Soube recentemente que o ministro da justiça mora no prédio em frente ao meu. Na hora que mo disseram - minha mãe contou, se não me engano - não consegui evitar um daqueles flashes rápidos e imorais. Imaginei um mercenário qualquer que, após um plano mirabolante e muito bem executado para passar pela segurança do condomínio, estaria olhando pela janela da sala para o prédio em frente. Escolheu este condomínio, porque a segurança em volta do ministro da justiça seria obviamente muito mais... complexa. Da grande mala que ele trouxe, tiraria um lança-mísseis de considerável tamanho com um nome árabe, russo ou uma sigla de letras e números. Ele abriria a janela da sala e sentaria no sofá da minha mãe como se fosse relaxar curtindo um cigarro. Colocaria a monumental arma no ombro e, após poucos segundos de mira, lançaria a ogiva através da janela, levando com ela a tela para mosquitos e deixando para trás uma trilha de fumaça. O explosivo atravessaria a rua há vários andares de altura e detonaria boa parte do apartamento de classe alta do prédio da frente.
Esse pensamento veio assim, puro e sem filtro. Sem motivo, história de fundo ou consequência. Apenas essa sequência cinematográfica imoral.
Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.
sexta-feira, julho 29, 2005
quarta-feira, julho 27, 2005
Alice omake*
Resolvi colocar apenas o link deste por ser uma animação bem rudimentar feita em meia hora no zootrópio (explicação aqui, um pouco abaixo na página) do Anima Mundi deste ano. Achei que, se colocasse na página, poderia incomodar os leitores.
* Para os que não conhecem o termo, "omake" é uma palavra japonesa usada em mangá e anime para designar episodios extras, geralmente cômicos e não relacionados à trama principal.
For those not aquainted with the term, "omake" is a japanese term used in manga and anime to designate extra episodes, usually comic pieces not related to the main plot.
* Para os que não conhecem o termo, "omake" é uma palavra japonesa usada em mangá e anime para designar episodios extras, geralmente cômicos e não relacionados à trama principal.
For those not aquainted with the term, "omake" is a japanese term used in manga and anime to designate extra episodes, usually comic pieces not related to the main plot.
segunda-feira, julho 25, 2005
Highlights do fim de semana
• Vendo meu priminho birrento se recusar a sair da beirada do segundo andar na casa da fazenda, minha avó, que já perdeu boa parte da visão, atravessa o parapeito que a separa da beirada e vai fazer compania ao meu primo birrento: "Pronto, eu também estou aqui. O que acontece agora?". Vendo que seu desafio foi vencido por uma senhora de 75 anos que quase não enxerga, o menino retorna para o nosso lado do parapeito, muito contrariado. Ainda restam dúvidas sobre a capacidade incrível desta mulher?
• Voltando para casa, tive uma daquelas conversas longas e deliciosas com o meu irmão. Falamos sobre os mundos paralelos, o "abismo" (na metáfora Edgewalker) de cada um. Lugares, situações e experiências que nós, filhinhos de pai rico, não deveríamos sequer saber que existem. E percebi que, embora nossos abismos sejam muito diferentes (assim como nossas planícies e nossos edges), há uma sensação gostosa de identificação com o outro. E aquela aceitação que tanto buscamos fora de casa.
• No meio do caminho de volta pra casa, e da conversa com meu irmão, passamos na estrada por um motociclista completa e totalmente embriagado, conduzindo seu veículo em um perigoso zigue-zague. Os carros atrás dele pressentiam o perigo e desviavam para a outra faixa. Aquela moto, sozinha, ocupava na pista virtualmente o espaço de um caminhão de grandes proporções. No pedágio, ele passou por nós e sumiu na distância. Pouco tempo depois, lá estava ele, deitado de lado na estrada, mas ainda vivo. Um motorista de outro carro o acudia e um terceiro foi procurar as autoridades. Achei tragi-cômico: como alguém podia se embriagar até aquele ponto e ainda conseguir conduzir por muito quilômetros uma moto, que depende fundamentalmente de equilíbrio?
