quinta-feira, agosto 28, 2008

Citações

"The purest surrealist act would be to go into a crowd and fire at random."
"O mais puro ato surrealista seria entrar no meio de uma multidão e atirar a esmo"
André Breton, 1896-1966

Encontrei essa citação por aí. Imagino que, se a tivesse encontrado na época da faculdade, eu teria levado a cabo a performance que eu pensei em fazer na época do massacre de Columbine.


"O verdadeiro crescimento é a capacidade demonstrada por uma sociedade de transferir quantidades cada vez maiores de energia e atenção do aspecto material da vida para o aspecto não-material e, assim, evoluir em cultura, potencial de compaixão, sentido de comunidade e força democrática."
Arnold Toynbee

Essa eu encontrei no blog de uma amiga. E cheguei a pensar nessa idéia quando escrevi a monografia. Sobre como a arte é a ação de um indivíduo que está em uma sociedade tão bem estruturada, que não precisa mais gastar tempo e raciocínio com coisas basais do tipo comer ou se defender. Não restando outra responsabilidade, ele gasta esse tempo e energia na arte que, de acordo com a minha teoria, não tem função prática alguma.

28ª Bienal de São Paulo

O site da Bienal lançou há algumas semanas a lista dos 40 artistas que participarão da 28ª Bienal de São Paulo. Escrevi um post enorme a respeito, mas na espera para chegar mais perto da data do evento, acabei dando chance para que meu computador perdesse o arquivo. Cá está minha tentativa de recriá-lo.

Com o nome de 28ª Bienal de São Paulo - Em Vivo Contato, a exposição deste ano tem curadoria de Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen. Pessoalmente não conheço muito de ambos, além do fato de que o nome de Mesquita sempre figura entre curadores de renome. Por exemplo, está sempre no edital do Salão de Santo André, que inclui uma área para os participantes votarem em quem será o curador.

O primeiro nome a me saltar à vista foi justamente o da minha orientadora do curso de artes, Dora Longo Bahia. Dora sempre foi, entre os alunos da fundação, uma figura lendária. Capaz de suscitar antipatia e respeito em iguais proporções, sempre rodeada de jovens artistas que atualmente ajudam em seus trabalhos. Em uma matéria no Caderno 2 da semana passada, todos apareciam em um esforço coletivo para cobrir o chão do terceiro andar do pavilhão da Bienal com uma enorme pintura baseada em padrões da arquitetura islâmica. A participação de Dora também inclui um painel onde a cada dia um de seus asseclas colocará uma obra por cima da anterior, com o intuito de criar um trabalho co-autoral.
Sinto falta das pinturas antigas de Dora. De uma época em que ela realmente pintava. Porque isso ela fazia maravilhosamente bem. Mas também não posso dizer que essa nova empreitada grupal não tenha seu charme e apelo.

O segundo andar da Bienal permanecerá completamente vazio, segundo o Caderno 2. A decisão já dotou esta edição da Beinal do apelido de "Bienal do Vazio". Mas tem para mim a cara dos trabalhos de Iran do Espírito Santo. Vindo da cidade de Mococa, no interior paulista, ele tem entre seus trabalhos mais conhecidos, tentativas de preencher espaços vazios e "atacar o padrão arquitetônico moderno de escala humana" [1]. Em exposição recente na Galeria Fortes Vilaça, ele pintou as paredes em 54 tons de cinza, criando uma sensação estranha onde não se sabe exatamente onde estão as bordas e acessos da sala. O resto da galeria permaneceu vazio [2].

A última conterrânea a me chamar a atenção na lista da Bienal foi Rivane Neuenschwander. Seus trabalhos tem aquela dicotomia de serem imagens que evocam leveza e banlidade, mas com detalhes de uma carga poética e emotiva que carrega todo o peso do mundo. Para citar exemplos, seu Andando em Círculos [2000] tinha círculos concentricos de adesivo aplicados ao chão de uma galeria que só eram visíveis depois que visitantes andavam sobre eles e deixavam suas marcas de sujeira. Carta Faminta tinha caminhos feitos em cartas por lesmas que comeram o papel. Em exposição na Fortes Vilaça em 2004, ela forrou as paredes de feltro verde e colocou máquinas de escrever modificadas (as letras substituídas por pontos) onde as pessoas podíam escrever suas mensagens indecifráveis e pregar no feltro [3]. E em Eu Desejo Seu Desejo [2003], ela cobriu as paredes da galeria com fitas de Nosso Senhor do Bonfim, impressas com os desejos de diversas pessoas [4]. Deu pra sentir o que quero dizer? Ela fala de relacionamentos humanos, de linguagem. Do que é pesado e exige delicadeza para entender.
E no entanto, é difícil imaginar que Rivane seja aproveitada em uma megaexposição como a Bienal. Seus trabalhos requerem uma paciência e contemplação, um tempo que não existe em um evento daquele tamanho, com 40 artistas para ver antes do corpo entrar em colapso por causa do cansaço. Minha dica é vê-la primeiro. Ou separar uma segunda visita para isso.

