Alguns me pedem que mande fotos, mas por enquanto nao tenho maquina digital... Nao achei nenhuma com um custo/beneficio que me convencesse a gastar tanto dinheiro antes de viajar. Pra compensar, tome descriçao...
Amina me levou para o centro de Perugia no dia seguinte à minha chegada. De inicio, lembrei-me das aulas de historia e de alguns filmes: o centro de Perugia é como os burgos dos livros de historia, uma cidade dentro de uma muralha circular, no alto de uma colina. Hoje em dia, a cidade se espalhou para além das muralhas, tomando a planicie abaixo da colina de forma mais espaçosa. Dentro das muralhas, as ruas sao apertadissimas (o que às vezes causa cenas engraçadas entre carros que querem ir em direçoes opostas e se encontram no meio do caminho). Os italianos sao muito corteses uns com os outros, mesmo nas situaçoes mais ridiculas. As casas todas tem em media tres andares, o que deixa as ruelas sempre na sombra e umidade. Tudo aqui é feito de pedra. Distingue-se as construçoes medievais das novas, porque as antigas tem o que eles chamam de pedras etruscas, grandes blocos de pedra de tamanhos variados. As novas tem pedras menores e tijolos comuns ou paredes pintadas (massa corrida nao é tao comum a ponto de estar em todas as casas, muitas ficam com os tijolos à mostra - belissimas justamente por isso...). A impressao geral é que a cidade parece aquela Praga medieval do jogo de Vampire ([1] [2][3]). Uma cidade que desconhece a filosofia do less is more (less is bore, na minha opiniao) dos americanos: incrivelmente detalhada, mesmo no modo como a natureza invade e parece conviver com as pedras da cidade (coisa que me lembra um outro jogo, o Samorost. A natureza em volta do burgo é muito similar às imagens do Samorost: as plantas retorcidas, varios tons de marrom e verde-musgo. Suponho que seja o inverno, mas tenho a impressao de que é sempre assim.
O burgo é um labirinto. Andar por ele é como andar em um jogo de RPG: caminhos especificos levam a lugares especificos como que por magica, mera determinaçao do programador do jogo. Nao ha muita logica. Sendo assim, nao basta ter senso de direçao. Aqui, a memoria visual e de como fazer, passo a passo, para chegar a um lugar, vale mais. Certa vez, Amina me mostrou o aqueduto de Perugia, hoje desativado e servindo como passarela por entre as casas altas à sua volta. Demorei uns tres dias para encontrar um jeito de chegar no aqueduto (nao que eu estivesse procurando com muita vontade...) e acabei achando por acaso. A cidade, nas minhas andanças abre-se em claroes onde posso ver a paisagem por milhas, belissima, mas que ao mesmo tempo parece rir da minha confusao, porque nao me oferece nenhuma pista de como chegar aos lugares lindos que vejo la longe. Muitos desses lugares sao catedrais, cujas torres despontam no meio das casinhas de pedra. Outro dia escrevo sobre minha experiencia fantastica na catedral do Corso Vannuchi.
Ainda nao explorei muito fora do burgo (afinal, sendo um claustrofilo por natureza, aqui parece ser o meu lugar...). A paisagem local e o clima me lembram Campos do Jordao com menos dinheiro e mais historia (além da semelhança com Samorost). Menos influencia alema também. Tenho olhado muito as peças publicitarias em busca de traços caracteristicos da cultura italiana que tenham influenciado a publicidade. E acho as placas de transito interessantes, totalmente diferentes.
Amanha, muitas coisas novas acontecerao... Saio da casa da familia Seppilli para o lugar que aluguei. Chanteung acha que fiz mau negocio: de fato, encontrei avisos de estudantes na universidade procurando alguém pra dividir acomodaçoes, por metade do preço. No fim de Fevereiro, talvez procure um desses... Amanha também começarei as aulas na universidade. Ou seja, vou conhecer um bando de gente. Gente da minha idade, finalmente (adoro os Seppilli, mas sinto que estou dando trabalho, sei la...). Sinto também que conhecer gente nova talvez seja uma soluçao para os incomodos que tenho relativos ao quanto me prendo ao passado (a frase ficou estranha, eu sei...). Veremos.
Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.
terça-feira, janeiro 31, 2006
segunda-feira, janeiro 30, 2006
Estratégias para o frio...
Como escrevi, quando desci em Milao, o frio me deu medo. Eu nunca estive em um lugar onde eu nao pudesse ignorar o frio como um fator irrelevante do tempo. Aqui, o frio queimava a pele (contradiçao de termos, eu sei...). Tive que me adaptar rapidamente e descobrir algumas regras basicas.
• A neve gasta energia. Deslocar-se na neve requer mais do corpo do que o deslocamento comum. Assim, leva-se o minimo de peso e passa-se o menor tempo possivel na neve, se nao forem condiçoes muito controladas.
• Neve torna-se agua depois. Tirar a neve das roupas antes de entrar em lugares quentes vai bem.
• Comecei a usar o cachecol de uma forma mais inteligente: sobre o nariz e a boca, o proprio ar quente que eu gastaria respirando forma uma mascara que aquece a face. Simples.
• O gorro esquenta mais do que o necessario as orelhas. Pode ser feio, mas mesmo cobrindo-as pela metade, ja esquenta mais do que o suficiente. Alias, fiz bem em cortar o cabelo...
• Por ultimo, acabei criando o que eu apelidei de Armadura de Viajante. Agasalho de la embaixo de um agasalho impermeavel contra o frio e a neve ou chuva. As mochilas: a pequena que sempre uso vai na frente e a grande (mochilao de acampamento) vai atras, as alças prendendo nos meus ombros as alças da mochila menor. Parece uma armadura de samurai. De fato, acho que as partes de uma armadura de samurai travam umas às outras de modo similar. Minha carteira e outras coisas de valor ficam bem na minha frente, a salvo e ao alcance. O sistema do cachecol completa a armadura, junto com luvas, gorro e as enormes botas que comprei para a neve.
As botas, alias, tem sido um pouco problematicas: o preto das botas risca duas linhas em cada meia branca que coloco, as botas sao muito grandes e eu vivo chutando tudo e levo varios minutos pra conseguir amarrar todos aqueles ganchos. Mas compensam pela beleza e utilidade. Até agora, sem problemas ortopédicos...
• Levo um pouco de dinheiro na carteira, junto com cartoes de fliperama que nao servem pra nada pra parecerem cartoes de credito e dar credibilidade à coisa. O resto, que importa, junto com boa parte do meu dinheiro, levo escondido em dois ou tres lugares na bagagem. Never put all the eggs in the same basket...
E chega de escrever por hoje. I need to be living, not internerding...
• A neve gasta energia. Deslocar-se na neve requer mais do corpo do que o deslocamento comum. Assim, leva-se o minimo de peso e passa-se o menor tempo possivel na neve, se nao forem condiçoes muito controladas.
• Neve torna-se agua depois. Tirar a neve das roupas antes de entrar em lugares quentes vai bem.
• Comecei a usar o cachecol de uma forma mais inteligente: sobre o nariz e a boca, o proprio ar quente que eu gastaria respirando forma uma mascara que aquece a face. Simples.
• O gorro esquenta mais do que o necessario as orelhas. Pode ser feio, mas mesmo cobrindo-as pela metade, ja esquenta mais do que o suficiente. Alias, fiz bem em cortar o cabelo...
• Por ultimo, acabei criando o que eu apelidei de Armadura de Viajante. Agasalho de la embaixo de um agasalho impermeavel contra o frio e a neve ou chuva. As mochilas: a pequena que sempre uso vai na frente e a grande (mochilao de acampamento) vai atras, as alças prendendo nos meus ombros as alças da mochila menor. Parece uma armadura de samurai. De fato, acho que as partes de uma armadura de samurai travam umas às outras de modo similar. Minha carteira e outras coisas de valor ficam bem na minha frente, a salvo e ao alcance. O sistema do cachecol completa a armadura, junto com luvas, gorro e as enormes botas que comprei para a neve.
As botas, alias, tem sido um pouco problematicas: o preto das botas risca duas linhas em cada meia branca que coloco, as botas sao muito grandes e eu vivo chutando tudo e levo varios minutos pra conseguir amarrar todos aqueles ganchos. Mas compensam pela beleza e utilidade. Até agora, sem problemas ortopédicos...
• Levo um pouco de dinheiro na carteira, junto com cartoes de fliperama que nao servem pra nada pra parecerem cartoes de credito e dar credibilidade à coisa. O resto, que importa, junto com boa parte do meu dinheiro, levo escondido em dois ou tres lugares na bagagem. Never put all the eggs in the same basket...
E chega de escrever por hoje. I need to be living, not internerding...
Enquanto isso, na Sala de Justiçammmmm....
As coisas andam a passos rapidos no Brasil, pelo que vejo em alguns outros blogs.Coisas que me deixam ao mesmo tempo felicissimo, querendo ver o proximo capitulo da novela; e um pouco dolorido. Sinto-me como o bobo que esta aqui saracoteando pela Europa enquanto coisas decisivas acontecem. Ta, ja calei, nem precisa me repreender. Eu deixo isso pra tras e vou curtir a viagem. Sigo uma das minhas expressoes favoritas: this too shall pass.
Mangia che ti fa bene!
Como comem os italianos!
A vida simples aqui parece passar à espera da proxima refeiçao. De almoço a jantar e de volta ao almoço. E que refeiçoes! O costume italiano inclui muitos pratos na mesma refeiçao, e ja disse a todos por aqui que eu como estranhamente pouco. Assim, ganhei um pouco de tempo ate minha psique se adaptar à novidade e eu poder comer sem ansiedade. E mesmo comendo o que como normalmente, ainda seria muito pouco para os italianos. Tenho um pouco de medo das refeiçoes com compania: sabe-se la o que pensarao de mim, se acharao que eu nao gostei da comida... Aviso a todos sempre que eu sou o modelo economico.
As frutas aqui sao um capitulo a parte. Primeiramente, eles acham incriveis e bellissimas as frutas brasileiras, as mais exoticas. Acham estranho. Dizem que a América do Sul tem uma variedade fantastica de frutas. De fato, tem coisas que nao se pode encontrar por aqui. No entanto, até agora, so de laranjas ja conheci quatro variedades (eles chamam mixirica de laranja também...). As maças sao mais vermelhas, porém mais insossas. Ontem provei algo chamado melograno, primo da granadilla colombiana, porem mais doce, dificil de comer, e com um suco vermelho sanguineo (sim, pensei em vampirismo...). De qualquer forma, acho que vou voltar ao Brasil com um forte goste redescoberto pelas nossas frutas.
Assim como o arroz e feijao no Brasil, aqui a massa é obviamente o prato tipico. Toda refeiçao tem. Acho que finalmente vou engordar... Mas veremos. Até la descubro minha forma de comer na Italia.
Os doces também sao um pouco sem graça. Mas pra quem estava acostumado a doces portugueses, obviamente a coisa fica meio sem graça aqui.
