Ocorreu-me um insight hoje, observando arte na internet.
Essa dificuldade de crescer está presente na arte de hoje. O que foi feito de realmente revolucionário e novo ultimamente? As poucas formas de arte realmente novas que me vêm à cabeça quando penso nas últimas décadas têm uma característica muito pueril. Fala-se muito de toy art, brinquedos compreendidos como obras de arte. Muita coisa que faz referência ao video game. Mesmo o grafite já foi considerado coisa de adolescente vândalo. Tá certo, concordo: essa arte nem sempre é feita por homens. Então pode-se dizer que a crise de maturidade é generalizada para ambos os sexos nessa área? Ou talvez a direção das artes ainda seja um assunto essencialmente controlado por homens. Não sei...
Mas tenho pensado muito nisso também: a falta de novidade nas artes. No século passado, artistas como Picasso, Duchamp e Warhol mudaram definitivamente o modo como se pensa em arte. Veja bem: eles mudaram o processo em si. A arte era uma coisa nos milênios antes deles e passou a ser outra depois. E eu não vejo ninguém tentando repetir a façanha há já uns bons 20 anos ou mais. São todos ótimos pintores, fotógrafos, performers. "Os melhores artistas de sua geração". Mas não mudarão a história da arte.
Me pego pensando sobre a street art nisso tudo. É a suposta vanguarda do momento, a coisa nova acontecendo nas galerias, nas cabeças dos formadores de opinião atuais. E mesmo ela já é uma forma de arte velha e que, a rigor, não muda nada. Muralistas mexicanos como Siqueiros, Orozco e Rivera já fazia isso e muito melhor.
Talvez a toy art seja uma opção de algo realmente novo e relevante. Será?
Claro, eu entendo: sendo filho do rei, o garoto será eternamente apenas o príncipe. Somos todos artistas filhos daquela geração anterior. Sobrepujar o pai não é apenas uma questão de vontade. Existiram centenas de artistas cubistas. Mas depois do Picasso todos eram apenas príncipes.
Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.
quarta-feira, janeiro 28, 2009
João de Ferro
Continuo lendo o livro de Robert Bly, João de Ferro.
O primeiro capítulo é todo sobre o mito europeu do próprio João de Ferro, que simboliza o Homem Natural com o qual os homens de hoje perderam o contato. Conta a história de como ele é tirado da floresta pelo rei local e trancafiado em uma jaula no pátio do castelo. O príncipe, um garoto pequeno, perde sua bola dourada dentro da jaula e João de Ferro lhe diz que só lha devolverá se o menino o libertar. A chave porém está debaixo do travesseiro da mãe, a rainha (muito Freud, né?). Há uma passagem muito interessante onde Bly deixa claro que o garoto precisa roubar a chave. Pedi-la à mãe não adianta porque ela não o leva a sério. Então ele aproveita enquanto os pais estão ausentes para roubar a chave. Gosto da passagem, porque subentende que o processo de crescer implica certa malícia que deve ser executada sem o consentimento (ou ajuda) dos pais, por conta própria. É como a primeira vez que o rapaz vai ao puteiro ou fuma um cigarro. Muitos de nós homens atuais chegamos a fazer isso, mas nunca de fato abrimos a jaula uma vez que temos a chave.
O capítulo termina com o garoto libertando João de Ferro e fugindo com ele para a floresta para escapar da punição pelos pais. No processo, ele machuca o dedo abrindo a jaula, mas isso é uma metáfora que provavelmente abordarei algum outro dia. Essa fuga é interpretada como a transferência que o garoto precisa fazer entre seu pai real e um segundo pai, um mestre, com qualidades novas que o pai biológico não possui. Alguém que irá instruir o garoto no jeito do mundo, em um ofício. Nas tribos indígenas e na antiguidade clássica, os garotos passava muito tempo na compania de homens adultos, aprendendo a caçar, a lutar, a fazer as coisas dos homens. Distanciavam-se assim do mundo feminino das mães, onde eles seriam para sempre filhos, crianças.
