Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.
domingo, dezembro 25, 2005
Fim de Ano
Pessoas, vou passar o reveillon em Araruama, uma cidadezinha ao norte do estado, com meus pais, meus tios e alguns primos. Volto no dia 2, onde colocarei os melhores momentos da coisa toda por aqui e farei um daqueles balanços do ano como fiz no fim do ano passado. Até lá, desejo um bom reveillon para todos vocés, e que 2006 (que começa num domingo e tem a primeira sexta-feira 13 logo no primeiro mes...) traga muita surpresas boas. Na verdade, a frase genérica é: que o ano seguinte seja muito melhor do que este.
quarta-feira, dezembro 21, 2005
Alice no País das Galerias....
Avisando com antecedência...
Vou expôr em Janeiro, no Reserva Cultural, espaço embaixo do prédio da Gazeta. Lembro-me bem do espaço, porque é onde o colégio costumava fazer sessões de cinema aos sábados, exibindo filmes mesmo antes de estrearem no circuíto da cidade.
Ia colocar fotos e os retratos (pintura). Porém, como Gisela Gari, ex-integrante do ateliê, vai expôr fotos antes de mim, a galera do Reserva me pediu para trazer outra coisa em vez das fotos. Interessaram-se muito por aquarelas quando eu disse que gostava de fazer. E, considerando que eu gastaria uma boa grana para ampliar todas as fotos que eu queria colocar lá, achei que fazer aquarelas seria mais legal e econômicamente viável.
Então, é com prazer que anuncio que estarei redesenhando a Alice que tenho publicado no blog, adaptando-a para aquarela, sem perder muito do desenho original. E em Janeito avisarei novamente sobre a exposição. Teremos os mesmos velhos retratos, uma ou outra pintura nova, e cerca de dez aquarelas de minha Alice.
Vou expôr em Janeiro, no Reserva Cultural, espaço embaixo do prédio da Gazeta. Lembro-me bem do espaço, porque é onde o colégio costumava fazer sessões de cinema aos sábados, exibindo filmes mesmo antes de estrearem no circuíto da cidade.
Ia colocar fotos e os retratos (pintura). Porém, como Gisela Gari, ex-integrante do ateliê, vai expôr fotos antes de mim, a galera do Reserva me pediu para trazer outra coisa em vez das fotos. Interessaram-se muito por aquarelas quando eu disse que gostava de fazer. E, considerando que eu gastaria uma boa grana para ampliar todas as fotos que eu queria colocar lá, achei que fazer aquarelas seria mais legal e econômicamente viável.
Então, é com prazer que anuncio que estarei redesenhando a Alice que tenho publicado no blog, adaptando-a para aquarela, sem perder muito do desenho original. E em Janeito avisarei novamente sobre a exposição. Teremos os mesmos velhos retratos, uma ou outra pintura nova, e cerca de dez aquarelas de minha Alice.
domingo, dezembro 18, 2005
Floripa - Epilogue
Cheguei na casa de Arina às 19:00, horário combinado, totalmente encharcado. Lá, encontrando o resto da turma e conhecendo o motorista que me levaria até São Paulo (Alexandre, um japonês simpaticíssimo que estudava turismo e estava em Floripa... estagiando), resolvemos saír à noite para uma última balada antes da viagem. Estava um pouco indisposto a ir beber antes de viajar. Porém mais indisposto ainda estava a ficar só em casa enquanto os outros se divertiam.
A turma formada em Floripa tivera sempre um objetivo, que eles bradavam aos quatro ventos: procurar a balada perfeita. A última balada foi, de fato, memorável. Restaurante mexicano, música ao vivo de toda américa latina. Nachos. O casal cujo nome nunca soube, dançando maravilhosamente bem qualquer música. Eu e Rita tentando não fazer feio ao lado deles. Músicas que eu ouvira e cantara e tocara em violão quando morei fora:
Mi piel es morena como los cueros de mi tambor
Y mis ombros son um par de maracas que besa el sol
E eu aferrado aos ombros morenos de Rita. Depois de Yo me llamo Cumbia, ainda teve Coralito. Eu ainda lembrava de parte das letras. Rita pedia-me para dançar para que a ajudasse a afugentar a sonolência do álcool: sofrera o ataque de um vaqueiro mexicano que andava pelo bar, jogando tequila garganta abaixo das pessoas.
Com o fim da noite, voltamos para a casa de Arina. Despedidas e fotos. Sabia que, daquele momento em diante, as pessoas sairíam da história gradualmente, enquanto nos encaminhávamos para os créditos finais. Arina, a francesa brincalhona Pauline e o Lala's ficaram por lá mesmo. Ele voltaria no dia seguinte. Carol, que viera conosco, ficou em São Bernardo. Alexandre deixou a mim e a uma ressacada Rita na estação de metrô do Jabaquara depois de dez horas de viagem. Por fim, na estação Ana Rosa, bastou olhar para Rita adormecida para que ela acordasse. Nos despedimos de maneira casual, até banal. E então o metrô se foi. No ônibus que me levou pela última e familiar parte da viagem, as pessoas olhavam meu jeito maltrapilho e descabelado com alguma estranheza. Reconheciam um viajante por causa das malas. O caminho, apesar da sensação confortável de familiaridade, já causava-me também um tipo de torpor: eu já estava funcionando novamente daquela maneira automática que fazemos em casa, passando pelos lugares sem olhar, se usar a cabeça. Em Floripa, tudo era novo, desafiante. Havia pequenos desafios diários que precisavam de raciocínio, memória fotográfica, organização. Aqui tudo funcionava sem fazer esforço. Apatia. Quando desci do ônibus e comecei a caminhar os últimos passos da viagem na trivialmente familiar rua de casa, o rush da viagem começou a se dissipar como se acordasse de um sonho. Ou talvez estivesse submergindo em um, na irrealidade onírica da rotina. De fato, quando entrei em casa, meu pais no sofá da sala me saudaram como se eu tivesse ido apenas até a esquina. De certa forma, pensando na viagem que se anuncia para daqui há pouco mais de um mês, eu só fui até a esquina mesmo.
