Alguém me explique o que aconteceu no sábado...
Peregrinamos até a Mooca para um show. A casa, de tão nova, nem tinha site na internet ainda. O que me deixou um pouco inseguro, porque sempre gosto de ver as fotos do lugar e sentir o estilo da casa antes de tocar. Estava ainda mais inseguro pelo fato de que não tínhamos ensaiado tudo o que gostaríamos de ensaiar para este que seria nosso primeiro show sem nossa segunda vocal. E fiquei ainda mais inseguro quando chegamos e eu percebi que as pessoas tinham levado a sério o flyer da festa, que propagandeava uma "Glam Hard Night": penteados esfuziantes [procurem no dicionário, é legal] e roupas divertidas. Tudo bem do estilo que eu gosto. Só que eu, com meu estúpido senso do ridículo, viera relativamente normal. Me sentia underdressed.
Seríamos a segunda banda a tocar, mas fomos os primeiros a chegar. O pessoal da casa era de uma certa idade. Com cara de quem não é realmente do ramo do rock, mas resolveu montar a casa porque tinha clientela na região. Do tipo de gente que faz comentários leves de desprezo sobre "essa molecada estranha". A casa era inteira de paredes pretas e lisas, salvo pelo logotipo aqui e ali e uma ou outra decoração. Minúscula: a sala do bar e a sala do palco.
A primeira banda a subir foi um cover de Guns N' Roses. Boa banda, antenada com o estilo da nova formação do Guns e seu vocalista, Scott Weiland. Começaram à meia-noite, uma hora depois do que deveriam, mas realmente animaram a galera. Músicas conhecidas fazem isso. A execução era formidável, a voz e guitarras, idênticas. E o vocalista bebia. E como bebia! Na metade da apresentação, teve a ajuda de outro vocal que subiu da platéia, e que os rapazes reconheceram como um dos vocais de outra famosa banda cover do Guns aqui de São Paulo. Ainda não sou experiente nesse universo pra saber nomes, mas o efeito dessa participação no público foi fantástico.
Como subir ao palco depois de um show desses? Os meninos estavam falando em alterar o setlist, em tocar na fé e sair correndo pra não sermos linchados, em garrafadas na cabeça e chuva de salgadinho e vaia. Comentavam sobre o estilo do público e tinham medo de abrirmos o show com nosso ritualístico Evenflow, porque era música grunge e não cairia bem entre o pessoal punk ou glam ou hard core ou qualquer outra coisa. Me senti desinformado: pra mim, punk já englobava boa parte do público de lá e eu não tinha muita noção de quem gostava do que. Pra mim, qualquer um que curtisse rock adoraria Evenflow. A mesma sensação de ter entrado nas Artes Plásticas e perceber que era, todos artistas, mas que as subcategorias tornavam a todos muito diferentes para se entenderem.
E então foi a hora de subir no palco. A dedicação das meninas em ajudar com toda a parafernalia merece um post em especial algum dia. São vários quilos de guitarras, ferragens de bateria, amplificadores... e a casa não tinha microfone! Por um momento, pânico. Mas me recusei a ser vítima da brasilidade que deixa faltar até o básico: por idéia dos meninos, alcancei o vocalista bêbado do Guns e implorei por um microfone emprestado.
Me acotovelando entre as mais de duzentas pessoas que já estavam na casa naquela hora, senti uma primeira ponta de ansiedade. Não daquela da minha síndrome, mas da ansiedade pré-apresentações. Aquela que até então eu não tinha sentido desde que comecei a cantar na banda. Mas foi só um alarme falso. Um medo momentâneo de não fazer melhor do que a banda anterior. De não ter retorno, não animar a casa cheia. Me desfiz desse pensamento com o placebo de sempre: "Tudo bem, eu não sou cantor profissional mesmo. Nunca estudei e não tenho obrigação de ser bom nisso." Ainda funcionava: a ansiedade passava instantaneamente. Até quando?
Tudo ligado, hora do show. Chamei a atenção do público dizendo que, ao contrário dos rumores, eu não era o D2 e nem o cara dos Titãs. Risadas. Quebrou-se o gelo.