Resumindo, eles comem demais, mas umas coisas com menos gosto do que a comida brasileira. A nao ser pela massa, especialidade deles. E eu estou tendo que ir devagar pra reservar espaço para comer de tudo um pouco.
A vida simples aqui parece passar à espera da proxima refeiçao. De almoço a jantar e de volta ao almoço. E que refeiçoes! O costume italiano inclui muitos pratos na mesma refeiçao, e ja disse a todos por aqui que eu como estranhamente pouco. Assim, ganhei um pouco de tempo ate minha psique se adaptar à novidade e eu poder comer sem ansiedade. E mesmo comendo o que como normalmente, ainda seria muito pouco para os italianos. Tenho um pouco de medo das refeiçoes com compania: sabe-se la o que pensarao de mim, se acharao que eu nao gostei da comida... Aviso a todos sempre que eu sou o modelo economico.
As frutas aqui sao um capitulo a parte. Primeiramente, eles acham incriveis e bellissimas as frutas brasileiras, as mais exoticas. Acham estranho. Dizem que a América do Sul tem uma variedade fantastica de frutas. De fato, tem coisas que nao se pode encontrar por aqui. No entanto, até agora, so de laranjas ja conheci quatro variedades (eles chamam mixirica de laranja também...). As maças sao mais vermelhas, porém mais insossas. Ontem provei algo chamado melograno, primo da granadilla colombiana, porem mais doce, dificil de comer, e com um suco vermelho sanguineo (sim, pensei em vampirismo...). De qualquer forma, acho que vou voltar ao Brasil com um forte goste redescoberto pelas nossas frutas.
Assim como o arroz e feijao no Brasil, aqui a massa é obviamente o prato tipico. Toda refeiçao tem. Acho que finalmente vou engordar... Mas veremos. Até la descubro minha forma de comer na Italia.
Os doces também sao um pouco sem graça. Mas pra quem estava acostumado a doces portugueses, obviamente a coisa fica meio sem graça aqui.
Resumindo, eles comem demais, mas umas coisas com menos gosto do que a comida brasileira. A nao ser pela massa, especialidade deles. E eu estou tendo que ir devagar pra reservar espaço para comer de tudo um pouco.
sexta-feira, janeiro 27, 2006
A jornada ate Perugia (parte 2)
Perdoem se nao escrevo com frequencia no comeco. Estou na casa de meus primeiros hospedes, a familia de um primo de minha avo. Sao um casal de seus setenta, oitenta anos, e voces sabem que a maioria dessas pessoas tem um pouco de dificuldade com computadores e internet, entao nao os perturbo muito querendo usar o computador...
Acordei no dia seguinte depois de ter sonhado com minha mae e meu irmao. Nao lembro dos detalhes, mas estavamos na Africa do Sul e ela dava a ele um amuleto para protege-lo do voodoo: um dedo de macaco empalhado e ressequido. Acordei e peguei de dentro da minha mochila o crucifixo que minha outra avo me deu antes da minha partida: um que eu lhe havia dado quando fiz minha primeira comunhao. O sonho fazia referencia, alem desse fato do amuleto, ao livro que Laerte me deu para ler durante a viagem. Falo mais dele depois, mas o personagem vem da Africa do Sul para a Inglaterra em busca de algo que o tornara um artista (escritor). Identifico-me muito com o personagem, mas percebo algumas diferencas. E sinto que esse livro e o modo de Laerte fazer-me uma critica ao meu jeito de ser, assim como Lee e Bubka o fazem as vezes, mas um pouco mais suave, sem detonar minha auto-estima.
A neve no dia seguinte era diferente: caia mais rapida e em pequenas esferas um pouco mais densas. Aparentemente, era chuva que juntava cristais de neve em volta das gotas. E percebi que, ate entao na viagem, eu havia prestado mais atencao na neve que nas pessoas e lugares. De fato, ainda nem havia visto muito da paisagem, coberta de branco.
As mulheres andam na Italia muito mais bem vestidas que no Brasil. As garotas tem seu charme maravilhoso, embora seja uma especie de costume que andem despenteadas. Tais sentir-se-ia a vontade... Assim como, lembrando-me agora, minha professora de escultura, Regina Johas, que adorava a Alemanha. Suponho que la seja parecido.
Escrevi antes que os italianos tem um jeito familiarmente amistoso, como o dos brasileiros. Ocorre-me que, se os italianos sao os brasileiros da europa, os franceses devem ser os argentinos...
Esperei quase duas horas para pegar o trem para Firenze, onde depois pegaria um para Perugia. Uma combinacao de neve e greve do sindicato de trens fez com que todos os trens se atrasassem no minimo uma hora e meia. Na estacao, enquanto espero, encontro um espelho e faco um desenho para voces pensando que ainda nao tenho camera digital.
No trem, conheco Marta, uma barceloneta de seus trinta e muitos com quem converso durante a viagem. Acabo descobrindo que conheco mais do Brasil do que eu supunha, e trocamos figurinhas. Ela me conta um pouco de artimanhas de se pegar trens na Europa sem pagar...
Passando por Bolonha, a neve escasseou. Tive medo de que o maravilhamento acabasse. De fato, apesar de ter voltado depois de Bolonha, quando cheguei a Firenze, havia acabado de fato. Nao voltaria a ver neve por um bom tempo. Tudo que e bom dura pouco. Dentre as ultimas impressoes que ficaram na memoria esta o jeito como a neve fica acomodada sobre as coisas, como se alguem tivesse empilhado com a mao mesmo, como se faz com um castelo de areia. Ou como se fixa aos fios de eletricidade com precisao espantosa. Adesao e coesao.
Em Firenze, durmo sobre as malas e perco o primeiro trem... XD
Com o atraso, falo um pouco com uma familia de Florianopolis! Pego o segundo trem depois de duas horas, um local e um pouco mais simples, cheio de paquistaneses, onde um casal de italianos senta-se a minha frente e me ajuda com as malas. A mulher e simples, mas de uma beleza aconcehgante, sem perder o charme. Tipo de pessoa que gostaria de ter. O rapaz parece muito confiavel e prestativo. Quando me despeco deles, dizem-me a expressao "in bocca luppo". Nao sei traduzir ao certo e tem a estranheza da expressao inglesa "godspeed". De fato, tem ate um significado parecido: uma especie de "boa viagem". Fico tao contente de conhecer a expressao que esqueco de responder: "creppe luppo", algo igualmente estranho pra mim...
Finalmente, encontro na estacao o Tullio e sua afilhada Amina, que me levam para a casa. Vejo pouco da paisagem que, para minha profunda tristeza, nao tem neve... A casa e grande e mistura bastante de arquitetura antiga com bugigangas de ultima geracao. De fato, isso parece ser uma constante na Italia. La, conheco Chanteung, a mulher de Tullio e mae de Amina, uma senhora chinesa muito simpatica. De inicio, ja elimino um de meus medos: que meus primeiros anfitrioes europeus fossem um par de velhotes rabugentos com os quais nao me daria bem. Estes dois sao uns amores, obcecados com meu conforto.
Durmo melhor esta noite, absorto no livro do Laerte, sem crises... Fizeram-me um quartinho delicioso e serviram-me uma janta otima. De fato, como comem os italianos! Mas isso e assunto para amanha...
Aqui termina a jornada. O que segue sao minhas primeiras impressoes de Perugia antes do curso, sua gente, a cidade, os costumes. Serao textos mai curtos (eu acho...) e menos cronologicos. Impressoes soltas.
Acordei no dia seguinte depois de ter sonhado com minha mae e meu irmao. Nao lembro dos detalhes, mas estavamos na Africa do Sul e ela dava a ele um amuleto para protege-lo do voodoo: um dedo de macaco empalhado e ressequido. Acordei e peguei de dentro da minha mochila o crucifixo que minha outra avo me deu antes da minha partida: um que eu lhe havia dado quando fiz minha primeira comunhao. O sonho fazia referencia, alem desse fato do amuleto, ao livro que Laerte me deu para ler durante a viagem. Falo mais dele depois, mas o personagem vem da Africa do Sul para a Inglaterra em busca de algo que o tornara um artista (escritor). Identifico-me muito com o personagem, mas percebo algumas diferencas. E sinto que esse livro e o modo de Laerte fazer-me uma critica ao meu jeito de ser, assim como Lee e Bubka o fazem as vezes, mas um pouco mais suave, sem detonar minha auto-estima.
A neve no dia seguinte era diferente: caia mais rapida e em pequenas esferas um pouco mais densas. Aparentemente, era chuva que juntava cristais de neve em volta das gotas. E percebi que, ate entao na viagem, eu havia prestado mais atencao na neve que nas pessoas e lugares. De fato, ainda nem havia visto muito da paisagem, coberta de branco.
As mulheres andam na Italia muito mais bem vestidas que no Brasil. As garotas tem seu charme maravilhoso, embora seja uma especie de costume que andem despenteadas. Tais sentir-se-ia a vontade... Assim como, lembrando-me agora, minha professora de escultura, Regina Johas, que adorava a Alemanha. Suponho que la seja parecido.
Escrevi antes que os italianos tem um jeito familiarmente amistoso, como o dos brasileiros. Ocorre-me que, se os italianos sao os brasileiros da europa, os franceses devem ser os argentinos...
Esperei quase duas horas para pegar o trem para Firenze, onde depois pegaria um para Perugia. Uma combinacao de neve e greve do sindicato de trens fez com que todos os trens se atrasassem no minimo uma hora e meia. Na estacao, enquanto espero, encontro um espelho e faco um desenho para voces pensando que ainda nao tenho camera digital.No trem, conheco Marta, uma barceloneta de seus trinta e muitos com quem converso durante a viagem. Acabo descobrindo que conheco mais do Brasil do que eu supunha, e trocamos figurinhas. Ela me conta um pouco de artimanhas de se pegar trens na Europa sem pagar...
Passando por Bolonha, a neve escasseou. Tive medo de que o maravilhamento acabasse. De fato, apesar de ter voltado depois de Bolonha, quando cheguei a Firenze, havia acabado de fato. Nao voltaria a ver neve por um bom tempo. Tudo que e bom dura pouco. Dentre as ultimas impressoes que ficaram na memoria esta o jeito como a neve fica acomodada sobre as coisas, como se alguem tivesse empilhado com a mao mesmo, como se faz com um castelo de areia. Ou como se fixa aos fios de eletricidade com precisao espantosa. Adesao e coesao.
Em Firenze, durmo sobre as malas e perco o primeiro trem... XD
Com o atraso, falo um pouco com uma familia de Florianopolis! Pego o segundo trem depois de duas horas, um local e um pouco mais simples, cheio de paquistaneses, onde um casal de italianos senta-se a minha frente e me ajuda com as malas. A mulher e simples, mas de uma beleza aconcehgante, sem perder o charme. Tipo de pessoa que gostaria de ter. O rapaz parece muito confiavel e prestativo. Quando me despeco deles, dizem-me a expressao "in bocca luppo". Nao sei traduzir ao certo e tem a estranheza da expressao inglesa "godspeed". De fato, tem ate um significado parecido: uma especie de "boa viagem". Fico tao contente de conhecer a expressao que esqueco de responder: "creppe luppo", algo igualmente estranho pra mim...
