Although they did agree on mostly everything, it was one difference in particular that spawned many a tender moment between them: she was terrified of lightning storms, whereas he found them to be one of the most beautiful phenomena in nature. See, both of them were taken by the sublimeness of it. But where it seemed to be too much for her to bear, it was all he could ask for.
When the summer rain would come upon their home, wrecking havoc on the power lines and leaving them in the dark, she would run to him and burry her face on his chest, listening to his heart beat faster with the exhilataion. She`d try to concentrate on that sound, to make it louder than the booming outside and she`d shut her eyes as tight as possible, trying to ignore the flicker of light that announced another upcoming thunder. and the horrific thought that one of those could actually hit them. He would just stare out the window, at the rain and the cracks in the sky, taking into himself all the raw greatness of it, as if God Himself were entertaining him. He watched it all with an absent-mindedness, as if there wasn`t the slightest chance of them being hit by all that power. As if, somehow, they weren`t even there. It filled him with energy, it marveled him. But above all, it gave him a desire to create something out of it. To marvel others in the same way. There was a sense that this desire to create would be expressed by his hands. His hands as outlets. His hands that held her in those moments. And it was as if this connection acted as a filter for her. A purifier. As if he would take in all the intensity of the storm and feed off of it, and then pass it on to her as a softer thing, a softer sound. Each thunderstrike divided into dozens of beats of his heart. With them, he would offer her the kind of wonder and strange peace he found watching the storm. And she would eventually calm down indeed.
These sessions of stormwatching would last `til the end of the storm, or until they were both overcomed by a forlorn desire to sleep. Possibly the tiresome aftereffect of dealing with so much energy. The`d drift into dreamless unconsciousness and would wake only when the clouds parted.
Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.
segunda-feira, dezembro 27, 2004
domingo, dezembro 26, 2004
Mais um daqueles momentos "Ah! Só agora que eu entendi..."
A cena do Matrix virou um clássico. Morpheus senta na cadeira de couro surrado e, na penumbra meio deprê da sala, oferece a Neo duas pílulas: uma azul e outra vermelha. E só agora me vem à cabeça que uma boa quantidade de ansiolíticos são pílulas azuis e que a categoria desses remédios é chamada em geral de pílulas azuis. E o que são ansiolíticos, você pergunta?
*inspirando ar para falar de uma vez...*
Tipo de medicamento usados para combater estados de tensão do paciente. Os ansiolíticos são considerados tranquilizantes e viram drogas ao serem utilizadas por conta própria. Também ativam no cérebro o que os bioquímicos chamam de "Circuito de Recompensa", liberando mais dopamina, o que reforça o consumo. Portanto, viciam.
Ou seja, Morpheus oferece a Neo algo para fazer ele ficar calminho, calminho, esquecer toda a revolta que sente pela "realidade" (e que muitos de nós sentimos...) e viver sua vida na ignorância. Chega a ser cômico, não?
Sim, você já ouviu falar de um ou outro destes. Os mais conhecidos são Valium (que é uma pílular azul bebê...) e o Lexotan (que é rosa).
Não sei o que veio primeiro, a cena do filme ou a denominação para este tipo de remédio... Mas fica claro que um influenciou o outro.
*inspirando ar para falar de uma vez...*
Tipo de medicamento usados para combater estados de tensão do paciente. Os ansiolíticos são considerados tranquilizantes e viram drogas ao serem utilizadas por conta própria. Também ativam no cérebro o que os bioquímicos chamam de "Circuito de Recompensa", liberando mais dopamina, o que reforça o consumo. Portanto, viciam.
Ou seja, Morpheus oferece a Neo algo para fazer ele ficar calminho, calminho, esquecer toda a revolta que sente pela "realidade" (e que muitos de nós sentimos...) e viver sua vida na ignorância. Chega a ser cômico, não?
Sim, você já ouviu falar de um ou outro destes. Os mais conhecidos são Valium (que é uma pílular azul bebê...) e o Lexotan (que é rosa).
Não sei o que veio primeiro, a cena do filme ou a denominação para este tipo de remédio... Mas fica claro que um influenciou o outro.
Spice I
Inaugurando uma nova sessão, como as Revelations, porém esta de uso mais prático. Os posts com o título Spice são todos sobre lugares, eventos e pequenos achados da cidade (e de outros lugares, se possível...). Coisas que dão uma temperada na rotina.
Como primeiro spice, apresento a Galeria dos Pães. Situada na esquina da Haddock Lobo com a Estados Unidos, é um pouco mais que uma padaria comum. Tink teve a idéia de me acordar um pouco mais cedo para irmos tomar café lá. Lembrou-me aquela música que fala de Breakfast in Tiffany's. Altamente recomendado, embora um pouco caro para um café da manhã. O preço no entanto é muito bem pago. Come-se muito bem, em esquema buffet. Tão bem que nem precisei comer muito no almoço (mas eu sou meio suspeito pra falar porque funciono no modo econômico: pouca comida, muito rendimento). Tem para todos os gostos e até algumas coisas exóticas, como pães coloridos, além de um pessoal fazendo uma MPB ao vivo. Estacionamento grátis no local.
P.S.: Google é uma caixinha de surpresas. Fui procurar o logo da Galeria e... Bem, tente procurar galeria dos paes nas imagens do Google.
Como primeiro spice, apresento a Galeria dos Pães. Situada na esquina da Haddock Lobo com a Estados Unidos, é um pouco mais que uma padaria comum. Tink teve a idéia de me acordar um pouco mais cedo para irmos tomar café lá. Lembrou-me aquela música que fala de Breakfast in Tiffany's. Altamente recomendado, embora um pouco caro para um café da manhã. O preço no entanto é muito bem pago. Come-se muito bem, em esquema buffet. Tão bem que nem precisei comer muito no almoço (mas eu sou meio suspeito pra falar porque funciono no modo econômico: pouca comida, muito rendimento). Tem para todos os gostos e até algumas coisas exóticas, como pães coloridos, além de um pessoal fazendo uma MPB ao vivo. Estacionamento grátis no local.
P.S.: Google é uma caixinha de surpresas. Fui procurar o logo da Galeria e... Bem, tente procurar galeria dos paes nas imagens do Google.
quinta-feira, dezembro 23, 2004
If you have a good level of english and are into the whole internet thing, you should check this out. Watch the full vídeo.
The questions that linger in my mind are:
- Who`s in charge? Man or machine?
- If there's enough info on the net to personalize advertising and services, what does that say about personal privacy? Would you surrender yours? Do you have a choice?
- If someone (or something, depending on the answer to the first question...) is sorting out what you get and what you don't in terms of information, how closer are you to being manipulated by the media (Does George Orwell`s Animal Farm: a Fairy Story spring to anyone`s mind? About overthrowing one aristocracy to intitute another one?)?
- What happens when specific people, powerful people, get their information sorted and only get a part of what they`d normaly get? How does it affect their capacity to make important decisions? Who gets favored by that?
The questions that linger in my mind are:
- Who`s in charge? Man or machine?
- If there's enough info on the net to personalize advertising and services, what does that say about personal privacy? Would you surrender yours? Do you have a choice?
- If someone (or something, depending on the answer to the first question...) is sorting out what you get and what you don't in terms of information, how closer are you to being manipulated by the media (Does George Orwell`s Animal Farm: a Fairy Story spring to anyone`s mind? About overthrowing one aristocracy to intitute another one?)?
- What happens when specific people, powerful people, get their information sorted and only get a part of what they`d normaly get? How does it affect their capacity to make important decisions? Who gets favored by that?
quarta-feira, dezembro 22, 2004
Pequeno momento de ira
Aí você chega em casa depois daquele dia ferrado, corrido e estressante; querendo apenas um pouquinho de conforto ou serotonina no cérebro, e ainda ouve opiniões da namorada sobre seu professor e seus amigos, opiniões dos pais sobre a sua pintura, e aposto que se eu tivesse um cachorro ele ainda teria um jeito de me comunicar uma opinião sobre meu cheiro de roupa molhada por causa da chuva que não parou o dia inteiro. Só não ouço opinião do meu irmão. Mas ele nunca expressa opinião a menos que eu pergunte mesmo. Tem dias em que minha opinião sobre esse último fato é: ainda bem...
Tá, eu sei que nós todos temos que ser seres super pensantes e que não se conformam com a realidade apresentada, como nossos naftalinizados professores de filosofia nos ensinaram. Também sei que vocês têm direito às suas opiniões e que se eu coloquei a tela na maldita exposição, eu me coloquei à disposição de críticas (até dos pais...). E quanto ao sistema de ensino, não vou nem entrar no assunto se não o momento não será mais "pequeno".
Mas é realmente tão difícil assim ter conforto? Veja, não estou falando em apatia total. Eu vou pensar e me rebelar e usar minha juventude para mudar o mundo e etc. Só não a essa hora. A essa hora (meia-noite e meia...) eu quero que as opiniões de vocês se explodam. Eu quero viver minha vida com as minhas escolhas, independente de vocês sequer existirem. Eu quero poder pintar todas as bizarrices grotescas que vierem na minha cabeça (e olha que tem coisa pior do que um falo em uma tela com três pregos e um título com referência bíblica). Eu quero sair da aula sem grandes devaneios sobre o sistema de ensino, só a certeza de que uma comida, banho e cama quentes me esperam. Eu quero pouco me lixar para o quão desinteressados meus amigos estão por aprender. Só a essa hora, nesse final de noite. Torrem minha paciência amanhã de manhã.
Spank you...
Tá, eu sei que nós todos temos que ser seres super pensantes e que não se conformam com a realidade apresentada, como nossos naftalinizados professores de filosofia nos ensinaram. Também sei que vocês têm direito às suas opiniões e que se eu coloquei a tela na maldita exposição, eu me coloquei à disposição de críticas (até dos pais...). E quanto ao sistema de ensino, não vou nem entrar no assunto se não o momento não será mais "pequeno".
Mas é realmente tão difícil assim ter conforto? Veja, não estou falando em apatia total. Eu vou pensar e me rebelar e usar minha juventude para mudar o mundo e etc. Só não a essa hora. A essa hora (meia-noite e meia...) eu quero que as opiniões de vocês se explodam. Eu quero viver minha vida com as minhas escolhas, independente de vocês sequer existirem. Eu quero poder pintar todas as bizarrices grotescas que vierem na minha cabeça (e olha que tem coisa pior do que um falo em uma tela com três pregos e um título com referência bíblica). Eu quero sair da aula sem grandes devaneios sobre o sistema de ensino, só a certeza de que uma comida, banho e cama quentes me esperam. Eu quero pouco me lixar para o quão desinteressados meus amigos estão por aprender. Só a essa hora, nesse final de noite. Torrem minha paciência amanhã de manhã.
Spank you...
segunda-feira, dezembro 20, 2004
Faith...
When I was a teenager (Gosh, it's aweful to be able to say that...) and Role-Playing Games were a part of the weekend, I remeber this one system where you had to assign a certain level of faith to your characters when creating them. I'm not sure wether they really did call it faith, but it was a similar word. A character with a high level of faith could perform great magic (or magik, as they wrote it...) spells, but would also duffer great amounts of damage from magic spells. Likewise, a character with no faith, a skeptical person, would be impervious to magic, but wouldn't be able to cast even the simplest charms.
I found it all to be a very accurate point of view about faith in real life. I had often hear the theory that, when a person jinxes you, if you believe in it, you can get so paranoid about it that it'll eventually happen one way or another. Or some random tragedy would happen and you'd relate it to your "curse". There's some truth and keen observation in that game. Religion has such an amazing power over people. It can heal through prayer, it can give meaning to life, it can render your life completely empty as well... It's like magic, in a way. But you have to believe in it for it to work (isn't that how the fairy tale goes?).
I guess it explains where I'm at when I paint all these terribly heretic paintings of mine: no magic for me and no curses either...
I found it all to be a very accurate point of view about faith in real life. I had often hear the theory that, when a person jinxes you, if you believe in it, you can get so paranoid about it that it'll eventually happen one way or another. Or some random tragedy would happen and you'd relate it to your "curse". There's some truth and keen observation in that game. Religion has such an amazing power over people. It can heal through prayer, it can give meaning to life, it can render your life completely empty as well... It's like magic, in a way. But you have to believe in it for it to work (isn't that how the fairy tale goes?).
I guess it explains where I'm at when I paint all these terribly heretic paintings of mine: no magic for me and no curses either...
Saindo do coma...
Quando saí da faculdade e comecei a procrar emprego, minha arte foi temporariamente colocada na geladeira. Afinal, ou me dedicava inteiramente a uma coisa ou à outra. Dedicar-me às duas ao mesmo tempo levaria àquela situação que conheço tão bem, de fazer ambas apressadamente, ter resultados medíocres e não viver de verdade nenhuma das duas.
E minha arte ficou lá, em estado de coma induzido, produzino muito poucas coisas e nada muito relevante ao longo do ano. Mas agora que o trabalho já se assentou na rotina diária e tenho consciência do meu tempo livre, posso voltar à ativa.
Há algumas semanas conheci Xiclet, graças à Marcela. Não tenho certeza, mas acho que Xiclet é carioca. É uma mulher esguia, pequena e de aparência bem andrógina, mas com um jeitinho tipicamente brasileiro: muito bem humorada, sempre rindo e falando alto sobre qualquer disparate, independente das dificuldades.
Xiclet mora em uma casa simples há uma quadra de uma grande galeria. Ela aproveita o fato para tirar uma lasca do mercado de arte: abriu sua própria galeria alternativa, em um quarto grande ao lado da casa, e usou das conexões que fez ao longo de anos trabalhando em monitoria de exposições para chamar jovens artistas e críticos conhecidos para suas exposições. Os nomes das exposições sempre têm a ver com piadinhas internas do mundo da arte: Sandra, I`m Sorry (tiração de sarro da Sandra Cinto), Quero ser Nelson Leirner (de Quero ser John Malkovich) ou ainda a atual 26a Bienal de Cu é Rola, referente à 26a Bienal que acabou ontem. O tema: fusca não é arte, referente ao fusca que Leo Schiazi perdurou em elásticos coloridos na Bienal e que era girado de 15 em 15 minutos. A casa foi decorada com fuscas de brinquedo suspensos.
Marcela me falou sobre a exposição e resolvi participar. Ótima maneira de começar o ano que vem expondo e voltar à ativa de algum jeito.
O melhor de tudo é que a exposição abre hoje, no mesmo dia da abertura de uma outra exposição naquela galeria, há uma quadra de distância.
Enfim, repassando os detalhes:
26a Bienal de Cu é Rola
Galeria Casa da Xiclet
Rua Fradique Coutinho 1855
Vernissage: 20/12/2004 - 20:00
Encerramento: 10/1/2005
Muitas coisas interessantes e algumas bizarras, como toda exposição alternativa. Entre os expositores, eu, Marcela Tiboni, Thais Albuquerque, Gabriela Piernikarz e muita gente ótima!
Apareçam! Isso é uma ordem!
E minha arte ficou lá, em estado de coma induzido, produzino muito poucas coisas e nada muito relevante ao longo do ano. Mas agora que o trabalho já se assentou na rotina diária e tenho consciência do meu tempo livre, posso voltar à ativa.
Há algumas semanas conheci Xiclet, graças à Marcela. Não tenho certeza, mas acho que Xiclet é carioca. É uma mulher esguia, pequena e de aparência bem andrógina, mas com um jeitinho tipicamente brasileiro: muito bem humorada, sempre rindo e falando alto sobre qualquer disparate, independente das dificuldades.
Xiclet mora em uma casa simples há uma quadra de uma grande galeria. Ela aproveita o fato para tirar uma lasca do mercado de arte: abriu sua própria galeria alternativa, em um quarto grande ao lado da casa, e usou das conexões que fez ao longo de anos trabalhando em monitoria de exposições para chamar jovens artistas e críticos conhecidos para suas exposições. Os nomes das exposições sempre têm a ver com piadinhas internas do mundo da arte: Sandra, I`m Sorry (tiração de sarro da Sandra Cinto), Quero ser Nelson Leirner (de Quero ser John Malkovich) ou ainda a atual 26a Bienal de Cu é Rola, referente à 26a Bienal que acabou ontem. O tema: fusca não é arte, referente ao fusca que Leo Schiazi perdurou em elásticos coloridos na Bienal e que era girado de 15 em 15 minutos. A casa foi decorada com fuscas de brinquedo suspensos.
Marcela me falou sobre a exposição e resolvi participar. Ótima maneira de começar o ano que vem expondo e voltar à ativa de algum jeito.
O melhor de tudo é que a exposição abre hoje, no mesmo dia da abertura de uma outra exposição naquela galeria, há uma quadra de distância.
Enfim, repassando os detalhes:
Galeria Casa da Xiclet
Rua Fradique Coutinho 1855
Vernissage: 20/12/2004 - 20:00
Encerramento: 10/1/2005
Muitas coisas interessantes e algumas bizarras, como toda exposição alternativa. Entre os expositores, eu, Marcela Tiboni, Thais Albuquerque, Gabriela Piernikarz e muita gente ótima!
Apareçam! Isso é uma ordem!
sexta-feira, dezembro 17, 2004
Dream
I don't even recall enough of this dream to tell what was the plot about. But I decided to write it down due to the way it ended.
In the final sequence, there`s this little girl who is talking to an alien. The alien has a rough skin, of a strange color that changes from green to prussian blue (if you`re not a painter, don't bother figuring out which blue is prussian blue...) in a way that resembles velvet. It had big, round, dark holes intead of eyes. And it was invisible to everyone else but the little girl. They talked and I seemed to be only a spectator, not a character in the dream. At some point, the alien wanted to know more about a concept the girl had talked about. So it dug it`s think fingers into her head and seemed to mingle with her brain, extracting ideas directly from her mind. It didn't hurt her. Not satisfied, the alien seemed to fuse it`s entire head with hers, her eyes becoming the alien's. For a moment, I was the alien. And I was marveled at the way the little girl saw the world. The alien and the girl figured they had much in common and decided that the alien should make itself visible to the world, and they`d try to make the world understand. Another character enters the dream. A mother. She looked like Sandra Bullock. She watched the little girl from far away, from a porch in a countryside home. The girl was alone. But then, a faint glow began to outline a strange face by her side. It grew and acquired mass, shape, colors. It was the alien by her side. The mother went into a fit of despair and fear and ran to the little girl, shoving the alien away from her. Mom and the alien exchanged a few harsh words.
And then the alien performed a terrifying attack on her, that send her crashing through the livingroom window of the house. And I was the mother, receiving the full force of the attack. I saw the alien swell up like a bullfrog, concentrating his power. Everything around it lost it`s color, became balck and white, then darker. And then I felt that enormous surge of power rushing through my body and lifting me off my feet. The alien's strange voice was booming loud menacing words and I was feeling my heart race wildly and the fear-driven adrenalin course my blood. I crashed through the glass pane of the livingroom window and landed on book shelves.
Then I was the spectator again. My mind, which ran the dream, was preparing itself for an action sequence and then I thought "it can't go this way...". Because the alien had been such a peaceful entity before. Deep inside, I was actually frightened. I knew that this creature was a dream creature, and as such, it could embody all me fears and attack me with them. But just as this notion came to me, I figured it was all just a dream. And this notion ultimately shattered my capacity to keep on dreaming it and living it like a reality. Because it was just a dream. I was suddenly pulled out of the dream, as if I had been sucked out through a drain pipe.
I woke up in the darkness of my bedroom, the adrenalin surge still coursing my veins and muscles and a paranoia in my head making me stare into the darkness looking for the alien. I could almost feel it's presence in the room. I was affraid. And then I saw the green light from my alarm clock, telling me it was five in the morning and I was back in reality. I had to cling desperately to that last notion that it was all a dream to calm myself down. It was just a dream. Just a dream. Just a dream....