Aquele slide de guitarra, como o momento em que a onda te levanta para depois jogar com velocidade para frente, e na próxima nota estávamos no Evenflow. Os rapazes tocando como quem vira o rosto para o lado antes de apertar um gatilho.
E então, o inesperado.
Um, dois, cinco grunges surgindo da multidão do fundo para cantar o refrão. Nossas meninas engrossando o coro e criando aquele efeito moral que arrebanhou os sem opinião própria. E de repente, a casa inteira estava junto!
Eu nunca tinha visto aquilo. Era nosso quinto show e o mais cheio que eu já fiz. E a platéia respondia maravilhosamente bem a tudo. E mesmo entre músicas, naqueles minutos antes dos próximos acordes, a timidez ficava longe e eu me deliciava com o controle sobre aquela centena de pessoas. Eles cantavam junto, pediam músicas, gritavam. Atravessaram Boy Toy pulando e dançaram com os clássicos. Na beira do palco, um gordo risonho alcançava com dedos gulosos a barra da minha calça, os cabos da guitarra, do microfone, qualquer coisa: comunicava uma interação que era mais que sonora, um querer drenar aquela energia nossa.
A noite esquentava lá dentro, o ar era cada vez mais rarefeito. Passada meia hora de show, em uma nota alta do Have You Ever Seen the Rain, senti os efeitos da falta de ar. O corpo fraquejava, em abocanhava todo o fôlego possível e parecia estranhamente menos do que o normal. Um giro de tontura e dei a próxima frase do refrão para o público, que se degladiava pelo microfone enquanto eu respirava por um segundo.
Anunciamos a última da noite: Put My Leash On, do Nando. Tinha sido maravilhoso. Aquele tipo de coisa que drena todas as energias e você cede tudo voluntariamente. Enquanto me agachava para deixar Lexy dizer a frase que reiniciava a música após a pausa do segundo refrão, me sentia drogado, bêbado de serotonina. Mais do que o vocalista anterior. Cada grito ou reação era outro gole. A voz já não faria o último ataque no fim da música e eu optei pelos tons baixos, mas eu queria mais! Nando aproveitou: pediu pra tocarmos Hey Joe para a saidera. Pastana já estava com os pratos da bateria suando. BBK protestou no baixo por um segundo mas cedeu. E um ótimo fim para uma noite ainda sem precedentes me drogou por mais alguns minutos.
Descendo do palco e dando espaço para outra banda, percebi o corpo destruído. Fraco, dolorido, mas incrivelmente feliz. No caminho de levar as coisas para fora e devolver o microfone emprestado a um vocalista semi-comatoso, fui supreendido pelas pessoas me chamando para dizer o quanto tinham gostado [e perguntar o nome complicado da banda...]. Me chuto até agora por não ter material de divulgação para dar: cartões, site, alguma coisa. Algo a resolver.
Nos dias que se seguiram, ainda flutuando alguns centímetros acima do chão, recebi o telefonema dos rapazes da banda. Meio encabulado, porém radiante, ouvi dizerem o quanto tinham gostado desse show e do meu jeito com o público. E a dúvida persiste: será que somos realmente tão bons?
Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.
domingo, setembro 30, 2007
quinta-feira, setembro 27, 2007
Severance 1
Há algum tempo, soube da história de um casal de conhecidos que estava se separando porque ele ia viajar para o Canadá durante algum tempo. Na conversa, surgiu o conceito de que a dor que ela sentia consumia-a como um cancer.
[Não, um cancer não. Uma amputação.]
Anotei no meu caderno esse pensamento que não cheguei a proferir. A idéia me viera daquele jeito condensado que me enlouquece por dias. Como um grande nó que eu tenho que desfazer aos poucos pra entender completamente. A Lettin' the Cables Sleep, uma das minhas telas favoritas, me veio num nó desses e levou quase um ano pra entender.
