segunda-feira, maio 21, 2012

Random literature

The sadness came, as I was told it would. I could scarcely believe it would, since it was meant to be one of the most accomplished periods of my life. The sadness came like winter rain comes in my country. A brief warning, perhaps a chill on an otherwise sunny and warm day. And those who had been seasoned well would know how to watch out for these signs. Weeks went by like days and on the next one my heart faced the most fiersome storm it had ever witnessed, the gales lashing at me throughout the night and thunder keeping sleep at bay. But time passed. And now this mourning is but the grayness of lingering clouds, damping the mood of the days. Every now and then the weather forecast predicts a foggy night or a rainny Tuesday afternoon. But the clouds are always there. It's been days. Perhaps a month already. Few things have any noticeable color anymore. And it seems these clouds will stay here for a long time.

terça-feira, maio 15, 2012

Na adolescência, quando eu costumava teorizar sobre o universo, confortei o Piero em tempos ruins dizendo-lhe que a vida tinha um tipo de equilíbrio. E que, se ele passava por uma época particularmente ruim, era porque uma época muito boa seria paga depois. Claro que não havia nenhuma base lógica para isso. Essa filosofia era inteiramente baseada na fé. Não na fé cristã, mas na fé de que a existência deveria ser boa, justa.

Depois de passar provavelmente o melhor ano da minha vida até este ponto no ano passado, eu acho que estou pagando por ele este ano.

E tá foda.

Pina, Wenders e honestidade

Fui assistir Pina do Wim Wenders. Pra dizer a verdade, não gostei tanto quanto imaginava que gostaria.

Eu queria sim que minha vida fosse como os filmes do Wenders. Fotografia impecável, pelo menos três idiomas e muita poesia. Aos poucos, vou me rodeando de gente que me permite fazer isso. Começar uma conversa em português, ter passagens em inglês e um pequeno parêntesis cômico em italiano.

Não, a razão de eu não ter gostado do filme não tem nada a ver com Wenders. Tem a ver com a dança. Arrisco dizer que tenha a ver com a arte. E principalmente comigo mesmo e com acontecimentos recentes. Alguém recentemente me fez pensar bastante sobre honestidade. Mais do que isso, sobre ser honesto consigo mesmo para poder ser honesto com os outros. Essa noção aparentemente óbvia, ligada a outros questionamentos que eu estava tendo sobre a índole masculina brasileira, tem feito um considerável estrago na minha vida. Mas é um daqueles estragos que você sabe que merece, e pelos quais precisa passar. Pra se tornar um homem melhor. E isso é assunto para um outro longo post que talvez eu nunca chegue a escrever.

No meio da trilha de destruição que essa honestidade está deixando, encontra-se a minha capacidade de apreciar arte. Uma capacidade que antes era baseada em uma espécie de tolerância, como se, frente a uma obra daquelas áridas, meio abstratas e herméticas, eu dissesse "muito bem, eu não estou me relacionando com essa coisa, mas se está aqui, deve ter alguma importância e beleza que eu ainda não captei". Eu ignorava o sentimento negativo de isolamento que eu sentia, o enfado, o tédio, para quem sabe poder chegar a um nível de compreensão e maravilhamento mais adiante. Resumindo, eu fazia cara de conteúdo.
Mas dessa vez, vendo o filme com honestidade, eu resolvi não ignorar. Houve partes em que eu dormi MESMO. Houveram coreografias que não me diziam NADA. Movimentos espasmódicos que claramente eram o fim de algum longo e tortuoso processo do dançarino, mas que não queriam dizer nada para o expectador final que eu sou. Arte hoje às vezes é um processo. E faz sentido quando se vê desde o começo, como fez sentido para quem acompanhou o meu processo todo em Londres e entendeu porque que eu emergi de cabeça raspada, lixando minhas unhas em uma lixadeira mecânica. Porque que eu me embrenhei pelas baladas de Brixton. Porque que a Filha do Açougueiro teve que fugir. Mas pra quem pega o bonde andando, isso não passa de loucura estéril.
Quiçá eu devesse ter lido mais, pesquisado mais sobre a Pina Bausch antes de ir ver o filme. Ela era apenas um nome e uma noção de uma mulher daquelas.

E no entanto, há momentos de grande beleza no filme. Alguns são obra do Wenders: as tomadas do metrô alemão; as cenas nas paisagens desertas; a fila de dançarinos morbidamente sorridentes repetindo os movimentos de primavera, verão, outono e inverno; as construções meio Bauhauss onde algumas das cenas acontecem. Outras são Pina e seus bailarinos: a garota que se enrola nos braços do amado que foge dela; a outra que cai para os lados a cada passo, segura de que seu parceiro a segurará poucos centímetros antes de atingir o chão; os dançarinos jogando baldes d'água na rocha enorme no palco, me lembrando ondas na arrebentação.

