New version of an old song playing in my head as the soundtrack for recent events...
Faith
Up against your will
Through the thick and thin
He will wait until
You give yourself to him
[Killing Moon by Echo and the Bunnymen, executed by Nouvelle Vague]
Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
sábado, fevereiro 24, 2007
Anotações do mosteiro em Perugia
Me dei conta de que esqueci de postar isso por aqui. Interessa, porque foras as anotações que me levaram a uma primeira noção daquela religião pessoal minha de que tanto falo e não explico direito.
O CÍRCULO
• Extensão do Centro, do Ponto primordial.
• Representa o Mundo ainda como embrião, esboçado mas não diferenciado.
• A Idéia (Ponto, Origem) já nasceu, a Expansão (Círculo) já começou, mas ainda não foi realizada a variedade e diversidade da Expressão (Forma e Dimensões).
• Forma mais eficaz para a conservação de energia.
• Forma solitária: única e não agrupável (colméia)
A CRUZ
• Expansão do Círculo, mas ainda designa o Centro, o Ponto.
• Une os 4 pontos fundamentais de orientação:
Norte (Céu, Estrela Polar)
Sul (Terra, Centro da Terra)
Leste (Sol nascente)
Oeste (Sol poente)
-=ou=-
Ar
Terra
Fogo
Água
-=ou=-
Água
Leite
Mel
Vinho
• Determina a mais natural das figuras geométricas: o quadrado [discordo: pra mim é o triângulo...], central como o Círculo, porém agrupável (colméia, fractais).
3 X 4 = 12 [Difícil explicar sem ter a imagem do jardim do mosteiro, que tinha um círculo circunscrevendo um quadrado]
• Subdivide cada quadrante em três partes --> 12, o número da manifestação total.
- 12 apóstolos
- 12 meses
- 12 constelações do zodíaco
- 12 horas do dia
- 12 substâncias fundamentais da alquimia
O CÍRCULO
• Extensão do Centro, do Ponto primordial.
• Representa o Mundo ainda como embrião, esboçado mas não diferenciado.
• A Idéia (Ponto, Origem) já nasceu, a Expansão (Círculo) já começou, mas ainda não foi realizada a variedade e diversidade da Expressão (Forma e Dimensões).
• Forma mais eficaz para a conservação de energia.
• Forma solitária: única e não agrupável (colméia)
A CRUZ
• Expansão do Círculo, mas ainda designa o Centro, o Ponto.
• Une os 4 pontos fundamentais de orientação:
Norte (Céu, Estrela Polar)
Sul (Terra, Centro da Terra)
Leste (Sol nascente)
Oeste (Sol poente)
-=ou=-
Ar
Terra
Fogo
Água
-=ou=-
Água
Leite
Mel
Vinho
• Determina a mais natural das figuras geométricas: o quadrado [discordo: pra mim é o triângulo...], central como o Círculo, porém agrupável (colméia, fractais).
3 X 4 = 12 [Difícil explicar sem ter a imagem do jardim do mosteiro, que tinha um círculo circunscrevendo um quadrado]
• Subdivide cada quadrante em três partes --> 12, o número da manifestação total.
- 12 apóstolos
- 12 meses
- 12 constelações do zodíaco
- 12 horas do dia
- 12 substâncias fundamentais da alquimia
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Hot Shots do Carnaval 2007
Via-de-regra, eu fujo do carnaval. Não gosto mesmo, sou anti-brasileiro e axé e samba não fazem minha cabeça.
Mas de vez em quando rolam uns carnavais....
Vamos por ítens:
• Carnaval em Ilha Bela. Casa com onze pessoas, doze garrafas de vodca e vinte maços de cigarro. A vodca acabou no terceiro dia. O cigarro logo no segundo. Consumi porcentagens ínfimas dos dois. E muito chá. Porque eu adoro a balada, mas amo ser saudável.
• Desta vez minhas habilidades culinárias tiveram companheiros: um churrasqueiro que fazia carne derreter na boca, uma doceira com um estranho e delicioso pudim de iogurte e uma panquequeira bêbada.