Dentre as surpresas estrangeiras, me surpreendi com a presença da dupla novaiorquina do Fischerspooner. Estava acostumado a ouvir o nome relacionado à música eletrônica, mas nunca soube que se aventuravam nas artes plásticas. A página de Wikipedia dedicada a eles conta a história do grupo, além de comparar seu trabalho ao de bandas como o Kraftwerk e Depeche Mode. Se estas referência forem corretas, podemos esperar trabalhos na Bienal que tenham uma qualidade técnica forte e temas meio viajantes e malucos. Mas não posso dizer ao certo, porque nunca vi trabalhos visuais deles. Uma procura no Google pode revelar coisas interessantes...

Meu deleite nesta edição da Bienal com certeza será a francesa Sophie Calle. Fui apresentado ao trabalho dela enquanto pintava meus retratos. Mais especificamente, quando contei a um professor o processo de stalkear e fotografar Lilian para o segundo retrato da série que pintei. Posteriormente escrevi um pouco sobre cada mulher retratada. Sophie fazia algo similar. Ela perseguia pessoas e documentava sua existência com fotografias e anotações. Na era pré-internet, era preciso fazer tudo isso pessoalmente, descobrindo os detalhes pela proximidade física com a pessoa.
Sua página de Wikipedia conta sobre alguns de seus trabalhos, muitos do quais despertam em mim a vontade de fazer coisa similar. Em Address Book [1983], ela faz cópias de uma agenda encontrada na rua antes de devolvê-la ao dono. Passa então a ligar para os contatos e perguntar a respeito do sujeito, tentando conhecer sua personalidade através dos conhecidos. Tudo é documentado com fotografias dele em atividades cotidianas. O homem em questão ameaçou processar Calle e forçou o jornal que tinha escrito sobre o trabalho a publicar uma foto da artista nua como retaliação. Duvido queCalle, que sempre se interessou muito por experiências de intimidade e identidade, tenha se incomodado com o fato.
Em The Hotel [1981], Sophie se empregou como camareira em um hotel e fotografou a bagunça criada pelos hospedes, como expressão da tentativa de cada pessoa em transformar os espaços frios e o conforto impessoal de quartos de hotel e dotá-los de identidade e familiaridade. Personalizar o genérico.
O que me interessa em Sophie Calle, além da identificação com uma stalker muito mais experiente, é o fato dela conseguir usar o status de arte para transmutar o que seria um comportamento socialmente condenável em algo de um relativo valor. Ao publicar suas conclusões, ela deixa de ser uma sociopata e torna-se artista. Quão tênue é essa linha?

E por falar em comportamentos estranhos, talvez o destaque desta Bienal fique para a iugoslava Marina Abramovic. Com uma daquelas infâncias conturbadas que normalmente geram psicóticos ou gênios da arte, ela começou a fazer performances em 1973, com sua série de apresentações intituladas Rythm (Ritmo). Cada uma testava os limites físicos e de consciência da artista. Na última e mais controversa destas performances (Rythm 0 [1974]), Marina colocou à disposição do público 72 objetos em uma mesa, para que fossem usados à vontade em seu corpo por 6 horas. O público inicialmente reagiu com pudor e respeito, mas à medida que as horas avançavam e a artista não esboçava reação, os atos ficaram cada vez mais violentos, com pessoas enterrando espinhos de rosa na pele da artista, cortando suas roupas e cabelo e alguém apontando-lhe ao rosto uma arma com uma única bala. Após seis horas, a artista se levantou, causando grande alvoroço entre o público, que fugiu temendo alguma retaliação.
Em 1976, Marina Abramovic conheceu o alemão Uwe Laysiepen (apelidado Ulay), com o qual manteve um relacionamento de forte teor metafísico durante pouco mais de uma década. Faziam tudo juntos: vestiam-se como gêmeos, moravam juntos, colaboravam em trabalhos artísticos. O relacionamento em si funcionou como um grande experimento artístico, onde ambos tentavam anular seus próprios egos para serem reconhecidos como uma entidade única, assexuada, Abramovic/Ulay.
Em 1988, realizaram seu último trabalho co-autoral. Como um meio de acabar um relacionamento extremamente simbólico, organizaram uma performance na Grande Muralha da China. Ulay começou no deserte de Gobi. Marina no Mar Amarelo. Cada um caminhou seu trajeto da Grande Muralha e, ao se encontrarem no meio, se despediram e voltaram a existirem como pessoas separadas.
Mais recentemente, Marina comprou um teatro em Hudson, perto de Nova Iorque, onde pretende criar uma ONG para a preservação de arte performática. Imagino que o trabalho nesta Bienal tenha algo a ver com essa nova empreitada.

