Hoje percebi que na sexta a minha partida para a Itália fez um ano.
Percebi o fato revendo minhas fotos do fotolog. Me chamaram a atenção especialmente as duas homenagens que fiz. A bola de neve feita para Tinkerbell e o beijo no Mar Adriático de Trieste, para minha avó. Coisas que elas pediram assim, de brincadeira, sem pensar, e que eu acabei fazendo com a solenidade de um ritual religioso. Acho que eu vivo por esse tipo de coisa, esses rituais pessoais. Mas a vida ultimamente tem sido menos sacra.
Hoje, quando penso na viagem, vejo-a em três momentos muito distintos. Eu era uma pessoa no começo daquela viagem, maravilhada com tudo, com a neve, com as pessoas e até com o próprio medo do desconhecido. Eu era um garotinho sem barba, meio tosco e muito romântico. Amadureci no tempo de três meses e quando voltei da dura viagem que foi Trieste, era outro. A barba crescida, uma serenidade aprendida com as dificuldades da viagem e com a certeza de que, ainda que difíceis, as coisas dão certo. Um terceiro momento foi a lição de humildade na Inglaterra, o trabalho no pub, e o amor de Genka, tudo tornando-me uma terceira pessoa. As crises de ansiedade desaparecidas, a segurança de não mais precisar viver dentro de estratégias rígidas de vida, de rótulos, de futuros definidos pelo passado.
Estou relendo a viagem.
Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.
domingo, janeiro 28, 2007
sábado, janeiro 27, 2007
1º show do Butcher's Daughter
Como eu disse, deu a louca no nosso guitarrista. Não só ele marcou um show, como marcou logo no Manifesto, uma casa bem responsa onde tocam bandas iniciantes, mas não tão iniciantes assim.
O evento acontece no dia 07 de Fevereiro, às 20:30 (pra quem normalmente reclama que trabalha no dia seguinte...). Vamos tocar por mais ou menos uma hora, então não atrasem!
No set-list, além de músicas da banda (antes de mim, porque eu ainda não consegui escrever nada decente...) tem Pearl Jam, Hendrix, Steppenwolf, Guns N' Roses, entre outros.
Pra quem não faz a menor idéia de onde é o Manifesto:
ENDEREÇO: Rua Iguatemi, 36 - Itaim Bibi / São Paulo - S.P.
TELEFONE DO BAR: (11) 3168-9595
RESERVAS E INFORMAÇÕES: (11) 9902-2913
LISTAS E RESERVAS: info@manifestobar.com.br
Vamo lá que a coisa vai ser quente!
O evento acontece no dia 07 de Fevereiro, às 20:30 (pra quem normalmente reclama que trabalha no dia seguinte...). Vamos tocar por mais ou menos uma hora, então não atrasem!
No set-list, além de músicas da banda (antes de mim, porque eu ainda não consegui escrever nada decente...) tem Pearl Jam, Hendrix, Steppenwolf, Guns N' Roses, entre outros.
Pra quem não faz a menor idéia de onde é o Manifesto:
ENDEREÇO: Rua Iguatemi, 36 - Itaim Bibi / São Paulo - S.P.
TELEFONE DO BAR: (11) 3168-9595
RESERVAS E INFORMAÇÕES: (11) 9902-2913
LISTAS E RESERVAS: info@manifestobar.com.br
Vamo lá que a coisa vai ser quente!
Deu a louca no nosso guitarrista e ele resolveu marcar um show. Eu não tenho nem ao menos um mês como vocalista de banda, mas já tenho show marcado...
Pra completar, peguei O resfriado na quarta e a voz sumiu duas semanas antes da data fatídica. Mas faz parte da aventura.
Normalmente, a situação seria um terreno fértil para as minhas famosas crises de ansiedade. Eu estaria perdendo o sono a esta altura. Mas esta situação em particular merece um post sobre suas peculiaridades.
Fiz a faculdade de artes e sempre tive aquela certeza que já comentei por aqui de que eu seria o mais novo sucesso da pintura paulista. Era só sentar e esperar. A minha certeza na vida de acordo com o sistema tinha duas consequências: a confiança total e irrestrita nas capacidades para as quais eu fora treinado, e o pavor (traduzido em crises de ansiedade) das coisas para as quais eu não recebera qualquer instrução.
