sexta-feira, maio 23, 2008

Withering

Just an afterthought...

I've spent the past few days obsessed with the desire to simply allow this sterile things in my life to wither away and disappear. Perhaps then, after gathering the ashes of these failures, I might be able to concentrate on one or two activities and actually see myself going somewhere.

But alas, the withering is so painful.

More Hours

Once again, I've watched The Hours. I must have that movie one day. Because it has always makes me think of so much.

This time, it had me thinking at first of the despair. A sense of not belonging, of discomfort. Death in life. What most of the female characters in the movie were running away from. It is a sense I can relate to, but cannot explain, and it makes me feel so alone to have no one to talk about it with. What has me going through bouts of depression every now and then, making me indulge in self-destructive behaviour alone, and in the quiet hours before dawn. Secretly walking the Edge, without even leaving notes of it here. At times I think there's a streak of individuals who have been cursed with this in my family. I believe mother snuffed her discomfort away, but she knows what it is. I believe her father knew it all too well. I believe it's what has kept Nana depressed for so long. And I believe it to be a good part of all that Lee has ever been about. No one ever actually talks about it. Because no one knows how to explain it. Why do some of us just feel inadequate when everything is going well?

The movie also had me remembering Perfect Summers. Another thing Lee understood, back in a time when Lee was the Lioness and I could share some of this darkness with someone. A time when we had our Perfect Summer (Winter). Are there Perfect Summers for every relationship?

Then the movie had me thinking about women, but I guess all I'd have to say about it was written on the post linked on the first paragraph. That is all.

Finally, I thought about writting. And everything else.
There was a time a while back when I had declared (perhaps only to myself, but that's all that really matters) that I was dead as an artist. Or at least comatose. I couldn't bare the responsibility of being expected to live off my art. So I chose to simply abandon it and seek a well-paying job. But since I've been trying to do that for four years now and haven't succeeded, I woke up from my coma.
Slowly at first, looking back at everything I did in the art course, like someone who truly awakens from a coma to remember he once lived an actual life. I got my atelier back on track, and made myself a promise to try to spend the saturday mornings in it. Perhaps if I could discipline myself to work, inspiration might follow.
After the movie, I came up with the idea of taking my grandfather's typewriter there and trying to write a bit as well. A focused thing, like I did in school. Short stories, something of the sort. If I could awaken my slumbering art, perhaps I could awaken my comatose literature as well. This time, to write with more maturity, vocabulary and purpose.
So, in a nutshell, I'm currently trying to paint, draw characters for a videogame, sing in a rock band, write anything meaningful and make money with advertising. All of which take up an enormous amount of time and concentration to do properly and end up interfering on each other. All of which are currently taking me nowhere. It drives me insane: I have even more reasons to feel inadequate. But I shan't bother you with this sort of literature here.

segunda-feira, maio 19, 2008

Cinetismo no almoço

Alguém teve a brilhante idéia de pegar o horário de almoço para ir visitar uma das galerias aqui por perto. Desde o dia 10 de maio e por tempo indeterminado, a Galeria Bergamin organiza uma exposição sobre arte cinética.
Talvez uma das poucas formas de arte que consegue desviar minha atenção de uma boa pintura, a cinética teve seu auge nos anos 50 e encontrou diversos expoentes na América Latina. Eu já tinha visto os trabalhos do venezuelano Jesus Soto [1] [2] (difíceis de fotografar decentemente...) e alguma coisa do argentino Julio Le Parc [1].
E o que é cinética? É um tipo de arte que se vale muito mais da lógica do que da sensibilidade e é justamente isso que prende minha atenção. As obras exploram o movimento: às vezes o movimento da peça, levado pelo vento, pela mudança da luz, por motores; às vezes o movimento do próprio expectador que muda seu ponto de vista; às vezes a sensação do movimento criada por ilusão de óptica; às vezes a sensação de movimento criada pelo jogo entre figura e fundo.
Algumas coisas são muito contemporâneas até mesmo para obras de mais de meio século. Há logo na entrada um quadro de um outro venezuelano chamado Cruz-Diez [1]. é um quadro grande feito de tiras de algum tipo de madeira, intercaladas por tiras de alumínio. Nas tiras de madeira, há uma combinação de quatro linhas de diferentes cores. De longe, essas cores se fundem para formar uma cor média, de uma forma similar às linhas de pixels coloridos dos monitores atuais. Passando diante do quadro, Vê-se as tiras refletidas nos pedaços de alumínio, criando um estranho efeito de movimento impreciso e fantasmagórico. As cores mudam, as imagens dos quadriláteros somem. E no entanto, foi você que se mexeu, não o quadro.
Tudo me lembra idéias de alunos da faculdade de arte que vi nas Anuais. Gente que eu gostaria de seguir, mas esqueci dos nomes. Ou mesmo algumas das minhas próprias experiências, como a instalação que formava um cubo flutuando no meio da sala de aula, todo feito de barbandes.
Há um consenso geral de que a arte é um assunto de alta sensibilidade e pouca lógica (e portanto pouca diferença entre certo e errado). Confunde-se criatividade com sensibilidade e todos acreditam que é preciso ter esta para desenvolver aquela. Esse tipo de arte prova o contrário: é possível ser violentamente criativo em obras áridas, frias, que não contam historinhas e nem causam outra emoção que não um maravilhamento diante da beleza do lógico.
Há quem argumente que isso é ainda um outro tipo de sensibilidade. Discutível.

