We had known each other only through written words and an occasional picture here or there. So, besides finding so many little details in common, each one knew what the other looked like. Yet, meeting her in the flesh was every bit as shocking as I had anticipated. Because it was seeing this image I already knew with the benefit of movement and a voice of her own. And that alone gave her character a whole new depth.
No... Not even her image was exactly the same. It was as if, when she posed for a picture, she would wear a different face. I could see it there, in the moving, speaking version of her, but only barely. Like a picture that has been tampered with Photoshop. It wasn`t the image I was used to.
It wasn`t only for the fact that she was smaller than I had imagined. But then again, in my inferiority complex, I always picture people being a lot bigger. No: this image of hers had more sharpness. That was it. There were many more details in that grinning face as I had seen in any of her pictures. The shadows were darker, the skin was more... real.
And she seemed to be in a perpetually cheerful mood. Yet another endearing little child. No matter the dark clothing, the piercings, the long-haired men in heavy-metal T-shirts around her. She was gleeful as a child.
Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.
terça-feira, novembro 30, 2004
Novo blog!
Apesar de ainda não ter escrito nada, estou participando de um blog em conjunto com alguns amigos meus do curso de publicidade. Chama-se Umas Cabeças e o Dobro de Mãos e é onde nós publicaremos nossos pequenos contos, sátiras e coisas em estilo diferente desse estilo confidencial de diário do blog. Já coloquei um link na minha lista.
Este blog continuará normalmente, e meus contos serão publicados em ambos.
Este blog continuará normalmente, e meus contos serão publicados em ambos.
sexta-feira, novembro 26, 2004
Como termina?
Devo ter uns quatro ou cinco contos não terminados aqui no blog. Na verdade, comecei a escrever esses contos faz algum tempo. Sempre baseados em idéias legais em termos de trama literária. Como não tenho mais tempo nem treino para lidar com um livro (coisa que pretendo fazer de novo após alguma prática...), escrevo essas idéias na forma de pequenos contos. Mas aí sempre surge o mesmo problema: como termina a cena? Não sou muito bom para finais. Tenho boas idéias para as cenas intermediárias, às vezes até para bons começos. Mas são os fins que me travam. Aí eu deixo pra terminar algum outro dia e obviamente nunca termino.
Alguém aí conhece algo de teoria literária que possa me ajudar a pensar em um fim?
Alguém aí conhece algo de teoria literária que possa me ajudar a pensar em um fim?
quinta-feira, novembro 25, 2004
Weird links from Mac Hall
Radiohead clip, animated in Flash. Great animation, by the way!
Citroen comercial.
Proof that not all bunnies are that good at multiplying...
Citroen comercial.
Proof that not all bunnies are that good at multiplying...
quarta-feira, novembro 24, 2004
Archives page is up and running
After a short while without my archives page, it`s finally been redesigned and is now running normally. So, if you missed any chapters, just dig in!!
========
Depois de algum tempo sem a página de arquivos, ela finalmente foi redesenhada e está no funcionando normalmente. Assim que, se vocie perdeu algum capítulo, pode procurar!!
E vocês que estavam interessados no conto anterior que eu tinha escrito, está no final do mês passado, dia 25 de Outubro.
========
Página de arquivos está no ar
Depois de algum tempo sem a página de arquivos, ela finalmente foi redesenhada e está no funcionando normalmente. Assim que, se vocie perdeu algum capítulo, pode procurar!!
E vocês que estavam interessados no conto anterior que eu tinha escrito, está no final do mês passado, dia 25 de Outubro.
terça-feira, novembro 23, 2004
Conto 2
(Nota do autor: este aqui é um pouco mais fictício que o outro. Talvez por isso mesmo a qualidade e aquela sensação de verossimilhança sejam menores...)
- "Prove!" ele exigia. Com um gesto rápido, apontou a arma para o centro da testa dela.
- "Meu amor... Você tá duvidando de mim?" ela respondeu. O rosto em uma máscara de medo, as mãos estendidas com as palmas para cima em um gesto de súplica. "Você não confia em mim?" ela insistiu.
O tiro varou a cabeça dela, saindo pelo outro lado. Concentrava toda a raiva dele na fina linha traçada pelo projétil. Era raiva de saber que sua verdadeira namorada estava morta há muito tempo.
A figura torceu a cabeça para o lado e engasgou, expelindo sangue verde pela boca e pelas feridas. E então desabou no chão. O tiro ainda ecoava e conjurava lembranças remotas na cabeça dele.
***
Foram apresentdos um ao outro no verão de 98. Menos de um ano depois estavam namorando. Eram dias intensos. Tudo era muito rápido e visceral. Amavam-se com a devoção e a certeza do "para sempre". E confiança era tudo.
Fizeram teatro juntos no começo de 2000. Formavam um par soberbo nos palcos justamente pela capacidade de não duvidar um do outro. De saber que o outro estaria lá para aparar uma queda, improvisar um texto esquecido, entrar precisamente em uma deixa. No final do ano, o circo. Embora nunca tivessem tentado o número de trapézio, as acrobacias de solo foram um prato cheio.
No inverno do ano seguinte, fizeram uma viagem para a Argentina. Em Bariloche, a neve no pico das montanhas. Uma semana após a chegada, pequenas lascerações começaram a aparecer na boca dele. Ela não soube bem como surgiu o assunto, mas de súbito havia a suspeita de que ele tivesse herpes. Ele dizia que não era isso. Que era o frio. E o que começou como zombaria logo tornou-se sério. "Prove!" ela havia dito. No dia seguinte, ele estava no posto médico mais próximo.
Não estava zangado com a desconfiança. Ao contrário, procurou os exames como uma prova de amor. Havia passado a noite anterior acordado, aterrorizado pela sensação de que este incidente da suposta herpes pudesse destruir a extraordinária conexão e confiança que havia entre eles. Horrorosa era a noção de que este incidente seria um marco a partir do qual tudo entre eles iria ruir.
Pouco tempo depois, ele trouxe o resultado do exame: negativo. Prometeram-se que jamais se zangariam com pedidos de prova como aquele. Que provariam o que fosse preciso, sem hesitar, sem se ultrajar com o pedido. Porque manter o que eles tinham era muito mais importante. Porque toda prova apresentada não era uma forma de esfregar o erro do outro na cara, mas sim uma forma de reiterar a confiança. Era uma promessa fora do comum, para um relacionamento fora do comum.
Após os inexplicáveis eventos que deixaram o mundo perplexo no início de 2005, tudo mudou. Ele não conseguia lembrar precisamente desde quando as coisas estava diferentes entre eles. Mas sabia o que havia mudado: o que antes não precisava de palavras para ser compreendido agora precisava de explicações minuciosas. Depois de algum tempo, este excesso de palavras cessou. Não era que ela houvesse voltado àquele estado de comunicação quase telepática com ele. Calara-se em corpo e alma. Não trocavam palavra às vezes por dias inteiros.
Quando a verdade veio à tona sobre as pessoas enlouquecidas que apareciam nos jornais, ele começou a desconfiar dela. Desconfiança. As coisas haviam realmente mudado. Em uma quinta-feira, ele deixou o trabalho duas horas antes e visitou uma loja de armas. Comprou um revólver simples e munição. Em casa, na garagem, muniu a arma com duas balas. Pra ter certeza. E para que ela não tivesse uma arma inteira carregada caso conseguisse desarmá-lo.
Sem rodeios: entrou em casa, encontrou-a saindo da cozinha e disse em voz calma que ela não era sua garota. A mão dentro do bolso da jaqueta suava ao redor do revólver. Ela chamou aquilo tudo de besteira. Insensatez mesmo.
- "Prove!" ele exigiu. Com um gesto rápido, apontou a arma para o centro da testa dela.
- "Meu amor... Você tá duvidando de mim?" ela respondeu. O rosto em uma máscara de medo, as mãos estendidas com as palmas para cima em um gesto de súplica. "Você não confia em mim?" ela insistiu.