A 28ª Bienal de São Paulo - Em Vivo Contato acontece de 26 de Outubro a 6 de Dezembro, no Parque do Ibirapuera. Ainda não tenho certeza, mas se repetirem a iniciativa dos anos anteriores para atrair o público, a entrada será gratuita.

quarta-feira, agosto 27, 2008

Com a chegada do segundo semestre, começam a se intensificar as conversas sobre política. Mas as notícias do mundo da democracia são cada vez mais desanimadoras. Não vou me demorar muito no assunto porque, como todo mundo sabe, eu faço parte daquela geração de adolescentes desiludidos e apáticos com a política nacional, que acreditam realmente que todos os políticos são de fato iguais. Igualmente corruptos.

Há algumas semanas li uma notícia falando da mais nova peripécia do Berlusconi na Itália. O político, conhecido entre outras coisas por seus escândalos de infidelidade, ordenou que pintassem por cima de um quadro histórico (calma, era uma cópia...) no palácio do governo italiano, para esconder um seio à mostra de uma alegoria da verdade. Alardeou seu pudor com requintes de demagogia, e só conseguiu o escárnio da mídia (pelo menos da parte da mídia não controlada por ele...), que apontou o fato óbvio dele estar literalmente “encobrindo a verdade”.
Para mim, a questão que mais me chocou é: como diabos reelegeram o Berlusconi????? Lembro de quando eu estive por lá em meio ao primeiro turno das eleições italianas, e de ver Sara, uma das minhas colegas de apartamento, pulando de alegria e bradando para a vizinhança ouvir porque viu na televisão que Berlusconi perdia o primeiro turno. Lembro de não ter encontrado um só italiano consciente que respeitasse o político. Lembro de aulas sobre atualidade italiana onde me explicavam a mudança terrível que ele provocou na política italiana, inaugurando no país a época onde se votava no outro candidato, mesmo que ele não fosse decente, só para que este monstro não ganhasse (coisa que no Brasil já se faz há anos, mas que lá ainda era impensável). A manobra de mídia que ele deve ter empreendido deveria ser estudada e ensinada em escolas de publicidade.

Deste lado do atlântico, não bastou para os americanos terem oito anos de administração Bush, de um presidente que sempre aparece segurando livros de ponta-cabeça e balançando a bandeira americana ao contrário nas olimpíadas. Eu já não tinha digerido o fato deles reelegerem também este monstro e aceitarem o conseqüente declínio contínuo da imagem internacional do país. Agora parece que eles irão persistir no erro, elegendo para o próximo mandato um outro republicano. Veja bem, meu problema não é com os republicanos. Tenho lá meu lado conservador também e acho que o oba-oba dos democratas às vezes é meio extremo. O problema não é com as ideologias partidárias, mas com os candidatos em si.
De um lado, temos o republicano McCain. Um gagá de 75 anos que nem sabe quantas mansões tem (quando perguntado por um jornalista, respondeu confuso que sua equipe de assessores teria que responder isso por ele) e que sobrevive do dinheiro da mulher milionária. Com uma retórica senil e problemas crônicos de indecisão. Do outro lado, um político jovem, carismático, com uma língua afiada porém cuidadosa. E negro. O republicano está vencendo nas pesquisas. Porque pode ser gagá, indeciso e fraco, colaborando para a continuidade do declínio do império americano. Mas é branco.

Em terras tupiniquins, nossas eleições para prefeito deram de cara com os candidatos conhecidos. A sexóloga que, por falta de um, abriu dois buracos novos e completamente inúteis na cidade e criou um espetáculo midiático estrelado por seu casamento em ruínas. Outro político cuja carreira tem como principal falha sua própria falta total de carisma. E o terceiro e atual prefeito, que embora tenha feito muito do que precisava ser feito, tomou as medidas impopulares que outros não tinham coragem de tomar (algumas mais acertadas que outras, certo) e não puxou sacos suficientes para ser reeleito. E ao que tudo indica, aparentemente a sexóloga vai levar essa eleição por falta de outra opção. Votarão nela porque anular o voto é feio a papai do céu castiga.

Ta, eu sei que não existe atualmente nenhuma outra opção viável, mas eu realmente não acredito em democracia na era da mídia.