O cancer é uma adição: células crescem descontroladamente. Esse rompimento era como a amputação, porque ela já estava acostumada com ele. Mas então ele é subtraído bruscamente e ela fica com aquela sensação de vazio. O inglês tem um termo delicioso para essa subtração, a severance. Tem a frieza científica e melancólica do cirurgião e uma sonoridade adequada para uma música.
Na wikipedia, encontrei outros termos adequados. Propriocepção é a capacidade que temos de sentir o próprio corpo, tanto pelos cinco sentidos externos, quanto internamente. Dá uma noção dos limites e condições dos membros. Quem perde um braço ou perna experimenta uma confusão em sua propriocepção, porque o corpo continua acostumado ao membro que não está mais lá. O que leva ao conhecido fenômeno do membro fantasma.
Voltei a pensar no assunto recentemente depois de um sonho nostálgico. Acordar e perceber que a realidade tinha mudado (para melhor ou pior é irrelevante...) e sentir aquele choque de realidade. Era a sensação de sonhar que se está correndo ou manuseando algo e acordar para uma realidade onde o membro em questão foi recentemente extirpado. Experimentei uma fração da sensação que ela deve sentir hoje ao acordar.
[Não, um cancer não. Uma amputação.]
Anotei no meu caderno esse pensamento que não cheguei a proferir. A idéia me viera daquele jeito condensado que me enlouquece por dias. Como um grande nó que eu tenho que desfazer aos poucos pra entender completamente. A Lettin' the Cables Sleep, uma das minhas telas favoritas, me veio num nó desses e levou quase um ano pra entender.
O cancer é uma adição: células crescem descontroladamente. Esse rompimento era como a amputação, porque ela já estava acostumada com ele. Mas então ele é subtraído bruscamente e ela fica com aquela sensação de vazio. O inglês tem um termo delicioso para essa subtração, a severance. Tem a frieza científica e melancólica do cirurgião e uma sonoridade adequada para uma música.
Na wikipedia, encontrei outros termos adequados. Propriocepção é a capacidade que temos de sentir o próprio corpo, tanto pelos cinco sentidos externos, quanto internamente. Dá uma noção dos limites e condições dos membros. Quem perde um braço ou perna experimenta uma confusão em sua propriocepção, porque o corpo continua acostumado ao membro que não está mais lá. O que leva ao conhecido fenômeno do membro fantasma.
Voltei a pensar no assunto recentemente depois de um sonho nostálgico. Acordar e perceber que a realidade tinha mudado (para melhor ou pior é irrelevante...) e sentir aquele choque de realidade. Era a sensação de sonhar que se está correndo ou manuseando algo e acordar para uma realidade onde o membro em questão foi recentemente extirpado. Experimentei uma fração da sensação que ela deve sentir hoje ao acordar.
segunda-feira, setembro 17, 2007
Blended Sunrise
"Me diz, você achava ela perfeita, né?" - ela perguntou. Falava, obviamente, da russa. Todos os meus relacionamentos sempre foram marcados por fantasmas do passado. Acho que Lee foi quem teve a melhor opinião a respeito, dizendo que era impossível superar um desses fantasmas: afinal, como escrevi no post anterior, as memórias são virtualmente perfeitas, enquanto a pessoa-presente-tangível tem seus erros e acertos...
Houve épocas em que eu teria dito que sim, a russa era perfeita. Mas sempre soube que era uma daquelas auto-enganações terapeuticas. Eu não queria pensar nos defeitos dela, porque ela tinha sido um dos fetiches que eu sempre quis e eu não queria denegrir isso. Mas vamos, já passou mais de um ano que ela aconteceu...
Me surpreendi (e suponho ter surpreendido ela também) tendo uma resposta tão pronta para a pergunta. Não, ela não era perfeita. Apesar da aventura carnal, ela trazia toda a frieza e austeridade desse povo do gélido norte europeu. Jamais ouvi e nem pensei algum dia ouvir, segundo contei a Lexy, que a russa me dissesse palavras de carinho daquelas bem clichês. Salvo, é claro, por um "eu gosto de você" bem cordial e dúbio logo que nos conhecemos. E para a breve aventura que foi, essa frieza até deu um tom interessante. Mas eu teria sentido falta disso. Eu ignorei isso por muito tempo, mas é uma verdade gritante em neon garrafal.