A Europa me fez muito bem. Especificamente, o fato de eu não ter passado, não ter instrução e não fazer idéia de qual era o sistema. Não sabendo o que eu "devia" fazer, eu podia simplesmente fazer qualquer coisa. Sem peso na consciência. Era uma forma mais consistente de ligar o "Foda-se".
Voltei com essa lição aprendida: não levar as coisas tão a sério. Eu acho que nunca cheguei a lugar nenhum na pintura justamente porque eu a levava muito a sério em uma época onde a arte paulista tem mais a ver com o deboche, o humor, a rebeldia adolescente.
Então por que não tentar a sorte em alguma coisa que eu leve menos a sério, mas com a mesma paixão? Algo no qual eu tenha menos estudo, menos técnica pra obcecar, mais espaço pra fazer o que der na telha... Música, por exemplo. Vim com essa idéia desde que voltei da Europa. Queria mexer com música eletrônica, sampling, programas de computador, alguma coisa onde eu não precisasse de instrumentos. Mas aí apareceu o Butcher's Daughter e... por que não?
Desde então, tenho levado a vida assim: se der certo, deu. Se não der, vamos em frente. Aos poucos, vou me livrando da idéia de que minha vida deve seguir aquele plano rígido. E mais importante do que perder a idéia de que se eu sair da linha eu me ferro, é perder a idéia de que se eu continuar nela eu automaticamente me dou bem.
A banda está indo assim: se rolar, vai ser fantástico e eu vou adorar. Se não rolar, pelo menos posso contar aos filhos que um dia cantei numa banda de rock. Vai ser divertido.
Pra completar, peguei O resfriado na quarta e a voz sumiu duas semanas antes da data fatídica. Mas faz parte da aventura.
Normalmente, a situação seria um terreno fértil para as minhas famosas crises de ansiedade. Eu estaria perdendo o sono a esta altura. Mas esta situação em particular merece um post sobre suas peculiaridades.
Fiz a faculdade de artes e sempre tive aquela certeza que já comentei por aqui de que eu seria o mais novo sucesso da pintura paulista. Era só sentar e esperar. A minha certeza na vida de acordo com o sistema tinha duas consequências: a confiança total e irrestrita nas capacidades para as quais eu fora treinado, e o pavor (traduzido em crises de ansiedade) das coisas para as quais eu não recebera qualquer instrução.
A Europa me fez muito bem. Especificamente, o fato de eu não ter passado, não ter instrução e não fazer idéia de qual era o sistema. Não sabendo o que eu "devia" fazer, eu podia simplesmente fazer qualquer coisa. Sem peso na consciência. Era uma forma mais consistente de ligar o "Foda-se".
Voltei com essa lição aprendida: não levar as coisas tão a sério. Eu acho que nunca cheguei a lugar nenhum na pintura justamente porque eu a levava muito a sério em uma época onde a arte paulista tem mais a ver com o deboche, o humor, a rebeldia adolescente.
Então por que não tentar a sorte em alguma coisa que eu leve menos a sério, mas com a mesma paixão? Algo no qual eu tenha menos estudo, menos técnica pra obcecar, mais espaço pra fazer o que der na telha... Música, por exemplo. Vim com essa idéia desde que voltei da Europa. Queria mexer com música eletrônica, sampling, programas de computador, alguma coisa onde eu não precisasse de instrumentos. Mas aí apareceu o Butcher's Daughter e... por que não?
Desde então, tenho levado a vida assim: se der certo, deu. Se não der, vamos em frente. Aos poucos, vou me livrando da idéia de que minha vida deve seguir aquele plano rígido. E mais importante do que perder a idéia de que se eu sair da linha eu me ferro, é perder a idéia de que se eu continuar nela eu automaticamente me dou bem.
A banda está indo assim: se rolar, vai ser fantástico e eu vou adorar. Se não rolar, pelo menos posso contar aos filhos que um dia cantei numa banda de rock. Vai ser divertido.
segunda-feira, janeiro 22, 2007
Troca
Na porta da casa ela me contou sobre sua vida amorosa iniciante.
É parte do ritual todo. Os possíveis parceiros amorosos oferecem um ao outro o relato de suas aventuras passadas, como forma de mostrar que um deposita sua confiança no outro, ao mesmo tempo em que se declaram experientes, interessantes. Sei que não é um substituto para dizer "gosto de você", mas é um sinal.