terça-feira, agosto 19, 2008

Bateram no carro de minha mãe recentemente. Ao contrário dos meus infortúnios veiculares, não foi culpa dela. Mas em todo caso, ela ficou com o carro “confiscado” pelo mecânico durante algum tempo, tendo que se virar com o transporte público da cidade.
Sabe aquela cena do Wall•E onde o gordinho John é nocauteado fora da cadeira computadorizada pelo protagonista e, livre das telas e da programação, passa a perceber todo um mundo à sua volta que ele não sabia que existia? O acidente de trânsito teve um efeito similar em minha mãe. Mas falo sem tanta ironia, afinal, eu mesmo tive essa mesma experiência epifânica no meu primeiro de três acidentes automobilísticos (porra, como é que eu ainda vivo?). Segundo ela (e eu mesmo...), é perceber que você estava saindo da clausura do apartamento para a bolha do carro, e deste para o cárcere do escritório. Livre do calor, da estafa, dos pedintes e da publicidade. Mas também privado do contato humano, das novidades do bairro, das miríades de pequenas histórias acontecendo lá fora.
Recentemente, a questão tinha ganhado ainda outra conotação: com o trânsito cada vez mais insuportável, aquela hora no carro era sua dose diária de stress e perda de tempo em uma cidade onde tempo é um luxo. No transporte coletivo, havia tempo para ler, organizar os pensamentos, observar ou fechar os olhos. Tendo descoberto um ônibus que ia da porta de casa até o trabalho, ela decidiu que, mesmo após a volta do carro, passaria a usar o transporte público mais frequentemente.

Meu pai, que recentemente passou a trabalhar em casa, teve epifania similar ao ver que gastava menos tempo e dinheiro tomando um transporte coletivo em vez de procurando onde estacionar seu avantajado veículo. Aderiu facilmente ao estilo de vida do transporte público.

Eu mesmo tenho praticado isso desde meus acidentes. No meu caso, soma-se às benesses a questão financeira, já que me sai mais em conta tomar o ônibus do que abastecer o carro (mesmo a álcool) toda semana. Li só nesse ano mais do que eu lia obrigatoriamente no colégio, tudo durante meu trajeto entre casa e trabalho.

Daí me passaram há alguns meses o site do Apocalipse Motorizado. O site conta, sem poupar exageros teatrais de estilo dignos do panfletismo ideológico, sobre a batalha travada diariamente entre ciclistas e motoristas. Os ciclistas, claro, são apresentados como coitados subversivos sem apoio do governo. Os motoristas são demonizados, recebem apoio da “mídia motorizada” que vê como causa do trânsito tudo menos os próprios automóveis e convence a classe burguesa a perpetuar a “carrocracia”. Não digo que ele esteja errado. Principalmente depois da vergonha [1][2]que foi o primeiro Naked Bike Ride na cidade (e não estou falando dos ciclistas despudorados...). Mas os exageros causam em quem lê um impulso de desdenhar o conteúdo.
Exageros e linguajar panfletário aparte, quem conseguir ler o site como se lê uma Veja ou um Estadão (com bom senso e ignorando os dogmatismos), vai encontrar um site com uma mensagem clara e muito atraente: a bicicleta é um meio de transporte formidável. Ela resolve o trânsito, não polui, não gasta dinheiro e promove a saúde.
De fato, vivi esse estilo de vida pedalante durante algum tempo em Londres, onde os carros respeitam os pedestres e ciclistas, e achei muito divertido e saudável. Consegui, aproveitando-me do caos aéreo da época, trazer comigo uma daquelas bicicletas dobráveis [1] [2]. E agora estou aqui, há alguns meses tentando criar coragem para comprar o resto do material (capacete, luzes, essas coisas) e implementar esse estilo de vida na minha rotina, apesar de saber que a segurança por aqui não é tão garantida. Não acho que me tornarei tão fervoroso quanto o autor do Apocalipse, mas não posso negar que sou seduzido pela possibilidade utópica de começar a converter cada vez mais pessoas para essa modalidade de transporte diário e ver o trânsito e o ar da cidade melhorarem gradualmente.

sábado, agosto 16, 2008

2000e8 ao vivo

Grupo 2000e8

Tive uma grata surpresa esta semana quando passei na Escola São Paulo. A produtora das exposições deles, Helena, ma falou que haveria uma palestra sobre pintura com a Ana Elisa Egreja e Renata de Bonis. O nome de Ana Elisa me pareceu familiar, porque conversei com uma prima dela em uma vernissage na Luisa Strina há alguns anos. Resolvi dar uma passada por lá.
A grata surpresa foi perceber, assim que cheguei, que a palestra era a primeira de um ciclo de cinco palestras com os integrantes do grupo 2000e8 (aquele). Era a chance que eu esperava para poder entrar em contato e conversar!
A palestra foi ótima.
Ana Elisa Egreja me lembrou fisicamente a personagem de Annabella Sciorra em What Dreams May Come. Comentou sobre suas pinturas com estampas [1] e sobre seu trajeto, de uma pintura mais geométrica e abstrata, para o surgimento desses pássaros que se tornaram seus personagens e a fase atual, onde os pássaros figuram mortos e a profusão de detalhes das penas e cores passa a ser outra estampa sobre a estampa do fundo, deixando meu confusa a relação figura/fundo. Muito se falou entre os que assistiram à palestra sobre a relação dela com a morte e uma beleza vinda da figura morta. Porém ela parecia querer mais procurar um meio de transformar aquela ave viva em forma pura, sem vida, do que pesquisar uma estética mórbida.
A sorridente Renata de Bonis mostrou suas pinturas de paisagens [1] com as cores do Morandi, inspiradas em sua viagem à Europa. Reconheci na experiência dela a minha, de estar na neve pela primeira vez, de peregrinar até cidades que ninguém ouviu falar atrás de obras de arte remotas.

