Eu tive um sonho naquele dia. Influenciado pela sensação das semanas anteriores, eu cantava no palco do Little Darling e a voz falhava. Eu estava rouco como antes do M868 e os tons agudos simplesmente não saíam. Eu mantinha a calma e continuava cantando, ciente de que estávamos indo mal, mas sem me importar tanto.
Nosso show no Little Darling lavou a alma da zica que acompanhava as apresentações recentes. Não ganhamos o concurso, mas foi ótimo. Acima de tudo, foi um aprendizado, uma noite de gratas surpresas: a técnica do vocalista da banda da casa, a Splash Rock, cantando What's going on com uma voz feminina perfeita, idêntica ao vocal do 4 Non Blondes (se eu não estivesse vendo, acharia que era playback...); a escolha de músicas da banda vencedora, a Black Heart Blues Band, que, com um grupo de vocais muito bem coordenados, executou The Who e raridades como You Really Got Me dos Kinks e Wild Thing; a repentina condição perfeita da minha voz, que acertou até a subida de Have you Ever Seen the Rain; e principalmente, a hora em que a porta do bar abriu e uma senhora de 80 anos entrou num bar de rock acompanhada de minha mãe: era minha avó, vindo avaliar como eu cantava para continuar minha preparação!
Claro que nem tudo foi fantástico naquela noite. Eu fui com a certeza óbvia de que minha turma de colégio apareceria. Afinal, o Little Darling era nosso reduto nos últimos anos do colegial, quando começamos a fugir do congestionamento da Vila Olímpia nos finais de semana. Exceto pelo Piero, fiel escudeiro nestas situações, ninguém apareceu. E eu devia esperar por isso, visto que apenas dois ou três apareceram também, mui timidamente, na festa surpresa organizada pela Lexy. Não sei o que pensar disso. Se a turma que acabou, se resolveram me ignorar, se eu é que os abandonei, se eu sou tão impopular que nem valho a pena. Fato é que já estou me conformando com o fato de que eles nunca vão aparecer mesmo. Eles mantiveram o estilo herdado do colégio e eu enveredei para esta coisa roqueira que não tem nada a ver com quem eu era naquela época. Chega a ser irÔnico: eles que frequentavam o Madame Satã e outros antros, hoje vestem ternos e escutam jazz, enquanto eu que ouvia Bowie e Annie Lennox hoje canto em inferninhos. Falta de sincronia.
Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.
domingo, novembro 25, 2007
quarta-feira, novembro 21, 2007
quinta-feira, novembro 15, 2007
It always rains....
Hoje chove, como é de praxe nos meus aniversários. Uma garoa daquelas finas, que tingem o dia daquela melancolia gostosa. Já faz quase uma semana depois da surpresa.
Eu realmente não desconfiei do dia.
Tinha stalkeado algumas coisas. Soube de uma festa através de meus meios. E de uma ou outra surpresa por pistas que ela dava, às vezes sem querer e às vezes sem conseguir se controlar. Mas em dado ponto, me segurei: eu adoro uma surpresa e, embora pudesse saber de tudo, não queria perder aquela euforia do inesperado.
Uma semana antes do aniversário. Foi uma cartada de mestre.
Nana me chamou para outro encontro de blogueiros. Fosse a Lexy a me chamar para sair, eu talvez teria desconfiado. Em vez disso, disse que estava com a mãe e que me encontraria no bar. Pediu que eu ligasse: deslize. Eu sempre esqueço e acabo ligando de lá, depois de chegar.
Subindo as escadas, avistei o Ri pela janela: já fazem meses que ele fechou o blog. O próximo conhecido visto foi o Piero. E a partir daí já estava claro que algo estava fora de lugar.
Nem todo mundo pode comparecer. Outros chegaram algum tempo depois da surpresa, por culpa do trânsito. Sabe-se lá o que estava acontecendo naquele dia, mas a cidade estava mais caótica do que o normal. Senti e falta do Lala's, da Kita e de outras pessoas muito queridas. Mas por outro lado, fiquei surpreso ao ver algumas pessoas que eu já tinha dado como perdidas na névoa do esquecimento.