Interesting people, places and adventures are right around the corner
A turma formada em Floripa tivera sempre um objetivo, que eles bradavam aos quatro ventos: procurar a balada perfeita. A última balada foi, de fato, memorável. Restaurante mexicano, música ao vivo de toda américa latina. Nachos. O casal cujo nome nunca soube, dançando maravilhosamente bem qualquer música. Eu e Rita tentando não fazer feio ao lado deles. Músicas que eu ouvira e cantara e tocara em violão quando morei fora:
Mi piel es morena como los cueros de mi tambor
Y mis ombros son um par de maracas que besa el sol
E eu aferrado aos ombros morenos de Rita. Depois de Yo me llamo Cumbia, ainda teve Coralito. Eu ainda lembrava de parte das letras. Rita pedia-me para dançar para que a ajudasse a afugentar a sonolência do álcool: sofrera o ataque de um vaqueiro mexicano que andava pelo bar, jogando tequila garganta abaixo das pessoas.
Com o fim da noite, voltamos para a casa de Arina. Despedidas e fotos. Sabia que, daquele momento em diante, as pessoas sairíam da história gradualmente, enquanto nos encaminhávamos para os créditos finais. Arina, a francesa brincalhona Pauline e o Lala's ficaram por lá mesmo. Ele voltaria no dia seguinte. Carol, que viera conosco, ficou em São Bernardo. Alexandre deixou a mim e a uma ressacada Rita na estação de metrô do Jabaquara depois de dez horas de viagem. Por fim, na estação Ana Rosa, bastou olhar para Rita adormecida para que ela acordasse. Nos despedimos de maneira casual, até banal. E então o metrô se foi. No ônibus que me levou pela última e familiar parte da viagem, as pessoas olhavam meu jeito maltrapilho e descabelado com alguma estranheza. Reconheciam um viajante por causa das malas. O caminho, apesar da sensação confortável de familiaridade, já causava-me também um tipo de torpor: eu já estava funcionando novamente daquela maneira automática que fazemos em casa, passando pelos lugares sem olhar, se usar a cabeça. Em Floripa, tudo era novo, desafiante. Havia pequenos desafios diários que precisavam de raciocínio, memória fotográfica, organização. Aqui tudo funcionava sem fazer esforço. Apatia. Quando desci do ônibus e comecei a caminhar os últimos passos da viagem na trivialmente familiar rua de casa, o rush da viagem começou a se dissipar como se acordasse de um sonho. Ou talvez estivesse submergindo em um, na irrealidade onírica da rotina. De fato, quando entrei em casa, meu pais no sofá da sala me saudaram como se eu tivesse ido apenas até a esquina. De certa forma, pensando na viagem que se anuncia para daqui há pouco mais de um mês, eu só fui até a esquina mesmo.
Interesting people, places and adventures are right around the corner
sexta-feira, dezembro 16, 2005
Floripa - Day 4 - The Last Shower
Depois de deixar o post anterior, li nos comentários do blog a nota da Lee no dia 14, dizendo-me que ela sentia que algo havia mudado em mim depois do dia em que voltei para casa de madrugada. Saí do cyber e vaguei pelas ruas esperando o tempo passar. Minha cabeça a mil: por um tempo, divagava sobre o curto dia que passei com Gabe, e como eu queria sentir que aquele havia sido nosso verão (vide dia 24 de Outubro, primeiro post). Depois, quando vaguei pela catedral onde encontrei a Gabe pela primeira vez, fez-me a pergunta consequente do comentário da Lee: o que mudou depois daquele dia? Quatro ou cinco teorias sobre isso surgiram, todas prontamente rechaçadas por serem tentativas de enganar a mim mesmo. Será que algo tinha de fato mudado? Lee ainda tinha qualquer vestígio de propriedade ou sincronia para perceber essas coisas em mim? Finalmente, saíndo da praça, andei pelas ruas do centro atrás dos lugares que estivemos naquele dia. Minha cabeça perguntava daquele jeito emo-piegas se aquele dia havia realmente acontecido. Se Gabe não era alguma entidade internética sem manifestação física. Se eu não havia apenas sonhado com Uly e as meninas e abraçar a Gabe para a foto na lagoa. Me achei estúpido por pensar essas coisas. Mais ainda depois que achei a escadaria na rua Trajano, ex-reduto underground de Floripa, que Gabe me apresentara pessoalmente. Algumas ruas pra lá, eu sabia que encontraria o café que ela me mostrou dizendo ser um dos seus favoritos. Aquele com a fachada em cores primárias, bem chamativo. Lá dentro, o suco de laranja tinha gosto de realidade. Este terço rezado de lugares que passamos aquele dia terminou a duras penas, quando percebi que estava do lado errado do centro, e que o bar onde eu bebera com Gabe e Uly nas primeiras horas daquele encontro estava lá do outro lado. Encontrei-o, naquele beco sem nome que termina na rua Tiradentes. Lembrei que lá, pela primeira vez na vida, bebi uma cerveja sem me importar com a amargura do gosto. Teria bebido outra como parte desse meu ritual de reviver, mas teria um sabor ainda mais amargo, um gasto desnecessário.
Cena final. Voltei ao albergue, onde já fizera o check-out, para pegar minha mala. O céu nublado refrescava do calor do dia e uma chuva sem graça já desafiava cair. Peguei a mala e desci a íngreme rua até a estação, onde iria para a casa de uma das pessoas que conhecemos por aqui e de lá, pegaria a carona que me levaria para casa. A cada passo do caminho para a estação, a chuva aumentava de intensidade. Os mesmo fantasmas de areia que corriam na planície da Praia da Ferrugem aqui eram feitos de água soprada pelo vento. Meu passo era calmo, decidido, trivial, enquanto eu me lembrava que, dentre as primeiras coisas que conversei com Gabe estava o fato de ambos gostarmos de chuva, de ficar encharcado, de não se importar com a água e até sentir-se purificado. Quando cheguei na estação, meu All Star fazia aquele barulhinho de calçados encharcados. Comentara isso com ela também. O que era essa coisa que eu tinha com as filhas da chuva?
Cena final. Voltei ao albergue, onde já fizera o check-out, para pegar minha mala. O céu nublado refrescava do calor do dia e uma chuva sem graça já desafiava cair. Peguei a mala e desci a íngreme rua até a estação, onde iria para a casa de uma das pessoas que conhecemos por aqui e de lá, pegaria a carona que me levaria para casa. A cada passo do caminho para a estação, a chuva aumentava de intensidade. Os mesmo fantasmas de areia que corriam na planície da Praia da Ferrugem aqui eram feitos de água soprada pelo vento. Meu passo era calmo, decidido, trivial, enquanto eu me lembrava que, dentre as primeiras coisas que conversei com Gabe estava o fato de ambos gostarmos de chuva, de ficar encharcado, de não se importar com a água e até sentir-se purificado. Quando cheguei na estação, meu All Star fazia aquele barulhinho de calçados encharcados. Comentara isso com ela também. O que era essa coisa que eu tinha com as filhas da chuva?
