quinta-feira, setembro 20, 2012

Elephant on the Bridge


I watched The Bridges of Madison County a few months back. And I thought the movie created this awkward elephant in the room. I wondered if it brought up the same issues on other people's minds as it did in mine. Here we have the story of this housewife who isn't particularly unhappy with her married life, but who isn't completely fulfilled either (is anybody ever completely fulfilled with marriage?). One day, while the husband and teenage kids are away on a trip, she meets this handsome, adventurous photographer who happens to be passing by and will only be there for a short while. They have a torrid love affair that lasts but a few days and when he is set to leave, she must make the choice of simply packing up her things and misteriously disappearing with him, or letting go of what could probably be the love of her life in favor of the safe and reliable family she has built over the years. In the end, she takes what could be considered the "moral" path (written in quotation marks, because once she has effectively cheated on her husband, morality becomes something to be questioned), and stays with the family. That is to say, she does "the right thing" (also written in quotation marks, as something to be heavily questioned...).

I remember hearing about The Bridges of Madison County from so many acquaintances who were married women. They would all say such wonderful things about the movie, about the actors portraying the couple (Merril Streep and Clint Eastwood), about the love they shared and how heartbreaking it was to see those final scenes when she makes the choice. And i hadn't realized until I saw the movie what a big elephant in the room it was. Because it was presented in such a beautiful way, that there was no way any emotionally sane person wouldn't be seduced by the story, wouldn't savour the love affair, wouldn't want them to be together. Still, it was the story of a wife cheating on her fully functional family. Plainly put, the movie sets a situation where it is difficult to concile reason and emotion. The question that lingers in my head and that I'd like to ask my married acquaintances is: "are you then seduced by the idea of having an affair like that (fast, intense, adventurous; but with a very high price to pay)?"

[Author's note: "fully functional family" sounds awful, like comparing a family to an appliance. I lack a better antonym for "disfunctional"...]

I guess the actual question is, does the movie make them think about leaving fully functional relationships for a good adventure? I know a fair share of people that would mindlessly answer "of course!". But when it really comes down to it, it's a really tough step to take! And that brings me to another movie ending, in Little Children. But I'm not going to bother you with spoilers on that.

quarta-feira, setembro 19, 2012

Bliss

Andei sumido do blog. Quase dois meses. Um dos hiatos mais longos por aqui ever.

Fato é que antes de continuar, há assuntos complicados em um post insalubre que vai repercutir muito mal, mas que eu sinto a necessidade de colocar por aqui só para documentar a vida e fechar ciclos. Talvez o faça em algum momento.  Mas não agora.

Agora eu queria postar para a família que lê o blog e a quem infelizmente as duas carreiras concomitantes não me permitem visitar com a frequência que eu gostaria. Queria escrever para dizer que, apesar dos assuntos supracitados, a vida vai muito bem. Mesmo.
Há uma sensação de contentamento nos dias. É um contentamento bem diferente da alegria meio melancólica e solitária de Londres, daquela aventura louca e maravilhosa de experimentar o impublicável e enfrentar os traumas passados. Mas é um contentamento. A palavra adequada vem do inglês: bliss (ainda existe o iogurte?). Um bliss que chega até a dar um pouco de medo, porque como a vida é sempre feita de altos e baixos, vai fazer uma baita falta quando eu deixar de ter. Mas não vamos sofrer de véspera, vamos curtir.