No mais, aquele problema recorrente em vários dos meus relacionamentos, de ser um quase-artista atrelado a uma pessoa que percebe a expressão artística apenas como um diletantismo, uma falta do que fazer. Ela dizia, com aquele sotaque lascivo como sexo violento, que minhas Alices eram fantásticas e que eu era talentoso, mas ficava claro que ela sequer arranhava a superfície do que aquilo significava para mim e desconhecia totalmente o deleite de um processo criativo. A longo prazo, desconfio que teria feito a mesma exigência que Taís fez quando éramos alunos de colégio: "ou a pintura, ou eu!"
Houve épocas em que eu teria dito que sim, a russa era perfeita. Mas sempre soube que era uma daquelas auto-enganações terapeuticas. Eu não queria pensar nos defeitos dela, porque ela tinha sido um dos fetiches que eu sempre quis e eu não queria denegrir isso. Mas vamos, já passou mais de um ano que ela aconteceu...
Me surpreendi (e suponho ter surpreendido ela também) tendo uma resposta tão pronta para a pergunta. Não, ela não era perfeita. Apesar da aventura carnal, ela trazia toda a frieza e austeridade desse povo do gélido norte europeu. Jamais ouvi e nem pensei algum dia ouvir, segundo contei a Lexy, que a russa me dissesse palavras de carinho daquelas bem clichês. Salvo, é claro, por um "eu gosto de você" bem cordial e dúbio logo que nos conhecemos. E para a breve aventura que foi, essa frieza até deu um tom interessante. Mas eu teria sentido falta disso. Eu ignorei isso por muito tempo, mas é uma verdade gritante em neon garrafal.
No mais, aquele problema recorrente em vários dos meus relacionamentos, de ser um quase-artista atrelado a uma pessoa que percebe a expressão artística apenas como um diletantismo, uma falta do que fazer. Ela dizia, com aquele sotaque lascivo como sexo violento, que minhas Alices eram fantásticas e que eu era talentoso, mas ficava claro que ela sequer arranhava a superfície do que aquilo significava para mim e desconhecia totalmente o deleite de um processo criativo. A longo prazo, desconfio que teria feito a mesma exigência que Taís fez quando éramos alunos de colégio: "ou a pintura, ou eu!"
Paradise Lost
Em uma exposição sobre poesia concreta, uma frase me chama a atenção:
O único paraíso é o Paraíso Perdido.
Paradise Lost é a obra do escritor John Milton (o mesmo nome do personagem de Pacino em Advogado do Diabo) sobre Satanás tramando para causar a expulsão de Adão e Eva do paraíso.
Mas acima de tudo, a frase faz-me pensar que o paraíso são boas memórias de tempos que já foram, tempos que não voltam porque tudo na vida muda e segue adiante. Nas memórias boas, tudo é perfeito e os defeitos são ignorados. O presente, por outro lado, raras vezes pode se equiparar a um paraíso, posto que leva consigo a perfeição e imperfeição da realidade.
O único paraíso é o Paraíso Perdido.
Paradise Lost é a obra do escritor John Milton (o mesmo nome do personagem de Pacino em Advogado do Diabo) sobre Satanás tramando para causar a expulsão de Adão e Eva do paraíso.
Mas acima de tudo, a frase faz-me pensar que o paraíso são boas memórias de tempos que já foram, tempos que não voltam porque tudo na vida muda e segue adiante. Nas memórias boas, tudo é perfeito e os defeitos são ignorados. O presente, por outro lado, raras vezes pode se equiparar a um paraíso, posto que leva consigo a perfeição e imperfeição da realidade.
sábado, setembro 15, 2007
Strangers when we meet
Babe,
percebi que nunca me dei ao trabalho de pesquisar o suficiente para compreender completamente esta que é uma das minhas músicas favoritas do Bowie. Mas de qualquer jeito, agora que você viciou nela, segue uma tradução meio mambembe da letra, que você não achou na internet. Muito dela não vai ter tanta sonoridade em português e vai parecer meio cafona, mas eu gosto no inglês. E muito dela não vai fazer muito sentido porque são piadinhas internas e críticas que ele escreveu para uma ex-mulher que estava vendendo detalhes sórdidos da vida privada deles para os tablóides. Estou colocando entre "[]" alguns detalhes que pesquisei e outras noções que talvez ajudem a compreender.