É o primeiro passo da Dança, que já cheguei a relatar por aqui como invariavelmente termina para mim...
É um passo que, agora vejo, executei na enorme maioria dos meus amores passados, nos poucos dias seguintes ao sermos apresentados. Estava aí, no primeiro dia de Agosto, quando conheci Genka. E neste fim de semana com uma garotinha excessivamente jovem na praia. E no começo deste blog. De fato, hoje lembro que a única pessoa que não se deixava guiar neste passo era Taís, que custou a contar-me de outros rapazes.
Enfim, suponho que isto fique como um daqueles significados deste blog: a troca de relatos amorosos como sinal de interesse.
É parte do ritual todo. Os possíveis parceiros amorosos oferecem um ao outro o relato de suas aventuras passadas, como forma de mostrar que um deposita sua confiança no outro, ao mesmo tempo em que se declaram experientes, interessantes. Sei que não é um substituto para dizer "gosto de você", mas é um sinal.
É o primeiro passo da Dança, que já cheguei a relatar por aqui como invariavelmente termina para mim...
É um passo que, agora vejo, executei na enorme maioria dos meus amores passados, nos poucos dias seguintes ao sermos apresentados. Estava aí, no primeiro dia de Agosto, quando conheci Genka. E neste fim de semana com uma garotinha excessivamente jovem na praia. E no começo deste blog. De fato, hoje lembro que a única pessoa que não se deixava guiar neste passo era Taís, que custou a contar-me de outros rapazes.
Enfim, suponho que isto fique como um daqueles significados deste blog: a troca de relatos amorosos como sinal de interesse.
quinta-feira, janeiro 18, 2007
Ultimatum
Como era esperado, Janeiro chegou, e com ele a mensalidade do clube. Meu pai, que raramente dava uma dessas demonstrações de severidade paterna (o que hoje reconheço me tornou um rapaz que também não é severo quando precisa ser...), foi categórico: se eu quero continuar como sócio do clube, eu que devo pagar a conta. Dizia ainda ser uma questão de justiça: quando meu irmão se viu diante da mesma imposição, vendeu o título. Preferia isso a arranjar um emprego decente que custeasse esses luxos. E suponho que esteja certo, afinal ele nunca ia lá mesmo.
No meu caso, o clube sempre foi um dos meus destinos favoritos do verão paulista. Piscina funda, plataforma de mergulho e muita gente bonita. Vender este paraíso me custaria mais do que dinheiro. Mas suponho que eu aguente por mais um ou dois meses.
Eu esperava estar efetivado em Janeiro. Mesmo ganhando menos do que ganhava no outro emprego, teria dinheiro para sair de casa, custear o clube e ainda fazer uma ou outra aventura. Tudo seria possível, gastando direito.
Mas aí o meu chefe querido que deveria conversar comigo a respeito ainda neste mês voltou das férias coletivas e emendou férias próprias. Só volta no fim do mês.
Não guardo rancores pela decisão de meu pai. Pelo contrário, acho que ele deveria ministrar estas pequenas dozes azedas de responsabilidade mais frequentemente. E deveria ter começado mais cedo. Talvez eu gotasse menos dele hoje, mas seria mais austero, mais combativo quando necessário. O jeito é aprender como quase tudo que minha geração aprende: começando tarde. E o primeiro combate, levado pela necessidade, vem no fim do mês: se meu chefe não me chama para aquele papo, eu é que devo propôr aquele not-so-happy-hour...
No meu caso, o clube sempre foi um dos meus destinos favoritos do verão paulista. Piscina funda, plataforma de mergulho e muita gente bonita. Vender este paraíso me custaria mais do que dinheiro. Mas suponho que eu aguente por mais um ou dois meses.
Eu esperava estar efetivado em Janeiro. Mesmo ganhando menos do que ganhava no outro emprego, teria dinheiro para sair de casa, custear o clube e ainda fazer uma ou outra aventura. Tudo seria possível, gastando direito.
Mas aí o meu chefe querido que deveria conversar comigo a respeito ainda neste mês voltou das férias coletivas e emendou férias próprias. Só volta no fim do mês.
