I seek the aid of all copywriters and writers, or any one who has a way with words.
I seek a word, perhaps even made up. This word shall define a level os esteem and admiration from one person to another. Any simpleton would quickly think of love. Yet the feeling I mean is something less powerful. After all, to love, one must know and like a great deal of what the other person is and does. Love requires time. I refer to something smaller than that. It´s a strong feeling of admiration. To like someone for the little details: a scent, a gesture, a pretty face. And yet at the same time be aware that this person would never make you happy. For any given reason. Hence, all you do is watch those details, savour that beauty or that gesture, harbor a short-lived feeling while keeping a healthy distance. It´s that person your significant other is terribly jealous of and thinks you might one day leave him or her for that person. But significant others never understand these things, no matter how hard you try to explain. I seek a verb that defines this, so that we can all say once in a while I ****** that person
Any ideas?
====================================
Peço ajuda a todos os redatores e escritores, ou quem quer que tenha afinidade com palavras.
Procuro uma palavra, talvez até inventada. Esta palavra definirá um nível de estima e admiração de uma pessoa por outra. Qualquer simplório logo pensaria em amor. Mas o sentimento a que me refiro é menos poderoso. Afinal, para amar, é preciso conhecer, gostar de uma boa parte do que é e faz aquela pessoa. Amar requer algum tempo. Refiro-me a algo menor do que isso. Trata-se de um forte sentimento de admiração. Gostar de alguém pelos pequenos detalhes: o perfume, um gesto, um rosto bonito. Mas ao mesmo tempo, saber perceber que aquela pessoa nunca te faria feliz. Por qualquer razão. Assim, tudo que você faz é apreciar aqueles detalhes, sorver aquela beleza ou aquele jeito, usufruir de uma sensação fugaz mantendo uma distância saudável. É aquela pessoa da qual o(a) namorado(a) tem ciúmes doentio por achar que você pode vir a deixá-lo(a) por ela. Mas namorado(a) não entende essas coisas, por mais que você explique. Procuro um verbo que defina isso, para que possamos dizer às vezes eu ******* aquela pessoa.
Alguma idéia??
Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.
terça-feira, agosto 31, 2004
segunda-feira, agosto 30, 2004
Saw I, Robot this weekend.
Whenever I see one of these robot movies, I leave the theatre paying attention to how people move, how people act, how people process information. To my eyes, people are merely machines made of flesh. But that is another question I will not bore you with.
Just a few quick comments (after all, the movie is good, but it doesn't deserve more than a few considerations...). On the first few minutes of the movie, I was caught wondering about the three laws that those robots were programed with:
1) Never harm a human, or allow a human to come to harm through innaction.
2) Always obey a human, unless when it conflicts wit the first law. Which means, no human can order a robot to kill another human or to stand idly by as a human dies.
3) Protect itself, unless when in conflicts with the first or second laws. Which basicaly means, a robot will never defend itself from a human attack. But what is more interesting is, a human can order a robot to self-destroy and the robot must comply!
The first minutes of the movies had me fooled as to one thing: I thought this would be the first movie that envisioned a future not so different from our own, with vehicles that were still land-based, doors that still had handles, and other common items that are not likely to change until 2035... But as the movie progressed, I found they did change some stuff. Like voice-activated machines, a ball-and-socket system instead of tires for the cars and other ingenious solutions that could never be implemented as early as 2035 on a popular scale. But I'm not going to bitch about this that much.
Aside from that, the robot fight sequences are some of the most amazing and creative choreographies I've seen since Matrix.
quinta-feira, agosto 26, 2004
Random literaure:
Apoiei o rosto na mão e senti a barba mal-feita penetrando na pele. A aspereza da dor me trazia de volta a um mundo real de detalhes miúdos e viscerais. O vidro do metrô riscado. As estações vandalizadas da periferia da cidade. A tosse carregada de um velho lá atrás. Havia, na viagem noturna do metrô, um tom introspectivo de um bom curta-metragem. A solidão Kubrick de um adolescente Trainspotter.
Na mesma ocasião:
-"Vem cá... Você tá tão longe"- ela dizia para ele. A brisa varria o vagão aberto uma só vez. E ele sentia na brisa, no sorriso dela, na libido e querência dela por ele, que a cidade toda era deles. Tinha vontade de levá-la a qualuqer lugar, amá-la em qualquer lugar, ou deixar que ela o levasse, que o amasse. Brás, Brooklin ou Barra Funda. Eram adultos brincando de ser adolescente. Mas sequer haviam vivido duas décadas.
