Descobri que a garota do atendimento (também chamda Luciana, o que causa algumas confusões por lá...) canta divinamente bem. Apareceu ontem com um CD de músicas que gravou em estúdio. Aparentemente, ela trabalhou com bandas desde os 14 anos, e sabe-se lá como acabou como atendimento de agência. Eu já ouvira que ela tinha um gosto por karaokê como o meu, mas daí pra cantar bem é outro assunto.
Durante as horas de trabalho, Cíntia coloca o fone no ouvido e não contém a cantoria. Outra que leva algum jeito e gosta disso. O repertório é interessante, passando pelo Tourniquete do Evanescence, coisa que nunca imaginei sendo cantada por uma garota aparentemente pacata e boazinha como ela.
Estou prevendo happy hours no karaokê...
Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.
quarta-feira, novembro 29, 2006
segunda-feira, novembro 27, 2006
Na quinta passada, vernissage da exposição da Dora na Luisa Strina. Dora abriu a exposição com um vídeo: ao lado do título da exposição, "AcordaLice", uma tela mostrava uma garota vestida de coelhinha pin-up (orelhas, corpete de couro, rabo de coelho, meia arrastão com cinta-liga, the whole nine yards...), dormindo lânguida sobre uma cama de alguma pele de animal branco. Mais adiante, em outro vídeo, Dora promovia uma colagem insana de referêcias, juntando as diversas personagens femininas infantis como Alice, Dorothy e a chapeuzinho vermelho, ao som cacofônico de uma banda de punk rock e o declamar do quase incompreensível Finnegan's Wake do James Joyce. A última sala da exposição repentinamente transportava o expectador para um momento Twin Peaks, sendo inteiramente rodeada por dentro de uma pesada cortina vermelha. Para completar a referência ao filme do David Lynch, só faltava o anão falando ao contrário. Mas então uma voz soava dos alto-falantes no teto: um finlandês tentava ler o Ulisses do Joyce em português, resultando em uma coisa incompreensível que bem poderia ser a fala ao contrário do anão. Fantástico.
No meio da exposição, encontrei Naiah Mendonça. Contemporânea do curso de artes, ela tinha passado um tempo no ateliê das meninas logo depois que eu saí. Pena: conversas com ela teriam sido interessantes. Mas nunca é tarde demais. Naiah fazia principalmente vídeos e fotos. Na época da última Anual de que eu tentei participar, ela apresentou uma série de fotos entitulada Ofélia [1][2][3], onde ela aparecia dentro de uma banheira. Eu tinha feito a série Apatia [1][2][3] na época, e a ressonância era óbvia. Mas as fotos de Naiah tinham um componente cromático mais interessante: ela tinha cabelos tingidos de bordô na época, e jogara um corante verde na água da banheira, criando um contraste bem forte. No mais, a pele branquíssima dela e a maquiagem que empalidecia seus lábios dando aquele aspecto mórbido contrastava com as longas unhas pintadas de preto no pé que escapava pela borda da banheira.
Durante os semestres nos quais tivemos as aulas de vídeo, vi um outro trabalho de Naiah que muito me interessou. Chamava-se Olympia (e eu, que confundo até Heitor Penteado com Hélio Pellegrino por causa das iniciais, sempre tenho dificuldade de discerni-lo de Ofélia...). Era uma imagem simples: a tela tomada por uma garota deitada em um sofá com a cabeça no colo do namorado. Os dois assistiam imóveis a uma televisão, iluminados pela luz azul da tela em uma sala escura. Aos poucos, um líquido denso, viscoso e escuro começava a vazar (no inglês, o verbo perfeito seria "to ooze") por diversos cantos. Do ventre da garota, por seu pescoço, na testa. O sangue escorre pelo sofá, cai no chão. E durante tudo isso, o casal assiste TV, imóvel, ignorando a tragédia. Não se falam, não se olham. Em um site, li que um curador analisou o vídeo dizendo tratar-se da "incomunicabilidade e um cotidiano de emergências ignoradas". Pessoalmente, me trouxe uma sensação de estar morrendo por dentro e ainda assim manter a pose, fingir que nada acontece, fingir a integridade e a sanidade. Já escrevi por aqui em algum lugar que de vez em quando eu podia sentir minha sanidade vazando, sumindo aos poucos.
Queria fazer algo assim também.
Mais da Naiah no blog dela.
No meio da exposição, encontrei Naiah Mendonça. Contemporânea do curso de artes, ela tinha passado um tempo no ateliê das meninas logo depois que eu saí. Pena: conversas com ela teriam sido interessantes. Mas nunca é tarde demais. Naiah fazia principalmente vídeos e fotos. Na época da última Anual de que eu tentei participar, ela apresentou uma série de fotos entitulada Ofélia [1][2][3], onde ela aparecia dentro de uma banheira. Eu tinha feito a série Apatia [1][2][3] na época, e a ressonância era óbvia. Mas as fotos de Naiah tinham um componente cromático mais interessante: ela tinha cabelos tingidos de bordô na época, e jogara um corante verde na água da banheira, criando um contraste bem forte. No mais, a pele branquíssima dela e a maquiagem que empalidecia seus lábios dando aquele aspecto mórbido contrastava com as longas unhas pintadas de preto no pé que escapava pela borda da banheira.
Durante os semestres nos quais tivemos as aulas de vídeo, vi um outro trabalho de Naiah que muito me interessou. Chamava-se Olympia (e eu, que confundo até Heitor Penteado com Hélio Pellegrino por causa das iniciais, sempre tenho dificuldade de discerni-lo de Ofélia...). Era uma imagem simples: a tela tomada por uma garota deitada em um sofá com a cabeça no colo do namorado. Os dois assistiam imóveis a uma televisão, iluminados pela luz azul da tela em uma sala escura. Aos poucos, um líquido denso, viscoso e escuro começava a vazar (no inglês, o verbo perfeito seria "to ooze") por diversos cantos. Do ventre da garota, por seu pescoço, na testa. O sangue escorre pelo sofá, cai no chão. E durante tudo isso, o casal assiste TV, imóvel, ignorando a tragédia. Não se falam, não se olham. Em um site, li que um curador analisou o vídeo dizendo tratar-se da "incomunicabilidade e um cotidiano de emergências ignoradas". Pessoalmente, me trouxe uma sensação de estar morrendo por dentro e ainda assim manter a pose, fingir que nada acontece, fingir a integridade e a sanidade. Já escrevi por aqui em algum lugar que de vez em quando eu podia sentir minha sanidade vazando, sumindo aos poucos.
Queria fazer algo assim também.
Mais da Naiah no blog dela.
quinta-feira, novembro 23, 2006
O bracelete de Alice
Um insight durante o trabalho.
Uma vez me perguntaram porque que a minha Alice tem o bracelete de couro no pulso esquerdo. Quando desenhei a personagem pela primeira vez, quis colocar a peça porque parecia um ítem totalmente alheio ao visual dela, uma coisa mais hard core em uma menininha inocente de vestidinho rosa. Mas depois o negócio começou a pesar, virando uma característica intrínseca dela, como o corte de cabelo.
Ainda assim, quando me perguntavam o que significava, eu não sabia responder. Porque este é um daqueles trabalhos que vai sendo feito inconscientemente. Eu faço um pouco, e o trabalho se faz um pouco sozinho. Os significados vão aparecendo gradualmente, não estão lá desde o começo.
De uns tempos pra cá, comecei a pensar que Alice escondia debaixo daquele bracelete um machucado. Uma ferida aberta que ela usava o bracelete pra manter fechada e escondida. O conceito óbvio seria o de um corte no pulso, uma Alice meio suicida.