Não guardo rancores pela decisão de meu pai. Pelo contrário, acho que ele deveria ministrar estas pequenas dozes azedas de responsabilidade mais frequentemente. E deveria ter começado mais cedo. Talvez eu gotasse menos dele hoje, mas seria mais austero, mais combativo quando necessário. O jeito é aprender como quase tudo que minha geração aprende: começando tarde. E o primeiro combate, levado pela necessidade, vem no fim do mês: se meu chefe não me chama para aquele papo, eu é que devo propôr aquele not-so-happy-hour...
terça-feira, janeiro 16, 2007
Cutting down
Tenho escrito menos. Bem menos. Na verdade, passo por uma fase de mudar de hábitos, de vícios.
A internet tinha virado um vício. Fazia a "ronda" dos sites três a quatro vezes num dia normal, e ainda mais em dias de ócio. Usava a internet como quem fuma um cigarro quando não tem o que fazer. Mas eu não tinha essa pretensão de dizer que "quando me der na telha, eu paro, porque eu estou no controle". Os computadores estavam consumindo meu tempo livre e minha existência virtual estava tomando tanto tempo e trabalho quanto a minha existência real.
Mas então, de uns tempos pra cá, passei e não ver mais graça em muita coisa. Já quase não vou à lan house e os jogos estão evoluíndo e me deixando pra trás. Simplesmente parou de ter aquele poder de sedução. O mesmo tiroteio, a mesma sensação de desperdício de noite, o mesmo sono no dia seguinte. Deixei de manter alguma regularidade no blog pra escrever apenas quando houver alguma coisa realmente relevante. Porque até eu estava ficando cansado de citar meus inúteis devaneios poéticos sobre minha russa. E se tenho postado mais no fotolog, é por causa da câmera nova, que ainda é um brinquedinho favorito.
Claro que não estou parando de vez com nenhum desses vícios. Mas assim como o fumante percebe uma economia a mais no fim do mês quando passa de três pra um maço por dia, eu estou percebendo um tempinho sobrando pra outras coisas mais saudáveis.
Escreveu Chebel um dia: "Getting a life means living, not internerding".
As duas horas que passava escrevendo por aqui ou conjurando alguma imagem para o fotolog todo dia foram substituídas por malhação desde o começo do ano. Um ou outro dia é usado para a maldita monografia que talvez saia neste semestre. E os fins de semana têm sido passados em galerias, cineminhas, botecos, tentando estar no lugar certo, na hora certa. Assim que acabam acontecendo coisas legais, como o Butcher's Daughter.
Hora de me socializar em carne e osso, porque em bytes não estava me levando a lugar nenhum...
A internet tinha virado um vício. Fazia a "ronda" dos sites três a quatro vezes num dia normal, e ainda mais em dias de ócio. Usava a internet como quem fuma um cigarro quando não tem o que fazer. Mas eu não tinha essa pretensão de dizer que "quando me der na telha, eu paro, porque eu estou no controle". Os computadores estavam consumindo meu tempo livre e minha existência virtual estava tomando tanto tempo e trabalho quanto a minha existência real.
Mas então, de uns tempos pra cá, passei e não ver mais graça em muita coisa. Já quase não vou à lan house e os jogos estão evoluíndo e me deixando pra trás. Simplesmente parou de ter aquele poder de sedução. O mesmo tiroteio, a mesma sensação de desperdício de noite, o mesmo sono no dia seguinte. Deixei de manter alguma regularidade no blog pra escrever apenas quando houver alguma coisa realmente relevante. Porque até eu estava ficando cansado de citar meus inúteis devaneios poéticos sobre minha russa. E se tenho postado mais no fotolog, é por causa da câmera nova, que ainda é um brinquedinho favorito.
Claro que não estou parando de vez com nenhum desses vícios. Mas assim como o fumante percebe uma economia a mais no fim do mês quando passa de três pra um maço por dia, eu estou percebendo um tempinho sobrando pra outras coisas mais saudáveis.
Escreveu Chebel um dia: "Getting a life means living, not internerding".
As duas horas que passava escrevendo por aqui ou conjurando alguma imagem para o fotolog todo dia foram substituídas por malhação desde o começo do ano. Um ou outro dia é usado para a maldita monografia que talvez saia neste semestre. E os fins de semana têm sido passados em galerias, cineminhas, botecos, tentando estar no lugar certo, na hora certa. Assim que acabam acontecendo coisas legais, como o Butcher's Daughter.
