Eis que o carnaval acabou...
Foi o segundo carnaval consecutivo que eu passei por aqui, imerso em desfiles, samba e uma cidade deliciosamente vazia. Ano que vem, vou fugir do carnaval como boa parte dos meus conhecidos. Preciso de f?rias disso... No ano passado, desfilei pela ?guia de Ouro, depois de passar um m?s ajudando na constru??o dos carros aleg?ricos. Mau press?gio: foi justamente o ano em que a ?guia quase foi rebaixada... Nesse ano passamos o carnaval em outro lugar do samb?dromo: a arquibancada. E vimos, eu e Tink, o desastre da Gavi?es bem na nossa frente. Se me permitem o deboche, foi ir?nico ver como tudo aquilo se encaixava no enredo do samba da escola, que contava as revolu??es que aconteceram no pa?s. O ?ltimo carro, o do acidente, fazia uma apologia a uma "revolu??o corintiana", como se fosse a revolu??o das revolu??es. E n?o deu outra: corintiano entrou na avenida e destruiu tudo. S? podia ser mesmo....
Dia seguinte, e eu assistindo o desfile pela TV. Eis que entra a Caprichosos, homenageando a Xuxa. Logo de cara, o primeiro carro traz um mago medonho carregando um beb? loiro gigantesco. Coisa de fazer crian?a ter pesadelo. O carro seguinte segue com uma representa??o da Xuxa crian?a, parecendo um boneco estilo "Briquedo Assassino". Crian?as negras travestidas de loiras, com apliques nos cabelos.
Meia hora passada de desfile e os rep?rteres decidem entrevistar a estrela da festa. L? est? ela, com tamanha cara de medo que a torna irreconhec?vel. Dizia que s? mostraria a roupa na hora de subir no carro, mas j? adiantava que n?o mostraria o corpo porque ela ? m?e. Mas quinze minutos depois, l? estava ela, com um decote tamanho que os seios quase voavam pra fora, e "algo" da cintura pra baixo que lhe tampava o sexo mas mostrava o suficiente... Detalhe: apesar dos carros estarem abarrotados de crian?as, a filha dela n?o figurava entre elas. S? posso dizer que n?o gostei.
Mas nem tudo foi t?o p?ssimo. As comiss?es de frente, salvo algumas excess?es, estava maravilhosas. Destaque para a ?guia de Ouro.
Bom, chega de carnaval, vamos em frente com a vida.
Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.
quinta-feira, fevereiro 26, 2004
sexta-feira, fevereiro 20, 2004
Conversando com a empregada novamente.
Ela sempre acaba associando qualquer assunto a religião, embora não seja aquele tipo de crente que se faz de vítima do mundo. E no meio dessas conversas de entes superiores, vida e morte, ela veio falar que quando Deus quer tirar a vida de alguém, não há solução. Mas em vez de dizer "morte", ela tampava o nariz e a boca com uma mão, como se, para matar alguém, Deus fizesse a mesma coisa, sufocando a pessoa. "Tirando-lhe o fôlego", ela dizia. Conceito peculiar da morte...
Me fez lembrar que, quando pequeno, eu achava que um enfarto tinha algo a ver com a respiração. Talvez fosse por causa do "f". E naquela época houveram muitos enfartos. Sempre vinha-me à cabeça a imagem da pessoa em questão, tentando desesperadamente respirar, sem sucesso.
Ela sempre acaba associando qualquer assunto a religião, embora não seja aquele tipo de crente que se faz de vítima do mundo. E no meio dessas conversas de entes superiores, vida e morte, ela veio falar que quando Deus quer tirar a vida de alguém, não há solução. Mas em vez de dizer "morte", ela tampava o nariz e a boca com uma mão, como se, para matar alguém, Deus fizesse a mesma coisa, sufocando a pessoa. "Tirando-lhe o fôlego", ela dizia. Conceito peculiar da morte...
Me fez lembrar que, quando pequeno, eu achava que um enfarto tinha algo a ver com a respiração. Talvez fosse por causa do "f". E naquela época houveram muitos enfartos. Sempre vinha-me à cabeça a imagem da pessoa em questão, tentando desesperadamente respirar, sem sucesso.
My first job interview...