E no final de semana, algo não tão políticamente correto:
O restaurante servia uma generosa porção de creme de milho junto com seu igualmente generoso filé de frango. E ela, sentada na outra mesa, tirava-me o prazer de desfrutar daquilo. Eu a vi na fila. Tinha seus cinquenta anos. Olhos de quem não dormiu a metade das noites nessas cinco décadas. E um corte de cabelo de quem quer a todo custo aparentar ter duas dessa décadas a menos. E ainda brancos e oleosos até não poder. O volume dos seios por debaixo de seu dominical vestido azul de flores chegava quase até a cintura. Não é hipérbole. Na fila, os moleques a comparavam com personagens de South Park. Aqui na minha frente, ela devorava com regozijo e dentes espaçados e amarelados o mesmo prato que eu. Tinha um arroz no queixo e um milho no buço, que aliás despontava um indiscretíssimo bigode.
Apoiei o rosto na mão e senti a barba mal-feita penetrando na pele. A aspereza da dor me trazia de volta a um mundo real de detalhes miúdos e viscerais. O vidro do metrô riscado. As estações vandalizadas da periferia da cidade. A tosse carregada de um velho lá atrás. Havia, na viagem noturna do metrô, um tom introspectivo de um bom curta-metragem. A solidão Kubrick de um adolescente Trainspotter.
Na mesma ocasião:
-"Vem cá... Você tá tão longe"- ela dizia para ele. A brisa varria o vagão aberto uma só vez. E ele sentia na brisa, no sorriso dela, na libido e querência dela por ele, que a cidade toda era deles. Tinha vontade de levá-la a qualuqer lugar, amá-la em qualquer lugar, ou deixar que ela o levasse, que o amasse. Brás, Brooklin ou Barra Funda. Eram adultos brincando de ser adolescente. Mas sequer haviam vivido duas décadas.
E no final de semana, algo não tão políticamente correto:
O restaurante servia uma generosa porção de creme de milho junto com seu igualmente generoso filé de frango. E ela, sentada na outra mesa, tirava-me o prazer de desfrutar daquilo. Eu a vi na fila. Tinha seus cinquenta anos. Olhos de quem não dormiu a metade das noites nessas cinco décadas. E um corte de cabelo de quem quer a todo custo aparentar ter duas dessa décadas a menos. E ainda brancos e oleosos até não poder. O volume dos seios por debaixo de seu dominical vestido azul de flores chegava quase até a cintura. Não é hipérbole. Na fila, os moleques a comparavam com personagens de South Park. Aqui na minha frente, ela devorava com regozijo e dentes espaçados e amarelados o mesmo prato que eu. Tinha um arroz no queixo e um milho no buço, que aliás despontava um indiscretíssimo bigode.
quarta-feira, agosto 25, 2004
Cinema: o estouro da boiada
Nesse fim de semana, fui ao cinema com Tinkerbell. A que ponto chegamos que esta diversão tão antiga se tornou um exemplo de copetitividade tão imbecil? Vamos aos fatos:
Qualquer cidadão relativamente inteligente sabe que não adianta mais ir ao cinema e decidir lá o que assistir. Deve-se sair de casa com no mínimo meia hora de antecedência para comprar ingressos que, mesmo nos filmes que já estão em cartaz há algum tempo, podem estar esgotados. Quem é inteligente mesmo compra pela internet, pagando o preço total, já que muitos dos serviços pela internet não fornecem o desconto para estudantes.
Paulistano adora uma fila. Fila de cinema parece ser a favorita. Dependendo do filme, a fila já se forma quase uma hora antes. Uma hora de ficar em pé, fazendo nada.
Mas o verdadeiro espetáculo é quando a fila começa a andar. Parece estouro de boiada: o primeiro dá o ingresso e sai em direção à sala calmamente. Assim que vê que o segundo vem chegando, andando mais rápido, aperta o passo. Lá pela centésima pessoa, já estão todos correndo como touros em festival espanhol pelos corredores, tentando chegar a tempo para pegar um lugar que preste.
Quanto mais gente você chamar para compartilhar o agradável passatempo, mais complicado fica. Tente achar seis lugares juntos quando você está além da centésima pessoa da fila... Aí vai todo mundo comprar pipoca ou coisa que o valha (pergunto: o que ficaram fazendo durante uma hora na fila que não tiveram tempo pra comprar pipoca??), e um coitado fica lá, com uma bolsa em cada cadeira, respondendo aos outros coitados que procuram lugares com aquela cara de tacho que estes lugares estão reservados. Isso quando alguém não se revolta e diz que não pode guardar lugar.
Não preciso comentar muito sobre celulares, certo? Tem sempre uma vó que deixa o celular ligado e, quando começa a tocar no meio do filme, ela finge que não é com ela.
Outra coisa que dispensa comentários é o pai que leva o pirralho de cinco anos que mal fala inglês pra ver qualquer coisa densa como Matrix, legendado, e ainda fica tentando explicar filosofia pro guri entre uma fala e outra.
Tá bom, eu sei que tô meio mal-humorado hoje. Mas é que cada vez concordo mais com a minha mãe que diz que a cidade está saturada tal que todo mundo atravessa o caminho de todo mundo. A convivência é insuportável.