Entenda, no contexto dos anos que haviam passado juntos, era impensável ela sequer perguntar aquilo. O gatilho foi apertado em um impulso quase automático disparado por aquela frase. Ele sentiu a arma inchar na mão e cuspir o projétil em linha reta. Se pudesse tomar uma faca e marcar no próprio tecido do tempo e espaço a trajetória daquela bala, teria-o feito com toda a raiva do descontrole.
Depois que aquela forma desabou no chão, ele desabou a chorar. Encolheu-se no outro canto da sala e chorava mais e mais a cada vez que olhava para o corpo. Chorava pelo amor que ainda tinha por ela e que era lembrado naquele rosto perfurado. Chorava pelo ódio que tinha daquela coisa que nem era humana.
A ausência tão absurda de sincronia atingiu-o em um insight insuportável: ela morta e ele vivo; o amor e o ódio sendo inspirados pela mesma figura.
Finalmente percebeu que ainda segurava a arma: restava uma bala.
- "Prove!" ele exigia. Com um gesto rápido, apontou a arma para o centro da testa dela.
- "Meu amor... Você tá duvidando de mim?" ela respondeu. O rosto em uma máscara de medo, as mãos estendidas com as palmas para cima em um gesto de súplica. "Você não confia em mim?" ela insistiu.
O tiro varou a cabeça dela, saindo pelo outro lado. Concentrava toda a raiva dele na fina linha traçada pelo projétil. Era raiva de saber que sua verdadeira namorada estava morta há muito tempo.
A figura torceu a cabeça para o lado e engasgou, expelindo sangue verde pela boca e pelas feridas. E então desabou no chão. O tiro ainda ecoava e conjurava lembranças remotas na cabeça dele.
Foram apresentdos um ao outro no verão de 98. Menos de um ano depois estavam namorando. Eram dias intensos. Tudo era muito rápido e visceral. Amavam-se com a devoção e a certeza do "para sempre". E confiança era tudo.
Fizeram teatro juntos no começo de 2000. Formavam um par soberbo nos palcos justamente pela capacidade de não duvidar um do outro. De saber que o outro estaria lá para aparar uma queda, improvisar um texto esquecido, entrar precisamente em uma deixa. No final do ano, o circo. Embora nunca tivessem tentado o número de trapézio, as acrobacias de solo foram um prato cheio.
No inverno do ano seguinte, fizeram uma viagem para a Argentina. Em Bariloche, a neve no pico das montanhas. Uma semana após a chegada, pequenas lascerações começaram a aparecer na boca dele. Ela não soube bem como surgiu o assunto, mas de súbito havia a suspeita de que ele tivesse herpes. Ele dizia que não era isso. Que era o frio. E o que começou como zombaria logo tornou-se sério. "Prove!" ela havia dito. No dia seguinte, ele estava no posto médico mais próximo.
Não estava zangado com a desconfiança. Ao contrário, procurou os exames como uma prova de amor. Havia passado a noite anterior acordado, aterrorizado pela sensação de que este incidente da suposta herpes pudesse destruir a extraordinária conexão e confiança que havia entre eles. Horrorosa era a noção de que este incidente seria um marco a partir do qual tudo entre eles iria ruir.
Pouco tempo depois, ele trouxe o resultado do exame: negativo. Prometeram-se que jamais se zangariam com pedidos de prova como aquele. Que provariam o que fosse preciso, sem hesitar, sem se ultrajar com o pedido. Porque manter o que eles tinham era muito mais importante. Porque toda prova apresentada não era uma forma de esfregar o erro do outro na cara, mas sim uma forma de reiterar a confiança. Era uma promessa fora do comum, para um relacionamento fora do comum.
Após os inexplicáveis eventos que deixaram o mundo perplexo no início de 2005, tudo mudou. Ele não conseguia lembrar precisamente desde quando as coisas estava diferentes entre eles. Mas sabia o que havia mudado: o que antes não precisava de palavras para ser compreendido agora precisava de explicações minuciosas. Depois de algum tempo, este excesso de palavras cessou. Não era que ela houvesse voltado àquele estado de comunicação quase telepática com ele. Calara-se em corpo e alma. Não trocavam palavra às vezes por dias inteiros.
Quando a verdade veio à tona sobre as pessoas enlouquecidas que apareciam nos jornais, ele começou a desconfiar dela. Desconfiança. As coisas haviam realmente mudado. Em uma quinta-feira, ele deixou o trabalho duas horas antes e visitou uma loja de armas. Comprou um revólver simples e munição. Em casa, na garagem, muniu a arma com duas balas. Pra ter certeza. E para que ela não tivesse uma arma inteira carregada caso conseguisse desarmá-lo.
Sem rodeios: entrou em casa, encontrou-a saindo da cozinha e disse em voz calma que ela não era sua garota. A mão dentro do bolso da jaqueta suava ao redor do revólver. Ela chamou aquilo tudo de besteira. Insensatez mesmo.
- "Prove!" ele exigiu. Com um gesto rápido, apontou a arma para o centro da testa dela.
- "Meu amor... Você tá duvidando de mim?" ela respondeu. O rosto em uma máscara de medo, as mãos estendidas com as palmas para cima em um gesto de súplica. "Você não confia em mim?" ela insistiu.
Entenda, no contexto dos anos que haviam passado juntos, era impensável ela sequer perguntar aquilo. O gatilho foi apertado em um impulso quase automático disparado por aquela frase. Ele sentiu a arma inchar na mão e cuspir o projétil em linha reta. Se pudesse tomar uma faca e marcar no próprio tecido do tempo e espaço a trajetória daquela bala, teria-o feito com toda a raiva do descontrole.
Depois que aquela forma desabou no chão, ele desabou a chorar. Encolheu-se no outro canto da sala e chorava mais e mais a cada vez que olhava para o corpo. Chorava pelo amor que ainda tinha por ela e que era lembrado naquele rosto perfurado. Chorava pelo ódio que tinha daquela coisa que nem era humana.
A ausência tão absurda de sincronia atingiu-o em um insight insuportável: ela morta e ele vivo; o amor e o ódio sendo inspirados pela mesma figura.
Finalmente percebeu que ainda segurava a arma: restava uma bala.
O Misterio de Lala`s Joe
Há alguns dias, Lala`s Joe deixou um comentário em um dos meus posts. Dizia que eu o conhecia mas que ele iria fazer-se de desconhecido. Deixou apenas um endereço de blog e esse nome estranho, mas com estilo. Fui ao blog e logo assumi, pelo estilo de texto, que fosse um rapaz que conheci no trabalho. Um que tinha um estilo assim, questionador, porém moderno, interessante, fora da rotina e apatia. Deixei um comentário. E a história teria acabado aí, com mais um blog na minha lista de Plaindwellers and Edgewalkers, e Lala`s Joe teria caído naquele limbo entre a rotina e o esquecimento. Eu passaria no blog dele todas as manhãs, como faço em todos os da minha lista. Porém Joe me respondeu, dizendo que eu havia me enganado. Mal sabe ele o que isso faz com uma mente levemente obssessiva como a minha. No dia, vasculhei o blog dele atrás de pistas. Suprimi uma vontade de sair por aí perguntando a conhecidos se eram Lala`s Joe. O mistério era muito mais intrigante do que uma resposta fácil.
Pois bem, Joe... Por enquanto, suponho que você trabalhe comigo. Seu blog comentava qualquer coisa sobre o Carlos Castello Branco no post de 22 de Outubro (não disse que eu era obssessivo?). E a julgar pelo gosto musical estilo "cult desconhecido" (contradição de termos, eu sei...), já posso excluir algumas pessoas que não teriam cabeça pra isso. A paixão por animais (uma área inteira de links sobre ONGs a respeito...) soa familiar, embora eu tenha esquecido quem tinha essa paixão toda por bichos...
Onde foi que eu deixei minha lente de aumento, o chachimbo e o chapéu esquisito?