Ambas as linhas de pesquisa tinham um detalhe em comum na procura por uma espécie de homogeneidade. No caso de Renata, pela subtração de cores e estímulos até atingir um estado neutro, onde há muito pouco estímulo entre uma figura e outra. Assim, colocando apenas o mínimo necessário para diferencias a paisagem branca, ela chega em um homogêneo nada. No caso de Ana Elisa, pela adição de uma profusão de cores e estímulos até que nenhum centímetro da tela esteja livre de detalhe. E assim, tentando anular a diferença entre espaços preenchidos e vazios, ela também chega em um homogêneo nada (tudo).

Após a palestra, fui bater papo com o grupo. Lembrava de muitos dos rostos da faculdade de artes. Mas não tinha idéia de que faziam pintura também. Todos pareceram muito abertos à conversa, riam, contavam suas experiências. E no meio de tudo fui lembrar do post que tinha escrito por aqui. Ana Elisa chegou a lembrar do meu nome em relação ao texto, que eles tinham descoberto através do Google e lido há algum tempo. Medo de talvez ter escrito algo pejorativo... Mas ao mesmo tempo, me senti feliz de saber que minhas linhas estava indo além dos meus amigos próximos.

A próxima palestra do Grupo 2000e8 acontece no dia 12 de Setembro, às 19:30, lá na Escola São Paulo. Desta vez, com Rodolpho Parigi e Rodrigo Bivar.

quarta-feira, agosto 13, 2008

Jogos abstratos - o Jogo da Vida de Conway

Minha monografia de conclusão da faculdade de publicidade deveria ter sido sobre videogames e a tentativa de defini-los como uma forma de arte junto do cinema. Para fazer isso, precisei definir o que eu considerava arte. A definição cresceu tanto, que tornou-se o objetivo principal da monografia e os jogos passaram a ser apenas um capítulo. Mas dentro desse capítulo, eu mencionei o antigo Tetris, dizendo que se os jogos eram uma forma de arte, o Tetris seria sua variação abstrata. Isso porque o jogo não conta uma história como a maioria dos outros. Ele simplesmente dá uma tarefa, um conjunto de regras, e você que se vire pra cumprir. Não precisa disfarçar isso de uma história bonitinha com moral e tudo. A idéia não é originalmente minha: Stephen Poole já a mencionou no seu ótimo Trigger Happy. Mas gostei tanto da comparação, que passei a me interessar muito por jogos abstratos. Infelizmente, não encontrei muitos, mas nessa semana achei em um blog por aí uma imagem que prontamente reconheci. Era uma versão do Jogo da Vida do matemático britânico John Horton Conway.
O Jogo foi criado em 1970, baseado em um problema teórico de outro matemárico chamado John von Neumann, sobre uma máquina hipotética que pudesse se multiplicar. A variação de Conway considerou que tal máquina o fizesse interagindo com outras. Os cálculos e o jogo matemático que surgiram como consequência dessas hipóteses deram origem ao jogo de Conway, que serve como metáfora de interação entre entidades e inaugurou um novo campo de estudo na matemática, o de automatos celulares (lembre-se de fractais, partes que agem para formar um todo), além de considerações nas áreas de biologia, filosofia e sociologia.
Na verdade, não dá pra chamar a obra do Conway exatamente de um jogo no sentido popular da palavra, porque não há objetivo, e nem uma forma de vencer ou perder. Trata-se de um grid (teoricamente infinito) onde cada quadrado pode ser "ligado" (vivo) ou "desligado" (morto). A partir daí, quatro regras entram em ação:

1. Qualquer célula viva com menos de dois vizinhos vivos morre de solidão
2. Qualquer célula com mais de três vizinhos vivos morre por superpopulação
3. Qualquer célula com dois ou três vizinhos passa inalterada para a próxima geração
4. Qualquer célula morta com exatos três vizinhos vivos passa a viver na próxima geração.

O jogador então aciona o jogo para que ele calcule a progressão das próximas gerações.
E porque uma coisa tão simples é chamada de Jogo da Vida? Porque, à medida que jogamos o jogo, podemos notar o surgimento de entidades maiores, compostas destas entidades celulares, com comportamentos específicos e às vezes bem complexos. São conjuntos de células que navegam pelo grid mantendo seu número de células e avançando algumas casas a cada n gerações, conjuntos que ficam no lugar e resistem ao "ataque" de conjuntos próximos, conjuntos que alternam entre várias outras formas e retornam à forma original, conjuntos que anulam outros, uma infinidade de entidades.