• Meu pai, de quem eu escondia meus pontos-fracos emocionais, minha síndrome de ansiedade e com quem eu evitava tocar no assunto de estar fazendo terapia, veio me perguntar sobre psicólogos. Entendam: ele sempre foi a figura do homem de ferro, imbatível, lógico e que não lidava bem com sentimentos. Tipo de pessoa que acha que colapsos nervosos são frescura e psicólogos são um bando de gente que ganha a vida batendo papo. Mas de uns tempos pra cá, tem perdido o sono por causa de rompantes de ansiedade infundados, muito parecidos com os meus, com claras origens na obssessão por controle. Conversando sobre isso, percebi que ele pode ser mais parecido comigo do que eu antecipava... E que o que eu escondia por medo de parecer fraco, pode ser o meu trunfo na nossa relação de pai e filho.
• Voltando para casa, tive uma daquelas conversas longas e deliciosas com o meu irmão. Falamos sobre os mundos paralelos, o "abismo" (na metáfora Edgewalker) de cada um. Lugares, situações e experiências que nós, filhinhos de pai rico, não deveríamos sequer saber que existem. E percebi que, embora nossos abismos sejam muito diferentes (assim como nossas planícies e nossos edges), há uma sensação gostosa de identificação com o outro. E aquela aceitação que tanto buscamos fora de casa.
• No meio do caminho de volta pra casa, e da conversa com meu irmão, passamos na estrada por um motociclista completa e totalmente embriagado, conduzindo seu veículo em um perigoso zigue-zague. Os carros atrás dele pressentiam o perigo e desviavam para a outra faixa. Aquela moto, sozinha, ocupava na pista virtualmente o espaço de um caminhão de grandes proporções. No pedágio, ele passou por nós e sumiu na distância. Pouco tempo depois, lá estava ele, deitado de lado na estrada, mas ainda vivo. Um motorista de outro carro o acudia e um terceiro foi procurar as autoridades. Achei tragi-cômico: como alguém podia se embriagar até aquele ponto e ainda conseguir conduzir por muito quilômetros uma moto, que depende fundamentalmente de equilíbrio?
• Meu pai, de quem eu escondia meus pontos-fracos emocionais, minha síndrome de ansiedade e com quem eu evitava tocar no assunto de estar fazendo terapia, veio me perguntar sobre psicólogos. Entendam: ele sempre foi a figura do homem de ferro, imbatível, lógico e que não lidava bem com sentimentos. Tipo de pessoa que acha que colapsos nervosos são frescura e psicólogos são um bando de gente que ganha a vida batendo papo. Mas de uns tempos pra cá, tem perdido o sono por causa de rompantes de ansiedade infundados, muito parecidos com os meus, com claras origens na obssessão por controle. Conversando sobre isso, percebi que ele pode ser mais parecido comigo do que eu antecipava... E que o que eu escondia por medo de parecer fraco, pode ser o meu trunfo na nossa relação de pai e filho.
Alice 4
domingo, julho 24, 2005
Inspire, expire...
O golpe tinha sabor de nostalgia, coisa não sentida há muito tempo.
Lançou-me do jardim, através do vidro na janela da sala e sobre a estante na parede.
A madeira se partiu, lançando longe a boneca de porcelana, quebrando seu rosto de cera antes que eu pudesse fazer qualquer coisa.
Restou apenas aquele olho sorridente
(alugém uma vez disse que tinha medo de bonecas e seus sorrisos perpétuos, seus olhares mortos),
fitando-me à espera da minha reação.
Levantei, cuspi um dente e limpei com o dorso da mão o sangue que brotava da boca.
Tive ímpetos de saltar pela janela e devolver a agressão.
Mas se éramos de fato um a quimera do outro, de que adiantaria?
I'm sorry...
No, not you.
Lançou-me do jardim, através do vidro na janela da sala e sobre a estante na parede.
A madeira se partiu, lançando longe a boneca de porcelana, quebrando seu rosto de cera antes que eu pudesse fazer qualquer coisa.
Restou apenas aquele olho sorridente
(alugém uma vez disse que tinha medo de bonecas e seus sorrisos perpétuos, seus olhares mortos),
fitando-me à espera da minha reação.
