosto de Liana estava estampado na capa. E parecia-me absurdamente familiar. Aquele contraste, os olhos muito bem definidos e aqueles belos lábios finos. Quando vi fotos de Liana pela primeira vez, achei que parecia-se com Avril Lavigne. E por isso descartei aquela sensação de familiaridade. Achei que fosse uma de minhas comparações bestas. Mas hoje de manhã percebi que era mais do que isso. Olhando para meus pés e vendo aquele foto, tive um flash de memória onde vi uma garota com aqueles lábios, aqueles olhos. Onde? Meu Deus, onde? À noite, perguntei a Tinkerbell se ela lembrava-se de ter visto aquela menina. Claro que não. Obviamente ela não se lembraria. Lembraria talvez de um rapaz. Não de uma garota. Principalmente com tamanha diferença de idade. E então, já antevendo a resposta, abri a revista dizendo a Tink que achava que ela tivesse estudado no nosso colégio.

Exato: até o primeiro colégial, quando eu já tinha saído.

E então lembrei de tudo. De vê-la nos corredores. Garota bonita, tímida, mal-vestida na época. Tinha um rosto sério, olhos maravilhosos. Sabe quando dá aquela sensação de que a morte ficou um passo mais próxima? Aquela sensação besta de que "aconteceu com alguém que você conhecia" e que "poderia acontecer com você? Eu sequer conhecia Liana. Apenas de vista. Não pude evitar de me perguntar: "e se eu tivesse conhecido ela"? Teria feito alguma diferença?

Como ele pôde fazer isso com uma menina tão bela?

Quero saber se algum de vocês que estudaram comigo também está sentido o mesmo agora. Se algum de vocês se lembra dela.
Dica de blog da semana:

Clube das Almas Inquietas.

Pra quem gosta de ler coisas de quem gosta de escrever.
Sempre que possível, converse com um saco de cimento. Nessa vida só devemos acreditar naquilo que um dia pode ser concreto.
Às vezes, não agüento a fisicalidade das coisas.
Deslizo as mãos pelas paredes pra sentir o áspero delas e a opressão de cada milímetro sob meus dedos. Parece-me uma teimosia estúpida das coisas, que não deixam que eu as molde, mude. Que insistem em estar lá. Me dá nos nervos o fato de que elas ocupam espaço. Queria que tivessem vida própria. Que tivessem alguma reação à minha presença. Mas são ignóbeis e ignoram-me.

Da mesma forma que sinto com algum grau de asco a matéria da qual eu sou feito e as incessantes e insuportáveis necessidades às quais estou submetido. Quisera não ter que sentira se eu não quisesse. Morfina on tap.

Deixa pra lá. Cê não vai entender mesmo.
Prelúdio de algo pior

Na volta da casa da Tink, a polícia tem armado uma barricada para revistar os carros que passam todas as noites, desde que começaram os frequentes e bestiais ataques a delegacias, bases comunitárias e casas de policiais. Houve uma na avenida perto da minha casa também, mas com as obras que começaram recentemente, eles liberaram o caminho. Eles estão com medo. Confusos e com medo. E isso é uma combinação terrível.
Talvez seja meu estado mais sensível devido ao stress do trabalho de graduação, mas sinto-me sob tensão. Como se estas coisas só fossem piorar daqui pra frente. As facções criminosas estão começando a mostrar seu verdadeiro poder e a lei está vendo o quão fraca é. Já posso prever o momento em que trarão o armamento mais pesado para tentar impor respeito novamente.
Essas barricadas dão um clima à noite da cidade que me lembra os territórios que os alemães ocuparam na Segunda Guerra. E como tudo parecia mais ou menos bem enquanto as perseguições aos judeus iam começando por debaixo do pano antes de serem oficializadas. Quem assistiu O Pianista vai entender o clima de que estou falando. As coisas parecem mais ou menos bem.
Por enquanto, não me importo com as barricadas. Passo sem receios: tenho meus documentos e o carro está em ordem. Acho que essas medidas ainda podem surtir algum efeito e me submeto a essas coisas sem problema. Mas imagino se alguma hora eles vão começar a confundir a gente comum com os bandidos...
So much for intermission....