Floripa - Dia 4
OBJECTIVES:
• Objective read between the lines: failed...
• Return home: In progress
DIRECTIVES:
• Rendezvous with the squad: scheduled at 19:00
• Identify drivers for the way home: N/A
O quarto dia em Floripa deu um pouco errado. Não consegui encontrar a Gabe novamente, e acabei ficando pelo centro da cidade mesmo. O resto da turma foi para Jurerê. Em um cyber, vi que Gabe já colocou algumas das fotos que tiramos no fotolog dela. Melancolia de ter vindo aqui e não ter cumprido minhas expectativas.
Enfim, estou por aqui. Combinei com uma galera do albergue de voltar com eles de carro. Vai sair metade do preço e o dobro da diversão. Estou gostando de viajar assim, sem muitas regalias. Estarei de volta em sampa amanhã de manhã. Ainda não sei a hora exata. E na verdade, não importa. Viajar assim te tinge de um carelessness muito próprio. É uma sensação nova para um control freak como eu. Realmente não se importar tanto com os gastos, com os horários, com os programas. Apenas estar lá. Estar viajando em si já é uma vitória. O resto, o que acontece durante, é lucro.
Ontem à noite, inspirado pelo dia na Ferrugem, voltei para o albergue um pouco mais leve. À noite, tomado por um pouco de inspiração residual, fiquei alguns minutos olhando os corredores vazios do albergue que parecem corredores de manicômio, as táboas rangendo, o teto simplório, a luz da rua entrando pela janela e projetando sombras no teto do beliche. Me deliciei com uma estética muito diferente do meu mundo, um pouco mais crua porém muito mais bela. Senti um estranho prazer com ela: algo que deveria me deprimir e me maravilhava. Me senti bem. Pela primeira noite, deitei para dormir sem medo de crises de ansiedade. Senti um tipo de paz gostosa que eu já tinha esquecido. Queria ficar acordado a noite toda pra aproveitar aquilo. Mas naquela paz, adormeci rápido.
• Objective read between the lines: failed...
• Return home: In progress
DIRECTIVES:
• Rendezvous with the squad: scheduled at 19:00
• Identify drivers for the way home: N/A
O quarto dia em Floripa deu um pouco errado. Não consegui encontrar a Gabe novamente, e acabei ficando pelo centro da cidade mesmo. O resto da turma foi para Jurerê. Em um cyber, vi que Gabe já colocou algumas das fotos que tiramos no fotolog dela. Melancolia de ter vindo aqui e não ter cumprido minhas expectativas.
Enfim, estou por aqui. Combinei com uma galera do albergue de voltar com eles de carro. Vai sair metade do preço e o dobro da diversão. Estou gostando de viajar assim, sem muitas regalias. Estarei de volta em sampa amanhã de manhã. Ainda não sei a hora exata. E na verdade, não importa. Viajar assim te tinge de um carelessness muito próprio. É uma sensação nova para um control freak como eu. Realmente não se importar tanto com os gastos, com os horários, com os programas. Apenas estar lá. Estar viajando em si já é uma vitória. O resto, o que acontece durante, é lucro.
Ontem à noite, inspirado pelo dia na Ferrugem, voltei para o albergue um pouco mais leve. À noite, tomado por um pouco de inspiração residual, fiquei alguns minutos olhando os corredores vazios do albergue que parecem corredores de manicômio, as táboas rangendo, o teto simplório, a luz da rua entrando pela janela e projetando sombras no teto do beliche. Me deliciei com uma estética muito diferente do meu mundo, um pouco mais crua porém muito mais bela. Senti um estranho prazer com ela: algo que deveria me deprimir e me maravilhava. Me senti bem. Pela primeira noite, deitei para dormir sem medo de crises de ansiedade. Senti um tipo de paz gostosa que eu já tinha esquecido. Queria ficar acordado a noite toda pra aproveitar aquilo. Mas naquela paz, adormeci rápido.
quinta-feira, dezembro 15, 2005
Floripa - Day 3
OBJECTIVES:
• ALL MISSIONS ACCOMPLISHED
DIRECTIVES
• Recover physical/mental health: OK
O terceiro dia foi passado nas praias. Viajamos (eu, Lala's e a turma que conhecemos por aqui) para Garopaba. Foi uma sensação gostosa de rever um lugar no qual eu estivera anos atrás e que me inspirara tanto. Foi lá que eu fiz esta e esta. Quando voltei lá, haviam contruído uma loja em frente à casa demolida. Porém as ruínas ainda estavam lá! Tirei algumas fotos, que vou colocar no fotolog quando chegar em casa.
Depois disso, Praia da Ferrugem. O lugar me inspirou a tal nível, que chegueia ficar naquele estado meio autista, absorvendo as coisas, fazendo pequenas tolices, aproveitando o cenário. Suponho que minha próxima Alice seja inspirada no lugar. A praia era uma planice cortada por uma córrego. Perto do mar, uma colina muito bem cuidada convidava para escalar e ver as coisas de lá de cima. O vento soprava muito forte e, enquanto andávamos para a colina, a névoa feita pela areia movida pelo vento corria pela plan+icie como fantasmas fugindo. Atravessavam nossas pernas e causavam uma sensação de centenas de pequenas agulhas perturbando a pele. No topo da colina, abri os braços e imitei as gaivotas voando, sentindo a aerodinâmica e meus tags militares (coisa de Galeria do Rock...) voando ao vento.
Me xinguei muito por ainda não ter gasto uma grana com uma máquina digital decente. Aquele lugar pedia fotos. Muitas fotos. Mas minha máquina de reles 1.3 megapixels não fazia juz á ocasião e acabou com as pilhas justamente na hora.
Às vezes imagino que eu seja mais interessante assim, mostrando a versão processada, estetizada e poética das minhas impressões, do que sendo observado in loco, enquanto estou experimentando as coisas. É como observar um menino autista. É meio sem graça.