Foi depois de ter visto esse jogo no colégio que comecei a cogitar a hipótese de que a vida como se acredita, aquela energia mágica e inexplicável, talvez fosse algo muito mais simples que ninguém queria aceitar. Uma evolução, ao longo de bilhões de anos, de processos naturais mais simples se acumulando para gerar processos mais complicados.

sábado, agosto 09, 2008

Ontem acordei com a abertura das olimpíadas de Pequim passando na TV. Não importa quantas instâncias do fenômeno eu veja, é sempre impressionante se perder naquele mar infinito de chineses muito parecidos. Vendo a infinidade geometricamente perfeita de chineses se apresentando, meu pai comentou em frente à TV: "dizem que são mais de 2.000 pessoas só nessa apresentação. Mas isso pra eles não é nada". De fato. E ainda assim, em uma cultura que preza pela homogeneização de seus integrantes, sugem vez por outra alguns artistas que se destacam da massa.
Fui escarafunchar em algo que eu tinha guardado no quarto. O Caderno 2 do Estado do dia 21 de Julho tinha uma matéria de capa falando do bairro 798 em Pequim, um bairro que, segundo a manchete, "reúne o maior número de artistas, estúdios e galerias e parece praticamente imune à rígida censura do país". Entre a variedade de nomes inpronunciáveis e imemorizáveis do texto, encontrei algumas fotos de obras que eu reconheci ter visto em galerias por aí. Reconheci de cara (perdoem a tirada cretina) os retratos de Zhang Xiaogang, os rostos com uma seriedade serena em preto e branco e um único integrante da família destacado por cores. Todos com o característico uniforme do comunismo chinês. E se estas obras me pareceram muito sérias ou melancólicas, não pude evitar de abrir um sorriso diante dos quadros de Yue Minjun. Daria pra falar bastante dele. Sobre como, por definição, ele pega imagens (até mesmo outros quadros famosos) que retratam algum tipo de violência, e substitui todos os rostos pelo seu próprio viso estupidamente sorridente. Ah! Ele também "apaga" todas as armas da cena, deixando os atiradores empunhando nada em direção às vítimas. A bizarra "edição de imagem" de Minjun faz lembrar a forte censura chinesa, que substitui o que não quer mostrar por coisas "mais amenas" e patrióticas,auto-referentes (como o fato do artista pintar a ele mesmo). E no entanto, os rostos sorridentes me causam uma interessante ambiguidade, porque ao mesmo tempo me parecem muito macabros em sua repetição e ignorância da violência, mas me fazem sorrir junto com esses personagens e suas bocas descomunais.

A grande maioria das obras citadas no jornal faz alguma referência ao governo socialista, ao massacre da Praça Tiananmen em 1989, à censura. São obras com uma forte ligação com a realidade dos artistas, um forte teor político, ainda que seja difícil tirar impacto e força de fatos políticos que aconteceram há mais de vinte anos. São trabalhos pra gerar questionamento. Assim como, suponho, seja toda essa olimpíada.

O artigo me fez lembrar de uma exposição sobre arte oriental que aconteceu na faculdade de arte há alguns anos. Vendo as obras de artistas cujos nomes não anotei, tive a impressão de estar diante de um conjunto de valores estéticos bem diferentes dos ocidentais. Tanto na procura do que é belo, quanto do que é artisticamente relevante. Uma cultura que ainda era fortemente ilustrativa e realista, mas muito menos alienada ou conformada.

quinta-feira, agosto 07, 2008

E por falar em grafite, um dos expositores deste ano no FILE (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica que começou na terça, dia 5) é o coletivo novaiorquino Grafitti Research Lab (que tem sua vertente brasileira). Pelo que entendi, trata-se de um grupo realmente dedicado a transformar o modo como o grafite é percebido, usando e abusando de tecnologia de ponta. No Festival deste ano, o grupo usará tecnologia laser para projetar inofensivas (apenas no quesito mídia, não no conteúdo...) em alguns dos prédios e monumentos históricos da cidade. Mais detalhes sobre o assunto podem ser encontrados no site do Festival, que infelizmente para muitos, está em um inglês macarrônico. Mas pelo que entendi, o grupo só estará apresentando seu projeto até amanhã, dia 8, e os locais não são abertamente divulgados no site, embora a Av. Paulista tenha aparecido como forte candidata.