References for this last dream sequence come from way back in the past. From Signs, that movie with Mel Gibson. From Poltergeist and Akira. I could even perhaps name Practical Magic and Event Horizon. Movies, movies, movies... Nothing from the real world. i dimally remember other parts of the dream with other real life references. But that`s too blurry even to be written here...
P.S.: The good thing about writting this in english is that I can actually call the alien "it". In portuguese, I`d have to choose a gender for it and call it "he" or "she". And it didn't seem to have any particular gender.
In the final sequence, there`s this little girl who is talking to an alien. The alien has a rough skin, of a strange color that changes from green to prussian blue (if you`re not a painter, don't bother figuring out which blue is prussian blue...) in a way that resembles velvet. It had big, round, dark holes intead of eyes. And it was invisible to everyone else but the little girl. They talked and I seemed to be only a spectator, not a character in the dream. At some point, the alien wanted to know more about a concept the girl had talked about. So it dug it`s think fingers into her head and seemed to mingle with her brain, extracting ideas directly from her mind. It didn't hurt her. Not satisfied, the alien seemed to fuse it`s entire head with hers, her eyes becoming the alien's. For a moment, I was the alien. And I was marveled at the way the little girl saw the world. The alien and the girl figured they had much in common and decided that the alien should make itself visible to the world, and they`d try to make the world understand. Another character enters the dream. A mother. She looked like Sandra Bullock. She watched the little girl from far away, from a porch in a countryside home. The girl was alone. But then, a faint glow began to outline a strange face by her side. It grew and acquired mass, shape, colors. It was the alien by her side. The mother went into a fit of despair and fear and ran to the little girl, shoving the alien away from her. Mom and the alien exchanged a few harsh words.
And then the alien performed a terrifying attack on her, that send her crashing through the livingroom window of the house. And I was the mother, receiving the full force of the attack. I saw the alien swell up like a bullfrog, concentrating his power. Everything around it lost it`s color, became balck and white, then darker. And then I felt that enormous surge of power rushing through my body and lifting me off my feet. The alien's strange voice was booming loud menacing words and I was feeling my heart race wildly and the fear-driven adrenalin course my blood. I crashed through the glass pane of the livingroom window and landed on book shelves.
Then I was the spectator again. My mind, which ran the dream, was preparing itself for an action sequence and then I thought "it can't go this way...". Because the alien had been such a peaceful entity before. Deep inside, I was actually frightened. I knew that this creature was a dream creature, and as such, it could embody all me fears and attack me with them. But just as this notion came to me, I figured it was all just a dream. And this notion ultimately shattered my capacity to keep on dreaming it and living it like a reality. Because it was just a dream. I was suddenly pulled out of the dream, as if I had been sucked out through a drain pipe.
I woke up in the darkness of my bedroom, the adrenalin surge still coursing my veins and muscles and a paranoia in my head making me stare into the darkness looking for the alien. I could almost feel it's presence in the room. I was affraid. And then I saw the green light from my alarm clock, telling me it was five in the morning and I was back in reality. I had to cling desperately to that last notion that it was all a dream to calm myself down. It was just a dream. Just a dream. Just a dream....
References for this last dream sequence come from way back in the past. From Signs, that movie with Mel Gibson. From Poltergeist and Akira. I could even perhaps name Practical Magic and Event Horizon. Movies, movies, movies... Nothing from the real world. i dimally remember other parts of the dream with other real life references. But that`s too blurry even to be written here...
P.S.: The good thing about writting this in english is that I can actually call the alien "it". In portuguese, I`d have to choose a gender for it and call it "he" or "she". And it didn't seem to have any particular gender.
Pessoas, leiam o blog da Nana
Porque é um blog com algum sentimento.
Porque o humor dela é diferente do humor pré-fabricado que a gente vê por aí, de piadas prontas e aprendidas.
Porque ela tem uma noção de como a cabeça das pessoas, e a dela mesma, funciona (óbvio: ela faz psicologia...).
Porque a paixão que ela tem pelo namorado faz qualquer um querer sentir isso algum dia.
Porque ela é uma nerd reformada (ou pelo menos tentando se reformar...) e dá esperança a nós, outros nerds, de que isso é possível.
Porque dá vontade de dar colo pra ela e cuidar dos problemas que ela tem (com todo respeito pelo namorado dela, claro).
Porque ela é uma feminista ferrenha (e isso é motivo?).
Porque ela se preocupa mais com o conteúdo do blog do que com besteiras de layout...
Porque ela sabe quando e como falar de sexo sem cair na pornografia devassa nem na hipocrisia virginal.
Porque ela tem bom gosto para animação japonesa (tá, eu sei que a maioria de vocês aí não dá a mínima pra isso...).
Como diria ela: "Tá, já calei".
Porque o humor dela é diferente do humor pré-fabricado que a gente vê por aí, de piadas prontas e aprendidas.
Porque ela tem uma noção de como a cabeça das pessoas, e a dela mesma, funciona (óbvio: ela faz psicologia...).
Porque a paixão que ela tem pelo namorado faz qualquer um querer sentir isso algum dia.
Porque ela é uma nerd reformada (ou pelo menos tentando se reformar...) e dá esperança a nós, outros nerds, de que isso é possível.
Porque dá vontade de dar colo pra ela e cuidar dos problemas que ela tem (com todo respeito pelo namorado dela, claro).
Porque ela é uma feminista ferrenha (e isso é motivo?).
Porque ela se preocupa mais com o conteúdo do blog do que com besteiras de layout...
Porque ela sabe quando e como falar de sexo sem cair na pornografia devassa nem na hipocrisia virginal.
Porque ela tem bom gosto para animação japonesa (tá, eu sei que a maioria de vocês aí não dá a mínima pra isso...).
Como diria ela: "Tá, já calei".
quinta-feira, dezembro 16, 2004
Foamy`s rant on X-mas
Do watch Foamy`s rant about X-mas!! It says a thing or two about religous "freedom" ruining great holidays... Oh, and some americans` obssession for lawsuits...
quarta-feira, dezembro 15, 2004
Video game também é cultura?
Riram do nosso ministro da cultura quando ele falou, em uma premiação de um concurso relacionado ao desenvolvimento de games, que o video game era cultura. Desconsiderei o fato durante alguns dias. Mas depois comecei a pensar nisso.
A minha geração tem hoje seus vinte anos de idade e passou uma infância na frente das telas e acompanhando a evolução dos consoles. Não tem como ignorar que isso faz parte do nosso inconsciente. A leva de designers de vinte e poucos anos atuais vive fazendo coisas com aquele visual de game, a pixel art. A própria mania por ícones da atualidade tem lá sua orígem nos ítens de video game. Isso só pra falar em design.
Em outro campo, as lendas mudaram. Pouca gente da minha geração conhece lendas como a de Parsifal e o Santo Graal. Mas conhecem Link e Zelda. Não sabem nem um quinto dos deuses gregos ou egípcios, mas conhecem todos os chefes de fase dos jogos do Mega Man. Já ouviram falar de São Jorge e o dragão, mas conhecem mais o Mario e o Bowser. Para eles, foi a dinastia dos Belmont que matou o Conde Drácula em Castlevania e não o doutor Abraham Van Helsing no clássico de Bram Stoker.
São todos paródias, evoluções dos grandes clássicos? Talvez. Mas contam a história da mesma forma, passam os mesmos valores e alguns novos com ainda mais eficiência porque a linguagem é compreensível e instigante. Ecoa neles a voz deste século porque a dos séculos passados já está muito longe pra ser ouvida.
Como dizer que video game não é cultura? Dá pra negar? Não é cultura para as outras gerações que acham que arte e cultura tem que ser um negócio empoeirado e maçante em tons de sépia. Eles encaram o video game como mera diversão inconsequente e alienante, achando que nos falta cultura por nunca termos visto ópera. Falta cultura para eles: cultura atual, contemporânea.
Vida longa a esta nova mídia.
A minha geração tem hoje seus vinte anos de idade e passou uma infância na frente das telas e acompanhando a evolução dos consoles. Não tem como ignorar que isso faz parte do nosso inconsciente. A leva de designers de vinte e poucos anos atuais vive fazendo coisas com aquele visual de game, a pixel art. A própria mania por ícones da atualidade tem lá sua orígem nos ítens de video game. Isso só pra falar em design.
Em outro campo, as lendas mudaram. Pouca gente da minha geração conhece lendas como a de Parsifal e o Santo Graal. Mas conhecem Link e Zelda. Não sabem nem um quinto dos deuses gregos ou egípcios, mas conhecem todos os chefes de fase dos jogos do Mega Man. Já ouviram falar de São Jorge e o dragão, mas conhecem mais o Mario e o Bowser. Para eles, foi a dinastia dos Belmont que matou o Conde Drácula em Castlevania e não o doutor Abraham Van Helsing no clássico de Bram Stoker.
São todos paródias, evoluções dos grandes clássicos? Talvez. Mas contam a história da mesma forma, passam os mesmos valores e alguns novos com ainda mais eficiência porque a linguagem é compreensível e instigante. Ecoa neles a voz deste século porque a dos séculos passados já está muito longe pra ser ouvida.
Como dizer que video game não é cultura? Dá pra negar? Não é cultura para as outras gerações que acham que arte e cultura tem que ser um negócio empoeirado e maçante em tons de sépia. Eles encaram o video game como mera diversão inconsequente e alienante, achando que nos falta cultura por nunca termos visto ópera. Falta cultura para eles: cultura atual, contemporânea.
Vida longa a esta nova mídia.
quarta-feira, dezembro 08, 2004
"Pedro"
O nome começa com um som altamente explosivo, como estouro de bomba ou queda de raio. Pega de surpresa mesmo.
Envereda por um "e" que sempre me deu uma sensação de América Latina. Fosse europeu ou norteamericano e a vogal seria um "a" ou "o" para acompanhar o "P". A explosão seria de filme de Hollywood. Com esse "e", tem som de estouro de fogos em festa de São João ou de bomba caseira em favela. Tem a aspereza da violência cotidiana.
Aí entra o "d" como um estouro abafado. Talvez o eco da primeira explosão, porque não tem o mesmo contraste, o mesmo sharpness.
O "r" é um pequeno solavanco sonoro em uma palavra que está quase acabando. Na verdade, soa um pouco como os detritos daquela explosão atingino o solo.
E a palavra termina em um "o" quase inaudível, mas inegável. Um som que "some no horizonte". Um fade out. Ou aquele zumbido no ouvido depois de um som alto (novamente a explosão...): você pode jurar que escuta, mas na verdade não está lá.
Envereda por um "e" que sempre me deu uma sensação de América Latina. Fosse europeu ou norteamericano e a vogal seria um "a" ou "o" para acompanhar o "P". A explosão seria de filme de Hollywood. Com esse "e", tem som de estouro de fogos em festa de São João ou de bomba caseira em favela. Tem a aspereza da violência cotidiana.
Aí entra o "d" como um estouro abafado. Talvez o eco da primeira explosão, porque não tem o mesmo contraste, o mesmo sharpness.
O "r" é um pequeno solavanco sonoro em uma palavra que está quase acabando. Na verdade, soa um pouco como os detritos daquela explosão atingino o solo.
E a palavra termina em um "o" quase inaudível, mas inegável. Um som que "some no horizonte". Um fade out. Ou aquele zumbido no ouvido depois de um som alto (novamente a explosão...): você pode jurar que escuta, mas na verdade não está lá.
O CLAM do meu irmão
Fui à apresentação anual do meu irmão no CLAM.
A música em si dispensa comentários: ele tocou Pedacinho do céu, de Valdyr Azevedo. Não sei, me divirto quando el toca essa com banda. A música flui como um vôo de um piloto eufórico e dopado. Tem mergulhos que a banda inteira segue, firulas de piano e um ar que alterna entre gracejos e preocupações.
Na platéia, além do burburinho, ouvia a voz de uma ou outra criança, sem dúvida acompanhando um irmão ou irmã mais velho que veio se apresentar. E me lembrei da sensação e das percepções que tive acompanhando meus pais em grandes eventos, viagens e etc. A ingenuidade e imaginação infantis criavam compreensões fantasiosas e cheia de aventura.
Fiquei imaginando a compreensão de uma criança de cinco ou seis anos desse bar onde, a cada música, alguém do público era chamado para asumir um lugar na banda. Não seria maravilhoso ter uma platéia inteira de pessoas que poderiam a qualquer momento passar de entretidos a apresentadores? Um bar onde só entra quem tem a habilidade. E mais: todos na platéia tocam maravilhosamente bem.
A música em si dispensa comentários: ele tocou Pedacinho do céu, de Valdyr Azevedo. Não sei, me divirto quando el toca essa com banda. A música flui como um vôo de um piloto eufórico e dopado. Tem mergulhos que a banda inteira segue, firulas de piano e um ar que alterna entre gracejos e preocupações.
Na platéia, além do burburinho, ouvia a voz de uma ou outra criança, sem dúvida acompanhando um irmão ou irmã mais velho que veio se apresentar. E me lembrei da sensação e das percepções que tive acompanhando meus pais em grandes eventos, viagens e etc. A ingenuidade e imaginação infantis criavam compreensões fantasiosas e cheia de aventura.
Fiquei imaginando a compreensão de uma criança de cinco ou seis anos desse bar onde, a cada música, alguém do público era chamado para asumir um lugar na banda. Não seria maravilhoso ter uma platéia inteira de pessoas que poderiam a qualquer momento passar de entretidos a apresentadores? Um bar onde só entra quem tem a habilidade. E mais: todos na platéia tocam maravilhosamente bem.
segunda-feira, dezembro 06, 2004
Epilogo
Alguns anos depois, Bia casou-se com Eduardo
Quisera poder dizer que fiquei deprimido. Suponho que seria o mais verossímil, se minha vida fosse um livro. Aliás, se minha existência realmente fosse confinada a páginas de um romance, suponho que o final mais interessante seria eu ter feito alguma coisa que parasse o casamento. Aquela cena climática do "fale agora ou cale-se para sempre". Ou melhor ainda, que na semana anterior ao casamento, eu tivesse conversado com ela casualmente, e ela tivesse ficado com uma dúvida na cabeça e um aperto no coração ao perceber que eu era o amor da vida dela e ela o meu.
Mas o fato é que a vida não é um livro. A cerimônia, com a liturgia dos dias atuais, não teve o momento daquela frase desafiante (provavelmente porque muitos casamentos já foram arruinados por respostas àquela frase...). Apesar de termos conversado na semana anterior, nada fez acender em mim ou nela qualquer nostalgia amorosa. E principalmente, apesar de eu achar que fosse uma espécie de obrigação emocional minha, eu não senti nada. Nem pontadas de depressão, nem nó na garganta, nem aquela insustentável sensação de perda. Nada. Sorri e desejei-lhes de coração que fossem felizes juntos. A minha história já era outra e a personagem da amada nada tinha a ver com o jeito ou a aparência dela. Paradigmas mudam.
Comportei-me como um fantasma no casamento... Cheguei alguns minutos depois do começo da cerimônia e sentei-me no fundo, no último lugar. O vestido dela era maravilhoso. Cheio de detalhes. Ele estava irreconhecível. No momento das alianças, música do Senhor dos Anéis. Não tenho sequer certeza se ela percebeu que eu compareci. Na saída, só pra ter certeza, puxei conversa com alguns velhos conhecidos. E acho que a avó dela me viu, embora, como o resto da família, tenha preferido ignorar o fato. Irrelevante: o que importa é que eu estive lá. Minha obssessão por rituais na vida me compeliu. Eu precisava de um epílogo para nossa história.
Agora feche o livro e procure alguma outra coisa pra ler.
Quisera poder dizer que fiquei deprimido. Suponho que seria o mais verossímil, se minha vida fosse um livro. Aliás, se minha existência realmente fosse confinada a páginas de um romance, suponho que o final mais interessante seria eu ter feito alguma coisa que parasse o casamento. Aquela cena climática do "fale agora ou cale-se para sempre". Ou melhor ainda, que na semana anterior ao casamento, eu tivesse conversado com ela casualmente, e ela tivesse ficado com uma dúvida na cabeça e um aperto no coração ao perceber que eu era o amor da vida dela e ela o meu.
Mas o fato é que a vida não é um livro. A cerimônia, com a liturgia dos dias atuais, não teve o momento daquela frase desafiante (provavelmente porque muitos casamentos já foram arruinados por respostas àquela frase...). Apesar de termos conversado na semana anterior, nada fez acender em mim ou nela qualquer nostalgia amorosa. E principalmente, apesar de eu achar que fosse uma espécie de obrigação emocional minha, eu não senti nada. Nem pontadas de depressão, nem nó na garganta, nem aquela insustentável sensação de perda. Nada. Sorri e desejei-lhes de coração que fossem felizes juntos. A minha história já era outra e a personagem da amada nada tinha a ver com o jeito ou a aparência dela. Paradigmas mudam.
Comportei-me como um fantasma no casamento... Cheguei alguns minutos depois do começo da cerimônia e sentei-me no fundo, no último lugar. O vestido dela era maravilhoso. Cheio de detalhes. Ele estava irreconhecível. No momento das alianças, música do Senhor dos Anéis. Não tenho sequer certeza se ela percebeu que eu compareci. Na saída, só pra ter certeza, puxei conversa com alguns velhos conhecidos. E acho que a avó dela me viu, embora, como o resto da família, tenha preferido ignorar o fato. Irrelevante: o que importa é que eu estive lá. Minha obssessão por rituais na vida me compeliu. Eu precisava de um epílogo para nossa história.
Agora feche o livro e procure alguma outra coisa pra ler.
sexta-feira, dezembro 03, 2004
Conto 3: Tadzio
Quando ele andava pelas ruas, era tomado por uma hesitação, uma suspeita: seria assaltado se não se cuidasse. Assim que, quando saia do trabalho, deixava guardadas na mochila, além do relógio caro, suas emoções humanas. Caminhava pela rua esquadrinhando tudo com olhos e raciocínio de máquina. Cada figura humana reconhecida tinha seu nível de periculosidade avaliado e as devidas medidas tomadas. O ponto mais crítico era a entrada para o metrô: a multidão era uma massa indivisível de rostos estranhos e ele não conseguia analisá-los um a um. Era Gestalt. Era inato.
Tinha seu modo mecânico de passar pela catraca do metrô sem sequer diminuir a velocidade de seus passos, tamanha era a familiaridade que tinha com todo o processo. Era quase uma reação condicionada e automática à proximidade da máquina.
E então sentou-se no vagão do metrô e abriu o livro que estava terminando de ler. Alí conseguia desligar toda essa preocupação com o mundo exterior e simplesmente descansar nas páginas do livro. As letras tremiam levemente a cada solavanco suave do trem.
Na Tiradentes, alguém sentou-se ao lado dele. Ele não tirou os olhos das páginas. Apenas apreendeu a existência de outra pessoa a seu lado. Mais perto da Sé, ele não resistiu a curiosidade de ao menos saber o sexo da pessoa em questão, e deu uma olhada furtiva, rápida, no rosto da pessoa. Eram olhos azuis. Belíssimos olhos azuis. No rápido flash de visão que se permitira dar, ainda havia conseguido perceber belos lábios cheios e uma pele lisa, muito clara. Cabelos negros ondulados e muito bem cuidades caiam até pouco acima dos ombros. Voltou a ler.