Finalmente, encontro na estacao o Tullio e sua afilhada Amina, que me levam para a casa. Vejo pouco da paisagem que, para minha profunda tristeza, nao tem neve... A casa e grande e mistura bastante de arquitetura antiga com bugigangas de ultima geracao. De fato, isso parece ser uma constante na Italia. La, conheco Chanteung, a mulher de Tullio e mae de Amina, uma senhora chinesa muito simpatica. De inicio, ja elimino um de meus medos: que meus primeiros anfitrioes europeus fossem um par de velhotes rabugentos com os quais nao me daria bem. Estes dois sao uns amores, obcecados com meu conforto.
Durmo melhor esta noite, absorto no livro do Laerte, sem crises... Fizeram-me um quartinho delicioso e serviram-me uma janta otima. De fato, como comem os italianos! Mas isso e assunto para amanha...
Aqui termina a jornada. O que segue sao minhas primeiras impressoes de Perugia antes do curso, sua gente, a cidade, os costumes. Serao textos mai curtos (eu acho...) e menos cronologicos. Impressoes soltas.
quarta-feira, janeiro 25, 2006
A jornada ate Perugia (parte 1)
Beep!
O aparelho na mao do homem confirmava minha entrada na area de embarque e o comeco do Ano Italiano.
No portao 16, uma garota sentou-se ao meu lado. "Italia?" arrisquei. Nao, Miami. E entao uma atendente com pessima desenvoltura no ingles informou que o aviao ainda estava no Rio por causa do tempo ruim. "Ih, voce ainda vai ficar bastante tempo aqui...", sorriu a garota.
Uma hora de atraso depois e eu entrava no aviao. Minhas companheiras de viagem eram uma modelo de Blumenau com pessima auto-estima e nenhum conhecimento de italiano ou ingles, chamada Franciele; e uma senhora falante com ares de sogra, chamada Santuza. Passei o voo falando com a modelo sobre nossas respectivas ansiedades. Ela me olhava com olhos verdes de pupilas enormes e me contava de outras viagens que fez. Tinha visitado uns quatro paises em dois anos, com despesas pagas pela agencia, e ainda nao estava satisfeita. Fez-me pensar sobre como, nao importa o quao boa e uma situacao, algumas pessoas nunca se satisfazem. Sou uma delas. Santuza so fazia interrupcoes nada relevantes...
Nos despedimos depois de pegar as malas em Milao. Notei os peculiarmente longos dedos de Fran quando ela saudou seus contatos milaneses e se despediu de mim. E entao voltei a ficar so. Desta vez em um mundo novo do qual eu nada sabia e mal me comunicava. Alias, alem do italiano, as pessoas falavam ingles e espanhol por toda parte e eu ficava com uma estranha sensacao de equivalencia entre os idiomas: mudava do italiano para o ingles sem pensar e mesmo o portugues parecia-me mais um idioma estrangeiro a escolher do que minha lingua materna.
O onibus do aeroporto para a estacao de trem, onde eu pegaria um trem ate Perugia, ficou preso no transito causado pela neve por duas horas, fazendo-me perder o trem e ficar em Milao por uma noite. Dormi no onibus durante essas duas horas e sonhei/lembrei de Fran, olhando pela janela do aviao e dizendo que estava nevando. De fato, a paisagem era toda coberta de neve.
Eu ninca havia visto neve de verdade.
Ela cobre tudo como espuma de sabao. Cai do ceu mais lenta que chuva e parecendo migalhas dessa espuma que tem dentro de almofadas vagabundas. Cai na roupa ou mesmo no vidro da jalena e se dissolve ate virar uma gota d`agua com um decimo do tamanho do floco de neve. Me pergunto onde estao os cristais de neve que vemos em desenhos animados, porque ate agora nao vi. Ela cede alguns centimetros sob o peso das minhas botas. Pinica a pele porque e um diminuto ponto gelado na pele quente. A paisagem vista do outro lado das janelas e surrealmente vazia por a neve cobre toda indicacao de estrada, rocha, grama ou cimento. E tudo a mesma espuma branca. Desci do Onibus em Milao e pela primeira vez senti, com um pouco de medo, o quao fria e a temperatura abaixo de zero. Me acalmei: e so uma questao de se proteger e usar a cabeca.
Procurando um lugar para passar a noite, passo por um bar com um punhado de neve na mao, experimentando sua textura. Um garcom fumando la fora me mostra como fazer uma bola de neve e a joga longe. A neve que ele compacta e dura, pesada, porem leve. Como isopor ou papelao. Digo que sou brasileiro e que nunca vi nece antes e ele ja esta jogando a segunda bola nas turistas inglesas que passam, comecando uma guerra que dura ate o patrao chegar. Sainda de la, faco minha primeira bola de neve, prometida a alguem...
O povo aqui e familiarmente amistoso, como os conterraneos. Falam com estranhos, riem muito, mesmo cansados. Encontro um hotel barato e carcomido e um senhor me recebe mais calorosamente que qualquer cinco estrelas. So vou ficar uma noite. Chego ao meu quarto no terceiro andar subindo por um daqueles elevadores de filme> uma claustrofobica jaula de metal que sobe no vao do predio, rodeada pela escadaria. No quarto, ha uma diminuta mesinha de onde anoto tudo isso no meu caderno. Tudo aqui, nesse comeco de viagem, e novo e maravilhoso. Mesma a precariedade do hotel onde passo a noite, as paredes sujas e a tinta descascando nas portas de madeira que me lembram as da casa de tia Suzy no nordeste, parecem-me como uma meticulosa e proposital direcao de arte de um filme. Porque pode ser sujo e carcomido, mas e severamente organizado.
A noite, tenho enfim minha primeira crise de ansiedade ha meses. Demoro-me para dormir, a cabeca um pouco preocupada com os gastos astronomicos que tenho feito ate aqui. No fim, acabo pegando no sono e sonhando... bom, conto o sonho e o resto da jornada ate Perugia amanha.
Deu pra perceber que ainda nao encontrei os acentos nesse teclado, certo? Paciencia...
O aparelho na mao do homem confirmava minha entrada na area de embarque e o comeco do Ano Italiano.
No portao 16, uma garota sentou-se ao meu lado. "Italia?" arrisquei. Nao, Miami. E entao uma atendente com pessima desenvoltura no ingles informou que o aviao ainda estava no Rio por causa do tempo ruim. "Ih, voce ainda vai ficar bastante tempo aqui...", sorriu a garota.
Uma hora de atraso depois e eu entrava no aviao. Minhas companheiras de viagem eram uma modelo de Blumenau com pessima auto-estima e nenhum conhecimento de italiano ou ingles, chamada Franciele; e uma senhora falante com ares de sogra, chamada Santuza. Passei o voo falando com a modelo sobre nossas respectivas ansiedades. Ela me olhava com olhos verdes de pupilas enormes e me contava de outras viagens que fez. Tinha visitado uns quatro paises em dois anos, com despesas pagas pela agencia, e ainda nao estava satisfeita. Fez-me pensar sobre como, nao importa o quao boa e uma situacao, algumas pessoas nunca se satisfazem. Sou uma delas. Santuza so fazia interrupcoes nada relevantes...
Nos despedimos depois de pegar as malas em Milao. Notei os peculiarmente longos dedos de Fran quando ela saudou seus contatos milaneses e se despediu de mim. E entao voltei a ficar so. Desta vez em um mundo novo do qual eu nada sabia e mal me comunicava. Alias, alem do italiano, as pessoas falavam ingles e espanhol por toda parte e eu ficava com uma estranha sensacao de equivalencia entre os idiomas: mudava do italiano para o ingles sem pensar e mesmo o portugues parecia-me mais um idioma estrangeiro a escolher do que minha lingua materna.
O onibus do aeroporto para a estacao de trem, onde eu pegaria um trem ate Perugia, ficou preso no transito causado pela neve por duas horas, fazendo-me perder o trem e ficar em Milao por uma noite. Dormi no onibus durante essas duas horas e sonhei/lembrei de Fran, olhando pela janela do aviao e dizendo que estava nevando. De fato, a paisagem era toda coberta de neve.
Eu ninca havia visto neve de verdade.
Ela cobre tudo como espuma de sabao. Cai do ceu mais lenta que chuva e parecendo migalhas dessa espuma que tem dentro de almofadas vagabundas. Cai na roupa ou mesmo no vidro da jalena e se dissolve ate virar uma gota d`agua com um decimo do tamanho do floco de neve. Me pergunto onde estao os cristais de neve que vemos em desenhos animados, porque ate agora nao vi. Ela cede alguns centimetros sob o peso das minhas botas. Pinica a pele porque e um diminuto ponto gelado na pele quente. A paisagem vista do outro lado das janelas e surrealmente vazia por a neve cobre toda indicacao de estrada, rocha, grama ou cimento. E tudo a mesma espuma branca. Desci do Onibus em Milao e pela primeira vez senti, com um pouco de medo, o quao fria e a temperatura abaixo de zero. Me acalmei: e so uma questao de se proteger e usar a cabeca.
Procurando um lugar para passar a noite, passo por um bar com um punhado de neve na mao, experimentando sua textura. Um garcom fumando la fora me mostra como fazer uma bola de neve e a joga longe. A neve que ele compacta e dura, pesada, porem leve. Como isopor ou papelao. Digo que sou brasileiro e que nunca vi nece antes e ele ja esta jogando a segunda bola nas turistas inglesas que passam, comecando uma guerra que dura ate o patrao chegar. Sainda de la, faco minha primeira bola de neve, prometida a alguem...
O povo aqui e familiarmente amistoso, como os conterraneos. Falam com estranhos, riem muito, mesmo cansados. Encontro um hotel barato e carcomido e um senhor me recebe mais calorosamente que qualquer cinco estrelas. So vou ficar uma noite. Chego ao meu quarto no terceiro andar subindo por um daqueles elevadores de filme> uma claustrofobica jaula de metal que sobe no vao do predio, rodeada pela escadaria. No quarto, ha uma diminuta mesinha de onde anoto tudo isso no meu caderno. Tudo aqui, nesse comeco de viagem, e novo e maravilhoso. Mesma a precariedade do hotel onde passo a noite, as paredes sujas e a tinta descascando nas portas de madeira que me lembram as da casa de tia Suzy no nordeste, parecem-me como uma meticulosa e proposital direcao de arte de um filme. Porque pode ser sujo e carcomido, mas e severamente organizado.
