sábado, setembro 30, 2006

E a imprensa brasileiro continua, por alguma razão, reduzindo a nada o meu querido Hard Candy [1] [2] [3].
Primeiro, num daqueles deslizes clássicos do cinema brasileiro, traduziram o título significativo para o péssimo e nada chamativo "Menina Má.com". Fala sério... Nem dá vontade de ir ver o filme. Soa como um daqueles filmes B, mal feito e com uma história rizível... O estrago do titulo continuou no cartaz, que no original aparecia naquelas letras limpas, sóbrias e quase Bauhauss, colocando esse título ridículo em cima de teclas de computador. Faz parecer como se metade do filme transcorresse em salas de bate-papo virtual.

Hoje ainda peguei no jornal a sinopse:
Adolescente de aparência inocente deseja por em prática todas as maldades que aprendeu na internet.


Transformaram a justiceira Hayley na vilã da história e o fotógrafo Jeff em uma vítima completamente inocente. Acabaram com a graça do filme.

quinta-feira, setembro 28, 2006

Entre relatos desenterrados do meu blog, de garotas estrangeiras na minha cama ou costas branco-mármore-Carrara, entre tardes de ensinar a andar de bicicleta e cabelos de cobre no banco do meu carro, percebi que o que mais me faz falta não é o sexo e outras visceralidades machistas, mas a intimidade. As primeiras são resolvidas de um jeito ou de outro. Mas a intimidade, aquele nível de conhecer alguém que supera o pudor e campos A.T., essa leva tempo e trabalho.
Namoradas de amigos meus me dizem que duvidam que não tenha ninguém interessada em mim. Meu amigos dizem que não me preocupe, antes que eu perceba, já estarei com alguém de novo. Talvez. Mas foi-se o tempo em que o mais cobiçado era aquela sensação de novidade, beijar uma boca nova.

Hoje o que mais quero são aquelas pequenas histórias íntimas, os simbolos a dois. Aqueles momentos que você não percebe quando acontecem, mas fica revivendo depois. E isso ainda demora. Bastante.

terça-feira, setembro 26, 2006

Divido meus dias entre a procura por emprego, que dura até as seis e meia da noite, e uma segunda parte do dia. Uma parte que devia existir desde sempre, mas que a preguiça sufocou.
Depois das seis e meia, quando todas as empresas relevantes fecham ou param de receber telefonemas de mendigos como eu, eu visto o macacão de pintura e tomo os pincéis. Hoje são Alices em chapas de acrílico. Ontem foram movimentos artísticos escritos na minha parede. Enquanto cuidava de minha mãe, desenhava o mar com caravelas na sua parede. E nas raras noites de insônia angustiada pelo desemprego, sentei na frente do computador pra escrever. Dá pra acreditar que em dois dias estou terminando outra parte de Margot (ainda não está terminado, mas quase...)? Há mais de um ano que espero uma inspiração que não vem.

Na verdade, a inspiração nunca virá. Eu preciso mesmo é vencer a preguiça e começar, que o resto aparece no meio do caminho. Porque assim como eu escrevi, se eu cedesse à minha vontade, passaria o dia dormindo. Na vasta maioria destes dias, não tenho vontade de começar a fazer estas coisas. Não tenho mesmo. Tomado por uma certeza estúpida e estéril de que nada disso é relevante, satisfatório ou sequer bom. Eu sou nada.
Mas me forço a ser algo. Me forço a tomar os pincéis ou o teclado. E tem dias nos quais esse esforço é sangrento, tenso, épico. Patético. Me forço a ser algo porque é o único meio de sair desta letargia e fazer algo acontecer. E então, depois do ponto de ativação (onde foi que eu escrevi sobre isso mesmo?), essa primeira resistência some. E se ao menos não encontro real prazer nessa ação, pelo menos encontro a anestesia da inércia. Não penso, não me angustio: apenas faço. No fim do dia, as coisas ainda estão inacabadas. Mas pelo menos deito a cabeça no travesseiro e sinto que o mundo está girando novamente. As coisas estão acontecendo e crescendo. São coisas irrelevantes, insatisfatórias e ruins. Mas são coisas.

Durmo e sonho com uma época onde meu nome era sinônimo de um artista.

A moda tá pegando...