Levantei, cuspi um dente e limpei com o dorso da mão o sangue que brotava da boca.
Tive ímpetos de saltar pela janela e devolver a agressão.
Mas se éramos de fato um a quimera do outro, de que adiantaria?
I'm sorry...
No, not you.
terça-feira, julho 19, 2005
Angry egos and holy placebos...
De uns tempos pra cá, tenho constatado a morte lenta e inexorável de diversas das minhas musas de internet.
Só pra definir, musas de internet são aquelas pessoas (em esmagadora maioria, garotas...) com arzinho "cool", meio "hype", com umas roupas estilinho punk-semi-gótico que eu adoro. De forma geral, ou elas têm fotologs onde se exibem em fotos meio sensuais, meio blasê; ou escrevem blogs cheios de opinião, estilo, muito bom humor e referências a bandas "cool" (Placebo, PJ Harvey, Franz Ferdinand, Hooverphonic, e outros comparsas...), como se quem não ouvisse fosse o cúmulo do quadrado. Várias chegavam a ser verdadeiras celebridades desse mundinho de blogs. Cito nomes como Karol Kurt (popular Morphina), a famosa Mari Moon, Helen Bar, Jolina, Helena Felts (por onde andas, Lena?), entre outras.
Mas, nos meses recentes, cada vez mais presenciei fotologs sendo abandonados e mesmo fechados completamente, blogs com textos cada vez mais insalubres (quando não aconteciam saídas mais criativas como a de Karol, que deixou por um tempo um template em branco, vazio, no blog dela, mas felizmente voltou a postar em outro endereço...), e desaparições totais do Orkut. Detecto nas entrelinhas um ar de quem diz "cansei de ser sexy". Como se tivessem cansado da exposição, da atenção indesejada, de pessoas fazendo suposições infundadas sobre suas personalidades. Entendo. Acho que entendo, pelo menos. É querer algo mais profundo, mais real. Algo não tão internérdico. Ainda assim, para um reles mortal, um wannabe de celebridade internérdica (e existem celebridades internérdicas masculinas além dos piadistas??), é um desestímulo. É mostrar o óbvio ululante sobre o qual não queremos pensar: que o objetivo de tornar-se uma celebridade internérdica não vai validar sua existência.
Só pra definir, musas de internet são aquelas pessoas (em esmagadora maioria, garotas...) com arzinho "cool", meio "hype", com umas roupas estilinho punk-semi-gótico que eu adoro. De forma geral, ou elas têm fotologs onde se exibem em fotos meio sensuais, meio blasê; ou escrevem blogs cheios de opinião, estilo, muito bom humor e referências a bandas "cool" (Placebo, PJ Harvey, Franz Ferdinand, Hooverphonic, e outros comparsas...), como se quem não ouvisse fosse o cúmulo do quadrado. Várias chegavam a ser verdadeiras celebridades desse mundinho de blogs. Cito nomes como Karol Kurt (popular Morphina), a famosa Mari Moon, Helen Bar, Jolina, Helena Felts (por onde andas, Lena?), entre outras.
Mas, nos meses recentes, cada vez mais presenciei fotologs sendo abandonados e mesmo fechados completamente, blogs com textos cada vez mais insalubres (quando não aconteciam saídas mais criativas como a de Karol, que deixou por um tempo um template em branco, vazio, no blog dela, mas felizmente voltou a postar em outro endereço...), e desaparições totais do Orkut. Detecto nas entrelinhas um ar de quem diz "cansei de ser sexy". Como se tivessem cansado da exposição, da atenção indesejada, de pessoas fazendo suposições infundadas sobre suas personalidades. Entendo. Acho que entendo, pelo menos. É querer algo mais profundo, mais real. Algo não tão internérdico. Ainda assim, para um reles mortal, um wannabe de celebridade internérdica (e existem celebridades internérdicas masculinas além dos piadistas??), é um desestímulo. É mostrar o óbvio ululante sobre o qual não queremos pensar: que o objetivo de tornar-se uma celebridade internérdica não vai validar sua existência.
Minhas fotos...
segunda-feira, julho 18, 2005
Não falei?