Na Vergueiro, a bela pessoa levantou-se para sair na próxima estação: a Paraíso. Tomaria com certeza a linha verde e ele estava indo nessa direção também. E foi aí que ele percebeu, quando a pessoa segurou nas barras de alumínio do trem, que ela tinha mãos fortes, veias saltadas. Eram mãos de pele clara, delicada. Mas a estrutura toda era austera. E seguindo braço acima com o olhar, deteve-se um momento um tanto longo enquanto indagava se estava ou não vendo o volume de seios por baixo daquele moletom largo.
Na Paraíso, as portas se abriram e a pessoa desceu. Ele esperou alguns segundos antes de saltar do banco e sair pela porta. Tentava sempre ser o último a sair do vagão: que fosse ele seguindo alguém e não sendo seguido. A bela pessoa já caminhava a passos largos para o trêm da linha verde. Os trens naquela estação tinham uma sincronia que permitia saltar de um e entrar no outro se a pouca distância entre eles fosse cruzada com alguma rapidez. Correu os últimos passos atrás da pessoa: um receio de que ela entrasse no trem e ele não. Desespero momentâneo de nunca mais vê-la. Saltou dentro do trêm e a borracha das portas veio beliscar de leve a borracha de seus sapatos. A pessoa cruzou o vagão de ponta a ponta aparentemente sem motivo, indo sentar-se perto da última porta. Ele sentou-e alguns bancos atrás, de modo que ficaram em diagonal um para o outro. Ele já havia guardado o livro na mochila e contentava-se em roubar olhares rápidos, intrigado ainda com a questão irresolvida do gênero daquela pessoa. Era deliciosa a sensação de ser atraído por alguém sem ao menos saber-lhe o sexo. Era uma sensação transgressora, rebelde mesmo. Porque era independente de seu orgulho masculino.
A pessoa dava pequenos sinais de ter percebido a admiração do obssessivo. Devolvia olhares rápidos, igualmente furtivos e levemente incomodados. Fingia-se indiferente. Tentava fixar o olhar na cor creme das paredes do vagão.
Por fim, na Triannon-Masp, a bela pessoa levantou-se de repente e saiu do trem. Foi um movimento súbito, inesperado. Ele esperava ter por perto a presença da pessoa ao menos até a Consolação. E sairía do trem oferecendo-lhe um último olhar de devoção secreta. Mas em vez disso, foi a pessoa que desceu com o mesmo truque que ele empregava ao sair do trem, esperando o último segundo. Fez com que ele tirasse as costas do encosto do banco no susto. Teria a pessoa realmente percebido? O trem colocou-se em movimento e aqueles cabelos ondulados dirigiram-se até a borda da janela enquanto a pessoa virava para subir as escadas.
"Olhe para mim uma última vez." ele sussurrou entre dentes. Queria o estranho azul daqueles olhos. Mas a pessoa sumiu pela borda da janela como um personagem que sai de cena pela borda do palco. Deixou-o com a questão insolúvel na cabeça e o orgulho masculino irremediavelmente ferido.
Na Consolação, foi ele quem desceu do trem. Ainda tinha um ônibus para pegar. No resto do caminho, terminou as últimas páginas do livro, onde o senhor Aschenbach sucumbia à peste e morria vendo o jovem Tadzio caminhar pela praia.
Tinha seu modo mecânico de passar pela catraca do metrô sem sequer diminuir a velocidade de seus passos, tamanha era a familiaridade que tinha com todo o processo. Era quase uma reação condicionada e automática à proximidade da máquina.
E então sentou-se no vagão do metrô e abriu o livro que estava terminando de ler. Alí conseguia desligar toda essa preocupação com o mundo exterior e simplesmente descansar nas páginas do livro. As letras tremiam levemente a cada solavanco suave do trem.
Na Tiradentes, alguém sentou-se ao lado dele. Ele não tirou os olhos das páginas. Apenas apreendeu a existência de outra pessoa a seu lado. Mais perto da Sé, ele não resistiu a curiosidade de ao menos saber o sexo da pessoa em questão, e deu uma olhada furtiva, rápida, no rosto da pessoa. Eram olhos azuis. Belíssimos olhos azuis. No rápido flash de visão que se permitira dar, ainda havia conseguido perceber belos lábios cheios e uma pele lisa, muito clara. Cabelos negros ondulados e muito bem cuidades caiam até pouco acima dos ombros. Voltou a ler.
Na Vergueiro, a bela pessoa levantou-se para sair na próxima estação: a Paraíso. Tomaria com certeza a linha verde e ele estava indo nessa direção também. E foi aí que ele percebeu, quando a pessoa segurou nas barras de alumínio do trem, que ela tinha mãos fortes, veias saltadas. Eram mãos de pele clara, delicada. Mas a estrutura toda era austera. E seguindo braço acima com o olhar, deteve-se um momento um tanto longo enquanto indagava se estava ou não vendo o volume de seios por baixo daquele moletom largo.
Na Paraíso, as portas se abriram e a pessoa desceu. Ele esperou alguns segundos antes de saltar do banco e sair pela porta. Tentava sempre ser o último a sair do vagão: que fosse ele seguindo alguém e não sendo seguido. A bela pessoa já caminhava a passos largos para o trêm da linha verde. Os trens naquela estação tinham uma sincronia que permitia saltar de um e entrar no outro se a pouca distância entre eles fosse cruzada com alguma rapidez. Correu os últimos passos atrás da pessoa: um receio de que ela entrasse no trem e ele não. Desespero momentâneo de nunca mais vê-la. Saltou dentro do trêm e a borracha das portas veio beliscar de leve a borracha de seus sapatos. A pessoa cruzou o vagão de ponta a ponta aparentemente sem motivo, indo sentar-se perto da última porta. Ele sentou-e alguns bancos atrás, de modo que ficaram em diagonal um para o outro. Ele já havia guardado o livro na mochila e contentava-se em roubar olhares rápidos, intrigado ainda com a questão irresolvida do gênero daquela pessoa. Era deliciosa a sensação de ser atraído por alguém sem ao menos saber-lhe o sexo. Era uma sensação transgressora, rebelde mesmo. Porque era independente de seu orgulho masculino.
A pessoa dava pequenos sinais de ter percebido a admiração do obssessivo. Devolvia olhares rápidos, igualmente furtivos e levemente incomodados. Fingia-se indiferente. Tentava fixar o olhar na cor creme das paredes do vagão.
Por fim, na Triannon-Masp, a bela pessoa levantou-se de repente e saiu do trem. Foi um movimento súbito, inesperado. Ele esperava ter por perto a presença da pessoa ao menos até a Consolação. E sairía do trem oferecendo-lhe um último olhar de devoção secreta. Mas em vez disso, foi a pessoa que desceu com o mesmo truque que ele empregava ao sair do trem, esperando o último segundo. Fez com que ele tirasse as costas do encosto do banco no susto. Teria a pessoa realmente percebido? O trem colocou-se em movimento e aqueles cabelos ondulados dirigiram-se até a borda da janela enquanto a pessoa virava para subir as escadas.
"Olhe para mim uma última vez." ele sussurrou entre dentes. Queria o estranho azul daqueles olhos. Mas a pessoa sumiu pela borda da janela como um personagem que sai de cena pela borda do palco. Deixou-o com a questão insolúvel na cabeça e o orgulho masculino irremediavelmente ferido.
Na Consolação, foi ele quem desceu do trem. Ainda tinha um ônibus para pegar. No resto do caminho, terminou as últimas páginas do livro, onde o senhor Aschenbach sucumbia à peste e morria vendo o jovem Tadzio caminhar pela praia.
36a Anual de Artes Plásticas da FAAP
Passei pela FAAP nesses dias para ver o que a jovem geração de artistas anda fazendo. A Anual deste ano, apesar de ter poucos trabalhos bon, tinha sim alguns muito bons.
Anotei no meu caderno sobre os vídeos de Rita Meireles, em especial o entitulado Paisagem em Setembro. Nele, vemos através do vidro de uma janela, a paisagem noturna da cidade, os prédios com luzes acesas e antenas piscando sob um céu noturno nublado. Em seguida, a silueta da mão da artista entra em cena e faz escorrer no vidro um gel translúcido que distorce a imagem dos prédios à medida que escorre para a base do vidro. A impressão que dá é que a cidade está derretendo. Meireles experimenta mais a fundo, borrifando um pouco mais do gel e fazendo a imagem pulverizar-se, ou varrendo o gel com um pano e criando padrões. Finalmente, ela começa a secar o gel do vidro, voltando quase à imagem inicial da cidade. Adorei a idéia de mexer com a própria paisagem, a técnica tão lógica e ainda tão simples.
Ao lado dela, um rapaz que chamou-se apenas de R. Sassi apresentou uma série de autoretratos em fotos de Polaroid. O rosto não tinha nada de chamativo. O que era tão especial sobre o trabalho era o lugar das fotos. Cada uma das três séries foi tirada dentro de um banheiro de alguma instituição de arte (a Pinacoteca, a Bienal e uma terceira que não lembro). Algumas fotos documentavam que ele não só tirava essas fotos nos banheiros, como ainda as colava nas paredes, com etiquetas que diziam
"R. Sassi
Autoretrato no banheiro da Bienal (ou respectivo banheiro...)
Fotografia
2004"
como uma obra de arte exposta na instituição. Me fez pensar um bocado. Sobre o fato dos banheiros desses lugares serem os únicos recintos onde o visitante está aparentemente a salvo do assalto das obras de arte e que Sassi tentava "corrigir" isso. Ou ainda, que ele havia achado um jeito meio cômico ou até patético de dizer "estou expondo um trabalho meu na Bienal / Pinacoteca".
Mais à frente, Bruno Faria havia deixado uma porção de armações quadradas de cobre, medindo exatamente um metro quadrado, com alças. Ao lado, fotos documentavam a performance com essas armações, que eram vestidas de modo que a pessoa tinha o quadrado de cobre em volta dela, na horizontal, criando uma distáncia forçada de um metro entre ela e qualquer outro transeunte. O trabalho tinha o nome redundante de Metro quadrado, mas me lembrou da angústia de minha mãe, que dizia que a cidade tem tanta gente, que ficam todos entrando no caminho uns dos outros, criando obstáculos uns para os outros. De qualquer forma, um comentário cômico e interessante sobre superpopulação.
Por alí também encontrei fotos de Fernanda Assumpção, chamadas Percepção. Eram fotos de fachadas de casas contruídas em ladeiras íngremes. Porém a referência da foto não era a ortogonalidade da casa, mas sim a ladeira como base. Imagine que ela trouxe a máquina e um tripé até o local e colocou a máquino sobre o tripé na ladeira. Nas fotos, vê-se a calçada seguindo a base da foto perfeitamente, e a casa em questão construída em diagonal, em um ângulo bizarro, como se o arquiteto responsável não tivesse o mínimo respeito pelo conforto dos moradores. Carros estão estacionados nas garagens como se a qualquer momento pudessem virar de lado. O título, neste caso, só vem complementar a idéia, fazendo-me pensar que realmente nossa percepção das coisas depende apenas da referência tomada.
Na saída, passei pelo vídeo de Rogério Dal `Mas e Farinha, chamado Die. Não é que tenha me maravilhado, mas ficou na cabeça. Trata-se de um único movimento de uma câmera que gira sobre seu eixo para ver um quarto inteiro. Porém esse movimento foi executado duas vezes, primeiro com uma filmagem comum, e depois aparentemente com visão noturna, caracterizada pelas imagens monocromáticas verdes e pelas pupilas absurdamente dilatadas dos personagens. Agora imagine que, ao passar o filme para o público, esse movimento é feito uma única vez, e a imagem alterna em sussessão rápida entre a filmagem normal e a visão noturna, criando um efeito pertubador de imagem dupla. O que mostra o vídeo? A imagem começa com um rosto de uma garotinha em close exagerado. Ela está de boca aberta em uma expresão de espanto e o brilho na face sugere lágrimas que rolaram. A câmera gira pelo quarto pouco decorado com móveis simples, até terminar na figura de uma mulher deitada no chão totalmente torta, vestindo uma saia de tule espalhada pelo chão que lhe cobre boa parte da figura. Em seguida, a imagem volta como no rewind de um vídeocassete, para a menina de boca aberta. A trilha sonora fica a cargo da música violenta do Atari Teenage Riot. Definitivamente não recomendado para portadores de epilepsia, como avisado no começo do vídeo.
Fez-me pensar em um vídeo que quero fazer algum dia, também com alternância de imagens, onde as imagens A mostrarão a primeira metade do filme, e as imagens B mostrarão a segunda. O som deve ser mixado de acordo. A intenção é provocar um efeito de compressão de informação parecido com um zip de arquivos de computador. Deu pra entender?
Anyway, Achei que o tema desta Anual ficou bem a cargo de arte conceitual ou arte lógica. Aquele tipo que tem o seu quê de ciência, de empírico. Coisas que têm resposta para aquela pergunta normalmente feita pelos leigos: "o que isso significa?". Assim como a 34a Anual, que eu participei com a Virgem e o Menino e o retrato da Tink era centrada no retorno à pintura, às questões da imagem bidimensional, do uso de tinta.
Suponho que eu teria gostado de participar desta Anual.
Anotei no meu caderno sobre os vídeos de Rita Meireles, em especial o entitulado Paisagem em Setembro. Nele, vemos através do vidro de uma janela, a paisagem noturna da cidade, os prédios com luzes acesas e antenas piscando sob um céu noturno nublado. Em seguida, a silueta da mão da artista entra em cena e faz escorrer no vidro um gel translúcido que distorce a imagem dos prédios à medida que escorre para a base do vidro. A impressão que dá é que a cidade está derretendo. Meireles experimenta mais a fundo, borrifando um pouco mais do gel e fazendo a imagem pulverizar-se, ou varrendo o gel com um pano e criando padrões. Finalmente, ela começa a secar o gel do vidro, voltando quase à imagem inicial da cidade. Adorei a idéia de mexer com a própria paisagem, a técnica tão lógica e ainda tão simples.
Ao lado dela, um rapaz que chamou-se apenas de R. Sassi apresentou uma série de autoretratos em fotos de Polaroid. O rosto não tinha nada de chamativo. O que era tão especial sobre o trabalho era o lugar das fotos. Cada uma das três séries foi tirada dentro de um banheiro de alguma instituição de arte (a Pinacoteca, a Bienal e uma terceira que não lembro). Algumas fotos documentavam que ele não só tirava essas fotos nos banheiros, como ainda as colava nas paredes, com etiquetas que diziam
"R. Sassi
Autoretrato no banheiro da Bienal (ou respectivo banheiro...)
Fotografia
2004"
como uma obra de arte exposta na instituição. Me fez pensar um bocado. Sobre o fato dos banheiros desses lugares serem os únicos recintos onde o visitante está aparentemente a salvo do assalto das obras de arte e que Sassi tentava "corrigir" isso. Ou ainda, que ele havia achado um jeito meio cômico ou até patético de dizer "estou expondo um trabalho meu na Bienal / Pinacoteca".
Mais à frente, Bruno Faria havia deixado uma porção de armações quadradas de cobre, medindo exatamente um metro quadrado, com alças. Ao lado, fotos documentavam a performance com essas armações, que eram vestidas de modo que a pessoa tinha o quadrado de cobre em volta dela, na horizontal, criando uma distáncia forçada de um metro entre ela e qualquer outro transeunte. O trabalho tinha o nome redundante de Metro quadrado, mas me lembrou da angústia de minha mãe, que dizia que a cidade tem tanta gente, que ficam todos entrando no caminho uns dos outros, criando obstáculos uns para os outros. De qualquer forma, um comentário cômico e interessante sobre superpopulação.
Por alí também encontrei fotos de Fernanda Assumpção, chamadas Percepção. Eram fotos de fachadas de casas contruídas em ladeiras íngremes. Porém a referência da foto não era a ortogonalidade da casa, mas sim a ladeira como base. Imagine que ela trouxe a máquina e um tripé até o local e colocou a máquino sobre o tripé na ladeira. Nas fotos, vê-se a calçada seguindo a base da foto perfeitamente, e a casa em questão construída em diagonal, em um ângulo bizarro, como se o arquiteto responsável não tivesse o mínimo respeito pelo conforto dos moradores. Carros estão estacionados nas garagens como se a qualquer momento pudessem virar de lado. O título, neste caso, só vem complementar a idéia, fazendo-me pensar que realmente nossa percepção das coisas depende apenas da referência tomada.
Na saída, passei pelo vídeo de Rogério Dal `Mas e Farinha, chamado Die. Não é que tenha me maravilhado, mas ficou na cabeça. Trata-se de um único movimento de uma câmera que gira sobre seu eixo para ver um quarto inteiro. Porém esse movimento foi executado duas vezes, primeiro com uma filmagem comum, e depois aparentemente com visão noturna, caracterizada pelas imagens monocromáticas verdes e pelas pupilas absurdamente dilatadas dos personagens. Agora imagine que, ao passar o filme para o público, esse movimento é feito uma única vez, e a imagem alterna em sussessão rápida entre a filmagem normal e a visão noturna, criando um efeito pertubador de imagem dupla. O que mostra o vídeo? A imagem começa com um rosto de uma garotinha em close exagerado. Ela está de boca aberta em uma expresão de espanto e o brilho na face sugere lágrimas que rolaram. A câmera gira pelo quarto pouco decorado com móveis simples, até terminar na figura de uma mulher deitada no chão totalmente torta, vestindo uma saia de tule espalhada pelo chão que lhe cobre boa parte da figura. Em seguida, a imagem volta como no rewind de um vídeocassete, para a menina de boca aberta. A trilha sonora fica a cargo da música violenta do Atari Teenage Riot. Definitivamente não recomendado para portadores de epilepsia, como avisado no começo do vídeo.
Fez-me pensar em um vídeo que quero fazer algum dia, também com alternância de imagens, onde as imagens A mostrarão a primeira metade do filme, e as imagens B mostrarão a segunda. O som deve ser mixado de acordo. A intenção é provocar um efeito de compressão de informação parecido com um zip de arquivos de computador. Deu pra entender?
Anyway, Achei que o tema desta Anual ficou bem a cargo de arte conceitual ou arte lógica. Aquele tipo que tem o seu quê de ciência, de empírico. Coisas que têm resposta para aquela pergunta normalmente feita pelos leigos: "o que isso significa?". Assim como a 34a Anual, que eu participei com a Virgem e o Menino e o retrato da Tink era centrada no retorno à pintura, às questões da imagem bidimensional, do uso de tinta.
Suponho que eu teria gostado de participar desta Anual.
terça-feira, novembro 30, 2004
Random Literature
We had known each other only through written words and an occasional picture here or there. So, besides finding so many little details in common, each one knew what the other looked like. Yet, meeting her in the flesh was every bit as shocking as I had anticipated. Because it was seeing this image I already knew with the benefit of movement and a voice of her own. And that alone gave her character a whole new depth.
No... Not even her image was exactly the same. It was as if, when she posed for a picture, she would wear a different face. I could see it there, in the moving, speaking version of her, but only barely. Like a picture that has been tampered with Photoshop. It wasn`t the image I was used to.
It wasn`t only for the fact that she was smaller than I had imagined. But then again, in my inferiority complex, I always picture people being a lot bigger. No: this image of hers had more sharpness. That was it. There were many more details in that grinning face as I had seen in any of her pictures. The shadows were darker, the skin was more... real.
And she seemed to be in a perpetually cheerful mood. Yet another endearing little child. No matter the dark clothing, the piercings, the long-haired men in heavy-metal T-shirts around her. She was gleeful as a child.
No... Not even her image was exactly the same. It was as if, when she posed for a picture, she would wear a different face. I could see it there, in the moving, speaking version of her, but only barely. Like a picture that has been tampered with Photoshop. It wasn`t the image I was used to.
It wasn`t only for the fact that she was smaller than I had imagined. But then again, in my inferiority complex, I always picture people being a lot bigger. No: this image of hers had more sharpness. That was it. There were many more details in that grinning face as I had seen in any of her pictures. The shadows were darker, the skin was more... real.