Pois bem, Joe... Por enquanto, suponho que você trabalhe comigo. Seu blog comentava qualquer coisa sobre o Carlos Castello Branco no post de 22 de Outubro (não disse que eu era obssessivo?). E a julgar pelo gosto musical estilo "cult desconhecido" (contradição de termos, eu sei...), já posso excluir algumas pessoas que não teriam cabeça pra isso. A paixão por animais (uma área inteira de links sobre ONGs a respeito...) soa familiar, embora eu tenha esquecido quem tinha essa paixão toda por bichos...
Onde foi que eu deixei minha lente de aumento, o chachimbo e o chapéu esquisito?
segunda-feira, novembro 22, 2004
MSN Hai Kai
Aquele meu professor de mídia digital estava falando esses dias sobre MSN. Dizia que tem nomes lá que parecem hai kai, aquele estilo de poema japonês com apenas três estrofes.
(*)Fulano Não esta sendo um bom dia portanto não falem comigo is online...
MSN FICA LOGANDO SOZINHO, QUE DROGAAAAAAA :@ is online...
Deu pra entender, né?
Tem outros que na verdade anulam o objetivo de se ter um nome, que é identificar a pessoa. Vejo alguns na minha lista que colocam uma frase espirituosa toda vez que entram no programa. Claro, é legal e tudo. E quando você tem apenas um desses na sua lista, você sabe quem é e acha até original. Mesmo quando tem apenas uns dois ou três assim, você ainda consegue identificá-los pelo estilo da frase, o vocabulário empregado. Tem palavras que são marca registrada de algumas pessoas. Mas quando começam a aparecer umas cinco ou seis pessoas citando letras de música diferentes a cada dia, a coisa complica. Por que aí, pra saber, só abrindo uma janela e dando uma olhada no e-mail do indivíduo.
Estive pensando sobre essa coisa da internet: você escolhe o seu próprio nome. Você parece ter mais controle sobre a criação da sua própria identidade. Porque no mundo real, você nasce com um nome e, salvo uma ou outra cultura ou toneladas de burocracia, você vai morrer com ele. Você não teve opinião na escolha desse nome. Colocaram ele em você e você vai ter que viver com ele, mesmo que seja alguma coisa incomum como Asclépio ou Deoclesiano ou ainda Epaminondas. Já na internet você pode resolver que Vandercleiton não é um nome legal e passar a ser chamado de qualquer coisa pomposa como Cereal Killer ou Lord Hacker. De repente você resolve que é um deus nórdico e muda pra Odin. Ou resolve ser minimalista e coloca algo como mah. Sem falar naquela gramática de viciado: L337 SK8R is online...
Tá bom, com o nome que eu me coloquei, eu também não sou inocente. Já calei.
(*)Fulano Não esta sendo um bom dia portanto não falem comigo is online...
MSN FICA LOGANDO SOZINHO, QUE DROGAAAAAAA :@ is online...
Deu pra entender, né?
Tem outros que na verdade anulam o objetivo de se ter um nome, que é identificar a pessoa. Vejo alguns na minha lista que colocam uma frase espirituosa toda vez que entram no programa. Claro, é legal e tudo. E quando você tem apenas um desses na sua lista, você sabe quem é e acha até original. Mesmo quando tem apenas uns dois ou três assim, você ainda consegue identificá-los pelo estilo da frase, o vocabulário empregado. Tem palavras que são marca registrada de algumas pessoas. Mas quando começam a aparecer umas cinco ou seis pessoas citando letras de música diferentes a cada dia, a coisa complica. Por que aí, pra saber, só abrindo uma janela e dando uma olhada no e-mail do indivíduo.
Estive pensando sobre essa coisa da internet: você escolhe o seu próprio nome. Você parece ter mais controle sobre a criação da sua própria identidade. Porque no mundo real, você nasce com um nome e, salvo uma ou outra cultura ou toneladas de burocracia, você vai morrer com ele. Você não teve opinião na escolha desse nome. Colocaram ele em você e você vai ter que viver com ele, mesmo que seja alguma coisa incomum como Asclépio ou Deoclesiano ou ainda Epaminondas. Já na internet você pode resolver que Vandercleiton não é um nome legal e passar a ser chamado de qualquer coisa pomposa como Cereal Killer ou Lord Hacker. De repente você resolve que é um deus nórdico e muda pra Odin. Ou resolve ser minimalista e coloca algo como mah. Sem falar naquela gramática de viciado: L337 SK8R is online...
Tá bom, com o nome que eu me coloquei, eu também não sou inocente. Já calei.
Ontem chegou a conta de luz e gás em casa. No canto superior direito, lá estava meu trabalho. Um personagem criado por um dos diretores de arte da agência e que eu passei o meu primeiro mês de trabalho desenhando nas mais diversas situações imagináveis. Fiquei orgulhoso: mostrei para minha mãe, meu pai e até meu irmão. Era meu trabalho. Finalmente.
Ver uma coisa minha veiculada assim é uma espécie de marco para mim. Mas não vou escrever mais sobre isso porque me sinto torpe discorrendo sobre um orgulho infantil assim.
Ver uma coisa minha veiculada assim é uma espécie de marco para mim. Mas não vou escrever mais sobre isso porque me sinto torpe discorrendo sobre um orgulho infantil assim.
sexta-feira, novembro 19, 2004
Gostinho rapido de vida...
Lava a alma fazer alguém que antes tinha sofrido tanto por sua causa morrer de rir.
Para quem postou um comment anônimo no post de 12 de Novembro...
Liberdade é uma questão muito ampla que depende do ponto de vista. Não vale discutir isso aqui. Quanto a religião, sou ateu e nem por isso sou menos civilizado. Não acho que a religião seja a única coisa que sustenta a raça humana. Acho sim que é um instrumento de controle formidável que ainda funciona que é uma beleza para acalmar as massas mais pobres que, se não se resignassem à miséria com a promessa de um pós-vida recompensador, se rebelariam com mais frequência. Quanto a Darwin, a seleção natural foi substituída pela seleção social que em nada tem a ver com religião. Tem a ver com quem tem mais dinheiro, consegue mais bens de consumo que lhe conferem status e mais educação que lhe confere qualificação profissional. Onde entra a religião nisso?
Considerações sobre festas de aniversário
A festa de ontem foi ótima. Não conhecia o bar, e com certeza pretendo frequentá-lo mais vezes.
Não poupo oportunidades para dizer o quanto meu irmão toca bem sua música, mas ontem foi algo além do normal. Não conhecia esta banda de samba e chorinho dele. E foi muito bom ouvir as músicas que ele normalmente ensaia em casa tocadas com acompanhamento que não venha de CDs... Músicos muito criativos e improvisadores!
Além das pessoas de sempre, que aparecem nas nossa baladinhas com uma fidelidade quase mafiosa e tão lisonjeira quanto (vocês sabem quem são: adoro todos!), fiquei surpreso ao ver chegarem alguns velhos amigos que não esperava que respondessem ao chamado (valeu Nanda, Tarsi, Rafa...). E um pouco desapontado por não encontrar alguns dos novos amigos que tenho feito recentemente pela internet. Suponho que ainda seja cedo para essas demonstrações de amizade.
Não vou tentar enfeitar a realidade: apesar do número alto de pessoas presentes, eram mais ou menos um quarto de todos que convidei. O que reforça a minha vontade de não mais organizar essas coisas e apenas deixar o aniversário passar, comemorado por quem lembrar de mim e quem acessar o Orkut de vez em quando. Mas como sempre, no ano que vem eu vou "esquecer" essa decisão e tentar de novo...
Festas de aniversário, depois da infância, passam a ser muito mais voltadas para os convidados do que realmente para o aniversariante. Engraçado: comemora-se a vida de alguém tornando-a um pequeno inferno. Por que no fim, é o aniversariante que organiza tudo, passa um tempo consideravel escrevendo e-mails ou telefonando, correndo atrás de um bom lugar para fazer a festa, dos pequenos detalhes. É o aniversariante que fica remoendo aquela questão: "e se ninguém aparecer?" E depois é o aniversariante que lava os pratos, arruma a casa, joga fora as latinhas de cerveja, limpa as migalhas de bolacha que deixaram no sofá. Foram-se os dias em que papai e mamãe organizavam tudo com direito a bolo com figuras do seu herói preferido recortadas em isopor e brigadeiro em papéis coloridos.