Canções singelas de vampiros, no escuro do quarto.
Eu não quero polícia nem dinheiro
Que os 'homi' é perigoso
Sequertraram o Tonho
Sequertraram o Tonho
E vão comer gostoso
Libera o Tonho que eu te dou dez conto
Libera o Tonho que eu te dou dez conto
Talcu no salão
Talcu no salão.
Pro salão ficar cheiroso
E ter mais animação
Acho que o coven de Zion é, sem dúvida, o mais animado que eu conheço.
Que os 'homi' é perigoso
Sequertraram o Tonho
Sequertraram o Tonho
E vão comer gostoso
Libera o Tonho que eu te dou dez conto
Libera o Tonho que eu te dou dez conto
Convidei a Sebastiana
Pra dar um picote na minha cama...
Convidei a Sebastiana
Pra dar um picote na minha cama...
Hoje não pode ser:
Eu tô de chico, não posso meter
Hoje não pode ser:
Eu tô de chico, não posso meter
A, E, I, O, U, só se for no cu.
Pra dar um picote na minha cama...
Convidei a Sebastiana
Pra dar um picote na minha cama...
Hoje não pode ser:
Eu tô de chico, não posso meter
Hoje não pode ser:
Eu tô de chico, não posso meter
A, E, I, O, U, só se for no cu.
Talcu no salão.
Pro salão ficar cheiroso
E ter mais animação
Acho que o coven de Zion é, sem dúvida, o mais animado que eu conheço.
sexta-feira, julho 15, 2005
All personel clear the blast area...
Hoje é o último dia que olho pela janela e vejo esses dois pavilhões do ex-presídio do Carandiru. No domingo, eles serão implodidos. Avisos da área de isolamento já foram afixados no quadro de avisos do prédio. Tenho ímpetos voyeurísticos de aparecer por aqui no domingo. Mas estarei viajando com o coven de Zion, em um fim de semana que promete boas fotos e risadas.
Os dois pavilhões já está preparados. Durante o mês, vi as máquinas rondando a área como lagartos preguiçosos, em um balé de esteiras, britadeiras e poeira. Despiram os dois andares de baixo de todo o cimento, deixando a obcenidade das vigas de sustentação à mostra. Ontem as edificações acordaram vestidas com levíssimas anáguas brancas nesses dois andares despidos, que ondulam com a corrente de ar. Assisto tudo do sexto andar do prédio da agência, logo do outro lado da rua. Os pedreiros parecem pequenos bonequinhos em uniformes azuis, movendo-se graças a algum sistema mecânico.
Por um momento, penso que vai ser estranho olhar pela janela e não ver os dois prédios. Apenas um espaço enorme onde eles costumavam ficar. Mas então lembro que daqui a duas semanas a agência sairá daqui. Vamos para perto do ateliê das meninas e eu volto a fazer parte daquela turma de artistas! Ou seja, daqui a duas semanas esses pavilhões, o Carandiru, o dirigível da Goodyear e toda a fervilhante vida camelística da Voluntários da Pátria deixarão de ter qualquer importância no meu dia-a-dia. Serão apenas uma memória relativamente cômica ("eu costumava trabalhar do lado do Carandiru...") e um pouco impertinente (pensar que eu trabalhava a algumas quadras da casa da Lee, mas raramente a via por lá).
Os dois pavilhões já está preparados. Durante o mês, vi as máquinas rondando a área como lagartos preguiçosos, em um balé de esteiras, britadeiras e poeira. Despiram os dois andares de baixo de todo o cimento, deixando a obcenidade das vigas de sustentação à mostra. Ontem as edificações acordaram vestidas com levíssimas anáguas brancas nesses dois andares despidos, que ondulam com a corrente de ar. Assisto tudo do sexto andar do prédio da agência, logo do outro lado da rua. Os pedreiros parecem pequenos bonequinhos em uniformes azuis, movendo-se graças a algum sistema mecânico.