And she seemed to be in a perpetually cheerful mood. Yet another endearing little child. No matter the dark clothing, the piercings, the long-haired men in heavy-metal T-shirts around her. She was gleeful as a child.
Novo blog!
Apesar de ainda não ter escrito nada, estou participando de um blog em conjunto com alguns amigos meus do curso de publicidade. Chama-se Umas Cabeças e o Dobro de Mãos e é onde nós publicaremos nossos pequenos contos, sátiras e coisas em estilo diferente desse estilo confidencial de diário do blog. Já coloquei um link na minha lista.
Este blog continuará normalmente, e meus contos serão publicados em ambos.
Este blog continuará normalmente, e meus contos serão publicados em ambos.
sexta-feira, novembro 26, 2004
Como termina?
Devo ter uns quatro ou cinco contos não terminados aqui no blog. Na verdade, comecei a escrever esses contos faz algum tempo. Sempre baseados em idéias legais em termos de trama literária. Como não tenho mais tempo nem treino para lidar com um livro (coisa que pretendo fazer de novo após alguma prática...), escrevo essas idéias na forma de pequenos contos. Mas aí sempre surge o mesmo problema: como termina a cena? Não sou muito bom para finais. Tenho boas idéias para as cenas intermediárias, às vezes até para bons começos. Mas são os fins que me travam. Aí eu deixo pra terminar algum outro dia e obviamente nunca termino.
Alguém aí conhece algo de teoria literária que possa me ajudar a pensar em um fim?
Alguém aí conhece algo de teoria literária que possa me ajudar a pensar em um fim?
quinta-feira, novembro 25, 2004
Weird links from Mac Hall
Radiohead clip, animated in Flash. Great animation, by the way!
Citroen comercial.
Proof that not all bunnies are that good at multiplying...
Citroen comercial.
Proof that not all bunnies are that good at multiplying...
quarta-feira, novembro 24, 2004
Archives page is up and running
After a short while without my archives page, it`s finally been redesigned and is now running normally. So, if you missed any chapters, just dig in!!
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Depois de algum tempo sem a página de arquivos, ela finalmente foi redesenhada e está no funcionando normalmente. Assim que, se vocie perdeu algum capítulo, pode procurar!!
E vocês que estavam interessados no conto anterior que eu tinha escrito, está no final do mês passado, dia 25 de Outubro.
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Página de arquivos está no ar
Depois de algum tempo sem a página de arquivos, ela finalmente foi redesenhada e está no funcionando normalmente. Assim que, se vocie perdeu algum capítulo, pode procurar!!
E vocês que estavam interessados no conto anterior que eu tinha escrito, está no final do mês passado, dia 25 de Outubro.
terça-feira, novembro 23, 2004
Conto 2
(Nota do autor: este aqui é um pouco mais fictício que o outro. Talvez por isso mesmo a qualidade e aquela sensação de verossimilhança sejam menores...)
- "Prove!" ele exigia. Com um gesto rápido, apontou a arma para o centro da testa dela.
- "Meu amor... Você tá duvidando de mim?" ela respondeu. O rosto em uma máscara de medo, as mãos estendidas com as palmas para cima em um gesto de súplica. "Você não confia em mim?" ela insistiu.
O tiro varou a cabeça dela, saindo pelo outro lado. Concentrava toda a raiva dele na fina linha traçada pelo projétil. Era raiva de saber que sua verdadeira namorada estava morta há muito tempo.
A figura torceu a cabeça para o lado e engasgou, expelindo sangue verde pela boca e pelas feridas. E então desabou no chão. O tiro ainda ecoava e conjurava lembranças remotas na cabeça dele.
***
Foram apresentdos um ao outro no verão de 98. Menos de um ano depois estavam namorando. Eram dias intensos. Tudo era muito rápido e visceral. Amavam-se com a devoção e a certeza do "para sempre". E confiança era tudo.
Fizeram teatro juntos no começo de 2000. Formavam um par soberbo nos palcos justamente pela capacidade de não duvidar um do outro. De saber que o outro estaria lá para aparar uma queda, improvisar um texto esquecido, entrar precisamente em uma deixa. No final do ano, o circo. Embora nunca tivessem tentado o número de trapézio, as acrobacias de solo foram um prato cheio.
No inverno do ano seguinte, fizeram uma viagem para a Argentina. Em Bariloche, a neve no pico das montanhas. Uma semana após a chegada, pequenas lascerações começaram a aparecer na boca dele. Ela não soube bem como surgiu o assunto, mas de súbito havia a suspeita de que ele tivesse herpes. Ele dizia que não era isso. Que era o frio. E o que começou como zombaria logo tornou-se sério. "Prove!" ela havia dito. No dia seguinte, ele estava no posto médico mais próximo.
Não estava zangado com a desconfiança. Ao contrário, procurou os exames como uma prova de amor. Havia passado a noite anterior acordado, aterrorizado pela sensação de que este incidente da suposta herpes pudesse destruir a extraordinária conexão e confiança que havia entre eles. Horrorosa era a noção de que este incidente seria um marco a partir do qual tudo entre eles iria ruir.
Pouco tempo depois, ele trouxe o resultado do exame: negativo. Prometeram-se que jamais se zangariam com pedidos de prova como aquele. Que provariam o que fosse preciso, sem hesitar, sem se ultrajar com o pedido. Porque manter o que eles tinham era muito mais importante. Porque toda prova apresentada não era uma forma de esfregar o erro do outro na cara, mas sim uma forma de reiterar a confiança. Era uma promessa fora do comum, para um relacionamento fora do comum.
Após os inexplicáveis eventos que deixaram o mundo perplexo no início de 2005, tudo mudou. Ele não conseguia lembrar precisamente desde quando as coisas estava diferentes entre eles. Mas sabia o que havia mudado: o que antes não precisava de palavras para ser compreendido agora precisava de explicações minuciosas. Depois de algum tempo, este excesso de palavras cessou. Não era que ela houvesse voltado àquele estado de comunicação quase telepática com ele. Calara-se em corpo e alma. Não trocavam palavra às vezes por dias inteiros.
Quando a verdade veio à tona sobre as pessoas enlouquecidas que apareciam nos jornais, ele começou a desconfiar dela. Desconfiança. As coisas haviam realmente mudado. Em uma quinta-feira, ele deixou o trabalho duas horas antes e visitou uma loja de armas. Comprou um revólver simples e munição. Em casa, na garagem, muniu a arma com duas balas. Pra ter certeza. E para que ela não tivesse uma arma inteira carregada caso conseguisse desarmá-lo.
Sem rodeios: entrou em casa, encontrou-a saindo da cozinha e disse em voz calma que ela não era sua garota. A mão dentro do bolso da jaqueta suava ao redor do revólver. Ela chamou aquilo tudo de besteira. Insensatez mesmo.
- "Prove!" ele exigiu. Com um gesto rápido, apontou a arma para o centro da testa dela.
- "Meu amor... Você tá duvidando de mim?" ela respondeu. O rosto em uma máscara de medo, as mãos estendidas com as palmas para cima em um gesto de súplica. "Você não confia em mim?" ela insistiu.
Entenda, no contexto dos anos que haviam passado juntos, era impensável ela sequer perguntar aquilo. O gatilho foi apertado em um impulso quase automático disparado por aquela frase. Ele sentiu a arma inchar na mão e cuspir o projétil em linha reta. Se pudesse tomar uma faca e marcar no próprio tecido do tempo e espaço a trajetória daquela bala, teria-o feito com toda a raiva do descontrole.
Depois que aquela forma desabou no chão, ele desabou a chorar. Encolheu-se no outro canto da sala e chorava mais e mais a cada vez que olhava para o corpo. Chorava pelo amor que ainda tinha por ela e que era lembrado naquele rosto perfurado. Chorava pelo ódio que tinha daquela coisa que nem era humana.
A ausência tão absurda de sincronia atingiu-o em um insight insuportável: ela morta e ele vivo; o amor e o ódio sendo inspirados pela mesma figura.
Finalmente percebeu que ainda segurava a arma: restava uma bala.
- "Prove!" ele exigia. Com um gesto rápido, apontou a arma para o centro da testa dela.
- "Meu amor... Você tá duvidando de mim?" ela respondeu. O rosto em uma máscara de medo, as mãos estendidas com as palmas para cima em um gesto de súplica. "Você não confia em mim?" ela insistiu.
O tiro varou a cabeça dela, saindo pelo outro lado. Concentrava toda a raiva dele na fina linha traçada pelo projétil. Era raiva de saber que sua verdadeira namorada estava morta há muito tempo.
A figura torceu a cabeça para o lado e engasgou, expelindo sangue verde pela boca e pelas feridas. E então desabou no chão. O tiro ainda ecoava e conjurava lembranças remotas na cabeça dele.
Foram apresentdos um ao outro no verão de 98. Menos de um ano depois estavam namorando. Eram dias intensos. Tudo era muito rápido e visceral. Amavam-se com a devoção e a certeza do "para sempre". E confiança era tudo.
Fizeram teatro juntos no começo de 2000. Formavam um par soberbo nos palcos justamente pela capacidade de não duvidar um do outro. De saber que o outro estaria lá para aparar uma queda, improvisar um texto esquecido, entrar precisamente em uma deixa. No final do ano, o circo. Embora nunca tivessem tentado o número de trapézio, as acrobacias de solo foram um prato cheio.
No inverno do ano seguinte, fizeram uma viagem para a Argentina. Em Bariloche, a neve no pico das montanhas. Uma semana após a chegada, pequenas lascerações começaram a aparecer na boca dele. Ela não soube bem como surgiu o assunto, mas de súbito havia a suspeita de que ele tivesse herpes. Ele dizia que não era isso. Que era o frio. E o que começou como zombaria logo tornou-se sério. "Prove!" ela havia dito. No dia seguinte, ele estava no posto médico mais próximo.
Não estava zangado com a desconfiança. Ao contrário, procurou os exames como uma prova de amor. Havia passado a noite anterior acordado, aterrorizado pela sensação de que este incidente da suposta herpes pudesse destruir a extraordinária conexão e confiança que havia entre eles. Horrorosa era a noção de que este incidente seria um marco a partir do qual tudo entre eles iria ruir.
Pouco tempo depois, ele trouxe o resultado do exame: negativo. Prometeram-se que jamais se zangariam com pedidos de prova como aquele. Que provariam o que fosse preciso, sem hesitar, sem se ultrajar com o pedido. Porque manter o que eles tinham era muito mais importante. Porque toda prova apresentada não era uma forma de esfregar o erro do outro na cara, mas sim uma forma de reiterar a confiança. Era uma promessa fora do comum, para um relacionamento fora do comum.
Após os inexplicáveis eventos que deixaram o mundo perplexo no início de 2005, tudo mudou. Ele não conseguia lembrar precisamente desde quando as coisas estava diferentes entre eles. Mas sabia o que havia mudado: o que antes não precisava de palavras para ser compreendido agora precisava de explicações minuciosas. Depois de algum tempo, este excesso de palavras cessou. Não era que ela houvesse voltado àquele estado de comunicação quase telepática com ele. Calara-se em corpo e alma. Não trocavam palavra às vezes por dias inteiros.
Quando a verdade veio à tona sobre as pessoas enlouquecidas que apareciam nos jornais, ele começou a desconfiar dela. Desconfiança. As coisas haviam realmente mudado. Em uma quinta-feira, ele deixou o trabalho duas horas antes e visitou uma loja de armas. Comprou um revólver simples e munição. Em casa, na garagem, muniu a arma com duas balas. Pra ter certeza. E para que ela não tivesse uma arma inteira carregada caso conseguisse desarmá-lo.
Sem rodeios: entrou em casa, encontrou-a saindo da cozinha e disse em voz calma que ela não era sua garota. A mão dentro do bolso da jaqueta suava ao redor do revólver. Ela chamou aquilo tudo de besteira. Insensatez mesmo.
- "Prove!" ele exigiu. Com um gesto rápido, apontou a arma para o centro da testa dela.
- "Meu amor... Você tá duvidando de mim?" ela respondeu. O rosto em uma máscara de medo, as mãos estendidas com as palmas para cima em um gesto de súplica. "Você não confia em mim?" ela insistiu.
Entenda, no contexto dos anos que haviam passado juntos, era impensável ela sequer perguntar aquilo. O gatilho foi apertado em um impulso quase automático disparado por aquela frase. Ele sentiu a arma inchar na mão e cuspir o projétil em linha reta. Se pudesse tomar uma faca e marcar no próprio tecido do tempo e espaço a trajetória daquela bala, teria-o feito com toda a raiva do descontrole.
Depois que aquela forma desabou no chão, ele desabou a chorar. Encolheu-se no outro canto da sala e chorava mais e mais a cada vez que olhava para o corpo. Chorava pelo amor que ainda tinha por ela e que era lembrado naquele rosto perfurado. Chorava pelo ódio que tinha daquela coisa que nem era humana.
A ausência tão absurda de sincronia atingiu-o em um insight insuportável: ela morta e ele vivo; o amor e o ódio sendo inspirados pela mesma figura.
Finalmente percebeu que ainda segurava a arma: restava uma bala.
O Misterio de Lala`s Joe
Há alguns dias, Lala`s Joe deixou um comentário em um dos meus posts. Dizia que eu o conhecia mas que ele iria fazer-se de desconhecido. Deixou apenas um endereço de blog e esse nome estranho, mas com estilo. Fui ao blog e logo assumi, pelo estilo de texto, que fosse um rapaz que conheci no trabalho. Um que tinha um estilo assim, questionador, porém moderno, interessante, fora da rotina e apatia. Deixei um comentário. E a história teria acabado aí, com mais um blog na minha lista de Plaindwellers and Edgewalkers, e Lala`s Joe teria caído naquele limbo entre a rotina e o esquecimento. Eu passaria no blog dele todas as manhãs, como faço em todos os da minha lista. Porém Joe me respondeu, dizendo que eu havia me enganado. Mal sabe ele o que isso faz com uma mente levemente obssessiva como a minha. No dia, vasculhei o blog dele atrás de pistas. Suprimi uma vontade de sair por aí perguntando a conhecidos se eram Lala`s Joe. O mistério era muito mais intrigante do que uma resposta fácil.
Pois bem, Joe... Por enquanto, suponho que você trabalhe comigo. Seu blog comentava qualquer coisa sobre o Carlos Castello Branco no post de 22 de Outubro (não disse que eu era obssessivo?). E a julgar pelo gosto musical estilo "cult desconhecido" (contradição de termos, eu sei...), já posso excluir algumas pessoas que não teriam cabeça pra isso. A paixão por animais (uma área inteira de links sobre ONGs a respeito...) soa familiar, embora eu tenha esquecido quem tinha essa paixão toda por bichos...
Onde foi que eu deixei minha lente de aumento, o chachimbo e o chapéu esquisito?
Pois bem, Joe... Por enquanto, suponho que você trabalhe comigo. Seu blog comentava qualquer coisa sobre o Carlos Castello Branco no post de 22 de Outubro (não disse que eu era obssessivo?). E a julgar pelo gosto musical estilo "cult desconhecido" (contradição de termos, eu sei...), já posso excluir algumas pessoas que não teriam cabeça pra isso. A paixão por animais (uma área inteira de links sobre ONGs a respeito...) soa familiar, embora eu tenha esquecido quem tinha essa paixão toda por bichos...
Onde foi que eu deixei minha lente de aumento, o chachimbo e o chapéu esquisito?
segunda-feira, novembro 22, 2004
MSN Hai Kai
Aquele meu professor de mídia digital estava falando esses dias sobre MSN. Dizia que tem nomes lá que parecem hai kai, aquele estilo de poema japonês com apenas três estrofes.
(*)Fulano Não esta sendo um bom dia portanto não falem comigo is online...
MSN FICA LOGANDO SOZINHO, QUE DROGAAAAAAA :@ is online...
Deu pra entender, né?
Tem outros que na verdade anulam o objetivo de se ter um nome, que é identificar a pessoa. Vejo alguns na minha lista que colocam uma frase espirituosa toda vez que entram no programa. Claro, é legal e tudo. E quando você tem apenas um desses na sua lista, você sabe quem é e acha até original. Mesmo quando tem apenas uns dois ou três assim, você ainda consegue identificá-los pelo estilo da frase, o vocabulário empregado. Tem palavras que são marca registrada de algumas pessoas. Mas quando começam a aparecer umas cinco ou seis pessoas citando letras de música diferentes a cada dia, a coisa complica. Por que aí, pra saber, só abrindo uma janela e dando uma olhada no e-mail do indivíduo.
Estive pensando sobre essa coisa da internet: você escolhe o seu próprio nome. Você parece ter mais controle sobre a criação da sua própria identidade. Porque no mundo real, você nasce com um nome e, salvo uma ou outra cultura ou toneladas de burocracia, você vai morrer com ele. Você não teve opinião na escolha desse nome. Colocaram ele em você e você vai ter que viver com ele, mesmo que seja alguma coisa incomum como Asclépio ou Deoclesiano ou ainda Epaminondas. Já na internet você pode resolver que Vandercleiton não é um nome legal e passar a ser chamado de qualquer coisa pomposa como Cereal Killer ou Lord Hacker. De repente você resolve que é um deus nórdico e muda pra Odin. Ou resolve ser minimalista e coloca algo como mah. Sem falar naquela gramática de viciado: L337 SK8R is online...
Tá bom, com o nome que eu me coloquei, eu também não sou inocente. Já calei.
(*)Fulano Não esta sendo um bom dia portanto não falem comigo is online...
MSN FICA LOGANDO SOZINHO, QUE DROGAAAAAAA :@ is online...
Deu pra entender, né?
Tem outros que na verdade anulam o objetivo de se ter um nome, que é identificar a pessoa. Vejo alguns na minha lista que colocam uma frase espirituosa toda vez que entram no programa. Claro, é legal e tudo. E quando você tem apenas um desses na sua lista, você sabe quem é e acha até original. Mesmo quando tem apenas uns dois ou três assim, você ainda consegue identificá-los pelo estilo da frase, o vocabulário empregado. Tem palavras que são marca registrada de algumas pessoas. Mas quando começam a aparecer umas cinco ou seis pessoas citando letras de música diferentes a cada dia, a coisa complica. Por que aí, pra saber, só abrindo uma janela e dando uma olhada no e-mail do indivíduo.
Estive pensando sobre essa coisa da internet: você escolhe o seu próprio nome. Você parece ter mais controle sobre a criação da sua própria identidade. Porque no mundo real, você nasce com um nome e, salvo uma ou outra cultura ou toneladas de burocracia, você vai morrer com ele. Você não teve opinião na escolha desse nome. Colocaram ele em você e você vai ter que viver com ele, mesmo que seja alguma coisa incomum como Asclépio ou Deoclesiano ou ainda Epaminondas. Já na internet você pode resolver que Vandercleiton não é um nome legal e passar a ser chamado de qualquer coisa pomposa como Cereal Killer ou Lord Hacker. De repente você resolve que é um deus nórdico e muda pra Odin. Ou resolve ser minimalista e coloca algo como mah. Sem falar naquela gramática de viciado: L337 SK8R is online...
Tá bom, com o nome que eu me coloquei, eu também não sou inocente. Já calei.
Ontem chegou a conta de luz e gás em casa. No canto superior direito, lá estava meu trabalho. Um personagem criado por um dos diretores de arte da agência e que eu passei o meu primeiro mês de trabalho desenhando nas mais diversas situações imagináveis. Fiquei orgulhoso: mostrei para minha mãe, meu pai e até meu irmão. Era meu trabalho. Finalmente.