Nesse fim de semana, fui ao cinema com Tinkerbell. A que ponto chegamos que esta diversão tão antiga se tornou um exemplo de copetitividade tão imbecil? Vamos aos fatos:
Qualquer cidadão relativamente inteligente sabe que não adianta mais ir ao cinema e decidir lá o que assistir. Deve-se sair de casa com no mínimo meia hora de antecedência para comprar ingressos que, mesmo nos filmes que já estão em cartaz há algum tempo, podem estar esgotados. Quem é inteligente mesmo compra pela internet, pagando o preço total, já que muitos dos serviços pela internet não fornecem o desconto para estudantes.
Paulistano adora uma fila. Fila de cinema parece ser a favorita. Dependendo do filme, a fila já se forma quase uma hora antes. Uma hora de ficar em pé, fazendo nada.
Mas o verdadeiro espetáculo é quando a fila começa a andar. Parece estouro de boiada: o primeiro dá o ingresso e sai em direção à sala calmamente. Assim que vê que o segundo vem chegando, andando mais rápido, aperta o passo. Lá pela centésima pessoa, já estão todos correndo como touros em festival espanhol pelos corredores, tentando chegar a tempo para pegar um lugar que preste.
Quanto mais gente você chamar para compartilhar o agradável passatempo, mais complicado fica. Tente achar seis lugares juntos quando você está além da centésima pessoa da fila... Aí vai todo mundo comprar pipoca ou coisa que o valha (pergunto: o que ficaram fazendo durante uma hora na fila que não tiveram tempo pra comprar pipoca??), e um coitado fica lá, com uma bolsa em cada cadeira, respondendo aos outros coitados que procuram lugares com aquela cara de tacho que estes lugares estão reservados. Isso quando alguém não se revolta e diz que não pode guardar lugar.
Não preciso comentar muito sobre celulares, certo? Tem sempre uma vó que deixa o celular ligado e, quando começa a tocar no meio do filme, ela finge que não é com ela.
Outra coisa que dispensa comentários é o pai que leva o pirralho de cinco anos que mal fala inglês pra ver qualquer coisa densa como Matrix, legendado, e ainda fica tentando explicar filosofia pro guri entre uma fala e outra.
Tá bom, eu sei que tô meio mal-humorado hoje. Mas é que cada vez concordo mais com a minha mãe que diz que a cidade está saturada tal que todo mundo atravessa o caminho de todo mundo. A convivência é insuportável.
segunda-feira, agosto 23, 2004
Random Literature
Her hair wasn't made for fluorescent lighting. For kitchen or hospital envirorments. Fluorescent lights shine an almost invisble green light. One can only notice such a thing in photographs. But I always notice it when I look at her hair. Because once the green light shines on her coppery hair, it turns the red into a tone of hazel, and some of that magic in her colors just seems to fade away.
When I first met her and had a chance to come close to her, I could observe how the coppery quality of her hair seemed to emmerge from a blend of hazel and blonde strands. There was no such thing as an actual red hair. And for a long time, during which I was helplessly in love with her, my belief that this was the real nature of red hair stood firm, almost like a political or religious belief. Even after I came across people with real, natural red hair on the street. Even after I found those golden strands of her own hair on my car. Had I always met her under fluorescent lighting in those first years? It was a possibility... Our school halls were lit with the greenish lights. It's beautiful to remember that, when we first kissed, we were standing on a balcony outside, under the natural, yellow lights of the morning sun. As if, in that special moment, there had been something extra in her. More colors.
Her hair wasn't made for fluorescent lighting. For kitchen or hospital envirorments. Fluorescent lights shine an almost invisble green light. One can only notice such a thing in photographs. But I always notice it when I look at her hair. Because once the green light shines on her coppery hair, it turns the red into a tone of hazel, and some of that magic in her colors just seems to fade away.
When I first met her and had a chance to come close to her, I could observe how the coppery quality of her hair seemed to emmerge from a blend of hazel and blonde strands. There was no such thing as an actual red hair. And for a long time, during which I was helplessly in love with her, my belief that this was the real nature of red hair stood firm, almost like a political or religious belief. Even after I came across people with real, natural red hair on the street. Even after I found those golden strands of her own hair on my car. Had I always met her under fluorescent lighting in those first years? It was a possibility... Our school halls were lit with the greenish lights. It's beautiful to remember that, when we first kissed, we were standing on a balcony outside, under the natural, yellow lights of the morning sun. As if, in that special moment, there had been something extra in her. More colors.
