quinta-feira, setembro 29, 2005

Recentemente aconteceu de novo...

Um dia, durante um pesadelo em que eu fugia de um maníaco armado até os dentes, dobrei uma esquina da cidade onírica, em um beco escuro, e fui dar em um lugar atrás dos prédios. Percebia a ação do sonho se desenrolar lá na rua principal sem mim. Nesse lugar que eu achei, havia ao menos uma dúzia de esculturas e objetos de arte, feitos dos mais variados materiais, mas principalmente ferro e madeira. Alguém estava comigo, embora eu não me lembre quem. Um desses personagens meus que só aparecem em sonho, que não são ninguém da vida real, ou talvez sejam uma amálgama de muitas pessoas. E esta personagem me disse que eu não devia estar lá. Que, fugindo do meu pesadelo, eu tinha encontrado opr acidente uma área do meu subconsciente à qual eu não devia ter acesso. Uma área onde minha mente guardava as obras de arte que eu ainda ia produzir no futuro... Retendo um pouco de consciência naquela hora, eu sabia que eu esqueceria daquilo tudo no momento em que eu acordasse, e que esse momento não tardaria em chegar. Sempre chega quando eu ouso transgredir as regras dos meus sonhos (sim, eles têm regras, um assunto muito interessante...). Rapidamente, fixei os olhos na obra mais próxima afim de guardá-la na lembrança (estranho: eu, uma consciência dentro do meu subconsciente, tentava memorizar algo, função que pertence à consciência externa...). Acordei e só pude me lembrar de uma peça, algo até banal, sobre a qual até hoje não encontrei o significado ou o motivo para produzir. Talvez até essa história fosse em si o motivo.

Há alguns dias, aconteceu novamente. Sonhei que estava retirando minhas obras de uma exposição no lugar onde eu tenho feito minhas últimas exposições. A dona do lugar tirou uma pintura minha da parede. Tomei-a nas mãos e percebi que a tinta ainda estava fresca. Óleo: talvez tivesse sonhado com óleo porque Taís me convencera a pintar em tinta acrílica na época... Saudades da mídia. Era uma tela, sem chassis, que parecia fazer parte do que tenho pintado ultimamente: era uma crucificação. Eu havia colado uma tábua vertical sobre a tela, deixando o resto da tela solto sem chassis. E nisso tudo havia pintado um fundo de piceladas grossas e vigorosas em preto, inacabado na parte inferior (aliás, belo efeito, que me lembrou as pinturas de Gisela Gari, colega minha do curso de artes). Não cheguei a examinar a figura do Cristo pintada sobre a tábua, mas apostaria tratar-se do Cristo que desenhei em cadernos antigos, estudando a anatomia da carne dilacerada pelos pregos, os ossos deslocados, os efeitos mortais da crucificação. Penso talvez que o sonho tenha fornecido o fundo para uma pintura que nunca comecei, por só ter o personagem principal.
Aliás, neste caso, noto que eu não estava em lugares proibidos do meu subconsciente. Por alguma razão, ele (suponho que esse "ele" seja eu mesmo) resolveu me mostrar isso assim, de livre e espontânea vontade. Por que?

Acho que vou matar a saudade do óleo...

quarta-feira, setembro 28, 2005

Só pra constar: o vampiro do coven de Zion finalmente permitiu que eu colocasse o link para o blog dele.

Apresento-lhes Brilho Eterno, do Ri. Ele fala basicamente de amor. De um jeito visceral, bem emotivo, como se deve falar de amor. Enfim, não devo falar muito a respeito: leiam para entender a grandeza de sua literatura.

domingo, setembro 25, 2005

Quando a depressão bate, ela usa uma marreta...