A noite, tenho enfim minha primeira crise de ansiedade ha meses. Demoro-me para dormir, a cabeca um pouco preocupada com os gastos astronomicos que tenho feito ate aqui. No fim, acabo pegando no sono e sonhando... bom, conto o sonho e o resto da jornada ate Perugia amanha.
Deu pra perceber que ainda nao encontrei os acentos nesse teclado, certo? Paciencia...
O letreiro embaixo da foto diz: "Antes"
COUNTDOWN: T - 4 hours
Cortei meu cabelo ontem. Regredi uns três ou quatro anos no tempo com isso, para uma época onde eu era ainda mais control freak. Mas eu gosto dele assim, organizado. Pelo menos dá pra me fazerem cafuné sem causar desastres estéticos...
Levo duas malas e minha mochila de sempre. Pouco material de arte, muita roupa para enfrentar o desconhecido da neve italiana. Aliás, achei as roupas que comprei interessantíssimas.
Vou em boa época. Tanto tem acontecido nos últimos dias por aqui, que acho que vai ser boa, para todos nós, essa minha ausência. Vocês todos têm tempo de se arranjarem, resolverem suas coisas, e eu terei tempo para apertar o "reset" e começar de novo, sem tantas amarras ao passado...
De fato, me surpreende que toda a violência emocional recente não tenha disparado crises de ansiedade devido à fragilidade em que eu estou. Sinal de que, talvez, eu realmente tenha me curado dessa coisa maldita. Penso às vezes que as crises são fruto de uma mente ociosa que, sem nada pra fazer, brinca com questões existenciais e acaba levando tudo muito a sério. Nesse caso, tudo isso em que tenho pensado ultimamente talvez tenha me deixado ocupado o suficiente pra não pensar nas ditas questões existenciais. Enfim, vamos levando.
Não importa quantas baladinhas de despedida, fracassadas ou não, não consigo me livrar da sensação de não ter conseguido me despedir direito de muita gente. Mas acho que esse tipo de sentimento de inadequação é uma constante na minha vida.
Pessoas, estou indo. Não esperem nada por aqui até sexta-feira, provavelmente. Quando voltar, tendo inaugurado de vez o "Ano Italiano", colocarei aqui minhas primeiras impressões sobre neve.
Ci sentiamo...
Cortei meu cabelo ontem. Regredi uns três ou quatro anos no tempo com isso, para uma época onde eu era ainda mais control freak. Mas eu gosto dele assim, organizado. Pelo menos dá pra me fazerem cafuné sem causar desastres estéticos...
Levo duas malas e minha mochila de sempre. Pouco material de arte, muita roupa para enfrentar o desconhecido da neve italiana. Aliás, achei as roupas que comprei interessantíssimas.
Vou em boa época. Tanto tem acontecido nos últimos dias por aqui, que acho que vai ser boa, para todos nós, essa minha ausência. Vocês todos têm tempo de se arranjarem, resolverem suas coisas, e eu terei tempo para apertar o "reset" e começar de novo, sem tantas amarras ao passado...
De fato, me surpreende que toda a violência emocional recente não tenha disparado crises de ansiedade devido à fragilidade em que eu estou. Sinal de que, talvez, eu realmente tenha me curado dessa coisa maldita. Penso às vezes que as crises são fruto de uma mente ociosa que, sem nada pra fazer, brinca com questões existenciais e acaba levando tudo muito a sério. Nesse caso, tudo isso em que tenho pensado ultimamente talvez tenha me deixado ocupado o suficiente pra não pensar nas ditas questões existenciais. Enfim, vamos levando.
Não importa quantas baladinhas de despedida, fracassadas ou não, não consigo me livrar da sensação de não ter conseguido me despedir direito de muita gente. Mas acho que esse tipo de sentimento de inadequação é uma constante na minha vida.
Pessoas, estou indo. Não esperem nada por aqui até sexta-feira, provavelmente. Quando voltar, tendo inaugurado de vez o "Ano Italiano", colocarei aqui minhas primeiras impressões sobre neve.
Ci sentiamo...
Alice 15
terça-feira, janeiro 24, 2006
Bas-fond, de fato...
No atual jargão popular (principalmente entre os convens vampíricos, mas isso não vem ao caso...), bas-fond ou o popular "bafão" significa, de forma geral, uma confusão, um barraco. Por ser termo mais popular no jargão vampírico, acabou tendo ainda a conotação de um barraco com implicâncias sexuais. A origem da palavra, do francês, significa algo como "a ralé da sociedade" (não tenho 100% de certeza, mas é algo assim...).
O fim da noite de ontem, de fato um exemplo de qualquer significado que se deseje adotar para o termo, foi o salvador de uma noite que não começou muito bem. Me atrasei para a última das baladas de despedida, me desencontrei com os poucos que vieram, e no fim, uma hora depois, já estavam todos indo embora. Os que ficaram me levaram para uma noite curta, porém muito inspiradora pelas primeiras horas do bas-fond paulista. Acho que não vem ao caso narrar tudo por aqui, mas digo que eles se surpreenderam com a minha ousadia, e eu me surpreendi com o quão fácil foi superar a ansiedade.
Ainda tenho perfume barato nas mãos... deliciosamente malicioso.
Nana e Kita, coitadas, terão muitas imagens a esquecer até Agosto. Os outros só precisam lembrar de fazer algo semelhante quando eu voltar.
COUNTDOWN: T - 1 day
Tão pouco tempo até a viagem e ainda sem crises. Talvez eu tenha aprendido, como a namorada de meu irmão me dizia, a vestir a apatia quando os estímulos forem violentos demais e só sentir o necessário para curtir. Ou talvez tudo que eu deveria estar surtando agora só esteja acumulando em algum lugar... Não me importo. Que venha a Itália.
O fim da noite de ontem, de fato um exemplo de qualquer significado que se deseje adotar para o termo, foi o salvador de uma noite que não começou muito bem. Me atrasei para a última das baladas de despedida, me desencontrei com os poucos que vieram, e no fim, uma hora depois, já estavam todos indo embora. Os que ficaram me levaram para uma noite curta, porém muito inspiradora pelas primeiras horas do bas-fond paulista. Acho que não vem ao caso narrar tudo por aqui, mas digo que eles se surpreenderam com a minha ousadia, e eu me surpreendi com o quão fácil foi superar a ansiedade.
Ainda tenho perfume barato nas mãos... deliciosamente malicioso.
Nana e Kita, coitadas, terão muitas imagens a esquecer até Agosto. Os outros só precisam lembrar de fazer algo semelhante quando eu voltar.
COUNTDOWN: T - 1 day
Tão pouco tempo até a viagem e ainda sem crises. Talvez eu tenha aprendido, como a namorada de meu irmão me dizia, a vestir a apatia quando os estímulos forem violentos demais e só sentir o necessário para curtir. Ou talvez tudo que eu deveria estar surtando agora só esteja acumulando em algum lugar... Não me importo. Que venha a Itália.
domingo, janeiro 22, 2006
The City of Origin
Viagem chegando... (COUNTDOWN: T - 3 days)
Minha avó me passou um monte de detalhes e informações sobre como chegar na casa dela, que era em Trieste. A casa ainda existe, embora um pouco modificada, assim como o sanatório de tuberculose onde o pai dela trabalhava.
Vou até Trieste por questões de ritual, de religião pessoal. Não espero a compreensão de ninguém.
Essa casa em Trieste é para mim o começo de toda a história de quem e do que eu sou. Porque minha avó nasceu aqui. Os pais dela moravam aqui e antes disso eu não sei de nada. Suas origens, outros lugares onde moravam, onde moravam seus pais, nada disso existiu para mim. A história deste 1/4 das minhas origens começou naquela casa, quatro gerações atrás. Os outros avôs e avós têm suas histórias, várias um pouco nebulosas. Mas esta é específica e começou lá. E algo me puxa até lá. Talvez apenas o poder simbólico de um decendente revisitar o lugar de origem. Sei conscientemente que, de fato, nada vai acontecer quando eu estiver frente à frente com aquela casa vermelha, ou pisando no jardim onde minha avó brincava antes de sonhar em fazer a história do teatro brasileiro. Não vou ter nenhum grande insight revelador sobre o rumo da minha vida, meu objetivo no mundo. Mas há apenas algo que me impele a fazer isso, uma sensação de que precisa ser feito. Um objetivo existencialista: precisa ser feito porque precisa ser feito.
Minha avó me passou um monte de detalhes e informações sobre como chegar na casa dela, que era em Trieste. A casa ainda existe, embora um pouco modificada, assim como o sanatório de tuberculose onde o pai dela trabalhava.
Vou até Trieste por questões de ritual, de religião pessoal. Não espero a compreensão de ninguém.
Essa casa em Trieste é para mim o começo de toda a história de quem e do que eu sou. Porque minha avó nasceu aqui. Os pais dela moravam aqui e antes disso eu não sei de nada. Suas origens, outros lugares onde moravam, onde moravam seus pais, nada disso existiu para mim. A história deste 1/4 das minhas origens começou naquela casa, quatro gerações atrás. Os outros avôs e avós têm suas histórias, várias um pouco nebulosas. Mas esta é específica e começou lá. E algo me puxa até lá. Talvez apenas o poder simbólico de um decendente revisitar o lugar de origem. Sei conscientemente que, de fato, nada vai acontecer quando eu estiver frente à frente com aquela casa vermelha, ou pisando no jardim onde minha avó brincava antes de sonhar em fazer a história do teatro brasileiro. Não vou ter nenhum grande insight revelador sobre o rumo da minha vida, meu objetivo no mundo. Mas há apenas algo que me impele a fazer isso, uma sensação de que precisa ser feito. Um objetivo existencialista: precisa ser feito porque precisa ser feito.
sábado, janeiro 21, 2006
Bota-fora atualizado 2
E mais modificações. Vamos nessa, galera. Últimos dias meus no Brasil por um bom tempo.
(COUNTDOWN: T - 4 days):
SÁBADO (21/01) - O'Malley's
Onde? Alameda Itú 1529. É no fim da Itú, no último quarteirão antes da Rebouças. O ideal é vir pela Rebouças mesmo.
Horário? A partir das 22:00 até a última pessoa cair fora.
Quanto?
Elas - R$10,00
Eles - R$15,00
Preços de entrada.
A saber: Há mesas de bilhar lá dentro. Estaremos jogando com certeza.
SEGUNDA(23/01) - Alice revisited
Onde? Reserva Cultural. Sim, na exposição mesmo, pra quem não foi ou quer ver de novo. Ou pra quem quer um programinha light. Fica na Paulista 900, embaixo do prédio da Gazeta. É só perguntar pelo cinema, todo mundo lá sabe.
Horário? A definir...
Quanto? Paga-se o que se consome. Estou vendo com eles pra fazer algum esquema com os comes e bebes, tentar arranjar algumas coisas de graça. Veremos.
A saber: As aquarelas de Alice estão à venda por preços negociáveis. Para quem quiser, o Reserva Cultural está exibindo o filme 2046. Taís recomendou. Talvez eu chegue antes para assistir.