Hoje me veio em mente que talvez tivesse a ver com as crises de ansiedade. Com o ato de me esforçar pra segurar a crise dentro de mim, abafar. Como mantê-la amarrada, amordaçada por tiras de couro. Ainda preciso aperfeiçoar a idéia.
Não sei a quem vai interessar isto.
Uma vez me perguntaram porque que a minha Alice tem o bracelete de couro no pulso esquerdo. Quando desenhei a personagem pela primeira vez, quis colocar a peça porque parecia um ítem totalmente alheio ao visual dela, uma coisa mais hard core em uma menininha inocente de vestidinho rosa. Mas depois o negócio começou a pesar, virando uma característica intrínseca dela, como o corte de cabelo.
Ainda assim, quando me perguntavam o que significava, eu não sabia responder. Porque este é um daqueles trabalhos que vai sendo feito inconscientemente. Eu faço um pouco, e o trabalho se faz um pouco sozinho. Os significados vão aparecendo gradualmente, não estão lá desde o começo.
De uns tempos pra cá, comecei a pensar que Alice escondia debaixo daquele bracelete um machucado. Uma ferida aberta que ela usava o bracelete pra manter fechada e escondida. O conceito óbvio seria o de um corte no pulso, uma Alice meio suicida.
Hoje me veio em mente que talvez tivesse a ver com as crises de ansiedade. Com o ato de me esforçar pra segurar a crise dentro de mim, abafar. Como mantê-la amarrada, amordaçada por tiras de couro. Ainda preciso aperfeiçoar a idéia.
Não sei a quem vai interessar isto.
quarta-feira, novembro 22, 2006
Out with the old, in with the new
Sei que o Orkut virou algo totalmente demodê e não tem mais graça atualizar perfil...
Mas vim enterrar aqui o texto do meu perfil anterior, que eu gostava e que me rendeu comentários de alguns desconhecidos, pra dar lugar a algumas novidades naquele lugar, que já estava enchendo de pó de tão velho...
E não, não acho que o novo esteja melhor do que este. But time will tell.
==========================
Eu ando quase sempre sozinho. Escrevo sem olhar para o teclado ou para a tela. Adoro e cultivo meus comportamentos bizarros. Me interesso por perversões sexuais. Sou um claustrófilo (gosto de lugares fechados). Achei que era esquizótipo. Sou facilmente hipnotizado por sons e movimento repetitivos. Sou um existencialista. Sou um pouco nihilista. Não sou tão intelectual assim: parte disso é só pose mesmo. Mas detesto ter vergonha de ser culto. Adoro gente libertina. Tento ser hedonista. Estou aprendendo a não ser tão metódico. Estou aprendendo a olhar nos olhos das pessoas. Gosto de falar de detalhes íntimos. Tenho pudor para perguntá-los. Gosto do meu corpo, embora me ache pequeno e isso crie complexos. Andaria nu se possível. Dou apelidos para pessoas que vejo passar frequentemente. Faço comparações bizarras de pessoas com artistas de cinema. Já tive toda uma turma de personagens imaginários. Queria ensinar alguém a desenhar/pintar. Já ensinei certa alguém a andar de bicicleta. Me apaixono por fotografias de pessoas. Compreendi o que era amar alguém quando já era tarde demais (aliás, lição aprendida...). Odeio meu cabelo. Odeio futebol. Não dou importância para comida. Compenso isso com bebidas (não-alcoólicos, nesse caso). Dizem que escrevo melhor do que desenho. Dizem que tenho movimentos animalescos. Dizem que tenho gostos incomuns, porém sensatos.
Do meu trabalho de graduação:
"Filosoficamente, é impossível conhecer alguém por inteiro.
Mesmo que a pessoas se explique, você não é ela para saber a impressão que ela tem de si mesma.
Analogamente, ela não é você para saber a impressão que você tem dela.
Falta sempre o outro ponto de vista."
[por mim mesmo]
Mas vim enterrar aqui o texto do meu perfil anterior, que eu gostava e que me rendeu comentários de alguns desconhecidos, pra dar lugar a algumas novidades naquele lugar, que já estava enchendo de pó de tão velho...
E não, não acho que o novo esteja melhor do que este. But time will tell.
==========================
Eu ando quase sempre sozinho. Escrevo sem olhar para o teclado ou para a tela. Adoro e cultivo meus comportamentos bizarros. Me interesso por perversões sexuais. Sou um claustrófilo (gosto de lugares fechados). Achei que era esquizótipo. Sou facilmente hipnotizado por sons e movimento repetitivos. Sou um existencialista. Sou um pouco nihilista. Não sou tão intelectual assim: parte disso é só pose mesmo. Mas detesto ter vergonha de ser culto. Adoro gente libertina. Tento ser hedonista. Estou aprendendo a não ser tão metódico. Estou aprendendo a olhar nos olhos das pessoas. Gosto de falar de detalhes íntimos. Tenho pudor para perguntá-los. Gosto do meu corpo, embora me ache pequeno e isso crie complexos. Andaria nu se possível. Dou apelidos para pessoas que vejo passar frequentemente. Faço comparações bizarras de pessoas com artistas de cinema. Já tive toda uma turma de personagens imaginários. Queria ensinar alguém a desenhar/pintar. Já ensinei certa alguém a andar de bicicleta. Me apaixono por fotografias de pessoas. Compreendi o que era amar alguém quando já era tarde demais (aliás, lição aprendida...). Odeio meu cabelo. Odeio futebol. Não dou importância para comida. Compenso isso com bebidas (não-alcoólicos, nesse caso). Dizem que escrevo melhor do que desenho. Dizem que tenho movimentos animalescos. Dizem que tenho gostos incomuns, porém sensatos.
Do meu trabalho de graduação:
"Filosoficamente, é impossível conhecer alguém por inteiro.
Mesmo que a pessoas se explique, você não é ela para saber a impressão que ela tem de si mesma.
Analogamente, ela não é você para saber a impressão que você tem dela.
Falta sempre o outro ponto de vista."
[por mim mesmo]
Highlights da monografia (parte 1)
Sim, isso mesmo.
Ao contrário da maioria das pessoas que, durante a época de escrever a monografia de conclusão de curso, somem do mundo virtual por não terem tempo pra ele, eu resolvi juntar as duas coisas. Ou melhor, estabelecer uma relação simbiótica entre as duas coisas.
A monografia servirá de assunto interessantes para spice up as linhas do meu blog, enquanto o eventual feedback de leitores discordantes servirá pra fortalecer meus argumentos ou mudar o rumo pra corrigir falhar.
Vou postar por aqui só o filé da monografia, sem os floreios e burocracias necessários pra apresentação acadêmica. O que significa que eu não vou correr atrás de links para bibliografia de referência. Às vezes, se estiver com saco, ainda coloco links para os artistas mencionados. Se não o fizer, por favor façam vocês o esforço e pesquisem. O Google não morde.
Sem mais delongas...
====================
O dicionário Aurélio define conceito como uma “representação dum objeto pelo pensamento, por meio de suas características gerais”. Assim, definir o conceito de arte requer a procura de características comuns a toda obra de arte. Obvio, não? Porém, como encontrar características comuns a produções tão diferentes quanto esculturas, pinturas, vídeos, performances, literatura, música ou teatro?
A resposta a esta pergunta veio dos cadernos de anotações que preenchi ao longo do curso [de artes plásticas]. Cadernos cheios de idéias anotadas para as quais eu não tinha então tempo para me dedicar, e estava documentando para épocas mais calmas (e que até hoje não chegaram...). Todas aquelas anotações eram idéias soltas. Elas só chegariam a ser obras de arte quando eu as colocasse em prática. Afinal, o próprio termo “obra de arte” pressupõe a materialização de algo. Não há obra que seja pura idéia. Mesmo obras intrinsecamente conceituais como o Carvalho de Michael Craig-Martin [1] [2] precisam de uma manifestação. Mesmo coisas tão efêmeras quanto uma performance de poucos minutos são algo que acontece no mundo real, que toma um espaço, que é recebido pelos sentidos.
