Assistindo As Horas novamente, por acaso.
A sobrinha de Virginia Woolf olha para o pássaro morto:
-"O que acontece quando morremos?"-
Virginia pausa.
-"Nós voltamos para o lugar de onde viemos"-
-"Eu não lembro de onde eu vim"-
-"Nem eu"- [dito aqui na suculenta escolha de palavras britânicas: "Nor I"]
-"Ela parece menor..."-
-"Sim, essa é uma das coisas que acontecem"-
-"...mas muito em paz"-
Lembranças da primeira vez que vi um velório: o de meu primo, relatado aqui mesmo no blog.
E de parentes de amigos próximos que se foram recentemente.
Meio eu retem o sentimento religioso e venera aquele corpo como se ainda fosse a pessoa.
Meio eu vê naquilo apenas um corpo, um resto, uma máquina sem o maquinista. A pessoa se foi. Talvez por isso pareçamos menores. A vida talvez tenha matéria. E quando a perdemos, perdemos tamanho, peso, volume e densidade.
Ou quiçá seja uma questão prática: pra que construir caixões maiores se o corpo não precisa mais de espaço? E então o corpo enquadrado naquela moldura apenas dá a impressão de ser menor. Como um daqueles exercícios simples de ilusão de ótica.
Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.
terça-feira, setembro 28, 2010
sexta-feira, setembro 03, 2010
Pensamentos da véspera
Minha exposição abre amanhã.
Há uma sensação boa no ar em relação a tudo isso. Como se pela primeira vez eu estivesse fazendo as coisas direito, de modo profissional. Com press-release e imagens de divulgação, convites a pessoas influentes e lobby em outras exposições para que as pessoas apareçam. É um lado que nenhum artista gosta de admitir que existe, porque todos gostam de fazer de conta que ser artista plástico é só fazer arte. Mas tem um pouco de política e marketing na coisa toda. Acabo de receber uma ligação de um contato na Veja. E recebi outro e-mail que divulga assuntos relacionados a teatro e cinema citando a exposição. Uma nota também foi colocada no site do espaço onde vou expôr.
O dia hoje foi passado organizando a montagem. Detalhes, detalhes. No meio disso tudo, comecei a perceber coisas gostosas de comentar que acabei esquecendo de escrever por aqui. Outros detalhes. Esqueci de contar como o fundo do quadro da Raposa e as Uvas, onde aparecem meu avô e minha avó, foi feito com vinho de verdade, em uma daquelas cenas bizarras que só artista protagoniza. Esqueci de mencionar que, no verso do Entre Quatro Paredes (com a Cacilda e meus avôs), lê-se a palavra "Estocolmo", porque a tela foi reaproveitada de outra que não chegou a ir pra frente, e que eu comecei na época em que a filha do Sílvio Santos tinha voltado do sequestro proclamando seu amor pelos sequestradores (e que me lembrou um certo artista que eu vi na Casa da Xiclet). E também esqueci de comentar que em uma ou outra tela, pode-se ver bem fraco o meu emblema do leão, que tinha sido gravado em stencil no verso de algumas das telas como uma espécie de assinatura, até que percebi que a tinta atravessava a tela e interferia no quadro da Mary Stuart, com a Cleyde Yáconis. Óbiamente parei com essa brincadeira. Finalmente, não mencionei por aqui que o fundo do Chá e Simpatia foi decidido três dias antes da abertura da exposição, e executado com sobras de material de transferência do Entre Quatro Paredes.
A rigor, nada disso importa a quem vai ver a exposição. Mas eu sou louco por pequenos detalhes. Eles fazem parte da vivência desse ano que se passou na compania destes atores e personagens. E tem muitos deles escondidos nos cantos das telas de amanhã.
Há uma sensação boa no ar em relação a tudo isso. Como se pela primeira vez eu estivesse fazendo as coisas direito, de modo profissional. Com press-release e imagens de divulgação, convites a pessoas influentes e lobby em outras exposições para que as pessoas apareçam. É um lado que nenhum artista gosta de admitir que existe, porque todos gostam de fazer de conta que ser artista plástico é só fazer arte. Mas tem um pouco de política e marketing na coisa toda. Acabo de receber uma ligação de um contato na Veja. E recebi outro e-mail que divulga assuntos relacionados a teatro e cinema citando a exposição. Uma nota também foi colocada no site do espaço onde vou expôr.
O dia hoje foi passado organizando a montagem. Detalhes, detalhes. No meio disso tudo, comecei a perceber coisas gostosas de comentar que acabei esquecendo de escrever por aqui. Outros detalhes. Esqueci de contar como o fundo do quadro da Raposa e as Uvas, onde aparecem meu avô e minha avó, foi feito com vinho de verdade, em uma daquelas cenas bizarras que só artista protagoniza. Esqueci de mencionar que, no verso do Entre Quatro Paredes (com a Cacilda e meus avôs), lê-se a palavra "Estocolmo", porque a tela foi reaproveitada de outra que não chegou a ir pra frente, e que eu comecei na época em que a filha do Sílvio Santos tinha voltado do sequestro proclamando seu amor pelos sequestradores (e que me lembrou um certo artista que eu vi na Casa da Xiclet). E também esqueci de comentar que em uma ou outra tela, pode-se ver bem fraco o meu emblema do leão, que tinha sido gravado em stencil no verso de algumas das telas como uma espécie de assinatura, até que percebi que a tinta atravessava a tela e interferia no quadro da Mary Stuart, com a Cleyde Yáconis. Óbiamente parei com essa brincadeira. Finalmente, não mencionei por aqui que o fundo do Chá e Simpatia foi decidido três dias antes da abertura da exposição, e executado com sobras de material de transferência do Entre Quatro Paredes.
A rigor, nada disso importa a quem vai ver a exposição. Mas eu sou louco por pequenos detalhes. Eles fazem parte da vivência desse ano que se passou na compania destes atores e personagens. E tem muitos deles escondidos nos cantos das telas de amanhã.
quinta-feira, setembro 02, 2010
Aproveitando o ensejo, vi ontem na MTV um quadro humorístico onde o Marcelo Adnet cantava uma paródia do "Samba de uma nota só".
Em 1:44
Eis aqui esta cidade, onde o trânsito da nó
Outos carros vão entrar, e só vai ficar pior
Esse acidente é consequência do que acabo de dizer
O mercado automobilístico é mais importante que você.
Em 1:44
Eis aqui esta cidade, onde o trânsito da nó
Outos carros vão entrar, e só vai ficar pior
Esse acidente é consequência do que acabo de dizer
O mercado automobilístico é mais importante que você.
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