Mais atualizações com a evolução dos eventos...
(COUNTDOWN: T - 4 days):
SÁBADO (21/01) - O'Malley's
Onde? Alameda Itú 1529. É no fim da Itú, no último quarteirão antes da Rebouças. O ideal é vir pela Rebouças mesmo.
Horário? A partir das 22:00 até a última pessoa cair fora.
Quanto?
Elas - R$10,00
Eles - R$15,00
Preços de entrada.
A saber: Há mesas de bilhar lá dentro. Estaremos jogando com certeza.
SEGUNDA(23/01) - Alice revisited
Onde? Reserva Cultural. Sim, na exposição mesmo, pra quem não foi ou quer ver de novo. Ou pra quem quer um programinha light. Fica na Paulista 900, embaixo do prédio da Gazeta. É só perguntar pelo cinema, todo mundo lá sabe.
Horário? A definir...
Quanto? Paga-se o que se consome. Estou vendo com eles pra fazer algum esquema com os comes e bebes, tentar arranjar algumas coisas de graça. Veremos.
A saber: As aquarelas de Alice estão à venda por preços negociáveis. Para quem quiser, o Reserva Cultural está exibindo o filme 2046. Taís recomendou. Talvez eu chegue antes para assistir.
Mais atualizações com a evolução dos eventos...
quarta-feira, janeiro 18, 2006
domingo, janeiro 15, 2006
Outros amigos de Alice
Para quem se interessar, há tempos guardo um jornal com um link interessante, esperando vencer a preguiça para postá-lo aqui. Achei que este seria o momento certo.
O site de Lauren Harman tem um compêndio de outros ilustradores que já se aventuraram a desenhar a garotinha de imaginação fértil. São diversos tipos de traço, vestido rosa, amarelo, preto e branco... Tem de tudo para todos os gostos sobre Alice. Enjoy!
O site de Lauren Harman tem um compêndio de outros ilustradores que já se aventuraram a desenhar a garotinha de imaginação fértil. São diversos tipos de traço, vestido rosa, amarelo, preto e branco... Tem de tudo para todos os gostos sobre Alice. Enjoy!
sábado, janeiro 14, 2006
Guia para Alice
Uma saudação às pessoas que chegaram a este blog pelos links que deixei na exposição do Reserva Cultural. Preparei aqui para vocês alguns links para momentos deste blog e referências de outros lugares que criaram Alice. Espero que se divirtam!
As primeiras experiências com Alice eram mais desenhos de paisagens surreais do que centrados na personagem.
([1] [2])
Um dia, vendo vídeos do Cirque du Soleil, lembrei-me de onde havia tirado a figura dessa garotinha.
Então, inspirado na estrutura de um desenho por dia (chamada de "a gag a day") do Bunny, uma das webcomics que eu acessava na época, resolvi fazer da Alice uma coisa periódica no blog. O objetivo: um desenho por semana, baseado nos fatos recentes narrados no blog.
Abaixo, organizei todas as Alices publicadas no blog até agora, com algumas pistas para os significados. Divirtam-se. E lembrem que estes desenhos não são os mesmos da exposição: são mais simplificados, às vezes coloridos no computador. O objetivo aqui era rapidez e frequência, não detalhismo e qualidade.
Alice 1: Genesis
Alice 2: G8 Circus Clown. Just a noisy diversion
Alice 3: Ataram-lhe à cintura o Balão dos Relacionamentos Complexos (pistas para este estão espalhadas pelo blog todo... Impossíveis de serem reunidas)
Alice 4: Alice thought the cementpeckers were lovely creatures (pista: [1])
Alice 5: Before she left, Alice said good-bye to Hermes, the Whale in the Sky (pista: [1][2])
Alice 6: Alice had stumbled upon the Circus on the Edge (pista: havia voltado a fazer circo com a Taís)
Alice 7: Believe it or not, Alice wanted to let go from the Edge (pista: depende da sua interpretação do Abismo.)
Alice 8: Alice was having a hard time trying to focus on things (pista: [1]).
Alice 9: No amount of clapping would bring her back this time (pista: [1])
Alice 10: "Unlike me, these bonds do not define who you are, Alice" (pista: [1])
Alice 11: Through Zoe's eyes, Alice finally knew the real Abyss... and how close she was to it.
Alice 12: The Roach and the Fish showed Alice that the real Edge was actually many miles away
Alice 13: Alice now had the Journeybook, a very powerful item. (pista: [1])
Alice 14: The really peculiar thing was that Alice couldn't remember where she lost it. (pista: [1]).
As primeiras experiências com Alice eram mais desenhos de paisagens surreais do que centrados na personagem.
([1] [2])
Um dia, vendo vídeos do Cirque du Soleil, lembrei-me de onde havia tirado a figura dessa garotinha.
Então, inspirado na estrutura de um desenho por dia (chamada de "a gag a day") do Bunny, uma das webcomics que eu acessava na época, resolvi fazer da Alice uma coisa periódica no blog. O objetivo: um desenho por semana, baseado nos fatos recentes narrados no blog.
Abaixo, organizei todas as Alices publicadas no blog até agora, com algumas pistas para os significados. Divirtam-se. E lembrem que estes desenhos não são os mesmos da exposição: são mais simplificados, às vezes coloridos no computador. O objetivo aqui era rapidez e frequência, não detalhismo e qualidade.
Alice 1: Genesis
Alice 2: G8 Circus Clown. Just a noisy diversion
Alice 3: Ataram-lhe à cintura o Balão dos Relacionamentos Complexos (pistas para este estão espalhadas pelo blog todo... Impossíveis de serem reunidas)
Alice 4: Alice thought the cementpeckers were lovely creatures (pista: [1])
Alice 5: Before she left, Alice said good-bye to Hermes, the Whale in the Sky (pista: [1][2])
Alice 6: Alice had stumbled upon the Circus on the Edge (pista: havia voltado a fazer circo com a Taís)
Alice 7: Believe it or not, Alice wanted to let go from the Edge (pista: depende da sua interpretação do Abismo.)
Alice 8: Alice was having a hard time trying to focus on things (pista: [1]).
Alice 9: No amount of clapping would bring her back this time (pista: [1])
Alice 10: "Unlike me, these bonds do not define who you are, Alice" (pista: [1])
Alice 11: Through Zoe's eyes, Alice finally knew the real Abyss... and how close she was to it.
Alice 12: The Roach and the Fish showed Alice that the real Edge was actually many miles away
Alice 13: Alice now had the Journeybook, a very powerful item. (pista: [1])
Alice 14: The really peculiar thing was that Alice couldn't remember where she lost it. (pista: [1]).
There is a light that never goes out.
A abertura da exposição ontem dificilmente poderia ter sido melhor.
Tanta gente apareceu. Tanta gente querida, as musas mais importantes, até mesmo minhas primas (aquela parte da família que insiste em me ignorar...). Em raras vezes me senti tão querido e, como alguém comentou, talvez isso tenha apagado as mágoas do meu aniversário fracassado.
Meu irmão tocou por umas duas horas, mais ou menos. E então, pra fechar a noite, meu pai assumiu. Amigos ficaram surpresos.
Sinto que as pessoas tiveram uma apreciação diferente dos meus retratos. Porque muita gente já tinha visto grande parte da série no meu trabalho de graduação. Mas desta vez, estavam procurando-me pra comentar, pra dizer que preferiram este ou aquele, pra perguntar como eu tinha feito ou que material eu usei. Curioso que muitos adoraram o enorme retrato de minha mãe: é o mais simples, apenas óleo sobre tela e em P/B, sem cores. Me falavam de algo na expressão dela. Meus caros, isso é mérito da modelo, não do pintor. Havia também um retrato novo, da Thais Albuquerque, minha colega de ateliê. Era feito em uma chapa de ferro e posteriormente enferrujado. Muita gente adorou, mas acho que poucos perceberam que é uma quadro impraticável: como pregar isso na parede da sala sem manchar a parede de ferrugem?
Fiz um quadro especial para o Reserva Cultural, com o logotipo deles, e que vai ficar para um mini acervo deles. Tinta acrílica sobre chapas de acrílico: estou adorando essa técnica e acho que vou fazer muita coisa com isso ainda. No quadro, minha Alice andava pelo deserto do seu mundinho à beira do Abismo e as fitas de seu vestido voavam entre as letras do logotipo.
Aliás, Alice foi a grande atração da noite. Pessoas vieram perguntar preços, falar-me das preferidas, perguntar significados. Sentia mesmo que algumas pessoas mergulhavam naquele mundo árido à bera do Abismo. Esta e esta fizeram bastante sucesso, em suas versões de aquarela. Minha avó quer ficar com a do palhaço do Circo G8. Havia ainda umas duas ou três novas, baseadas nos primeiros desenhos que fiz de Alice ([1] [2]).
Porém sinto que o mais importante foi que, depois de todo esse trabalho que tive nessas três semanas, redesenhando Alice para as aquarelas, fazendo a comunicação visual da exposição, pintando um quadro novo em um dia, chamando todo mundo... sinto que renasci. Porque há dois anos eu estava morto ou pelo menos moribundo como artista. Nada surgia, nada acontecia. Eu não trazia nada novo ao mundo. Nem mesmo os retratos eu pintava mais desde que saí da faculdade e fiz o último, de Thaís. E de repente consigo ressurgir com algo que, ao menos entre meus amigos e familiares, entre as pessoas que são realmente importantes, faz tanto sucesso como a minha Alice. Que aliás, é bem diferente das divagações sobre técnica dos meus trabalhos anteriores. Mais simples, mais poesia.
Estou exausto. Não tenho sequer forças para ficar ansioso com a viagem ( COUNTDOWN: T - 11 days ). Exausto, porém delirantemente feliz.
Um muito obrigado a todos vocês que foram. Vocês me ressucitaram.
Tanta gente apareceu. Tanta gente querida, as musas mais importantes, até mesmo minhas primas (aquela parte da família que insiste em me ignorar...). Em raras vezes me senti tão querido e, como alguém comentou, talvez isso tenha apagado as mágoas do meu aniversário fracassado.
Meu irmão tocou por umas duas horas, mais ou menos. E então, pra fechar a noite, meu pai assumiu. Amigos ficaram surpresos.
Sinto que as pessoas tiveram uma apreciação diferente dos meus retratos. Porque muita gente já tinha visto grande parte da série no meu trabalho de graduação. Mas desta vez, estavam procurando-me pra comentar, pra dizer que preferiram este ou aquele, pra perguntar como eu tinha feito ou que material eu usei. Curioso que muitos adoraram o enorme retrato de minha mãe: é o mais simples, apenas óleo sobre tela e em P/B, sem cores. Me falavam de algo na expressão dela. Meus caros, isso é mérito da modelo, não do pintor. Havia também um retrato novo, da Thais Albuquerque, minha colega de ateliê. Era feito em uma chapa de ferro e posteriormente enferrujado. Muita gente adorou, mas acho que poucos perceberam que é uma quadro impraticável: como pregar isso na parede da sala sem manchar a parede de ferrugem?
