quarta-feira, agosto 25, 2010

Eu até cheguei a escrever sobre isso por aqui, mas não achei que fosse de fato possível. Uma nota publicada ontem no Estado comentava uma notícia de um jornal chinês, onde aparentemente um congestionamento de aproximadamente 100 quilômetros ficou travado durante 9 dias. E a previsão era que durasse ainda mais!

segunda-feira, agosto 23, 2010

Exposição "Homenagem"

Exposição HOMENAGEM

" A série de telas aborda a geração teatral que iniciou o teatro profissional em São Paulo nos anos 50, e conta não só com referências a meus avos Sérgio Cardoso e Nydia Lícia, mas também a Cacilda Becker, Cleyde Yáconis e Maria Della Costa, entre outros. Também fazem parte da exposição programas e textos originais da época em que as peças foram encenadas."

Comecei hoje a divulgar a exposição das telas que iniciei há quase um ano. Sinto que poderá ser a minha primeira exposição com qualidade profissional, tanto nos trabalhos, quanto na organização do evento. Resta saber se conseguirei atrair a atenção desejada e como poderei aproveitar o que vier desta exposição, sendo que pouco menos de uma semana depois dela eu estarei embarcando para Londres.

Meu Deus, como o tempo passa rápido quando estamos no caminho certo!

Enfim, deixo aqui os detalhes:

Exposição HOMENAGEM
De 4 a 18 de Setembro (segunda a sexta, das 10h às 18h30 e sábados das 10h às 14h)
Abertura dia 4 de Setembro, das 11h às 16h
Espaço Augôsto Augusta
Rua Augusta 2161
Fones: (11) 3082-1830
www.augosto.com.br

quinta-feira, agosto 12, 2010

Gênios, mestres e diluidores

Sessão no Dudi ontem, depois das férias.

Ele mencionou uma definição do poeta americano Ezra Pound, que dizia que há três tipos de artistas (ele se referia a poetas, mas suponho que sirva para artistas em geral): os gênios que criam novas propostas, os mestres que não criam nada novo, mas atingem a mais perfeita execução das propostas dos anteriores, e os diluidores que se prestam apenas a espalhar as boas novas por aí, sem criar nada nem atingir a virtuose.

A discussão estava interessante. Tinha começado com uma pergunta minha que sempre causa uma certa polêmica: se ele conhecia algum artista atualmente que estivesse preocupado em entrar para os livros de história. A pergunta, melhor explicada, é na verdade se alguém está interessado em fazer mais do que apenas vender obras. Se alguém está interessado em de fato propor o próximo passo evolutivo na arte. Ou seja, em ser um gênio poundiano.

Não que vender obras seja um pecado a ser combatido. É algo necessário e eu já passei da fase idealista da faculdade de demonizar as galerias. Mas a arte precisa ser isso e muito mais.

Dudi riu, disse que talvez um ou outro da geração dele tivesse essa preocupação em ser eterno. Demorou-se em seguida em monólogos sobre como isso não pode ser planejado. Não se planeja em determinado dia e hora revolucionar séculos de arte. Simplesmente acontece. O que podemos fazer é viver de forma plena. E terminou por dizer que aspirar ao status de gênio desse jeito era uma espécie de megalomania, prepotência (não usou esses termos, porque ele é educado...).

Certo. Eu no entanto acredito que, embora saiba que sou nada, posso aspirar à grandeza. E o primeiro passo para se aspirar à grandeza seria claro deixar de lado as obviedades artísticas. Dentro do raciocínio todo, não se chega ao gênio artístico poundiano fazendo retratos ilustrativos a óleo sobre tela, por exemplo. Isso já foi feito há séculos e de forma muito melhor. Isso só o torna mais um diluidor.

Há um problema na humildade de achar que aspirar ao gênio é a prepotência. E o problema é que, para não parecermos prepotentes, para sermos mais "realistas", acabamos não tentando. O que me incomoda na minha geração de artistas (e confesso que em mim mesmo) é que não vejo ninguém tentando. Vejo muita gente contente em diluir, às vezes trilhando o caminho para virarem mestres. Mas aspirantes a gênios, não sei... Quando questionados sobre isso, todos riem vagamente incomodados, dizem que isso não é importante. Como não é importante!?