Tá certo, festa surpresa é outra coisa. Porque aí o aniversariante não organiza quase nada. Talvez ajude a limpar depois. Mas tem que ser alguém deveras especial pra receber uma festa surpresa. E eu sei que eu não sou assim tão presente na vida das pessoas para que elas considerem essa possibilidade. Promessa para o ano novo: tornar-me alguém especial para os amigos queridos (Promessas de ano novo são esquecidas no dia 2 de Janeiro...). Aliás, se alguém descobrir exatamente como se faz isso de tornar-se especial, ensine-me...
Não poupo oportunidades para dizer o quanto meu irmão toca bem sua música, mas ontem foi algo além do normal. Não conhecia esta banda de samba e chorinho dele. E foi muito bom ouvir as músicas que ele normalmente ensaia em casa tocadas com acompanhamento que não venha de CDs... Músicos muito criativos e improvisadores!
Além das pessoas de sempre, que aparecem nas nossa baladinhas com uma fidelidade quase mafiosa e tão lisonjeira quanto (vocês sabem quem são: adoro todos!), fiquei surpreso ao ver chegarem alguns velhos amigos que não esperava que respondessem ao chamado (valeu Nanda, Tarsi, Rafa...). E um pouco desapontado por não encontrar alguns dos novos amigos que tenho feito recentemente pela internet. Suponho que ainda seja cedo para essas demonstrações de amizade.
Não vou tentar enfeitar a realidade: apesar do número alto de pessoas presentes, eram mais ou menos um quarto de todos que convidei. O que reforça a minha vontade de não mais organizar essas coisas e apenas deixar o aniversário passar, comemorado por quem lembrar de mim e quem acessar o Orkut de vez em quando. Mas como sempre, no ano que vem eu vou "esquecer" essa decisão e tentar de novo...
Festas de aniversário, depois da infância, passam a ser muito mais voltadas para os convidados do que realmente para o aniversariante. Engraçado: comemora-se a vida de alguém tornando-a um pequeno inferno. Por que no fim, é o aniversariante que organiza tudo, passa um tempo consideravel escrevendo e-mails ou telefonando, correndo atrás de um bom lugar para fazer a festa, dos pequenos detalhes. É o aniversariante que fica remoendo aquela questão: "e se ninguém aparecer?" E depois é o aniversariante que lava os pratos, arruma a casa, joga fora as latinhas de cerveja, limpa as migalhas de bolacha que deixaram no sofá. Foram-se os dias em que papai e mamãe organizavam tudo com direito a bolo com figuras do seu herói preferido recortadas em isopor e brigadeiro em papéis coloridos.
Tá certo, festa surpresa é outra coisa. Porque aí o aniversariante não organiza quase nada. Talvez ajude a limpar depois. Mas tem que ser alguém deveras especial pra receber uma festa surpresa. E eu sei que eu não sou assim tão presente na vida das pessoas para que elas considerem essa possibilidade. Promessa para o ano novo: tornar-me alguém especial para os amigos queridos (Promessas de ano novo são esquecidas no dia 2 de Janeiro...). Aliás, se alguém descobrir exatamente como se faz isso de tornar-se especial, ensine-me...
quarta-feira, novembro 17, 2004
Aquela maldiçao milenar...
Há uma maldição milenar que faz com que chova em todos os meus aniversários. Aliás, no meu aniversário e no dia seguinte. E no outro também. E no outro. Deu pra entender, né?
É batata: quinze de Novembro = chuva. Lembro de um aniversário lá pelos idos dos meus cinco anos de idade que resolvemos fazer lá na fazenda da minha avó. Foi uma festa de pai de amigo atolando na estrada, gente que não achou a entrada, gente que desistiu...
Vai entender... O bom nisso tudo é que eu gosto de chuva. Gosto de sair andando na chuva com a intenção de me molhar mesmo. Chegar em casa encharcado, com os pés fazendo aquele barulho esquisito (squish, squish). No mais, o clima chuvoso tem aquela introspecção que cai bem com um dia no qual você faz um balanço da sua vida.
Bom... qualquer ano desses eu acabo escrevendo um post que diga "Este ano foi esquisito: nem choveu no meu aniversário"...
É batata: quinze de Novembro = chuva. Lembro de um aniversário lá pelos idos dos meus cinco anos de idade que resolvemos fazer lá na fazenda da minha avó. Foi uma festa de pai de amigo atolando na estrada, gente que não achou a entrada, gente que desistiu...
Vai entender... O bom nisso tudo é que eu gosto de chuva. Gosto de sair andando na chuva com a intenção de me molhar mesmo. Chegar em casa encharcado, com os pés fazendo aquele barulho esquisito (squish, squish). No mais, o clima chuvoso tem aquela introspecção que cai bem com um dia no qual você faz um balanço da sua vida.
Bom... qualquer ano desses eu acabo escrevendo um post que diga "Este ano foi esquisito: nem choveu no meu aniversário"...
terça-feira, novembro 16, 2004
Bem-vindos ao novo layout
Criado pelo Iraê Brasil como um presente de aniversário, resolvi colocá-lo no dia apropriado. Valeu, cara! Ainda têm algumas coisas faltando, alguns links, alguns efeitos, mas já está utilizável. Nessas próximas semanas eu escrevo sobre as mudanças, quando elas ocorrerem.
Este layout foi desenvolvido para melhor ilustrar todo o conceito do "Edgewalker Lion". A idéia era criar um layout baseado apenas em desenho linear, sem grandes áreas de cor. Como se o olho estivesse sempre percorrendo uma linha, um limite (edge). Também traz um tom de surrealidade mais macabro, que pode comportar os posts mais cômicos e os assuntos mais pesados. Aproveitei a oportunidade para criar um layout com uma área de texto mais ampla, que comportasse imagens sem prejudicar o texto. O layout anterior era muito estreito.
No topo, você encontrará links para o fotolog, arquivos, meu e-mail e um ícone para ligar e desligar o som. A música de fundo, aliás, foi sampleada de um de meus compositores favoritos.
À esquerda, você encontrará links para outros blogs, incluindo algumas novidades. Embaixo destes, as webcomics. Notifique-me se houver qualquer problema com os links, por favor.
Finalmente, na base da página há uma sessão dedicada a sites instigantes porém bizarros. Você irá perceber um ícone de reciclagem lá: como não era possível ter espaço para todos os links dessa sessão sem interferir no layout, Iraê criou essa solução. Simplesmente clique no ícone e três outros sites randomicos aparecerão.
Aproveite!
=========================
Since it was designed by Iraê Brasil as a birthday present for me, I decided to put it up on my birthday. Thanks, man! There are a few things still missing, a few links, some effects, but it's already usable. On the following weeks, I'll post the changes as they happen.
The layout was designed to better illustrate the whole "Edgewalker Lion" theme. The idea was to create a layout based only on line drawing, no big areas of color. As if the eye was always treading a line, an edge. It also carries a darker tone of surreality, that can encompass both the comical and the heavy issues. I took the oportunity to create a layout with a wider text area, that could harness images without making a mess of the text. The former layout was too narow.
On the top, you'll find links to the fotolog, archives, my e-mail and an icon to toggle sound on and off. The background music, by the way, was sampled from one of my favorite singers.
To the left, you will find links to other blogs, including a few additions to the list I had. Under those, the webcomics. Notify me if there's anything wrong with the links, please.
Finally, on the very bottom of the page, there's a section dedicated to enticingly bizarre sites. You'll notice a "recicle" icon there: since I couldn't free up enough space for all the links to this section without interfering with the layout, Iraê came up with this icon. Simply click on it, and three other random links will be given.
Enjoy!