sexta-feira, maio 16, 2008

Cadernos na Escola São Paulo

Sempre tenho esse problema de esquecer e acabar divulgando essas coisas de última hora.

Enfim, há alguns meses fiz um workshop sobre cadernos de artista na Escola São Paulo com a artista Mônica Barth. Interessada pelos meus vários cadernos, ela me indicou pra fazer parte de uma exposição de trabalhos dos cursos deste semestre.
A exposição começa hoje e dura um mês, com a possibilidade de ser prorrogada.

Tá afins de pegar uma vernissage com comes e bebes e DJ, baladinha descolada?


quinta-feira, maio 15, 2008

Hand marks

There's a scar of a slash just above the nail of my left middle finger, from a science experiment in third grade involving potatoes. I tried to carve one with a Swiss army-knife and it slipped. I ran to mother with a dripping finger and told her I was going to be sick the next day. It was true: after so many recurring cases of tonsillitis (my body's way of expressing reproach before it came up with anxiety attacks...), I had developed a sixth sense for it. Indeed, I got sick the following day.
There's another scar on the knuckle of my left index. It was a banale injury that I kept poking at. I never resisted the urge to peel off that sort of thing.
There's a dark wart on the knucle of my right hand. It simply grew there from a tiny burn I got at the pub in London. I never knew warts grew out of injuries...
Something that looks like a scar has forever altered the fingerprint of my right ring finger. It's there because as a boy, I used to be fascinated by that layer of dead skin that I could pierce and cut without feeling any pain. I thought it always grew back, but it turns out this one didn't.
Most of the skin on my hand has more cracks and crevices than usual. It looks somewhat older than it is. I believe it has to do with the copious amounts of paint thinners I've meddled with over the past few years.

quarta-feira, maio 07, 2008

Descobertas musicais

Lento que sou para essas maravilhas modernas da internet, só recentemente fui descobrir a maravilha que é o serviço da Last FM. Meu irmão já tinha me mostrado algo parecido, mas este é o serviço mais popular. Trata-se de um site onde podemos, com uma conexão decente, escutar músicas dos mais diversos artistas diretamente da internet. O site ainda oferece um serviço onde você escolhe um artista e ele apresenta outros similares, dando ainda a opção do usuário dizer se gostou ou não da sugestão. Como o tempo e as opiniões do usuário, o site vai aprimorando sua capacidade de sugerir músicas que são a cara do ouvinte. Por enquanto, minha lista na Last FM se limita a copiar a minha lista de MP3 no computador de casa. Mas suponho que, com algum tempo, eu passe a agregar outras novidades.
Brilhante é o preceito que permite a existência deste site: você pode ouvir qualquer música quantas vezes quiser, mas como não faz o download e continua condicionado à conexão de internet, a música não é de fato "sua", logo você não tem a obrigação de pagar por ela. Resumindo, é da internet, é de todo mundo. Essa idéia leva a todo um novo preceito de carreira musical ao qual os músicos ainda estão se acostumando e que meu irmão já profetizou mais de mil vezes e defende com unhas e dentes. Algumas poucas bandas que conheço já incorporaram a idéia. As mais notórias são o Nine Inch Nails e o Johnny Hollow, que disponibilizaram suas músicas na web voluntariamente. A primeira até usou a própria Last FM.