Por um momento, penso que vai ser estranho olhar pela janela e não ver os dois prédios. Apenas um espaço enorme onde eles costumavam ficar. Mas então lembro que daqui a duas semanas a agência sairá daqui. Vamos para perto do ateliê das meninas e eu volto a fazer parte daquela turma de artistas! Ou seja, daqui a duas semanas esses pavilhões, o Carandiru, o dirigível da Goodyear e toda a fervilhante vida camelística da Voluntários da Pátria deixarão de ter qualquer importância no meu dia-a-dia. Serão apenas uma memória relativamente cômica ("eu costumava trabalhar do lado do Carandiru...") e um pouco impertinente (pensar que eu trabalhava a algumas quadras da casa da Lee, mas raramente a via por lá).
quarta-feira, julho 13, 2005
It was about time VG Cats did a strip on Counter Strike... Brings back memories from my first days of lan house addiction...
And yes, unfortunately that is how most of the newbies play. So hard to find decent soldiers nowadays...
And yes, unfortunately that is how most of the newbies play. So hard to find decent soldiers nowadays...
segunda-feira, julho 11, 2005
Feelings are intense, words are trivial
Eu teria um gato.
Em um apartamento relativamente pequeno (aliás, meu sonho a médio prazo...), eu moraria sozinho com um gato. Chegaria em casa todas as noites e o encontraria deitado no sofá, soberano da casa. Ele apenas levantaria a cabeça ao perceber que alguém entrou no território dele. Eu pararia na porta por um instante, fixando os olhos nos olhos dele. Não lhe diria nada, porque ele não entenderia. Falaríamos de outra forma. Alás, só aquele olhar já seria um "Ah, você está em casa. Que bom."
Nos sábados chuvosos eu deitaria no chão da sala mesmo, apesar de ter um sofá, para assistir TV. Ele viria displicentemente e deitaria em mim. De uma certa forma, ambos estaríamos fingindo ignorar o outro, mas adorando a compania. Nos sábados de sol eu sentaria por um tempo na cadeira de balanço e ele subiria no meu colo: pareceríamos dois velhos se aquecendo no sol. Da mesma forma, ele não pediria licença. Nos domingos de ressaca, depois que eu caísse na vida na noite anterior, ele acordaria e me encontraria deitado no tapete da sala ou no sofá, o que chegasse primeiro. Suspiraria (gatos suspiram?) em desaprovação, ao ver que esse felino maior não tinha metade da compostura dele. Em seguida, me daria as costas e iria procurar comida sozinho. Seria orgulhoso demais para reclamar disso comigo. Ótimo.
Nenhuma palavra.
De fato, ele não ia compreender porque é que, quando outro como eu entrava no apartamento, eu tinha que ficar rugindo e miando e fazendo toda sorte de barulhos. Não entenderia por que humanos são tão barulhentos entre eles. Teria algum ciúme quando eu trouxesse uma fêmea, porque eu teria uma tendência a ignorá-lo. Não o ignorar fingido dos sábados citados, mas um ignorar mais veemente.
Em alguma quinta-feira à noite eu pensaria, de forma quase banal, em como esse gato era como meu irmão. Isso por causa desse relacionamento silencioso, de matilha, em que não era preciso falar para reconhecer a presença do outro. Entre nós (eu e meu irmão ou eu e o gato...) não seriam necessárias nenhuma dessas convenções, nenhum "bom dia", "obrigado", "por favor", "boa sorte" ou "foda-se". Dois seres apenas... sendo. Na compania do outro.
Em um apartamento relativamente pequeno (aliás, meu sonho a médio prazo...), eu moraria sozinho com um gato. Chegaria em casa todas as noites e o encontraria deitado no sofá, soberano da casa. Ele apenas levantaria a cabeça ao perceber que alguém entrou no território dele. Eu pararia na porta por um instante, fixando os olhos nos olhos dele. Não lhe diria nada, porque ele não entenderia. Falaríamos de outra forma. Alás, só aquele olhar já seria um "Ah, você está em casa. Que bom."