Had my first formal job interview today. And by "formal", I mean I had to dress up. I love formal attire. There's a feeling of power to it. Since I had to dress up, you can imagine this wasn't a job at an advertising company. Those interviews are slightly more easy-going. This was a pharmaceutical company that supplies generic drugs to drugstores in my area. It's ironic: father spent twenty years or so in the pharmaceutical marketing business. I never thought I might eventually work in that area...
Look at me... Writting as if the job was already mine. As if I even had a chance. Nothing could be farther from the truth. We all arrived sharply at nine o'clock. We were put in a waiting room for about half an hour and I grinned as I opened my book: I was prepared for the waiting... I had enough time to finish it and engage in some pointless chit-chat with the other guys 'till they called us. In the elevator, I couldn't help feeling that ever-present inferiority complex, as I noticed that all the other guys loomed over me like skyscrapers. Seems I'll be the eternal child after all... I was amidst the first that went into the conference room. This young lady, roughly thirty, and seemingly under the effect of some kind of stimulant, greeted us all with a firm handshake. Me and my problem with names...
What was her's?? We talked briefly and she liked my resumé, making special notice to the organization, my quick work at Aguia de Ouro last year and my ability with languages. However, she did seem bothered by the fact that everything there pointed to someone who'd be better off on the art department, perhaps creating ads and such instead of doing marketing. My sole excuse was that I wanted to learn. Tink usually says that, and it sounds nice...
Anyway, results come in next wednesday. But as the expression goes: don't quit your day job.
As if I had one....
Look at me... Writting as if the job was already mine. As if I even had a chance. Nothing could be farther from the truth. We all arrived sharply at nine o'clock. We were put in a waiting room for about half an hour and I grinned as I opened my book: I was prepared for the waiting... I had enough time to finish it and engage in some pointless chit-chat with the other guys 'till they called us. In the elevator, I couldn't help feeling that ever-present inferiority complex, as I noticed that all the other guys loomed over me like skyscrapers. Seems I'll be the eternal child after all... I was amidst the first that went into the conference room. This young lady, roughly thirty, and seemingly under the effect of some kind of stimulant, greeted us all with a firm handshake. Me and my problem with names...
Anyway, results come in next wednesday. But as the expression goes: don't quit your day job.
As if I had one....
quarta-feira, fevereiro 18, 2004
Foi Thaís quem me deu as boas vindas ao ateliê Cincopias, desta vez como integrante. E foi ela quem tinha me dado as boas vindas como mero visintante, pintor/inquilino temporário, para o tempo que passei lá no ano passado, pintando os retratos.
Desta vez, como da outra, Thaís me mostrou o lugar, falou de como tudo estava organizado, como se eu de fato nunca houvesse estado lá. E depois pediu-me para definir qual seria o meu lugar. Não que houvessem áreas restritas: o ateliê era de todos. Mas algumas áreas eram "mais de fulano", ou "siclana tinha dominado". Como não sabia ao certo quanto espaço eu precisaria para minhas bizarrices, pedi apenas uma parede, no quarto "dominado" pela Bela, ao lado do "espaço da Gisela", onde eu já estendera a tela para o Golgotha, pintada de preto na minha visita anterior. O engraçado é que a tal parede tinha uma janela bem no meio. Embora isso diminuisse a minha área de trabalho, me dava uma vista privilegiada da comédia da vida pública que acontecia lá fora. No mais, sempre ouvi a comparação entre pinturas e janelas para mundos imaginários, e parecía-me cômico estender minhas janelas ao lado de uma janela de verdade...
Desta vez, como da outra, Thaís me mostrou o lugar, falou de como tudo estava organizado, como se eu de fato nunca houvesse estado lá. E depois pediu-me para definir qual seria o meu lugar. Não que houvessem áreas restritas: o ateliê era de todos. Mas algumas áreas eram "mais de fulano", ou "siclana tinha dominado". Como não sabia ao certo quanto espaço eu precisaria para minhas bizarrices, pedi apenas uma parede, no quarto "dominado" pela Bela, ao lado do "espaço da Gisela", onde eu já estendera a tela para o Golgotha, pintada de preto na minha visita anterior. O engraçado é que a tal parede tinha uma janela bem no meio. Embora isso diminuisse a minha área de trabalho, me dava uma vista privilegiada da comédia da vida pública que acontecia lá fora. No mais, sempre ouvi a comparação entre pinturas e janelas para mundos imaginários, e parecía-me cômico estender minhas janelas ao lado de uma janela de verdade...
terça-feira, fevereiro 17, 2004
Há alguns dias vi algo inédito (pelo menos pra mim...) em termos de propaganda. Meu pai me chamou a atenção: ele estava mudando de canais, procurando qualquer coisa pra ver, quando começou em determinado canal um anúncio da Kaiser. Na inércia de mudar de canal, ele passou para o seguinte, que também veiculava o mesmo anúncio da Kaiser. E o seguinte também. E o seguinte... Um anúncio veiculado em rede nacional, em pleno horário nobre de domingo. Todos os canais de TV aberta. Incrível.