Acho que eu parei por aqui. Ensaiei tentativas de adotar diversas pessoas como mestres, mas acho que nunca de fato dei esse passo. O orientador da faculdade deveria ser essa figura, mas os relacionamentos que tive com ambos os orientadores de minhas duas faculdades deixaram muito a desejar nesse aspecto. Suponho que eu nunca encontrei alguém que eu respeitasse como mestre e que me respeitasse de fato como pupilo. Não sei dizer se é uma falha pessoal minha ou se esse modelo de coisas se perdeu em uma sociedade movida apenas pelo ganho financeiro (ninguém tem mais tempo para de fato treinar um pupilo, apenas deixam o estagiário se ferrar sozinho e aprender na marra...).
O primeiro capítulo é todo sobre o mito europeu do próprio João de Ferro, que simboliza o Homem Natural com o qual os homens de hoje perderam o contato. Conta a história de como ele é tirado da floresta pelo rei local e trancafiado em uma jaula no pátio do castelo. O príncipe, um garoto pequeno, perde sua bola dourada dentro da jaula e João de Ferro lhe diz que só lha devolverá se o menino o libertar. A chave porém está debaixo do travesseiro da mãe, a rainha (muito Freud, né?). Há uma passagem muito interessante onde Bly deixa claro que o garoto precisa roubar a chave. Pedi-la à mãe não adianta porque ela não o leva a sério. Então ele aproveita enquanto os pais estão ausentes para roubar a chave. Gosto da passagem, porque subentende que o processo de crescer implica certa malícia que deve ser executada sem o consentimento (ou ajuda) dos pais, por conta própria. É como a primeira vez que o rapaz vai ao puteiro ou fuma um cigarro. Muitos de nós homens atuais chegamos a fazer isso, mas nunca de fato abrimos a jaula uma vez que temos a chave.
O capítulo termina com o garoto libertando João de Ferro e fugindo com ele para a floresta para escapar da punição pelos pais. No processo, ele machuca o dedo abrindo a jaula, mas isso é uma metáfora que provavelmente abordarei algum outro dia. Essa fuga é interpretada como a transferência que o garoto precisa fazer entre seu pai real e um segundo pai, um mestre, com qualidades novas que o pai biológico não possui. Alguém que irá instruir o garoto no jeito do mundo, em um ofício. Nas tribos indígenas e na antiguidade clássica, os garotos passava muito tempo na compania de homens adultos, aprendendo a caçar, a lutar, a fazer as coisas dos homens. Distanciavam-se assim do mundo feminino das mães, onde eles seriam para sempre filhos, crianças.
Acho que eu parei por aqui. Ensaiei tentativas de adotar diversas pessoas como mestres, mas acho que nunca de fato dei esse passo. O orientador da faculdade deveria ser essa figura, mas os relacionamentos que tive com ambos os orientadores de minhas duas faculdades deixaram muito a desejar nesse aspecto. Suponho que eu nunca encontrei alguém que eu respeitasse como mestre e que me respeitasse de fato como pupilo. Não sei dizer se é uma falha pessoal minha ou se esse modelo de coisas se perdeu em uma sociedade movida apenas pelo ganho financeiro (ninguém tem mais tempo para de fato treinar um pupilo, apenas deixam o estagiário se ferrar sozinho e aprender na marra...).
quinta-feira, janeiro 15, 2009
Maysa
Ando assistindo essa minisséria sobre a Maysa. Não é tanto a personagem, mas a atriz que me lembra Lexy daquele jeito louco que eu lembro às vezes. Coincidências inverossímeis, visíveis apenas no ângulo e luz certos. Essa atriz, Larissa Maciel, tem as mesmas sobrancelhas, o mesmo olhar sempre delineado e cheio daquela qualidade inefável. A boca, embora diferente da dela, parece fazer as mesmas expressões. É algo no formato do rosto, do queixo.
Tem pouco do comportamento de Maysa em Lexy. Mas a imagem continua me lembrando a cada cena.