Neste fim de semana, saí do ateliê das meninas. não havia muito o que fazer: já se passaram três meses em que paguei a minha parte do aluguel e não apareci no ateliê. Tornou-se um gasto muito grande sem muita necessidade. O ateliê estava vazio quando cheguei. Minhas telas haviam sido encostadas em um canto do quarto da Bela, para liberar o espaço que antes era minha sala para as aulas que as meninas querem dar. Não me zango com isso: na eterna batalha por território daquele ateliê, alguém que não aparece a três meses naturalmente é jogado para escanteio. Minhas próprias telas tinhas sua maneira de me repreender por isso: estava cobertas por uma camada de pó e fuligem (?), quase um tapa em resposta às minhas carícias. Muito bem, vamos embora. Fechei minha caixa de pintura, embalei os retratos, enrolei as telas sem chassis e coloquei tudo no carro. E então disse adeus ao ateliê das meninas. Adeus às telas estendidas na parede da Gisela Gari, criaturas fantásticas metade bode, metade dançarina de balé. Adeus às pinturas em tecido estampado da Bela Frugiuele, que ora tinham, ora perdiam a perspectiva. Adeus às quinquilharias e pinturas esquemáticas da Thais Albuquerque, que misturavam o belo e o grotesco. Adeus às discussões éticas e ontológicas sobre arte com a Marcela Tiboni. Adeus ao estranho mundo fotografado por Amanda Mei. E até mesmo adeus ao Tato DiLascio, o rapaz que veio me substituir com novas e interessantes pinturas. É certo, tenho a chave, posso visitar quando quiser. Mas é como anotar o telefone das pessoas que você conhece em uma viagem: você sabe que nunca vai ligar, mas a mera possibilidade já é reconfortante...
Quando cheguei na casa da minha avó para deixar as coisa no meu próprio ateliê, tive uma sensação de rever um amigo que não via há muito tempo. Assim como no ateliê das meninas, minhas coisas aqui tinham dado lugar a outras quinquilharias de casa de vó, por causa da minha ausência. Mas tudo foi arrumado rápido. Decidi levar algumas coisas menores para casa e me dedicar à pintura todos os sábados, enquanto Tinkerbel vai às aulas de espanhol.
Na volta para casa, tirando as coisas do carro, ainda tive que lidar novamente com a revolta das minhas pinturas, quando o Solitaire escorregou da minha mão no porta-malas do carro e caiu em cima do meu dedo. Trata-se de uma pintura feita em uma chapa de madeira, pesando alguns quilos. Resultado: um machucado que assemelha-se muito a uma dentada, como se aquele personagem na pintura tivesse aberto o zíper que tem na boca e mordido sem dó e com toda sua raiva minha mão esquerda.
Calma, minhas crianças. Agora terei mais tempo e recursos para vocês.
Quando cheguei na casa da minha avó para deixar as coisa no meu próprio ateliê, tive uma sensação de rever um amigo que não via há muito tempo. Assim como no ateliê das meninas, minhas coisas aqui tinham dado lugar a outras quinquilharias de casa de vó, por causa da minha ausência. Mas tudo foi arrumado rápido. Decidi levar algumas coisas menores para casa e me dedicar à pintura todos os sábados, enquanto Tinkerbel vai às aulas de espanhol.
Na volta para casa, tirando as coisas do carro, ainda tive que lidar novamente com a revolta das minhas pinturas, quando o Solitaire escorregou da minha mão no porta-malas do carro e caiu em cima do meu dedo. Trata-se de uma pintura feita em uma chapa de madeira, pesando alguns quilos. Resultado: um machucado que assemelha-se muito a uma dentada, como se aquele personagem na pintura tivesse aberto o zíper que tem na boca e mordido sem dó e com toda sua raiva minha mão esquerda.
Calma, minhas crianças. Agora terei mais tempo e recursos para vocês.
sexta-feira, agosto 20, 2004
Há alguns dias trouxe o presente que ganhei de Nana no meu aniversário: uma miniatura da Rei Ayanami, do Evangelion. Foi, na verdade, uma escolha inconsciente, mas não poderia ter sido melhor. Rei fica alí, espreguiçando-se ao lado do meu Macintosh. Digo que não poderia ser uma escolha melhor, porque ambos tem cores muito similares e layouts que combinam. Observação de publicitário, eu sei.
Juto à miniatura, obviamente, uma foto da minha Tinkerbell.
Valeu pelo presente, Nana!!
quinta-feira, agosto 19, 2004
terça-feira, agosto 17, 2004
Another meaning for the "Edgewalker" term
You wake up one day and realize that, although life isn`t exactly perfect, you'd be an ass if you complained. You have a wonderful girl,you`re on your way to a wonderful career and life gives you just enough adventure to ease monotony, if you look for it.
And then, if your self-confidence isn't so developed, you get that slightly unconfortable feeling of walking on the edge. At some point, you instinctively "know" you're going to make some idiotic mistake that'll flush it all down the toilet and spend the rest of your life listening people tell you how moronic that mistake was. Life is all about choices and, over the years, you've larned you're not that keen on chosing.
Of course, you try not to allow it to develop into some stupid paranoia. But it is an ever-present feeling and eventually you start thinking more than twice before making any important decisions.
You wake up one day and realize that, although life isn`t exactly perfect, you'd be an ass if you complained. You have a wonderful girl,you`re on your way to a wonderful career and life gives you just enough adventure to ease monotony, if you look for it.