• Dancei o carnaval de rua de Ilha Bela. Anos atrás, desfilei na Águia de Ouro em São Paulo (relatos neste blog...). Mas devo dizer que carnaval de cidadezinha é muuuuuuito melhor! Mesmo sóbrio, não parei a(s) noite(s) toda(s). Mas tenho que admitir que, mesmo com todo o caos inerente ao carnaval, eu gostava mesmo é de ficar sincronizando passos com a galera que puxava as danças.
• No meio da viagem, briga de namorados. Ela armou o barraco porque ele fumou maconha, dizendo que daí pra coisas mais pesadas era um pulo. As outras meninas concordaram. Isso vindo de uma turma que acabou com vinte maços em dois dias... É um pulo a mais, querida. Só isso. Deixa o moleque se divertir no carnaval!
• Perdida nas conversas da noite, a pergunta: "tem alguma coisa que você NÃO faz?" Corei, lisonjeado. Se ela soubesse dos dilemas filosóficos relativos a ter várias capacidades...
• Perdi uma oportunidade de passar os dias conversando com alguém que fala italiano fluente. Culpa da rivalidade nascida entre nós pela mesma garota. Mas na prorrogação do jogo, quem marcou o gol fui eu. Scusami, piccolo.
• Sexo violento movido por muito ódio diesel. Sexo é bom e faz bem, mas eu queria mesmo era um pouco de carinho.
• A volta por uma estrada livre, escura e macabra, seguindo o carro da Morte e passando por lugares de chacina. Tudo vindo da imaginação de gente que tem medo do escuro.
• Apesar da estrada livre, demoramos oito horas, entre as entregas de diversas pessoas em diversas cidades. Dormi quatro horas antes de ir trabalhar. Rendimento beirando a nulidade....
Mas de vez em quando rolam uns carnavais....
Vamos por ítens:
• Carnaval em Ilha Bela. Casa com onze pessoas, doze garrafas de vodca e vinte maços de cigarro. A vodca acabou no terceiro dia. O cigarro logo no segundo. Consumi porcentagens ínfimas dos dois. E muito chá. Porque eu adoro a balada, mas amo ser saudável.
• Desta vez minhas habilidades culinárias tiveram companheiros: um churrasqueiro que fazia carne derreter na boca, uma doceira com um estranho e delicioso pudim de iogurte e uma panquequeira bêbada.
• Dancei o carnaval de rua de Ilha Bela. Anos atrás, desfilei na Águia de Ouro em São Paulo (relatos neste blog...). Mas devo dizer que carnaval de cidadezinha é muuuuuuito melhor! Mesmo sóbrio, não parei a(s) noite(s) toda(s). Mas tenho que admitir que, mesmo com todo o caos inerente ao carnaval, eu gostava mesmo é de ficar sincronizando passos com a galera que puxava as danças.
• No meio da viagem, briga de namorados. Ela armou o barraco porque ele fumou maconha, dizendo que daí pra coisas mais pesadas era um pulo. As outras meninas concordaram. Isso vindo de uma turma que acabou com vinte maços em dois dias... É um pulo a mais, querida. Só isso. Deixa o moleque se divertir no carnaval!
• Perdida nas conversas da noite, a pergunta: "tem alguma coisa que você NÃO faz?" Corei, lisonjeado. Se ela soubesse dos dilemas filosóficos relativos a ter várias capacidades...
• Perdi uma oportunidade de passar os dias conversando com alguém que fala italiano fluente. Culpa da rivalidade nascida entre nós pela mesma garota. Mas na prorrogação do jogo, quem marcou o gol fui eu. Scusami, piccolo.
• Sexo violento movido por muito ódio diesel. Sexo é bom e faz bem, mas eu queria mesmo era um pouco de carinho.
• A volta por uma estrada livre, escura e macabra, seguindo o carro da Morte e passando por lugares de chacina. Tudo vindo da imaginação de gente que tem medo do escuro.
• Apesar da estrada livre, demoramos oito horas, entre as entregas de diversas pessoas em diversas cidades. Dormi quatro horas antes de ir trabalhar. Rendimento beirando a nulidade....
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Sleeping with ghosts
Chatting away at work about sleeping and waking up brought back memories of one I`m trying to forget.