Três questões obviamente surgiram:
1) Quanta grana foi gasta só pra isso?
2) Vai passar de novo (o que aumentaria ainda mais a resposta da pergunta anterior...)?
3) Alguém que eu conheça também viu isso?
Obviamente, pra você que não dá a mínima para publicidade, isto é um fato banalíssimo, e este post mais ainda.
Três questões obviamente surgiram:
1) Quanta grana foi gasta só pra isso?
2) Vai passar de novo (o que aumentaria ainda mais a resposta da pergunta anterior...)?
3) Alguém que eu conheça também viu isso?
Obviamente, pra você que não dá a mínima para publicidade, isto é um fato banalíssimo, e este post mais ainda.
If you have a Nintendo 64, you should really check out this week's comic at VG Cats... A simple, yet smart critic to Nintendo's sales strategy.
domingo, fevereiro 15, 2004
Terminei de ler o livro do Marcelo Rubens Paiva, o Feliz Ano Velho. Sei lá... não tenho muito o que dizer.
Como literatura, detestei. Tem aquele tom de pessoa que está começando a escrever, sabe? Falta-lhe recuros de estilo, alguma malícia com as palavras. Muito simplório. A história mesmo é o que me manteve na leitura até o final, querendo saber se ele voltaria a andar, como ele ia dar a volta por cima. Acho também que, no meu momento atual, estava precisando ler sobre alguém que também estivesse se perguntando "O que eu vou fazer com a minha vida agora"? De resto, passagens muito interessantes sobre a política do país naquele momento, o surgimento do nosso atual presidente e outras celebridades políticas. Mas é só. Não recomendo...
Como literatura, detestei. Tem aquele tom de pessoa que está começando a escrever, sabe? Falta-lhe recuros de estilo, alguma malícia com as palavras. Muito simplório. A história mesmo é o que me manteve na leitura até o final, querendo saber se ele voltaria a andar, como ele ia dar a volta por cima. Acho também que, no meu momento atual, estava precisando ler sobre alguém que também estivesse se perguntando "O que eu vou fazer com a minha vida agora"? De resto, passagens muito interessantes sobre a política do país naquele momento, o surgimento do nosso atual presidente e outras celebridades políticas. Mas é só. Não recomendo...
Na terça passada levei minhas coisas para o ateliê das meninas. Passo a fazer parte de lá agora, pagando a minha parte do aluguel, das contas, etc. Tinha escrito um post enorme sobre isso. Mas o sistema apagou. Verei se lembro alguma coisa.
Cheguei lá quando já anoitecia. Uma noite daquelas de lua cheia, luz azulada. Nuvens pairando tão perto, que dá a impressão de que, se você esticar o braço, poderá levá-las pra casa. Estavam lá apenas Marcela e Gisela, mas logo saíram e fiquei a sós. Apaguei as luzes desnecessárias pois me delicio andando no escuro. No banheiro, a luz da rua e da lua entrava pela janela e deitava nos azulejos, me lembrando de forma vívida o quadro hiper-realista de um pintor latino cujo nome, por mais que eu espanque minha memória, não consigo lembrar. Era como estar dentro da pintura.
Uma vez, logo no começo, algumas das meninas tentaram dormir lá uma noite. Chegaram na fundação no dia seguinte dizendo que achavam que o lugar era assombrado. Compreendo: é o jeito desses lugares desarrumados, onde tudo puxa sua atenção do canto do olho, como se fosse um movimento detectado. Estética de decomposição. Estava nos objetos feitos pela Thais, nas figuras agonizantes das telas da Gisela, na perversão das cadeirinhas e outros bibelôs da Amanda. Eu podia sentir o tipo de arte que eu faria aqui. Coisas da estirpe da minha Virgem e o Menino.