Hora de me socializar em carne e osso, porque em bytes não estava me levando a lugar nenhum...
segunda-feira, janeiro 15, 2007
The Butcher`s Daughter
A sua viagem de fim de semana pra praia mela por causa do tempo.
Aí você fica sem ter o que fazer numa sexta à noite.
Então o seu amigo que voltou de viagem te chama pro boteco.
E os amigos dele estão fazendo testes pra vocalista da banda deles: por que não?
Dois dias depois você já tá com Evenflow na ponta da língua.
E de repente está no estúdio.
Eles não acreditam quando a voz esquisita daquele cara do boteco entra afinada pra cantar Sweet Home Alabama ou improvisa na versão deles do Born to be Wild.
No fim da sessão, de "eu não vou querer tocar com esse cara", eles passam pra "esse cara não vai querer tocar com a gente".
E já estamos marcando nova sessão no estúdio. Assim que o baixista concertar a corda estourada.
Welcome to the Butcher`s Daughter.
Aí você fica sem ter o que fazer numa sexta à noite.
Então o seu amigo que voltou de viagem te chama pro boteco.
E os amigos dele estão fazendo testes pra vocalista da banda deles: por que não?
Dois dias depois você já tá com Evenflow na ponta da língua.
E de repente está no estúdio.
Eles não acreditam quando a voz esquisita daquele cara do boteco entra afinada pra cantar Sweet Home Alabama ou improvisa na versão deles do Born to be Wild.
No fim da sessão, de "eu não vou querer tocar com esse cara", eles passam pra "esse cara não vai querer tocar com a gente".
E já estamos marcando nova sessão no estúdio. Assim que o baixista concertar a corda estourada.
Welcome to the Butcher`s Daughter.
terça-feira, janeiro 09, 2007
Random literature
Amidst my working hours, I'm assaulted by the swift memory of the softness of Genka's lips, like the late leftover effects an LSD user on withdrawal might experience while driving his car: it causes an unprecedented wreck.
On the bus home, I close Huizinga's Homo Ludens because I'm unable to keep reading: the sudden recollection of the texture and consistency of her skin is so dense, it almost becomes palpable. It summons on me oral-phased desires to pinch her flesh between my lips, beckoning to take a bite.
On the bus home, I close Huizinga's Homo Ludens because I'm unable to keep reading: the sudden recollection of the texture and consistency of her skin is so dense, it almost becomes palpable. It summons on me oral-phased desires to pinch her flesh between my lips, beckoning to take a bite.
domingo, janeiro 07, 2007
Sentando e esperando
Obviamente que por causa de meu irmão, temos conversado bastante entre família sobre carreira, rumos na vida e sobre a ansiedade da geração deles em relação à nossa.
"Nossa geração de adolescentes de vinte cinco", eu contava para minha mãe hoje à tarde, "é uma geração que cresceu sem conflito. Sem Vietnã, sem ditadura, quase sem Guerra Fria. Não aprendeu a lutar e suspeito que não tenha aprendido a ser ativa em nada. Principalmente quando se considera gente como eu e meu irmão, de classe média pra alta, que nunca nem precisou se esforçar pra passar nas matérias do colégio. A gente sentava e esperava e as coisas aconteciam, a gente passava de ano, era o curso natural das coisas, sem esforços. Daí essa geração cresce e chega na fase onde deveria fazer e acontecer, mas continua com essa idéia de que, se sentar e esperar, as coisas vão acontecer. Mas é claro que não é assim."
Será? Pra algumas pessoas, ficou provado que é assim mesmo. Uma boa porcentagem da minha geração conhecia programação de computador mesmo antes de sair do colégio e, mesmo sem faculdade, já estava contratada e ganhando um gordo salário antes de se formar no segundo grau. Vide marido da Bia. E os grafiteiros de muro da FAAP que caíram nas graças de um ou outro curador, sem nunca aprender a fazer política, e tiveram um começo de carreira de arte que eu invejava? Simplesmente calhou destas pessoas estarem fazendo o que o sistema precisava naquela época. E continuaram sentados esperando, e as coisas aconteceram pra eles.
Eu achei, como a enorme maioria da minha geração, que seria assim pra mim também. Acreditava ter nascido para a grandeza e que fama e fortuna me encontrariam naturalmente. Era só sentar e esperar. Eu seria o mais novo nome da história da arte.