Mas além desse experimento com grafite que tem roubado a cena, o Festival está cheio de outras coisas interessantes. O tema desse ano, explicitado pela imagem em vermelho berrante no início do site do Festival, gira em torno da inovação do cinema 4K, uma forma de altíssima definição de vídeo digital que produz imagens com mais de 8 milhões de pixels (4 vezes a definição do Blu Ray e 24 vezes a de uma TV normal). Pelo que andam dizendo nos jornais, a técnica já chega a se equiparar a filmes produzidos em película de 35mm, com qualidade fotográfica.
Bom, eu tenho um pequeno grau de miopia e astigmatismo, e mesmo com meus óculos de lentes perenemente engorduradas, não consigo enxergar tanta definição assim. Ou seja, tanta tecnologia me parece tão relevante quanto comprar uma Ferrari em São Paulo: você gasta uma grana, não usa todo o potencial do produto por limitações técnicas, e só tem o benefício de se gabar para os amigos. Mas na verdade estou reclamando sem ter experimentado. Pelo que li nos jornais, a vantagem da tecnologia é que ela permite a definição da película de 35mm, sem o efeito de "flickering" da passagem entre frames e sem os chiados, riscos e defeitos da mídia física. E tem ainda uma outra vantagem bem palpável sobre o método anterior: a película precisa ser revelada e digitalizada para ser editada, e isso leva tempo. A tecnologia 4K permite que o cinegrafista grave a imagem e já a tenha pronta para edição em questão de minutos (desde que o computador aguente todo o processamento...).

Outros três assuntos me chamaram a atenção nessa edição do FILE, embora em menor intensidade.
O primeiro foi a presença de uma colega minha do curso de artes, Anaísa Franco. Formou-se do curso com um trabalho em arte eletrônica que misturava robótica, realidade virtual e internet, chamado Spiderrr. Não tenho certeza dos detalhes, mas lembro que a aranha em questão simbolizava agentes de busca online que vagam pela "teia" da web atrás de determinada informação. Gostaria muito de ver o quanto aquele trabalho evoluiu da forma primária que vi na faculdade. Mas ela trouxe outro trabalho para o FILE: uma peça intrigante e muito simbólica chamada Connected Memories. Tive alguma dificuldade de entender o inglês de Anaísa, mas entendi que a obra é composta de duas cabeças de acrílico cheias de equipamentos eletrônicos que conversam entre si. Sensíveis à luz, as cabeças reagem à presença de pessoas no recinto, emitindo luzes coloridas para representar emoções. Cada uma tem receptores Bluetooth, para que os visitantes transfiram para elas seus arquivos de imagem e som, que são reproduzidos por sistemas de voz sintética e TV e entram para a memória expansiva da obra, passando a fazer parte da conversa entre as duas cabeças. E, de certa forma, passando a fazer parte de uma conversa maior, entre todos os que entraram em contato com a obra. Não sei se Anaísa tem a noção completa da força da obra, que fala de globalização, da era da comunicação, mas também tem um quê de solidão, da dificuldade que as pessoas têm de transmitir os dados (conceitos, emoções, vontades) que estão dentro delas para dentro de outras pessoas. Ah, se todo mundo tivesse um receptor Bluetooth ligado no cérebro...

A segunda coisa que me chamou a atenção foi o FILE Innovation. Uma novidade na programação do Festival, o programa contempla obras que transitam entre a arte, a tecnologia, e a economia, procurando finalidades comercializáveis e práticas para as obras. Quem chegou a ler a minha monografia e a a hipótese de que toda arte não tem finalidade prática perceberá o quanto essas obras chegam perigosamente perto de anularem sua natureza de obras de arte. A discussão deve render boas reflexões sobre o assunto.

Por último, não tenho certeza desde quando, mas há algum tempo que o FILE vem divulgando jogos em suas edições. O site deste ano diz que o evento conta com 50 jogos eletrônicos experimentais e artísticos. E o que seriam jogos experimentais e artísticos? Isso é assunto para um próximo post...

quarta-feira, agosto 06, 2008

A música voltou

Hoje de manhã, meu irmão chegou da Europa. Veio corado de alguns dias nas praias de Portugal.
E novamente, a casa encheu-se de música. De sua bossa na voz do xará João Gilberto e dos ideais que não são exatamente socialistas, mas também não são de direita (seu modo de vida que a cada dia me parece mais correto e sensato).

Me lembrou muito do modo como eu voltei da minha viagem. Cheio de idéias, com aquele brilho nos olhos de quem tinha visto uma verdade maravilhosa além do horizonte e não sabia expressá-la em palavras. Mas veio também com a mesma impressão que eu tive, de que essa viagem foi, nas palavras dele, um pisar cauteloso em um novo terreno para ver se o piso aguenta. Quem sabe, na segunda visita ao velho continente, tenhamos meios e hardware para realmente fixar raízes por lá por algum tempo. Eu, quando voltei, tinha uma ponta de sentimento de fracasso por não ter conseguido ficar por lá já na primeira tentativa. Mas hoje entendo o quão despreparado eu estava e o que é preciso.

Mas enfim, meu irmão voltou. E de novo aquele gosto de conversar com ele de um jeito e com uma intimidade que só se tem com irmão. E que cresceu durante a minha viagem e a dele, por parágrafos de e-mail e saudade.