Logo me vi afixando uma tela na parede que me fora designada e pintando-a inteira de preto daquele meu jeito de pintar, esticando tanto a tinta que dá pra ver a trama da tela. No mesmo quarto, as agonias por vezes cômicas de Gisela pintadas do jeito dela, com camadas tão grossas de tinta, que se perde a tela. Fundos que misturam vermelho para aquecer, bege e marrom para suavizar, e tantas outras cores para chegar no mesmo preto que eu pintei direto, mas com muito mais vida.
Gisela estava agora começando a fazer umas monotipias com imagens humanas que se fundiam a imagens de um bode, como um demônio. E antes que ela saísse, lembrei-a de uma aula que tivemos há muito tempo, em que estudamos o Moisés de Michelangelo. A estátua, se você perceber, tem dois chefres na testa. Lembro que a professora dissera que, em hebraico ou latim, não lembro qual, a palavra para chifres era a mesma palavra para luz. E Moisés recebeu a luz. Assim como Lúcifer era o Portador da Luz. Faz sentido, não?
Cheguei lá quando já anoitecia. Uma noite daquelas de lua cheia, luz azulada. Nuvens pairando tão perto, que dá a impressão de que, se você esticar o braço, poderá levá-las pra casa. Estavam lá apenas Marcela e Gisela, mas logo saíram e fiquei a sós. Apaguei as luzes desnecessárias pois me delicio andando no escuro. No banheiro, a luz da rua e da lua entrava pela janela e deitava nos azulejos, me lembrando de forma vívida o quadro hiper-realista de um pintor latino cujo nome, por mais que eu espanque minha memória, não consigo lembrar. Era como estar dentro da pintura.
Uma vez, logo no começo, algumas das meninas tentaram dormir lá uma noite. Chegaram na fundação no dia seguinte dizendo que achavam que o lugar era assombrado. Compreendo: é o jeito desses lugares desarrumados, onde tudo puxa sua atenção do canto do olho, como se fosse um movimento detectado. Estética de decomposição. Estava nos objetos feitos pela Thais, nas figuras agonizantes das telas da Gisela, na perversão das cadeirinhas e outros bibelôs da Amanda. Eu podia sentir o tipo de arte que eu faria aqui. Coisas da estirpe da minha Virgem e o Menino.
Logo me vi afixando uma tela na parede que me fora designada e pintando-a inteira de preto daquele meu jeito de pintar, esticando tanto a tinta que dá pra ver a trama da tela. No mesmo quarto, as agonias por vezes cômicas de Gisela pintadas do jeito dela, com camadas tão grossas de tinta, que se perde a tela. Fundos que misturam vermelho para aquecer, bege e marrom para suavizar, e tantas outras cores para chegar no mesmo preto que eu pintei direto, mas com muito mais vida.
Gisela estava agora começando a fazer umas monotipias com imagens humanas que se fundiam a imagens de um bode, como um demônio. E antes que ela saísse, lembrei-a de uma aula que tivemos há muito tempo, em que estudamos o Moisés de Michelangelo. A estátua, se você perceber, tem dois chefres na testa. Lembro que a professora dissera que, em hebraico ou latim, não lembro qual, a palavra para chifres era a mesma palavra para luz. E Moisés recebeu a luz. Assim como Lúcifer era o Portador da Luz. Faz sentido, não?
segunda-feira, fevereiro 09, 2004
Todo ano, desde que entrei na faculdade de artes, tenho escrito pequenos cadernos com minhas idéias, anotações banais, teorias de conspiração e esboços variados. E quase mecanicamente comecei a definir que cada um deles teria sua capa, com uma ilustração qualquer, e um nome. O primeiro, nada mais que um amontoado de sulfites A4 do montinho da impressora, tinha na capa um desenho de uma calça jeans da namorada de então, que eu havia desenhado como exercício do curso de artes. Não tinha nome. Já o segundo chamou-se Lunacy, com o desenho de uma fadinha tentando segurar toda sorte de materiais artísticos: pincéis, lápis, borracha, estilete... O terceiro chamou-se Rage, com um dos estudos para o rosto da Virgem do meu Virgem e o Menino na capa. Coisa grotesca. O quarto, Dream, ficou com uma capa em branco. Na borda inferior, o conceito era escrito em diversas línguas e tipos de letra: Dream, Sueño, Traum, Reve, Sonho, Sogno. E na borda superior, um grafismo meu que representava o que eu sentia na passagem da vigília para o sonho, uma sensação de diminuir o ritmo, como aquilo que se sente quando você está numa rua barulhenta e de repente entra em um lugar com isolamento acústico. Deixei um espaço em branco enorme lá, esperando que, ao escrever o caderno, alguma imagem viesse à mente para traduzir o que para mim era esse estado de sonho. Nunca veio nada. O que poderia sintetizar um sonho? Seria escolher uma coisa em detrimento de tantas outras.