Este layout foi desenvolvido para melhor ilustrar todo o conceito do "Edgewalker Lion". A idéia era criar um layout baseado apenas em desenho linear, sem grandes áreas de cor. Como se o olho estivesse sempre percorrendo uma linha, um limite (edge). Também traz um tom de surrealidade mais macabro, que pode comportar os posts mais cômicos e os assuntos mais pesados. Aproveitei a oportunidade para criar um layout com uma área de texto mais ampla, que comportasse imagens sem prejudicar o texto. O layout anterior era muito estreito.
No topo, você encontrará links para o fotolog, arquivos, meu e-mail e um ícone para ligar e desligar o som. A música de fundo, aliás, foi sampleada de um de meus compositores favoritos.
À esquerda, você encontrará links para outros blogs, incluindo algumas novidades. Embaixo destes, as webcomics. Notifique-me se houver qualquer problema com os links, por favor.
Finalmente, na base da página há uma sessão dedicada a sites instigantes porém bizarros. Você irá perceber um ícone de reciclagem lá: como não era possível ter espaço para todos os links dessa sessão sem interferir no layout, Iraê criou essa solução. Simplesmente clique no ícone e três outros sites randomicos aparecerão.
Aproveite!
=========================
Welcome to the new layout
Since it was designed by Iraê Brasil as a birthday present for me, I decided to put it up on my birthday. Thanks, man! There are a few things still missing, a few links, some effects, but it's already usable. On the following weeks, I'll post the changes as they happen.
The layout was designed to better illustrate the whole "Edgewalker Lion" theme. The idea was to create a layout based only on line drawing, no big areas of color. As if the eye was always treading a line, an edge. It also carries a darker tone of surreality, that can encompass both the comical and the heavy issues. I took the oportunity to create a layout with a wider text area, that could harness images without making a mess of the text. The former layout was too narow.
On the top, you'll find links to the fotolog, archives, my e-mail and an icon to toggle sound on and off. The background music, by the way, was sampled from one of my favorite singers.
To the left, you will find links to other blogs, including a few additions to the list I had. Under those, the webcomics. Notify me if there's anything wrong with the links, please.
Finally, on the very bottom of the page, there's a section dedicated to enticingly bizarre sites. You'll notice a "recicle" icon there: since I couldn't free up enough space for all the links to this section without interfering with the layout, Iraê came up with this icon. Simply click on it, and three other random links will be given.
Enjoy!
sexta-feira, novembro 12, 2004
A rat brain that flies flight simulators...
Bizarre. Just... bizarre.
But it got me remembering the latest class I had on digital media at the advertising course. At some point, our teacher explained the difference between your common computer hardware and what he called "wetware". The later being any living organism, composed mostly of water and able to adapt to changing conditions. What comes as a coincidence is that way before that class, I had been daydreaming about the day technology would be able to create machines made of genetically altered organic parts. Machines made of flesh. I called them "fleshcrafts".
Take your average human. Disregard all the unnexplainable religious crap about souls. Now imagine that we could one day completely understand how the brain works. We'd be nothing but a huge, very complex wetware/fleshcraft. Not to mention the fact that, in developing these organic machines, we'd have a whole new array of interfaces. That is, you wouldn't rely only on computer screens to interact with machinery. You could go as far as interacting on a hormonal level.
On other considerations, say you put this fleshcrafted brain into a real fighter plane. And into a load of other machines. Say you get them to comunicate with each other (internet or something similar...). And say they decide that any human intervention is obsolete. Kinda sounds like the rise of the machines, doesn't it? Like the Terminator movies?
Another thing to think about. Way before the Matrix trilogy (and in fact one of the references for the movies), there was this philosopher who`s name I can't remember that came up with a modern version of Plato's cave, where he proposed that you could be just a brain floating in a barrel of substances, with electrodes plugged in. This would be the work of some evil scientist and his supercomputer, who would be constantly feeding and manipulating thoughts and simulations of your five senses into you, making you think you live in a real world, with a real body. When I read the CNN article above, I couldn't help but think about that allegory. Of course, the whole barrel had been replaced for a simple Petry dish. But it's still the beggining of the whole thing.
Think about it...
Bizarre. Just... bizarre.
But it got me remembering the latest class I had on digital media at the advertising course. At some point, our teacher explained the difference between your common computer hardware and what he called "wetware". The later being any living organism, composed mostly of water and able to adapt to changing conditions. What comes as a coincidence is that way before that class, I had been daydreaming about the day technology would be able to create machines made of genetically altered organic parts. Machines made of flesh. I called them "fleshcrafts".
Take your average human. Disregard all the unnexplainable religious crap about souls. Now imagine that we could one day completely understand how the brain works. We'd be nothing but a huge, very complex wetware/fleshcraft. Not to mention the fact that, in developing these organic machines, we'd have a whole new array of interfaces. That is, you wouldn't rely only on computer screens to interact with machinery. You could go as far as interacting on a hormonal level.
On other considerations, say you put this fleshcrafted brain into a real fighter plane. And into a load of other machines. Say you get them to comunicate with each other (internet or something similar...). And say they decide that any human intervention is obsolete. Kinda sounds like the rise of the machines, doesn't it? Like the Terminator movies?
Another thing to think about. Way before the Matrix trilogy (and in fact one of the references for the movies), there was this philosopher who`s name I can't remember that came up with a modern version of Plato's cave, where he proposed that you could be just a brain floating in a barrel of substances, with electrodes plugged in. This would be the work of some evil scientist and his supercomputer, who would be constantly feeding and manipulating thoughts and simulations of your five senses into you, making you think you live in a real world, with a real body. When I read the CNN article above, I couldn't help but think about that allegory. Of course, the whole barrel had been replaced for a simple Petry dish. But it's still the beggining of the whole thing.
Think about it...
quinta-feira, novembro 11, 2004
O trabalho já começa a assentar-se na rotina diária, perdendo aquele encanto inicial de coisa nova. Não que tenha sido banalizado e esquecido e que eu não preste mais atenção. Não é isso. Na verdade, passou de centro de toda minha atenção, de razão pra sair da cama e explorar algo novo; para uma coisa que fica como pano de fundo e que na verdade estabelece o tom de uma época da vida.
Muita coisa já foi assim. A época de colégio, por exemplo. Quando me lembro do colegial lembro até das músicas, como trilha de um filme. Os dias eram acompanhados de David Bowie (o álbum “Never Let Me Down”) e Tears for Fears (“Raoul and the Kings of Spain” ou “Elemental”) e a trama era toda sobre teorias sociais bizarras inventadas por um adolescente ou mistérios do universos explicados pela metafísica. E muita literatura. Escrevia até não poder.
O curso de artes foi outra época. Eu ia pra casa no começo e assistia Evangelion e os dias tinha um sabor até pueril de coisa nova. Eu tinha entrado na faculdade e era uma criança de novo. Mas me sentia muito bem. A trama era toda sobre descobrir o que é arte e se indignar pelo fato de que a nova geração de artistinhas sequer sabia desenhar e nem precisava saber. A trilha era J-pop, música de anime. Ou música clássica: Bach, Samuel Barber, Erik Satie.
Tudo que marcou época no curso de publicidade se resume ao ano em que Lee aconteceu. De resto, é apenas um lugar ao qual ainda sou obrigado a ir durante a noite, como um intervalo comercial no meio da programação. Sei: não devia ser assim. E talvez mude nestes últimos anos e eu passe a aproveitar mais. Mas não sei. Acho que a fobia ao clima acadêmico e burocrático da universidade, a aversão à idéia de me tornar um teórico e não um prático (um bom e velho chato acadêmico), a completa falta de interesse por política, tudo isso e outras coisas me fazem manter alguma assepcia no contato com aquele lugar. E assim, o curso de publicidade não marcou época. Apenas aquele romance ao som de Cazuza.
Muita coisa já foi assim. A época de colégio, por exemplo. Quando me lembro do colegial lembro até das músicas, como trilha de um filme. Os dias eram acompanhados de David Bowie (o álbum “Never Let Me Down”) e Tears for Fears (“Raoul and the Kings of Spain” ou “Elemental”) e a trama era toda sobre teorias sociais bizarras inventadas por um adolescente ou mistérios do universos explicados pela metafísica. E muita literatura. Escrevia até não poder.