And then, if your self-confidence isn't so developed, you get that slightly unconfortable feeling of walking on the edge. At some point, you instinctively "know" you're going to make some idiotic mistake that'll flush it all down the toilet and spend the rest of your life listening people tell you how moronic that mistake was. Life is all about choices and, over the years, you've larned you're not that keen on chosing.
Of course, you try not to allow it to develop into some stupid paranoia. But it is an ever-present feeling and eventually you start thinking more than twice before making any important decisions.
sexta-feira, agosto 13, 2004
Acho que amor algum está completo sem a possibilidade de ambos amarem-se pela raiva, pelo ódio. Amar-se pelo sexo ou a estética é trivial: todos o fazem. Não deixa de ser importante, porém trivial. É uma questão de Yin e Yang. Às vezes bato uma porta com o mesmo gozo com o qual aperto um corpo contra o meu. As unhas que me ferem a carne podem estimular tanto quanto uma carícia bem feita. Há, tanto no amor quanto na violência, uma vontade de revidar com força maior. Ouso dizer que por vezes a sensação vingante de magoar traz mais realização que a exaltação promovida por um beijo. E que dizer de rostos que, no esforço colérico de um grito, tornam-se visceralmente mais belos?
Ontem voltei para casa lembrando de alguns...

Ontem voltei para casa lembrando de alguns...
segunda-feira, agosto 09, 2004
This is what I call a job...
To you english speakers, the last post was about how I left my recent part-time job to accept a better full-time deal at another company. It had to be in portuguese, due to some expressions I wished to use. Likewise, this post is written in english for the exact reason.
That said, may I say this company kicks some serious butt! To begin with, everything seems to work perfectly, and the few things that don't are taken care of. Right on the first day, I had my own desk, computer, even a parking space (I didn't mention: it's basically at the other end of the city and traffic is as bad as ever...)! Everything is organized and clean. The guys are alright... I guess I'll still miss the people from the part-time job, but we'll keep in touch. They have some pretty interesting accounts. But, like I once said, I won't write about the details in here. Oh, and I get to work with a Wacom tablet! Yay! It will take a while to adapt, but yay nonetheless...
Of course, this all comes at a price. And here's where the expression I mentioned comes in: I basically hit the ground running. It describes the situation marvelously: three relatively short storyboards and a few other things to take care of this week. This is real work! Not that intern crap. I guess I'm expected to work just as perfectly and neatly as the rest of the company. Talk about stress! Let's see if I can handle this (yes, I am slightly frightened)...
To you english speakers, the last post was about how I left my recent part-time job to accept a better full-time deal at another company. It had to be in portuguese, due to some expressions I wished to use. Likewise, this post is written in english for the exact reason.
That said, may I say this company kicks some serious butt! To begin with, everything seems to work perfectly, and the few things that don't are taken care of. Right on the first day, I had my own desk, computer, even a parking space (I didn't mention: it's basically at the other end of the city and traffic is as bad as ever...)! Everything is organized and clean. The guys are alright... I guess I'll still miss the people from the part-time job, but we'll keep in touch. They have some pretty interesting accounts. But, like I once said, I won't write about the details in here. Oh, and I get to work with a Wacom tablet! Yay! It will take a while to adapt, but yay nonetheless...
Of course, this all comes at a price. And here's where the expression I mentioned comes in: I basically hit the ground running. It describes the situation marvelously: three relatively short storyboards and a few other things to take care of this week. This is real work! Not that intern crap. I guess I'm expected to work just as perfectly and neatly as the rest of the company. Talk about stress! Let's see if I can handle this (yes, I am slightly frightened)...
Ocorre-me que ainda não falei do novo emprego...
Na sexta passada deixei o lugar onde estava fazendo estágio meio-período (como encaixar isso na comparação emprego-relacionamentos?). Saí de lá meio receoso. Adorei aquele pessoal e o lugar, o clima, a amizade. Deixaram claro que as portas permaneceriam abertas se eu quisesse voltar algum dia. No entanto, recebi uma proposta melhor e não hesitei em aceitar. Hoje, comecei o trabalho em uma empresa de publicidade que, pelo que compreendi, está começando agora no mercado, mas surgiu de uma empresa de publicidade legal que já tem 50 anos. Como de costume, não vou citar nomes. Apenas um fato curioso que pode render boas metáforas ou pelo menos boas sacadas de literatura de blog.
Há duas semanas vim apresentar minha pasta e conversar com o pessoal daqui. Foi Tinkerbell que me arranjou esta oportunidade: a tia dela trabalha aqui e, ao ver que precisavam de jovens diretores de arte, logo pensou em mim. Então apareci, conversei com o meu futuro chefe, e entramos em acordo. Logo fui conversar com a tia, dizer-lhe que começaria em duas semanas. As salas todas têm grandes janelas com belas vistas da cidade. E foi pela janela atrás dela que vi a surreal figura do dirigível da Goodyear, surgindo como uma enorme baleia saltando para fora da água. Até perdi o fio do raciocínio, fazendo uma longa pausa no que eu estava dizendo. O dirigível não estava naquela costumeira distância que qualquer um que mora na minha cidade geralmente o vê. Estava muito perto. E logo lembrei que o aeroporto de onde ele saía era lá, há alguns quarteirões. Vê-lo assim tão de perto foi inesperado. A única outra ocasião em que ocorrera foi uma vez em que ele voou muito baixo, acima da universidade. Como se viesse espiar no seu futuro vizinho.