Indo direto ao assunto, o mesmo dicionário dá uma série de definições para o termo arte:
“1. Capacidade que tem o homem de pôr em prática uma idéia, valendo-se da faculdade de dominar a matéria [...].”
Suscinto e direto para um conceito inicial, mas não difere a arte de outras atividades criadoras, como a engenharia, as diversas ciências ou, digamos, a culinária. Mais adiante, o dicionário define:
“3. Atividade que supõe a criação de sensações ou de estados de espírito, em geral de caráter estético, mas carregados de vivência íntima e profunda, podendo suscitar em outrem o desejo de prolongar ou renovar. [...].”
Com essa definição, já é possível excluir várias das atividades criadoras mencionadas, por terem objetivos diversos da fruição estética. A engenharia procura a forma mais direta, eficaz e eficiente de resolver necessidades do mundo físico, mas não se preocupa com o aspecto estético do produto final se este não lhe confere mais capacidade de alcançar seu objetivo. As ciências, via de regra, procuram comprovar hipóteses com utilidade prática, que muitas vezes também consideram o aspecto estético como irrelevante.
No entanto, restam outras atividades. A já mencionada culinária pode ter um objetivo: alimentar. Porém nunca perde de vista o aspecto estético (“estética”, do grego aisthesis, significando “percepção” e portanto relativo não só ao visual, mas aos outros sentidos). A arquitetura é outra modalidade de criação que leva em conta a estética. Há também a moda como atividade criadora, que não só leva em conta a estética, como em muitos casos define seus parâmetros.
Embora se fale da “arte da culinária” ou se considere arquitetos notáveis como Gaudí um artista e ainda que a moda tenha eventos cujo visual e estrutura ressoem a exposições de arte; estas atividades, assim como outras que veremos adiante, não podem ser consideradas arte. Não a arte no sentido mais específico e direto da palavra. A “arte da culinária” continua sendo, em seu sentido mais específico, culinária, tendo a alimentação como foco principal. E não importa quanta cor e formas lascivas Gaudí instile em suas criações, elas continuam sendo, a rigor, arquitetura, requerendo como produto final a construção de moradia útil e eficaz. A moda, essencialmente, não pode abandonar o assunto de vestimenta.
Porém existe uma categoria de produção que não se enquadra em nenhuma outra definição, sendo generalizada sob o nome de arte. Não a “arte de” alguma coisa, mas apenas e essencialmente arte, sem outra definição. Os exemplares desta produção variam livremente em forma e tema, mas continuam sendo reunidos sob esta definição única e conjunta de “obras de arte”. Para efeito de comunicação nesta monografia, tal categoria será escrita com a primeira maiúscula: Arte. O que a diferencia das outras supostas artes é justamente o fato de não ter um objetivo específico e prático...
A SEGUIR, CENAS DOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS:
• Filósofos que sustentam a efemeridade da arte (assim que eu conseguir achar o desgraçado do meu professor de filosofia da faculdade de arte...).
• A finalização da definição de arte baseada nos meus três ítens: técnica (ou "materialização de uma idéia valendo-se do domínio da matéria", como colocado pelo Aurélio...), estilo e conceito subjetivo (o lance da efemeridade, falta de objetivo prático, vai entrar aqui).
Ao contrário da maioria das pessoas que, durante a época de escrever a monografia de conclusão de curso, somem do mundo virtual por não terem tempo pra ele, eu resolvi juntar as duas coisas. Ou melhor, estabelecer uma relação simbiótica entre as duas coisas.
A monografia servirá de assunto interessantes para spice up as linhas do meu blog, enquanto o eventual feedback de leitores discordantes servirá pra fortalecer meus argumentos ou mudar o rumo pra corrigir falhar.
Vou postar por aqui só o filé da monografia, sem os floreios e burocracias necessários pra apresentação acadêmica. O que significa que eu não vou correr atrás de links para bibliografia de referência. Às vezes, se estiver com saco, ainda coloco links para os artistas mencionados. Se não o fizer, por favor façam vocês o esforço e pesquisem. O Google não morde.
Sem mais delongas...
====================
O dicionário Aurélio define conceito como uma “representação dum objeto pelo pensamento, por meio de suas características gerais”. Assim, definir o conceito de arte requer a procura de características comuns a toda obra de arte. Obvio, não? Porém, como encontrar características comuns a produções tão diferentes quanto esculturas, pinturas, vídeos, performances, literatura, música ou teatro?
A resposta a esta pergunta veio dos cadernos de anotações que preenchi ao longo do curso [de artes plásticas]. Cadernos cheios de idéias anotadas para as quais eu não tinha então tempo para me dedicar, e estava documentando para épocas mais calmas (e que até hoje não chegaram...). Todas aquelas anotações eram idéias soltas. Elas só chegariam a ser obras de arte quando eu as colocasse em prática. Afinal, o próprio termo “obra de arte” pressupõe a materialização de algo. Não há obra que seja pura idéia. Mesmo obras intrinsecamente conceituais como o Carvalho de Michael Craig-Martin [1] [2] precisam de uma manifestação. Mesmo coisas tão efêmeras quanto uma performance de poucos minutos são algo que acontece no mundo real, que toma um espaço, que é recebido pelos sentidos.
Indo direto ao assunto, o mesmo dicionário dá uma série de definições para o termo arte:
“1. Capacidade que tem o homem de pôr em prática uma idéia, valendo-se da faculdade de dominar a matéria [...].”
Suscinto e direto para um conceito inicial, mas não difere a arte de outras atividades criadoras, como a engenharia, as diversas ciências ou, digamos, a culinária. Mais adiante, o dicionário define:
“3. Atividade que supõe a criação de sensações ou de estados de espírito, em geral de caráter estético, mas carregados de vivência íntima e profunda, podendo suscitar em outrem o desejo de prolongar ou renovar. [...].”
Com essa definição, já é possível excluir várias das atividades criadoras mencionadas, por terem objetivos diversos da fruição estética. A engenharia procura a forma mais direta, eficaz e eficiente de resolver necessidades do mundo físico, mas não se preocupa com o aspecto estético do produto final se este não lhe confere mais capacidade de alcançar seu objetivo. As ciências, via de regra, procuram comprovar hipóteses com utilidade prática, que muitas vezes também consideram o aspecto estético como irrelevante.
No entanto, restam outras atividades. A já mencionada culinária pode ter um objetivo: alimentar. Porém nunca perde de vista o aspecto estético (“estética”, do grego aisthesis, significando “percepção” e portanto relativo não só ao visual, mas aos outros sentidos). A arquitetura é outra modalidade de criação que leva em conta a estética. Há também a moda como atividade criadora, que não só leva em conta a estética, como em muitos casos define seus parâmetros.
Embora se fale da “arte da culinária” ou se considere arquitetos notáveis como Gaudí um artista e ainda que a moda tenha eventos cujo visual e estrutura ressoem a exposições de arte; estas atividades, assim como outras que veremos adiante, não podem ser consideradas arte. Não a arte no sentido mais específico e direto da palavra. A “arte da culinária” continua sendo, em seu sentido mais específico, culinária, tendo a alimentação como foco principal. E não importa quanta cor e formas lascivas Gaudí instile em suas criações, elas continuam sendo, a rigor, arquitetura, requerendo como produto final a construção de moradia útil e eficaz. A moda, essencialmente, não pode abandonar o assunto de vestimenta.
