Encontrei uma nova webcomic que estou acompanhando semanalmente.
Lizzy vive em um futuro apocalíptico daqueles. Ela vem tendo sonhos estranhos com pessoas que a capturam e implantam mecanismos estranhos em seu cérebro, convencidos de que ela seja uma espécie de anjo do apocalipse. Tá, até aí a história não convence. Mas tenho acompanhado esta webcomic não tanto pelo conteúdo, mas pela forma.
A história da arte mostra que o surgimento de um novo meio de expressão (especificamente um meio que surgiu para outra coisa além da expressão artística) sempre passa por fases muito definidas. Ele passa um tempo servindo apenas o seu objetivo pragmático, até que alguém decide usá-lo para a arte. Mas essa primeira forma de arte crua é apenas uma repetição ou reinterpreteção de uma forma de arte anterior. As primeiras fotos eram retratos posados muito similares à pintura. Os primeiros filmes cinematográficos, como a locomotiva dos Lumiére eram projeções de imagens gravadas com uma câmera parada e, fora o movimento dos objetos mostrados, não eram muito diferentes de fotos mais elaboradas. As webcomics, até recentemente, eram também simulacros virtuais das HQs reais: histórias que misturavam ilustração e texto para contar uma história em "frames" estáticos que se relacionavam uns com os outros para dar uma idéia de cronologia da história.
Mas em algum ponto, alguém percebe que não está mais lidando com o meio antigo. Lizzy foi criada para ser uma webcomic no melhor sentido da palavra: apesar da distribuição das imagens em frames, cada uma delas é uma pequena animação em Flash, uma característica que não era possível nas HQs tradicionais.
Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.
domingo, outubro 28, 2007
quarta-feira, outubro 17, 2007
Who Killed Bambi
A few months ago, I came upon a nice blog called Who killed Bambi? Apparently updated by a team of girls, they dedicate their patch of virtual space to collecting a variety of websites from artists who revel in the macabre. Their site seems to rebel against the idea that girls are cute, harmless, soft individuals who wince at the mere sight of blood. The very name of the blog hints at the death of cute and furry creatures who aren't taken seriously. Better yet: it relays the message with contemporary art.

Amidst all the blood and gore (yum!), there's quite a lot of painting linked in those pages. As my obssession with patterns goes, I began to see similarities between some of the North American and European painters quoted. Mostly because they reminded me of other contemporary artists who trailled the same paths.
For example, they recently linked Kelly Haigh's paintings, which reminded me of Mark Ryden's earlier, simpler works. On another page, Kathie Oliva's Misery Children made me think of Yoshitomo Nara, because of the eyes and the shape of the heads. Just before that, Yuka Yamaguchi's paintings seemed to be a simpler, not so bold version of Trevor Brown's abused children.
Most of these have a specific content in common: they take the usually harmless universe of children and mix if with an excessive violence or sexual abuse to generate that perverse feeling of shock that has some people like me digging for more. It seems to be the latest trend in painting themes.
Of course, the perception of this pattern might have something to do with the blog's objective of criticizing the cute and cuddly. But the very fact that I've seen the painters that were reminded by the blog before had me thinking about it.
Another thing to note: although I've mentioned a few Asian artists along the way, I'm not entirely sure if this pattern actually relates to painting world-wide. It feels to me as if it only happens in Europe (and consequently in America, following the shockwave...). Asians, it seems to me, have a different evolution regarding their simbology, their notions of aesthetics and composition. The few I've mentioned here (and this post would be incomplete without adding Junko Mizuno's toy art), seem to be based in Europe and influenced by (and influencing) the pattern.
************
Alguns meses atrás, descobri um site chamado Who killed Bambi? Aparentemente atualizado por um grupo de garotas, elas dedicam seu pedaço de espaço virtual à coleção de uma variedade de sites de artistas que lidam com o macabro. Seu site parece rebelar=se contra a idéia de que garotas são indivíduos meigos, inofensivos e suaves que se enojam diante da mera visão de sangue. O próprio nome do blog faz menção à morte de criaturas bonitinhas e felpudas que não são levadas a sério. Melhor ainda: ele comunica a mensagem através da arte contemporânea.