Para concluir o raciocínio, me pego observando o que tenho produzido, mesmo as coisas mais recentes deste ano que me deram tanta satisfação, e só vejo obras de mais um diluidor. Materiais triviais, composições triviais, assuntos talvez um pouco menos triviais. Onde está a trilha de raciocínio e inspiração que pode me levar ao gênio?

terça-feira, agosto 03, 2010

Dos benefícios de falhar

E há um ano, eu saí da minha (espero) última agência de publicidade. O ano que passou me tratou muito bem. A despeito do conselho que sempre recebo de não falar destas coisas por aqui, Julho foi o mês mais rentável desde que saí. E apesar disso, continuo trabalhando quase a metade do tempo que eu passava na agência e passando o resto do dia entretido na carreira de arte.
Muita coisa me passa pela cabeça quando penso no rumo que tomei há um ano.
Pra começar, lembro de duas coisas que assisti recentemente. A primeira é do ótimo filme Up in the Air, com o George Clooney e a bela Vera Farmiga (embora a Anna Kendrick faça mais o meu tipo...). Trata-se de uma linha de diálogo que ele, como uma espécie de auditor de empresas, fala sempre que demite um funcionário: Todo mundo que construiu um império ou mudou o mundo já esteve na sua situação. E foi por estar nela que eles conseguiram.
A segunda coisa foi o bem humorado discurso que a escritora do Harry Potter, a inglesa J. K. Rowling, deu para a turma de formandos de Harvard em 2008.



Nesta primeira parte de seu discurso, ela menciona os benefícios de falhar. Parece estranho falar disso para formandos de Harvard, que provavelmente não têm muita intimidade com o termo. Mas ela escolhe esse assunto porque, sete anos depois de se formar, Rowling se viu como mãe divorciada, desempregada e "tão pobre quanto se pode ser na Inglaterra moderna sem estar morando na rua". Ela percebeu-se como o maior exemplo de falha que ela conhecia. No entanto, a autora reconhece que esse falhar inicial, esse fundo do poço (em inglês conhecido como "rock bottom" - a base de pedra dura) tornou-se a fundação sólida para começar de novo. Mais do que isso, ela reconhece que falhar em uma escala tão épica significou libertar-se de uma série de idiossincrasias e megalomanias inúteis e poder focar no que de fato importava.

Eu não trabalhei em empresas multinacionais para ser demitido de um dia para o outro por um auditor inescrupuloso e nem acredito que escreverei o maior sucesso da literatura infanto-juvenil da minha época, mas guardadas as devidas proposções, essas duas coisas são espelhos da minha realidade. Eu também falhei miseravelmente na carreira para a qual eu havia estudado. Não posso dizer que decepcionei meus pais, pois eles são do tipo ao qual só importa minha felicidade, seja ela em uma multinacional ou vendendo sapatos... Mas decepcionei a mim mesmo. Eu, que tinha essa idéia de que seria um homem de negócios com certo poder, como meu pai, tinha falhado em tamanha magnitude, que não tinha sequer dinheiro para os simples prazeres da vida.
Então veio o "rock bottom". Fui promovido com um aumento de salário pífio, que nem chegava aos pés do que eu deveria estar ganhando quando entrei na empresa. E só fui promovido pela falta de outra opção dentro da agência, não pelo reconhecimento do meu trabalho. Joguei a toalha, saí da publicidade jurando só voltar se alguém me pagasse o que eu merecia (coisa que, obviamente, nunca aconteceu). E comecei a dar aulas de inglês. Se eu pudesse voltar no tempo e dar um conselho a mim mesmo aos 18 anos, ele seria: "trabalhe com o seu inglês". Eu não percebia o quanto eu adorava idiomas, nem o tamanho do mercado para profissionais dessa área no país. Eu poderia estar ganhando o mesmo que um trainee de multinacional, sem as pesadas horas de trabalho ou as decisões inescruplosas.

Hoje escrevo este post em um chalé nas colinas de São Fransciso Xavier. Um chalé com internet e muitos outros mimos. Lexy dorme ao meu lado e em raras ocasiões a vi tão relaxada e bem. Tiramos uma semana de férias e conseguimos um ótimo negócio nessa pousada. Coisa que só é possível, aliás, porque meus horários de trabalho são tão flexíveis que posso me adaptar às férias dela sem problemas. Para quem tinha falhado tão incrivelmente há um ano, pareço ter virado o jogo de forma maestral.

Mas percebo também que parte da inspiração para esta virada veio dela, da Lexy. Ela é de uma família simples, com um pai economista que a ensinou a economizar e controlar gastos. Foi uma habilidade importante de aprender neste ano que passou. Além disso, ela sempre soube que bater a cabeça para conseguir o que todo mundo vê como símbolo de sucesso e status só vai te dar uma enxaqueca daquelas. Em São Paulo, há sempre muitos outros competidores maiores e mais fortes do que você. Então o sucesso não está nos empregos, lugares e baladas que todo mundo quer, mas nas alternativas. Sabendo procurar (e ela sabe...), há delícias simples e baratas aos montes por aí.