O seriado em si tem algumas ressalvas. Estou gostando da história. Mas saber que ela é feita pelo filho de Maysa me faz questionar constantemente essa versão da história. A romantização de uma personagem alcoólatra e inconsequente.
Por outro lado, uma faceta da minissérie parece muito atual: percebe-se na história contada que a cantora ganhava muito mais com as apresentações do que com qualquer venda de disco. Uma tendência atual que meu irmão andou apontando desde que resolveu lidar profissionalmente com música. Afinal, em épocas de eMule e semelhantes, onde a compra de discos passa a ser um luxo apenas para colecionadores, esse modelo de negócio em relação à música precisa ser repensado.
No episódio de hoje, ela cantou minha canção favorita do pouco que conheço de seu repertório. A música já tinha sido tema de outra minissérie, Presença de Anita. A original é em francês, mas a letra merece uma tradução pela beleza visceral. Olha só que lindo...
Não Me Deixes
Maysa
Não me deixes,
É preciso esquecer,
Tudo se pode esquecer
Que já para trás ficou.
Esquecer o tempo
dos mal-entendidos
E o tempo perdido
a querer saber como
Esquecer essas horas,
Que de tantos porquês,
Por vezes matavam a última felicidade.
Não me deixes (x3)
Te oferecerei
Pétalas de chuva
Vindas de países
Onde nunca chove;
Escavarei a terra
Até depois da morte,
Para cobrir teu corpo
Com ouro, com luzes.
Criarei um país
Onde o amor será rei,
Onde o amor será lei
E você a rainha.
Não me deixes, (x4)
Te Inventarei
Palavras absurdas
Que você compreenderá;
Te falarei
Daqueles amantes
Que viram de novo
Seus corações ateados;
Te contarei
A história daquele rei,
Que morreu por não ter
Podido te conhecer.
Não me deixes, (x3)
Quantas vezes
não se reacendeu o fogo
Do antigo vulcão
Que julgávamos velho?
Até há quem fale
De terras queimadas
A produzir mais trigo;
Que a melhor primavera
É quando a tarde cai,
Vê como o vermelho e o negro
Se casam para que o céu se inflame.
Não me deixes, (x4)
Não vou chorar mais,
Não vou falar mais,
Escondo-me aqui
Para te ver
Dançar e sorrir,
Para te ouvir
Cantar e rir.
Deixa-me ser
a sombra da tua sombra,
A sombra da tua mão,
A sombra do teu cão.
Não me deixes.(x3)
Tem pouco do comportamento de Maysa em Lexy. Mas a imagem continua me lembrando a cada cena.
O seriado em si tem algumas ressalvas. Estou gostando da história. Mas saber que ela é feita pelo filho de Maysa me faz questionar constantemente essa versão da história. A romantização de uma personagem alcoólatra e inconsequente.
Por outro lado, uma faceta da minissérie parece muito atual: percebe-se na história contada que a cantora ganhava muito mais com as apresentações do que com qualquer venda de disco. Uma tendência atual que meu irmão andou apontando desde que resolveu lidar profissionalmente com música. Afinal, em épocas de eMule e semelhantes, onde a compra de discos passa a ser um luxo apenas para colecionadores, esse modelo de negócio em relação à música precisa ser repensado.
No episódio de hoje, ela cantou minha canção favorita do pouco que conheço de seu repertório. A música já tinha sido tema de outra minissérie, Presença de Anita. A original é em francês, mas a letra merece uma tradução pela beleza visceral. Olha só que lindo...
Não Me Deixes
Maysa
Não me deixes,
É preciso esquecer,
Tudo se pode esquecer
Que já para trás ficou.
Esquecer o tempo
dos mal-entendidos
E o tempo perdido
a querer saber como
Esquecer essas horas,
Que de tantos porquês,
Por vezes matavam a última felicidade.
Não me deixes (x3)
Te oferecerei
Pétalas de chuva
Vindas de países
Onde nunca chove;
Escavarei a terra
Até depois da morte,
Para cobrir teu corpo
Com ouro, com luzes.