Estive no Morrisson com amigos da antiga turma do colégio. Achei que precisasse sair um pouco com eles e me divertir. Achei que o Morrisson seria mais de acordo com o estilo de vida que eu quero levar.
Em um telão, cenas da banda tocando em outra parte do bar estavam sendo projetadas. As imagens superexpostas faziam com que as coisas fossem vistas com detalhes, mas os rostos das pessoas ficassem vazios, sem olhos, boca ou nariz. Pessoas sem rosto e sem personalidade. Fui até onde a banda tocava e fiquei lá um pouco. Tocavam Ozzy e coisas do gênero e por um momento pensei que talvez a turma grunge do colégio tivesse razão ao acordar todo mundo nos acantonamentos colocando música desse naipe toda manhã. Na verdade, durante a madrugada também. Era mínimamente divertido. Mas eu não sabia as letras, não me importava e, de fato, estava achando tudo aquilo uma merda. Porque eles pulavam no ritmo da música como macacos. Como aqueles macacos alados do filme do Mágico de Oz. E claramente, menos da metade entendia inglês suficiente pra entender as músicas. De forma geral, aquilo tudo apenas dizia "você não pertence aqui".
Na mesa, conversando com uma ex-namorada do meu irmão. Me dizia, depois que lhe contei da minha demissão e do fim de meu namoro, que eu precisava tirar um tempo pra mim. O que é tirar um tempo pra mim? É acordar e assistir TV o dia inteiro? É deixar a procura por emprego de lado e ficar jogando bumerangue no Ibirapuera? É gastar uma volumosa porcentagem do dinheiro da minha demissão na lan house? Ela definia como tirar um tempo pra fazer as coisas que eu gosto. Eu gosto de quê mesmo?
Na rua, conversei com um amigo meu que tinha pretensões de ser guitarrista. Ele disse que não acreditava na qualidade do que ele mesmo fazia, então que não sentia que poderia efetivamente ser um guitarrista de sucesso algum dia. Dedicar-se-ia ao direito. Súbito me peguei pensando nas minha recentes idas ao ateliê das meninas. De como eu só tenho pintado merda. Da grossa. Tenho orgulho das minhas fotografias. Mas essas boas só acontecem uma vez a cada dois ou três anos. Em média.
Em casa, o site que estou fazendo com minhas ilustrações pra caçar emprego e freelas ainda não está pronto. Não está indo muito bem, pra ser sincero. Design meia-boca, falta de organização (vindo de mim, isso é raridade...) e já toma mais tempo do que eu imaginava. E quando penso nisso, me pergunto se eu realmente quero trabalhar com publicidade mesmo. Publicidade é a origem dos males do mundo. You press the button, some country somewhere explodes...

Nos quatro parágrafos, e em incontáveis outros aspectos da minha vida atualmente, a mesmo pergunta implícita: O QUE EU REALMENTE QUERO?

Ninguém me responde. Afinal, sou eu quem deveria responder, certo?

Antes de dormir, vou ao banheiro escovar os dentes. Acendo a luz e, por um momento, enquanto meus olhos se ajustam à claridade, a imagem também parece estar superexposta. Viro rapidamente para olhar o espelho e me certificar se o meu rosto ainda está lá.

sexta-feira, setembro 23, 2005

Estequiometria

4/5s de uma lata de Bohemia
+
2/5s de um copo de caipirinha
+
Sinais certos
-
Bundamolice
+
Key moment

=

Satisfação de nostalgias arcáicas
+
Ressaca fudida
-
Horas de sono

quarta-feira, setembro 21, 2005

One headlight

by Wallflowers

Eu sei que ficar colocando letra de música em blog é sacal... Prometo que vai ser a última por um tempo. É que me lembra de coisas (e pessoas) boas, apesar da mensagem não estar na letra da música.


So long ago, I don't remember when
That's when they say I lost my only friend
Well they said she died easy of a broken heart disease
As I listened through the cemetery trees

I seen the sun comin' up at the funeral at dawn
The long broken arm of human law
Now it always seemed such a waste
She always had a pretty face
So I wondered how she hung around this place

Chorus:
Hey, come on try a little
Nothing is forever
There's got to be something better than
In the middle
But me & Cinderella
We put it all together
We can drive it home
With one headlight

She said it's cold
It feels like Independence Day
And I can't break away from this parade
But there's got to be an opening
Somewhere here in front of me
Through this maze of ugliness and greed
And I seen the sun up ahead
At the county line bridge
Sayin' all there's good and nothingness is dead
We'll run until she's out of breath
She ran until there's nothin' left
She hit the end-it's just her window ledge

(chorus)