How she`d constantly have cold hands and feet that I`d try to warm up when we went to bed together. It was a gentle, sweet ritual. And then, over the night, she would heat up to a feverish degree that made me wake up sweating by her side. It would be a cliche to say it seemed to match the fiery color of her hair. It was only `till late after we were over that she realized I always slept with little or nothing on, so as to bare the heat she generated at night. It would be a cliche to say it seemed to
How she`d constantly have cold hands and feet that I`d try to warm up when we went to bed together. It was a gentle, sweet ritual. And then, over the night, she would heat up to a feverish degree that made me wake up sweating by her side. It would be a cliche to say it seemed to match the fiery color of her hair. It was only `till late after we were over that she realized I always slept with little or nothing on, so as to bare the heat she generated at night. It would be a cliche to say it seemed to
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
Manifestação
Nando, nosso guitarrista, havia dito que o dono do Manifesto tinha trejeitos particulares que denunciavam se ele estava gostando ou não da banda que estava tocando. Ele fazia um gesto como se espantasse mosca, incomodado, quando a banda era uma droga e outro quando ele gostava, arregalando os olhos e abrindo a boca em um "Noooooossa!", a mão chacoalhando em direção à banda lá embiaxo como se segurasse a mandíbula que ele projetava para fora com a força da exclamação.
Ontem, na falta de um, ele fez três desses "Nooooooossa!"...
O primeiro foi quando a bela Isabela Aguiar subiu no palco para fazer um dueto comigo em Sweet Home Alabama. A menina duelava com a guitarra, alcançando as mesmas notas agudas que Nando soltava a esmo.
O segundo veio com o nosso Hey Joe e a destruição na guitarra do Nando, sem falar na delícia que era o baixo novo do BBK, que apesar dos percalços violentos da semana passada, tocou o show inteiro de pé.
O terceito foi na nossa versão jazz do Born to be Wild, que desembestava para a rapidez da versão normal pra depois emendar diretamente no Paranoid do Black Sabath, com apresentação da banda durante o solo.
Outras pessoas vieram comentar detalhes interessantes: eu me algemando ao microfone durante uma das músicas da banda, a apaixonada All I ever needed cantada pelo Nando, e uma versão de mim no palco que ninguém tinha visto, bem diferente do garoto comportado e meio tímido.
Depois de nós, uma banda muito desafinada tocou músicas completamente desconhecidas, pegando nosso guitarrista emprestado pra tocar bateria (se bem que ele fez um serviço decente...). É mesquinho, mas faz uma massagem no ego ter uma banda dessas tocando depois de nós e ver que a galera que estava se divertindo horrores, dançando durante o nosso Johnny B Goode, executava uma evasão em massa do bar.
Sem modéstia: o show foi do caralho!
Ontem, na falta de um, ele fez três desses "Nooooooossa!"...
O primeiro foi quando a bela Isabela Aguiar subiu no palco para fazer um dueto comigo em Sweet Home Alabama. A menina duelava com a guitarra, alcançando as mesmas notas agudas que Nando soltava a esmo.
O segundo veio com o nosso Hey Joe e a destruição na guitarra do Nando, sem falar na delícia que era o baixo novo do BBK, que apesar dos percalços violentos da semana passada, tocou o show inteiro de pé.
O terceito foi na nossa versão jazz do Born to be Wild, que desembestava para a rapidez da versão normal pra depois emendar diretamente no Paranoid do Black Sabath, com apresentação da banda durante o solo.
Outras pessoas vieram comentar detalhes interessantes: eu me algemando ao microfone durante uma das músicas da banda, a apaixonada All I ever needed cantada pelo Nando, e uma versão de mim no palco que ninguém tinha visto, bem diferente do garoto comportado e meio tímido.
Depois de nós, uma banda muito desafinada tocou músicas completamente desconhecidas, pegando nosso guitarrista emprestado pra tocar bateria (se bem que ele fez um serviço decente...). É mesquinho, mas faz uma massagem no ego ter uma banda dessas tocando depois de nós e ver que a galera que estava se divertindo horrores, dançando durante o nosso Johnny B Goode, executava uma evasão em massa do bar.
Sem modéstia: o show foi do caralho!