Criarei um país
Onde o amor será rei,
Onde o amor será lei
E você a rainha.
Não me deixes, (x4)
Te Inventarei
Palavras absurdas
Que você compreenderá;
Te falarei
Daqueles amantes
Que viram de novo
Seus corações ateados;
Te contarei
A história daquele rei,
Que morreu por não ter
Podido te conhecer.
Não me deixes, (x3)
Quantas vezes
não se reacendeu o fogo
Do antigo vulcão
Que julgávamos velho?
Até há quem fale
De terras queimadas
A produzir mais trigo;
Que a melhor primavera
É quando a tarde cai,
Vê como o vermelho e o negro
Se casam para que o céu se inflame.
Não me deixes, (x4)
Não vou chorar mais,
Não vou falar mais,
Escondo-me aqui
Para te ver
Dançar e sorrir,
Para te ouvir
Cantar e rir.
Deixa-me ser
a sombra da tua sombra,
A sombra da tua mão,
A sombra do teu cão.
Não me deixes.(x3)
quarta-feira, janeiro 14, 2009
João de Ferro
Previously, on the blog...
No final do ano passado, em uma apresentação da banda do meu irmão, sentei para conversar com Larissa, sua namorada, que havia então se lançado na carreira de dança e entrado para o âmbito das artes. Não lembro como viemos a discutir a falta de assunto da minha pintura, os retratos ideologicamente vazios e a minha procurar do que a ser representado através do como que eu já tinha desenvolvido. Daí a própria idéia dos retratos de mulheres feitos por um homem me veio à cabeça e a discussão do Masculismo voltou à tona.
É engraçado como pode-se propôr a mesma idéia quatro ou cinco vezes antes dela efetivamente criar raizes e começar a ser desenvolvida. Eu pensei em tratar desse assunto quando escrevi o Manifesto Masculinista em um esquecido Dia das Mulheres, mas nunca levei a cabo a idéia. Depois, ela apareceu meio timidamente em uma das minhas pinturas, o Lettin' the Cables Sleep. Mas ainda era um conceito em uma pintura, sem pesquisa ideológica e embasamento teórico. Não sei ao certo por que, mas só depois da conversa com Larissa que a idéia fixou-se na minha cabeça como um caminho a seguir. Talvez pelo fato de eu ter praticamente esgotado ou me desinteressado pelos outros.
Fiz então o que qualquer pessoa da minha idade à procura de teoria faria: procurei no Google. Tá bom, não é a forma mais ortodoxa de pesquisa, mas serve como termômetro do que estão dizendo por aí a respeito. Fui saber que "Masculinismo" era um termo empregado como zueira, pra tirar sarro da nova condição masculina. Sua contra-parte mais séria era chamada "Masculismo", uma sílaba a menos. Mas os sites só me davam a ponta do iceberg teórico, as aplicações práticas e discussões legais (guarda dos filhos no divórcio, direito a decidir sobre o aborto, obrigatoriedade do serviço militar, exposição a trabalhos de maior risco físico e outras questões discutíveis...). Já era uma severa expansão de mundo, mas não me dava muito para começar a pensar por mim mesmo no assunto.
Nana, ao ouvir a respeito, me emprestou alguns livros muito relevantes nesse sentido. Foi no João de Ferro do Robert Bly que eu encontrei pistas sobre o cerne do assunto. O autor traça uma cronologia dos últimos 50 anos e de como o modelo masculino mudou nesse tempo. Ele parte da década de 50 porque, segundo ele, foi onde o modelo masculino que conhecemos se consolidou nos Estados Unidos: o homem americano dos anos 50 "devia gostar de futebol, ser agressivo, defender os Estados Unidos, não chorar nunca e sempre sustentar a família." Nos anos 60, o paradigma mudou: em uma época onde ser homem adulto era ir para a guerra do Vietnã, muitos homens começaram a questionar o modelo do homem adulto dos anos 50. Junta-se a isso a chegada do Feminismo ao mainstream da época, e muitos homens, sendo expostos às questões do universo feminino que o homem dos anos 50 ignorava, começaram a tomar conhecimento de seu lado feminino e a aceitá-lo. Com isso, tornaram-se homens mais suaves, afáveis. Mas também homens frouxos. São compreensivos, sensíveis, agradam às mães e esposas, mas falta-lhes energia, ímpeto, atitude.