Fiz um quadro especial para o Reserva Cultural, com o logotipo deles, e que vai ficar para um mini acervo deles. Tinta acrílica sobre chapas de acrílico: estou adorando essa técnica e acho que vou fazer muita coisa com isso ainda. No quadro, minha Alice andava pelo deserto do seu mundinho à beira do Abismo e as fitas de seu vestido voavam entre as letras do logotipo.
Aliás, Alice foi a grande atração da noite. Pessoas vieram perguntar preços, falar-me das preferidas, perguntar significados. Sentia mesmo que algumas pessoas mergulhavam naquele mundo árido à bera do Abismo. Esta e esta fizeram bastante sucesso, em suas versões de aquarela. Minha avó quer ficar com a do palhaço do Circo G8. Havia ainda umas duas ou três novas, baseadas nos primeiros desenhos que fiz de Alice ([1] [2]).
Porém sinto que o mais importante foi que, depois de todo esse trabalho que tive nessas três semanas, redesenhando Alice para as aquarelas, fazendo a comunicação visual da exposição, pintando um quadro novo em um dia, chamando todo mundo... sinto que renasci. Porque há dois anos eu estava morto ou pelo menos moribundo como artista. Nada surgia, nada acontecia. Eu não trazia nada novo ao mundo. Nem mesmo os retratos eu pintava mais desde que saí da faculdade e fiz o último, de Thaís. E de repente consigo ressurgir com algo que, ao menos entre meus amigos e familiares, entre as pessoas que são realmente importantes, faz tanto sucesso como a minha Alice. Que aliás, é bem diferente das divagações sobre técnica dos meus trabalhos anteriores. Mais simples, mais poesia.
Estou exausto. Não tenho sequer forças para ficar ansioso com a viagem ( COUNTDOWN: T - 11 days ). Exausto, porém delirantemente feliz.
Um muito obrigado a todos vocês que foram. Vocês me ressucitaram.
quinta-feira, janeiro 12, 2006
Pra vocês que ainda não souberam e estão reclamando
Sim, estou sem celular até a viagem. Aliás, pensando bem, provavelmente até Agosto mesmo.
Meu celular caiu no chão, quebrou, e agora fiquei sem. Comprar um celular semanas antes da viagem é inviável, uma estupidez financeira. Então teremos que fazer as coisas à moda antiga, por telefone fixo mesmo. Pessoas, eu tenho uma casa e nela tem dois números de telefone. Virem-se. É certo que eu não estou nela 100% do tempo, mas recentemente tenho ficado enfurnado em casa pelo menos uns 80%, devido à exposição.
Continuo checando minha caixa postal periodicamente, então deixem mensagem.
Eu já falei o quanto eu detesto coisinhas eletrônicas que me deixam na mão justo nas horas de aperto?
Meu celular caiu no chão, quebrou, e agora fiquei sem. Comprar um celular semanas antes da viagem é inviável, uma estupidez financeira. Então teremos que fazer as coisas à moda antiga, por telefone fixo mesmo. Pessoas, eu tenho uma casa e nela tem dois números de telefone. Virem-se. É certo que eu não estou nela 100% do tempo, mas recentemente tenho ficado enfurnado em casa pelo menos uns 80%, devido à exposição.
Continuo checando minha caixa postal periodicamente, então deixem mensagem.
Eu já falei o quanto eu detesto coisinhas eletrônicas que me deixam na mão justo nas horas de aperto?
segunda-feira, janeiro 09, 2006
Ao final dos meus 23 eu...
• ...tinha completado uma faculdade e estava terminando a segunda. Ainda não tinha idéia do que fazer com a minha vida.
• ...falava fluentemente além de minha língua materna, o inglês e um espanhol com vocabulário médio de uma criança de 12 anos. Esforçava-me para aprender o italiano e sonhava aprender japonês.
• ...dominava os principais softwares de imagem da época (Photoshop, Illustrator e InDesign) e me interessava por softwares de imagem 3D.
• ...trabalhara por um ano em uma agência de publicidade, mas não gostei muito. Queria trabalhar com video-games ou animação.
• ...cogitava fazer teatro.
• ...tinha boa capacidade pra desenhar figura humana, mas era medíocre com cenários.
• ...já pintava em acrílica, óleo, aquarela e guache.
• ...fotografava com relativa habilidade.
• ...gostava de modelagem, mas não tinha habilidade nem onde praticar
• ...tivera pouquíssimas experiências com escultura e não gostei de quase nada que fiz.
• ...adorava gravar e editar vídeos, mas os meus roteiros eram uma merda.
• ...fazia boas gravuras em metal, mas não tinha acesso a equipamentos.
• ...tinha idéias para camisetas.
• ...queria fazer arte digital mas não tinha muitas idéias.
• ...mergulhava quase todas as férias. Quanto mais fundo melhor.
• ...fazia o possível pra passar a maior parte do tempo debaixo d'água no verão. Dias sem piscina/mar/lagoa/banheira/etc eram dias desperdiçados.
• ...sabia andar a cavalo, mas apenas o básico. E gostava de cavalos mais arredios.
• ...fazia diversas coisas de ginástica de solo, culminando com o salto mortal para trás. Sonhava em fazer o duplo para trás.
• ...fazia um pouco de tecido circense e adorava. Tinha planos de ter um em casa se eu chegasse a ter uma casa com um teto alto.
• ...adorava cama-elástica, mas só fazia mortal para frente e para trás e algumas besteirinhas.
• ...tinha perdido boa parte da minha habilidade no volley por falta de treino.
• ...tinha o hábito de jogar bumerangue no Ibirapuera aos sábados pela manhã.
• ...era interessado em arvorismo, rapel e parkour.
• ...era versado na linguagem corporal de cães e tentava ainda me fazer entender pelos gatos. Pássaros e peixes eram um completo mistério...
• ...adorava caminhar na chuva e a sensação de umidade que ficava nas roupas depois.
• ...usava raiva como força motora (Ódio Diesel).
• ...amava o escuro.
• ...praticava stalking com relativa frequência.
• ...passava ao menos duas horas por dia na internet.
• ...tinha blog, fotolog e Orkut interligados.
• ...mantinha meu vício por jogos eletrônicos sob controle evitando de ter jogos em casa.
• ...me sentia muito sozinho e desconfiava da minha capacidade de sociabilização.
• ...achava ter superado momentaneamente as crises de ansiedade e ficado apenas com o medo delas.
• ...sabia que a minha capacidade de manter o foco em um projeto específico beirava a nulidade.
• ...gostava de relacionamentos complexos com gente interessante, perturbada, instigante. O lado cáustico do amor me fascinava.
• ...sabotava meus relacionamentos.
Para a posteridade...
• ...falava fluentemente além de minha língua materna, o inglês e um espanhol com vocabulário médio de uma criança de 12 anos. Esforçava-me para aprender o italiano e sonhava aprender japonês.
• ...dominava os principais softwares de imagem da época (Photoshop, Illustrator e InDesign) e me interessava por softwares de imagem 3D.
• ...trabalhara por um ano em uma agência de publicidade, mas não gostei muito. Queria trabalhar com video-games ou animação.
• ...cogitava fazer teatro.
• ...tinha boa capacidade pra desenhar figura humana, mas era medíocre com cenários.
• ...já pintava em acrílica, óleo, aquarela e guache.
• ...fotografava com relativa habilidade.
• ...gostava de modelagem, mas não tinha habilidade nem onde praticar
• ...tivera pouquíssimas experiências com escultura e não gostei de quase nada que fiz.
• ...adorava gravar e editar vídeos, mas os meus roteiros eram uma merda.
• ...fazia boas gravuras em metal, mas não tinha acesso a equipamentos.
• ...tinha idéias para camisetas.
• ...queria fazer arte digital mas não tinha muitas idéias.
• ...mergulhava quase todas as férias. Quanto mais fundo melhor.
• ...fazia o possível pra passar a maior parte do tempo debaixo d'água no verão. Dias sem piscina/mar/lagoa/banheira/etc eram dias desperdiçados.
• ...sabia andar a cavalo, mas apenas o básico. E gostava de cavalos mais arredios.
• ...fazia diversas coisas de ginástica de solo, culminando com o salto mortal para trás. Sonhava em fazer o duplo para trás.
• ...fazia um pouco de tecido circense e adorava. Tinha planos de ter um em casa se eu chegasse a ter uma casa com um teto alto.
• ...adorava cama-elástica, mas só fazia mortal para frente e para trás e algumas besteirinhas.
• ...tinha perdido boa parte da minha habilidade no volley por falta de treino.
• ...tinha o hábito de jogar bumerangue no Ibirapuera aos sábados pela manhã.
• ...era interessado em arvorismo, rapel e parkour.
• ...era versado na linguagem corporal de cães e tentava ainda me fazer entender pelos gatos. Pássaros e peixes eram um completo mistério...
• ...adorava caminhar na chuva e a sensação de umidade que ficava nas roupas depois.
• ...usava raiva como força motora (Ódio Diesel).
• ...amava o escuro.
• ...praticava stalking com relativa frequência.
• ...passava ao menos duas horas por dia na internet.
• ...tinha blog, fotolog e Orkut interligados.
• ...mantinha meu vício por jogos eletrônicos sob controle evitando de ter jogos em casa.
• ...me sentia muito sozinho e desconfiava da minha capacidade de sociabilização.
• ...achava ter superado momentaneamente as crises de ansiedade e ficado apenas com o medo delas.
• ...sabia que a minha capacidade de manter o foco em um projeto específico beirava a nulidade.
• ...gostava de relacionamentos complexos com gente interessante, perturbada, instigante. O lado cáustico do amor me fascinava.
• ...sabotava meus relacionamentos.
Para a posteridade...
COUNTDOWN: T - 16 days
Tenho pensado muito e quase enlouquecido a respeito de tudo que vou deixar de lado indo nesta viagem. Posso até ouvir Nana rindo a respeito disso e dizendo que é por isso que não vai viajar. Penso na possibilidade de conseguir um emprego em uma dessas empresas que fazem jogos para celulares ou até mesmo em um estúdio de animação, como aquele em que Taís trabalhou. Me pergunto se essas chances ainda vão estar aqui quando eu voltar. Ou até como estará a Taís quando eu voltar. Meu Deus, como tudo anda depressa.
Sei, no entanto, que esse tipo de mentalidade pode estragar a viagem toda pra mim. Estarei pensando nessas coisas em vez de aproveitar a novidade. Tenho que passar pelo portão de embarque como se fosse uma outra pessoa, sem vida pregressa. E, como diz aquela máxima cafona que eu detesto: "o que tiver que ser meu, será". Ou seja, daqui deste país, o que tiver que ser meu esperará minha volta. Só queria poder acreditar nisso...