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Anish Kapoor no C.C.B.B.
Quem teve paciência pra acompanhar os relatos da minha viagem por Londres vai lembrar da minha passagem pela Royal Academy of Arts e uma fabulosa obra do indiano naturalizado inglês Anish Kapoor.
Neste sábado, aproveitei que Larissa estava me perguntando sobre programinhas cult e fui fazer-lhe uma visita guiada pela exposição do Kapoor no Centro Cultural Banco do Brasil, lá no centro da cidade.
ANISH KAPOOR NO C.C.B.B.
Local: Rua Álvares Penteado 112. Centro. CEP: 01012-000.
Preço(s): Grátis.
Data(s): De 25 de janeiro a 1° de abril.
Horário(s): terça a domingo, 9h ás 18h
Informações: (11) 3113-3651/3652
É possível fazer um trajeto bem explicativo pelas obras do CCBB. Logo na porta, Pillar (2003), um enorme cilindro de metal com o interior revestido de laca azulada, serve como uma apresentação ao universo do artista. Um monitor de exposição permite a entrada de apenas uma pessoa por vez pela abertura do cilindro. Lá dentro, a imagem do observador aparece um pouco distorcida na superfície côncava do cilindro. O efeito óptico faz com que se perca a noção de distância até a superfície e o fundo da imagem parece se mover a uma velocidade diferente daquela da imagem do observador.
Conhecendo as propriedades das obras de Anish Kapoor, entrei no cilindro murmurando um som constante, como um mantra. E quando cheguei exatamente ao centro do cilindro, ele rebateu minha voz nos meus ouvidos, ampliando o som. O efeito aqui ainda é quase imperceptível para quem não conhece outras obras mais recentes dele.
A mostra inclui o único vídeo do artista, Wounds and Absent Objects (2003), que enche a tela com cores vivas, os tons variando de azuis profundos para vermelhos intensos, sempre irradiando do centro. Em certo ponto, o contraste entre um vermelho sanguíneo e o centro preto dão a impressão de se observar uma imensa ferida aberta na parede, e a vontade ainda mais bizarra de entrar dentro dela.
Em outra sala, When I`m pregnant (1992) é uma protuberância na parede de gesso que talvez passe despercebida por algumas pessoas. Em 2005, Kapoor fez a contraparte da obra, criando um côncavo ao seu lado. A obra tem um detalhe gramatico que passa despercebido pelo artista anglófono: o título em inglês independe de gênero, servindo para o masculino e feminino. Já na tradução brasileira, fica a cargo do tradutor escolher entre "Quando estou grávido"ou "grávida".
O mais interessante da mostra é o segundo andar. Feita especialmente para o CCBB, To Divide (2006) é uma enorme parede de madeira que gira em dobradiças imperceptíveis, dividindo em dois um espaço inundado por cinco toneladas de cera vermelho-sangue. O rasto de cera no chão mostra o movimento da parede e insinua a força brutal necessária para varrer a cera.
Mas o que mais me chamou a atenção foi Double Mirror (1998). Num corredor da galeria, ele instalou um côncavo em cada parede, um de frente para o outro. A superfície é cromada, refletindo o observador mais nitidamente do que os vernizes que ele normalmente usa.
O interessante dessa obra é o uso de física, como na parabólica que vi na Royal Academy. Um observador colocado no ponto focal de cada côncavo vai ter sua voz irradiada para dentro do espelho, e depois projetada em linha reta para o outro espelho, sendo em seguida focalizada no ponto focal dele, onde pode estar um outro observador. O efeito dá a impressão de se estar diante de um alto-falante gigantesco, mas não há processo eletrônico acontecendo. Dando alguns passos para trás, vi minha imagem se dissolver e voltar de ponta-cabeça. Esse ponto onde minha imagem se dissolve é o centro da circunferência de onde é retirado o côncavo. Lá, se o observador fala, a voz bate na calota cromada e volta diretamente para o observador, dando um efeito estranho de ampliação, ocmo aquele do cilíndro na entrada da exposição.
Apesar desta obra ter sido concebida antes da que eu vi na Royal Academy, ela parece ser o próximo passo. Ou seja, faz-se uma cronologia que na verdade é incorreta entre Pillar, a parabólica da Royal Academy e Double Mirror.
