Na Colômbia e um pouco aqui no Brasil, eu peguei um estilo de escola que insistia um tanto em uma disciplina quase militar, que punia quem desobedecia ou se insubordinava sem clemência ou negociação. Jã não existia a palmatória ou qualquer outro tipo de castigo físico. Estes tinham sido abolidos pelos nossos professores, que haviam sofrido bastante com esses tipos de punição e, lembrando da dor, não se sentiam à vontade para aplica-los a nós, seus alunos.
A geração de professores e pais que cuidou da minha havia abolido o castigo físico, mas ainda exercia uma autoridade punitiva e absoluta, que não admitia ser questionada. A autoridade que, ao ser perguntada sobre os por quês, respondia: "porque eu sou seu professor/pai e eu estou mandando". Não negociava e raramente se explicava.
Minha geração ainda achava tudo aquilo muito injusto, relacionando esse tipo de autoridade inquestionável e absoluta aos regimes totalitários que estes mesmos adultos diziam serem deshumanos e cruéis. Minha geração experimentou ser uma autoridade mais clemente e conciliadora, democrática, aberta ao diálogo e à negociação, querendo explicar ao invés de impor.
Nosso experimento gerou filhos e alunos sem limites, pois se limites podem ser negociados, eles podem ser superados. Esta nova geração venceu seus adultos pela insistência e habilidade de negociação superior, conseguindo o que queriam apesar das regras e ameaças.
Alguém me pergunta que tipo de professores esta geração será, se eles não conhecem disciplina e limite. E eu imagino que serão professores extremamente autoritários. Afinal, se eles são acostumados desde pequenos a sempre terem o que querem e a reagirem agressivamente sem serem punidos por isso, eles reagirão autoritários e despóticos a todo aluno que não responder de acordo com a vontade deles. E vamos retroceder para autoridades totalitárias novamente.
A pergunta que permanece é: quando e como voltaremos daí para os castigos corporais?