Bliss no trabalho do colégio. Onde eu chego e os inspetores que me conheciam de garoto e aluno me dizem "bom dia, professor". Onde a equipe de artes pergunta a minha opinião, quer saber, quer que eu dê ideias. E as idéias que eu dou são aprovadas e levadas a cabo. Eles também dão idéias fabulosas e me dão vontade de voltar a produzir arte (assim que eu conseguir algum tempo para reativar o ateliê...). Onde coisas estão sob minha responsabilidade e eu, pela primeira vez em muito tempo, me sinto amplamente capacitado para gerenciá-las (embora a quantidade delas seja um tanto atordoante...). Hoje estava pensando que é, além da empresa de tradução, uma das primeiras empresas que me contratam onde eu sinto a transparência e o respeito. Onde eu sinto que não tem jogo escondido, não tem discursos prontos para me convencer de como esse emprego é incrível e eu seria louco em abandoná-lo, não tem maracutaia contratual, evasão fiscal, parcela do salário "por fora", sacanagem com o meu FGTS e etc. Respeito. Assim dá gosto de trabalhar.
O colégio é onde eu lido com alunos da metade da minha idade que me fascinam com o modo como (alguns d')eles absorvem o que eu estou ensinando. Eles são um espelho que me faz sentir ainda muito jovem e paradoxalmente já bem experiente. Eles me lembram de mim, nessa idade. E de como eu queria ser nessa idade também. É moralmente questionável, eu sei, mas hoje com a experiência e atrevimento que eu tenho, eu me faço facilmente amigo da turminha popular que eu criticava mas da qual queria fazer parte na minha época de aluno. É uma sensação de que eu finalmente entendi o que é ser cool. Pelo menos para a idade deles... E eles reagem a isso. É gostoso de ver. Às favas com as críticas.

Bliss também na outra carreira, de uma rotina gostosa também. Receber de vez em quando uma mensagem da simpática Erika com mais um arquivo a ser traduzido, chegar em casa e relaxar antes de começar o "segundo turno" do dia. Neste mês me deram a primeira tradução de áudio, tradução simultânea onde eu tinha que gravar minha voz traduzindo em tempo real uma outra gravação. Achei o desafio interessante e me deu uma sensação de estar progredindo, sendo "promovido". E embora eu às vezes relaxe um pouco e perca a qualidade, a Simone, uma chefe que é uma melhor amiga, sabe me dar o puxão de orelha no tom adequado pra separar o profissional do pessoal. Trabalho de casa, na hora que eu quero, mas às vezes dá vontade de ir lá fazer uma visita no escritório, que fica há poucos quarteirões de casa. Só pra falar da vida.

Entre uma dezena de laudas e outra, eu faço uma pausa para aproveitar o bliss do meu apê. Desço para fazer ginástica quando a academia ainda está aberta. Nesta semana, aproveitando o calor infernal e seco que parece não ter fim tão cedo, terminei uma sessão caindo na piscina. Fiquei boiando lá e sentindo o corpo esfriar, e foi aí que essa palavra me veio à cabeça: bliss. Periga isso tornar-se um hábito. Depois de esfriar um pouco, volto pra cima para fazer comida e um café antes de voltar à tradução. O meu espacinho pequeno porém suficiente já está ficando com uma cara muito gostosa, com plantas, meus quadros e boas idéias de design vindas do Pinterest da minha mãe.

Bliss também em ver a Lexy aos poucos estruturando seu negócio, livre das amarras de empresas, seguindo o que meu pai disse ser o caminho da minha geração: o empreendedorismo. Os brownies ainda trazem pouco retorno financeiro (o que ainda gera bastante ansiedade...), mas há um ar muito promissor nas conversas, nas pessoas que curtem a página do Facebook dela, nas parcerias que até eu estou tentando ajudar a forjar. Gostosos também são os nossos domingos indo ao parque, e ela tentando acompanhar o pique que eu tenho tido desde que comecei a andar de skate.

Claro que há os amargores. Quando eles não estão presentes, a vida fica monótona e eu me ponho a fazer daquelas loucuras meio destrutivas (embora cheias de poesia). Tem sempre para onde desenvolver a vida, os projetos que nunca conseguimos arranjar tempo para fazer, os percalços da carreira de professor que eu ainda preciso aprender a resolver, as feridas das quedas de skate, a decoração do apê que sempre anda lenta demais pela falta de grana. Sem falar nos assuntos insalubres.

No entanto, há que se prestar atenção no positivo da vida. O resto a gente resolve aos poucos. Sem pressa. Se não resolver também, paciência.