Well this place is old
It feels just like a beat up truck
I turn the engine, but the engine doesn't turn
Well it smells of cheap wine & cigarettes
This place is always such a mess
Sometimes I think I'd like to watch it burn
I'm so alone, and I feel just like somebody else
Man, I ain't changed, but I know I ain't the same
But somewhere here in between the city walls of dyin' dreams
I think her death it must be killin' me

(chorus)

Alice 10




"Unlike me, these bonds do not define who you are, Alice"
"Ao contrário de mim, estes laços não definem quem você é, Alice"

terça-feira, setembro 20, 2005

Às vezes queria poder voltar no tempo como se volta a ler um livro que paramos no meio. Pegar de novo, abrir naquela página que ficou marcada e perceber que não lembramos muito bem como andava a história. Então voltamos alguns capítulo e vamos lembrando aos poucos, passando por cenas que já foram vividas e saboreando-as novamente até chegar no capítulo que estava marcado. Daí pra frente são novidades boas e aquela sensação de poder terminar uma história que ficou pendente.

Ontem à noite, voltei a ler Ensaio sobre a cegueira, do Saramago.

domingo, setembro 18, 2005

Hai, genki desu!

Minha vez de escrever sobre danças folclóricas.

Estive em uma das apresentações de danças croatas da Nana. Acho que ela falou o suficiente no texto dela pra deixar qualquer um curioso. Eu vi e gostei muito. Adorei o mulherocoptero! As danças croatas tem uma espécie de humor, de tiração de sarro mesmo, em alguns dos passos. O modo como pulam em um pé só, levantam as mulheres nos braços, viram a cabeça com charme...

Porém outra experiência além das danças croatas ficou na minha cabeça quando voltei pra casa: dentre outras danças folclóricas divertidas de tantos russos, alemães, protugueses e italianos, havia ainda a turma dos japonses. Depois de uma fantástica apresentação de uma bateria de tambores nipônicos e toda a técnica e coreografia que lembram as artes marcias empregadas só para fazer soar um tambor, houve ainda uma sessão de dança de roda, onde uma pequena banda ficava em uma torre no centro da roda e todos dançavam em volta. Os espectadores eram encorajados a participar, então lá fui eu: não resisto a danças coreografadas assim, com um monte de gente.
E a coisa da dança japonesa é que ela tem menos a ver com o ímpeto e a explosão que norteiam a dança ocidental, e mais de algo parecido à filosofia do bushido, em que a pessoa deve se dedicar a atingir a perfeição em tudo que faz. Explico: a dança japonesa consiste de movimentos simples que se repetem até o fim da música em ciclos pequenos. São movimentos lentos, suaves. O importante é fluir. No começo, a pessoa que entra na roda os repete de forma tosca, porque ainda não sentiu completamente aquilo. Mas a cada repetição, vai aprimorando cada pequeno gesto. A cada repetição, se acostuma com pequenas mudanças, percebe pequenos erros e prepara-se para corrigir no próximo ciclo. E não há limites para o quão se pode aperfeiçoar aqueles pequenos gestos. Eu mesmo, com a minha obssessão por fazer direito, poderia passar horas dançando aquela mesma coreografia simples.
A repetição dos movimentos e o som dos tambores promovem aquele estado zen de meditação durante a dança. Nada mais ao redor importa, apenas o ciclo de movimentos. Encontrei uma paz naquilo, inspirado pelas pequeninas senhoras japonesas que faziam os movimentos sem esboçar a mínima expressão de dificuldade ou vergonha dos erros. E como fluíam! Enquanto o meu fluir era mesmo geométrico, de movimentos circulares e retas, os gestos delas eram muito humanos, muito tranquilos. Só assistir já trazia uma sensação de paz naquilo.

Já não sei mais se fui inglês ou japonês em alguma vida passada...

sábado, setembro 17, 2005

I don't want your civil war...

Ocorreu-me, depois do mais recente encontro com a turma dos blogs, que não coloquei aqui a definição de arte que estou usando para minha monografia da faculdade. Antes de fazê-lo, já aviso: muitos de vocês vão discordar. Mas vai ser aquele discordar de dizer "ah... eu não acho que seja assim" e calar a boca, em vez de me dar argumentos. Isso porque, admito, é uma definição simplificadora. Estou simplificando um daqueles conceitos místicos e sublimes, como Amor, Vida, Deus, Alma... Arte.