O curso de artes foi outra época. Eu ia pra casa no começo e assistia Evangelion e os dias tinha um sabor até pueril de coisa nova. Eu tinha entrado na faculdade e era uma criança de novo. Mas me sentia muito bem. A trama era toda sobre descobrir o que é arte e se indignar pelo fato de que a nova geração de artistinhas sequer sabia desenhar e nem precisava saber. A trilha era J-pop, música de anime. Ou música clássica: Bach, Samuel Barber, Erik Satie.
Tudo que marcou época no curso de publicidade se resume ao ano em que Lee aconteceu. De resto, é apenas um lugar ao qual ainda sou obrigado a ir durante a noite, como um intervalo comercial no meio da programação. Sei: não devia ser assim. E talvez mude nestes últimos anos e eu passe a aproveitar mais. Mas não sei. Acho que a fobia ao clima acadêmico e burocrático da universidade, a aversão à idéia de me tornar um teórico e não um prático (um bom e velho chato acadêmico), a completa falta de interesse por política, tudo isso e outras coisas me fazem manter alguma assepcia no contato com aquele lugar. E assim, o curso de publicidade não marcou época. Apenas aquele romance ao som de Cazuza.
Meu chefe tem mãos minúsculas. Mãos minúsculas e gordinhas. Estes dias, enquanto eu fazia outra daquelas pausas para o café cheias de reflexões sem juizo, comecei a pensar na metáfora que eram aquelas mãos. Ele inteiro é um homem pequeno. E suponho que isso conforte uma pessoa com tanto complexo por estatura como eu. Mas as mãos são a verdadeira metáfora.
Ele chega todo dia e me estende uma das mãos redondas em um aperto forte, confiante. Parecem mãos que têm massa, força e vontade pra crescer. Mas que, por alguma razão, ficam presas à estrutura óssea pequena. São mãos de possibilidade. Mãos que dizem “algum dia ainda vou ser…”, mas que pertencem a um homem adulto, consciente, confiante.
Dá até pra fazer uma daquelas metáforas corporativas piegas dizendo que as mãos dele são como a própria empresa, que ainda é pequena, mas com massa, força e vontade pra crescer.
Ele chega todo dia e me estende uma das mãos redondas em um aperto forte, confiante. Parecem mãos que têm massa, força e vontade pra crescer. Mas que, por alguma razão, ficam presas à estrutura óssea pequena. São mãos de possibilidade. Mãos que dizem “algum dia ainda vou ser…”, mas que pertencem a um homem adulto, consciente, confiante.
Dá até pra fazer uma daquelas metáforas corporativas piegas dizendo que as mãos dele são como a própria empresa, que ainda é pequena, mas com massa, força e vontade pra crescer.
segunda-feira, novembro 08, 2004
Dream
The first part is fuzzy, as always. All I know is I was staying at this boarding school thing. Living there. It was a big mansion, four stories high. The halls were a bit tight though, and reminded me of the halls in the ER series. And surely enough, as I thought of this, some doctors began showing up, in white coats. But they weren`t exactly doctors, they were psychiatrists. Somewhere, in the boarding school, there was a mental institution.
We went on vacations and I spent some time away from that place. I can`t remember what happened, but it was in another, smaller mansion just a drive away. But something terrible happened while I was there and when I returned to the boarding school, it was razed and empty. A flashback played on, explaining that the psychiatric patients had escaped confinement during some catastrophy that wasn't detailed enough to be understood. I walked the halls with that feeling that something was about to happen. Eventually, I got to the boys` bathroom (at the end of the hall, to the right...). And while I was there, one of the doctors came in. She was young and clean, but still seemed to be scared, as if she had gone through a lot. I gestured for her attention and she held back a scream once she realized I wasn't one of them. She explained what happened and we were ready to leave, but then I noticed someone coming towards the bathroom. In a few steps, I was behind the door, waiting to ambush. Surely enough, a maniac walked through, with a firefighter`s ax in hand. He grinned at the doctor and walked past me. I hit him and wrestled the ax out of his hand, killing him with it. I fled with the doctor, down the hall and up to the backyard, where the lunatics were crowded. We turned back and ran to the front yard, being followed by a horde of psychotics. They were beggining to look like the zombies in Resident Evil.
In the front yard, for apparently no reason at all, there was a helicopter. Desert Combat type of thing. We ran for it, and I yelled I would drive. We climbed aboard, narrowly escaping the horror. Up in the air, I said I wanted to blow the whole place up. But we should save ammo. I flew with ease and without thinking about the controls or anything. We went to the smaller mansion, but it was also just a pile of rubble after the zombies had attacked. All I knew in the vicinity had been destroyed.
So we decided to fly north to the nearest big city. I decided, because the doctor had simply vanished. A dream thing, not to be explained... I knew even the big cities would be overrun. So I looked for some fortification, some Mad Max thing, where the last survivors would make a stand. I flew over what I thought was New York. But people were already running in panic. Cars flooding the freeways. I turned on the radio and the news anchor was saying police forces were down to 25%. He was telling people to leave the city without panic, in an organized way. And the the station was invaded and he was off the air.
I flew over a dense pine forest. And all of sudden I could see my aunt`s place up in the northeastern part of the country. I can't remember landing there, but suddenly I was in the house, telling everyone to leave. We hurried to the front yard, passing the TV room on the way. Someone was advertising "anti-zombie clothes", with blades that could rip a zombie`s arm off if he tried to grab you. Saturday Night Live kind of thing. In the front yard, the chopper was stuck up in a tree. Rough landing, it seemed. I climbed it and started yelling at my relatives to hand over the younger children. In no time, the vehicle was full. The rest of the family would ride the cars. I can`t remember which cousins I was carrying, but there were the 5-year-old Olsen twins in the back seat... Not that they`re part of the family.
I took off, but there was too much weight. I didn`t say a word. Just flew on. I could see the other cars going down the road.
We were almost there, and I couldn`t hold the chopper in the air much longer. All I had to do was fly down the last slope of the mountain, to the town square, where one of those fortifications was being held. But on the last curve, the chopper hit something and rolled over. I was thinking: "Don't think of explosions!". I knew that if I did, it would happen. I was beggining to understand it was all a dream.
I pulled the kids out of the flaming remains of the chopper and we ran away from it. In the middle of that last slope was a small village. It seemed to be a place outside of the whole zombie story. People there just went on with their lives. They all seemed like turists in bathing suits. I lost the kids for a moment. And then found only the boys. As we went looking for the girls, these bizare superheroes began coming out of nowhere, in stupid costumes. And that`s when the whole thing just seemed to surreal to believe and I woke up.
References for this dream include Resident Evil: Apocalipse, Desert Combat, City of Heroes, Saturday Night Live, ER, the fact that I`m painting a portrait of one of my cousins from up north on request of my uncle, Bicho de Sete Cabeças and Castlevania. It would take a whole other post just to explain how they`re all connected. And I don't think you'd care to hear that one.
The first part is fuzzy, as always. All I know is I was staying at this boarding school thing. Living there. It was a big mansion, four stories high. The halls were a bit tight though, and reminded me of the halls in the ER series. And surely enough, as I thought of this, some doctors began showing up, in white coats. But they weren`t exactly doctors, they were psychiatrists. Somewhere, in the boarding school, there was a mental institution.
We went on vacations and I spent some time away from that place. I can`t remember what happened, but it was in another, smaller mansion just a drive away. But something terrible happened while I was there and when I returned to the boarding school, it was razed and empty. A flashback played on, explaining that the psychiatric patients had escaped confinement during some catastrophy that wasn't detailed enough to be understood. I walked the halls with that feeling that something was about to happen. Eventually, I got to the boys` bathroom (at the end of the hall, to the right...). And while I was there, one of the doctors came in. She was young and clean, but still seemed to be scared, as if she had gone through a lot. I gestured for her attention and she held back a scream once she realized I wasn't one of them. She explained what happened and we were ready to leave, but then I noticed someone coming towards the bathroom. In a few steps, I was behind the door, waiting to ambush. Surely enough, a maniac walked through, with a firefighter`s ax in hand. He grinned at the doctor and walked past me. I hit him and wrestled the ax out of his hand, killing him with it. I fled with the doctor, down the hall and up to the backyard, where the lunatics were crowded. We turned back and ran to the front yard, being followed by a horde of psychotics. They were beggining to look like the zombies in Resident Evil.