Uma última e fundamental parte da exposição não está no prédio do CCBB. Kapoor construiu uma estrutura de mais de oito metros debaixo da ponte do Vale do Anhangabaú para executar a obra que dá nome à mostra, Ascension. É uma enorme caixa preta com janelas do chão ao teto. Entra-se na estrutura por uma de duas passagens, corredores de gesso que traçam uma espiral até o centro da estrutura. Quem entra não percebe na hora, mas as duas entradas servem também para canalizar o ar que entra na estrutura para o que acontece no centro: uma máquina solta vapor de glicerina no ar, enquanto um enorme exaustor no teto ha oito metros do chão suga para fora todo o ar da estrutura. O resultado, com o ar entrando pelos corredores em espiral, sendo tingido pela fumaça tênue e espiralando para fora pelo exaustor, é uma obra intangivel, uma enorme coluna de fumaça que serpenteia para cima e dissolve-se quando algum observador tenta tocá-la.
Saíndo do Anhangabaú, segui o revoar da saia xadrez de Larissa até o Café Girondino. Um dos meus lugares prediletos daquela parte do centro (tirando a Galeria do Rock...) que eu visitava na época em que Bia ainda era Makel. Fazia um sentido daqueles meus estarmos eu e a ex do meu irmão no bar onde eu ia com a minha ex.
Mas enquanto eu terminava meu iogurte batido (um pseudo-gótico saudável, sim...) e conversávamos sobre relacionamentos, fiquei digerindo aquela sensação que só o Anish Kapoor sabe deixar, de você ver o mundo pensando nos materiais, nas interações físicas e no ir e vir de som e imagem.
Neste sábado, aproveitei que Larissa estava me perguntando sobre programinhas cult e fui fazer-lhe uma visita guiada pela exposição do Kapoor no Centro Cultural Banco do Brasil, lá no centro da cidade.
ANISH KAPOOR NO C.C.B.B.
Local: Rua Álvares Penteado 112. Centro. CEP: 01012-000.
Preço(s): Grátis.
Data(s): De 25 de janeiro a 1° de abril.
Horário(s): terça a domingo, 9h ás 18h
Informações: (11) 3113-3651/3652
É possível fazer um trajeto bem explicativo pelas obras do CCBB. Logo na porta, Pillar (2003), um enorme cilindro de metal com o interior revestido de laca azulada, serve como uma apresentação ao universo do artista. Um monitor de exposição permite a entrada de apenas uma pessoa por vez pela abertura do cilindro. Lá dentro, a imagem do observador aparece um pouco distorcida na superfície côncava do cilindro. O efeito óptico faz com que se perca a noção de distância até a superfície e o fundo da imagem parece se mover a uma velocidade diferente daquela da imagem do observador.
Conhecendo as propriedades das obras de Anish Kapoor, entrei no cilindro murmurando um som constante, como um mantra. E quando cheguei exatamente ao centro do cilindro, ele rebateu minha voz nos meus ouvidos, ampliando o som. O efeito aqui ainda é quase imperceptível para quem não conhece outras obras mais recentes dele.
A mostra inclui o único vídeo do artista, Wounds and Absent Objects (2003), que enche a tela com cores vivas, os tons variando de azuis profundos para vermelhos intensos, sempre irradiando do centro. Em certo ponto, o contraste entre um vermelho sanguíneo e o centro preto dão a impressão de se observar uma imensa ferida aberta na parede, e a vontade ainda mais bizarra de entrar dentro dela.
Em outra sala, When I`m pregnant (1992) é uma protuberância na parede de gesso que talvez passe despercebida por algumas pessoas. Em 2005, Kapoor fez a contraparte da obra, criando um côncavo ao seu lado. A obra tem um detalhe gramatico que passa despercebido pelo artista anglófono: o título em inglês independe de gênero, servindo para o masculino e feminino. Já na tradução brasileira, fica a cargo do tradutor escolher entre "Quando estou grávido"ou "grávida".