Ver uma coisa minha veiculada assim é uma espécie de marco para mim. Mas não vou escrever mais sobre isso porque me sinto torpe discorrendo sobre um orgulho infantil assim.
Ver uma coisa minha veiculada assim é uma espécie de marco para mim. Mas não vou escrever mais sobre isso porque me sinto torpe discorrendo sobre um orgulho infantil assim.
sexta-feira, novembro 19, 2004
Gostinho rapido de vida...
Lava a alma fazer alguém que antes tinha sofrido tanto por sua causa morrer de rir.
Para quem postou um comment anônimo no post de 12 de Novembro...
Liberdade é uma questão muito ampla que depende do ponto de vista. Não vale discutir isso aqui. Quanto a religião, sou ateu e nem por isso sou menos civilizado. Não acho que a religião seja a única coisa que sustenta a raça humana. Acho sim que é um instrumento de controle formidável que ainda funciona que é uma beleza para acalmar as massas mais pobres que, se não se resignassem à miséria com a promessa de um pós-vida recompensador, se rebelariam com mais frequência. Quanto a Darwin, a seleção natural foi substituída pela seleção social que em nada tem a ver com religião. Tem a ver com quem tem mais dinheiro, consegue mais bens de consumo que lhe conferem status e mais educação que lhe confere qualificação profissional. Onde entra a religião nisso?
Considerações sobre festas de aniversário
A festa de ontem foi ótima. Não conhecia o bar, e com certeza pretendo frequentá-lo mais vezes.
Não poupo oportunidades para dizer o quanto meu irmão toca bem sua música, mas ontem foi algo além do normal. Não conhecia esta banda de samba e chorinho dele. E foi muito bom ouvir as músicas que ele normalmente ensaia em casa tocadas com acompanhamento que não venha de CDs... Músicos muito criativos e improvisadores!
Além das pessoas de sempre, que aparecem nas nossa baladinhas com uma fidelidade quase mafiosa e tão lisonjeira quanto (vocês sabem quem são: adoro todos!), fiquei surpreso ao ver chegarem alguns velhos amigos que não esperava que respondessem ao chamado (valeu Nanda, Tarsi, Rafa...). E um pouco desapontado por não encontrar alguns dos novos amigos que tenho feito recentemente pela internet. Suponho que ainda seja cedo para essas demonstrações de amizade.
Não vou tentar enfeitar a realidade: apesar do número alto de pessoas presentes, eram mais ou menos um quarto de todos que convidei. O que reforça a minha vontade de não mais organizar essas coisas e apenas deixar o aniversário passar, comemorado por quem lembrar de mim e quem acessar o Orkut de vez em quando. Mas como sempre, no ano que vem eu vou "esquecer" essa decisão e tentar de novo...
Festas de aniversário, depois da infância, passam a ser muito mais voltadas para os convidados do que realmente para o aniversariante. Engraçado: comemora-se a vida de alguém tornando-a um pequeno inferno. Por que no fim, é o aniversariante que organiza tudo, passa um tempo consideravel escrevendo e-mails ou telefonando, correndo atrás de um bom lugar para fazer a festa, dos pequenos detalhes. É o aniversariante que fica remoendo aquela questão: "e se ninguém aparecer?" E depois é o aniversariante que lava os pratos, arruma a casa, joga fora as latinhas de cerveja, limpa as migalhas de bolacha que deixaram no sofá. Foram-se os dias em que papai e mamãe organizavam tudo com direito a bolo com figuras do seu herói preferido recortadas em isopor e brigadeiro em papéis coloridos.
Tá certo, festa surpresa é outra coisa. Porque aí o aniversariante não organiza quase nada. Talvez ajude a limpar depois. Mas tem que ser alguém deveras especial pra receber uma festa surpresa. E eu sei que eu não sou assim tão presente na vida das pessoas para que elas considerem essa possibilidade. Promessa para o ano novo: tornar-me alguém especial para os amigos queridos (Promessas de ano novo são esquecidas no dia 2 de Janeiro...). Aliás, se alguém descobrir exatamente como se faz isso de tornar-se especial, ensine-me...
Não poupo oportunidades para dizer o quanto meu irmão toca bem sua música, mas ontem foi algo além do normal. Não conhecia esta banda de samba e chorinho dele. E foi muito bom ouvir as músicas que ele normalmente ensaia em casa tocadas com acompanhamento que não venha de CDs... Músicos muito criativos e improvisadores!
Além das pessoas de sempre, que aparecem nas nossa baladinhas com uma fidelidade quase mafiosa e tão lisonjeira quanto (vocês sabem quem são: adoro todos!), fiquei surpreso ao ver chegarem alguns velhos amigos que não esperava que respondessem ao chamado (valeu Nanda, Tarsi, Rafa...). E um pouco desapontado por não encontrar alguns dos novos amigos que tenho feito recentemente pela internet. Suponho que ainda seja cedo para essas demonstrações de amizade.
Não vou tentar enfeitar a realidade: apesar do número alto de pessoas presentes, eram mais ou menos um quarto de todos que convidei. O que reforça a minha vontade de não mais organizar essas coisas e apenas deixar o aniversário passar, comemorado por quem lembrar de mim e quem acessar o Orkut de vez em quando. Mas como sempre, no ano que vem eu vou "esquecer" essa decisão e tentar de novo...
Festas de aniversário, depois da infância, passam a ser muito mais voltadas para os convidados do que realmente para o aniversariante. Engraçado: comemora-se a vida de alguém tornando-a um pequeno inferno. Por que no fim, é o aniversariante que organiza tudo, passa um tempo consideravel escrevendo e-mails ou telefonando, correndo atrás de um bom lugar para fazer a festa, dos pequenos detalhes. É o aniversariante que fica remoendo aquela questão: "e se ninguém aparecer?" E depois é o aniversariante que lava os pratos, arruma a casa, joga fora as latinhas de cerveja, limpa as migalhas de bolacha que deixaram no sofá. Foram-se os dias em que papai e mamãe organizavam tudo com direito a bolo com figuras do seu herói preferido recortadas em isopor e brigadeiro em papéis coloridos.
Tá certo, festa surpresa é outra coisa. Porque aí o aniversariante não organiza quase nada. Talvez ajude a limpar depois. Mas tem que ser alguém deveras especial pra receber uma festa surpresa. E eu sei que eu não sou assim tão presente na vida das pessoas para que elas considerem essa possibilidade. Promessa para o ano novo: tornar-me alguém especial para os amigos queridos (Promessas de ano novo são esquecidas no dia 2 de Janeiro...). Aliás, se alguém descobrir exatamente como se faz isso de tornar-se especial, ensine-me...
quarta-feira, novembro 17, 2004
Aquela maldiçao milenar...
Há uma maldição milenar que faz com que chova em todos os meus aniversários. Aliás, no meu aniversário e no dia seguinte. E no outro também. E no outro. Deu pra entender, né?
É batata: quinze de Novembro = chuva. Lembro de um aniversário lá pelos idos dos meus cinco anos de idade que resolvemos fazer lá na fazenda da minha avó. Foi uma festa de pai de amigo atolando na estrada, gente que não achou a entrada, gente que desistiu...
Vai entender... O bom nisso tudo é que eu gosto de chuva. Gosto de sair andando na chuva com a intenção de me molhar mesmo. Chegar em casa encharcado, com os pés fazendo aquele barulho esquisito (squish, squish). No mais, o clima chuvoso tem aquela introspecção que cai bem com um dia no qual você faz um balanço da sua vida.
Bom... qualquer ano desses eu acabo escrevendo um post que diga "Este ano foi esquisito: nem choveu no meu aniversário"...
É batata: quinze de Novembro = chuva. Lembro de um aniversário lá pelos idos dos meus cinco anos de idade que resolvemos fazer lá na fazenda da minha avó. Foi uma festa de pai de amigo atolando na estrada, gente que não achou a entrada, gente que desistiu...
Vai entender... O bom nisso tudo é que eu gosto de chuva. Gosto de sair andando na chuva com a intenção de me molhar mesmo. Chegar em casa encharcado, com os pés fazendo aquele barulho esquisito (squish, squish). No mais, o clima chuvoso tem aquela introspecção que cai bem com um dia no qual você faz um balanço da sua vida.
Bom... qualquer ano desses eu acabo escrevendo um post que diga "Este ano foi esquisito: nem choveu no meu aniversário"...
terça-feira, novembro 16, 2004
Bem-vindos ao novo layout
Criado pelo Iraê Brasil como um presente de aniversário, resolvi colocá-lo no dia apropriado. Valeu, cara! Ainda têm algumas coisas faltando, alguns links, alguns efeitos, mas já está utilizável. Nessas próximas semanas eu escrevo sobre as mudanças, quando elas ocorrerem.
Este layout foi desenvolvido para melhor ilustrar todo o conceito do "Edgewalker Lion". A idéia era criar um layout baseado apenas em desenho linear, sem grandes áreas de cor. Como se o olho estivesse sempre percorrendo uma linha, um limite (edge). Também traz um tom de surrealidade mais macabro, que pode comportar os posts mais cômicos e os assuntos mais pesados. Aproveitei a oportunidade para criar um layout com uma área de texto mais ampla, que comportasse imagens sem prejudicar o texto. O layout anterior era muito estreito.
No topo, você encontrará links para o fotolog, arquivos, meu e-mail e um ícone para ligar e desligar o som. A música de fundo, aliás, foi sampleada de um de meus compositores favoritos.
À esquerda, você encontrará links para outros blogs, incluindo algumas novidades. Embaixo destes, as webcomics. Notifique-me se houver qualquer problema com os links, por favor.
Finalmente, na base da página há uma sessão dedicada a sites instigantes porém bizarros. Você irá perceber um ícone de reciclagem lá: como não era possível ter espaço para todos os links dessa sessão sem interferir no layout, Iraê criou essa solução. Simplesmente clique no ícone e três outros sites randomicos aparecerão.
Aproveite!
=========================
Since it was designed by Iraê Brasil as a birthday present for me, I decided to put it up on my birthday. Thanks, man! There are a few things still missing, a few links, some effects, but it's already usable. On the following weeks, I'll post the changes as they happen.
The layout was designed to better illustrate the whole "Edgewalker Lion" theme. The idea was to create a layout based only on line drawing, no big areas of color. As if the eye was always treading a line, an edge. It also carries a darker tone of surreality, that can encompass both the comical and the heavy issues. I took the oportunity to create a layout with a wider text area, that could harness images without making a mess of the text. The former layout was too narow.
On the top, you'll find links to the fotolog, archives, my e-mail and an icon to toggle sound on and off. The background music, by the way, was sampled from one of my favorite singers.
To the left, you will find links to other blogs, including a few additions to the list I had. Under those, the webcomics. Notify me if there's anything wrong with the links, please.
Finally, on the very bottom of the page, there's a section dedicated to enticingly bizarre sites. You'll notice a "recicle" icon there: since I couldn't free up enough space for all the links to this section without interfering with the layout, Iraê came up with this icon. Simply click on it, and three other random links will be given.
Enjoy!
Este layout foi desenvolvido para melhor ilustrar todo o conceito do "Edgewalker Lion". A idéia era criar um layout baseado apenas em desenho linear, sem grandes áreas de cor. Como se o olho estivesse sempre percorrendo uma linha, um limite (edge). Também traz um tom de surrealidade mais macabro, que pode comportar os posts mais cômicos e os assuntos mais pesados. Aproveitei a oportunidade para criar um layout com uma área de texto mais ampla, que comportasse imagens sem prejudicar o texto. O layout anterior era muito estreito.
No topo, você encontrará links para o fotolog, arquivos, meu e-mail e um ícone para ligar e desligar o som. A música de fundo, aliás, foi sampleada de um de meus compositores favoritos.
À esquerda, você encontrará links para outros blogs, incluindo algumas novidades. Embaixo destes, as webcomics. Notifique-me se houver qualquer problema com os links, por favor.
Finalmente, na base da página há uma sessão dedicada a sites instigantes porém bizarros. Você irá perceber um ícone de reciclagem lá: como não era possível ter espaço para todos os links dessa sessão sem interferir no layout, Iraê criou essa solução. Simplesmente clique no ícone e três outros sites randomicos aparecerão.
Aproveite!
=========================
Welcome to the new layout
Since it was designed by Iraê Brasil as a birthday present for me, I decided to put it up on my birthday. Thanks, man! There are a few things still missing, a few links, some effects, but it's already usable. On the following weeks, I'll post the changes as they happen.
The layout was designed to better illustrate the whole "Edgewalker Lion" theme. The idea was to create a layout based only on line drawing, no big areas of color. As if the eye was always treading a line, an edge. It also carries a darker tone of surreality, that can encompass both the comical and the heavy issues. I took the oportunity to create a layout with a wider text area, that could harness images without making a mess of the text. The former layout was too narow.
On the top, you'll find links to the fotolog, archives, my e-mail and an icon to toggle sound on and off. The background music, by the way, was sampled from one of my favorite singers.
To the left, you will find links to other blogs, including a few additions to the list I had. Under those, the webcomics. Notify me if there's anything wrong with the links, please.
Finally, on the very bottom of the page, there's a section dedicated to enticingly bizarre sites. You'll notice a "recicle" icon there: since I couldn't free up enough space for all the links to this section without interfering with the layout, Iraê came up with this icon. Simply click on it, and three other random links will be given.
Enjoy!
sexta-feira, novembro 12, 2004
A rat brain that flies flight simulators...
Bizarre. Just... bizarre.
But it got me remembering the latest class I had on digital media at the advertising course. At some point, our teacher explained the difference between your common computer hardware and what he called "wetware". The later being any living organism, composed mostly of water and able to adapt to changing conditions. What comes as a coincidence is that way before that class, I had been daydreaming about the day technology would be able to create machines made of genetically altered organic parts. Machines made of flesh. I called them "fleshcrafts".
Take your average human. Disregard all the unnexplainable religious crap about souls. Now imagine that we could one day completely understand how the brain works. We'd be nothing but a huge, very complex wetware/fleshcraft. Not to mention the fact that, in developing these organic machines, we'd have a whole new array of interfaces. That is, you wouldn't rely only on computer screens to interact with machinery. You could go as far as interacting on a hormonal level.
On other considerations, say you put this fleshcrafted brain into a real fighter plane. And into a load of other machines. Say you get them to comunicate with each other (internet or something similar...). And say they decide that any human intervention is obsolete. Kinda sounds like the rise of the machines, doesn't it? Like the Terminator movies?
Another thing to think about. Way before the Matrix trilogy (and in fact one of the references for the movies), there was this philosopher who`s name I can't remember that came up with a modern version of Plato's cave, where he proposed that you could be just a brain floating in a barrel of substances, with electrodes plugged in. This would be the work of some evil scientist and his supercomputer, who would be constantly feeding and manipulating thoughts and simulations of your five senses into you, making you think you live in a real world, with a real body. When I read the CNN article above, I couldn't help but think about that allegory. Of course, the whole barrel had been replaced for a simple Petry dish. But it's still the beggining of the whole thing.
Think about it...
Bizarre. Just... bizarre.
But it got me remembering the latest class I had on digital media at the advertising course. At some point, our teacher explained the difference between your common computer hardware and what he called "wetware". The later being any living organism, composed mostly of water and able to adapt to changing conditions. What comes as a coincidence is that way before that class, I had been daydreaming about the day technology would be able to create machines made of genetically altered organic parts. Machines made of flesh. I called them "fleshcrafts".
Take your average human. Disregard all the unnexplainable religious crap about souls. Now imagine that we could one day completely understand how the brain works. We'd be nothing but a huge, very complex wetware/fleshcraft. Not to mention the fact that, in developing these organic machines, we'd have a whole new array of interfaces. That is, you wouldn't rely only on computer screens to interact with machinery. You could go as far as interacting on a hormonal level.
On other considerations, say you put this fleshcrafted brain into a real fighter plane. And into a load of other machines. Say you get them to comunicate with each other (internet or something similar...). And say they decide that any human intervention is obsolete. Kinda sounds like the rise of the machines, doesn't it? Like the Terminator movies?
Another thing to think about. Way before the Matrix trilogy (and in fact one of the references for the movies), there was this philosopher who`s name I can't remember that came up with a modern version of Plato's cave, where he proposed that you could be just a brain floating in a barrel of substances, with electrodes plugged in. This would be the work of some evil scientist and his supercomputer, who would be constantly feeding and manipulating thoughts and simulations of your five senses into you, making you think you live in a real world, with a real body. When I read the CNN article above, I couldn't help but think about that allegory. Of course, the whole barrel had been replaced for a simple Petry dish. But it's still the beggining of the whole thing.
Think about it...
quinta-feira, novembro 11, 2004
O trabalho já começa a assentar-se na rotina diária, perdendo aquele encanto inicial de coisa nova. Não que tenha sido banalizado e esquecido e que eu não preste mais atenção. Não é isso. Na verdade, passou de centro de toda minha atenção, de razão pra sair da cama e explorar algo novo; para uma coisa que fica como pano de fundo e que na verdade estabelece o tom de uma época da vida.
Muita coisa já foi assim. A época de colégio, por exemplo. Quando me lembro do colegial lembro até das músicas, como trilha de um filme. Os dias eram acompanhados de David Bowie (o álbum “Never Let Me Down”) e Tears for Fears (“Raoul and the Kings of Spain” ou “Elemental”) e a trama era toda sobre teorias sociais bizarras inventadas por um adolescente ou mistérios do universos explicados pela metafísica. E muita literatura. Escrevia até não poder.
O curso de artes foi outra época. Eu ia pra casa no começo e assistia Evangelion e os dias tinha um sabor até pueril de coisa nova. Eu tinha entrado na faculdade e era uma criança de novo. Mas me sentia muito bem. A trama era toda sobre descobrir o que é arte e se indignar pelo fato de que a nova geração de artistinhas sequer sabia desenhar e nem precisava saber. A trilha era J-pop, música de anime. Ou música clássica: Bach, Samuel Barber, Erik Satie.
Tudo que marcou época no curso de publicidade se resume ao ano em que Lee aconteceu. De resto, é apenas um lugar ao qual ainda sou obrigado a ir durante a noite, como um intervalo comercial no meio da programação. Sei: não devia ser assim. E talvez mude nestes últimos anos e eu passe a aproveitar mais. Mas não sei. Acho que a fobia ao clima acadêmico e burocrático da universidade, a aversão à idéia de me tornar um teórico e não um prático (um bom e velho chato acadêmico), a completa falta de interesse por política, tudo isso e outras coisas me fazem manter alguma assepcia no contato com aquele lugar. E assim, o curso de publicidade não marcou época. Apenas aquele romance ao som de Cazuza.
Muita coisa já foi assim. A época de colégio, por exemplo. Quando me lembro do colegial lembro até das músicas, como trilha de um filme. Os dias eram acompanhados de David Bowie (o álbum “Never Let Me Down”) e Tears for Fears (“Raoul and the Kings of Spain” ou “Elemental”) e a trama era toda sobre teorias sociais bizarras inventadas por um adolescente ou mistérios do universos explicados pela metafísica. E muita literatura. Escrevia até não poder.
O curso de artes foi outra época. Eu ia pra casa no começo e assistia Evangelion e os dias tinha um sabor até pueril de coisa nova. Eu tinha entrado na faculdade e era uma criança de novo. Mas me sentia muito bem. A trama era toda sobre descobrir o que é arte e se indignar pelo fato de que a nova geração de artistinhas sequer sabia desenhar e nem precisava saber. A trilha era J-pop, música de anime. Ou música clássica: Bach, Samuel Barber, Erik Satie.