Nos sábados chuvosos eu deitaria no chão da sala mesmo, apesar de ter um sofá, para assistir TV. Ele viria displicentemente e deitaria em mim. De uma certa forma, ambos estaríamos fingindo ignorar o outro, mas adorando a compania. Nos sábados de sol eu sentaria por um tempo na cadeira de balanço e ele subiria no meu colo: pareceríamos dois velhos se aquecendo no sol. Da mesma forma, ele não pediria licença. Nos domingos de ressaca, depois que eu caísse na vida na noite anterior, ele acordaria e me encontraria deitado no tapete da sala ou no sofá, o que chegasse primeiro. Suspiraria (gatos suspiram?) em desaprovação, ao ver que esse felino maior não tinha metade da compostura dele. Em seguida, me daria as costas e iria procurar comida sozinho. Seria orgulhoso demais para reclamar disso comigo. Ótimo.
Nenhuma palavra.
De fato, ele não ia compreender porque é que, quando outro como eu entrava no apartamento, eu tinha que ficar rugindo e miando e fazendo toda sorte de barulhos. Não entenderia por que humanos são tão barulhentos entre eles. Teria algum ciúme quando eu trouxesse uma fêmea, porque eu teria uma tendência a ignorá-lo. Não o ignorar fingido dos sábados citados, mas um ignorar mais veemente.
Em alguma quinta-feira à noite eu pensaria, de forma quase banal, em como esse gato era como meu irmão. Isso por causa desse relacionamento silencioso, de matilha, em que não era preciso falar para reconhecer a presença do outro. Entre nós (eu e meu irmão ou eu e o gato...) não seriam necessárias nenhuma dessas convenções, nenhum "bom dia", "obrigado", "por favor", "boa sorte" ou "foda-se". Dois seres apenas... sendo. Na compania do outro.
sexta-feira, julho 08, 2005
What if
What if I had become a doctor instead?
I know, the choice would have been taken for the wrong reasons (are there any really wrong reasonss for a decision?). I would choose medicine firstly, of course, because I did well on the subject at school. Biology class was always a delight. Even when we were fondling with body pieces soaked in chemicals or pricking our fingertips to test our blood type. But above all, I think I would have chosen medicine in some vain attempt to comprehend what goes on in my body everytime my sindrome starts. The panic attacks, the sickness, all of that. I'd research ever more deeply to know what happens: is it the levels of potassium, some enzyme or hormone, some congenital problem... I'd be studying medicine to heal myself, not to heal others. I began to think about it after grandma suggested that I was so interested in psychology and deviant behaviours because of my own psychological issues.
Why did you choose your career?
I know, the choice would have been taken for the wrong reasons (are there any really wrong reasonss for a decision?). I would choose medicine firstly, of course, because I did well on the subject at school. Biology class was always a delight. Even when we were fondling with body pieces soaked in chemicals or pricking our fingertips to test our blood type. But above all, I think I would have chosen medicine in some vain attempt to comprehend what goes on in my body everytime my sindrome starts. The panic attacks, the sickness, all of that. I'd research ever more deeply to know what happens: is it the levels of potassium, some enzyme or hormone, some congenital problem... I'd be studying medicine to heal myself, not to heal others. I began to think about it after grandma suggested that I was so interested in psychology and deviant behaviours because of my own psychological issues.
Why did you choose your career?
quinta-feira, julho 07, 2005
Blog com imagens!!
Para quem não percebeu no post da Alice, o Blogger está permitindo o uso de imagens agora! Tive todo o trabalho de fazer o upload dos dois pimeiros desenhos da Alice (um que só aparecerá na semana que vem...) no servidor da Aerandir, só pra descobrir depois que o blog habilitou o upload de imagens para os servidores deles. De acordo com as informações na página inicial, agora cada usuário pode ocupar um espaço de até 300Mb de imagens. "Go nuts, people!"
Aliás, sabem o que isso significa? Vou poder colocar exemplos das minhas comparações bizarras!!
Aliás, sabem o que isso significa? Vou poder colocar exemplos das minhas comparações bizarras!!
terça-feira, julho 05, 2005
Ódio Diesel
O ódio, a raiva, o lado negro da Força. Chame como quiser. É um puta força motora.