Percebo que o meu estado recente me deixou um pouco avesso ao drama. Talvez um pouco mais frio, endurecendo a carapaça externa pela qual todas as artes futuras terão que penetrar pra me fazer sentir algo de fato.

E como será o efeito disso quando (e se) eu voltar a de fato fazer arte?

terça-feira, maio 08, 2012

Um post frívolo

Depois dos acontecimentos recentes da minha vida pessoal  não postados por aqui (já que o blog deixou de ser sobre a minha vida pessoal há muitos anos...), resolvi seguir aquele conselho feminino e ir cortar o cabelo pra tirar o peso da cabeça - literal e figurativamente. Eu adoro aquele termo do inglês: getting pampered. É uma expressão de "ser bem tratado", "ser mimado".

Acho que se eu fosse trilhardário, instalaria uma daquelas pias de lavar cabelo em casa e teria alguém para fazer isso pra mim no final de cada dia. Poucas coisas são tão relaxantes quanto alguém mexendo nos cabelos assim.

Na cadeira do barbeiro, café em uma mão e jornal na outra. Li uma notícia dizendo que a venda de automóveis na cidade havia caído e que os estoques atualmente somam cerca de 43 dias de vendas. Achei curioso e muito interessante. Quiçá a cidade esteja tomando jeito.

Na saída, aquela olhadela básica com os dois espelhos. Mais fácil deixar a cabeça em ordem por fora do que por dentro. Esse último ainda leva um tempo.

segunda-feira, maio 07, 2012

Foi um daqueles momentos cinematográficos. "Cara, eu ouvi sobre o assunto do seu mestrado e tive uma ideia de um roteiro!" me disse uma das minhas colegas de licenciatura. Ela fumava enquanto eu tomava um café no intervalo entre as aulas. Passou a me contar sobre essa história de um rapaz heterossexual que, por curiosidade, acaba indo parar em uma área da cidade frequentada por transsexuais e afins. Vai sozinho, claro, para evitar o questionamento dos amigos. E durante o curta-metragem, passa uma noite incrivelmente poética, hedonista e livre, deixando o preconceito de lado por algum tempo. Participa das baladas, deixa-se seduzir pelas criaturas desse lugar estranho e oferece ao expectador uma visão muito sincera de um feminino encarnado por homens. No fim da aventura, ele retorna a uma espécie de "normalidade", podendo deixar pra trás pra sempre o seu preconceito. Ela disse que seria uma história legal. "Então..." eu respondi. "Deixa eu te contar umas coisas..."

quarta-feira, maio 02, 2012

Aluguel

Eu atualmente estou pagando o aluguel de um apartamento. Eu pago por aproximadamente 35 metros quadrados com varanda (e ganchos de rede...) em uma kitchenette. Eu pago pra que seja o espaço necessário e nada mais, fácil de cuidar sozinho. Eu pago por piscina, sala de ginástica e sauna para fazer uma pausa das traduções de vez em quando. Eu pago por vizinhos jovens, que não enchem o saco e ouvem raridades do Bowie com o volume nas alturas e eu não tenho nem como reclamar porque adoro. Eu pago por uma entrada com boa segurança e porteiros simpáticos. Eu pago por internet wi-fi gratúita no saguão e na silenciosa sala de estudos (que tem um suspeito cheiro de urina...) Eu pago por uma vaga na garagem onde ninguém tem lugar fixo e a gente para onde quer desde que não tranque ninguém. Eu pago para estar a apenas três quarteirões de distância da Paulista e poder na verdade prescindir do carro durante toda a semana. Eu pago para precisar de apenas vinte minutos de transporte público para ir a qualquer lugar: a casa dos meus pais, a faculdade, o colégio e minha Lexy. Eu pago pelas manhãs vendo as pontas dos ciprestes (os "dedos dos mortos") no cemitério da Consolação ao acordar e a paz sepulcral em meio à cidade antes de dormir. Eu pago por uma janela grande sem vizinhos que me espiem, para suprir minha necessidade exibicionista sem perigo real. Eu pago por um prédio que tem um misterioso primeiro andar, sem janelas, que faz com que eu me confunda sempre que tento localizar a minha lá da sala de ginástica. Eu pago para ver as menores formigas que eu já vi na vida, invadindo meu açucareiro e andando por cima da água no prato onde ele foi colocado - um minúsculo exército de Jesuses que não se sente intimidado pela fossa em volta do castelo. Eu pago pela sensação de ser adulto, de conquista, de ter o que é meu, bought and paid for. Eu pago um preço alto. Mas vale cada centavo. Aguardem o open house em breve.