Tudo que marcou época no curso de publicidade se resume ao ano em que Lee aconteceu. De resto, é apenas um lugar ao qual ainda sou obrigado a ir durante a noite, como um intervalo comercial no meio da programação. Sei: não devia ser assim. E talvez mude nestes últimos anos e eu passe a aproveitar mais. Mas não sei. Acho que a fobia ao clima acadêmico e burocrático da universidade, a aversão à idéia de me tornar um teórico e não um prático (um bom e velho chato acadêmico), a completa falta de interesse por política, tudo isso e outras coisas me fazem manter alguma assepcia no contato com aquele lugar. E assim, o curso de publicidade não marcou época. Apenas aquele romance ao som de Cazuza.
Meu chefe tem mãos minúsculas. Mãos minúsculas e gordinhas. Estes dias, enquanto eu fazia outra daquelas pausas para o café cheias de reflexões sem juizo, comecei a pensar na metáfora que eram aquelas mãos. Ele inteiro é um homem pequeno. E suponho que isso conforte uma pessoa com tanto complexo por estatura como eu. Mas as mãos são a verdadeira metáfora.
Ele chega todo dia e me estende uma das mãos redondas em um aperto forte, confiante. Parecem mãos que têm massa, força e vontade pra crescer. Mas que, por alguma razão, ficam presas à estrutura óssea pequena. São mãos de possibilidade. Mãos que dizem “algum dia ainda vou ser…”, mas que pertencem a um homem adulto, consciente, confiante.
Dá até pra fazer uma daquelas metáforas corporativas piegas dizendo que as mãos dele são como a própria empresa, que ainda é pequena, mas com massa, força e vontade pra crescer.
Ele chega todo dia e me estende uma das mãos redondas em um aperto forte, confiante. Parecem mãos que têm massa, força e vontade pra crescer. Mas que, por alguma razão, ficam presas à estrutura óssea pequena. São mãos de possibilidade. Mãos que dizem “algum dia ainda vou ser…”, mas que pertencem a um homem adulto, consciente, confiante.
Dá até pra fazer uma daquelas metáforas corporativas piegas dizendo que as mãos dele são como a própria empresa, que ainda é pequena, mas com massa, força e vontade pra crescer.
segunda-feira, novembro 08, 2004
Dream
The first part is fuzzy, as always. All I know is I was staying at this boarding school thing. Living there. It was a big mansion, four stories high. The halls were a bit tight though, and reminded me of the halls in the ER series. And surely enough, as I thought of this, some doctors began showing up, in white coats. But they weren`t exactly doctors, they were psychiatrists. Somewhere, in the boarding school, there was a mental institution.
We went on vacations and I spent some time away from that place. I can`t remember what happened, but it was in another, smaller mansion just a drive away. But something terrible happened while I was there and when I returned to the boarding school, it was razed and empty. A flashback played on, explaining that the psychiatric patients had escaped confinement during some catastrophy that wasn't detailed enough to be understood. I walked the halls with that feeling that something was about to happen. Eventually, I got to the boys` bathroom (at the end of the hall, to the right...). And while I was there, one of the doctors came in. She was young and clean, but still seemed to be scared, as if she had gone through a lot. I gestured for her attention and she held back a scream once she realized I wasn't one of them. She explained what happened and we were ready to leave, but then I noticed someone coming towards the bathroom. In a few steps, I was behind the door, waiting to ambush. Surely enough, a maniac walked through, with a firefighter`s ax in hand. He grinned at the doctor and walked past me. I hit him and wrestled the ax out of his hand, killing him with it. I fled with the doctor, down the hall and up to the backyard, where the lunatics were crowded. We turned back and ran to the front yard, being followed by a horde of psychotics. They were beggining to look like the zombies in Resident Evil.
In the front yard, for apparently no reason at all, there was a helicopter. Desert Combat type of thing. We ran for it, and I yelled I would drive. We climbed aboard, narrowly escaping the horror. Up in the air, I said I wanted to blow the whole place up. But we should save ammo. I flew with ease and without thinking about the controls or anything. We went to the smaller mansion, but it was also just a pile of rubble after the zombies had attacked. All I knew in the vicinity had been destroyed.
So we decided to fly north to the nearest big city. I decided, because the doctor had simply vanished. A dream thing, not to be explained... I knew even the big cities would be overrun. So I looked for some fortification, some Mad Max thing, where the last survivors would make a stand. I flew over what I thought was New York. But people were already running in panic. Cars flooding the freeways. I turned on the radio and the news anchor was saying police forces were down to 25%. He was telling people to leave the city without panic, in an organized way. And the the station was invaded and he was off the air.
I flew over a dense pine forest. And all of sudden I could see my aunt`s place up in the northeastern part of the country. I can't remember landing there, but suddenly I was in the house, telling everyone to leave. We hurried to the front yard, passing the TV room on the way. Someone was advertising "anti-zombie clothes", with blades that could rip a zombie`s arm off if he tried to grab you. Saturday Night Live kind of thing. In the front yard, the chopper was stuck up in a tree. Rough landing, it seemed. I climbed it and started yelling at my relatives to hand over the younger children. In no time, the vehicle was full. The rest of the family would ride the cars. I can`t remember which cousins I was carrying, but there were the 5-year-old Olsen twins in the back seat... Not that they`re part of the family.
I took off, but there was too much weight. I didn`t say a word. Just flew on. I could see the other cars going down the road.
We were almost there, and I couldn`t hold the chopper in the air much longer. All I had to do was fly down the last slope of the mountain, to the town square, where one of those fortifications was being held. But on the last curve, the chopper hit something and rolled over. I was thinking: "Don't think of explosions!". I knew that if I did, it would happen. I was beggining to understand it was all a dream.
I pulled the kids out of the flaming remains of the chopper and we ran away from it. In the middle of that last slope was a small village. It seemed to be a place outside of the whole zombie story. People there just went on with their lives. They all seemed like turists in bathing suits. I lost the kids for a moment. And then found only the boys. As we went looking for the girls, these bizare superheroes began coming out of nowhere, in stupid costumes. And that`s when the whole thing just seemed to surreal to believe and I woke up.
References for this dream include Resident Evil: Apocalipse, Desert Combat, City of Heroes, Saturday Night Live, ER, the fact that I`m painting a portrait of one of my cousins from up north on request of my uncle, Bicho de Sete Cabeças and Castlevania. It would take a whole other post just to explain how they`re all connected. And I don't think you'd care to hear that one.
The first part is fuzzy, as always. All I know is I was staying at this boarding school thing. Living there. It was a big mansion, four stories high. The halls were a bit tight though, and reminded me of the halls in the ER series. And surely enough, as I thought of this, some doctors began showing up, in white coats. But they weren`t exactly doctors, they were psychiatrists. Somewhere, in the boarding school, there was a mental institution.
We went on vacations and I spent some time away from that place. I can`t remember what happened, but it was in another, smaller mansion just a drive away. But something terrible happened while I was there and when I returned to the boarding school, it was razed and empty. A flashback played on, explaining that the psychiatric patients had escaped confinement during some catastrophy that wasn't detailed enough to be understood. I walked the halls with that feeling that something was about to happen. Eventually, I got to the boys` bathroom (at the end of the hall, to the right...). And while I was there, one of the doctors came in. She was young and clean, but still seemed to be scared, as if she had gone through a lot. I gestured for her attention and she held back a scream once she realized I wasn't one of them. She explained what happened and we were ready to leave, but then I noticed someone coming towards the bathroom. In a few steps, I was behind the door, waiting to ambush. Surely enough, a maniac walked through, with a firefighter`s ax in hand. He grinned at the doctor and walked past me. I hit him and wrestled the ax out of his hand, killing him with it. I fled with the doctor, down the hall and up to the backyard, where the lunatics were crowded. We turned back and ran to the front yard, being followed by a horde of psychotics. They were beggining to look like the zombies in Resident Evil.
So we decided to fly north to the nearest big city. I decided, because the doctor had simply vanished. A dream thing, not to be explained... I knew even the big cities would be overrun. So I looked for some fortification, some Mad Max thing, where the last survivors would make a stand. I flew over what I thought was New York. But people were already running in panic. Cars flooding the freeways. I turned on the radio and the news anchor was saying police forces were down to 25%. He was telling people to leave the city without panic, in an organized way. And the the station was invaded and he was off the air.
I flew over a dense pine forest. And all of sudden I could see my aunt`s place up in the northeastern part of the country. I can't remember landing there, but suddenly I was in the house, telling everyone to leave. We hurried to the front yard, passing the TV room on the way. Someone was advertising "anti-zombie clothes", with blades that could rip a zombie`s arm off if he tried to grab you. Saturday Night Live kind of thing. In the front yard, the chopper was stuck up in a tree. Rough landing, it seemed. I climbed it and started yelling at my relatives to hand over the younger children. In no time, the vehicle was full. The rest of the family would ride the cars. I can`t remember which cousins I was carrying, but there were the 5-year-old Olsen twins in the back seat... Not that they`re part of the family.
I took off, but there was too much weight. I didn`t say a word. Just flew on. I could see the other cars going down the road.
We were almost there, and I couldn`t hold the chopper in the air much longer. All I had to do was fly down the last slope of the mountain, to the town square, where one of those fortifications was being held. But on the last curve, the chopper hit something and rolled over. I was thinking: "Don't think of explosions!". I knew that if I did, it would happen. I was beggining to understand it was all a dream.
I pulled the kids out of the flaming remains of the chopper and we ran away from it. In the middle of that last slope was a small village. It seemed to be a place outside of the whole zombie story. People there just went on with their lives. They all seemed like turists in bathing suits. I lost the kids for a moment. And then found only the boys. As we went looking for the girls, these bizare superheroes began coming out of nowhere, in stupid costumes. And that`s when the whole thing just seemed to surreal to believe and I woke up.
References for this dream include Resident Evil: Apocalipse, Desert Combat, City of Heroes, Saturday Night Live, ER, the fact that I`m painting a portrait of one of my cousins from up north on request of my uncle, Bicho de Sete Cabeças and Castlevania. It would take a whole other post just to explain how they`re all connected. And I don't think you'd care to hear that one.
domingo, novembro 07, 2004
Estive almoçando na casa de minha avó (do ateliê). Estavam presentes dois senhores que ajudaram na edição e publicação de um livro sobre meu avô, dito maior interprete de Hamlet do Brasil. O livro faz parte de uma coleção maior, sobre a memória do teatro brasileiro. Estes dois senhores são hilários, sempre contando situações cômicas dos bastidores, da classe teatral hoje heptagenária e do paragone entre o teatro carioca e o paulista.
Lembro da cena que foi o dia em que os conheci. Chegaram na casa da minha avó para pegar fotos para o livro. Tocaram a campainha na hora em que vovó estava fazendo alguma coisa, e fui eu atender a porta. Abri a porta de metal e o homem empalideceu assim que me viu. Deu um passo para trás e disse baixinho com os olhos enormes: "menino, você é a cara do seu avô". Sensação gostosa de pertencer a um desses breves momento de Além da Imaginação.
Pouco tempo depois, o livro havia sido lançado e tínhamos alguns exemplares em casa. Na capa, meu avô vestido de príncipe da Dinamarca, com uma enorme capa preta, mais parecendo um vampiro. Mais parecido impossível. Seria um verdadeiro sonho participar de uma montagem de Hamlet algum dia. E já que estamos sonhando, por que não indagar como seria fazer o papel principal...
Estes editores, aliás, vem indagando se não me interessaria em fazer teatro. E realmente, é uma idéia que me parece cada dia mais premente, mais necessária. Porque, embora esta decendência possa estragar uma carreira iniciante (a pressão para ver se o neto faz algo sequer próximo do avô...), seria um desperdício não aproveitar os contatos e em geral o QI (bom e velho Quem Indica) da minha avó que ainda vive, sendo que eu gosto tanto de teatro. No mais, ninguém precisa saber de início de quem sou neto.
Sim... Com certeza está nos planos para o próximo semestre.
Lembro da cena que foi o dia em que os conheci. Chegaram na casa da minha avó para pegar fotos para o livro. Tocaram a campainha na hora em que vovó estava fazendo alguma coisa, e fui eu atender a porta. Abri a porta de metal e o homem empalideceu assim que me viu. Deu um passo para trás e disse baixinho com os olhos enormes: "menino, você é a cara do seu avô". Sensação gostosa de pertencer a um desses breves momento de Além da Imaginação.
Pouco tempo depois, o livro havia sido lançado e tínhamos alguns exemplares em casa. Na capa, meu avô vestido de príncipe da Dinamarca, com uma enorme capa preta, mais parecendo um vampiro. Mais parecido impossível. Seria um verdadeiro sonho participar de uma montagem de Hamlet algum dia. E já que estamos sonhando, por que não indagar como seria fazer o papel principal...
Estes editores, aliás, vem indagando se não me interessaria em fazer teatro. E realmente, é uma idéia que me parece cada dia mais premente, mais necessária. Porque, embora esta decendência possa estragar uma carreira iniciante (a pressão para ver se o neto faz algo sequer próximo do avô...), seria um desperdício não aproveitar os contatos e em geral o QI (bom e velho Quem Indica) da minha avó que ainda vive, sendo que eu gosto tanto de teatro. No mais, ninguém precisa saber de início de quem sou neto.
Sim... Com certeza está nos planos para o próximo semestre.
quarta-feira, novembro 03, 2004
And so, my faith in humanity has finally bit the dust
Bush has been re-elected. After all that happened, Bush has been re-elected. After the fraudy elections, the complete inadequacy in dealing with 9/11, waging a war against a country that had nothing to do with it and sending thousands of americans to their deaths, after proclaiming the end to that war before it was actually over and thus killing more americans, after all the conservativeness he displayed, after completely screwing up the US`s reputation outside and inside the country, after being deemed the president with the lowest IQ of all time and proving it, Bush has been re-elected...
I know Kerry wasn`t the best choice either, but come on! At least the US would maintain a shred of dignity as a country that learns from the past mistakes. But I guess all those "security moms" (as one news station down here called them) and KKK members got terrified of the hordes of arab terrorists waiting just outside the border with bombs tied to their stomachs.
I`m just too pissed about it to write anything coherent... It`s enough to drive even an apolitical fellow like me into fits of rage.
P.S.: Even The Bunny is with me on this one...
Bush has been re-elected. After all that happened, Bush has been re-elected. After the fraudy elections, the complete inadequacy in dealing with 9/11, waging a war against a country that had nothing to do with it and sending thousands of americans to their deaths, after proclaiming the end to that war before it was actually over and thus killing more americans, after all the conservativeness he displayed, after completely screwing up the US`s reputation outside and inside the country, after being deemed the president with the lowest IQ of all time and proving it, Bush has been re-elected...
I know Kerry wasn`t the best choice either, but come on! At least the US would maintain a shred of dignity as a country that learns from the past mistakes. But I guess all those "security moms" (as one news station down here called them) and KKK members got terrified of the hordes of arab terrorists waiting just outside the border with bombs tied to their stomachs.
I`m just too pissed about it to write anything coherent... It`s enough to drive even an apolitical fellow like me into fits of rage.
P.S.: Even The Bunny is with me on this one...
You guys should check out the new Happy Tree Friends episode entitled "Remains to be seen". Lots of references to popular horror movies...
... and cute and cuddly animals getting ripped to shreds. That's always fun!
... and cute and cuddly animals getting ripped to shreds. That's always fun!
segunda-feira, novembro 01, 2004
Falando de política
Que alívio que as eleições acabaram. Independente do vencedor.
Pessoas, convençam-se de uma coisa por favor: eu realmente não sou politizado, não tenho opinião a respeito do governo e de forma geral, detesto falar de política.
Falar de política, assim como de religião, é sempre a mesma conversa maçante. Cada um tenta convencer o outro de que "vê" e "saba" a "verdade". Ao mesmo tempo, sabe que os outros o tentarão convencer de seus pontos de vista "errados". Então nega, torna-se impermeável a qualquer opinião alheia. Mesmo que a outra pessoa esteja falando a mesma coisa. Frequentemente vejo situações em que uma pessoa se diz indignada com a outra, mas se questionada a fundo, veremos que nem sabe direito por que se indignou (talvez porque a outra votasse no outro candidato, como se torcesse para outro time de futebol). Já vi situações completamente surreais nas quais ambas as partes defendiam a mesma coisa, mas brigavam até não poder mais, pra ver quem conseguia arrancar do outro um "você tem razão". Por que no fim, não é sobre ser de esquerda ou de direita, ser do PSDB, do PT, ou do PQP. No fim, é sobre ter razão, ter a última palavra e principalmente convencer alguém. É ter aquela sensação de vitória.
A outra parte recebe nomes diversos, de acordo com o tempo. Antes eram hereges. Pouco tempo atrás, eram conservadores. Mais recentemente tornaram-se de esquerda ou de direita. Atualmente, depois da Guerra Fria, não há mais muito significado nos lados e os do contra passaram a ser chamados apenas de elitistas ou pessoas de mente fechada. Não importa o nome. São os outros. São os do contra. São as pessoas que têm uma outra opinião e que tentarão convencer que estão certas. Por isso você ignora e diz que estão erradas.
Os candidatos? Ora, os candidatos: que todos são corruptos, isso a gente já sabe. Afinal, estão lidando com verbas bilhonárias em um país onde a impunidade rola mais do que solta, está escancarada. O país do jeitinho... A carne é fraca, né? Fazem suas campanhas baseadas em propsotas muito parecidas com as de outros candidatos. Aliás, são as mesmas propostas, mas com roupagem e nome novos.
Aí um xinga o outro porque é petista, tucano ou o cacete... Hoje em dia partido não serve mais pra nada. É só uma questão de quem vai receber a propina, qual panelinha vai se dar bem. Veja, o partido de esquerda assumiu o poder depois de tantos anos e não fez muita coisa diferente dos outros. O pouco que fez não agradou nem a eles mesmos. Não, não sou de direita. Acho ambos um asco.
Aí você até para de ler isso e pensa: "como ele é conformado/alienado/um completo imbecil/qualquer outra coisa que signifique que eu me recuso a enfrentar o tema". É óbvio! A meu ver, qualquer discussão onde é impossível chegar a um concenso/resposta nega o próprio objetivo de se ter uma discussão, tornando-se portanto irrelevante. E já vimos que, na política, por razões de orgulho, ninguém vai se convencer do ponto de vista do outro e portanto a discussão não tem consenso/resposta. É o que o Roland Barthes no Fragmentos de um Discurso Amoroso chamava de cena: brigar por brigar, uma briga que não chegará ao fim e não resolverá nada. Alás, segundo Barthes, o motivo da discussão que gera a cena é sempre irrelevante. No caso de muitas das cenas de hoje, sejam sobre política ou religião, os motivos são ainda antiquados e até obsoletos.
Concluindo: se vocês precisam mesmo armar uma cena, fiquem à vontade. Fiquem indignados, exaltem-se. Só não esperem que eu tenha uma opinião a respeito, porque vocês sequer vão se dignar a ouvir mesmo. Aliás, sequer esperem que eu preste muita atenção na conversa. Eu simplesmente concordo pra encerrar a conversa e mudar de assunto para coisas mais relevantes.
E tenho dito!

Que alívio que as eleições acabaram. Independente do vencedor.
Pessoas, convençam-se de uma coisa por favor: eu realmente não sou politizado, não tenho opinião a respeito do governo e de forma geral, detesto falar de política.