Foi pela Last FM e a extensa lista de músicas que pilhei [de "pilhagem", ato de roubar, surrupiar; não de "botar pilha" como a garotada (uns dois anos mais jovem do que eu) vive dizendo...] do computador da agência que fiz outras descobertas tardias. Eu já curtia as poucas coisas que conhecia do Depeche Mode, mas nunca tinha ouvido um de seus maiores sucessos, Personal Jesus. A letra parece um daqueles comercias de TV, vendendo seu próprio Jesus que se importa com você. Basta atender o telefone e ele te fará um crente. Achei blasfemicamente divertido. E nada mais atual para uma época que viu coisas como os escândalos da Igreja Universal e a Cientologia.
Outra descoberta foi o Marilyn Manson. Uma daquelas coisas que eu nunca achei que ia gostar. Cheguei nele por causa das reinterpretações. Inicialmente por causa de seu Sweet Dreams are Made of This [Original do Eurythmics, banda da Annie Lennox nos anos 80], mas depois pela sua versão do próprio Personal Jesus. Se a música já era uma heresia em si, ficou ainda mais deliciosa interpretada por Manson, que lhe conferiu um ar de trivialidade colocando uma sonoplastia de barulhos de vizinhança no fundo. Dá a impressão de que ele está cantarolando junto com o rádio em alguma casa de subúrbio, enquanto comete alguma atrocidade no quintal. E então ele brada junto com outras tantas vozes a frase emblemática da música: "Reach out and touch faith" ["Estenda os braços (alcance) e toque a fé"]. Imagino quem teria coragem de alcançar e tocar qualquer coisa que um personagem como Manson oferecesse.
Pelo que pude entender de Marilyn Manson, ele provavelmente foi uma daquelas crianças convencidas pelos valentões do colégio de que eram mais insignificantes do que a veia na asa da mosca no cocô do cavalo do bandido [sentiu o drama?]. Até que ele resolveu se vingar. Mas como naquela época não existiam os tiroteios em escolas que tanto me interessam como fenômeno de expressão, ele extravasou a raiva de um modo mais criativo. Aceitou o papel de socialmente desajustado e criou este personagem. Um palhaço demoníaco que tira sarro de tudo que todos considerem minimamente sagrado e decente. E no entanto, ele tem sua poesia. Os primeiros versos de Tourniquet (que eu escutei achando erroneamente tratar-se de uma reinterpretação da música do Evanescence) têm um romantismo travestido de Estética de Decomposição: "She's made of hair and bone and little teeth/ Things that cannot speak" ["Ela é feita de cabelo e ossos e dentinhos / Coisas que não falam"]. Não sei por que, mas eu achei meigo...
Acho que Manson foi o ápice de uma cultura de choque que hoje vemos regredir aos poucos. Levada pela publicidade, onde você tem que falar mais alto do que seu concorrente e contribuir para esse efeito de bola de neve, a cultura chegou naquele ponto do final do século XX, onde o relevante era o que chocava mais. Daí a violência visual de bandas como os Misfits, Slipknot e o próprio Manson. Daí a relação que os jornais faziam entre ele e os eventos em Columbine e seus predecessores, achando que um ato extremo se ligaria a outro. Posso estar errado, mas acredito que o momento atual seja mais um retorno à ordem, a volta de grupos e ideologias relacionados ao ético, ao ecologica e politicamente correto, que hoje ainda é meio encarado como underground e alternativo, mas já começa a ganhar força. Nem sempre é tão divertido, mas às vezes é mais gratificante.

Mas isso é para outro post...

segunda-feira, maio 05, 2008

Feriado passado em São Roque, com amigos da Lexy, curtindo o frio que já começa a se instalar por aqui. Eu gosto do frio, apesar dele provocar em mim aquele recrudescimento, introspecção e austeridade.

Ainda custo a acreditar no prazer que sinto com uma coisa tão simples como cozinhar. Juntar algumas pessoas e fazer alguma coisa que estimule o paladar e arranque elogios. Há dois anos eu era alguém que fugia da cozinha e não fazia mais do que ovos mexidos e macarrão. Hoje experimento a salada que meu tio Carlos faz no aniversário da minha avó e fico analizando ingredientes e conferindo a mistura estranhamente aprazível de maçã, curry e azeite.