Kevin foi para Lima.
Resolveu seguir o meu exemplo. A história dele nas terras incas você encontra no Incablogue del Kebin.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Na sexta passada, Piero me levou para casa. Eu estava levemente ébrio depois de alguns cálices de vinho (porque agora, além de apreciar azeitonas e doces com passas, eu tomo vinho...). Uma hora depois, meu celular me acorda do sono. Era Kellen, que bebera comigo. Tinha tido uma daquelas amnésias alcoólicas e "acordou" no meio de São Caetano, completamente perdida e perto da favela. Pulei da cama sóbrio, me vesti às pressas e estava no carro em menos de dez minutos, percorrendo a Bandeirantes que eu não percorria há mais de cinco anos, desde Bia. Naquela notie, saí do carro preparado pra tudo, pra ser roubado, pra violência, pra negociações excusas. O que importava era tirar Kellen das proximidades da favela sã e salva, com todos seus pertences.
Por sorte, o pessoal que achou ela era de fora da favela. Levaram-na para um lugar seguro e me guiaram até ela por telefone. Voltei pra casa sem créditos no celular e com o carro andando apenas no cheiro da gasolina. Mas tinha uma sensação de missão cumprida.

Passo os dias cuidando de minha mãe. Ela passou por uma operação leve e precisa de alguma ajuda em casa. Não cozinha, não pode carregar peso ou pegar coisas muito altas. Faço até as coisas mais chatas para ela, me surpreendendo com a minha benevolência. Houve no passado uma situação similar onde eu perdi a paciência.

Ontem à noite, um amigo me liga precisando de um ombro. Por causa da mãe, não pude ir vê-lo. Mas saímos para almoçar no dia seguinte.

Descubro um prazer desconhecido em ajudar, de resolver um problema de alguém. O prazer de ter uma responsabilidade, não importa o quão pequena. De tentar bancar o herói.

Conversa de auto-ajuda, eu sei... Mas faz bem.

quarta-feira, setembro 20, 2006

janeesil has added you to his/her contact list

I had wallowed in depression for two days.
Today I thought I'd try changing that. Because even though I'd been through rough bouts of depression before, it was always in my power to change that. All it takes is willpower. So I had set the following day to myself, to feel good, to cheer up.

And then, as soon as I logged onto MSN, that message showed up. "janeesil" was the handle on a little over ten e-mails that still populated my inbox, resisting time and the "delete" button.

Needless to say, the second part of the e-mail address ended in ".ru"

Priviat, dorogaya...

terça-feira, setembro 19, 2006

Alzheimer

Já faz mais de um mês que deixei a Europa.
No dia 13, aniversário de minha mãe, mandei um último e-mail a Genka. Ela não me respondeu os outros dois e duvido que responda a este também. Uma vez, um rapaz ligou para o celular dela. Ela estava na minha casa, atendeu o celular e conversou com ele por menos de dois minutos, antes de desligar sem cerimônia e com todo o desprezo do mundo. Disse que era um rapaz com quem ela tinha saído uma vez e que tornara-se depois apenas uma pessoa inoportuna ligando sempre na hora errada. Percebi então que ela tinha uma certa facilidade fria para se desligar das pessoas e suponho que seja o que ela fez comigo também. Volto a escrever em português, porque sei que não há mais ninguém que leia isto em inglês.

Eu não esqueci. Pelo contrário, lembro todo dia, num esforço contínuo para manter viva a memória. De toda a viagem para a Europa, mas especialmente dela. Ainda assim, a memória vai se dissipando, como uma forma de Doença de Alzheimer. É assim? Eu não consigo mais lembrar do movimento do corpo dela, porque tudo que tenho são fotos. Tenho apenas a vaga impressão da boca que ela fazia logo depois que a minha se separava. Ainda lembro do sotaque, mas não consigo lembrar com precisão do tom da voz. Esqueci como era a textura da pele ou a suavidade dos lábios. Lembro de como era gostoso o peso do corpo dela quando eu acordava e ela ainda estava dormindo, o corpo completamente amolecido e inerte como uma boneca, pulsando apenas com a respiração; mas esqueci exatamente quanto ela pesava. Por último, as manhãs de acordar junto com ela, com o sol filtrando através das cortinas do meu cubículo, estão começando a ficar imprecisas, esfumaçadas. Eu não vejo na memória os contornos do corpo dela ou mesmo a cor horrível do papel de parede da Sra. Sparrow. Tudo vai sendo transofrmado em conceito puro, abstrato, inodoro e etéreo. E eu vou esquecendo. É assim o Alzheimer?
[Eu sei... vou receber quinhentos protestos de todos vocês que tiveram parentes com Alzheimer, dizendo que não é pra brincar com coisa séria e que eu não sei do que estou falando. Poupem-me: é a metáfora perfeita pro desespero de estar perdendo estas memórias.]