Porém existe uma categoria de produção que não se enquadra em nenhuma outra definição, sendo generalizada sob o nome de arte. Não a “arte de” alguma coisa, mas apenas e essencialmente arte, sem outra definição. Os exemplares desta produção variam livremente em forma e tema, mas continuam sendo reunidos sob esta definição única e conjunta de “obras de arte”. Para efeito de comunicação nesta monografia, tal categoria será escrita com a primeira maiúscula: Arte. O que a diferencia das outras supostas artes é justamente o fato de não ter um objetivo específico e prático...
A SEGUIR, CENAS DOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS:
• Filósofos que sustentam a efemeridade da arte (assim que eu conseguir achar o desgraçado do meu professor de filosofia da faculdade de arte...).
• A finalização da definição de arte baseada nos meus três ítens: técnica (ou "materialização de uma idéia valendo-se do domínio da matéria", como colocado pelo Aurélio...), estilo e conceito subjetivo (o lance da efemeridade, falta de objetivo prático, vai entrar aqui).
terça-feira, novembro 21, 2006
Cíntia
Temos uma nova integrante na agência. Cíntia. Garota de aprência simples, mas de um jeito interessante, ativo, temperado.
Tentando fixar o nome na cabeça, acabei pensando em Synthia, como se derivado da grafia inglesa para algo sintético. Mas o apelido não teria nada a ver com ela, que pelo jeito simples e humor honesto, não tem nada de artificial ou sintético.
To be continued...
Tentando fixar o nome na cabeça, acabei pensando em Synthia, como se derivado da grafia inglesa para algo sintético. Mas o apelido não teria nada a ver com ela, que pelo jeito simples e humor honesto, não tem nada de artificial ou sintético.
To be continued...
segunda-feira, novembro 20, 2006
AcordaLice
Acordei há alguns dias com o som do despertador do meu celular. Rolei o corpo na cama e pude vê-lo no chão, sobre a minha mochila. E então percebi o rápido rastejar de formigas no meu braço, enquanto a minha circulação sanguínea voltava a preencher o braço direito quase morto sobre o qual eu tinha dormido. Mas eu sou meio brontofóbico quando pego de surpresa e logo fiz a primeira coisa que me veio à cabeça para deter aquele som: estiquei o braço para pegar o celular. Aquele mesmo, o direito. Um pedaço de carne sem vida e estúpido se jogou pela beira da cama, ficando pendurado a meio caminho do aparelho. Ainda mexi o ombro algumas vezes, tentando lançá-lo em direção ao celular. Daria na mesma estar sacudindo um salame. Poupem-me: eram as sete da manhã e eu não estava raciocinando... Demorou até eu ter a brilhante idéia de usar o outro braço.
Mais hilário ainda é quando apenas uma das pernas adormece. Eu rolo pra fora da cama e piso no chão com o pé que ainda está vivo. Eu sei que a outra perna está adormecida, mas como eu disse, não estou raciocinando. Daí dou aquele primeiro e fatídico passo que me leva non-stop ao chão. Belo jeito de começar o dia.
Mas o mais bizarro aconteceu no sábado. Sendo acordado pelo despertador apenas para descobrir que eu não precisava ir trabalhar, despenquei na cama e voltei a dormir. Muitos já me disseram que, em determinadas ocasiões, eu durmo de olhos abertos (don't ask, até hoje ninguém me mostrou provas concretas disso...). Pois bem, sonhei que estava aprovando uma peça publicitária, um catálogo. Na capa, um desenho bizarro. Quando acordei, ainda me lembrava do desenho. Mas foi só quando me virei na cama, olhando para o teto, que reconheci: o ventilador do meu quarto.
Eu dormi de olhos abertos, olhando para o ventilador, e minha cabeçca achou um jeito de incluir o detalhe no sonho. Bizarro.
Aproveitando o ensejo, AcordaLice é o nome da exposição que a minha ex-orientadora Dora Longo Bahia abre nesta quinta na Galeria Luisa Strina (Rua Oscar Freire 502), baseada obviamente, na Alice. Gostaria de acreditar que ela viu a minha exposição das Alices em Janeiro, ou soube delas de algum outro modo, mas já estou um pouco além dessas pretensões...
Ainda assim, coincidência interessante.
Mais hilário ainda é quando apenas uma das pernas adormece. Eu rolo pra fora da cama e piso no chão com o pé que ainda está vivo. Eu sei que a outra perna está adormecida, mas como eu disse, não estou raciocinando. Daí dou aquele primeiro e fatídico passo que me leva non-stop ao chão. Belo jeito de começar o dia.
Mas o mais bizarro aconteceu no sábado. Sendo acordado pelo despertador apenas para descobrir que eu não precisava ir trabalhar, despenquei na cama e voltei a dormir. Muitos já me disseram que, em determinadas ocasiões, eu durmo de olhos abertos (don't ask, até hoje ninguém me mostrou provas concretas disso...). Pois bem, sonhei que estava aprovando uma peça publicitária, um catálogo. Na capa, um desenho bizarro. Quando acordei, ainda me lembrava do desenho. Mas foi só quando me virei na cama, olhando para o teto, que reconheci: o ventilador do meu quarto.
Eu dormi de olhos abertos, olhando para o ventilador, e minha cabeçca achou um jeito de incluir o detalhe no sonho. Bizarro.
Aproveitando o ensejo, AcordaLice é o nome da exposição que a minha ex-orientadora Dora Longo Bahia abre nesta quinta na Galeria Luisa Strina (Rua Oscar Freire 502), baseada obviamente, na Alice. Gostaria de acreditar que ela viu a minha exposição das Alices em Janeiro, ou soube delas de algum outro modo, mas já estou um pouco além dessas pretensões...
Ainda assim, coincidência interessante.
sábado, novembro 18, 2006
Vídeos do Bowie
Me surgiu a brilhante idéia de usar o Youtube pra procurar os vídeos do Bowie que eu tanto gosto.
Vídeos como o maravilhoso Strangers when we meet, que foi o primeiro vídeo que eu vi dele, a primeira música que ouvi, e que gerou todo meu gosto por ele. Ou o Survive, que me deu aquela sensação de literalmente "perder o chão" frente a um relacionamento que termina (prestem atenção na letra). E ainda o Thursday's Child, onde ele aparece com a esposa super-model (não me perguntem qual delas...). Sem falar no animal I'm affraid of Americans, com a participação do vocalista do Nine Inch Nails, Trent Reznor; e o remix dos Pet Shop Boys de Hallo Spaceboy.
Vídeos cheios de uma coisa muito estranha e sobrenatural.
E por falar em participações, o Bowie participou de um show do Placebo, de onde saiu um vídeo do Without you I'm nothing da banda, que eu recomendo mais pela edição do vídeo e pelo dueto fabuloso do que pelo vídeo em si. Mas se formos falar de vídeos do Placebo, a dica é Song to say goodbye e o já mencionado This picture.
Vídeos como o maravilhoso Strangers when we meet, que foi o primeiro vídeo que eu vi dele, a primeira música que ouvi, e que gerou todo meu gosto por ele. Ou o Survive, que me deu aquela sensação de literalmente "perder o chão" frente a um relacionamento que termina (prestem atenção na letra). E ainda o Thursday's Child, onde ele aparece com a esposa super-model (não me perguntem qual delas...). Sem falar no animal I'm affraid of Americans, com a participação do vocalista do Nine Inch Nails, Trent Reznor; e o remix dos Pet Shop Boys de Hallo Spaceboy.
Vídeos cheios de uma coisa muito estranha e sobrenatural.
E por falar em participações, o Bowie participou de um show do Placebo, de onde saiu um vídeo do Without you I'm nothing da banda, que eu recomendo mais pela edição do vídeo e pelo dueto fabuloso do que pelo vídeo em si. Mas se formos falar de vídeos do Placebo, a dica é Song to say goodbye e o já mencionado This picture.
sexta-feira, novembro 17, 2006
Defesa
Conversando com a Loo sobre pintura.