A banda me deu um microfone. Um investimento que não passará em branco e que marca, de certa forma, um "levar isso a sério": pouco a pouco eu deixo de ser aquele cantor eventual, de fim de semana, pra ser alguém que tem até o próprio equipamento. Mas o principal da noite foi a caixa feita por minha Lexy. A turma do coven surpreendeu-se com a qualidade do artesanato: dentre eles, Bia Schmidt fazia caixas lindas, mas esta era claramente superior em acabamento. Forrada em veludo, a tampa portando dezenas de imagens de leões variados. E os presentes dentro dela... Idéias simples e baratas mas muito impactantes coletadas ao longo do tempo. Bottons com meu símbolo do leão de pedra e desenhos da minha Alice, uma camiseta com a Alice 18 que fiz para as meninas da casa na Itália, a coletânea completa da Annie Lennox (cujo show recente em São Paulo eu perdi) baixada da internet.
Outras pessoas haviam tentado fazer coisas significativas assim. Achavam que eu me comoveria com qualquer presentinho que fizesse referência às artes plásticas. Mas Lexy realmente me viu. Tanto pela festa surpresa, que eu sempre insinuei e ninguém levou a sério, como pelas pequenas surpresas, que tinham a sensibilidade de quem se esforçava para de fato ver o meu mundo, os meus significados. E fazia muito tempo que eu não sentia isso.
Eu realmente não desconfiei do dia.
Tinha stalkeado algumas coisas. Soube de uma festa através de meus meios. E de uma ou outra surpresa por pistas que ela dava, às vezes sem querer e às vezes sem conseguir se controlar. Mas em dado ponto, me segurei: eu adoro uma surpresa e, embora pudesse saber de tudo, não queria perder aquela euforia do inesperado.
Uma semana antes do aniversário. Foi uma cartada de mestre.
Nana me chamou para outro encontro de blogueiros. Fosse a Lexy a me chamar para sair, eu talvez teria desconfiado. Em vez disso, disse que estava com a mãe e que me encontraria no bar. Pediu que eu ligasse: deslize. Eu sempre esqueço e acabo ligando de lá, depois de chegar.
Subindo as escadas, avistei o Ri pela janela: já fazem meses que ele fechou o blog. O próximo conhecido visto foi o Piero. E a partir daí já estava claro que algo estava fora de lugar.
Nem todo mundo pode comparecer. Outros chegaram algum tempo depois da surpresa, por culpa do trânsito. Sabe-se lá o que estava acontecendo naquele dia, mas a cidade estava mais caótica do que o normal. Senti e falta do Lala's, da Kita e de outras pessoas muito queridas. Mas por outro lado, fiquei surpreso ao ver algumas pessoas que eu já tinha dado como perdidas na névoa do esquecimento.
A banda me deu um microfone. Um investimento que não passará em branco e que marca, de certa forma, um "levar isso a sério": pouco a pouco eu deixo de ser aquele cantor eventual, de fim de semana, pra ser alguém que tem até o próprio equipamento. Mas o principal da noite foi a caixa feita por minha Lexy. A turma do coven surpreendeu-se com a qualidade do artesanato: dentre eles, Bia Schmidt fazia caixas lindas, mas esta era claramente superior em acabamento. Forrada em veludo, a tampa portando dezenas de imagens de leões variados. E os presentes dentro dela... Idéias simples e baratas mas muito impactantes coletadas ao longo do tempo. Bottons com meu símbolo do leão de pedra e desenhos da minha Alice, uma camiseta com a Alice 18 que fiz para as meninas da casa na Itália, a coletânea completa da Annie Lennox (cujo show recente em São Paulo eu perdi) baixada da internet.
Outras pessoas haviam tentado fazer coisas significativas assim. Achavam que eu me comoveria com qualquer presentinho que fizesse referência às artes plásticas. Mas Lexy realmente me viu. Tanto pela festa surpresa, que eu sempre insinuei e ninguém levou a sério, como pelas pequenas surpresas, que tinham a sensibilidade de quem se esforçava para de fato ver o meu mundo, os meus significados. E fazia muito tempo que eu não sentia isso.
quinta-feira, novembro 08, 2007
Limites
Sequer cheguei a fazer propaganda do show ocorrido há duas semanas. E também não falei nada, pelos meios virtuais de praxe, da volta ao M868 no sábado passado.
Tive medo.
Queria cantar para uma platéia de desconhecidos que não prestasse muita atenção em mim, esperando a banda dos amigos que toca metal pesado gutural depois da nossa. Queria que as falhas no que deveria ser o filamento suave de notas da minha voz fossem afogadas no burburinho das vozes de punks-de-mentira ou nas notas sempre altas da guitarra de Nando. Queria que ninguém me ouvisse. Ou pelo menos que ninguém prestasse atenção.