Tenho pensado muito e quase enlouquecido a respeito de tudo que vou deixar de lado indo nesta viagem. Posso até ouvir Nana rindo a respeito disso e dizendo que é por isso que não vai viajar. Penso na possibilidade de conseguir um emprego em uma dessas empresas que fazem jogos para celulares ou até mesmo em um estúdio de animação, como aquele em que Taís trabalhou. Me pergunto se essas chances ainda vão estar aqui quando eu voltar. Ou até como estará a Taís quando eu voltar. Meu Deus, como tudo anda depressa.
Sei, no entanto, que esse tipo de mentalidade pode estragar a viagem toda pra mim. Estarei pensando nessas coisas em vez de aproveitar a novidade. Tenho que passar pelo portão de embarque como se fosse uma outra pessoa, sem vida pregressa. E, como diz aquela máxima cafona que eu detesto: "o que tiver que ser meu, será". Ou seja, daqui deste país, o que tiver que ser meu esperará minha volta. Só queria poder acreditar nisso...
sábado, janeiro 07, 2006
Alice 14
sexta-feira, janeiro 06, 2006
Avisando com antecedência...
Eis aqui as formalidades:
Vai ter exposição minha no espaço Reserva Cultural, aquele cinema que tem embaixo do prédio da Gazeta, na Avenida Paulista.
A vernissage será no dia 13 (sexta-feira... quem sabe eu tenho sorte), a partir das 20:30.
Estarão se apresentando no local o meu irmão, com a banda Sexteto Fim de Tarde (jazz e MPB), e provavelmente meu pai também, dando uma palhinha no violão.
A entrada é franca e as obras são comercializáveis.
That is all...
Vai ter exposição minha no espaço Reserva Cultural, aquele cinema que tem embaixo do prédio da Gazeta, na Avenida Paulista.
A vernissage será no dia 13 (sexta-feira... quem sabe eu tenho sorte), a partir das 20:30.
Estarão se apresentando no local o meu irmão, com a banda Sexteto Fim de Tarde (jazz e MPB), e provavelmente meu pai também, dando uma palhinha no violão.
A entrada é franca e as obras são comercializáveis.
That is all...
quarta-feira, janeiro 04, 2006
Random Literature
She had once been a beautiful child. Clear green eyes, smooth golden hair and lips that, even at twelve, reminded men of felatio. However, the other girls in the bunch had their tricks and drew far more attention. Ostracized, she developed her own methods to be noticed, indulging in all the rebellious vices of the "cool kids". The passive beauty gave way to an agressive disgust. Her clear skin now bloated from all the alcohol, her fingers constantly fiddling a cigarette, her voice under the heavy effects of nicotine at the tender age of 22. All in all, I looked at the spots in the rosy skin of her rotund tigh and it clearly reminded me of the underbelly of the pigs my father grew at the farm. I remembered the day when I took her to see them. She found a big female in one of the dens and stressed it to the point where it started squealing loudly, in a deep, scratchy voice, almost like a big dog barking. Almost like her nicotine-corroded voice. And now I'd watch as she laid on the sand at the beach, a tight bikini exposing her pigskin, sqeualing loudly in a deep scratchy voice, insulting people she wasn't aware I knew because they did drugs, and then inhaling a breath of cigarette smoke with the utmost satisfaction. I could almost picture the wooden wall of the pig den rising out of the sand around her.
What goes around, comes around...
What goes around, comes around...
2005
- Passei o reveillon anterior no meio do mato e descobri uma paixão por exercícios alternativos
- Passei o resto do ano tentando fazer pequenas viagens atrás de arvorismo, rapel e etc, obtendo sucessos parciais.
- Passei a detestar o meu trabalho em agência.
- Passei a me apaixonar pela galerinha alternativa, os pseudo-gótico-punks, a Galeria do Rock, o Atari. Para o desespero da Taís, que teve que se conformar com o novo estilo.
- Voltei a me viciar em lan house por causa do Battlefield 2, mas só uso socialmente. Eu tenho controle sobre isso e posso parar quando eu quiser. Sabe como é...
- Comecei a sair com o Lala's para almoçar e finalmente senti que tinha feito alguma conexão com alguém daquela agência que me isolava mais a cada dia.
- Comecei a gostar do futebol de toda semana com a galera da agência. Por incrível que pareça. E sim, eu era goleiro porque eu não jogo merda nenhuma de futebol...
- Comecei a fazer circo! Adorei! Quando ficar velho caquético, com gota e osteoporose, vou poder dizer que aproveitei o potencial do meu corpo aos vinte anos.
- Conheci a galera do Literatura Corporal e tentei reavivar meu hábito de escrever. O hábito não deu muito certo, mas a galera...
- Conheci o Coven de Zion, que me proporcionou os melhores momentos do ano e gradualmente se tornou fã das minhas coisas. Viajamos, rimos muito, falamos muito das verdades da vida. Eles não sabem, mas têm uma capacidade criativa ainda maior e mais bela do que a minha, pela realidade em que vivem.
- Me senti um Morto que Come (post de 17/01/2005).
- Observei a certa distância a galera da Nana fazendo danças croatas. No processo, conheci danças japonesas pelas quais me apaixonei.
- Casualmente descobri o bumerangue: brincadeira legal.
- Terminei um curta-metragem que me tomou grande parte do primeiro semestre e que, apesar do resultado meia-boca, eu amei fazer. Talvez algum dia ainda trabalhe com isso, mesmo sabendo que meu talento para vídeo e quase nulo.
- Terminei de fazer um ano trabalhando na agência e fui demitido logo em seguida. Acusado de espionagem industrial... Às vezes o Q.I. ajuda, às vezes atrapalha.
- Terminei o meu site com ilustrações e tudo para caçar freelas e outro emprego, mas já sabia que isso não ia acontecer tão cedo.
- Terminei também o meu namoro de três anos, dias antes de completar três anos. Ainda não superei Tinkerbell...
- Porém superei outros amores passados...
- Terminado o namoro, vi todas as outras possibilidades evaporarem.
- Terminado o namoro, mergulhei de cara no universinho pseudo-gótico-punk paulista e percebi que, apesar deles terem um visual muito interessante e uma mente aberta pra muita coisa, falta muuuuuito conteúdo... Mas talvez eu tenha conhecido a facção errada dessa galera. Continuo procurando.
- Ainda assim, o mergulho valeu pra descobrir outro estilo de vida, de roupa, e de músicas! Prestei mais atenção em Cure, Smiths, Placebo, Pink Floyd, dentre outros.
- Continuei procurando lounge. Dark Lounge foi a descoberta do ano, ganhei um Buddha Lounge de natal e um curioso CD de lounge da Daslu, de uma amiga aristocrata de minha mãe.
- A viagem para a Itália finalmente começou a dar certo e tomar ares de que ia de fato acontecer. Passagem, passaporte, contatos... Mas só do meu lado: Piero, que iria comigo, deixou a viagem para algum futuro indefinido. Figures...
- Tive mais uma de incontáveis festas de aniversário frustradas. Mas pelo menos me diverti muito no karaokê e passei a aceitar um pouco mais esses meus gostos por essas coisas de nerd que todo mundo desdenha...
- Finalmente escrevi algo no meu perfil de Orkut.
- Comecei a receber vários elogios por causa do meu perfil de Orkut.
- Conheci a Gabe por causa do meu perfil de Orkut.
- Fui para Floripa atrás da Gabe e pra tentar esquecer Tinkerbell, mas fui tarde demais.
- Em Floripa, conheci muita gente linda que pretendo rever em outras viagens, e matei um pouco da vontade que tinha de viajar pelo país. Tinha que ser assim, sem planejamento, na vontade, se virando. O jeitinho brasileiro. O que ferrava minha vontade de viajar até então era gente que queria tudo planejado...
- Em Floripa, consegui afugentar um pouco meu medo das crises de ansiedade que eu acho que vou ter na Itália. E tem a ver com controle e importância. Sempre.
- De volta a Sampa, cheguei a dizer "cansei de ficar desempregado". Mas já era tarde e a viagem estava chegando.
- Voltei a frequentar o ateliê com alguma assiduidade, mesmo percebendo que aquelas meninas já estava a anos luz de mim em termos de evolução como artistas e que eu tinha ficado para trás por falta de foco.
- Descobri, com elas, o que eu gostaria de ler. Obviamente, nenhum de vocês conhece algum bom livro sobre o Gerhard Richter, né?
- Escrevendo isso, e relendo o balanço que fiz do ano anterior, percebi que cumpri várias das metas/possibilidades do ano de 2005. Fiquei feliz.
- Itália! Hell yeah! E passar um ano longe dos rótulos que eu me coloco por causa da minha formação, vivendo a vida como um estrangeiro mesmo, com todo o maravilhamento incluso...
- Vou tentar ser mais sociável, porque pecebi que eu sou sempre o cara misterioso interiorizado em seu mundinho. É um personagem cool mas realmente muito anti-social pra ser pela vida toda...
- Mais karaokê, convenções de anime e competições de lan house, que é o que eu gosto mesmo.
- Menos baladas fortes, sociedadezinha aristocrática e coisas que as pessoas dizem que é pra eu gostar pra ser cool.
- Voltar a fazer teatro!
- Continuar no circo e fazer mais esportes interessantes e alternativos porque meu corpo ainda aguenta.
- Viajar mais. Muito mais. E ficar em albergue, que é o que há!
- Conseguir um emprego. Definitivamente. Porque não aguento mais essa preocupação de estar desempregado.
- Sair da casa dos pais...
Volto a dizer como disse no ano passado: não são promessas, porque essas eu nunca cumpro mesmo. São possibilidades.
- Passei o resto do ano tentando fazer pequenas viagens atrás de arvorismo, rapel e etc, obtendo sucessos parciais.
- Passei a detestar o meu trabalho em agência.
- Passei a me apaixonar pela galerinha alternativa, os pseudo-gótico-punks, a Galeria do Rock, o Atari. Para o desespero da Taís, que teve que se conformar com o novo estilo.
- Voltei a me viciar em lan house por causa do Battlefield 2, mas só uso socialmente. Eu tenho controle sobre isso e posso parar quando eu quiser. Sabe como é...
- Comecei a sair com o Lala's para almoçar e finalmente senti que tinha feito alguma conexão com alguém daquela agência que me isolava mais a cada dia.
- Comecei a gostar do futebol de toda semana com a galera da agência. Por incrível que pareça. E sim, eu era goleiro porque eu não jogo merda nenhuma de futebol...
- Comecei a fazer circo! Adorei! Quando ficar velho caquético, com gota e osteoporose, vou poder dizer que aproveitei o potencial do meu corpo aos vinte anos.
- Conheci a galera do Literatura Corporal e tentei reavivar meu hábito de escrever. O hábito não deu muito certo, mas a galera...
- Conheci o Coven de Zion, que me proporcionou os melhores momentos do ano e gradualmente se tornou fã das minhas coisas. Viajamos, rimos muito, falamos muito das verdades da vida. Eles não sabem, mas têm uma capacidade criativa ainda maior e mais bela do que a minha, pela realidade em que vivem.