Devo admitir: estava acostumado com a vida como filho único. Ter a casa só para mim nos fins de semana, essas coisas. Detalhes egoístas. Mas é bom tê-lo de volta. Porque depois de muito tempo eu posso admitir (pra mim mesmo) que eu aprendo muito com ele o tempo todo. Sobre uma maneira artistica, ecológica, sociológica e ideologicamente correta de se viver.

segunda-feira, agosto 04, 2008

The Dark Knight

Tinha escrito isso logo após conseguir ver a sessão de estréia do filme. Mas como a internet não funcionava em casa, fiquei de postar depois. Esqueci.

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[Spoilers adiante! Quem ainda não viu o filme, esteja avisado.]
A carta do coringa é chamada em muitos jogos de wildcard, uma expressão que denota que, em um ambiente onde tudo é relativamente organizado e tem seu valor definido, ela traz um pouco de imprevisibilidade. Ela pode assumir qualquer valor, pode ser qualquer coisa. Ela não está acima e nem abaixo de nenhuma outra na ordem das cartas.
No novo filme do Batman, o Coringa do infelizmente falecido Heath Ledger cumpre excepcionalmente bem o papel. Ele não tem passado, não tem motivo, não tem modus operandi. Ele inventa histórias aleatórias sobre as cicatrizes no rosto, jamais diz seu nome verdadeiro ou mesmo seu nome de guerra (chamam-no assim por causa das cartas que deixa).
Ele personifica um medo (devo dizer até um medo pessoal) do caos. O diretor Christopher Nolan não tinha, segundo os jornais, a intenção de fazer uma parábola sobre a política, mas o resultado cai bem no assunto. Suponho que se posa dizer não só da política americana, mas a de vários países. Em uma época onde os Estados paralelos de traficantes levam a própria polícia à corrupção e empresários como o Dantas espelham boa parte dos empresários do país, precisando burlar as leis incongruentes e ter contatos políticos para não falir, o filme poderia muito bem ter sido roteirizado por um brasileiro. Mas como eu entendo pouco de política, vou sair deste terreno pantanoso...
Voltando ao Coringa de Ledger, ele bate o antigo e cartunesco personagem do Jack Nicholson de mil a zero. Mas não é surpresa, sendo que o único filme da série antiga do Batman que realmente valeu algo era o segundo, dirigido por Tim Burton. Esta nova série está indiscutivelmente mais pesada, densa e menos maniqueísta, com um herói claramente não muito heróico e de métodos discutíveis. Pode-se dizer, em tempos em que o sargento Nascimento do Wagner Moura é saudado como exemplo de patriotismo, que a série ficou mais realista. Tá bom, é cômico dizer isso de uma história de super-herói, mas é a sensação que passa. Nem todo mundo é só bom ou só mau, nem todos os atos de truculência são condenáveis, nem todos os seus objetivos ruins. A lei só atrapalha as coisas e deve ser quebrada (típicamente americano o pensamento...) e dá pra sentir a corrupção em tudo. Kinda like real life.

Mas tenho que admitir que não é justo dizer que "o Coringa de Ledger" é ótimo, porque o real valor desta personagem não está apenas na fantástica atuação (metade do cinema perguntava "porra, por que é que ele teve que morrer?"). E dizem que Ledger se trancou num quarto de hotel por semanas para criar o personagem. Boa parte dos louros vão para o roteiro, para os planos mirabolantes e bem executados do palhaço. É como o símbolo de Ying e Yang: se os mocinhos precisam usar de métodos corruptos para vencer, a personificação do caos precisa de planos bem arquitetados e executados de forma ordenada para fazer o que faz. E que planos! O Coringa anterior matava pessoas ele mesmo. Este, muito mais sádico, joga a responsabilidade pela destruição nas mãos da população e vê todo mundo entrando em pânico, matando uns aos outros pra não morrer. Ele espalha corrupção e desordem, a morte é só uma consequência. E ela normalmente vem em tiradas brilhantes de sadismo que fizeram meu lado escorpiano mais grotesco gargalhar como demente enquanto as coisas explodiam.
Mas o principal a se falar dele é que o Coringa atual é punk. O anterior usava ternos perfeitos e limpos (de cores berrantes, mas limpos...). Este usa as coisas sujas da rua, da estética de decomposição, do subvertido. O cabelo tingido é ensebado e despenteado, a maquiagem é feita às pressas e sem precisão alguma. E seu único objetivo parece ser mostrar às pessoas que a ordem é muito frágil. Por que? Porque ele pode. Simples assim, como o ideal do punk.

Há alguns meses eu li uma reportagem em uma revista Wired sobre grievers, aqueles jogadores de jogos online que entram lá só pra destruir a lógica do jogo e infernizar a vida dos jogadores "sérios". Só pra mostrar que aquilo tudo é uma ilusão e não devia ser levada a sério ("why so serious?"). Esse Coringa, em última análise, é como um griever: com uma simplicidade e clareza insanas, ele só está lá pra ver o circo pegar fogo. Porque ele pode.