No conceito que postulei, arte é a junção de três fatores: técnica, estilo e conceito subjetivo. Estou usando os termos livremente. Por técnica, me refiro a qualquer procedimento. Aqui entrariam quesitos como tecnologia e método, por exemplo. Por estilo, me refiro ao modo como essa técnica é empregada, se é objetivo ou abstrato, apolíneo ou dionisíaco, entre outras características. Por conceito subjetivo, me refiro a uma idéia desvinculada de axiomas. Uma idéia que não precisa ser uma verdade absoluta. Pode ser uma opinião, um sentimento, uma nova maneira de ver o mundo. Porém, se é desvinculada de axiomas, seu emprego em qualquer coisa prática é irrelevante. Assim, de forma geral, arte não tem finalidade prática: é efêmera e serve apenas à contemplação do dito conceito subjetivo. Me arrisco a dizer que talvez a única finalidade relativamente prática seja o entretenimento. Isto posto, desconsidero ofícios como a arquitetura, o design e a culinária como sendo artes. Elas têm finalidades práticas.

Peguem leve com o apedrejamento, tá?

Quando expus a teoria ao BBK, amigo do Lala's, dizendo que a usaria para falar de video-games como arte, ficamos até altas horas discutindo, para o tédio dos que haviam sobrado na mesa àquela hora. O rapaz também conhece muito sobre video-games. A discussão durou um bom tempo até eu perceber que, enquanto minha teoria fundava-se na finalidade do produto a ser julgado como arte (aquele lance da finalidade prática), ele comparava procedimentos. Não obstante, ele entendeu e concordou com a teoria. Não sem antes passarmos um bom tempo falando a respeito.

E foi quase no fim da discussão que me permiti ver esta cena um pouco mais de longe, observá-la como se observasse personagens em um filme. E aí que vi estes dois rapazes, adolescentes de vinte e poucos anos, pra citar o post do Lala's (10/09/2005) num embate completamente inútil, visto que baseado em opiniões, pra definir o que é arte e o que não é. Me vi claramente como um daqueles rapazes de quinze anos e camiseta preta de banda de heavy metal, falando: "Mas mano, Iron Maiden é que é música! O resto é lixo" enquanto o outro retrucava acalourado: "Que Iron Maiden! Música mesmo tem que ser Guns N' Roses! O guitarrista do Iron não chega nem aos pés do Slash!". Daquele ponto de vista onde eu estava, ambas as discussões eram igualmente fúteis.

De qualquer forma, serviu pra animar a noite.

Acho que aquele post do Lala's não me fez bem...

quinta-feira, setembro 15, 2005

Love Song for a Vampire

By Annie Lennox

Descobri recentemente, na trilha sonora do Drácula do Coppola. Embora não tenha nada de aproveitável no meu momento atual, não me sai da cabeça. Procurem: vale a pena.

Come into these arms again
And lay your body down
Th' rhythm of this trembling heart
Is beating like a drum.
It beats for you, it bleeds for you
It knows not how it sounds.
For it is the drum of drums
It is the song of songs.

Once I had the rarest rose that
ever deigned to bloom.
Cruel winter chilled the balm,
And stole my flower too soon
O loneliness, O hopelessness
To search the ends of time,
For there is in all the world
No greater love than mine.

Love....Still falls the rain.
Be mine forever...

Let me be the only one
To keep you from the cold.
Now the floor of heav'n is laid,
Its stars of brightest glow.
They shine for you.
They shine for you.
They burn for all to see.
Come into these arms again
And set this spirit free.


Música assim dói demais. Mas é muito bom.

terça-feira, setembro 13, 2005

Outros furacões além do Katrina.

Chega deste silêncio, deste luto.

Pra quem ainda não ficou sabendo, terminei meu namoro com Taís. Quem me conhece sabe das minhas razões, e quem não me conhece não precisa ficar sabendo. Taís, aliás, era o verdadeiro nome de Tinkerbel, e o que usarei para tratar dela de hoje em diante, como fiz com Makel/Bia.