Falar de política, assim como de religião, é sempre a mesma conversa maçante. Cada um tenta convencer o outro de que "vê" e "saba" a "verdade". Ao mesmo tempo, sabe que os outros o tentarão convencer de seus pontos de vista "errados". Então nega, torna-se impermeável a qualquer opinião alheia. Mesmo que a outra pessoa esteja falando a mesma coisa. Frequentemente vejo situações em que uma pessoa se diz indignada com a outra, mas se questionada a fundo, veremos que nem sabe direito por que se indignou (talvez porque a outra votasse no outro candidato, como se torcesse para outro time de futebol). Já vi situações completamente surreais nas quais ambas as partes defendiam a mesma coisa, mas brigavam até não poder mais, pra ver quem conseguia arrancar do outro um "você tem razão". Por que no fim, não é sobre ser de esquerda ou de direita, ser do PSDB, do PT, ou do PQP. No fim, é sobre ter razão, ter a última palavra e principalmente convencer alguém. É ter aquela sensação de vitória.
A outra parte recebe nomes diversos, de acordo com o tempo. Antes eram hereges. Pouco tempo atrás, eram conservadores. Mais recentemente tornaram-se de esquerda ou de direita. Atualmente, depois da Guerra Fria, não há mais muito significado nos lados e os do contra passaram a ser chamados apenas de elitistas ou pessoas de mente fechada. Não importa o nome. São os outros. São os do contra. São as pessoas que têm uma outra opinião e que tentarão convencer que estão certas. Por isso você ignora e diz que estão erradas.
Os candidatos? Ora, os candidatos: que todos são corruptos, isso a gente já sabe. Afinal, estão lidando com verbas bilhonárias em um país onde a impunidade rola mais do que solta, está escancarada. O país do jeitinho... A carne é fraca, né? Fazem suas campanhas baseadas em propsotas muito parecidas com as de outros candidatos. Aliás, são as mesmas propostas, mas com roupagem e nome novos.
Aí um xinga o outro porque é petista, tucano ou o cacete... Hoje em dia partido não serve mais pra nada. É só uma questão de quem vai receber a propina, qual panelinha vai se dar bem. Veja, o partido de esquerda assumiu o poder depois de tantos anos e não fez muita coisa diferente dos outros. O pouco que fez não agradou nem a eles mesmos. Não, não sou de direita. Acho ambos um asco.
Aí você até para de ler isso e pensa: "como ele é conformado/alienado/um completo imbecil/qualquer outra coisa que signifique que eu me recuso a enfrentar o tema". É óbvio! A meu ver, qualquer discussão onde é impossível chegar a um concenso/resposta nega o próprio objetivo de se ter uma discussão, tornando-se portanto irrelevante. E já vimos que, na política, por razões de orgulho, ninguém vai se convencer do ponto de vista do outro e portanto a discussão não tem consenso/resposta. É o que o Roland Barthes no Fragmentos de um Discurso Amoroso chamava de cena: brigar por brigar, uma briga que não chegará ao fim e não resolverá nada. Alás, segundo Barthes, o motivo da discussão que gera a cena é sempre irrelevante. No caso de muitas das cenas de hoje, sejam sobre política ou religião, os motivos são ainda antiquados e até obsoletos.
Concluindo: se vocês precisam mesmo armar uma cena, fiquem à vontade. Fiquem indignados, exaltem-se. Só não esperem que eu tenha uma opinião a respeito, porque vocês sequer vão se dignar a ouvir mesmo. Aliás, sequer esperem que eu preste muita atenção na conversa. Eu simplesmente concordo pra encerrar a conversa e mudar de assunto para coisas mais relevantes.
E tenho dito!
sexta-feira, outubro 29, 2004
Esse aqui ficou meio caótico. Mas quando escrevo com raiva, não presto muita atenção nessas coisas de técnica literária.
Random Literature
Era um rapaz deveras asqueroso. E mais: conservava traços de quem tinha a possibilidade de ter sido belo algum dia. Os cabelos naquela cor dourada que antecede o loiro mas já não é castanho, os olhos claros. Tinha porte de que algum dia já teve músculos. Mas hoje, na vida sedentária que levava, trabalhando horas frente a um computador, estava obeso. Era ele todo um excesso: o tamanho do abdomem, a barba por fazer que maculava um pele que poderia ser ótima, as olheiras debaixo dos olhos azuis que pareciam duas miniaturas de sacolas de marsupial e o excesso de tecido sobre os olhos que acumulava e dava a impressão de que os olhos eram minúsculos, o lábio inferior grosso e caído como uma enorme e rósea larva.
O grotesco nele era ressaltado por uma infinidade de detalhes e contradições. As cuecas puidas e esburacadas que brotavam da calça jeans de marca quando ele se sentava. As camisas de tecidos finos que ele usava com a barba sempre por fazer. Aliás, tinha muito bom gosto para camisas. Mas junto com todo o resto de sua pessoa, era um detalhe hipocritamente belo em um suporte horrendo.
Tinha péssima atitude com mulheres. Tinha aquele jeito nojento de dizer-lhes agrados, fazendo-se de inocente mas com intenções sexuais que ele não conseguia esconder. Exalava, em toda sua morbosidade, um ar machista e torpe.
Por alguma razão, divertia-se horrores com meu nome. Saudava-me sempre com alguma variação de um suposto apelido, que incluía as três primeiras letras de meu nome, e uma sucessão de fonemas sem nexo. Piorava a cada dia na escolha do novo cacófato pelo qual se dirigia a mim.
Era patente que algo em mim incomodava ele tanto quanto a repulsa que tudo nele me causava. Talvez fosse meu tamanho, meu jeito assexuado ou mesmo qualquer coisa banal como meu cabelo. Tratava-me com o desdém e o abuso de um valentão de escola, sempre testando para encontrar o limite, encontrar o que me tiraria do sério. E no entanto, pelo bem de ambos, mantinhamos uma cordialidade superficial.
Random Literature
Era um rapaz deveras asqueroso. E mais: conservava traços de quem tinha a possibilidade de ter sido belo algum dia. Os cabelos naquela cor dourada que antecede o loiro mas já não é castanho, os olhos claros. Tinha porte de que algum dia já teve músculos. Mas hoje, na vida sedentária que levava, trabalhando horas frente a um computador, estava obeso. Era ele todo um excesso: o tamanho do abdomem, a barba por fazer que maculava um pele que poderia ser ótima, as olheiras debaixo dos olhos azuis que pareciam duas miniaturas de sacolas de marsupial e o excesso de tecido sobre os olhos que acumulava e dava a impressão de que os olhos eram minúsculos, o lábio inferior grosso e caído como uma enorme e rósea larva.
O grotesco nele era ressaltado por uma infinidade de detalhes e contradições. As cuecas puidas e esburacadas que brotavam da calça jeans de marca quando ele se sentava. As camisas de tecidos finos que ele usava com a barba sempre por fazer. Aliás, tinha muito bom gosto para camisas. Mas junto com todo o resto de sua pessoa, era um detalhe hipocritamente belo em um suporte horrendo.
Tinha péssima atitude com mulheres. Tinha aquele jeito nojento de dizer-lhes agrados, fazendo-se de inocente mas com intenções sexuais que ele não conseguia esconder. Exalava, em toda sua morbosidade, um ar machista e torpe.
Por alguma razão, divertia-se horrores com meu nome. Saudava-me sempre com alguma variação de um suposto apelido, que incluía as três primeiras letras de meu nome, e uma sucessão de fonemas sem nexo. Piorava a cada dia na escolha do novo cacófato pelo qual se dirigia a mim.
Era patente que algo em mim incomodava ele tanto quanto a repulsa que tudo nele me causava. Talvez fosse meu tamanho, meu jeito assexuado ou mesmo qualquer coisa banal como meu cabelo. Tratava-me com o desdém e o abuso de um valentão de escola, sempre testando para encontrar o limite, encontrar o que me tiraria do sério. E no entanto, pelo bem de ambos, mantinhamos uma cordialidade superficial.
quinta-feira, outubro 28, 2004
segunda-feira, outubro 25, 2004
Conto 1:

O garoto havia ido atrás do pai: mensagem qualquer da mãe. Atravessara a parca distância de pouco menos de um quilômetro pela estrada de terra, sem sequer olhar muito para a paisagem que já conhecia muito bem. Havia sido avisado do que é que o pai fazia àquela hora, mas não havia cogitado o espetáculo dantesco que veria. Aconteceu, segundo disseram, que uma das vacas da fazenda havia contraído tuberculose. Sabe Deus como é que souberam do fato. E apesar da variedade bovina da doença não se alastrar entre humanos, causaria verdadeiro genocídio na população animal. A solução fria e direta: matar a vaca.
O rapaz entrou pelos portões da propriedade sem muita cerimônia e foi logo para os fundos, onde ficavam os animais. E já a meio caminho podia ver a imagem violenta e surreal do animal morto, parecendo mais uma coisa que nunca fora viva do que um cadáver. Talvez por isso mesmo que, naqueles primeiros momentos, teve capacidade de permanecer ali o menino, e olhar para aquilo tudo com o desprendimento de um cientista. Estava o animal preso pelos calcanhares trazeiros em dois ganchos presos em uma árvore, e este detalhe apenas gerou no menino uma simulação mental de angústia. Mas piorava: a carne exposta, sem pele, já se transmodificando em bife, desses assado em churrasqueira. As perna abertas em uma alegoria remotamente sexual e o corpo aberto pelo meio, de cabo a rabo. Só então o menino percebeu que faltva-lhe a cabeça, e parou imediatamente onde estava, notando-a a poucos metros de seus pés. Ao lado, as visceras amontoadas em um bolo que supreendia pelo tamanho: cabia mesmo tudo isso dentro de um só animal? O rapaz observava entre impressionado e apavorado -- porque a mera imagem de um animal morto põe qualquer outro animal em estado de alerta contra perigos -- enquanto o capataz fazia um corte em um dos incontáveis estômagos do ex-bicho, fazendo brotar uma massa de pasto semi-digerido. Detalhando sordidamente a cena, um rastro de sangue espalhava-se sem direção certa. E ao contrário das visceras, impressionava o quão pouco sangue havia. Não em quantidade, mas em proporção. O rastro era longo, mas esperava-se mais por tão grande animal. E era de um vermelho profundo, cor de vinho e com todas as nuances peculiares do sangue. Misturava-se com o chão de terra e resultava em uma lama bizarra. O rastro definia para o menino um perímetro além do qual ele não tinha estômago para passar. Mas ao mesmo tempo, queria saber mais detalhes, queria vasculhar as vísceras e compreendê-las, queria estudar a anatomia daquela carcaça. Estava na época de aprender sobre organismos no colégio e a proximidade com aquilo tudo lhe proporcionava algo mais real do que as imagens nos livros didáticos. Mais real até do que os espécimes conservados em clorofórmio do laboratório de biologia.
No dilema entre afastar-se com asco e permanecer com curiosidade, nem viu o pai chegar. Levou um susto e foi tomado perante o pai da sensação de que talvez não devesse estar lá. Escondeu o sentimento e passou a mensagem que o trouxera alí. O paí respondeu qualquer coisa e continuou sua examinação, profissional que era, ignorando o horror no qual estava imerso até os joelhos. Em seguida, deixando que o sentimento voltasse a transparecer e decidisse o dilema, o menino deu as costas para tudo aquilo e afastou-se. Ficou na mente o olhar apático da cabeça decepada do animal. E algo mais que ele só saberia depois.
De volta em casa, no dia seguinte. Café da manhã na fazenda. O garoto olhava de forma fixa para o leite sendo entornado em sua caneca. Era leite puro, produzido lá mesmo. Nada mais orgânico e natural. Mas relembrava-o dos eventos do dia anterior. Relembrava-o de morte. Sentia mesmo com o olhar a gordura do leite, a grossura. E tinha uma vaga impressão de estar sentindo mesmo a essência da vaca morta. Tentou afastar o pensamento e temperando o leite com o chocolate de sempre, levou a caneca à boca, fechando os olhos como se trancasse a idéia lá fora. Mas logo sentiu o cheiro do leite. Era uma fração do cheiro que sentira no outro dia. Mas bastava uma fração. Era cheiro de carne viva, suada, imunda. Cheiro de animal mesmo. Cheiro que o menino sentia penetrar na sua própria carne, impregnar-se nela, contaminá-la de asquerosidade. Trazia flashes em rápida sucessão de todo o horror da carcaça. O garoto sequer chegou a beber. Não conseguia. Comeu do pão apenas: cheiro mais convidativo e vegetal.
Veio a tarde e o costumeiro churrasco de domingo. O pai assava uma carne que não tinha nada a ver com o animal da véspera. Carne comprada, limpa, mas carne do mesmo jeito. Assava na churrasqueira e desprendia um cheiro bom, salivante. Mas para o menino, carregava ainda uma fração da fração que sentira no café da manhã. E neste caso, não era apenas questão de cheiro: capa naco de carne que mastigava carregava consido aquele cheiro interpretado em gosto, e a certeza de que o que ele comia era em muito similar àquilo que vira dependurado nos ganchos.
Terminou o final de semana e a família voltou para a cidade. Ao menos o café da manhã agora passava a contar com leite: desnatado, desengordurado, quase inorgânico. Mas era leite. Mantinha uma fração muito miúda daquela impressão toda. Pequena o suficiente para ser ignorada. Deveras, até o leite condensado exalava uma versão congelada daquilo. Mas aqui na cidade, onde tudo era criticado por ser deshumanizado, dava pra ignorar tudo isso sem muita dificuldade. O horror da carne aqui era inodoro, confinado aos filmes de terror, aos livros de biologia e a uma confortante sensação de ser falso.
O garoto havia ido atrás do pai: mensagem qualquer da mãe. Atravessara a parca distância de pouco menos de um quilômetro pela estrada de terra, sem sequer olhar muito para a paisagem que já conhecia muito bem. Havia sido avisado do que é que o pai fazia àquela hora, mas não havia cogitado o espetáculo dantesco que veria. Aconteceu, segundo disseram, que uma das vacas da fazenda havia contraído tuberculose. Sabe Deus como é que souberam do fato. E apesar da variedade bovina da doença não se alastrar entre humanos, causaria verdadeiro genocídio na população animal. A solução fria e direta: matar a vaca.
O rapaz entrou pelos portões da propriedade sem muita cerimônia e foi logo para os fundos, onde ficavam os animais. E já a meio caminho podia ver a imagem violenta e surreal do animal morto, parecendo mais uma coisa que nunca fora viva do que um cadáver. Talvez por isso mesmo que, naqueles primeiros momentos, teve capacidade de permanecer ali o menino, e olhar para aquilo tudo com o desprendimento de um cientista. Estava o animal preso pelos calcanhares trazeiros em dois ganchos presos em uma árvore, e este detalhe apenas gerou no menino uma simulação mental de angústia. Mas piorava: a carne exposta, sem pele, já se transmodificando em bife, desses assado em churrasqueira. As perna abertas em uma alegoria remotamente sexual e o corpo aberto pelo meio, de cabo a rabo. Só então o menino percebeu que faltva-lhe a cabeça, e parou imediatamente onde estava, notando-a a poucos metros de seus pés. Ao lado, as visceras amontoadas em um bolo que supreendia pelo tamanho: cabia mesmo tudo isso dentro de um só animal? O rapaz observava entre impressionado e apavorado -- porque a mera imagem de um animal morto põe qualquer outro animal em estado de alerta contra perigos -- enquanto o capataz fazia um corte em um dos incontáveis estômagos do ex-bicho, fazendo brotar uma massa de pasto semi-digerido. Detalhando sordidamente a cena, um rastro de sangue espalhava-se sem direção certa. E ao contrário das visceras, impressionava o quão pouco sangue havia. Não em quantidade, mas em proporção. O rastro era longo, mas esperava-se mais por tão grande animal. E era de um vermelho profundo, cor de vinho e com todas as nuances peculiares do sangue. Misturava-se com o chão de terra e resultava em uma lama bizarra. O rastro definia para o menino um perímetro além do qual ele não tinha estômago para passar. Mas ao mesmo tempo, queria saber mais detalhes, queria vasculhar as vísceras e compreendê-las, queria estudar a anatomia daquela carcaça. Estava na época de aprender sobre organismos no colégio e a proximidade com aquilo tudo lhe proporcionava algo mais real do que as imagens nos livros didáticos. Mais real até do que os espécimes conservados em clorofórmio do laboratório de biologia.
No dilema entre afastar-se com asco e permanecer com curiosidade, nem viu o pai chegar. Levou um susto e foi tomado perante o pai da sensação de que talvez não devesse estar lá. Escondeu o sentimento e passou a mensagem que o trouxera alí. O paí respondeu qualquer coisa e continuou sua examinação, profissional que era, ignorando o horror no qual estava imerso até os joelhos. Em seguida, deixando que o sentimento voltasse a transparecer e decidisse o dilema, o menino deu as costas para tudo aquilo e afastou-se. Ficou na mente o olhar apático da cabeça decepada do animal. E algo mais que ele só saberia depois.
De volta em casa, no dia seguinte. Café da manhã na fazenda. O garoto olhava de forma fixa para o leite sendo entornado em sua caneca. Era leite puro, produzido lá mesmo. Nada mais orgânico e natural. Mas relembrava-o dos eventos do dia anterior. Relembrava-o de morte. Sentia mesmo com o olhar a gordura do leite, a grossura. E tinha uma vaga impressão de estar sentindo mesmo a essência da vaca morta. Tentou afastar o pensamento e temperando o leite com o chocolate de sempre, levou a caneca à boca, fechando os olhos como se trancasse a idéia lá fora. Mas logo sentiu o cheiro do leite. Era uma fração do cheiro que sentira no outro dia. Mas bastava uma fração. Era cheiro de carne viva, suada, imunda. Cheiro de animal mesmo. Cheiro que o menino sentia penetrar na sua própria carne, impregnar-se nela, contaminá-la de asquerosidade. Trazia flashes em rápida sucessão de todo o horror da carcaça. O garoto sequer chegou a beber. Não conseguia. Comeu do pão apenas: cheiro mais convidativo e vegetal.
Veio a tarde e o costumeiro churrasco de domingo. O pai assava uma carne que não tinha nada a ver com o animal da véspera. Carne comprada, limpa, mas carne do mesmo jeito. Assava na churrasqueira e desprendia um cheiro bom, salivante. Mas para o menino, carregava ainda uma fração da fração que sentira no café da manhã. E neste caso, não era apenas questão de cheiro: capa naco de carne que mastigava carregava consido aquele cheiro interpretado em gosto, e a certeza de que o que ele comia era em muito similar àquilo que vira dependurado nos ganchos.
Terminou o final de semana e a família voltou para a cidade. Ao menos o café da manhã agora passava a contar com leite: desnatado, desengordurado, quase inorgânico. Mas era leite. Mantinha uma fração muito miúda daquela impressão toda. Pequena o suficiente para ser ignorada. Deveras, até o leite condensado exalava uma versão congelada daquilo. Mas aqui na cidade, onde tudo era criticado por ser deshumanizado, dava pra ignorar tudo isso sem muita dificuldade. O horror da carne aqui era inodoro, confinado aos filmes de terror, aos livros de biologia e a uma confortante sensação de ser falso.
quinta-feira, outubro 21, 2004
Official statement:
I now have an MSN account. I'll be looking you guys up, but if you want to quicken things up, look me up with my usual e-mail. Not the company e-mail. You should know the one...
==============
Declaração oficial:
Agora possuo uma conta de MSN. Estarei procurando vocês, mas se querem apressar as coisas, me procurem pelomeu e-mail normal. Não o da empresa. Vocês sabem qual...
I now have an MSN account. I'll be looking you guys up, but if you want to quicken things up, look me up with my usual e-mail. Not the company e-mail. You should know the one...
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Declaração oficial:
Agora possuo uma conta de MSN. Estarei procurando vocês, mas se querem apressar as coisas, me procurem pelomeu e-mail normal. Não o da empresa. Vocês sabem qual...
terça-feira, outubro 19, 2004
Guys, Would you help me out on a series of pics for the fotolog?