Me dei conta de um comportamento recorrente durante o ato de pintar. Me aproximo da tela no cavalete e aplico umas dez pinceladas rápidas, no mesmo local, esticando a tinta ao máximo: o que importa é economia de tinta e uma impressão tão fina que se possa ver a trama da tela através dela, estilo meu que eu gosto. O gesto é quase agressivo, pela pressão que faço na tela, e meio psicótico, pela repetição. Uma violência criadora.
Mas daí eu dou três passos pra trás, tintas e pincéis entre os dedos como mãos ensanguentadas. Inclino a cabeça para o lado como se estivesse analisando a obra, avaliando os traços, mas na verdade não é isso. Eu dou esses passos pra trás como um gesto de defesa. É a estratégia de luta mais básica e eficaz: atacar e fugir, saíndo do alcance do oponente antes que ele possa revidar.
Na verdade, reavaliando, eu estou me defendendo de mim mesmo. Porque o gesto da pintura seria uma violência, não fosse a minha obssessão pelas minúcias, os detalhes, pela perfeição técnica impossível de ser alcançada. E eu dou aqueles passos pra trás não para sair do alcance da tela, mas para tirá-la do meu. Assim eu não posso fazer besteiras impulsivas. Assim eu mantenho meu precioso controle.
Me dei conta de um comportamento recorrente durante o ato de pintar. Me aproximo da tela no cavalete e aplico umas dez pinceladas rápidas, no mesmo local, esticando a tinta ao máximo: o que importa é economia de tinta e uma impressão tão fina que se possa ver a trama da tela através dela, estilo meu que eu gosto. O gesto é quase agressivo, pela pressão que faço na tela, e meio psicótico, pela repetição. Uma violência criadora.
Mas daí eu dou três passos pra trás, tintas e pincéis entre os dedos como mãos ensanguentadas. Inclino a cabeça para o lado como se estivesse analisando a obra, avaliando os traços, mas na verdade não é isso. Eu dou esses passos pra trás como um gesto de defesa. É a estratégia de luta mais básica e eficaz: atacar e fugir, saíndo do alcance do oponente antes que ele possa revidar.
Na verdade, reavaliando, eu estou me defendendo de mim mesmo. Porque o gesto da pintura seria uma violência, não fosse a minha obssessão pelas minúcias, os detalhes, pela perfeição técnica impossível de ser alcançada. E eu dou aqueles passos pra trás não para sair do alcance da tela, mas para tirá-la do meu. Assim eu não posso fazer besteiras impulsivas. Assim eu mantenho meu precioso controle.
E descobri pelo blog da MaWa que a Alice que inspirou aquela do Lewis Carrol morreu em 15 de Novembro.
Também ouvi dizer que o ano em que eu nasci foi o ano em que a existência da AIDS veio a público.
Faz um bem para a auto-estima...
Também ouvi dizer que o ano em que eu nasci foi o ano em que a existência da AIDS veio a público.
Faz um bem para a auto-estima...
quinta-feira, novembro 16, 2006
Pra compensar
Considerando alguns aspectos burocráticos, acho que foi um dos melhores aniversários que tive faz muito tempo.
Começou com o tradicional almoço de família que eu não troco por nada. Lasanha de funghi, vinho, vovó no outro lado da mesa fazendo comentários com seu humor maroto e meu pai despejando todo seu sarcasmo sobre o governo do PT. Meu irmão combatendo os excessos de direitismo do meu pai e mamãe servindo de voto de Minerva. Eu? Só mastigava e ouvia...
Chegando a tarde, fui para a piscina da casa da Ju, namorada do Piero. Ela fazia aniversário no dia antes do meu e meu irmão seguia logo após, no 16. Aproveitamos a descendência japonesa da anfitriã pra comer muito sushi, nadar bastante e surrupiar músicas do computador do Piero para o meu tocador de MP3. No final da festa, já estavam até jogando a irmãzinha da Ju na piscina, de roupa e tudo. A mãe foi carregada filho logo em seguida, de calça jeans.
E até então eu não tinha dado muita bola para o fato de que fazia sol. Murphy aparentemente escolhera tirar sarro de mim, dando-me um raríssimo aniversário sem chuva, justo quando eu não tinha combinado nada, em vez de estragar a balada da Ju. Mas foi só me despedir, que as primeiras gotas caíram na piscina, anunciando o temporal que viria em minutos. Murphy tem uma ironia muito fina...
A chuva, no entanto, não fez tanto estrago na minha balada deste ano. Convencido por um punhado de gente, acabei organizando de última hora o mesmo karaokê do ano passado. Tendo chamado não mais que umas doze pessoas, não me frustrei demais quando chegaram nove. Aliás, fiquei surpreso por tanta gente ter aparecido em algo feio tão às pressas.
Cantei Codinome Beija-flor para Lee.
Strani Amori foi o pedido da Nana, que queria me ouvir cantar em italiano.
Eu, Ri e Napaula pulamos bastante ao som do Take me out.
E eu pude até terminar a noite com Jeremy, presente pra mim mesmo.
Só faltou Pra terminar ou Nada por mim, mas a pessoa para quem eu as cantaria não apareceu...
Tampouco apareceu a pessoa que me convenceu a organizar o karaokê, para quem eu teria cantado This picture, se eles tivessem a música...
A festa e o dia terminaram percorrendo as ruas até o Fran's Café mais próximo, onde uma xícara de chocolate e a compania do Lala's tiveram um gosto e uma iluminação meio Edward Hopper. E falamos de viagens, de amores que nunca foram e viraram boas amizades, de planos para o futuro e felinos com nomes carinhosos em russo. Eu achei que foi o fim perfeito para um aniversário que deu certo.
Mas então eu fui para casa e dormi, e meu aniversário realmente terminou bem quando sonhei com os lábios macios de Genka.
Começou com o tradicional almoço de família que eu não troco por nada. Lasanha de funghi, vinho, vovó no outro lado da mesa fazendo comentários com seu humor maroto e meu pai despejando todo seu sarcasmo sobre o governo do PT. Meu irmão combatendo os excessos de direitismo do meu pai e mamãe servindo de voto de Minerva. Eu? Só mastigava e ouvia...
Chegando a tarde, fui para a piscina da casa da Ju, namorada do Piero. Ela fazia aniversário no dia antes do meu e meu irmão seguia logo após, no 16. Aproveitamos a descendência japonesa da anfitriã pra comer muito sushi, nadar bastante e surrupiar músicas do computador do Piero para o meu tocador de MP3. No final da festa, já estavam até jogando a irmãzinha da Ju na piscina, de roupa e tudo. A mãe foi carregada filho logo em seguida, de calça jeans.
E até então eu não tinha dado muita bola para o fato de que fazia sol. Murphy aparentemente escolhera tirar sarro de mim, dando-me um raríssimo aniversário sem chuva, justo quando eu não tinha combinado nada, em vez de estragar a balada da Ju. Mas foi só me despedir, que as primeiras gotas caíram na piscina, anunciando o temporal que viria em minutos. Murphy tem uma ironia muito fina...
A chuva, no entanto, não fez tanto estrago na minha balada deste ano. Convencido por um punhado de gente, acabei organizando de última hora o mesmo karaokê do ano passado. Tendo chamado não mais que umas doze pessoas, não me frustrei demais quando chegaram nove. Aliás, fiquei surpreso por tanta gente ter aparecido em algo feio tão às pressas.
Cantei Codinome Beija-flor para Lee.
Strani Amori foi o pedido da Nana, que queria me ouvir cantar em italiano.
Eu, Ri e Napaula pulamos bastante ao som do Take me out.
E eu pude até terminar a noite com Jeremy, presente pra mim mesmo.
Só faltou Pra terminar ou Nada por mim, mas a pessoa para quem eu as cantaria não apareceu...