Marina was great. In fact, this was perhaps one of the best birthdays I've had in a long time. But I'm not going to go into it in full detail. Let's just say there were business propositions for next year, great sushi, more on my trip to the US, cuddling with Tink, and Marina.

My Tinkerbell couldn't have picked a better gift (which reminds me I'll have to work my ass off to get something even remotely as good for her birthday in December....). We sat in good seats, not too far from the stage, but far enough not to see her face in full detail. Reminds me, when I saw Bowie, I was so far away that if it had been some generic blonde old guy up there, I wouldn't have noticed. But just as the show ended and the crowd roared for an encore, some of us got up from our seats and headed down to the front of the stage. It was her alright! In full detail! She gave us two more of her greatest hits.
She has something that brings back the memory of Dora. It's something bigger than the fact that they're both edgewalking, ass-kicking women. It's something in their presence, their entities. It's their melancholy: both have that constantly fed up mood. Which doesn't mean they are annoying. On the contrary: makes them all the more interesting. And there's something about their figures too. It's a dark presence. Lots of contrast, lots of blacks and whites. Very little color.
But of course, I've been known for making weird comparisons....

sábado, novembro 15, 2003

Happy birthday to me.....

Of course, this is supposed to be the crappiest birthday ever. I'm a week away from delivering my graduation project, which still needs a few tweaks, and most of the guys went to one of those university sport events out of town. Mom is on a business trip somewhere. So ya, I'm slightly depressed.

Luckily I have my little Tink, my saviour. She got me tickets to see Marina, one of my favourite female singers. And I spent the first few hours of today in the company of her friends from film school, a jolly little bunch. We laughed our asses off and for a moment, I was gleeful.

And now, back to our intermission.

quarta-feira, novembro 12, 2003

INTERMISSION


I know this blog seems to have been completely forgotten. But it isn`t. The thing is, my graduation papers have taken almost all of my time. What little time I have left, I devote it to my Tinkerbell. Hence, the blog is temporarily suspended. The Pan returns in two weeks!
Tenho acompanhado em um misto de curiosidade mórbida e ultraje o caso de Liana, a menina que morreu junto com o namorado no final de semana passado. Na última vez que vi, o garoto assassino estava sendo ouvido no fórum da cidade. O povo todo estava reunido na porta, ameaçando de linchamento. Tinha mais é que esfolar o desgraçado mesmo: justiça com as próprias mãos, como fizeram com o cara que tomou o ônibus inteiro como refêm e acabou matando a professora. Essas coisas teimam em aparecer justo quando a gente pensa em viajar pelo país. E tome paranóia materna!

quarta-feira, novembro 05, 2003

The body can endure only a certain amount of physical exercise. And it must slow down before stopping. A sudden stop bring all kinds of strange symptoms. At first, there`s this notion of experiencing the entire body. One does not feel the entire body all the time. It`s part of the body`s system to ignore it`s own existence. Or else, it would be stimulated to the point where it would go mad. Schizophrenia includes the lack of this ability to ignore your own body. Overstimulation: everything is analized constantly. Anyway, after exceding your limit of exercise, there first comes this sense of physicality. Being present, being an organism. That sense that usually triggered my old sickness. But then, as the blood pressure drops, this physicality grows. You feel heat waves and the body beggins shutting down whatever peripherals it can to save on energy: the stomach stops digesting and you feel you`re imminently going to throw up. Arms work at a minimum strength and begin shaking. Your legs, somehow, still hold you long enough to reach the bathroom, but once you get there, their efficiency plunges to a minimal percentage. When you finally decide to collapse on the ground, sitting up or lying down, and the blood is allowed to flow easier, the last peripherals will shut down: eyes close almost instinctively and your hearing almost shuts down completely. You still hear things, but you don`t listen: any effort to pay attention on something is directed to analyzing and comprehending the body`s current status, understanding what went wrong, supressing the panic, devising strategies to resolve the situation. There`s barely enough energy for imagination. All you can do is feel the blood flow through the body and collect enough energy to return to working condition.
After a while, you reboot the system and get up. You work at 30% at first. But as the hours pass your percentage rises.

Systems check:

Musculatory..................55%
Digestive.......................65%
Logic.............................80%
Imagination...................65%
Sensorial peripherals.....95%
.
.
.