Hoje de manhã, chegando para o meu primeiro dia de trabalho, passei ao lado do aeroporto. Lá estava ele. Ainda maior pois eu passava ainda mais perto. Aquele letreiro gigantesco sorrindo para mim como um rosto contente que me dá bom dia. O dirigível era todo um personagem em si mesmo...
Na sexta passada deixei o lugar onde estava fazendo estágio meio-período (como encaixar isso na comparação emprego-relacionamentos?). Saí de lá meio receoso. Adorei aquele pessoal e o lugar, o clima, a amizade. Deixaram claro que as portas permaneceriam abertas se eu quisesse voltar algum dia. No entanto, recebi uma proposta melhor e não hesitei em aceitar. Hoje, comecei o trabalho em uma empresa de publicidade que, pelo que compreendi, está começando agora no mercado, mas surgiu de uma empresa de publicidade legal que já tem 50 anos. Como de costume, não vou citar nomes. Apenas um fato curioso que pode render boas metáforas ou pelo menos boas sacadas de literatura de blog.
Hoje de manhã, chegando para o meu primeiro dia de trabalho, passei ao lado do aeroporto. Lá estava ele. Ainda maior pois eu passava ainda mais perto. Aquele letreiro gigantesco sorrindo para mim como um rosto contente que me dá bom dia. O dirigível era todo um personagem em si mesmo...
sexta-feira, agosto 06, 2004
Estive na casa da minha avó novamente (não a do ateliê, a filósofa...)
E na falta de pinturas recentes minhas nas quais nos debruçarmos e discutirmos, falamos dos meus arquétipos. Não sei exatamente como a conversa começou, mas em algum ponto, chegamos a falar do Peter Pan, o arquétipo que me serviu durante os anos no curso de arte.
Curioso ver como os arquétipos evoluem até certo ponto, e depois parecem estagnar em um estado em que não há mais como evoluir, não há o que aprender. Essa estagnação não me serve: estou sempre crescendo, amadurecendo, sempre mudando. E por isso devo mudar de arquétipo quando este já não traduz a fase da vida pela qual estou passando.
Foi assim com os vampiros. Depois de aprender tanto sobre a lenda, não havia mais para onde evoluir. As pessoas com as quais me relacionava não conheciam o suficiente sobre o assunto para acompanhar esta evolução e não havia nada mais no meu país que me ensinasse nada relevante sobre o tema. Ainda viajo para a Walakia, na Romênia, para aprender mais direto da fonte.
Peter Pan tambêm está chegando no fim. Depois de aprender sobre a verdadeira história e traçar todos os paralelos com a minha vida, que conhecidos meus encarnam quais personagens, resta-me apenas definir quem ou o que exatamente é o Capitão Gancho... Ínteressante, minha avó apontou, é que o arquétipo seguinte incorporou o outro. E por isso, a sobra de Peter Pan significa um vampiro para mim. Razão do garoto ser eternamente jovem e voar. Motivo pelo qual ele só aparece no mundo real durante a noite na história infantil.
Mas já está na hora da mudança, do surgimento deste novo arquétipo que é o Leão. Edgewalker Lion. Um arquétipo relacionado não só ao nome da minha família, à tradição e a quem eu sou, como também ao trabalho, ao poder e à construção da minha vida adulta. É um arquétipo menos fantasioso, mais ligado à realidade, apesar do grau de fantasia inerente a qualquer arquétipo. Ainda não faço idéia de onde isso irá me levar. Ou de como os anteriores estão inclusos aqui. Mas tudo a seu tempo.
Vovó fica maravilhada com toda essa auto-análise que eu faço. Afirma que é muito saudável, embora diga que estou evitando tomar como arquétipo uma figura humana comum (vampiros, garotos eternos e leões metafóricos...). Mesmo este último, o Leão, que no início era eu mesmo, sem fantasia, tornou-se eventualmente aquela figura surreal caminhando à beira do precipício. Óbvio: estes seres estão naturalmente no plano da fantasia. Eles não podem vir para cá, e os humanos não podem ir para lá. Mas pode-se estudar as semelhanças para compreender alguns significados da vida.
E daqui a pouco venho postar um desenho aqui sobre o Leão...
E na falta de pinturas recentes minhas nas quais nos debruçarmos e discutirmos, falamos dos meus arquétipos. Não sei exatamente como a conversa começou, mas em algum ponto, chegamos a falar do Peter Pan, o arquétipo que me serviu durante os anos no curso de arte.