Hoje, uns bons seis anos depois, eu me peguei percebendo que perdi a possibilidade de sonhar desse jeito. Eu não vou ser o mais novo nome da história da arte. Eu sequer vou ter uma carreira de arte. Estou cada vez mais ciente e realista em relação a isso. Eu quero agora o objetivo prático: me sustentar sem os pais, sair de casa, talvez ir morar na Europa. O doloroso anonimato. Se fosse pra ter acontecido pra mim, já teria acontecido. Eu estaria junto de Marcela Tiboni, Taís Albuquerque e talvez, mesmo a contra-gosto, Giuliano Montijo ou Laerte Ramos. Minha geração de artistas foi e eu fiquei.
[Uma digressão: fui tirar minhas pinturas da Xiclet ao terminar a exposição de Dezembro. Na calçada, pisei em um rato morto. Sensação de ter chegado em uma espécie de fundo do poço artístico, onde boiam os cadáveres e nenhuma galeria tem o mínimo interesse, apenas a Xiclet, e é só porque eu pago (não deveria ser o inverso?) em dia e sou organizado]
É até cômico ver a discussão aqui em casa: por um lado, meus pais incitam meu irmão a conseguir um emprego com engenharia, se sustentar, deixar a música um pouco de lado porque ele está sonhando demais (até certo ponto, concordo: se fosse pra acontecer pra ele também, já teria acontecido); mas por outro lado, percebem que eu estou deixando de sonhar em prol de um emprego fixo e estável e, com a melancolia dos seus próprios sonhos mortos, me exortam a nunca deixar de sonhar, a tentar sempre! Tá bom, eu posso até tentar ser um artista plástico, mas vocês me sustentam sem reclamar até eu conseguir?
Voltando à conversa:
"Porque você não continuou assim também, sentando e esperando as coisas acontecerem?" me perguntou minha mãe.
Eu nunca soube ao certo. Nunca soube quando meus sonhos começaram a adoecer.
Sei reconhecer alguns golpes que eles levaram. Não passei na primeira tentativa do vestibular da USP e pela primeira vez na vida fui reprovado em uma prova: eu sempre passava em tudo, mesmo sem estudar. Depois, entrei em duas Anuais da faculdade de artes, perdendo a terceira por besteira, mas mesmo assim não consegui contatos ou chances com galeria nenhuma. O que provou pra mim que a galera respeita o que eu faço e a minha capacidade, mas que ela não tem nada a ver com o que está sendo discutido em arte atualmente. Houveram outros golpes. Mas não vem ao caso listar tudo.
Enfim, chega uma hora em que os sonhos e a corrida pra realizá-los viram uma coisa insustentável, um peso ingênuo que claramente não vai levar a lugar nenhum. Ainda me recuso a abandoná-lo totalmente. Mas aceitar a inaptidão é o começo do processo para corrigí-la.
[Nossa, esse post começou com um assunto e terminou com outro. Viu, Lux: de vez em quando eu também penso como você...]
"Nossa geração de adolescentes de vinte cinco", eu contava para minha mãe hoje à tarde, "é uma geração que cresceu sem conflito. Sem Vietnã, sem ditadura, quase sem Guerra Fria. Não aprendeu a lutar e suspeito que não tenha aprendido a ser ativa em nada. Principalmente quando se considera gente como eu e meu irmão, de classe média pra alta, que nunca nem precisou se esforçar pra passar nas matérias do colégio. A gente sentava e esperava e as coisas aconteciam, a gente passava de ano, era o curso natural das coisas, sem esforços. Daí essa geração cresce e chega na fase onde deveria fazer e acontecer, mas continua com essa idéia de que, se sentar e esperar, as coisas vão acontecer. Mas é claro que não é assim."
Será? Pra algumas pessoas, ficou provado que é assim mesmo. Uma boa porcentagem da minha geração conhecia programação de computador mesmo antes de sair do colégio e, mesmo sem faculdade, já estava contratada e ganhando um gordo salário antes de se formar no segundo grau. Vide marido da Bia. E os grafiteiros de muro da FAAP que caíram nas graças de um ou outro curador, sem nunca aprender a fazer política, e tiveram um começo de carreira de arte que eu invejava? Simplesmente calhou destas pessoas estarem fazendo o que o sistema precisava naquela época. E continuaram sentados esperando, e as coisas aconteceram pra eles.