E nisso que o livro de Bly realmente me chamou a atenção. Porque era desse fenômeno que eu me queixava quando fazia os retratos. Era isso que eu observava na minha própria família. Essa situação atual onde as mulheres pós-Feminismo são fortes e decididas e os homens são uns bananas.
É daquela época que eu percebo que uma boa maioria dos homens que eu conheço são homens frouxos. Outra boa fatia de conhecidos ainda sequer passou daquele homem dos anos 50 e continua o macho estúpido, controlado por qualquer oferta de sexo enquanto zomba das mulheres como supostos seres inferiores.
Ainda estou no começo do livro. Mas o autor já rascunha uma solução para a situação vergonhosa do homem atual. Parece meio papo de auto-ajuda inspirado em muitos textos feministas, mas tem seu sentido. De acordo com Bly, o homem precisa reencontrar-se com o que ele chama de Homem Natural. Não é o selvagem truculento que se faz indiferente às suas próprias feridas pra mostrar que é macho. Esse ainda é o cerne do homem da década de 50. O Homem Natural é um estado masculino do "homem que faz", que decide uma decisão compassiva, que briga e exerce uma liderança generosa. O que mais me chama a atenção é esse fazer. Porque os homens frouxos atuais não fazem. Eles estão cercados de mães, esposas e amigas que fazem por ele porque têm pena dele. Cuidam dele como criança e ele nunca vai crescer.
Tento escrever sobre esse sentido que ele coloca tão bem nesse começo de livro e percebo que ainda não entendi o suficiente. É algo como ser incisivo sem ser truculento, impor sua vontade sem desrespeitar. Negociar em vez de mendigar ou invadir. Esse deveria ser o tom do Masculismo e de uma possível arte masculista.
Faz sentido?
No final do ano passado, em uma apresentação da banda do meu irmão, sentei para conversar com Larissa, sua namorada, que havia então se lançado na carreira de dança e entrado para o âmbito das artes. Não lembro como viemos a discutir a falta de assunto da minha pintura, os retratos ideologicamente vazios e a minha procurar do que a ser representado através do como que eu já tinha desenvolvido. Daí a própria idéia dos retratos de mulheres feitos por um homem me veio à cabeça e a discussão do Masculismo voltou à tona.
É engraçado como pode-se propôr a mesma idéia quatro ou cinco vezes antes dela efetivamente criar raizes e começar a ser desenvolvida. Eu pensei em tratar desse assunto quando escrevi o Manifesto Masculinista em um esquecido Dia das Mulheres, mas nunca levei a cabo a idéia. Depois, ela apareceu meio timidamente em uma das minhas pinturas, o Lettin' the Cables Sleep. Mas ainda era um conceito em uma pintura, sem pesquisa ideológica e embasamento teórico. Não sei ao certo por que, mas só depois da conversa com Larissa que a idéia fixou-se na minha cabeça como um caminho a seguir. Talvez pelo fato de eu ter praticamente esgotado ou me desinteressado pelos outros.
Fiz então o que qualquer pessoa da minha idade à procura de teoria faria: procurei no Google. Tá bom, não é a forma mais ortodoxa de pesquisa, mas serve como termômetro do que estão dizendo por aí a respeito. Fui saber que "Masculinismo" era um termo empregado como zueira, pra tirar sarro da nova condição masculina. Sua contra-parte mais séria era chamada "Masculismo", uma sílaba a menos. Mas os sites só me davam a ponta do iceberg teórico, as aplicações práticas e discussões legais (guarda dos filhos no divórcio, direito a decidir sobre o aborto, obrigatoriedade do serviço militar, exposição a trabalhos de maior risco físico e outras questões discutíveis...). Já era uma severa expansão de mundo, mas não me dava muito para começar a pensar por mim mesmo no assunto.