Voltei para o albergue digerindo a experiência, morrendo de vontade de ter meu caderno e lápis à mão. Às vezes estas experiências são tão intensas que chegam a dar uma espécie de "indigestão poética". Como se me sensibilizasse demais. E incomoda. Vocês dizem querer a minha sensibilidade às vezes. Nessas ocasiões, queria poder realmente cedê-la a vocês um pouco. Tirar o peso dos ombros como se tira uma roupa cheia de areia soprada pelo vento.
• ALL MISSIONS ACCOMPLISHED
DIRECTIVES
• Recover physical/mental health: OK
O terceiro dia foi passado nas praias. Viajamos (eu, Lala's e a turma que conhecemos por aqui) para Garopaba. Foi uma sensação gostosa de rever um lugar no qual eu estivera anos atrás e que me inspirara tanto. Foi lá que eu fiz esta e esta. Quando voltei lá, haviam contruído uma loja em frente à casa demolida. Porém as ruínas ainda estavam lá! Tirei algumas fotos, que vou colocar no fotolog quando chegar em casa.
Depois disso, Praia da Ferrugem. O lugar me inspirou a tal nível, que chegueia ficar naquele estado meio autista, absorvendo as coisas, fazendo pequenas tolices, aproveitando o cenário. Suponho que minha próxima Alice seja inspirada no lugar. A praia era uma planice cortada por uma córrego. Perto do mar, uma colina muito bem cuidada convidava para escalar e ver as coisas de lá de cima. O vento soprava muito forte e, enquanto andávamos para a colina, a névoa feita pela areia movida pelo vento corria pela plan+icie como fantasmas fugindo. Atravessavam nossas pernas e causavam uma sensação de centenas de pequenas agulhas perturbando a pele. No topo da colina, abri os braços e imitei as gaivotas voando, sentindo a aerodinâmica e meus tags militares (coisa de Galeria do Rock...) voando ao vento.
Me xinguei muito por ainda não ter gasto uma grana com uma máquina digital decente. Aquele lugar pedia fotos. Muitas fotos. Mas minha máquina de reles 1.3 megapixels não fazia juz á ocasião e acabou com as pilhas justamente na hora.
Às vezes imagino que eu seja mais interessante assim, mostrando a versão processada, estetizada e poética das minhas impressões, do que sendo observado in loco, enquanto estou experimentando as coisas. É como observar um menino autista. É meio sem graça.
Voltei para o albergue digerindo a experiência, morrendo de vontade de ter meu caderno e lápis à mão. Às vezes estas experiências são tão intensas que chegam a dar uma espécie de "indigestão poética". Como se me sensibilizasse demais. E incomoda. Vocês dizem querer a minha sensibilidade às vezes. Nessas ocasiões, queria poder realmente cedê-la a vocês um pouco. Tirar o peso dos ombros como se tira uma roupa cheia de areia soprada pelo vento.
quarta-feira, dezembro 14, 2005
Floripa - Day 2
OBJECTIVES:
• PRIMARY: Find Gabe: OK
DIRECTIVES:
• Relocate to the hostel downtown: OK
• Re-establish internet connection: Searching...
Demorei para escrever mais porque não estava conseguindo encontrar uma internet barata por aqui e nem tempo para escrever (tenho mais o que fazer por aqui, né?).
Na noite do primeiro dia, depois de um pouco de stalking, descobri os planos de Gabe e a turma. No entanto, não a encontrei na balada. Frustrado, voltei para casa. No dia seguinte, depois de sair do albergue de Canasvieiras eir para o centro, resolvi tomar a abordagem direta: liguei. Encontrei Gabe nas escadarias da catedral de Floripa. Foi surreal. Gostoso perceber os detalhes: perceber como ela era pequena, menor do que eu (proporção é frequentemente a razão do estranhamento ao encontrar amigos de internet...); como ela tinha um tom de ruivo nos cabelos parecido com o de Taís, mas que não aparecia nas fotos; descobrir que a razão disso era o fato dela detestar o sol e que as fotos dela eram todas dentro de algum lugar com lua fluorescente ou à noite; ouvir a voz dela e os regionalismos, inimagináveis antes disso. Terminamos o dia empinando pipa na lagoa (quero as fotos, moça...) com a maravilhosa turma dela, rindo muito de tudo depois de várias cervejas.
Voltei para o albergue com alguma melancolia, ao perceber que um momento havia passado. Que eu devia ter vindo aqui semanas atrás e agora havia essa sensação de ser tarde demais. Não sei explicar. Aliás, sei, mas não sei se devo.
• PRIMARY: Find Gabe: OK
DIRECTIVES:
• Relocate to the hostel downtown: OK
• Re-establish internet connection: Searching...
Demorei para escrever mais porque não estava conseguindo encontrar uma internet barata por aqui e nem tempo para escrever (tenho mais o que fazer por aqui, né?).
Na noite do primeiro dia, depois de um pouco de stalking, descobri os planos de Gabe e a turma. No entanto, não a encontrei na balada. Frustrado, voltei para casa. No dia seguinte, depois de sair do albergue de Canasvieiras eir para o centro, resolvi tomar a abordagem direta: liguei. Encontrei Gabe nas escadarias da catedral de Floripa. Foi surreal. Gostoso perceber os detalhes: perceber como ela era pequena, menor do que eu (proporção é frequentemente a razão do estranhamento ao encontrar amigos de internet...); como ela tinha um tom de ruivo nos cabelos parecido com o de Taís, mas que não aparecia nas fotos; descobrir que a razão disso era o fato dela detestar o sol e que as fotos dela eram todas dentro de algum lugar com lua fluorescente ou à noite; ouvir a voz dela e os regionalismos, inimagináveis antes disso. Terminamos o dia empinando pipa na lagoa (quero as fotos, moça...) com a maravilhosa turma dela, rindo muito de tudo depois de várias cervejas.
Voltei para o albergue com alguma melancolia, ao perceber que um momento havia passado. Que eu devia ter vindo aqui semanas atrás e agora havia essa sensação de ser tarde demais. Não sei explicar. Aliás, sei, mas não sei se devo.
terça-feira, dezembro 13, 2005
Floripa - Day 1
OBJECTIVES:
• PRIMARY: Find Gabe: Stalking...