O mais interessante da mostra é o segundo andar. Feita especialmente para o CCBB, To Divide (2006) é uma enorme parede de madeira que gira em dobradiças imperceptíveis, dividindo em dois um espaço inundado por cinco toneladas de cera vermelho-sangue. O rasto de cera no chão mostra o movimento da parede e insinua a força brutal necessária para varrer a cera.
Mas o que mais me chamou a atenção foi Double Mirror (1998). Num corredor da galeria, ele instalou um côncavo em cada parede, um de frente para o outro. A superfície é cromada, refletindo o observador mais nitidamente do que os vernizes que ele normalmente usa.
O interessante dessa obra é o uso de física, como na parabólica que vi na Royal Academy. Um observador colocado no ponto focal de cada côncavo vai ter sua voz irradiada para dentro do espelho, e depois projetada em linha reta para o outro espelho, sendo em seguida focalizada no ponto focal dele, onde pode estar um outro observador. O efeito dá a impressão de se estar diante de um alto-falante gigantesco, mas não há processo eletrônico acontecendo. Dando alguns passos para trás, vi minha imagem se dissolver e voltar de ponta-cabeça. Esse ponto onde minha imagem se dissolve é o centro da circunferência de onde é retirado o côncavo. Lá, se o observador fala, a voz bate na calota cromada e volta diretamente para o observador, dando um efeito estranho de ampliação, ocmo aquele do cilíndro na entrada da exposição.
Apesar desta obra ter sido concebida antes da que eu vi na Royal Academy, ela parece ser o próximo passo. Ou seja, faz-se uma cronologia que na verdade é incorreta entre Pillar, a parabólica da Royal Academy e Double Mirror.
Uma última e fundamental parte da exposição não está no prédio do CCBB. Kapoor construiu uma estrutura de mais de oito metros debaixo da ponte do Vale do Anhangabaú para executar a obra que dá nome à mostra, Ascension. É uma enorme caixa preta com janelas do chão ao teto. Entra-se na estrutura por uma de duas passagens, corredores de gesso que traçam uma espiral até o centro da estrutura. Quem entra não percebe na hora, mas as duas entradas servem também para canalizar o ar que entra na estrutura para o que acontece no centro: uma máquina solta vapor de glicerina no ar, enquanto um enorme exaustor no teto ha oito metros do chão suga para fora todo o ar da estrutura. O resultado, com o ar entrando pelos corredores em espiral, sendo tingido pela fumaça tênue e espiralando para fora pelo exaustor, é uma obra intangivel, uma enorme coluna de fumaça que serpenteia para cima e dissolve-se quando algum observador tenta tocá-la.
Saíndo do Anhangabaú, segui o revoar da saia xadrez de Larissa até o Café Girondino. Um dos meus lugares prediletos daquela parte do centro (tirando a Galeria do Rock...) que eu visitava na época em que Bia ainda era Makel. Fazia um sentido daqueles meus estarmos eu e a ex do meu irmão no bar onde eu ia com a minha ex.
Mas enquanto eu terminava meu iogurte batido (um pseudo-gótico saudável, sim...) e conversávamos sobre relacionamentos, fiquei digerindo aquela sensação que só o Anish Kapoor sabe deixar, de você ver o mundo pensando nos materiais, nas interações físicas e no ir e vir de som e imagem.
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
She said she loved my hands and the way they moved, not knowing at the time it was the best compliment I could ever get, and how much I loved them myself. Then she rubbed her cheek against mine, like cats and lions do, saying she loved my beard and not knowing it was the perfect caress for an overgrown feline. We had spent a little over a month meeting every now and then, discussing the higher subjects such as art and religion. It felt good to have someone who actually listened and talked back. Who had more to say than the dronning chatter of the average friend. Above all, it felt comfortably familiar to have someone who, like a Lioness from long ago, would pick up tiny details of things I said or did and create little wonders inspired by them. It was devotion, and there was nothing I praised more.
But despite all that, as her cold and tiny nose ran across the side of my face towards mine, I drew back from the kiss. I felt every bit as emotionally cold as the swedish cheek I had kissed a little over a year ago. I felt nothing.
I said no.