All my friends
Now seem so thin and frail
Slinky secrets
Hotter than the sun
No peachy prayers
No trendy rechauffe
I'm with you
So I can't go on
[CHORUS]
All my violence
Raining tears upon the sheet
I'm bewildered/resentful
For we're strangers when we meet
Blank screen TV
Preening ourselves in the snow
Forget my name
But I'm over you
Blended sunrise
And it's a dying world
Humming Rheingold
We scavenge up our clothes
[CHORUS]
Cold tired fingers
Tapping out your memories
Halfway sadness
Dazzled by the new
Your embrace
Was all that I feared
That whirling room
We trade by vendu
Steely resolve
Is falling from me
My poor soul
All bruised passivity
All your regrets
Ride rough-shod over me
I'm so glad
That we're strangers when we meet
I'm so thankful
That we're strangers when we meet
I'm in clover
For we're strangers when we meet
Heel head over
And we're strangers when we meet
=====================================
Todos os meus amigos
Parecem agora finos e frágeis
Segredos sensuais
Mais quentes que o sol
Sem preces suculentas
Sem essa moda de reaquecer [o relacionamento]
Estou com você
Portanto não posso continuar
[CHORUS]
Toda minha violência
Chove lágrimas nos lençóis
Estou encantado / ressentido
Pois somos estranhos quando nos conhecemos.
Tela de TV vazia
Nos arrumarmos na neve
Você esquece meu nome
Mas eu já superei você
Fusão do nascer do sol
E é um mundo moribundo
Murmurando Rheingold [Primeira parte da ópera O Anel dos Nibelungos, do Wagner]
Desenterramos nossas roupas.
[CHORUS]
Dedos frios e cansados
Tamborilando suas memórias
Meia tristeza
Maravilhada pelo novo
Seu abraço
Era tudo o que eu temia
Aquela sala rodopiando
Comercializamos através do "vendue" [??]
Decisões de aço
Partem de mim
Minha pobre alma
É inteira passividade machucada
Todos os seus arrependimentos
Caminham mal-calçados sobre mim
Estou tão contente
Que sejamos estranhos ao nos conhecermos
Estou tão agradecido
Que sejamos estranhos ao nos conhecermos
"I'm in clover" [Aproveitar uma vida abastada]
Pois somos estranhos ao nos conhecermos
Me viro do avesso
E somos estranhos ao nos conhecermos
percebi que nunca me dei ao trabalho de pesquisar o suficiente para compreender completamente esta que é uma das minhas músicas favoritas do Bowie. Mas de qualquer jeito, agora que você viciou nela, segue uma tradução meio mambembe da letra, que você não achou na internet. Muito dela não vai ter tanta sonoridade em português e vai parecer meio cafona, mas eu gosto no inglês. E muito dela não vai fazer muito sentido porque são piadinhas internas e críticas que ele escreveu para uma ex-mulher que estava vendendo detalhes sórdidos da vida privada deles para os tablóides. Estou colocando entre "[]" alguns detalhes que pesquisei e outras noções que talvez ajudem a compreender.