Curioso ver como os arquétipos evoluem até certo ponto, e depois parecem estagnar em um estado em que não há mais como evoluir, não há o que aprender. Essa estagnação não me serve: estou sempre crescendo, amadurecendo, sempre mudando. E por isso devo mudar de arquétipo quando este já não traduz a fase da vida pela qual estou passando.
Foi assim com os vampiros. Depois de aprender tanto sobre a lenda, não havia mais para onde evoluir. As pessoas com as quais me relacionava não conheciam o suficiente sobre o assunto para acompanhar esta evolução e não havia nada mais no meu país que me ensinasse nada relevante sobre o tema. Ainda viajo para a Walakia, na Romênia, para aprender mais direto da fonte.
Peter Pan tambêm está chegando no fim. Depois de aprender sobre a verdadeira história e traçar todos os paralelos com a minha vida, que conhecidos meus encarnam quais personagens, resta-me apenas definir quem ou o que exatamente é o Capitão Gancho... Ínteressante, minha avó apontou, é que o arquétipo seguinte incorporou o outro. E por isso, a sobra de Peter Pan significa um vampiro para mim. Razão do garoto ser eternamente jovem e voar. Motivo pelo qual ele só aparece no mundo real durante a noite na história infantil.
Mas já está na hora da mudança, do surgimento deste novo arquétipo que é o Leão. Edgewalker Lion. Um arquétipo relacionado não só ao nome da minha família, à tradição e a quem eu sou, como também ao trabalho, ao poder e à construção da minha vida adulta. É um arquétipo menos fantasioso, mais ligado à realidade, apesar do grau de fantasia inerente a qualquer arquétipo. Ainda não faço idéia de onde isso irá me levar. Ou de como os anteriores estão inclusos aqui. Mas tudo a seu tempo.
Vovó fica maravilhada com toda essa auto-análise que eu faço. Afirma que é muito saudável, embora diga que estou evitando tomar como arquétipo uma figura humana comum (vampiros, garotos eternos e leões metafóricos...). Mesmo este último, o Leão, que no início era eu mesmo, sem fantasia, tornou-se eventualmente aquela figura surreal caminhando à beira do precipício. Óbvio: estes seres estão naturalmente no plano da fantasia. Eles não podem vir para cá, e os humanos não podem ir para lá. Mas pode-se estudar as semelhanças para compreender alguns significados da vida.
E daqui a pouco venho postar um desenho aqui sobre o Leão...
segunda-feira, agosto 02, 2004
Posei pela primeira vez. Aconteceu em um ateliê que tenho frequentado faz alguns meses, onde acontecem sessões de desenho de modelo vivo aos sábados e segundas-feiras. Era algo que eu queria fazer desde o curso de artes, mas nunca haviam precisado. Me coloquei à disposição das meninas, mas acho que não havia tanto interesse ou utilidade para minha figura franzina.
Cheguei pontualmente ao ateliê e logo fui dirigido a um quarto separado da sala onde acontecem as sessões. Por questões práticas e morais, o modelo é separado dos artistas em um primeiro momento. Distanciamento ajuda a encarar aquela forma como um objeto e não como um conhecido seu que está nu. Estive naquele quarto pelo que devem ter sido eternos dez minutos. Alonguei o corpo, me aqueci o melhor que pude neste inverno mais gélido que de costume, mas depois disso, só me restava olhar para o quarto para tirar a cabeça do início de nervosismo que ameaçava atacar-me o estômago. Deixei-me invadir pelas outras sensações: ver aquele quarto simples, humilde até não poder mais, as paredes verde-musgo mofadas nos rodapés, o verniz lascado dos móveis e um aspecto geral de coisas empacotadas de mudança, que estão há anos nos pacotes e jamais serão abertas. Estava no ar uma sensação de... qual seria a palavra? Derrangement? Depravity? A boa e velha esthetic of decay? Quiçá um pouco de tudo isso. Uma estagnação, conformismo. A sensação melancólica de uma casa onde habita um artista, em um país onde artistas estão à margem de tudo.
Hora de ir. Me despi e vesti um roupão deixado na maçaneta da porta.
Curioso: não senti um quinto da inibição que calculava sentir. Talvez porque estivesse em um contexto onde era esperado que estivesse nu. Ou quem sabe por ter passado anos discorrendo sobre a inutilidade do pudor. O certo é que não olhei para os rostos dos desenhistas. Se eu devia ser desprovido de identidade para eles, que eles o fossem para mim.
E então, após algumas instruções sobre a pose, o condutor da sessão ligou a música. Minha surpresa: era a Gnossiene, de Erik Satie. Os acordes lentos mas perturbados, suspense. Eram, em música, o que era aquele quarto verde-musgo. Foi um momento onde tudo parecia encaixar perfeitamente: a sensação de esquizofrenia do quarto, a música, meu corpo desprovido de alma em um altar para ser devorado por olhos alheios e regurgitado em traços. Naquela espécie esquisita de tensão, naquele clima de disturbio, eu me sentia muito bem...