So we decided to fly north to the nearest big city. I decided, because the doctor had simply vanished. A dream thing, not to be explained... I knew even the big cities would be overrun. So I looked for some fortification, some Mad Max thing, where the last survivors would make a stand. I flew over what I thought was New York. But people were already running in panic. Cars flooding the freeways. I turned on the radio and the news anchor was saying police forces were down to 25%. He was telling people to leave the city without panic, in an organized way. And the the station was invaded and he was off the air.
I flew over a dense pine forest. And all of sudden I could see my aunt`s place up in the northeastern part of the country. I can't remember landing there, but suddenly I was in the house, telling everyone to leave. We hurried to the front yard, passing the TV room on the way. Someone was advertising "anti-zombie clothes", with blades that could rip a zombie`s arm off if he tried to grab you. Saturday Night Live kind of thing. In the front yard, the chopper was stuck up in a tree. Rough landing, it seemed. I climbed it and started yelling at my relatives to hand over the younger children. In no time, the vehicle was full. The rest of the family would ride the cars. I can`t remember which cousins I was carrying, but there were the 5-year-old Olsen twins in the back seat... Not that they`re part of the family.
I took off, but there was too much weight. I didn`t say a word. Just flew on. I could see the other cars going down the road.
We were almost there, and I couldn`t hold the chopper in the air much longer. All I had to do was fly down the last slope of the mountain, to the town square, where one of those fortifications was being held. But on the last curve, the chopper hit something and rolled over. I was thinking: "Don't think of explosions!". I knew that if I did, it would happen. I was beggining to understand it was all a dream.
I pulled the kids out of the flaming remains of the chopper and we ran away from it. In the middle of that last slope was a small village. It seemed to be a place outside of the whole zombie story. People there just went on with their lives. They all seemed like turists in bathing suits. I lost the kids for a moment. And then found only the boys. As we went looking for the girls, these bizare superheroes began coming out of nowhere, in stupid costumes. And that`s when the whole thing just seemed to surreal to believe and I woke up.
References for this dream include Resident Evil: Apocalipse, Desert Combat, City of Heroes, Saturday Night Live, ER, the fact that I`m painting a portrait of one of my cousins from up north on request of my uncle, Bicho de Sete Cabeças and Castlevania. It would take a whole other post just to explain how they`re all connected. And I don't think you'd care to hear that one.
domingo, novembro 07, 2004
Estive almoçando na casa de minha avó (do ateliê). Estavam presentes dois senhores que ajudaram na edição e publicação de um livro sobre meu avô, dito maior interprete de Hamlet do Brasil. O livro faz parte de uma coleção maior, sobre a memória do teatro brasileiro. Estes dois senhores são hilários, sempre contando situações cômicas dos bastidores, da classe teatral hoje heptagenária e do paragone entre o teatro carioca e o paulista.
Lembro da cena que foi o dia em que os conheci. Chegaram na casa da minha avó para pegar fotos para o livro. Tocaram a campainha na hora em que vovó estava fazendo alguma coisa, e fui eu atender a porta. Abri a porta de metal e o homem empalideceu assim que me viu. Deu um passo para trás e disse baixinho com os olhos enormes: "menino, você é a cara do seu avô". Sensação gostosa de pertencer a um desses breves momento de Além da Imaginação.
Pouco tempo depois, o livro havia sido lançado e tínhamos alguns exemplares em casa. Na capa, meu avô vestido de príncipe da Dinamarca, com uma enorme capa preta, mais parecendo um vampiro. Mais parecido impossível. Seria um verdadeiro sonho participar de uma montagem de Hamlet algum dia. E já que estamos sonhando, por que não indagar como seria fazer o papel principal...
Estes editores, aliás, vem indagando se não me interessaria em fazer teatro. E realmente, é uma idéia que me parece cada dia mais premente, mais necessária. Porque, embora esta decendência possa estragar uma carreira iniciante (a pressão para ver se o neto faz algo sequer próximo do avô...), seria um desperdício não aproveitar os contatos e em geral o QI (bom e velho Quem Indica) da minha avó que ainda vive, sendo que eu gosto tanto de teatro. No mais, ninguém precisa saber de início de quem sou neto.
Sim... Com certeza está nos planos para o próximo semestre.
Lembro da cena que foi o dia em que os conheci. Chegaram na casa da minha avó para pegar fotos para o livro. Tocaram a campainha na hora em que vovó estava fazendo alguma coisa, e fui eu atender a porta. Abri a porta de metal e o homem empalideceu assim que me viu. Deu um passo para trás e disse baixinho com os olhos enormes: "menino, você é a cara do seu avô". Sensação gostosa de pertencer a um desses breves momento de Além da Imaginação.
Pouco tempo depois, o livro havia sido lançado e tínhamos alguns exemplares em casa. Na capa, meu avô vestido de príncipe da Dinamarca, com uma enorme capa preta, mais parecendo um vampiro. Mais parecido impossível. Seria um verdadeiro sonho participar de uma montagem de Hamlet algum dia. E já que estamos sonhando, por que não indagar como seria fazer o papel principal...
Estes editores, aliás, vem indagando se não me interessaria em fazer teatro. E realmente, é uma idéia que me parece cada dia mais premente, mais necessária. Porque, embora esta decendência possa estragar uma carreira iniciante (a pressão para ver se o neto faz algo sequer próximo do avô...), seria um desperdício não aproveitar os contatos e em geral o QI (bom e velho Quem Indica) da minha avó que ainda vive, sendo que eu gosto tanto de teatro. No mais, ninguém precisa saber de início de quem sou neto.
Sim... Com certeza está nos planos para o próximo semestre.
quarta-feira, novembro 03, 2004
And so, my faith in humanity has finally bit the dust
Bush has been re-elected. After all that happened, Bush has been re-elected. After the fraudy elections, the complete inadequacy in dealing with 9/11, waging a war against a country that had nothing to do with it and sending thousands of americans to their deaths, after proclaiming the end to that war before it was actually over and thus killing more americans, after all the conservativeness he displayed, after completely screwing up the US`s reputation outside and inside the country, after being deemed the president with the lowest IQ of all time and proving it, Bush has been re-elected...
I know Kerry wasn`t the best choice either, but come on! At least the US would maintain a shred of dignity as a country that learns from the past mistakes. But I guess all those "security moms" (as one news station down here called them) and KKK members got terrified of the hordes of arab terrorists waiting just outside the border with bombs tied to their stomachs.
I`m just too pissed about it to write anything coherent... It`s enough to drive even an apolitical fellow like me into fits of rage.
P.S.: Even The Bunny is with me on this one...
Bush has been re-elected. After all that happened, Bush has been re-elected. After the fraudy elections, the complete inadequacy in dealing with 9/11, waging a war against a country that had nothing to do with it and sending thousands of americans to their deaths, after proclaiming the end to that war before it was actually over and thus killing more americans, after all the conservativeness he displayed, after completely screwing up the US`s reputation outside and inside the country, after being deemed the president with the lowest IQ of all time and proving it, Bush has been re-elected...
I know Kerry wasn`t the best choice either, but come on! At least the US would maintain a shred of dignity as a country that learns from the past mistakes. But I guess all those "security moms" (as one news station down here called them) and KKK members got terrified of the hordes of arab terrorists waiting just outside the border with bombs tied to their stomachs.
I`m just too pissed about it to write anything coherent... It`s enough to drive even an apolitical fellow like me into fits of rage.
P.S.: Even The Bunny is with me on this one...