Tampouco apareceu a pessoa que me convenceu a organizar o karaokê, para quem eu teria cantado This picture, se eles tivessem a música...
A festa e o dia terminaram percorrendo as ruas até o Fran's Café mais próximo, onde uma xícara de chocolate e a compania do Lala's tiveram um gosto e uma iluminação meio Edward Hopper. E falamos de viagens, de amores que nunca foram e viraram boas amizades, de planos para o futuro e felinos com nomes carinhosos em russo. Eu achei que foi o fim perfeito para um aniversário que deu certo.
Mas então eu fui para casa e dormi, e meu aniversário realmente terminou bem quando sonhei com os lábios macios de Genka.
terça-feira, novembro 14, 2006
Dialeto
[Na agência, 14:00hrs.]
Loo - Bom, acho que eu vou embebedar essa foto (referência: embed é uma função do Illustrator, programa que normalmente produz arquivos de imagem vetorial com links para imagens externas em JPG. A função grava a imagem externa dentro do arquivo, tornando-o independente do arquivo externo, porém maior. Não entendeu nada, né?).
Leão - Pra que?
Loo - Porque assim eu não preciso zicar um monte de JPGs quando for mandar para a gráfica (referência: zip é um sistema de compactação de arquivos. Ao mandar um arquivo de Illustrator para a gráfica, é preciso mandar junto todos os JPGs linkados.)
Leão - Ué, abre o Fotojovem e grava por cima. Ele diminui o tamanho do arquivo (referência: Photoshop, programa para trabalho com imagens em JPG. Com um poder de compactação maior, ele pode às vezes diminuir tamanhos de imagens em alta resolução.)
Loo - Não precisa. O arquivo com as imagens embebedadas não fica tão grande assim.
Leão - Hmm. Beleza. Não esquece de converter os Panetones pra CMYK (referência: Pantone é um sistema de cores, como CMYK e RGB, que às vezes dá problema nas gráficas...).
Loo - Cê conseguiu sacanear aquela textura? (referência: scanear é o conhecido processo de passar imagens para o computador.)
Leão - sacaneeei, mas depois, quando eu abri no Pataxó, não ficou como eu queria... (referência: novamente, o Photoshop.)
[Me faz lembrar dos dialetos italianos...]
Loo - Bom, acho que eu vou embebedar essa foto (referência: embed é uma função do Illustrator, programa que normalmente produz arquivos de imagem vetorial com links para imagens externas em JPG. A função grava a imagem externa dentro do arquivo, tornando-o independente do arquivo externo, porém maior. Não entendeu nada, né?).
Leão - Pra que?
Loo - Porque assim eu não preciso zicar um monte de JPGs quando for mandar para a gráfica (referência: zip é um sistema de compactação de arquivos. Ao mandar um arquivo de Illustrator para a gráfica, é preciso mandar junto todos os JPGs linkados.)
Leão - Ué, abre o Fotojovem e grava por cima. Ele diminui o tamanho do arquivo (referência: Photoshop, programa para trabalho com imagens em JPG. Com um poder de compactação maior, ele pode às vezes diminuir tamanhos de imagens em alta resolução.)
Loo - Não precisa. O arquivo com as imagens embebedadas não fica tão grande assim.
Leão - Hmm. Beleza. Não esquece de converter os Panetones pra CMYK (referência: Pantone é um sistema de cores, como CMYK e RGB, que às vezes dá problema nas gráficas...).
Loo - Cê conseguiu sacanear aquela textura? (referência: scanear é o conhecido processo de passar imagens para o computador.)
Leão - sacaneeei, mas depois, quando eu abri no Pataxó, não ficou como eu queria... (referência: novamente, o Photoshop.)
[Me faz lembrar dos dialetos italianos...]
sábado, novembro 11, 2006
Comunidades inusitadas do Orkut
[Não, eu não estou participando delas...]
• Life is short, play naked!
• Sou legal, não tô te dando mole!
• Eu ensaboava o box do banheiro
• Quero comer a noviça rebelde
• Compra e venda de almas
• Baratas que dão OLÉ (Essa é pra minha mãe...)
• Se eu Morrer Minha Mãe Me Mata (falando nela...)
• Não fui eu, foi meu Eu lírico
• Sofri um acidente geográfico
• Niilismo miguxo (Sugestão da Nana...)
• Sua estirpe não vingará (coloquei só pela descrição da comunidade)
• Esfregando o cérebro na brita
• Sodomints
• Danoninho sabor Buda
• Desabafos com métrica (a galera que escreve aqui é hilária!)
• GB - Grandes Bosta (comunidade de uma compania de teatro ótima - veja o nome das peças)
• Life is short, play naked!
• Sou legal, não tô te dando mole!
• Eu ensaboava o box do banheiro
• Quero comer a noviça rebelde
• Compra e venda de almas
• Baratas que dão OLÉ (Essa é pra minha mãe...)
• Se eu Morrer Minha Mãe Me Mata (falando nela...)
• Não fui eu, foi meu Eu lírico
• Sofri um acidente geográfico
• Niilismo miguxo (Sugestão da Nana...)
• Sua estirpe não vingará (coloquei só pela descrição da comunidade)
• Esfregando o cérebro na brita
• Sodomints
• Danoninho sabor Buda
• Desabafos com métrica (a galera que escreve aqui é hilária!)
• GB - Grandes Bosta (comunidade de uma compania de teatro ótima - veja o nome das peças)
quinta-feira, novembro 09, 2006
Não combinei nada para o meu aniversário. Apesar de serem 25 anos e eu ter essa coisa por números exatos e significativos desse tipo, não combinei nada. Cansei de ter essa expectativa de que meus amigos apareceriam em peso na balada, coisa utópica que nunca aconteceu e sempre me frustrou. Chega uma hora em que insistência vira burrice mesmo...
No entanto, uma amiga que faz aniversário um dia antes resolveu fazer uma "Pool Party" na casa dela, bem no meu dia. Ótimo: como a festa não é minha mesmo, a frustração vai ser menor.
Daí hoje eu estava saindo da agência para almoçar e lembrei da maldição do meu aniversário. A desculpa que uma razoável parcela dos amigos usa pra não comparecer aos meus aniversários é de que a chuva os impediu. Porque é quase um axioma: aniversário do Leão = dia de chuva.
Resta saber qual das punchlines vai agradar mais ao Murphy: chover na pool party ou me dar um de raríssimos aniversários ensolarados justo quando eu não combino nada...
[Ai, como esse blog tá ficando deprê...]
No entanto, uma amiga que faz aniversário um dia antes resolveu fazer uma "Pool Party" na casa dela, bem no meu dia. Ótimo: como a festa não é minha mesmo, a frustração vai ser menor.
Daí hoje eu estava saindo da agência para almoçar e lembrei da maldição do meu aniversário. A desculpa que uma razoável parcela dos amigos usa pra não comparecer aos meus aniversários é de que a chuva os impediu. Porque é quase um axioma: aniversário do Leão = dia de chuva.
Resta saber qual das punchlines vai agradar mais ao Murphy: chover na pool party ou me dar um de raríssimos aniversários ensolarados justo quando eu não combino nada...
[Ai, como esse blog tá ficando deprê...]
quarta-feira, novembro 08, 2006
A reclamação está ficando velha, batida, monótona, eu sei...
Mas cada vez que cometo o acidente consciente de procurar saber daquele casal, isto ou aquilo me dói. Mas são dores importantes, que eu estou aprendendo a conhecer e esmiuçar, em vez de fazer como todo mundo e simplesmente dizer que dói. Eu preciso disso. Dizem que a lótus mais bela nasce na lama mais fétida.