Na terapia, cheguei à conclusão recentemente que minha vida sempre foi balizada por dois fios condutores: o da carreira e o da musa. Passa-me pela cabeça que Alice tem duas pontas do laço de seu vestido balançando ao vento... Por carreira, entenda-se qualquer aspiração profissional, seja nas artes ou na publicidade. Ser alguém, fazer algo. Por musa, não entendam especificamente uma namorada. Em vez disso, pensem em alguém para obcecar. Sim, obcecar, do jeito que fiz com Lilly, para fazer seu retrato. Pois mesmo namorando alguém, dedicando-se a alguém, é sempre possível obcecar com outras pessoas. Não é ético, mas é possível. A musa não necessariamente precisa ser conquistada. Pelo contrário, as frustrações da vida me mostraram que algumas são, talvez, apenas para serem observadas mesmo. Para sorver-lhes a beleza como fiz nos retratos. Já obcequei com tanta gente... Sentimento maravilhoso.

Mas eis que me encontro sem amarras em nenhum de meus fios condutores. Perdido. Claro, o primeiro conselho que vocês pensam em dar é aquela boa e velha moral de desenho animado de que é bom assim, porque significa começar do zero, conhecer coisas novas e blá³... Mas nenhum desses dizeres do senso comum pode diminuir o pânico e o desnorteamento destes dias. Essa névoa, esse fog, só vai passar quando eu conseguir recomeçar a contruir minha cidadela, meu pequeno império.

Sempre foi minha opinião que os países que hoje são considerados "primeiro mundo" chegaram a tal nível de desenvolvimento por causa das adversidades. De tempos em tempos, uma grande catástrofe natural varria cidades inteiras, forçando-os a recomeçar do zero. Porém possibilitava que os erros fossem consertados e que a nova cidade fosse melhor do que a arruinada. E o vendaval que passou por minha cidade nestas últimas semanas levou tudo. Sobraram-me as ruínas e meus amigos. Hora de limpar os escombros, ver quais porcelanas não quebraram e preparar a argamassa.

Já vejo nisso tudo uma pequena vantagem a brilhar através da névoa: sem amarras a um emprego ou responsabilidade pelo estado emocional de uma pessoa, posso diminuir a censura neste blog. Voltar a falar um pouco daquelas coisas que dão sabor à vida. Sabor de verdade, spice. Falar de futuras musas, de desejo, de aventuras libertárias, do que eu quero. Assim que eu souber exatamente o que eu quero...

[Perdoem, mas o único assunto que permanecerá censurado será justamente os proquês do nosso término e qualquer opinião minha a respeito. Ainda julgo-me responsável por um estado emocional...]

segunda-feira, setembro 12, 2005

Alice 9



"No amount of clapping would bring her back this time..."
"Não havia palmas que a trouxessem de volta desta vez..."

sábado, setembro 10, 2005

Em tempo...

No Leis de Murphy de hoje, havia um fato curioso sobre a origem do brigadeiro (ou negrinho), doce muito brasileiro.
Afirma o autor do blog que o doce foi feito em homenagem ao Brigadeiro Eduardo Gomes, que no Levante do Forte, em 1922, levou um tiro onde nenhum homem gostaria de levar. Anos depois, candidatando-se à presidência, o pessoal que fazia a propaganda para ele lançou o doce, chamando-o de brigadeiro porque, assim como Eduardo Gomes, não levava ovos.

As coisas que a gente lê por aí, viu...

Desce dois... Desce mais...

Desculpem por demorar tanto para escrever sobre o 1o Encontro de Blogueiros... Precisei passar estes dias um pouco afastado, longe do meu mundo e de qualquer possibilidade de me comunicar. Precisei passar esses dias comigo mesmo. Vocês entenderão em posts futuros.

O Encontro em si foi uma beleza. Para alguém tão fissurado em metáforas como eu, foi como um encontro de deuses, cada um dono de (um) universo(s) criado(s) por ele mesmo. Pessoas maravilhosas. Sinto que, se fosse falar um pouquinho de cada um, acabaria repetindo o post controverso do Lala's de 22 de Agosto (não estou conseguindo fazer o permalink funcionar, então desisti de linkar...), e talvez simplificando algumas pessoas mais do que elas gostariam.

Nesta próxima semana, vou caçar os links da galera pra colocar aí ao lado. Tem muita gente que merece andar comigo na beira do abismo.