• SECONDARY: Find Lala's: OK
DIRECTIVES:
• Find lodging: OK
• Find internet connection: stablish communication with superiors: OK
Cheguei em Floripa pontualmente às 8:30. Não tinha idéia de se conseguiria encontrar Lala's. Minha informação era de que ele estaria no albergue do centro a partir de hoje. Porém o dito cujo não tinha vagas, só amanhã. Fiquei em Canasvieiras por hoje. Chegando no albergue de Canasvieiras, depois de dez horas de ônibus e um cabelo de espantar defunto, Assinei minha entrada no albergue. Logo acima do meu nome: Lala's. Reconheci a caligrafia meio torta e por um momento me senti como Humbert, de Nabokov, caçando caligrafias conhecidas. Pedi para ser colocado no mesmo quarto. Quando abri a porta, dei de cara (literalmente: ele dormia perto da porta...) com aquela careca familiar. Não a via há meses. Ele dormia o sono maltrapilho e bagunçado dos recentemente ébrios ou dos viajantes de noite varada. Porém quando fechei a porta com todo cuidado e virei de costas para colocar a mala no chão, ouvi a saudação típica: "Hey, biatch!". De fato, ele havia viajado muito e baladeado muito: estava exausto. Porém em minutos estávamos conversando como se, de fato, esses meses de viagem nunca tivessem acontecido. Como se estivéssemos nos bares da vida.
O resto do dia foi rápido até aqui. Praia, muitas loiras (mulheres, não cervejas...) com caras mal-humoradas e novos amigos. Um israelense pragmático e calmo, um carioca e outro paulista mulherengo. Passamos o dia rindo.
More as the events unfold...
• PRIMARY: Find Gabe: Stalking...
• SECONDARY: Find Lala's: OK
DIRECTIVES:
• Find lodging: OK
• Find internet connection: stablish communication with superiors: OK
Cheguei em Floripa pontualmente às 8:30. Não tinha idéia de se conseguiria encontrar Lala's. Minha informação era de que ele estaria no albergue do centro a partir de hoje. Porém o dito cujo não tinha vagas, só amanhã. Fiquei em Canasvieiras por hoje. Chegando no albergue de Canasvieiras, depois de dez horas de ônibus e um cabelo de espantar defunto, Assinei minha entrada no albergue. Logo acima do meu nome: Lala's. Reconheci a caligrafia meio torta e por um momento me senti como Humbert, de Nabokov, caçando caligrafias conhecidas. Pedi para ser colocado no mesmo quarto. Quando abri a porta, dei de cara (literalmente: ele dormia perto da porta...) com aquela careca familiar. Não a via há meses. Ele dormia o sono maltrapilho e bagunçado dos recentemente ébrios ou dos viajantes de noite varada. Porém quando fechei a porta com todo cuidado e virei de costas para colocar a mala no chão, ouvi a saudação típica: "Hey, biatch!". De fato, ele havia viajado muito e baladeado muito: estava exausto. Porém em minutos estávamos conversando como se, de fato, esses meses de viagem nunca tivessem acontecido. Como se estivéssemos nos bares da vida.
O resto do dia foi rápido até aqui. Praia, muitas loiras (mulheres, não cervejas...) com caras mal-humoradas e novos amigos. Um israelense pragmático e calmo, um carioca e outro paulista mulherengo. Passamos o dia rindo.
More as the events unfold...
segunda-feira, dezembro 12, 2005
Pictures of You
by the Cure
I've been looking so long at these pictures of you
That I almost believe that they're real
I've been living so long with my pictures of you
That I almost believe that the pictures are
All I can feel
Remembering
You standing quiet in the rain
As I ran to your heart to be near
And we kissed as the sky fell in
Holding you close
How I always held close in your fear
Remembering
You running soft through the night
You were bigger and brighter and whiter than snow
And screamed at the make-believe
Screamed at the sky
And you finally found all your courage
To let it all go
Remembering
You fallen into my arms
Crying for the death of your heart
You were stone white
So delicate
Lost in the cold
You were always so lost in the dark
Remembering
You how you used to be
Slow drowned
You were angels
So much more than everything
Hold for the last time then slip away quietly
Open my eyes
But I never see anything
If only I'd known all the right words
I could have held on to your heart
If only I'd known all the right words
I wouldn't be breaking apart
All my pictures of you
Looking so long at these pictures of you
But I never hold on to your heart
Looking so long for the words to be true
But always just breaking apart
My pictures of you
There was nothing in the world
That I ever wanted more
Than to feel you deep in my heart
There was nothing in the world
That I ever wanted more
Than to never feel the breaking apart
All my pictures of you
For Gabe.
I've been looking so long at these pictures of you
That I almost believe that they're real
I've been living so long with my pictures of you
That I almost believe that the pictures are
All I can feel
Remembering
You standing quiet in the rain
As I ran to your heart to be near
And we kissed as the sky fell in
Holding you close
How I always held close in your fear
Remembering
You running soft through the night
You were bigger and brighter and whiter than snow
And screamed at the make-believe
Screamed at the sky
And you finally found all your courage
To let it all go
Remembering
You fallen into my arms
Crying for the death of your heart
You were stone white
So delicate
Lost in the cold
You were always so lost in the dark
Remembering
You how you used to be
Slow drowned
You were angels
So much more than everything
Hold for the last time then slip away quietly
Open my eyes
But I never see anything
If only I'd known all the right words
I could have held on to your heart
If only I'd known all the right words
I wouldn't be breaking apart
All my pictures of you
Looking so long at these pictures of you
But I never hold on to your heart
Looking so long for the words to be true
But always just breaking apart
My pictures of you
There was nothing in the world
That I ever wanted more
Than to feel you deep in my heart
There was nothing in the world
That I ever wanted more
Than to never feel the breaking apart
All my pictures of you
For Gabe.
domingo, dezembro 11, 2005
Alice 13
sábado, dezembro 10, 2005
Perfect
by Smashing Pumpkins
And I've known
We're just like old friends
We just can't pretend
That lovers make amends
We are reasons so unreal
We can't help but feel
That something has been lost
But please
You know you're just like me
Next time I promise we'll be perfect
Perfect
Perfect
Strangers down the line
Lovers out of time
Memories unwind
So far, I still know who you are
But now I wonder who I was
Angel, you know it's not the end
We'll always be good friends
The letters have been sent on
So please
You always were so free
You'll see, I promise we'll be perfect
Perfect
Strangers when we meet
Strangers on the street
Lovers walk asleep
Perfect
You know this has to be
We always were so free
We promised that we'd be
Perfect
Perfect
For indecent proposals...