Desta vez, foi por ele, não por ela. Como escrevi antes, eu queria encontrar um rapaz vil, desprezível, menos do que eu. E encontrei um cara legal, muito mais digno dela. Desta vez, encontrei um rapaz que escreve linhas maravilhosas, que ainda não sei julgar se melhores ou piores do que as minhas sobre ela, porque são diferentes e eu já estou viciado demais nos meus modismos literários pra compreender seus valores. Ele escreve sobre as cores como eu escrevi quando nos apaixonamos no colégio. O azul e o fogo. Ele usa palavras que eu não pensei em usar, como eu usei palavras que outros jamais usariam.
Mas principalmente, ele escreve apaixonado. Um jeito que eu não saberia ser com ela hoje em dia. Perdido em algum lugar, em alguma cama alheia, entre longas pernas estrangeiras. E na verdade, o que percebo e compreendo é que me faz mais falta o amor que eu tive por ela do que ela mesma. Me faz mais falta poder chamar de minha uma musa antes inatingível do que aquela garota. Mas como me faz falta! E como eu queria poder ter de novo isso! Escrever sobre aquela pessoa que é o mundo e mais um pouco. Escrever tendo símbolos tão fortes como o fogo dos cabelos ou o idioma e cultura estrangeiros. Dizer dela, que ela é o fogo com o qual são acesas todas as velas e que queimou Roma na paixão de Nero. Ou mencionar frases perfeitas sussurradas em uma língua desconhecida e macia.
Eu queria ser como ele de novo.
[E poupem-me os consolos de que "um dia serei novamente, quando menos esperar", porque eles também estão ficando velhos, batidos e monótonos...]
Mas cada vez que cometo o acidente consciente de procurar saber daquele casal, isto ou aquilo me dói. Mas são dores importantes, que eu estou aprendendo a conhecer e esmiuçar, em vez de fazer como todo mundo e simplesmente dizer que dói. Eu preciso disso. Dizem que a lótus mais bela nasce na lama mais fétida.
Desta vez, foi por ele, não por ela. Como escrevi antes, eu queria encontrar um rapaz vil, desprezível, menos do que eu. E encontrei um cara legal, muito mais digno dela. Desta vez, encontrei um rapaz que escreve linhas maravilhosas, que ainda não sei julgar se melhores ou piores do que as minhas sobre ela, porque são diferentes e eu já estou viciado demais nos meus modismos literários pra compreender seus valores. Ele escreve sobre as cores como eu escrevi quando nos apaixonamos no colégio. O azul e o fogo. Ele usa palavras que eu não pensei em usar, como eu usei palavras que outros jamais usariam.
Mas principalmente, ele escreve apaixonado. Um jeito que eu não saberia ser com ela hoje em dia. Perdido em algum lugar, em alguma cama alheia, entre longas pernas estrangeiras. E na verdade, o que percebo e compreendo é que me faz mais falta o amor que eu tive por ela do que ela mesma. Me faz mais falta poder chamar de minha uma musa antes inatingível do que aquela garota. Mas como me faz falta! E como eu queria poder ter de novo isso! Escrever sobre aquela pessoa que é o mundo e mais um pouco. Escrever tendo símbolos tão fortes como o fogo dos cabelos ou o idioma e cultura estrangeiros. Dizer dela, que ela é o fogo com o qual são acesas todas as velas e que queimou Roma na paixão de Nero. Ou mencionar frases perfeitas sussurradas em uma língua desconhecida e macia.
Eu queria ser como ele de novo.
[E poupem-me os consolos de que "um dia serei novamente, quando menos esperar", porque eles também estão ficando velhos, batidos e monótonos...]
terça-feira, novembro 07, 2006
Alice 25
For milaya moya...

"Going home, Alice and the Turtle got lost in the Limbo of Perfect Summer, where a faun named Dorogaya charmed the Turtle with gentle foreign lyrics"
"Voltando, Alice e a Tartaruga perderam-se no Limbo do Verão Perfeito, onde um fauno chamado Dorogaya encantou a Tartaruga com suaves cantos estrangeiros"
P.S.: A certain someone would hate the fact that I used real photos to draw this one. It's a good thing she doesn't read these pages anymore.

"Voltando, Alice e a Tartaruga perderam-se no Limbo do Verão Perfeito, onde um fauno chamado Dorogaya encantou a Tartaruga com suaves cantos estrangeiros"
P.S.: A certain someone would hate the fact that I used real photos to draw this one. It's a good thing she doesn't read these pages anymore.
domingo, novembro 05, 2006
Foi só eu falar que lá vou eu fazer o contrário...
Resolvi passar este feriado em casa, imerso em tintas. Rodeado por chapas de acrílico onde estava pintando as aventuras de Alice na procura pela Cidade de Origem, reformando a "Letting the Cables Sleep" e limpando o díptico "Nada por mim", todas possibilidades para a exposição de Dezembro na Casa da Xiclet.
Me senti bem estando de volta à pintura.
Não, a verdade é um pouco mais complexa. Eu me senti bem por ter um foco de novo. Por resolver que, durante estes quatro dias, eu não ia mais pensar nos afazeres do trabalho, em criar coragem para a monografia, em resolver esta ou aquela pendência. Eu ia pintar. E apenas pintar. Dane-se o resto, dane-se a vida social, dane-se a tarde ensolarada: não iria me sentir culpado. Eu ia sair dos quatro dias com algo produzido e finalizado. Me senti muito bem por ter um foco de novo. Porque o problema da falta de foco é tentar abarcar tudo que todos dizem que eu deveria estar aproveitando, e no fim não aproveitar nada. Não concluir nada. Pretendo levar a vida assim de agora em diante, cada coisa com seu tempo, mas cada coisa com minha atenção completa e indivisível.
Mas também senti outras coisas. Senti o quão despreparado eu estava para pintar. Depois de anos sem me dedicar diretamente a essas coisas, sem fazer nada mais complexo do que as Alices, percebi que agora eu tinha medo. Eu levava boa parte de umas três horas pra finalmente sentar e efetivamente começar uma pintura. Parte era preguiça, mas eu percebi que acima de tudo, era medo. Hesitação, pudor. O medo que hoje eu não tenho de mexer com imagens no computador. Poderia ter feito duas ou três Alices no Photohop, no mesmo tempo que levei pra pintar uma em chapas de acrílico.
Não é um medo paralisante, inviabilizante. É um medo perfeitamente transponível, mas que requer sua dose diária de custo emocional™ (expressão trade mark da Nana) altíssima. Preciso me disciplinar para isso novamente.
Estou terminando o feriado tendo realizado menos do que esperava. Mas ainda assim, é uma sensação muito boa de voltar a fazer o que se gosta, o que me dá orgulho. Uma sensação quase viciante.
Daqui a pouco tem mais Alice no blog. Esta próxima, feita com carinho em homenagem.
Resolvi passar este feriado em casa, imerso em tintas. Rodeado por chapas de acrílico onde estava pintando as aventuras de Alice na procura pela Cidade de Origem, reformando a "Letting the Cables Sleep" e limpando o díptico "Nada por mim", todas possibilidades para a exposição de Dezembro na Casa da Xiclet.
Me senti bem estando de volta à pintura.
Não, a verdade é um pouco mais complexa. Eu me senti bem por ter um foco de novo. Por resolver que, durante estes quatro dias, eu não ia mais pensar nos afazeres do trabalho, em criar coragem para a monografia, em resolver esta ou aquela pendência. Eu ia pintar. E apenas pintar. Dane-se o resto, dane-se a vida social, dane-se a tarde ensolarada: não iria me sentir culpado. Eu ia sair dos quatro dias com algo produzido e finalizado. Me senti muito bem por ter um foco de novo. Porque o problema da falta de foco é tentar abarcar tudo que todos dizem que eu deveria estar aproveitando, e no fim não aproveitar nada. Não concluir nada. Pretendo levar a vida assim de agora em diante, cada coisa com seu tempo, mas cada coisa com minha atenção completa e indivisível.