All my friends
Now seem so thin and frail
Slinky secrets
Hotter than the sun
No peachy prayers
No trendy rechauffe
I'm with you
So I can't go on
[CHORUS]
All my violence
Raining tears upon the sheet
I'm bewildered/resentful
For we're strangers when we meet
Blank screen TV
Preening ourselves in the snow
Forget my name
But I'm over you
Blended sunrise
And it's a dying world
Humming Rheingold
We scavenge up our clothes
[CHORUS]
Cold tired fingers
Tapping out your memories
Halfway sadness
Dazzled by the new
Your embrace
Was all that I feared
That whirling room
We trade by vendu
Steely resolve
Is falling from me
My poor soul
All bruised passivity
All your regrets
Ride rough-shod over me
I'm so glad
That we're strangers when we meet
I'm so thankful
That we're strangers when we meet
I'm in clover
For we're strangers when we meet
Heel head over
And we're strangers when we meet
=====================================
Todos os meus amigos
Parecem agora finos e frágeis
Segredos sensuais
Mais quentes que o sol
Sem preces suculentas
Sem essa moda de reaquecer [o relacionamento]
Estou com você
Portanto não posso continuar
[CHORUS]
Toda minha violência
Chove lágrimas nos lençóis
Estou encantado / ressentido
Pois somos estranhos quando nos conhecemos.
Tela de TV vazia
Nos arrumarmos na neve
Você esquece meu nome
Mas eu já superei você
Fusão do nascer do sol
E é um mundo moribundo
Murmurando Rheingold [Primeira parte da ópera O Anel dos Nibelungos, do Wagner]
Desenterramos nossas roupas.
[CHORUS]
Dedos frios e cansados
Tamborilando suas memórias
Meia tristeza
Maravilhada pelo novo
Seu abraço
Era tudo o que eu temia
Aquela sala rodopiando
Comercializamos através do "vendue" [??]
Decisões de aço
Partem de mim
Minha pobre alma
É inteira passividade machucada
Todos os seus arrependimentos
Caminham mal-calçados sobre mim
Estou tão contente
Que sejamos estranhos ao nos conhecermos
Estou tão agradecido
Que sejamos estranhos ao nos conhecermos
"I'm in clover" [Aproveitar uma vida abastada]
Pois somos estranhos ao nos conhecermos
Me viro do avesso
E somos estranhos ao nos conhecermos
sexta-feira, setembro 14, 2007
Ma me mi mo mu...
Visitei minha avó para a primeira sessão de preparação vocal ontem. A decisão contraria a minha filosofia de me dedicar ao canto na banda sem aulas ou preparo, convencido de que só o ímpeto, mesmo sem a técnica (que muitas vezes o anula), é respeitado hoje em dia. Fosse alguma outra habilidade artística, eu teria me mantido fiel à minha convicção. Mas o canto despreparado estava começando a surtir um desgaste da minha garganta que, além de prejudicar o desempenho, estava incomodando físicamente e afetando minha saúde.
Minha avó é muito diferente dando aulas. O tom de voz muda, assim como o modo como ela se dirige a mim. Não é que ela seja severa, mas quando ela fala algo ao qual se deve prestar atenção, ela o faz de forma que a atenção é inevitável. Talvez porque eu sempre a tenha conhecido como a avó carinhosa e brincalhona, suave e confortável. Logo, quando ela assume outra atitude, a diferença salta aos olhos (ouvidos).
A primeira sessão foi fundamentalmente sobre respiração e perceber as deficiências a serem corrigidas: a pouca amplitude de tons, o formato da boca que ajuda em vez de atrapalhar os sons, a voz abafada que precisa aprender a ressoar nos ossos do corpo e projetar-se para fora.
Sentada atrás do teclado antigo que meu irmão lhe deixou quando pegou o piano da casa dela, minha avó sugere notas eletrônicas e corrige minha vocalização. No silêncio, posso ouvir o momento em que sua voz altera, como um clique, e ganha corpo, potência. Uma voz que já lotou salas de teatro.
Ela diz que meu avô também tinha pouca amplitude. Mas com a pequena palheta de notas, pintava milagres vocais.
Minha avó é muito diferente dando aulas. O tom de voz muda, assim como o modo como ela se dirige a mim. Não é que ela seja severa, mas quando ela fala algo ao qual se deve prestar atenção, ela o faz de forma que a atenção é inevitável. Talvez porque eu sempre a tenha conhecido como a avó carinhosa e brincalhona, suave e confortável. Logo, quando ela assume outra atitude, a diferença salta aos olhos (ouvidos).