Nana, ao ouvir a respeito, me emprestou alguns livros muito relevantes nesse sentido. Foi no João de Ferro do Robert Bly que eu encontrei pistas sobre o cerne do assunto. O autor traça uma cronologia dos últimos 50 anos e de como o modelo masculino mudou nesse tempo. Ele parte da década de 50 porque, segundo ele, foi onde o modelo masculino que conhecemos se consolidou nos Estados Unidos: o homem americano dos anos 50 "devia gostar de futebol, ser agressivo, defender os Estados Unidos, não chorar nunca e sempre sustentar a família." Nos anos 60, o paradigma mudou: em uma época onde ser homem adulto era ir para a guerra do Vietnã, muitos homens começaram a questionar o modelo do homem adulto dos anos 50. Junta-se a isso a chegada do Feminismo ao mainstream da época, e muitos homens, sendo expostos às questões do universo feminino que o homem dos anos 50 ignorava, começaram a tomar conhecimento de seu lado feminino e a aceitá-lo. Com isso, tornaram-se homens mais suaves, afáveis. Mas também homens frouxos. São compreensivos, sensíveis, agradam às mães e esposas, mas falta-lhes energia, ímpeto, atitude.
E nisso que o livro de Bly realmente me chamou a atenção. Porque era desse fenômeno que eu me queixava quando fazia os retratos. Era isso que eu observava na minha própria família. Essa situação atual onde as mulheres pós-Feminismo são fortes e decididas e os homens são uns bananas.
É daquela época que eu percebo que uma boa maioria dos homens que eu conheço são homens frouxos. Outra boa fatia de conhecidos ainda sequer passou daquele homem dos anos 50 e continua o macho estúpido, controlado por qualquer oferta de sexo enquanto zomba das mulheres como supostos seres inferiores.
Ainda estou no começo do livro. Mas o autor já rascunha uma solução para a situação vergonhosa do homem atual. Parece meio papo de auto-ajuda inspirado em muitos textos feministas, mas tem seu sentido. De acordo com Bly, o homem precisa reencontrar-se com o que ele chama de Homem Natural. Não é o selvagem truculento que se faz indiferente às suas próprias feridas pra mostrar que é macho. Esse ainda é o cerne do homem da década de 50. O Homem Natural é um estado masculino do "homem que faz", que decide uma decisão compassiva, que briga e exerce uma liderança generosa. O que mais me chama a atenção é esse fazer. Porque os homens frouxos atuais não fazem. Eles estão cercados de mães, esposas e amigas que fazem por ele porque têm pena dele. Cuidam dele como criança e ele nunca vai crescer.
Tento escrever sobre esse sentido que ele coloca tão bem nesse começo de livro e percebo que ainda não entendi o suficiente. É algo como ser incisivo sem ser truculento, impor sua vontade sem desrespeitar. Negociar em vez de mendigar ou invadir. Esse deveria ser o tom do Masculismo e de uma possível arte masculista.
Faz sentido?
domingo, janeiro 11, 2009
Working Artists and the Greater Economy (W.A.G.E.)
Recebi do Marcos Moraes, coordenador do curso de artes da FAAP, e achei bem interessante. Porque, de fato, para artistas jovens, o único pagamento por uma exposição é a promessa de visibilidade para o seu trabalho.
===============================
Working Artists and the Greater Economy (W.A.G.E.) is an activist group of artists, art workers, performers and independent curators fighting to get paid for our labor.
W.A.G.E. works to draw attention to economic inequalities that exist in the arts, and to resolve them.
W.A.G.E. has been formed because we, as visual + performance artists and independent curators, provide a work force.
W.A.G.E. recognizes the organized irresponsibility of the art market and its supporting institutions, and demands an end of the refusal to pay fees for the work we're asked to provide: preparation, installation, presentation, consultation, exhibition and reproduction.