Meu estado atual é deplorável. Eu passo boa parte de todos os dias da semana em casa, coisa rara para alguém como eu. Detesto ficar em casa. Saio quando o fim de semana vem chegando, pra rever os amigos, que têm sido um conforto. E quando estou com eles, passo uma imagem de pseudo-europeu, requintado, mudado, amadurecido e interessante. Mas acordo no dia seguinte e ainda estou desempregado, sozinho e viciado na russa. Continuo me importando com as pontas do laço de Alice.
Vontade, esse é o problema. Se fosse obedecer minha vontade, eu dormiria o dia inteiro. Ou me renderia a passar o dia na internet, papeando no MSN. Não fosse o zelo pela minha conta bancária, torraria fortunas na lan house. Não tenho vontade pra fazer mais nada.

Calma, leitores. Vai passar. It can't rain all the time. Eu só preciso arranjar um emprego decente pra botar as coisas em movimento (financeiro). Depois disso, preciso dolorosamente deixar que esse Alzheimer elimine meu vício por ela, pra poder seguir em frente.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Estereótipo 2

[Estereótipo 1]

O Europeu é assim. Fala quatro ou cinco línguas, a maioria da mesma origem. Ainda está na faculdade aos 25, porque está fazendo mestrado em uma corrente filosófica do século 13. Enquanto não sair da faculdade, não arranjará um emprego, porque ninguém contrata gente sem diploma. Esforça-se pra seguir as leis e se adaptar às regras locais, como as tradições ensinam, pra evitar que o mundo vire um uma bagunça. Conversa sobre arte e diz essa obssessão ianque por ganhar dinheiro um desperdício de vida. Apesar do respeito às outras culturas que o cercam, acha que nasceu no melhor país do mundo e que tudo dá certo na Europa. Os outros continentes é que estão cheios de "costumes bárbaros". Acha os americanos meio excêntricos.

Por vezes, um ou outro acaba se suicidando por causa do tédio que tomou conta da sua vida.


O Americano é assim. Fala sua língua e, de vez em nunca, um portunhol ou espanglês. Porque ficar alterando pro inglês no meio da frase é esnobismo de capitalista imperialista. Ainda está na faculdade aos 25, porque está lidando com um estágio e um sub-emprego e não tem tempo pra escrever a monografia. Enquanto não for efetivado, não sairá da faculdade, porque ninguém dá estágio pra gente com diploma. Esforça-se pra dar um jeitinho e reforçar sua originalidade e individualidade, como os filmes americanos ensinam, pra evitar ser mais um fantoche do sistema. Conversa sobre estabilidade financeira e diz que essa coisa européia de viver como artista é um diletantismo. Apesar do respeito (ínfimo...) que tem pela própria cultura, acha que nasceu num país de merda e que nada dá certo na América. Os outros continentes é que estão cheios de "tecnologia de ponta" que faz tudo. Acha os europeus meio esquisitos.

Por vezes, um ou outro acaba se suicidando por causa do caos que tomou conta da sua vida.

domingo, setembro 17, 2006

Alice 19 (errata)

Once inside the Burg, Alice and the Turtle rested at the House of the Burping Windows

"Once inside the Burg, Alice and the Turtle rested at the House of the Burping Windows"

Uma vez que estavam dentro do Burgo, Alice e a Tartaruga descansaram na Casa das Janelas que Arrotam"



P.S.: I messed up the order... This was a forgotten drawing based on one I did for the girls in Italy just before I left for London. It was supposed to go before the last two I posted. The order of the buttons for the Alice drawings on the section to the side is correct.

quinta-feira, setembro 14, 2006

By the way, that frog rain...

On the few last scenes of Crash, it starts to snow in L.A.

To us, South Americans, it's just another US flick with snow. But I guess it never does snow in L.A., so the effect of it should feel somewhat as if we were watching a movie where it snowed in Rio.
Discussing similar movies, I eventually drifted into the subject of Magnolia and the ominious frog rain sequence. Everybody sees that and imediately starts asking what does it mean. I'd tell anyone who asks that to watch Crash, but I guess few of them would pay attention to the composition of the script. The frog rain in Magnolia is like a good abstract painting: it's not about what it means or the reason for it. It's about it's effect, what it does. Screw the meaning.

On both movies, it rains (be it frogs or snow...). The rain dominates all the scenes in the movie and characters stop to wonder how weird that is (just as, in a way, the audience does...). So, for a moment, different characters who were total strangers to each other, linked only perhaps by a chain of events, experience the same thing, at the same time, and ask the same question. In Magnolia, it goes a step further, with the frog rain altering that chain of events in important ways. Nonetheless, it's a link between the characters. Nothing more than that. Forget the reference to biblical plagues, forget tornadoes over swamp areas, it's not about why it started but about what it did.