You guys should check out the new Happy Tree Friends episode entitled "Remains to be seen". Lots of references to popular horror movies...
... and cute and cuddly animals getting ripped to shreds. That's always fun!
... and cute and cuddly animals getting ripped to shreds. That's always fun!
segunda-feira, novembro 01, 2004
Falando de política
Que alívio que as eleições acabaram. Independente do vencedor.
Pessoas, convençam-se de uma coisa por favor: eu realmente não sou politizado, não tenho opinião a respeito do governo e de forma geral, detesto falar de política.
Falar de política, assim como de religião, é sempre a mesma conversa maçante. Cada um tenta convencer o outro de que "vê" e "saba" a "verdade". Ao mesmo tempo, sabe que os outros o tentarão convencer de seus pontos de vista "errados". Então nega, torna-se impermeável a qualquer opinião alheia. Mesmo que a outra pessoa esteja falando a mesma coisa. Frequentemente vejo situações em que uma pessoa se diz indignada com a outra, mas se questionada a fundo, veremos que nem sabe direito por que se indignou (talvez porque a outra votasse no outro candidato, como se torcesse para outro time de futebol). Já vi situações completamente surreais nas quais ambas as partes defendiam a mesma coisa, mas brigavam até não poder mais, pra ver quem conseguia arrancar do outro um "você tem razão". Por que no fim, não é sobre ser de esquerda ou de direita, ser do PSDB, do PT, ou do PQP. No fim, é sobre ter razão, ter a última palavra e principalmente convencer alguém. É ter aquela sensação de vitória.
A outra parte recebe nomes diversos, de acordo com o tempo. Antes eram hereges. Pouco tempo atrás, eram conservadores. Mais recentemente tornaram-se de esquerda ou de direita. Atualmente, depois da Guerra Fria, não há mais muito significado nos lados e os do contra passaram a ser chamados apenas de elitistas ou pessoas de mente fechada. Não importa o nome. São os outros. São os do contra. São as pessoas que têm uma outra opinião e que tentarão convencer que estão certas. Por isso você ignora e diz que estão erradas.
Os candidatos? Ora, os candidatos: que todos são corruptos, isso a gente já sabe. Afinal, estão lidando com verbas bilhonárias em um país onde a impunidade rola mais do que solta, está escancarada. O país do jeitinho... A carne é fraca, né? Fazem suas campanhas baseadas em propsotas muito parecidas com as de outros candidatos. Aliás, são as mesmas propostas, mas com roupagem e nome novos.
Aí um xinga o outro porque é petista, tucano ou o cacete... Hoje em dia partido não serve mais pra nada. É só uma questão de quem vai receber a propina, qual panelinha vai se dar bem. Veja, o partido de esquerda assumiu o poder depois de tantos anos e não fez muita coisa diferente dos outros. O pouco que fez não agradou nem a eles mesmos. Não, não sou de direita. Acho ambos um asco.
Aí você até para de ler isso e pensa: "como ele é conformado/alienado/um completo imbecil/qualquer outra coisa que signifique que eu me recuso a enfrentar o tema". É óbvio! A meu ver, qualquer discussão onde é impossível chegar a um concenso/resposta nega o próprio objetivo de se ter uma discussão, tornando-se portanto irrelevante. E já vimos que, na política, por razões de orgulho, ninguém vai se convencer do ponto de vista do outro e portanto a discussão não tem consenso/resposta. É o que o Roland Barthes no Fragmentos de um Discurso Amoroso chamava de cena: brigar por brigar, uma briga que não chegará ao fim e não resolverá nada. Alás, segundo Barthes, o motivo da discussão que gera a cena é sempre irrelevante. No caso de muitas das cenas de hoje, sejam sobre política ou religião, os motivos são ainda antiquados e até obsoletos.
Concluindo: se vocês precisam mesmo armar uma cena, fiquem à vontade. Fiquem indignados, exaltem-se. Só não esperem que eu tenha uma opinião a respeito, porque vocês sequer vão se dignar a ouvir mesmo. Aliás, sequer esperem que eu preste muita atenção na conversa. Eu simplesmente concordo pra encerrar a conversa e mudar de assunto para coisas mais relevantes.
E tenho dito!

Que alívio que as eleições acabaram. Independente do vencedor.
Pessoas, convençam-se de uma coisa por favor: eu realmente não sou politizado, não tenho opinião a respeito do governo e de forma geral, detesto falar de política.
Falar de política, assim como de religião, é sempre a mesma conversa maçante. Cada um tenta convencer o outro de que "vê" e "saba" a "verdade". Ao mesmo tempo, sabe que os outros o tentarão convencer de seus pontos de vista "errados". Então nega, torna-se impermeável a qualquer opinião alheia. Mesmo que a outra pessoa esteja falando a mesma coisa. Frequentemente vejo situações em que uma pessoa se diz indignada com a outra, mas se questionada a fundo, veremos que nem sabe direito por que se indignou (talvez porque a outra votasse no outro candidato, como se torcesse para outro time de futebol). Já vi situações completamente surreais nas quais ambas as partes defendiam a mesma coisa, mas brigavam até não poder mais, pra ver quem conseguia arrancar do outro um "você tem razão". Por que no fim, não é sobre ser de esquerda ou de direita, ser do PSDB, do PT, ou do PQP. No fim, é sobre ter razão, ter a última palavra e principalmente convencer alguém. É ter aquela sensação de vitória.
A outra parte recebe nomes diversos, de acordo com o tempo. Antes eram hereges. Pouco tempo atrás, eram conservadores. Mais recentemente tornaram-se de esquerda ou de direita. Atualmente, depois da Guerra Fria, não há mais muito significado nos lados e os do contra passaram a ser chamados apenas de elitistas ou pessoas de mente fechada. Não importa o nome. São os outros. São os do contra. São as pessoas que têm uma outra opinião e que tentarão convencer que estão certas. Por isso você ignora e diz que estão erradas.
Os candidatos? Ora, os candidatos: que todos são corruptos, isso a gente já sabe. Afinal, estão lidando com verbas bilhonárias em um país onde a impunidade rola mais do que solta, está escancarada. O país do jeitinho... A carne é fraca, né? Fazem suas campanhas baseadas em propsotas muito parecidas com as de outros candidatos. Aliás, são as mesmas propostas, mas com roupagem e nome novos.
Aí um xinga o outro porque é petista, tucano ou o cacete... Hoje em dia partido não serve mais pra nada. É só uma questão de quem vai receber a propina, qual panelinha vai se dar bem. Veja, o partido de esquerda assumiu o poder depois de tantos anos e não fez muita coisa diferente dos outros. O pouco que fez não agradou nem a eles mesmos. Não, não sou de direita. Acho ambos um asco.
Aí você até para de ler isso e pensa: "como ele é conformado/alienado/um completo imbecil/qualquer outra coisa que signifique que eu me recuso a enfrentar o tema". É óbvio! A meu ver, qualquer discussão onde é impossível chegar a um concenso/resposta nega o próprio objetivo de se ter uma discussão, tornando-se portanto irrelevante. E já vimos que, na política, por razões de orgulho, ninguém vai se convencer do ponto de vista do outro e portanto a discussão não tem consenso/resposta. É o que o Roland Barthes no Fragmentos de um Discurso Amoroso chamava de cena: brigar por brigar, uma briga que não chegará ao fim e não resolverá nada. Alás, segundo Barthes, o motivo da discussão que gera a cena é sempre irrelevante. No caso de muitas das cenas de hoje, sejam sobre política ou religião, os motivos são ainda antiquados e até obsoletos.
Concluindo: se vocês precisam mesmo armar uma cena, fiquem à vontade. Fiquem indignados, exaltem-se. Só não esperem que eu tenha uma opinião a respeito, porque vocês sequer vão se dignar a ouvir mesmo. Aliás, sequer esperem que eu preste muita atenção na conversa. Eu simplesmente concordo pra encerrar a conversa e mudar de assunto para coisas mais relevantes.
E tenho dito!
Subscrever:
Mensagens (Atom)