W.A.G.E. refutes the positioning of the artist as a speculator and calls for the remuneration of cultural value in capital value.
W.A.G.E. believes that the promise of exposure is a liability in a system that denies the value of our labor.
As an unpaid labor force within a robust art market from which others profit greatly,
W.A.G.E. recognizes an inherent exploitation and demands compensation.
W.A.G.E. calls for an address of the economic inequalities that are prevalent, and pro-actively preventing the art worker's ability to survive within the greater economy.
We demand payment for making the world more interesting.
W.A.G.E. wo/manifesto, 2009
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Working Artists and the Greater Economy (W.A.G.E.) is an activist group of artists, art workers, performers and independent curators fighting to get paid for our labor.
W.A.G.E. works to draw attention to economic inequalities that exist in the arts, and to resolve them.
W.A.G.E. has been formed because we, as visual + performance artists and independent curators, provide a work force.
W.A.G.E. recognizes the organized irresponsibility of the art market and its supporting institutions, and demands an end of the refusal to pay fees for the work we're asked to provide: preparation, installation, presentation, consultation, exhibition and reproduction.
W.A.G.E. refutes the positioning of the artist as a speculator and calls for the remuneration of cultural value in capital value.
W.A.G.E. believes that the promise of exposure is a liability in a system that denies the value of our labor.
As an unpaid labor force within a robust art market from which others profit greatly,
W.A.G.E. recognizes an inherent exploitation and demands compensation.
W.A.G.E. calls for an address of the economic inequalities that are prevalent, and pro-actively preventing the art worker's ability to survive within the greater economy.
We demand payment for making the world more interesting.
W.A.G.E. wo/manifesto, 2009
segunda-feira, janeiro 05, 2009
Balanço de 2008
Seguindo a tendência dos últimos fins de ano, neste curto e tedioso ano eu:
• ...comecei o ano com um reveillon nulo e esquecível.
• ...perdi minha câmera digital, vitimada possivelmente pelas tensões políticas do nordeste. Perdi com ela imagens muito inspiradas e o tesão de fazer meu mini-documentário sobre a família. [1]
• ...retornei ao Manifesto com os rapazes do Butcher’s Daughter para fechar o ciclo da nossa curta existência como banda.
• ...encerrei a existência da banda com o fatídico show na festa junina.
• ...participei da versão paulista do Slideluck Potshow, mostra de fotografia, trazendo a público pela primeira vez minhas fotos de lightpainting. [1][2]
• ...conheci o pessoal do estúdio Tochka, que me deixou no chinelo fazendo não só fotos de lightpainting, como também animações inteiras e um projeto muito profissional no Anima Mundi deste ano.
• ...comecei a usar óculos e rapidamente me acostumei.
• ...aproveitei o fim da banda e o conseqüente tempo livre para reabrir o ateliê e me disciplinar a pintar um pouco por semana.
• ...conheci os caras do 2000e8 e isso serviu de chacoalhão pra me fazer acordar um pouco. [1][2] [3][4]
• ...me convenci de que meu negócio é arte mesmo e que a publicidade só está me fazendo apático e tomando meu tempo.
• ...comecei a tomar providências para mudar de vida. Retomei contatos, reiniciei processos.
• ...participei ativamente dos cursos e exposições da Escola São Paulo.
• ...mudei minha opinião sobre o grafite e comecei a me interessar pelo modo como andou invadindo as galerias e lutando pelo status de forma de arte. 1][2][3][4][5]
• ...percebi como o meu blog está ficando chato para os leigos por tratar apenas de arte e irrelevante para os artistas por ainda não ter conteúdo suficiente.
• ...perdi o Zombie Walk... de novo.
• ...vi várias pessoas sumirem e me esquecerem.
• ...conheci muita gente nova e muito interessante.
• ...tive inveja saudável dos fantásticos brownies da Lexy e do potencial que a habilidade culinária dela tem de virar um ótimo negócio.