Lee, que sempre teve um bom gosto para florear suas frases com detalhes de uma banalidade profundamente verdadeira, escreveu recentemente em seu blog:
Em seguida, uma colega de trabalho a repreendeu por ter virado uma workaholic. Mas tem algo visceralmente humano e jovem nessa frase dela, que chora e suplica e não é atendido. Seu corpo mostrou sinais de stress e ela não quer lidar com isso. É incrivelmente frustrante quando a mente diz "por favor, só mais um pouco, eu quero" e o corpo diz "eu não aguento mais e estou desistindo". Nesta época moderna, rotulam isso de "stress". E como todo rótulo, menosprezam seu significado.
Perdoem a digressão...
Depois da sexta retrasada, onde eu já não estava me sentindo com 100% da capacidade, acordei rouco no dia seguinte. Um acontecimento que aprendi a aceitar como normal este ano. Também era normal a rouquidão passar no próximo amanhecer. E de repente, cinco dias passaram e eu ainda estava ali. Precisando do dobro do ar para emitir qualquer som e tendo metade da amplitude normal. A metade de baixo, a menos usada.
Nando, com todo seu ímpeto que sempre nos levou adiante, convenceu de todas as formas a continuarmos com a agenda. Porqueelepodiacobriraminhavozcomaguitarraetocarsujoealtoerapidoeeuusariapedaisnovocaletudodariacerto. Dias depois e um pouco em cima da hora demais para um cancelamento com mais classe, ele perguntou se eu queria cancelar o show do sábado. Sentia que não era exatamente ele que estava perguntando. Mas então a voz já estava voltando e eu tive coragem para o show do sábado. Isso, e toda a raiva contida pelas semanas de zica astral forte que culminaram com o acidente de carro, me convenceram a prosseguir. Por teimosia. Por um ódio puro, destilado, escorpionídeo que eu precisava exorcizar.
Não foi o melhor dos nossos shows. Também não foi o pior.
No médico da família: garganta um pouco inflamada e uma leve infecção por cândida (calma, é normal e todo mundo tem mas não percebe porque não canta...). Ele enfia uma câmera pelo meu nariz [imaginem, estupro nasal...] e vejo minhas cordas vocais. As paredes da garganta ainda avermelhadas e aquela forma vaginácea que se contrai e vibra quando respondo às perguntas. Ele comenta favoravelmente sobre o amplo espaço que tenho na garganta, e como isso me concede uma voz naturalmente boa para canto mesmo. Porém mostra como contraio a garganta para as notas mais agudas. Com a pressão do ar usada para aumentar o volume nos shows, a violência exercida na garganta nessas notas é brutal. Falta de técnica mesmo. Traído justamente pelas notas altas que sempre gostei.
Uma parte de mim chora e suplica e não é atendida. Especialmente agora que temos mais três shows pela frente até o final do ano. Alguns em sonhos como o Little Darling, no próximo dia 22. Mas a outra parte de mim, essa que é física e que dói, me ensina que é possível pintar um quadro sem técnica, escrever um texto sem técnica ou mesmo interpretar uma tragédia grega sem técnica. Mas cantar sem técnica é mais do que apenas uma violência estética. Preciso de aulas mais específicas do que as de minha avó.
Eu odeio ser uma dessas pessoas fracas, que têm laringite e depois não podem cantar. Preciso aguentar pelo menos mais uns dois shows ainda este ano!
Tive medo.
Queria cantar para uma platéia de desconhecidos que não prestasse muita atenção em mim, esperando a banda dos amigos que toca metal pesado gutural depois da nossa. Queria que as falhas no que deveria ser o filamento suave de notas da minha voz fossem afogadas no burburinho das vozes de punks-de-mentira ou nas notas sempre altas da guitarra de Nando. Queria que ninguém me ouvisse. Ou pelo menos que ninguém prestasse atenção.
Lee, que sempre teve um bom gosto para florear suas frases com detalhes de uma banalidade profundamente verdadeira, escreveu recentemente em seu blog:
Eu odeio ser uma dessas pessoas fracas, que têm tendinite, labirintite e depois não podem trabalhar. Preciso decupar pelo menos mais umas duas fitas ainda hoje!
Em seguida, uma colega de trabalho a repreendeu por ter virado uma workaholic. Mas tem algo visceralmente humano e jovem nessa frase dela, que chora e suplica e não é atendido. Seu corpo mostrou sinais de stress e ela não quer lidar com isso. É incrivelmente frustrante quando a mente diz "por favor, só mais um pouco, eu quero" e o corpo diz "eu não aguento mais e estou desistindo". Nesta época moderna, rotulam isso de "stress". E como todo rótulo, menosprezam seu significado.
Perdoem a digressão...