And I understood then something that Lee said once, about how sad it is to find someone who could be a perfect companion and not feel the slightest tinge of sexual arousement for her. I just couldn`t go through with it. It would be a lie to me and to her. So I`m sorry dear, but this is a definitive no.
But despite all that, as her cold and tiny nose ran across the side of my face towards mine, I drew back from the kiss. I felt every bit as emotionally cold as the swedish cheek I had kissed a little over a year ago. I felt nothing.
I said no.
And I understood then something that Lee said once, about how sad it is to find someone who could be a perfect companion and not feel the slightest tinge of sexual arousement for her. I just couldn`t go through with it. It would be a lie to me and to her. So I`m sorry dear, but this is a definitive no.
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Orgastica!
Amargando o fechamento do Atari antes mesmo de que eu voltasse da Europa, fiquei sem baladinha alternativa pra ir. Não tava com saco de pesquisar os nomes que ouvi por aí.
Daí passei em um desses fotologs por aí e um comentário me chamou a atenção: falava de uma festa chamada Orgástica que aconteceria no sábado em um lugar chamado Plastic Dreams, (antigo Massivo). Orgástica era a melhor festa do Atari, acontecendo todas as quintas e juntando uma vasta galera libertina. No mais, nunca ouvi falar do Plastic Dreams, mas o Massivo costumava ser território vampírico há alguns anos e o Atari mantinha o pessoal careta afastado fazendo circular rumores de também ser ponto de encontro dos covens (o que náo era totalmente falso, nem totalmente verdadeiro...).
Estou pensando em ir pra balada no sábado. Alguém se habilita?
Daí passei em um desses fotologs por aí e um comentário me chamou a atenção: falava de uma festa chamada Orgástica que aconteceria no sábado em um lugar chamado Plastic Dreams, (antigo Massivo). Orgástica era a melhor festa do Atari, acontecendo todas as quintas e juntando uma vasta galera libertina. No mais, nunca ouvi falar do Plastic Dreams, mas o Massivo costumava ser território vampírico há alguns anos e o Atari mantinha o pessoal careta afastado fazendo circular rumores de também ser ponto de encontro dos covens (o que náo era totalmente falso, nem totalmente verdadeiro...).
Estou pensando em ir pra balada no sábado. Alguém se habilita?
Lembra da história do ponto de ativação? Acho que eu ainda não cheguei nele na agência, mas sinto que está próximo. Já tem trabalho inteiramente meu indo para a gráfica e clientes que ligam para a agência pra falar diretamente comigo. Mas o que mais me interessou foi ter uma campanha inteira onde boa parte da redação foi feita por mim. Talvez meu pai tenha razão: eu escrevo melhor do que desenho.
O salário podia subir...
Por outro lado, Loo deu aviso prévio e sai em menos de duas semanas. Não aguentou as mudanças bruscas de temperamento e opinião do Mr. President e resolveu voltar ao seu esquema anterior, de trabalhar em casa.
Me fez pensar em muita coisa. Porque acho que, enquanto eu for diretor de arte básico de agência, meu salário jamais vai ser muito decente.... Eu faria um esquema como o dela onde, de acordo com ela, ela chegava a ganhar mais e ter mais tempo para ela mesma, embora o serviço não fosse sempre constante. O problema é que não tenho a mais remota idéia de como arranjar clientes. E então me veio a idéia de fazer uma dupla com outra pessoa que cuidasse dos contatos e da parte financeira.
Agora falta arranjar essa pessoa....
O salário podia subir...
Por outro lado, Loo deu aviso prévio e sai em menos de duas semanas. Não aguentou as mudanças bruscas de temperamento e opinião do Mr. President e resolveu voltar ao seu esquema anterior, de trabalhar em casa.
Me fez pensar em muita coisa. Porque acho que, enquanto eu for diretor de arte básico de agência, meu salário jamais vai ser muito decente.... Eu faria um esquema como o dela onde, de acordo com ela, ela chegava a ganhar mais e ter mais tempo para ela mesma, embora o serviço não fosse sempre constante. O problema é que não tenho a mais remota idéia de como arranjar clientes. E então me veio a idéia de fazer uma dupla com outra pessoa que cuidasse dos contatos e da parte financeira.
Agora falta arranjar essa pessoa....
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