Queria que todos os meus movimentos parassem. Queria ser um objeto. Mas meu corpo tremia, como treme naturalmente, em quase imperceptíveis espasmos (tente ficar totalmente parado: uma hora algum músculo salta...).E eu oscilava em alguma bizarra frequência, às vezes indo um pouco para trás, às vezes para um dos lados.E não sentia na hora, mas quando mudava de posição, meus músculos ardiam em protesto, pediam descanso.
Quando o tempo acabou e me estenderam o roupão, o mundo pareceu voltar de um estado onírico para uma realidade corriqueira. Sabe como é? Parece que as coisas que estavam em câmera lenta retomam sua velocidade normal. O abafado silêncio dá lugar ao murmúrio de conversas triviais. E a sensação Gnossiene amenizava-se, embora continuasse presente na decoração rançosa da casa antiga.
Não, não havia nenhum grande desenhista lá. Pelo menos nenhum ilustrador com boa técnica. O dono da casa fazia sim alguns desenhos maravilhosos. Voltei vestido para ver os resultados: eu já era uma pessoa novamente. Ouvi muitos elogios à expressividade do corpo, do rosto. E compreendia, embora eles não conseguissem expressar direito, que havia algo de interessante no jeito como minha figura parecia fundir-se na penumbra da sala pouco iluminada, no dueto que eu fazia com as sombras. Coisas pra desenhista entender...
Cheguei pontualmente ao ateliê e logo fui dirigido a um quarto separado da sala onde acontecem as sessões. Por questões práticas e morais, o modelo é separado dos artistas em um primeiro momento. Distanciamento ajuda a encarar aquela forma como um objeto e não como um conhecido seu que está nu. Estive naquele quarto pelo que devem ter sido eternos dez minutos. Alonguei o corpo, me aqueci o melhor que pude neste inverno mais gélido que de costume, mas depois disso, só me restava olhar para o quarto para tirar a cabeça do início de nervosismo que ameaçava atacar-me o estômago. Deixei-me invadir pelas outras sensações: ver aquele quarto simples, humilde até não poder mais, as paredes verde-musgo mofadas nos rodapés, o verniz lascado dos móveis e um aspecto geral de coisas empacotadas de mudança, que estão há anos nos pacotes e jamais serão abertas. Estava no ar uma sensação de... qual seria a palavra? Derrangement? Depravity? A boa e velha esthetic of decay? Quiçá um pouco de tudo isso. Uma estagnação, conformismo. A sensação melancólica de uma casa onde habita um artista, em um país onde artistas estão à margem de tudo.
Hora de ir. Me despi e vesti um roupão deixado na maçaneta da porta.
Curioso: não senti um quinto da inibição que calculava sentir. Talvez porque estivesse em um contexto onde era esperado que estivesse nu. Ou quem sabe por ter passado anos discorrendo sobre a inutilidade do pudor. O certo é que não olhei para os rostos dos desenhistas. Se eu devia ser desprovido de identidade para eles, que eles o fossem para mim.
E então, após algumas instruções sobre a pose, o condutor da sessão ligou a música. Minha surpresa: era a Gnossiene, de Erik Satie. Os acordes lentos mas perturbados, suspense. Eram, em música, o que era aquele quarto verde-musgo. Foi um momento onde tudo parecia encaixar perfeitamente: a sensação de esquizofrenia do quarto, a música, meu corpo desprovido de alma em um altar para ser devorado por olhos alheios e regurgitado em traços. Naquela espécie esquisita de tensão, naquele clima de disturbio, eu me sentia muito bem...
Queria que todos os meus movimentos parassem. Queria ser um objeto. Mas meu corpo tremia, como treme naturalmente, em quase imperceptíveis espasmos (tente ficar totalmente parado: uma hora algum músculo salta...).E eu oscilava em alguma bizarra frequência, às vezes indo um pouco para trás, às vezes para um dos lados.E não sentia na hora, mas quando mudava de posição, meus músculos ardiam em protesto, pediam descanso.
Quando o tempo acabou e me estenderam o roupão, o mundo pareceu voltar de um estado onírico para uma realidade corriqueira. Sabe como é? Parece que as coisas que estavam em câmera lenta retomam sua velocidade normal. O abafado silêncio dá lugar ao murmúrio de conversas triviais. E a sensação Gnossiene amenizava-se, embora continuasse presente na decoração rançosa da casa antiga.
Não, não havia nenhum grande desenhista lá. Pelo menos nenhum ilustrador com boa técnica. O dono da casa fazia sim alguns desenhos maravilhosos. Voltei vestido para ver os resultados: eu já era uma pessoa novamente. Ouvi muitos elogios à expressividade do corpo, do rosto. E compreendia, embora eles não conseguissem expressar direito, que havia algo de interessante no jeito como minha figura parecia fundir-se na penumbra da sala pouco iluminada, no dueto que eu fazia com as sombras. Coisas pra desenhista entender...
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