Depois da sexta retrasada, onde eu já não estava me sentindo com 100% da capacidade, acordei rouco no dia seguinte. Um acontecimento que aprendi a aceitar como normal este ano. Também era normal a rouquidão passar no próximo amanhecer. E de repente, cinco dias passaram e eu ainda estava ali. Precisando do dobro do ar para emitir qualquer som e tendo metade da amplitude normal. A metade de baixo, a menos usada.
Nando, com todo seu ímpeto que sempre nos levou adiante, convenceu de todas as formas a continuarmos com a agenda. Porqueelepodiacobriraminhavozcomaguitarraetocarsujoealtoerapidoeeuusariapedaisnovocaletudodariacerto. Dias depois e um pouco em cima da hora demais para um cancelamento com mais classe, ele perguntou se eu queria cancelar o show do sábado. Sentia que não era exatamente ele que estava perguntando. Mas então a voz já estava voltando e eu tive coragem para o show do sábado. Isso, e toda a raiva contida pelas semanas de zica astral forte que culminaram com o acidente de carro, me convenceram a prosseguir. Por teimosia. Por um ódio puro, destilado, escorpionídeo que eu precisava exorcizar.
Não foi o melhor dos nossos shows. Também não foi o pior.
No médico da família: garganta um pouco inflamada e uma leve infecção por cândida (calma, é normal e todo mundo tem mas não percebe porque não canta...). Ele enfia uma câmera pelo meu nariz [imaginem, estupro nasal...] e vejo minhas cordas vocais. As paredes da garganta ainda avermelhadas e aquela forma vaginácea que se contrai e vibra quando respondo às perguntas. Ele comenta favoravelmente sobre o amplo espaço que tenho na garganta, e como isso me concede uma voz naturalmente boa para canto mesmo. Porém mostra como contraio a garganta para as notas mais agudas. Com a pressão do ar usada para aumentar o volume nos shows, a violência exercida na garganta nessas notas é brutal. Falta de técnica mesmo. Traído justamente pelas notas altas que sempre gostei.
Uma parte de mim chora e suplica e não é atendida. Especialmente agora que temos mais três shows pela frente até o final do ano. Alguns em sonhos como o Little Darling, no próximo dia 22. Mas a outra parte de mim, essa que é física e que dói, me ensina que é possível pintar um quadro sem técnica, escrever um texto sem técnica ou mesmo interpretar uma tragédia grega sem técnica. Mas cantar sem técnica é mais do que apenas uma violência estética. Preciso de aulas mais específicas do que as de minha avó.
Eu odeio ser uma dessas pessoas fracas, que têm laringite e depois não podem cantar. Preciso aguentar pelo menos mais uns dois shows ainda este ano!
sábado, novembro 03, 2007
What if
Of all the things that can gnaw at the mind at bedtime, the most cruel of them is the alternate possibility. The infamous "what if?".
What if Lexy had stayed home that night? What if I had driven the car instead. What if I had told BBK I wasn't going to make it that evening and had taken her where she wanted to go instead? What if that delivery biker had gotten his call a minute later? In a nutshell: what if we all hadn't been there at that exact second?
She smiled at me. I remember that now. And we had been arguing over all the petty things we usually argued about. I had told her I tried so hard to get her to smile because I loved that smile. We were done arguing then and things were settled. She smiled at me and I turned to my telephone to call BBK and tell him we would soon be there. I was dialing. That's why I wasn't, as I usually am, paying attention to her every move, ready to pull the brakes if she made a mistake. I made the worst possible mistake: too much trust.
Then I heard the unmistakeable sound of a motorcycle horn growing louder to our left.
Later I would tell Lexy that I have this somewhat dangerous reaction hard-wired into my brain. That reaction is the lack of emotional response. When other people panic, I dull my senses with apathy. It was programmed into me since childhood, when I learned that bullies would stop bullying me if I didn't cry. Not because they'd think I was tough, but because there was no fun in stimulating someone who didn't respond. It's a dangerous form of reaction, because although it allows you to keep calm, it also numbs your judgement in potentially fatal situations. It's a hard thing to explain.
As I heard the sound growing louder, the reaction kicked in. I was sure he would dodge the car and everything would be fine. I remember feeling the hit and seeing him jump from the motorcycle over the hood of my car. I was sure he would fall to the ground unharmed and everything would be fine. The impact slammed the door against Lexy's left shoulder and pushed my car to the side. She stayed motionless for a while. I was sure she had just fainted momentarily and once she woke up, everything would be fine. However, the car was still moving: we rode for another second or two, heading straight for the building at the corner of the street. A thin, young tree was all that stood in the way. I was sure that it's flexibility would hold the car causing minimum damage and everything would be fine.