SALDO:
- Nana bebeu demais (uma tequila...) e acabou ficando meio zoró...
- Kita bebeu demais (perdi a conta...) e está se desculpando até agora...
- Lee não bebeu demais... Mas quem disse que ela precisa, pra ficar alegre?
- Pra mostrar como se faz, o Renan (aka Porco do norte...) abriu uma boca descomunal e engoliu um como de cerveja como se fosse um daqueles minúsculos de tequila... E as garotas perguntam: "o que mais ele faz com aquela boca?"
- Lee conheceu Laura. Essa dupla ainda vai incendiar a cidade.
- Eu conheci Olívia e seus diversos alter-egos. Me fez lembrar o Conselho. Fosse em outra época, eu talvez tivesse aproveitado mais...
- Todos conheceram o BBK.
- E queimaram o filme dele...
- Com a ajuda dele...
- Uma que se defendeu bem das queimações de filme foi a Marina. Porque será que gostamos tanto de tirar sarro de vegetarianos?
- Senti muita falta dos leitores. Especificamente um cuja permissão eu queria pedir para incluir o respectivo blogs na minha lista (sim, você mesmo, de Zion...).
- Na ótima conclusão do Lala's, faltou a pergunta ego-trip fundamental: "por que diabos você lê o meu blog?" Acho que todos nós poderíamos nos beneficiar de uma massagem no ego.

Já sinto vontade de organizar o 2o Encontro...

terça-feira, setembro 06, 2005

Uma das piores coisas de se ficar em casa o dia todo é ter que aturar a empregada. Não me levem a mal, mas é uma senhora de seus 70 anos, que invariavelmente passa os dias sozinha aqui em casa porque estamos todos em seus respectivos trabalhos. Assim que, quem sobra em casa, torna-se presa fácil para que ela despeje toda essa solidão. São horas de conversa sobre temas nada relevantes, uma listagem dos problemas mais miúdos da casa que "precisam ser resolvidos urgentemente", sem falar na miríade de temperos, ingredientes e materiais de limpeza que "têm que ser comprados hoje".

I hate to be the errand boy...

segunda-feira, setembro 05, 2005

Aos poucos, a sujeita vem à tona

Então foda-se a censura: pra que vou respeitar um lugar que não me respeitou.
Recentemente fiquei sabendo de tanta sujeira sobre meu último emprego, que suponho tenha sido uma boa coisa sair de lá. Então, mandando minha resolução de não falar do meu trabalho às favas, eis aqui o porque da minha demissão: soube que, para os que ficaram, a notícia corrente (vinda do próprio chefe, aquele das mãos gordinhas) é que eu fui demitido por estar promovendo espionagem. Sim, acreditem, a paranóia chegou a esse ponto.
Explico.
De forma simples, minha entrada na agência foi facilitada pelo Q.I. ("Quem Indica", como se vocês não soubessem). Desde Junho eu não me sentia muito útil por lá e pressentia a possibilidade de ser demitido. E então, após a mudança para a nova sede, meu Q.I. na agência saiu, sob condições um tanto suspeitas e deixando o chefe muito enfurecido com tudo. Então, aproveitando que eu não estava mais sendo muito útil mesmo e seria uma perfeita forma de vingar-se do meu Q.I., ele me demitiu. Mas precisava justificar de alguma forma, certo? Então inventou uma história de que eu estaria enviando informações de dentro da empresa para meu Q.I., que supostamente estaria trabalhando em outra agência (quando na verdade estava fazendo consultoria e não tinha mais nada a ver com agências de publicidade...). Suponho ser apenas invenção, mas a paranóia dele já mostrara níveis patológicos e seria possível ele realmente estar acreditando nisso... Aproveitou o fato de que eu fora visto perambulando pela área de trabalho da galera de criação, em uma das minhas procuras pelo que fazer pra sair do tédio, e usou isso como uma espécie de "prova" de que eu estava bisbilhotando. Ainda não contente, ainda "revelou", no dia seguinte à minha demissão, que eu havia chegado um pouco mais cedo um dia desses, pra dar uma olhada nos computadores e colher dados para mandar para meu ex-Q.I.
Irônico: eu me preocupava de vez em nunca porque, apesar de a empresa ter horários flexíveis, eu chegava com 40 minutos de atraso todo dia e tinha medo disso ser usado contra mim. E cá estão me acusando justamente de chegar cedo. Outra: eu me preocupava de ficar muito no meu cantinho ocioso enquanto as coisas aconteciam. E cá estão me acusando justamente de estar andando por aí, procurando o que fazer. De fato, a primeira pergunta que me fizeram quando me chamaram para a demissão foi o que eu estava fazendo por lá. Como se esperassem que eu realmente ficasse na minha salinha, fazendo nada e escrevendo em blog o dia inteiro.
Por fim, pergunto: em uma empresa onde todos os computadores são conectados em rede, um dito "espião" precisaria mesmo estar perambulando por aí, mexendo no computador dos outros?
Que vergonha tenho do meu ex-chefe e suas paranóias.
Ao menos ele se salvou de uma vergonha: sempre achei que seria o Lala's a vir demitir-me. Entendam, meu ex-chefe faz pose de bom moço. Ele dá as notícias boas, outra pessoa dá as más. E invariavelmente, é algum bom amigo que tem que demitir o outro. Já soube de um que demitiu a namorada. Pelo menos não passei pela crueldade de ser demitido por um ótimo amigo.
Acredito, no entanto, em um nível mínimo de hipocrisia necessária para sobreviver (poupem-me os comentários contra hipocrisia de garotinhas de sétima série...). Assim que, vou continuar encontrando essas pessoas por aí, sorrindo um sorriso amarelado, fingindo não saber da armação. Nunca se sabe quando pode pintar um trabalho freelance, certo?