- Me senti um Morto que Come (post de 17/01/2005).
- Observei a certa distância a galera da Nana fazendo danças croatas. No processo, conheci danças japonesas pelas quais me apaixonei.
- Casualmente descobri o bumerangue: brincadeira legal.
- Terminei um curta-metragem que me tomou grande parte do primeiro semestre e que, apesar do resultado meia-boca, eu amei fazer. Talvez algum dia ainda trabalhe com isso, mesmo sabendo que meu talento para vídeo e quase nulo.
- Terminei de fazer um ano trabalhando na agência e fui demitido logo em seguida. Acusado de espionagem industrial... Às vezes o Q.I. ajuda, às vezes atrapalha.
- Terminei o meu site com ilustrações e tudo para caçar freelas e outro emprego, mas já sabia que isso não ia acontecer tão cedo.
- Terminei também o meu namoro de três anos, dias antes de completar três anos. Ainda não superei Tinkerbell...
- Porém superei outros amores passados...
- Terminado o namoro, vi todas as outras possibilidades evaporarem.
- Terminado o namoro, mergulhei de cara no universinho pseudo-gótico-punk paulista e percebi que, apesar deles terem um visual muito interessante e uma mente aberta pra muita coisa, falta muuuuuito conteúdo... Mas talvez eu tenha conhecido a facção errada dessa galera. Continuo procurando.
- Ainda assim, o mergulho valeu pra descobrir outro estilo de vida, de roupa, e de músicas! Prestei mais atenção em Cure, Smiths, Placebo, Pink Floyd, dentre outros.
- Continuei procurando lounge. Dark Lounge foi a descoberta do ano, ganhei um Buddha Lounge de natal e um curioso CD de lounge da Daslu, de uma amiga aristocrata de minha mãe.
- A viagem para a Itália finalmente começou a dar certo e tomar ares de que ia de fato acontecer. Passagem, passaporte, contatos... Mas só do meu lado: Piero, que iria comigo, deixou a viagem para algum futuro indefinido. Figures...
- Tive mais uma de incontáveis festas de aniversário frustradas. Mas pelo menos me diverti muito no karaokê e passei a aceitar um pouco mais esses meus gostos por essas coisas de nerd que todo mundo desdenha...
- Finalmente escrevi algo no meu perfil de Orkut.
- Comecei a receber vários elogios por causa do meu perfil de Orkut.
- Conheci a Gabe por causa do meu perfil de Orkut.
- Fui para Floripa atrás da Gabe e pra tentar esquecer Tinkerbell, mas fui tarde demais.
- Em Floripa, conheci muita gente linda que pretendo rever em outras viagens, e matei um pouco da vontade que tinha de viajar pelo país. Tinha que ser assim, sem planejamento, na vontade, se virando. O jeitinho brasileiro. O que ferrava minha vontade de viajar até então era gente que queria tudo planejado...
- Em Floripa, consegui afugentar um pouco meu medo das crises de ansiedade que eu acho que vou ter na Itália. E tem a ver com controle e importância. Sempre.
- De volta a Sampa, cheguei a dizer "cansei de ficar desempregado". Mas já era tarde e a viagem estava chegando.
- Voltei a frequentar o ateliê com alguma assiduidade, mesmo percebendo que aquelas meninas já estava a anos luz de mim em termos de evolução como artistas e que eu tinha ficado para trás por falta de foco.
- Descobri, com elas, o que eu gostaria de ler. Obviamente, nenhum de vocês conhece algum bom livro sobre o Gerhard Richter, né?
- Escrevendo isso, e relendo o balanço que fiz do ano anterior, percebi que cumpri várias das metas/possibilidades do ano de 2005. Fiquei feliz.
E para 2006
- Itália! Hell yeah! E passar um ano longe dos rótulos que eu me coloco por causa da minha formação, vivendo a vida como um estrangeiro mesmo, com todo o maravilhamento incluso...
- Vou tentar ser mais sociável, porque pecebi que eu sou sempre o cara misterioso interiorizado em seu mundinho. É um personagem cool mas realmente muito anti-social pra ser pela vida toda...
- Mais karaokê, convenções de anime e competições de lan house, que é o que eu gosto mesmo.
- Menos baladas fortes, sociedadezinha aristocrática e coisas que as pessoas dizem que é pra eu gostar pra ser cool.
- Voltar a fazer teatro!
- Continuar no circo e fazer mais esportes interessantes e alternativos porque meu corpo ainda aguenta.
- Viajar mais. Muito mais. E ficar em albergue, que é o que há!
- Conseguir um emprego. Definitivamente. Porque não aguento mais essa preocupação de estar desempregado.
- Sair da casa dos pais...
Volto a dizer como disse no ano passado: não são promessas, porque essas eu nunca cumpro mesmo. São possibilidades.
domingo, janeiro 01, 2006
Sobre o reveillon
Araruama era um pouco mais ao norte do que eu pensava, lá em algum lugar do Rio. Passei pela capital e não contive um pensamento furtivo sobre Lee. Sobre como ela gosta tanto dessa cidade que só consegue me deixar em estado de alerta.
A casa onde ficamos era à beira de uma lagoa. Tinha águas mornas e aqueles peixinhos que, depois de perder o respeito, começam a bicar qualquer nadador que fique parado por muito tempo. Ao longo dos dias, apelidamos a lagoa de M&M: mar de merda. Foi meu tio que avistou a sinistra embarcação flutuando por aí...
Um dia, entediado à beira da lagoa, olhei para meu primo Marcelo. Ele olhou de volta com aquele olhar sacana. Minutos depois havíamos colocado a piscina de fibra de vidro que encontramos na garagem dentro da lagoa e estávamos navegando-a pelo M&M. Ele com um remo e eu com uma raquete de frescobol. Enquanto isso, as duas únicas meninas da nossa idade em todo o condomínio passeavam pela praia. Incineramos nosso filme, mas foi divertido. Ruba-dub-dub...
Dentro da casa, fiquei cogitando por que que todas as casas de praia às quais eu estivera sempre tinham quadros similares do Mucha e Toulouse-Lautrec. But that's just me, maníaco por padrões e semelhanças, certo?
Passei as manhãs (que se estendiam até as quatro da tarde...) nas praias da região, debaixo do guarda-sol, fingindo não me incomodar por estar sendo sumariamente ignorado pelos meus primos. Pelo menos serviu pra pegar uma cor, que deve ter sumido antes de meu embarque para a Itália... (COUNTDOWN: T - 24 days). Aproveitei um pouco de mar, e aprendi que nem todas as aguas-vivas queimam. Aliás, naquela região, apesar do alarmante número delas, quase nenhuma era nociva. E adorei a praia do Vargas, com aquelas ondas que eu tanto gosto e que deixam mãe e tias temendo pela minha integridade física...
Passei algumas tardes brincando com uma cachorrinha bebê que nem conseguia subir escadas ainda. Mas era uma coisinha pequena, peluda e branca que mordia e atacava com uma tenacidade sem igual. Jurava que podia me subjugar. Eu deixava que ela me mordesse a mão, o braço, meus pertences, até cansar enquanto eu ria. Daí colocava-a no meu colo e dormíamos um bocado juntos.
Outras tardes, cansado de ser ignorado, saía para o campo de futebol sempre vazio pra jogar bumerangue. Ninguém por quilômetros. Apenas o vento trazendo aquele pedaço de plástico amarelo de volta pra mim. Um dia, numa jogada falhada onde o bumerangue voôu além do meu alcance, uma garotinha ruiva veio trazê-lo de volta. Parecia ter saído do nada. Me sorriu aquele sorriso gostoso de crianças de sete anos enquanto me dava o brinquedo. Perguntei o nome: Thaís. Essa cena estava ficando surreal demais...
A passagem de ano em si foi uma bosta. Quer dizer, belos fogos, claro. Mas faltou mágica. Contento-me percebendo outro daqueles padrões que só eu percebo: todos os meus reveillons ruins foram presságios de anos muito bons...
A casa onde ficamos era à beira de uma lagoa. Tinha águas mornas e aqueles peixinhos que, depois de perder o respeito, começam a bicar qualquer nadador que fique parado por muito tempo. Ao longo dos dias, apelidamos a lagoa de M&M: mar de merda. Foi meu tio que avistou a sinistra embarcação flutuando por aí...
Um dia, entediado à beira da lagoa, olhei para meu primo Marcelo. Ele olhou de volta com aquele olhar sacana. Minutos depois havíamos colocado a piscina de fibra de vidro que encontramos na garagem dentro da lagoa e estávamos navegando-a pelo M&M. Ele com um remo e eu com uma raquete de frescobol. Enquanto isso, as duas únicas meninas da nossa idade em todo o condomínio passeavam pela praia. Incineramos nosso filme, mas foi divertido. Ruba-dub-dub...
Dentro da casa, fiquei cogitando por que que todas as casas de praia às quais eu estivera sempre tinham quadros similares do Mucha e Toulouse-Lautrec. But that's just me, maníaco por padrões e semelhanças, certo?
Passei as manhãs (que se estendiam até as quatro da tarde...) nas praias da região, debaixo do guarda-sol, fingindo não me incomodar por estar sendo sumariamente ignorado pelos meus primos. Pelo menos serviu pra pegar uma cor, que deve ter sumido antes de meu embarque para a Itália... (COUNTDOWN: T - 24 days). Aproveitei um pouco de mar, e aprendi que nem todas as aguas-vivas queimam. Aliás, naquela região, apesar do alarmante número delas, quase nenhuma era nociva. E adorei a praia do Vargas, com aquelas ondas que eu tanto gosto e que deixam mãe e tias temendo pela minha integridade física...
Passei algumas tardes brincando com uma cachorrinha bebê que nem conseguia subir escadas ainda. Mas era uma coisinha pequena, peluda e branca que mordia e atacava com uma tenacidade sem igual. Jurava que podia me subjugar. Eu deixava que ela me mordesse a mão, o braço, meus pertences, até cansar enquanto eu ria. Daí colocava-a no meu colo e dormíamos um bocado juntos.
Outras tardes, cansado de ser ignorado, saía para o campo de futebol sempre vazio pra jogar bumerangue. Ninguém por quilômetros. Apenas o vento trazendo aquele pedaço de plástico amarelo de volta pra mim. Um dia, numa jogada falhada onde o bumerangue voôu além do meu alcance, uma garotinha ruiva veio trazê-lo de volta. Parecia ter saído do nada. Me sorriu aquele sorriso gostoso de crianças de sete anos enquanto me dava o brinquedo. Perguntei o nome: Thaís. Essa cena estava ficando surreal demais...
A passagem de ano em si foi uma bosta. Quer dizer, belos fogos, claro. Mas faltou mágica. Contento-me percebendo outro daqueles padrões que só eu percebo: todos os meus reveillons ruins foram presságios de anos muito bons...
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