Mas também senti outras coisas. Senti o quão despreparado eu estava para pintar. Depois de anos sem me dedicar diretamente a essas coisas, sem fazer nada mais complexo do que as Alices, percebi que agora eu tinha medo. Eu levava boa parte de umas três horas pra finalmente sentar e efetivamente começar uma pintura. Parte era preguiça, mas eu percebi que acima de tudo, era medo. Hesitação, pudor. O medo que hoje eu não tenho de mexer com imagens no computador. Poderia ter feito duas ou três Alices no Photohop, no mesmo tempo que levei pra pintar uma em chapas de acrílico.
Não é um medo paralisante, inviabilizante. É um medo perfeitamente transponível, mas que requer sua dose diária de custo emocional™ (expressão trade mark da Nana) altíssima. Preciso me disciplinar para isso novamente.
Estou terminando o feriado tendo realizado menos do que esperava. Mas ainda assim, é uma sensação muito boa de voltar a fazer o que se gosta, o que me dá orgulho. Uma sensação quase viciante.
Daqui a pouco tem mais Alice no blog. Esta próxima, feita com carinho em homenagem.
quinta-feira, novembro 02, 2006
Uma ponta do Laço de Alice
Trabalho em uma agencinha pequena. Fica em uma casa tão comum, que se não soubesse de antemão que havia uma agência lá, passaria reto. É uma casinha gostosa, decorada naquele estilo clean de agência de publicidade. Trabalho em uma sala dos fundos, tão pequena que só cabemos eu, a Loo, as máquinas e uma mesa de luz. Uma janela dá para um pátio interno meio claustrófilo, mas muito aconchegante.
De tão pequena que é a casa, ouve-se muita coisa acontecer e eu experimento pela primeira vez na vida uma sensação de awareness em relação ao emprego que não tive nos outros. No meio da retocagem de uma foto, ouço pedaços de uma conversa do Mr. President com um cliente, dizendo que a galera do estúdio (eu) conseguiu resolver aquele logotipo complicado, ou que eles aprovaram justo aquele layout que eu não gostei. Quando a notícia chega até mim, eu finjo que não sabia, mas já comentei com a Loo e ela sorri de canto da boca. Não se trata daquela coisa mal-educada que, em inglês, chamam de eavesdropping: é que não tem como não ouvir em um lugar tão pequeno e decorado com superfícies que não absorvem som.
Porém o mais cômico é ver que meus ouvidos já foram treinados pra isolar no burburinho o som das teclas de telefone. Porque mesmo sendo pequena, a agência tem um ramal para cada um (apesar de que, se eles levantarem o tom de voz, eu já escuto...). E assim que ouço a garota do atendimento digitar três números, minha mão já está sobre o aparelho, esperando o toque. Parece vidência.
Ontem descobri que a garota do atendimento fala italiano. Pouco, visto que aprendeu sozinha e não tem com quem praticar. Mas nos divertimos com isso. Garota com um jeito misturado entre o sério e o divertido, ela vive cantarolando por aí. Tem uma voz boa e já disse ter trabalhado com música antes. Soube, assim como quem não quer nada, que ela também tem seu vício por karaokê. Mas antes que vocês pensem demais nas semelhanças, ela tem seu rapaz e não faz muito meu tipo.
Vou pra casa de ônibus, lendo um livro que já está quase no fim, sobre um daqueles garotos que causou um massacre na escola. Os cobradores no ônibus são sempre os mesmos, na ida e na volta. Já estou ficando íntimo.
No caminho para casa, frequentemente me pego com aquela sensação de ter ficado para trás. Tantos amigos meus que já têm empregos (empregos, não estágios...) fixos nessa área e ganham relativamente bem. Fosse eu, já teria até saído da casa dos pais. Eles avançaram para a próxima fase da vida e eu ainda estou aqui. Meu instinto competitivo de Bandeirantes não me deixa ignorar esse fato. Me acalmo sabendo que estou aqui porque no ano passado tive um emprego desses. Ou seja, estou invertendo, fazendo agora o que eu devia ter feito lá. Mais importante: estou aprendendo. Muito mais do que aprendi no outro emprego, porque pulei a parte de estagiar, e isso é fantástico.
Essa inversão tem seu paralelo cômico com o modo como eu estou ouvindo Placebo, Goldfrapp e Lacuna Coil; estou usando delineador preto quando saio para as baladas e vestindo minhas roupas esquisitas. São coisas que eu devia ter feito aos dezoito, quando estava mais preocupado em parecer adulto, escutando Mahler, Satie e MPB e vestindo roupas comportadas que não me caiam bem, tentando pular essa fase adolescente.
De tão pequena que é a casa, ouve-se muita coisa acontecer e eu experimento pela primeira vez na vida uma sensação de awareness em relação ao emprego que não tive nos outros. No meio da retocagem de uma foto, ouço pedaços de uma conversa do Mr. President com um cliente, dizendo que a galera do estúdio (eu) conseguiu resolver aquele logotipo complicado, ou que eles aprovaram justo aquele layout que eu não gostei. Quando a notícia chega até mim, eu finjo que não sabia, mas já comentei com a Loo e ela sorri de canto da boca. Não se trata daquela coisa mal-educada que, em inglês, chamam de eavesdropping: é que não tem como não ouvir em um lugar tão pequeno e decorado com superfícies que não absorvem som.
Porém o mais cômico é ver que meus ouvidos já foram treinados pra isolar no burburinho o som das teclas de telefone. Porque mesmo sendo pequena, a agência tem um ramal para cada um (apesar de que, se eles levantarem o tom de voz, eu já escuto...). E assim que ouço a garota do atendimento digitar três números, minha mão já está sobre o aparelho, esperando o toque. Parece vidência.
Ontem descobri que a garota do atendimento fala italiano. Pouco, visto que aprendeu sozinha e não tem com quem praticar. Mas nos divertimos com isso. Garota com um jeito misturado entre o sério e o divertido, ela vive cantarolando por aí. Tem uma voz boa e já disse ter trabalhado com música antes. Soube, assim como quem não quer nada, que ela também tem seu vício por karaokê. Mas antes que vocês pensem demais nas semelhanças, ela tem seu rapaz e não faz muito meu tipo.
Vou pra casa de ônibus, lendo um livro que já está quase no fim, sobre um daqueles garotos que causou um massacre na escola. Os cobradores no ônibus são sempre os mesmos, na ida e na volta. Já estou ficando íntimo.
No caminho para casa, frequentemente me pego com aquela sensação de ter ficado para trás. Tantos amigos meus que já têm empregos (empregos, não estágios...) fixos nessa área e ganham relativamente bem. Fosse eu, já teria até saído da casa dos pais. Eles avançaram para a próxima fase da vida e eu ainda estou aqui. Meu instinto competitivo de Bandeirantes não me deixa ignorar esse fato. Me acalmo sabendo que estou aqui porque no ano passado tive um emprego desses. Ou seja, estou invertendo, fazendo agora o que eu devia ter feito lá. Mais importante: estou aprendendo. Muito mais do que aprendi no outro emprego, porque pulei a parte de estagiar, e isso é fantástico.
Essa inversão tem seu paralelo cômico com o modo como eu estou ouvindo Placebo, Goldfrapp e Lacuna Coil; estou usando delineador preto quando saio para as baladas e vestindo minhas roupas esquisitas. São coisas que eu devia ter feito aos dezoito, quando estava mais preocupado em parecer adulto, escutando Mahler, Satie e MPB e vestindo roupas comportadas que não me caiam bem, tentando pular essa fase adolescente.
Subscrever:
Mensagens (Atom)