You might also remember that, at a certain point in Magnolia, all the characters start singing the same song.

Crash

Crash: no limite


Amidst the movies I lost while I was in Europe, Crash was the one I was most curious about. When I got back, mother told me of how good it was and briefly discussed the story. It reminded me of Grand Canyon. So we rented both of them to watch and discuss the difference. Crash seems to be a hyped-up version of Grand Canyon. What this movie did in the the 90s, Crash is doing in the year 2000. So it needs to be bigger, better, faster and stronger. And it is.

I'm not going to discuss the whole movie here. Just point out a few things.
First of all, it's inspiring in a way to see a movie deal with racism as it is, no politically correct BS, just people speaking and thinking the way they really do, no matter how ugly or stupid. Another thumbs up goes for the fact that not everything in the movie is either right or wrong (nor are the characters plainly good or bad...), hence there are no right decisions. Because life isn't always about right and wrong. Sometimes all the choices are just imoral anyway and you're in deep shit no matter what you do.

I finished watching Crash and, for a moment, among all the other really deep issues in the movie, I got back to thinking about what one of the characters says in the begining of the movie, about how people in L.A. miss the sense of touch. In a culture as physical as the Brasilian culture, it's often taken for granted: we're hugging and touching each other all day long. For me, however, it's slightly different. Because after so long, I could finally learn to look people in the eye without that uncomfortable feeling of invasion. But I never got around to dealing with touch. I still expect people to touch me first in most of the ocasions in order to retribute. Perhaps that's what I should tackle next.

terça-feira, setembro 12, 2006

Lasting sensation

It's been a month since I left Europe.

Every now and then, I'm afflicted with memories of those months, like small benign ghosts that just wont go away. A few days ago, I saw snow in another movie and the memory of the first time I saw it for real sprung to mind. Not just the memory of the scene itself, but some residual feeling of wonder. I could still feel, although rather dimly now, the mesmerizing effect it had on me, making me forget for a moment my duty of reaching Perugia that night. There's no way to describe that feeling in words. It was there and I can still feel some of it, hoping it'll never go away.
Sometimes, for a brief moment, I remember other random feelings of those days. The smell and the emotion of the days I spent with the Seppilli, the pain every time I'd breathe the chill outside and how giddy I'd get when dealing with the challenge of getting used to the cold. I still get a very dim memory of the smells and general feeling of being there. So different from home, so interesting.
I now hear Bush and I feel the air of Acton Town around me. Memories of London are more scarce. I remember the pub, the Acton Town house, the tube system. Funny: it lasted only a week, but most of my memories of London draw me inevitable to Genka. The Perfect Summer.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Campos 2006

[2005]

Mais uma temporada em Campos.

Desta vez, e um pouco para o meu alívio, sem as primas. Em vez delas, levei um pouco da turma. Piero e a Ju, o Ceará, a Mariana e meu irmão.
O bom de substituir as primas pelos amigos é que Campos deixou de ser aquele lugar que testava em mim tudo aquilo para o qual eu nunca tive aptidão. Em vez do programa das primas, de ir até a cidade à tarde caçar VIPs para a balada da noite, voltar e se empetecar, sair para encher a cara e tentar parecer divertido, voltar frustrado às duas da manhã; aproveitei meus amigos, que desencanaram totalmente das baladas noturnas, curtiram algumas delícias gastronômicas e enológicas e acordaram cedo pra fazer arvorismo (para o qual, ao contrário das baladas noturnas, eu levo MUITO jeito...).
Mas talvez uma das coisas mais divertidas desta temporada tenha sido o uso da câmera nova. Campos tem paisagens incríveis, situações inusitadas e muitos alvos para apontar e atirar.

Vide Flickr e sigam para a direita...

segunda-feira, setembro 04, 2006

Hands



It's a cliche which I happen to agree with: hands tell a lot about people. I've always loved my hands. For their shape and grace. Hands of an artist infused with the grace of aristocracy. During the art course, while I was handling massive amounts of paint thinners and other chemicals, the skin gained a different characteristic. A peculiar texture. A seemingly perenial dryness, a multiplication of the lines on both palms. Kinda like old hands. It sounds terrible, but I liked the outcome. Peculiar hands for a peculiar man.