O caderno deste ano, chamei-o Eclosion. Passei os últimos dias do ano passado pensando em um título. Algo que significasse nascer, ou renascer ( e nada tão clichê quanto Fênix ou algo assim...). A idéia de eclosão me foi sussurrada um dia desses por uma fada qualquer do meu imaginário. E fiquei pensando: o ano seguinte à minha formatura da faculdade de artes. O ano em que tudo para o que eu me preparei começa a ser posto à prova. É como eclodir de um ovo: você faz uma força para criar o trabalho final e sai para o mundo real assim, frágil, ignorante, cheio de sonhos. Confesso que a ilustração acabou sendo uma coisa meio clichê mesmo: de uma ecdise com a minha forma partida ao meio, emerge uma figura parecida com a anterior, coberta ainda em qualquer material viscoso que a envolvia dentro da casca. Se chegar a algum outro desenho mais criativo, acabo colando por cima. Mas não gostei de ter deixado o último caderno em branco.
O caderno deste ano, chamei-o Eclosion. Passei os últimos dias do ano passado pensando em um título. Algo que significasse nascer, ou renascer ( e nada tão clichê quanto Fênix ou algo assim...). A idéia de eclosão me foi sussurrada um dia desses por uma fada qualquer do meu imaginário. E fiquei pensando: o ano seguinte à minha formatura da faculdade de artes. O ano em que tudo para o que eu me preparei começa a ser posto à prova. É como eclodir de um ovo: você faz uma força para criar o trabalho final e sai para o mundo real assim, frágil, ignorante, cheio de sonhos. Confesso que a ilustração acabou sendo uma coisa meio clichê mesmo: de uma ecdise com a minha forma partida ao meio, emerge uma figura parecida com a anterior, coberta ainda em qualquer material viscoso que a envolvia dentro da casca. Se chegar a algum outro desenho mais criativo, acabo colando por cima. Mas não gostei de ter deixado o último caderno em branco.
Another good movie seen recently was Sofia Coppola's Lost in Translation. Word has it, she wrote the script for Bill Murray. Had he said no, the movie wouldn't have been made.
I can't say much about this movie, for fear that I might spoil something great. But I will leave a couple of remarks. First of all, remember The Hours?? In that one, two characters say they once had a great summer once, and then spent the rest of their lives trying to relive that summer. This movie feels like that summer. If those two characters meet again, it won't be the same.
The other remark is about the lead actress, Scarlett Johansson. It'sone of my weird comparisons, but the way she smiles, the way she uses her lips, kinda reminds me vividly of Chebel. A blonde Chebel. Too bad I don't have any pictures of her... But I'll look it up.
domingo, fevereiro 08, 2004
Watched 21 grams last friday. The latest of a kind of movies that has been en vogue for the past few years. That kind of movie where chronological organization is shot to hell and you have to pick up the pieces and build the movie in your head. Like Pulp Fiction, or Memento. Or even the starting sequences of Girl interrupted. As I watched the movie, I couldn't help making a sort of checklist in my head: "I know those two will end up toghether, now how does his girlfriend leave the scene?"
21 grams presents you with a set of characters that couldn't be more different from each other. A religious fanatic, a man suffering from heart disease, a housewife and all the people around them. Eventually, as you'd expect, their lives come toghether. It's one of those movies about the meaning of life, not much more to say about it.
What's really great is the direction. Alejandro Gonzales Inarritu directed one of those short movies in the 9/11 documentary. He directed one where the screen remained black all the time, and the audience was left with just the sounds of the towers falling and the buzz of news broadcasting. Occasionally, flashes of light showed the people who jumped from the towers, commiting suicide to avoid the flames. In the end, the screen would turn white and a text would appear, asking: "Does God's light guide us or blind us?".