It's a simple idea: I'll produce a photo of you (I'll pic the place, the lighting if possible, the clothes and make-up). And you, wether you are a photography fan or not, will produce one of me (you can also pic the place, lighting and all the crap...). The idea is to try and capture a person's essence, what he/she means or looks like to you. Anything goes, even Photoshop intervention, if it'll help you reach the desired result. Who's game? Send me a comment or an e-mail.
=====================
Pessoas, vocês me ajudariam com uma série de fotos para o fotolog?
A idéia é simples: eu produzo uma foto de vocês (escolho o lugar, se possível faço a iluminação e escolho figurino). E vocês, interessados ou não em fotografia, produzem uma de mim (também podem escolher lugar, iluminação e o caralho a quatro...). A idéia é tentar capturar a essência da pessoa, o que ela significa e como ela parece para você. Vale tudo, até intervenção de Photoshop (Photochopp para os mais etílicos...), desde que chegue a esse resultado. Alguém topa entrar nessa? Mandem comments ou me escrevam um e-mail.
sexta-feira, outubro 15, 2004
Surreal revelation XV:
Estava certo o redator que trabalha comigo quando disse que não é o mundo que é pequeno, é a renda que é concentrada demais. Faz sentido esse pensamento, não? Se você faz parte da parcela da população com renda alta, você obviamente estará sempre encontrando as mesmas pessoas, que também têm renda alta, e freqüentam os mesmos lugares.
Estava certo o redator que trabalha comigo quando disse que não é o mundo que é pequeno, é a renda que é concentrada demais. Faz sentido esse pensamento, não? Se você faz parte da parcela da população com renda alta, você obviamente estará sempre encontrando as mesmas pessoas, que também têm renda alta, e freqüentam os mesmos lugares.
quarta-feira, outubro 13, 2004
Há noites em que eu consigo até sentir a sanidade escapando. A minha definição de loucura patológica é quando, em determinada situação, aquela parte consciente da sua mente que você acredita controlar escapa do seu controle completamente e começa a te torturar com pensamentos que você não consegue agüentar. Coisas sádicas, pervertidas, ou simplesmente horrorosas. E você tenta se distrair e pensar em outra coisa, mas fica tão abismado com o que acabou de imaginar, que volta naturalmente àquelas idéias.
Antigamente, eu não tinha esse medo de enlouquecer. Porque, na verdade, quando eu pensava nisso, sempre havia a idéia de que, ao enlouquecer, eu naturalmente perderia a consciência e passaria para um estado de "não ser". Um estado animal em que você não sabe o que faz e na verdade nem se importa. Mas não é assim. Eu continuo "sendo" inexoravelmente. Continuo tendo perfeita consciência do quão mal me sinto, numa vigília de pesadelos momentâneos ao anoitecer, em que cogito o fim da existência e acabo decidindo esperar pra ver como me sinto no dia seguinte. Dormir. ("Dormir e talvez sonhar: sim, eis aí o negócio"). Porque dormir e como apertar Ctrl + Alt + Del e reiniciar a máquina. Se um dia eu acordar e essa sensação horrível de ansiedade ainda estiver presente....
Mas quem sabe eu seja apenas covarde demais pra isso. Ainda bem.

Antigamente, eu não tinha esse medo de enlouquecer. Porque, na verdade, quando eu pensava nisso, sempre havia a idéia de que, ao enlouquecer, eu naturalmente perderia a consciência e passaria para um estado de "não ser". Um estado animal em que você não sabe o que faz e na verdade nem se importa. Mas não é assim. Eu continuo "sendo" inexoravelmente. Continuo tendo perfeita consciência do quão mal me sinto, numa vigília de pesadelos momentâneos ao anoitecer, em que cogito o fim da existência e acabo decidindo esperar pra ver como me sinto no dia seguinte. Dormir. ("Dormir e talvez sonhar: sim, eis aí o negócio"). Porque dormir e como apertar Ctrl + Alt + Del e reiniciar a máquina. Se um dia eu acordar e essa sensação horrível de ansiedade ainda estiver presente....
Mas quem sabe eu seja apenas covarde demais pra isso. Ainda bem.
segunda-feira, outubro 11, 2004
RIP Christopher Reeve:
Actor Christopher Reeve, star of the Superman series died this sunday of a heart failure. He was 52. Details are still fuzzy, but that's what I gathered. As one of the not so politically correct guys from Megatokyo wrote, he was someone "who once made us believe that a man could fly, and spent the later years of himself convincing us that a man could walk."
Dark humor aside, he was a fighter, who didn't stop working even after the accident that put him in a wheelchair for the rest of his life. His condition inspired him to create a foundation for the study of spinal cord injuries. The last movie I saw with him was a remake of Hitchcock's Rear Window (Janela Indiscreta in my contry).
Actor Christopher Reeve, star of the Superman series died this sunday of a heart failure. He was 52. Details are still fuzzy, but that's what I gathered. As one of the not so politically correct guys from Megatokyo wrote, he was someone "who once made us believe that a man could fly, and spent the later years of himself convincing us that a man could walk."
Dark humor aside, he was a fighter, who didn't stop working even after the accident that put him in a wheelchair for the rest of his life. His condition inspired him to create a foundation for the study of spinal cord injuries. The last movie I saw with him was a remake of Hitchcock's Rear Window (Janela Indiscreta in my contry).
quinta-feira, outubro 07, 2004
Surreal revelations XIV:
In a short space of less than twenty years, communication has evolved dramatically, from the common telephone, to mobile phones that get smaller every year. At this rate, and with a little research on human-machine interfaces, humanity could develop something close to technological telepathy. Imagine planting a microchip on the brain that could transmit and receive data like a mobile phone. And with a system like the internet, humanity would soon develop into a hive-minded breed, where everyone would be connected to everyone else at all times (by everyone I obviously mean whomever can afford it: there will always be those who are left behind...). As I picture this, I remember Ghost in the Shell
The really trippy part is imagining that such a technology could develop beyond language: one could transmit pure concepts, regardless of whether they are in english, portuguese or japanese.
Or imagining that, just as there are hackers in the common internet, there'd be hackers in such a system, capable of accessing data from your head regardless of the barriers you set up.
Last but not least, humanity would need to raise to a new level of tolerance. Gaining access directly into people's heads would mean gaining access to things that would be best kept hidden: perversions, bottled up emotions, prejudices. We'd have to learn to live with these things and that's something we've been trying to master ever since the dawn of mankind. One can only hope that human morals and ethics evolve faster than technology.
In a short space of less than twenty years, communication has evolved dramatically, from the common telephone, to mobile phones that get smaller every year. At this rate, and with a little research on human-machine interfaces, humanity could develop something close to technological telepathy. Imagine planting a microchip on the brain that could transmit and receive data like a mobile phone. And with a system like the internet, humanity would soon develop into a hive-minded breed, where everyone would be connected to everyone else at all times (by everyone I obviously mean whomever can afford it: there will always be those who are left behind...). As I picture this, I remember Ghost in the Shell
The really trippy part is imagining that such a technology could develop beyond language: one could transmit pure concepts, regardless of whether they are in english, portuguese or japanese.
Or imagining that, just as there are hackers in the common internet, there'd be hackers in such a system, capable of accessing data from your head regardless of the barriers you set up.
Last but not least, humanity would need to raise to a new level of tolerance. Gaining access directly into people's heads would mean gaining access to things that would be best kept hidden: perversions, bottled up emotions, prejudices. We'd have to learn to live with these things and that's something we've been trying to master ever since the dawn of mankind. One can only hope that human morals and ethics evolve faster than technology.
There's this character, a goth girl of sorts, who works as a computer tech. In two or three particular comics, she gets these calls from people who claim to have trouble with their computers, but who are actually just using them in the wrong way (for instance, this guy says he turned the computer on but nothing showed on the screen and it turns out he didn't turn on the screen...). Kinda reminds me vividly of my fellow co-workers.
Both the copywriters in my room (a girl in her twenties and working for the first time and a guy in his late forties who's been on the business for the past twenty years) have serious difficulties with their machines. In both cases, it seems kinda surreal. I mean, the girl is even younger than me and spends most of the day on MSN or Orkut. Belonging to such a generation, she should at least be familiar with the basics. As for the older guy, after twenty years, you`d figure he would have gotten the hang of it by now. Since I'm the only other person who's always in the room, I always get called over to fix whatever stupidity they can't seem to work out on their own.
Sure, I should be politically correct and aknowledge the fact that not every one deals well with computers. But it gets to a point where it's no longer inaptitude, it's just plain old stupidity... And besides, at least up until last year, I was the one to call myself technologically inapt. And now I`m the one solving computer problems?
quarta-feira, outubro 06, 2004
Looking out my office window, I get a glimpse of a part of an airport thtough the gaps between other office buildings. I`ve mentioned this before, and the Goodyear blimp that takes off from that airport. In the short cofee breaks I allow myself to take during the day, I look at the airport while sipping my coffee. Just as the coffee break is a tiny relief from the tensions of work (deadlines, small computer problems, asking for this or that briefing for the eleventh time...), the openness of the airport space is a relief from the claustrophobia of office buildings and the sterile whiteness of my own office (white walls, white desks and concrete everywhere...). But perhaps the most soothing thing is to watch the helicopters taking off and landing. In a busy metropolis such as mine, more choppers fly out of airports than private jets because business is conducted inside the city. I watch the helicpters and feel the same projection I felt when I watched the birds as a child. Back then I watched seagulls flying at the beach and my mind would simulate the feeling of weightlessness, of being carried by air masses. And the pit in my stomach when the seagulls would dive for fish in the sea. Now I look at choppers and feel the way their movement seems to be based on balance and momentum. Tilting in any direction means moving that way. Tilting in the oposite direction reduces speed. It`s tense, but at the same time kinda fun and relaxing in a "Desert Combat" kinda way... I know, it`s paradoxal...
*Sigh* Even in the most subjective moments, I yield to rational explanations...
*Sigh* Even in the most subjective moments, I yield to rational explanations...
segunda-feira, outubro 04, 2004
Last friday, one of the teachers in the advertising course quoted Shakespeare to explain something. Specifically, he quoted among other things, the famous "to be or not to be" monologue, from Hamlet. And I finally understood how perfectly the title of To what dreams may come (the last title in my list of movies to the left...) fits into the movie`s plot.
At a certain point, Hamlet says:
To die, to sleep;
To sleep: perchance to dream: ay, there's the rub;
For in that sleep of death what dreams may come
When we have shuffled off this mortal coil,
Must give us pause: there's the respect
That makes calamity of so long life.
Roughly "translated":
To die, to sleep and maybe even to dream: there's the thing. We must think (give pause) of what dreams may come in that sleep of death once we`ve shuffled off this mortal coil: that's the fear that makes us go on living.
He is thus considering what exists in the afterlife. If death is compared to sleep, the afterlife would be a dream. The whole monologue ends with him saying that, before one ends his own life, preferring death over all the outrages and pains we suffer in life, one must consider what comes after death. Where does one expect to go after death. What if it there is no heaven?
What will you dream of?
My weekend was spent dwelling on the subject, and for a first time in ages, rethinking all my suicidal thoughts in a much more positive, pro-life point-of-view...
At a certain point, Hamlet says:
To die, to sleep;
To sleep: perchance to dream: ay, there's the rub;
For in that sleep of death what dreams may come
When we have shuffled off this mortal coil,
Must give us pause: there's the respect
That makes calamity of so long life.
Roughly "translated":
To die, to sleep and maybe even to dream: there's the thing. We must think (give pause) of what dreams may come in that sleep of death once we`ve shuffled off this mortal coil: that's the fear that makes us go on living.
He is thus considering what exists in the afterlife. If death is compared to sleep, the afterlife would be a dream. The whole monologue ends with him saying that, before one ends his own life, preferring death over all the outrages and pains we suffer in life, one must consider what comes after death. Where does one expect to go after death. What if it there is no heaven?
What will you dream of?
My weekend was spent dwelling on the subject, and for a first time in ages, rethinking all my suicidal thoughts in a much more positive, pro-life point-of-view...
sexta-feira, outubro 01, 2004
Dream
I discovered that I had the marvelous ability to hug one of those helium-filled baloons and just float with it high above the sky. And I flew, careless as to where to go. Just taken by the wind. I remember seeing the dirtroads of grandma`s farm stretching for miles in a straight line. And then, all of a sudden, I decended and entered a subway station. I landed close to the turnstiles and noticed how the station was entirely made of brushed iron plates. Mom was there. We greeted each other briefly and with the casualty of not expecting to find each other there. And then she climbed on my back and I hugged the baloon again. As we began to gain altitude, the train went by. And that`s the last thing I remember before waking up with the joyous feeling of weightlessness.
I went to work that day and looked out the window. The Goodyear blimp, which as I wrote earlier, takes off from an airstrip close to the office, greeted me and seemed to be the obvious reference to the whole dream. Looking around, I saw the subway rail cutting through the city in an straight line that stretched for miles. Like the roads in the dream. And likewise, there was a subway station just ahead. The subway trains exited from it, all made in brushed iron plates.
Funny how you can dream of a place without having an actual image of it in the dream...
I discovered that I had the marvelous ability to hug one of those helium-filled baloons and just float with it high above the sky. And I flew, careless as to where to go. Just taken by the wind. I remember seeing the dirtroads of grandma`s farm stretching for miles in a straight line. And then, all of a sudden, I decended and entered a subway station. I landed close to the turnstiles and noticed how the station was entirely made of brushed iron plates. Mom was there. We greeted each other briefly and with the casualty of not expecting to find each other there. And then she climbed on my back and I hugged the baloon again. As we began to gain altitude, the train went by. And that`s the last thing I remember before waking up with the joyous feeling of weightlessness.
I went to work that day and looked out the window. The Goodyear blimp, which as I wrote earlier, takes off from an airstrip close to the office, greeted me and seemed to be the obvious reference to the whole dream. Looking around, I saw the subway rail cutting through the city in an straight line that stretched for miles. Like the roads in the dream. And likewise, there was a subway station just ahead. The subway trains exited from it, all made in brushed iron plates.
Funny how you can dream of a place without having an actual image of it in the dream...
quinta-feira, setembro 30, 2004
Dream
The city was under an earthquake alert. It could strike at any moment. People were hurried out of the buildings. I, on the other hand, was climbing to the last floor of a building, accompanied by a few friends, Tink and my brother. Important to note here that the building had walls of riveted iron, escalators and lots of glass. Kinda like a mall. We got to a room where people were apparently being held hostage by a school teacher (kinda reminds me of school days there: we were all hostages...). One of my friends kicked down the door and we went in, searching for something. I remember thinking "God, if the earthquake strikes now, this building will fall with me on it!" And then the earthquake began. I remember looking out the window and noticing how the world was turning. Things tat were vertical were going horizontal: the building was falling. At this point, there was no one else in the room but me and my brother. I felt that rush as I prepared for impact and death. I knew there was nothing I could do, but still I braced myself on the furniture. The building hit the ground and I hit my head. I bled copiously, but I wasn`t dead. Neither was my brother. We climbed out of the rubble to a world were everything was a shade of blue. Was this the afterlife? We saw the top of the building had broken off with us in it. The rest was still there. For some reason, we went into it again. And all the riveted iron, the escalators and the glass had been replaced with clear white ceramic tiles, like the ones you see in bathrooms. But each one was about one meter in lenght and height. And there were pieces of scotch tape where apparently the iron and everything else had been stuck to the walls. Reallity was a fraud. This was the afterlife and reality.
The city was under an earthquake alert. It could strike at any moment. People were hurried out of the buildings. I, on the other hand, was climbing to the last floor of a building, accompanied by a few friends, Tink and my brother. Important to note here that the building had walls of riveted iron, escalators and lots of glass. Kinda like a mall. We got to a room where people were apparently being held hostage by a school teacher (kinda reminds me of school days there: we were all hostages...). One of my friends kicked down the door and we went in, searching for something. I remember thinking "God, if the earthquake strikes now, this building will fall with me on it!" And then the earthquake began. I remember looking out the window and noticing how the world was turning. Things tat were vertical were going horizontal: the building was falling. At this point, there was no one else in the room but me and my brother. I felt that rush as I prepared for impact and death. I knew there was nothing I could do, but still I braced myself on the furniture. The building hit the ground and I hit my head. I bled copiously, but I wasn`t dead. Neither was my brother. We climbed out of the rubble to a world were everything was a shade of blue. Was this the afterlife? We saw the top of the building had broken off with us in it. The rest was still there. For some reason, we went into it again. And all the riveted iron, the escalators and the glass had been replaced with clear white ceramic tiles, like the ones you see in bathrooms. But each one was about one meter in lenght and height. And there were pieces of scotch tape where apparently the iron and everything else had been stuck to the walls. Reallity was a fraud. This was the afterlife and reality.
quarta-feira, setembro 29, 2004
Dream
The lights switched on over an arena where a dance presentation would take place. The ground was plain sand but it was quite hard. On the center of the arena, a big wooden block was what could be called a stage. Chebel walked in, dressed in harlequim clothes with an expressionless white mask on her face. She danced slowly for a while and climbed the stage effortlessly. Then others joined the dance, dressed in similar clothes, with many checkered patters. All wore white masks with diverse expressions. Some wore them upside down. The invaded the stage swinging from trapeze, walking tightropes, or simply bouncing around. And they danced with her, held her in quick duets, and then jumped off the stage, making room for the others that were pouring in. I was one of them. At some point, almost everyone else dissapeared. A few remained motionless on the stage, like abandoned marionettes. Chebel and I were both on the sandy floor in a duet. Then she headed for the stage and climbed it with a magnificent cartwheel that made the audience cheer. In glee, i followed the exact move. We did a few dance steps on the stage and then each one headed in oposite direction. I jumped off the stage with a sommersault that took ages to hit the ground and got heavy cheering from the crownd. When I looked back, she was on the floor already, having jumped off somehow. We stared at each other through the masks, and then, executed the last pose as the music played it`s final accords.
The references for this dream seem to be more emotional than rational. See, Chebel went away to London a week ago... That's why, when the dream ends, we're on oposite sides of the stage. Furthermore, and this is kinda hard to explain, I always felt she seeks the same sort of physicality, the same taste for body motion. But then again , I don't know her all that well...
The lights switched on over an arena where a dance presentation would take place. The ground was plain sand but it was quite hard. On the center of the arena, a big wooden block was what could be called a stage. Chebel walked in, dressed in harlequim clothes with an expressionless white mask on her face. She danced slowly for a while and climbed the stage effortlessly. Then others joined the dance, dressed in similar clothes, with many checkered patters. All wore white masks with diverse expressions. Some wore them upside down. The invaded the stage swinging from trapeze, walking tightropes, or simply bouncing around. And they danced with her, held her in quick duets, and then jumped off the stage, making room for the others that were pouring in. I was one of them. At some point, almost everyone else dissapeared. A few remained motionless on the stage, like abandoned marionettes. Chebel and I were both on the sandy floor in a duet. Then she headed for the stage and climbed it with a magnificent cartwheel that made the audience cheer. In glee, i followed the exact move. We did a few dance steps on the stage and then each one headed in oposite direction. I jumped off the stage with a sommersault that took ages to hit the ground and got heavy cheering from the crownd. When I looked back, she was on the floor already, having jumped off somehow. We stared at each other through the masks, and then, executed the last pose as the music played it`s final accords.
The references for this dream seem to be more emotional than rational. See, Chebel went away to London a week ago... That's why, when the dream ends, we're on oposite sides of the stage. Furthermore, and this is kinda hard to explain, I always felt she seeks the same sort of physicality, the same taste for body motion. But then again , I don't know her all that well...
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