And I've known
We're just like old friends
We just can't pretend
That lovers make amends
We are reasons so unreal
We can't help but feel
That something has been lost
But please
You know you're just like me
Next time I promise we'll be perfect
Perfect
Perfect
Strangers down the line
Lovers out of time
Memories unwind
So far, I still know who you are
But now I wonder who I was
Angel, you know it's not the end
We'll always be good friends
The letters have been sent on
So please
You always were so free
You'll see, I promise we'll be perfect
Perfect
Strangers when we meet
Strangers on the street
Lovers walk asleep
Perfect
You know this has to be
We always were so free
We promised that we'd be
Perfect
Perfect
For indecent proposals...
Dawn
Há um tipo único de satisfação em voltar para casa de ônibus ao raiar do dia. É aquela sensação de fim de filme, de ter usado tudo, exaurido as forças, conquistado os objetivos. A segurança de não ter nada mais a perder. Vou andando os quarteirões e as luzes da iluminação pública são desligadas: sensação de estar no lugar certo na hora certa para ver algo inusitado. Só que ao contrário. As pessoas de bem estão no ponto do ônibus, tomando café e bolo vendido por uma garota de cabelos crespos loiros que cobre tudo com plástico. Tomo o ônibus e sem perceber, cochilo. Quando abro os olhos, o sol já está batendo nos prédios daquele jeito que faz às seis da tarde, pouco antes de escurecer. As pessoas olham para meus trajes de quem volta da balada e há uma ponta de reprovação em seus olhares que infla um pouco mais o meu ego de filho de pai rico. Quando chego em casa, meus pais estão acordando. Estranham o filho comportado chegando a essa hora, mas não dizem muito. Deito na cama com roupa e tudo, sem desfazer as cobertas, porque sei que vou apenas cochilar um pouco: o dia já começou e eu detesto desperdiçá-lo dormindo, mesmo tendo passado a noite em claro. E o dia passa mesmo. Tudo tem aquela inconstância e imaterialidade de um sonho, em meio a episódios narcolépticos. No entanto, estou em tal estado de graça pela noite anterior, que não sinto a mínima culpa por isso.
De vez em quando, preciso destas noites de loucura e propostas indecentes, só pra dar uma fustigada na rotina que eu tanto cultivo...
De vez em quando, preciso destas noites de loucura e propostas indecentes, só pra dar uma fustigada na rotina que eu tanto cultivo...
quarta-feira, dezembro 07, 2005
Stalking
Dentre os comportamentos bizarros que eu cultivo está aquilo que, em inglês, é definido pelo verbo to stalk (tradução aproximada: espreitar - substantivo: stalker). É aquele observar de longe, seguir sem ser notado. Saborear a perseguição como um felino. A delícia de descobrir pequenos detalhes.
Fui o típico adolescente tímido quando o assunto eram minhas musas e tudo o que restava era observar de longe. Depois de um tempo e com alguma prática, a habilidade em stalking cresceu. Principalmente depois de aprender os meandros da internet. Fica fácil adquirir informações sobre a pessoa entre Orkut, blogs e fotologs. Basta saber nome e sobrenome e já é um começo. Há quem diga que é até um pouco assustador pensar nisso, como uma violação de privacidade. Esse comportamento quase patológico não parou mesmo depois de vencer a timidez e passar anos em vários relacionamentos. E só fui compreender o quão fora do comum era esse comportamento, quando percebi que conhecia detalhes íntimos de pessoas que sequer sabiam que eu existia e que ficariam perturbadas se soubessem disso. Continuo tendo um gosto por esse tipo de investigação. É quase como se estivesse construindo uma personagem de livro, porém o processo é reverso.
Tomemos esta pessoa recente:
Ao ver uma pessoa aproximadamente da minha idade em uma revista, veio-me à cabeça a idéia de que o Orkut cresceu tanto e ganhou tantos adeptos, que hoje pode-se encontrar praticamente qualquer um abaixo de uma certa idade (a geração de pais não se interessou muito pela coisa...). Tendo o nome e sobrenome dela na revista, procurei no Orkut: bingo!
Entenda uma coisa: um stalker não escolhe sua "vítima" assim, dessa forma lógica. Algo tem que dar aquele "click". E essa menina não deu. Estava prestes a abandonar a coisa toda, quando vi dois detalhes que chamaram a atenção: o primeiro, era o colégio onde ela ainda estudava, o mesmo que eu estudei. Essa instituição me persegue. Toda situação tem sempre um ex-aluno envolvido. Sorri para a coincidência. O segundo detalhe, foi uma de suas colegas de colégio. Uma garotinha ruiva (tá, eu sei, a obssessão não passou...) que me lembrou Taís na época do colégio, porém com muito mais estilo no vestir-se e uma atitude mais perversa.
Click
Talvez tenha sido só por ela que assisti às peças do teatro do colégio este ano. Cômico: fui com Taís. A comparação era inevitável.
A situação padrão de stalking no mundo real consistiria de ir ao teatro e sentar-se perto dela. Entreouvir as conversas, pescar mais detalhes. Perceber que ela usa aparelho nos dentes e por isso nunca sorri no fotolog. Sair do teatro aproveitando o aperto da multidão para estar perto dela, perceber detalhes mais sensoriais: o perfume, a mistura de loiros e castanhos que forma seu ruivo, o tom de voz. Ela sequer perceberia-me lá.
E pra que tudo isso, você pergunta? Não, eu não tentaria conquistá-la. Como já disse, algumas musas são para serem apreciadas e nada mais. Seria apenas uma obssessão passageira.
Porém esta não era uma situação padrão de stalking. Eu ousara, dias antes, deixar alguma mensagem no fotolog dela. Ela não mostrou muito interesse, porém quando me viu, houve aquela flexão de músculos, uma fagulha de expressão que confessava: eu conheço aquele rapaz. Isso muda tudo. A situação é invertida. Porque, ao mesmo tempo em que observo e registro detalhes, sei que estou sendo observado. mesmo que do canto do olho. Mesmo que sem muito interesse. E depois que os alunos encenam sua peça no palco, eu enceno o personagem que sou para esses olhos que não admitem que me reconhecem. Converso com Taís sobre a peça, sobre coisas de adultos pós-universitários que minha musa ainda não conhece. A vontade, suponho, seja de plantar nela uma semente de interesse como a que ela me plantou, e ver germinar alguma obssessão. Mas isso seria esperar demais...
No dia seguinte, ah sim... Ela coloca no fotolog uma foto do namorado. E em algum outro lugar, comentários sobre shows de bandas que ela venera e que eu, apesar da vontade de pertencer a esse mundo, não consigo apreciar. Percebo a distância entre os mundos e reitero meu papel de mero maníaco.