This time, Inarritu directed a movie that asks another religious/logical question regarding 21 grams we loose in the exact moment of our death. What wheights 21 grams? Our soul? Where does it go? Do we get it back if we are given a second chance? Inarritu's camera angles are carefully picked, often surprising. The film's grain makes you sick at first, but then adds to a certain degree of dirt present in most scenes of the movie. Like the dirt on a Lucian Freud. And the lack of chronological order creates that checklist behaviour I wrote earlier, and obligates you to pay a load of attention to the dialogue: specific words determine if certain events are happening for the first or second time in the life of each character.
This movie is like a good painting: it pleases the common audience, and the specialists in the media at the same time. You can pay attention to the plot; or to the quality of the images, the script, the actors. In any case, you'll go home and think about it for days to come.
Note from the author:I know the director's name isn't spelled that way, but Blogger's puctuation won't allow me to spell it correctly...
quinta-feira, fevereiro 05, 2004
Bia descobriu o blog...
Não que ela não soubesse. Eu contei que tinha um blog desde que comecei. Mas ela nunca leu. Eu achava que ela nunca ia ler mesmo. Não é do tipo de coisa que interessa a ela. E agora, por alguma razão, ela se interessou e começou a ler. Leu através dos arquivos, até chegar naquelas coisas lá no fundo onde eu falei mal dela. E como tudo na vida, não poderia ter acotecido em hora pior.
Já estávamos brigados com o que escrevi no meu trabalho de graduação. A personagem que montei dela. Tivemos uma conversa por telefone sobre o meu trabalho, ela e os medos dela de que isso afetasse ela no futuro. Depois eu fui para o nordeste. E naqueles dias de fazer nada e cair no sono por causa do calor, eu me peguei pensando na conversa vez ou outra. No quão triste ela tinha ficado pelo que eu fiz. Me senti desprezível: a coisa toda entre nós já tinha acabado, ela estava só tentando viver a vida dela em paz com o noivo, e eu desenterrando sujeira como uma criança contrariada. Ninguém merece. Voltei do nordeste pensando em falar com ela, contar tudo isso. Até telefonei um dia. Mas o medo, a vergonha, tudo isso me deixava sem ter como encarar ela. E então hoje levei o susto.
Não sei o que fazer.
Segunda vez que esta porcaria me mete em problemas. Será que faço como todo mundo que passou por isso e desisto de escrever?
Não que ela não soubesse. Eu contei que tinha um blog desde que comecei. Mas ela nunca leu. Eu achava que ela nunca ia ler mesmo. Não é do tipo de coisa que interessa a ela. E agora, por alguma razão, ela se interessou e começou a ler. Leu através dos arquivos, até chegar naquelas coisas lá no fundo onde eu falei mal dela. E como tudo na vida, não poderia ter acotecido em hora pior.
Já estávamos brigados com o que escrevi no meu trabalho de graduação. A personagem que montei dela. Tivemos uma conversa por telefone sobre o meu trabalho, ela e os medos dela de que isso afetasse ela no futuro. Depois eu fui para o nordeste. E naqueles dias de fazer nada e cair no sono por causa do calor, eu me peguei pensando na conversa vez ou outra. No quão triste ela tinha ficado pelo que eu fiz. Me senti desprezível: a coisa toda entre nós já tinha acabado, ela estava só tentando viver a vida dela em paz com o noivo, e eu desenterrando sujeira como uma criança contrariada. Ninguém merece. Voltei do nordeste pensando em falar com ela, contar tudo isso. Até telefonei um dia. Mas o medo, a vergonha, tudo isso me deixava sem ter como encarar ela. E então hoje levei o susto.
Não sei o que fazer.
Segunda vez que esta porcaria me mete em problemas. Será que faço como todo mundo que passou por isso e desisto de escrever?
terça-feira, fevereiro 03, 2004
Sonho 2:
Tenho passado os dias em casa. Procuro estágio em publicidade, faço peças para portfolio, faço contatos por telefone/e-mail. E como todo mundo está fazendo outras coisas, almoço sozinho em casa. Da janela da sala, dá pra ver janelas dos quartos de um hotel ao lado do meu prédio.