A primeira sessão foi fundamentalmente sobre respiração e perceber as deficiências a serem corrigidas: a pouca amplitude de tons, o formato da boca que ajuda em vez de atrapalhar os sons, a voz abafada que precisa aprender a ressoar nos ossos do corpo e projetar-se para fora.
Sentada atrás do teclado antigo que meu irmão lhe deixou quando pegou o piano da casa dela, minha avó sugere notas eletrônicas e corrige minha vocalização. No silêncio, posso ouvir o momento em que sua voz altera, como um clique, e ganha corpo, potência. Uma voz que já lotou salas de teatro.
Ela diz que meu avô também tinha pouca amplitude. Mas com a pequena palheta de notas, pintava milagres vocais.
terça-feira, setembro 11, 2007
The times I died
‘The third time I died was when I accepted the idea that talking coherent bullshit about my work was more important than learning.’
(from the series The times I died, by Sara Lando)
I can relate to that.
*sigh*
I'm a broken-hearted artist as well...
segunda-feira, setembro 10, 2007
No Orkut, uma conhecida da faculdade comenta que ouviu o som da minha banda na internet e que adorou. Mais tarde, tendo perdido o show por causa do trânsito insano da cidade e da distância, me pergunta como fazer para comprar o CD que acabamos de gravar.
Há uma parte de mim que continua não querendo ceder ao orgulho fácil de achar que eu sou realmente bom. Uma parte que ainda pergunta, frente a esta situação, "what's the catch?" Ou que ainda se frustra ao perceber que toda a minha capacidade e estudo de quatro anos em artes plásticas não tem um décimo do sucesso e não me dá metade da satisfação que eu ganho da banda na qual comecei há pouco mais de seis meses. A rapidez de tudo faz parecer irreal, falso, perigoso. Desonesto (Nana novamente acertou no termo...) Será que somos bons assim? Pra dizer a verdade, eu nem tenho muitos parâmetros para avaliar. Só sei que estou adorando.
Naquele canto da mente que não se furta de simular situaçõezinhas bestas e fúteis, me imagino sendo entrevistado. O repórter, sabendo da minha formação como artista plástico, faz a pergunta óbvia para saber como saí das artes visuais e fui parar na música. Me imagino respondendo que aconteceu simplemente porque eu tinha mais público cantando do que pintando ou fotografando. A resposta é fútil. A cena inteira é fútil. Mas inerentemente verdadeira. O fato é que cada vez mais me convenço de que o que triunfa na arte de hoje é o ímpeto. Pense menos, faça mais e com mais vontade.
Mas perdoem-me: estou transformando o que seria razão para alegria em uma discussão inútil. Deletem tudo e fiquem com o primeiro parágrafo...
Há uma parte de mim que continua não querendo ceder ao orgulho fácil de achar que eu sou realmente bom. Uma parte que ainda pergunta, frente a esta situação, "what's the catch?" Ou que ainda se frustra ao perceber que toda a minha capacidade e estudo de quatro anos em artes plásticas não tem um décimo do sucesso e não me dá metade da satisfação que eu ganho da banda na qual comecei há pouco mais de seis meses. A rapidez de tudo faz parecer irreal, falso, perigoso. Desonesto (Nana novamente acertou no termo...) Será que somos bons assim? Pra dizer a verdade, eu nem tenho muitos parâmetros para avaliar. Só sei que estou adorando.
Naquele canto da mente que não se furta de simular situaçõezinhas bestas e fúteis, me imagino sendo entrevistado. O repórter, sabendo da minha formação como artista plástico, faz a pergunta óbvia para saber como saí das artes visuais e fui parar na música. Me imagino respondendo que aconteceu simplemente porque eu tinha mais público cantando do que pintando ou fotografando. A resposta é fútil. A cena inteira é fútil. Mas inerentemente verdadeira. O fato é que cada vez mais me convenço de que o que triunfa na arte de hoje é o ímpeto. Pense menos, faça mais e com mais vontade.
Mas perdoem-me: estou transformando o que seria razão para alegria em uma discussão inútil. Deletem tudo e fiquem com o primeiro parágrafo...
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