Eu achei, como a enorme maioria da minha geração, que seria assim pra mim também. Acreditava ter nascido para a grandeza e que fama e fortuna me encontrariam naturalmente. Era só sentar e esperar. Eu seria o mais novo nome da história da arte.
Hoje, uns bons seis anos depois, eu me peguei percebendo que perdi a possibilidade de sonhar desse jeito. Eu não vou ser o mais novo nome da história da arte. Eu sequer vou ter uma carreira de arte. Estou cada vez mais ciente e realista em relação a isso. Eu quero agora o objetivo prático: me sustentar sem os pais, sair de casa, talvez ir morar na Europa. O doloroso anonimato. Se fosse pra ter acontecido pra mim, já teria acontecido. Eu estaria junto de Marcela Tiboni, Taís Albuquerque e talvez, mesmo a contra-gosto, Giuliano Montijo ou Laerte Ramos. Minha geração de artistas foi e eu fiquei.
[Uma digressão: fui tirar minhas pinturas da Xiclet ao terminar a exposição de Dezembro. Na calçada, pisei em um rato morto. Sensação de ter chegado em uma espécie de fundo do poço artístico, onde boiam os cadáveres e nenhuma galeria tem o mínimo interesse, apenas a Xiclet, e é só porque eu pago (não deveria ser o inverso?) em dia e sou organizado]
É até cômico ver a discussão aqui em casa: por um lado, meus pais incitam meu irmão a conseguir um emprego com engenharia, se sustentar, deixar a música um pouco de lado porque ele está sonhando demais (até certo ponto, concordo: se fosse pra acontecer pra ele também, já teria acontecido); mas por outro lado, percebem que eu estou deixando de sonhar em prol de um emprego fixo e estável e, com a melancolia dos seus próprios sonhos mortos, me exortam a nunca deixar de sonhar, a tentar sempre! Tá bom, eu posso até tentar ser um artista plástico, mas vocês me sustentam sem reclamar até eu conseguir?
Voltando à conversa:
"Porque você não continuou assim também, sentando e esperando as coisas acontecerem?" me perguntou minha mãe.
Eu nunca soube ao certo. Nunca soube quando meus sonhos começaram a adoecer.
Sei reconhecer alguns golpes que eles levaram. Não passei na primeira tentativa do vestibular da USP e pela primeira vez na vida fui reprovado em uma prova: eu sempre passava em tudo, mesmo sem estudar. Depois, entrei em duas Anuais da faculdade de artes, perdendo a terceira por besteira, mas mesmo assim não consegui contatos ou chances com galeria nenhuma. O que provou pra mim que a galera respeita o que eu faço e a minha capacidade, mas que ela não tem nada a ver com o que está sendo discutido em arte atualmente. Houveram outros golpes. Mas não vem ao caso listar tudo.
Enfim, chega uma hora em que os sonhos e a corrida pra realizá-los viram uma coisa insustentável, um peso ingênuo que claramente não vai levar a lugar nenhum. Ainda me recuso a abandoná-lo totalmente. Mas aceitar a inaptidão é o começo do processo para corrigí-la.
[Nossa, esse post começou com um assunto e terminou com outro. Viu, Lux: de vez em quando eu também penso como você...]
sábado, janeiro 06, 2007
Alice 26
terça-feira, janeiro 02, 2007
Uia!
Uma das minhas Alices está à venda no site da Veja São Paulo (link temporário)!!
Ainda bem que a Xiclet não colocou pra vender o Lettin' the Cables Sleep. Esse eu não vendo...
Ainda bem que a Xiclet não colocou pra vender o Lettin' the Cables Sleep. Esse eu não vendo...
segunda-feira, janeiro 01, 2007
Aliás, há fotos da festa de reveillon no meu Flickr
E eu acabo de descobrir que o Flickr só mostra as 200 fotos mais recentes. Ou seja, fotos além dessas ficam no sistema deles, mas não estão visíveis. Podia ter dito isso antes, né? Quem não viu as fotos de Londres, meus pêsames...
E eu acabo de descobrir que o Flickr só mostra as 200 fotos mais recentes. Ou seja, fotos além dessas ficam no sistema deles, mas não estão visíveis. Podia ter dito isso antes, né? Quem não viu as fotos de Londres, meus pêsames...
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