No meu sonho, estava me sentando para almoçar. Na janela do hotel, meu irmão estava chegando no quarto e se despindo para dormir. Referência clara ao fato de que ele não tem passado as noites aqui em casa, por vezes dormindo na casa de seu novo amor, por vezes chegando muito tarde e saíndo muito cedo. Eu sabia que ele tinha algum plano, estava tramando alguma coisa, e por isso não dormia aqui em casa. E sabia que ele dormia muito pouco: uma, duas horas por dia. Mas eu não sabia qual era o plano.
Em seguida, eu estava conversando com a Lee (Lioness) no que parecia ser o cursinho que fiz para o curso de publicidade. Falávamos da dor de nos separarmos. Ela me dizia que antes era uma dor focada, concentrada em um ponto, como uma dor de cabeça, uma dor de consciência. E era importante, eclipsava todo o resto da vida. E eu dizia-lhe que compreendia, porque eu também tinha sentido. Assim como compreendia que essa dor havia se tornado para ambos hoje uma dor dissolvida, infiltrada para outras partes do corpo/consciência, e consequentemente havia perdido a importância, a força. Havia se tornado uma dor do passado, uma cicatriz, para se lembrar e sofrer um pouquinho, mas seguir adiante em seguida.
Ela me dizia tudo isso, e o cursinho ficava cada vez mais escuro e cheio de túneis e corredores, até que tínhamos mergulhado no meu mundo interior gótico, com ilhas de pedra negra flutuando no nada que abrigavam diversos monstros de uma criatividade pervertida. Algo acontecia naquela terra: um monstro começara a devorar os outros monstros, amalgamar-se com eles, tornando-se enorme e poderoso, com o objetivo de conquistar e destruir tudo.
Referências adicionais: os bonecos da série "Twisted Land of Oz" e "Tortured Souls", que Todd McFarlane criou com Clive Barker.
Tenho passado os dias em casa. Procuro estágio em publicidade, faço peças para portfolio, faço contatos por telefone/e-mail. E como todo mundo está fazendo outras coisas, almoço sozinho em casa. Da janela da sala, dá pra ver janelas dos quartos de um hotel ao lado do meu prédio.
No meu sonho, estava me sentando para almoçar. Na janela do hotel, meu irmão estava chegando no quarto e se despindo para dormir. Referência clara ao fato de que ele não tem passado as noites aqui em casa, por vezes dormindo na casa de seu novo amor, por vezes chegando muito tarde e saíndo muito cedo. Eu sabia que ele tinha algum plano, estava tramando alguma coisa, e por isso não dormia aqui em casa. E sabia que ele dormia muito pouco: uma, duas horas por dia. Mas eu não sabia qual era o plano.
Em seguida, eu estava conversando com a Lee (Lioness) no que parecia ser o cursinho que fiz para o curso de publicidade. Falávamos da dor de nos separarmos. Ela me dizia que antes era uma dor focada, concentrada em um ponto, como uma dor de cabeça, uma dor de consciência. E era importante, eclipsava todo o resto da vida. E eu dizia-lhe que compreendia, porque eu também tinha sentido. Assim como compreendia que essa dor havia se tornado para ambos hoje uma dor dissolvida, infiltrada para outras partes do corpo/consciência, e consequentemente havia perdido a importância, a força. Havia se tornado uma dor do passado, uma cicatriz, para se lembrar e sofrer um pouquinho, mas seguir adiante em seguida.
Ela me dizia tudo isso, e o cursinho ficava cada vez mais escuro e cheio de túneis e corredores, até que tínhamos mergulhado no meu mundo interior gótico, com ilhas de pedra negra flutuando no nada que abrigavam diversos monstros de uma criatividade pervertida. Algo acontecia naquela terra: um monstro começara a devorar os outros monstros, amalgamar-se com eles, tornando-se enorme e poderoso, com o objetivo de conquistar e destruir tudo.
Referências adicionais: os bonecos da série "Twisted Land of Oz" e "Tortured Souls", que Todd McFarlane criou com Clive Barker.
segunda-feira, fevereiro 02, 2004
Right... I still have to fix a thing or two. My archives aren't working yet, I'm having doubts about the title for this place, and I still have to change the post signature. But other than that, all's well. BIG, HUGE, COLOSSAL thanks to my dearest Aerandir for the big help!
While the last changes are made, go on and read what I've written the last few days.
While the last changes are made, go on and read what I've written the last few days.
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