Alice 8




"Alice was having a hard time trying to focus on things..."
"Alice tinha dificuldade em manter o foco nas coisas..."



P.S.: Como não tenho mais a ajuda de meu confiável tablet e o mouse daqui de casa é um castigo para qualquer ilustrador, vou fazer os próximos desenhos em aquarela até ter um jeito mais civilizado de trabalhar.
P.P.S.: Depois de uma semana surtando com a perda do emprego, acho que vou voltar a publicar Alice em sua frequência normal.

sexta-feira, setembro 02, 2005

At times I feel I could wither away with no effort at all. Kinda like Trevor Reznik ([1] [2] [3]). I'd sink into my own anti-sociality and simply fade away. I'd concentrate on all the little things I do, like Reznik's little insomniac chores, and withdraw from any social contact.
Oh, the ease with which I'd choose spending the nights at the lan house instead of meeting up with someone! How lazily I'd maintain what little human contact I'd have left over the internet! People would hear (or rather, they'd read) of me through the blog, or e-mails. MSN, perhaps. And they'd be conforted knowing that I'm well, that I'm taking care of business and trying to dig up another stable job. They'd see old pictures of me on my Orkut profile or fotolog, not realizing they were taken maybe years ago. And then, when somebody finally bothered to look me up, they'd find an unkempt, hollow wraith that was once a man.
Actually, perhaps at some point I'd truly feel lonesome enough to go look for company myself. But right now, if I were to indulge my sloth and my instinctual desires, I'd refrain from such an effort as that of socializing.

quinta-feira, setembro 01, 2005

1o Encontro de Leitores/Escritores de Blog

Leitores deste humilde blog,
O Lala's(Whaddafuck) propôs algo interessante nesses últimos dias: juntar essa galera que lê e escreve blogs, que já ouviu falar um do outro (o correto seria dizer "leu um sobre o outro") mas nunca se viu pessoalmente, e ir beber e falar mal da vida longe dos teclados, lá na Vila Madalena. Achei a idéia realmente muito interessante. Imagine só, juntar as três Graças (uma, duas e três...), promover o encontro da Lee e seus fãs do coven de Zion, trocar links, ficar sabendo que gente que você nem desconfiava lê as besteiras que você escreve... Tudo pode acontecer.

A proposta do Lala's é nos encontrarmos na quarta-feira que vem, no feriado, em algum bar da Vila Madá. Ajudaria muito se vocês pudessem me dizer o melhor horário pra vocês. E claro, se alguém tiver uma sugestão de lugar, será sempre bem-vinda.