• ...tive um natal relativamente tranqüilo no âmbito familiar, mas bem agitado no âmbito profissional.
• ...passei o primeiro natal com a família da Lexy.
• ...me envolvi com a produção gráfica do CD produzido pelo meu irmão e conheci um monte de gente interessante.
• ...passei a respeitar mais o meu irmão na sua tentativa de ser músico e produtor musical.
• ...mudei minha opinião sobre algumas das minhas primas.
• ...encerrei o ano transformando mais um reveillon nulo e esquecível em uma experiência memorável.
• Deixar de fazer referência panacas a sacadinhas publicitárias de campanhas toscas.
• Conscientização, clareza, foco. Deixar a apatia e inércia de lado.
• Dobrar o número de participações em exposições.
• Viabilizar outras formas de sustento além do trabalho em agência.
• Manter e cativar os novos amigos, rever os velhos. Ser um cara mais sociável.
E vamos adiante!
• ...comecei o ano com um reveillon nulo e esquecível.
• ...perdi minha câmera digital, vitimada possivelmente pelas tensões políticas do nordeste. Perdi com ela imagens muito inspiradas e o tesão de fazer meu mini-documentário sobre a família. [1]
• ...retornei ao Manifesto com os rapazes do Butcher’s Daughter para fechar o ciclo da nossa curta existência como banda.
• ...encerrei a existência da banda com o fatídico show na festa junina.
• ...participei da versão paulista do Slideluck Potshow, mostra de fotografia, trazendo a público pela primeira vez minhas fotos de lightpainting. [1][2]
• ...conheci o pessoal do estúdio Tochka, que me deixou no chinelo fazendo não só fotos de lightpainting, como também animações inteiras e um projeto muito profissional no Anima Mundi deste ano.
• ...comecei a usar óculos e rapidamente me acostumei.
• ...aproveitei o fim da banda e o conseqüente tempo livre para reabrir o ateliê e me disciplinar a pintar um pouco por semana.
• ...conheci os caras do 2000e8 e isso serviu de chacoalhão pra me fazer acordar um pouco. [1][2] [3][4]
• ...me convenci de que meu negócio é arte mesmo e que a publicidade só está me fazendo apático e tomando meu tempo.
• ...comecei a tomar providências para mudar de vida. Retomei contatos, reiniciei processos.
• ...participei ativamente dos cursos e exposições da Escola São Paulo.
• ...mudei minha opinião sobre o grafite e comecei a me interessar pelo modo como andou invadindo as galerias e lutando pelo status de forma de arte. 1][2][3][4][5]
• ...percebi como o meu blog está ficando chato para os leigos por tratar apenas de arte e irrelevante para os artistas por ainda não ter conteúdo suficiente.
• ...perdi o Zombie Walk... de novo.
• ...vi várias pessoas sumirem e me esquecerem.
• ...conheci muita gente nova e muito interessante.
• ...tive inveja saudável dos fantásticos brownies da Lexy e do potencial que a habilidade culinária dela tem de virar um ótimo negócio.
• ...tive um natal relativamente tranqüilo no âmbito familiar, mas bem agitado no âmbito profissional.
• ...passei o primeiro natal com a família da Lexy.
• ...me envolvi com a produção gráfica do CD produzido pelo meu irmão e conheci um monte de gente interessante.
• ...passei a respeitar mais o meu irmão na sua tentativa de ser músico e produtor musical.
• ...mudei minha opinião sobre algumas das minhas primas.
• ...encerrei o ano transformando mais um reveillon nulo e esquecível em uma experiência memorável.
Promessas para 2 mil Inove
• Deixar de fazer referência panacas a sacadinhas publicitárias de campanhas toscas.
• Conscientização, clareza, foco. Deixar a apatia e inércia de lado.
• Dobrar o número de participações em exposições.
• Viabilizar outras formas de sustento além do trabalho em agência.
• Manter e cativar os novos amigos, rever os velhos. Ser um cara mais sociável.
E vamos adiante!
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