Alas, sometimes you're right, and sometimes you're wrong. The car did halt upon hitting the tree. This second impact knocked Lexy back into consciousness and straight into the largest panic attack I had ever witnessed. As she screamed a chain of "Babe, what have I done!?"s, my apathy seemd to be replaced by adrenaline. What had she done? I jumped out of the car and walked around it. I asked her if she was alright and then checked on the biker: still alive. All of us. The biker had a sprained ankle and that was it. And then my attention turned to the car.
At the end of Aerosmith's Living on the Edge videoclip, Edward Furlong drives a car straight into a wall in a very dinamic scene, full of movement and speed and rage. Then they cut to this other view where the car wreck sits motionless as if it had been there for ages.
I stared at my car with that same strangeness, finding it hard to believe we had actually stopped. It was wedged into the tree, almost hugging it. The driver's door was wrecked, the inner plastic shell detached and the outside handle didn't work anymore. Lexy had to open it from the inside.
I believe it began to rain roughly five minutes after it had happened. That hard, miserable rain of horror movies. The rest of this tale is all sirens and bureaucracy and headaches.
I still felt that sense of irreality when I woke up today. It took me a few minutes to remember. But the what if's started buzzing almost instantly. What if I hadn't been on the phone? What if I had pulled the handbrake before hitting the tree? What if...
What if Lexy had stayed home that night? What if I had driven the car instead. What if I had told BBK I wasn't going to make it that evening and had taken her where she wanted to go instead? What if that delivery biker had gotten his call a minute later? In a nutshell: what if we all hadn't been there at that exact second?
She smiled at me. I remember that now. And we had been arguing over all the petty things we usually argued about. I had told her I tried so hard to get her to smile because I loved that smile. We were done arguing then and things were settled. She smiled at me and I turned to my telephone to call BBK and tell him we would soon be there. I was dialing. That's why I wasn't, as I usually am, paying attention to her every move, ready to pull the brakes if she made a mistake. I made the worst possible mistake: too much trust.
Then I heard the unmistakeable sound of a motorcycle horn growing louder to our left.
Later I would tell Lexy that I have this somewhat dangerous reaction hard-wired into my brain. That reaction is the lack of emotional response. When other people panic, I dull my senses with apathy. It was programmed into me since childhood, when I learned that bullies would stop bullying me if I didn't cry. Not because they'd think I was tough, but because there was no fun in stimulating someone who didn't respond. It's a dangerous form of reaction, because although it allows you to keep calm, it also numbs your judgement in potentially fatal situations. It's a hard thing to explain.
As I heard the sound growing louder, the reaction kicked in. I was sure he would dodge the car and everything would be fine. I remember feeling the hit and seeing him jump from the motorcycle over the hood of my car. I was sure he would fall to the ground unharmed and everything would be fine. The impact slammed the door against Lexy's left shoulder and pushed my car to the side. She stayed motionless for a while. I was sure she had just fainted momentarily and once she woke up, everything would be fine. However, the car was still moving: we rode for another second or two, heading straight for the building at the corner of the street. A thin, young tree was all that stood in the way. I was sure that it's flexibility would hold the car causing minimum damage and everything would be fine.
Alas, sometimes you're right, and sometimes you're wrong. The car did halt upon hitting the tree. This second impact knocked Lexy back into consciousness and straight into the largest panic attack I had ever witnessed. As she screamed a chain of "Babe, what have I done!?"s, my apathy seemd to be replaced by adrenaline. What had she done? I jumped out of the car and walked around it. I asked her if she was alright and then checked on the biker: still alive. All of us. The biker had a sprained ankle and that was it. And then my attention turned to the car.
At the end of Aerosmith's Living on the Edge videoclip, Edward Furlong drives a car straight into a wall in a very dinamic scene, full of movement and speed and rage. Then they cut to this other view where the car wreck sits motionless as if it had been there for ages.
I stared at my car with that same strangeness, finding it hard to believe we had actually stopped. It was wedged into the tree, almost hugging it. The driver's door was wrecked, the inner plastic shell detached and the outside handle didn't work anymore. Lexy had to open it from the inside.
I believe it began to rain roughly five minutes after it had happened. That hard, miserable rain of horror movies. The rest of this tale is all sirens and bureaucracy and headaches.
I still felt that sense of irreality when I woke up today. It took me a few minutes to remember. But the what if's started buzzing almost instantly. What if I hadn't been on the phone? What if I had pulled the handbrake before hitting the tree? What if...
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