Vem à cabeça a cena de Drácula, do Coppola, em que o personagem título (personificado pelo magnífico Gary Oldman) diz a Mina Harker: "Then I shall bother you no more".
Fui o típico adolescente tímido quando o assunto eram minhas musas e tudo o que restava era observar de longe. Depois de um tempo e com alguma prática, a habilidade em stalking cresceu. Principalmente depois de aprender os meandros da internet. Fica fácil adquirir informações sobre a pessoa entre Orkut, blogs e fotologs. Basta saber nome e sobrenome e já é um começo. Há quem diga que é até um pouco assustador pensar nisso, como uma violação de privacidade. Esse comportamento quase patológico não parou mesmo depois de vencer a timidez e passar anos em vários relacionamentos. E só fui compreender o quão fora do comum era esse comportamento, quando percebi que conhecia detalhes íntimos de pessoas que sequer sabiam que eu existia e que ficariam perturbadas se soubessem disso. Continuo tendo um gosto por esse tipo de investigação. É quase como se estivesse construindo uma personagem de livro, porém o processo é reverso.
Tomemos esta pessoa recente:
Ao ver uma pessoa aproximadamente da minha idade em uma revista, veio-me à cabeça a idéia de que o Orkut cresceu tanto e ganhou tantos adeptos, que hoje pode-se encontrar praticamente qualquer um abaixo de uma certa idade (a geração de pais não se interessou muito pela coisa...). Tendo o nome e sobrenome dela na revista, procurei no Orkut: bingo!
Entenda uma coisa: um stalker não escolhe sua "vítima" assim, dessa forma lógica. Algo tem que dar aquele "click". E essa menina não deu. Estava prestes a abandonar a coisa toda, quando vi dois detalhes que chamaram a atenção: o primeiro, era o colégio onde ela ainda estudava, o mesmo que eu estudei. Essa instituição me persegue. Toda situação tem sempre um ex-aluno envolvido. Sorri para a coincidência. O segundo detalhe, foi uma de suas colegas de colégio. Uma garotinha ruiva (tá, eu sei, a obssessão não passou...) que me lembrou Taís na época do colégio, porém com muito mais estilo no vestir-se e uma atitude mais perversa.
Click
Talvez tenha sido só por ela que assisti às peças do teatro do colégio este ano. Cômico: fui com Taís. A comparação era inevitável.
A situação padrão de stalking no mundo real consistiria de ir ao teatro e sentar-se perto dela. Entreouvir as conversas, pescar mais detalhes. Perceber que ela usa aparelho nos dentes e por isso nunca sorri no fotolog. Sair do teatro aproveitando o aperto da multidão para estar perto dela, perceber detalhes mais sensoriais: o perfume, a mistura de loiros e castanhos que forma seu ruivo, o tom de voz. Ela sequer perceberia-me lá.
E pra que tudo isso, você pergunta? Não, eu não tentaria conquistá-la. Como já disse, algumas musas são para serem apreciadas e nada mais. Seria apenas uma obssessão passageira.
Porém esta não era uma situação padrão de stalking. Eu ousara, dias antes, deixar alguma mensagem no fotolog dela. Ela não mostrou muito interesse, porém quando me viu, houve aquela flexão de músculos, uma fagulha de expressão que confessava: eu conheço aquele rapaz. Isso muda tudo. A situação é invertida. Porque, ao mesmo tempo em que observo e registro detalhes, sei que estou sendo observado. mesmo que do canto do olho. Mesmo que sem muito interesse. E depois que os alunos encenam sua peça no palco, eu enceno o personagem que sou para esses olhos que não admitem que me reconhecem. Converso com Taís sobre a peça, sobre coisas de adultos pós-universitários que minha musa ainda não conhece. A vontade, suponho, seja de plantar nela uma semente de interesse como a que ela me plantou, e ver germinar alguma obssessão. Mas isso seria esperar demais...
No dia seguinte, ah sim... Ela coloca no fotolog uma foto do namorado. E em algum outro lugar, comentários sobre shows de bandas que ela venera e que eu, apesar da vontade de pertencer a esse mundo, não consigo apreciar. Percebo a distância entre os mundos e reitero meu papel de mero maníaco.
Vem à cabeça a cena de Drácula, do Coppola, em que o personagem título (personificado pelo magnífico Gary Oldman) diz a Mina Harker: "Then I shall bother you no more".
White nights
Mamãe olha pela janela nessas noites nubladas e sempre me chama: "olha aí, tá fazendo outra daquelas noites brancas". E de fato, embora eu tivesse percebido o suficiente pra escrever por aqui a respeito, só quando ela falou que prestei mais atenção no fenômeno. Tinha escrito aqui como a cidade parece estar dentro de uma redoma de gesso. Como as luzes da cidade sobem e rebatem nas nuvens, voltando difusas e iluminando tudo. Minha mãe diz que parece dia, mas eu acho exagero. Porém depois das observações dela, comecei a perceber com mais atenção as coisas, e não a imagem geral. Vejo pela janela o prédio da frente, daquele estilo mediterrâneo, e consigo ver todas as curvas, todos os detalhes. Vejo os carros na rua e imagino que poderia dirigir sem os faróis acesos. Apago a luz do meu quarto e parece-me irreal que tanta luz entre pela minha janela vinda de fora.
Há noites brancas mais claras que outras. Suponho que seja pelo tom de cinza das nuvens. Minha mãe não entendeu a origem do fenômeno até que eu expliquei minha teoria. Em outro momento da conversa, falei que seria a noite perfeita para caçar, se fóssemos animais selvagens. Ela respondeu, tendo compreendido muito bem minha explicação do fenômeno, que se estivéssemos no mato não haveria luz para termos noites brancas... Touchè.