Quando criança, eu suspeitava que fosse "do mal", porque desenhos animados pregavam que o amor era a maior força do universo, mas eu aos oito anos de idade não sabia direito o que era o amor (talvez até hoje não tenha certeza...). Em compensação, sabia o que era o ódio. A raiva cegante. E conhecia muito bem o poder que ela tinha para fazer as coisas acontecerem, a determinação que me concedia, a força física extra. Era como se, na planilha do meu personagem (sim, eu jogava RPG...), todos os meus atributos recebessem acréscimos (menos o bom senso, aliás...). É triste constatar, mas o ódio é muito mais direto, específico. Não fica com misticismos e indefinições. Apresenta sua força sublime logo de cara enquanto outros ficam tentando decidir se estão ou não amando. A raiva causa mudanças. Nâo está contente? Ficou injuriado? Puto da vida mesmo? Então mude. Você vai ter toda a vontade do mundo pra mudar.
A isso eu e o Lala's demos o nome de Ódio Diesel. Quando o ódio passa a ser força motora.
Quando criança, eu suspeitava que fosse "do mal", porque desenhos animados pregavam que o amor era a maior força do universo, mas eu aos oito anos de idade não sabia direito o que era o amor (talvez até hoje não tenha certeza...). Em compensação, sabia o que era o ódio. A raiva cegante. E conhecia muito bem o poder que ela tinha para fazer as coisas acontecerem, a determinação que me concedia, a força física extra. Era como se, na planilha do meu personagem (sim, eu jogava RPG...), todos os meus atributos recebessem acréscimos (menos o bom senso, aliás...). É triste constatar, mas o ódio é muito mais direto, específico. Não fica com misticismos e indefinições. Apresenta sua força sublime logo de cara enquanto outros ficam tentando decidir se estão ou não amando. A raiva causa mudanças. Nâo está contente? Ficou injuriado? Puto da vida mesmo? Então mude. Você vai ter toda a vontade do mundo pra mudar.
A isso eu e o Lala's demos o nome de Ódio Diesel. Quando o ódio passa a ser força motora.
Coming atractions...
Eu quero pintar algo relevante. Quero um ano de sexo pervertido, ilógico e objetificante como deve ser (nada de papai e mamãe básico). Quero depois me curar desse vício e ser uma pessoa zen. Quero um carro que gaste pouco e ande muito (o tamanho é irrelevante). Quero viajar para passar um mês na Europa, perder a cabeça e ficar lá por um ano. Quero achar a carreira que me faça acoradar todo dia e dizer "é, acho que ainda quero fazer isso". Quero uma festa surpresa. Quero ser importante o suficiente para ter uma festa surpresa. Quero ter uma casa estilosa. Quero um gato e talvez um cachorro. Quero um esporte apaixonante no qual eu seja muito bom. Quero poder jogar video game sem culpa.
Mas pra ser bem sincero, o que mais quero é saber o que eu quero da vida. Porque tudo isso são só cenas soltas. Nem sei ao certo qual é a trama do filme. E não dá pra viver o trailer pra sempre, dá?
Mas pra ser bem sincero, o que mais quero é saber o que eu quero da vida. Porque tudo isso são só cenas soltas. Nem sei ao certo qual é a trama do filme. E não dá pra viver o trailer pra sempre, dá?
segunda-feira, julho 04, 2005
A partir de hoje, vai ter um desenho da Alice a cada semana. Pelo menos essa é a meta. Vou pegar leve nas cores, provavelmente só deixando os tons de rosa do vestido dela mesmo. Vale mais o desenho linear. Vocês vão entender alguns, outros nem tanto... Mas acho que, assim como o Bunny que me inspirou a adotar esse esquema de imagem única em vez da HQ tradicional, parte da graça está nas piadinhas internas, no incompreensível e ligeiramente surreal.
Na área à esquerda, vocês vão perceber que criei uma sessão para os desenhos de Alice. Por enquanto, há apenas uma pedrinha lá. Cada pedrinha é um desenho novo. O mais recente vai sempre ser a primeira pedrinha.
Na área à esquerda, vocês vão perceber que criei uma sessão para os desenhos de Alice. Por enquanto, há apenas uma pedrinha lá. Cada pedrinha é um desenho novo. O mais recente vai sempre ser a primeira pedrinha.
sexta-feira, julho 01, 2005
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