Taís had a child's hands. Thin, fragile skin, those tiny rosy fingers, that seeming lack of posture. But above all, the chewed fingernails. They were the frosting on the cake. Reprimending her whenever she bit her nails became a sweet memory.
Genka had thin hands. Like mine, one could frequently see the tendons on the back of her hand pulling the fingers back. Long fingers that grew apparently longer with the huge fingernails. Watching her Russian flatmate, I could infer that it was a Russian thing for all girls to have long manicured fingernails. Genka's suffered the effects of the pub job, but maintained the vigour and elegance.
I wonder now about the effects they had on my perception of their personalities. Because I viewed Taís as a tamed, gentle and harmless girl, while Genka had intimidated me at first, later passing on into that state in which pain and pleasure would be close friends.

domingo, setembro 03, 2006

I've come to realize the strategic value of these long pauses. Obviously I haven't written in the past few days simply because my existence here lacks poetry and isn't worthy of being written down. But I've come to realize how that could be used for other purposes.

I assume that, since I've stopped writting about anything that has an appeal to people that were reading this blog while I was in Europe, most of them have stopped reading it. I know my parents and other relatives apparently have, although I wouldn't mind getting their visit around here from time to time. Then with this long pause, I suppose anyone else who was still hanging around here has moved to busier corners of the web. It gives me the chance to write the moppy, sentimental stuff I write only for myself, like the previous post. A few weeks from now, some of those people will come back, just to check if "that 'Edge-something-something' blog has finally moved on". And by then, posts like that one will be long gone, hopefully giving space to more cheerful stuff.

The Hurting

Cheguei em casa e percebi que tinha cansado de doer.

Meus dias foram longos períodos de sentir falta da Genka. Porque foi perfeito. Porque foi carinho. Do melhor. Do jeito que eu tava precisando. Essa falta era uma dor doce, uma dor melancólica e gostosa do tipo que gente como eu adora e da qual se nutre pra criar coisas fantásticas.
De vez em quando eu fazia uns intervalos entre uma saraivada de memórias do corpo dela e um esforço herculeo para manter a lembrança do som de sua voz na mente. Nesses intervalos eu fazia algo de produtivo: telefonava para um amigo, visitava uma exposição, fazia um pouco de arte. Mas aí voltava a me afundar naquele mar.

E tinha também a outra dor. A Dança. Aquela que eu tinha feito com a Bia e com a Lee e agora estava entrando na coreografia final com a Taís. Aquele fim de coreografia que vira um passo a três entre eu, a garota em questão e seu atual respectivo. É a única parte desse padrão, que eu insito em repetir a cada relacionamento, que ainda me proporciona alguma variação. Da primeira vez, odiei tanto o rapaz que não podia sequer ouvir as músicas que ele ouvia. Phil Collins tornou-se o alvo da minha raiva. Pior ainda era a sensação de ser substituído por um fã de Phil Collins. Na segunda vez, o rapaz era tão meu amigo, que não tive como nutrir qualquer ódio por ele. Ainda por cima porque fui para a Europa e não tive que presenciar a cena até ter criado imunidade emocional suficiente pra que sequer importasse mais. E agora, na terceira vez, me esforcei para sequer conhecê-lo. Tinha cansado dessa parte da Dança. Mas ele apareceu, e é um rapaz tão legal que eu poderia muito bem ser um bom amigo. E serei.

Mas isso não tira a dor.

Quando cheguei no meu quarto hoje de madrugada, depois de ter saído de uma festa onde, pela primeira vez na vida, ver uma ex minha com seu atual me incomodou ao ponto de eu ter que ir embora, resolvi começar a me proteger um pouco. Porque gente como eu, que se nutre dos sentimentos mais pesados, não percebe quando tem uma overdose deles e comça a fazer mal a si mesmo. Tirei da parede do quarto os quadros que estavam pendurados: o díptico "Nada por mim" ([1] [2]). Resolvi também tirar outros traços dela que estavam ainda espalhados pelo quarto. Tinha pensado em fazer isso em algum momento específico, um daqueles rituais dos quais eu preciso. Mas suponho que nenhum momento seria mais propício e eu apenas ficaria me martirizando ainda mais enquanto esperasse pelo momento certo.

E então, a questão: o que colocar no lugar?
A parede vazia pedia por quadros e passou pela cabeça colocar de novo alguns dos meus retratos, que sempre foram meus trabalhos favoritos. Mas então percebi que a idéia me dava repulsa. Porque todos os quadros me causavam, em maior ou menor grau, aquele efeito de dilacerar o peito. Eram afinal todas mulheres pelas quais eu nutrira algum sentimento, em maior ou menor grau, e as histórias sempre tinham finais vagamente perturbadores. Não, nenhum deles...

Eu estava cansado de tanto doer.