Há noites brancas mais claras que outras. Suponho que seja pelo tom de cinza das nuvens. Minha mãe não entendeu a origem do fenômeno até que eu expliquei minha teoria. Em outro momento da conversa, falei que seria a noite perfeita para caçar, se fóssemos animais selvagens. Ela respondeu, tendo compreendido muito bem minha explicação do fenômeno, que se estivéssemos no mato não haveria luz para termos noites brancas... Touchè.
sábado, dezembro 03, 2005
(in alphabetical order)
Scarlett Johansson
as Alice Chebel
Mel Lisboa
as Beatriz Lauer (Makel)
John Goodman
as Cleber Martinez
Rita Lee
as Cinília Gisondi
Marina Lima
as Dora Longo Bahia
Annette Benning
as Eliana Rios
Christina Ricci
as Flávia Pincherle
Anthony Edwards
as Laerte de Paula (Lala's Joe)
Milla Jovovich
as Lígia Carriel (Lee)
Zhang Ziyi
as Lin Wei
Leandra Leal
as Mariana Antunes (Nana)
Maura Tierney
as Mariana Metidieri
Gillian Anderson
as Marina Pincherle
Angelina Jolie
as Natalia Traldi (Jolina)
Kirsten Dunst
as Nydia Lícia at 20
Nydia Lícia
as herself at 74
Josh Saviano
as Otávio Clemente
????
as Pedro Leão (Edgewalker)
David Duchovny
as Renato Pincherle
Camila Morgado
as Taís Rios (Tinkerbell)
Jon Lovitz
as Tevo Schiffer
[Queria fazer aquela composição clássica de créditos de filme, mas o blogger ão deixa centralizar daquele jeito, fica tudo bagunçado. Baseado em parte em um sonho que tive, em parte em filmes que vi... e em parte na total falta do que fazer mesmo]
quinta-feira, dezembro 01, 2005
Aos que perguntaram
Sim, dá pra comprar o ingresso do circo na entrada, embora possivelmente o preço vá subir. Ainda não tenho estimativas de quanto vai custar na hora. Em outras notícias, estou ensaiando uma sequência de solo um pouco menos suicida. Já estou mais seguro de que vocês não vão ser testemunhas de um desastre...
Tirando o atraso.
Recentemente, tenho ouvido muito Cure (por influência da Gabe), algum Smashing Pumpkins (graças ao Lala's) e Pink Floyd (depois de ouvir um pouco no rádio). Aliás, que desperdício de tempo não ter prestado atenção no Pink Floyd antes! É TÃO o estilo de música que eu curto!
Fico pensando em como essas bandas sempre estiveram por aí, no fundo da minha história. Música de figurantes desse filme, que passavam quase despercebidos e me diziam que eram bandas boas. Mas eu estava mais atento à experimentação técnica do Bowie ou à nostalgia da minha infância anos 80 que eu ouvia no Tears for Fears e deixava pra experimentar essas coisas mais viscerais depois. Esse depois, obviamente, nunca chegava. Foi só quando aprendi, graças ao Cazuza, Marina Lima e um pouco de Bush, a experimentar aquele "eu te amo" dolorido de algumas músicas, que fiquei pronto pra ouvir essas coisas que todo mundo ouviu e sofreu no auge da adolescência. Daí hoje a febre por esse tipo de coisa passou e é vista pela galera da minha idade como os sentimentalismos e pieguices da juventude (e por acaso estamos tão velhos assim?). O gosto por essas bandas ficou em algum lugar onde se guardam todas essas coisas ditas imaturas da juventude: a febre pelo gótico, pela maquiagem preta; a ilusão de amar alguém mais do que a própria vida e pensar em suicídio ao perder a pessoa; o sonho de largar tudo e ir viver de arte, literatura, música.
Eu comecei com essas coisas bem tarde. Na verdade, sinto até um pouco de culpa ao perceber que muita gente que conheço já passou por isso e está em algum próximo passo que eu ainda não consigo compreender ou aceitar, gostando de jazz ou samba, conhecendo autores que eu nunca ouvi falar, tendo algum rumo. Estou me prendendo à adolescência que não tive, tentando vivê-la agora. Em menor grau, é como aquela sensação de ser um marmanjo de vinte anos brincando de gangorra no parquinho...
Na minha obssessão por padrões (coisa de artista plástico/escritor que lida com composição o tempo todo...), me pego pensando que talvez eu me torne assim como o Miguel, atual da Lee: aquele cara mais velho (e que portanto aparenta ser mais seguro, mais maduro) e enigmático que toma por namorada séria, daquelas que beiram o casamento, alguma garota bem mais jovem, recém ingressa na faculdade.
A galera que comenta aqui diria que o importante é que eu me sinta bem assim, certo? Pois é... Estou aprendendo a me aceitar...
Fico pensando em como essas bandas sempre estiveram por aí, no fundo da minha história. Música de figurantes desse filme, que passavam quase despercebidos e me diziam que eram bandas boas. Mas eu estava mais atento à experimentação técnica do Bowie ou à nostalgia da minha infância anos 80 que eu ouvia no Tears for Fears e deixava pra experimentar essas coisas mais viscerais depois. Esse depois, obviamente, nunca chegava. Foi só quando aprendi, graças ao Cazuza, Marina Lima e um pouco de Bush, a experimentar aquele "eu te amo" dolorido de algumas músicas, que fiquei pronto pra ouvir essas coisas que todo mundo ouviu e sofreu no auge da adolescência. Daí hoje a febre por esse tipo de coisa passou e é vista pela galera da minha idade como os sentimentalismos e pieguices da juventude (e por acaso estamos tão velhos assim?). O gosto por essas bandas ficou em algum lugar onde se guardam todas essas coisas ditas imaturas da juventude: a febre pelo gótico, pela maquiagem preta; a ilusão de amar alguém mais do que a própria vida e pensar em suicídio ao perder a pessoa; o sonho de largar tudo e ir viver de arte, literatura, música.
Eu comecei com essas coisas bem tarde. Na verdade, sinto até um pouco de culpa ao perceber que muita gente que conheço já passou por isso e está em algum próximo passo que eu ainda não consigo compreender ou aceitar, gostando de jazz ou samba, conhecendo autores que eu nunca ouvi falar, tendo algum rumo. Estou me prendendo à adolescência que não tive, tentando vivê-la agora. Em menor grau, é como aquela sensação de ser um marmanjo de vinte anos brincando de gangorra no parquinho...
Na minha obssessão por padrões (coisa de artista plástico/escritor que lida com composição o tempo todo...), me pego pensando que talvez eu me torne assim como o Miguel, atual da Lee: aquele cara mais velho (e que portanto aparenta ser mais seguro, mais maduro) e enigmático que toma por namorada séria, daquelas que beiram o casamento, alguma garota bem mais jovem, recém ingressa na faculdade.
A galera que comenta aqui diria que o importante é que eu me sinta bem assim, certo? Pois é... Estou aprendendo a me aceitar...
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