Em meio a todo o sangue e visceras, havia uma boa dose de links sobre pintura naquelas páginas. Minha obssessão por padrões me levou a ver similaridades entre alguns dos pintores norteamericanos e europeus citados. Em grande parte porque eles me lembravam de outros artistas contemporêneos que trilharam os mesmos caminhos.
Por exemplo, eles citaram recentemente as pinturas de Kelly Haigh, que me lembraram dos primeiros trabalhos de Mark Ryden. Em outra página, os Misery Children de Kathie Olivame fizeram pensar em Yoshitomo Nara, pelos olhos e pelo formato dos rostos. Pouco antes disso, as pinturas de Yuka Yamaguchi me pareceram ser uma versão mais simples e não tão corajosa das crianças violentadas de Trevor Brown.
A maioria destes tem um conteúdo específico em comum: eles tomam a geralmente inofensivo universo das crianças e o misturam com violência excessiva e abuso sexual para gerar aquela perversa sensação de choque que tanto instiga pessoas como eu. Parece ser a última moda em assuntos para pintura.
Claro que a percepção desse padrão pode ter algo a ver com o objetivo do blog de criticar o meigo e fofinho. Mas o próprio fato de que eu já vi os pintores lembrados pelo blog antes me fez pensar a respeito.
Outra coisa a mencionar: embora eu tenha mencionado alguns artistas asiáticos ao longo do post, não tenho certeza se este padrão se aplica de fato à pintura em âmbito mundial. Sinto como se só acontecesse na Europa (e consequentemente na América, seguindo a onda de choque...). Os asiáticos, me parece, têm uma evolução diferente da sua simbologia, duas noções de estética e composição. Os poucos que mencionei (e este post não seria completo sem falar também da toy art deJunko Mizuno),
parecem estar atuando na Europa, sendo influenciados (e influenciando) o padrão.
Amidst all the blood and gore (yum!), there's quite a lot of painting linked in those pages. As my obssession with patterns goes, I began to see similarities between some of the North American and European painters quoted. Mostly because they reminded me of other contemporary artists who trailled the same paths.
For example, they recently linked Kelly Haigh's paintings, which reminded me of Mark Ryden's earlier, simpler works. On another page, Kathie Oliva's Misery Children made me think of Yoshitomo Nara, because of the eyes and the shape of the heads. Just before that, Yuka Yamaguchi's paintings seemed to be a simpler, not so bold version of Trevor Brown's abused children.
Most of these have a specific content in common: they take the usually harmless universe of children and mix if with an excessive violence or sexual abuse to generate that perverse feeling of shock that has some people like me digging for more. It seems to be the latest trend in painting themes.
Of course, the perception of this pattern might have something to do with the blog's objective of criticizing the cute and cuddly. But the very fact that I've seen the painters that were reminded by the blog before had me thinking about it.
Another thing to note: although I've mentioned a few Asian artists along the way, I'm not entirely sure if this pattern actually relates to painting world-wide. It feels to me as if it only happens in Europe (and consequently in America, following the shockwave...). Asians, it seems to me, have a different evolution regarding their simbology, their notions of aesthetics and composition. The few I've mentioned here (and this post would be incomplete without adding Junko Mizuno's toy art), seem to be based in Europe and influenced by (and influencing) the pattern.
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Alguns meses atrás, descobri um site chamado Who killed Bambi? Aparentemente atualizado por um grupo de garotas, elas dedicam seu pedaço de espaço virtual à coleção de uma variedade de sites de artistas que lidam com o macabro. Seu site parece rebelar=se contra a idéia de que garotas são indivíduos meigos, inofensivos e suaves que se enojam diante da mera visão de sangue. O próprio nome do blog faz menção à morte de criaturas bonitinhas e felpudas que não são levadas a sério. Melhor ainda: ele comunica a mensagem através da arte contemporânea.
Por exemplo, eles citaram recentemente as pinturas de Kelly Haigh, que me lembraram dos primeiros trabalhos de Mark Ryden. Em outra página, os Misery Children de Kathie Olivame fizeram pensar em Yoshitomo Nara, pelos olhos e pelo formato dos rostos. Pouco antes disso, as pinturas de Yuka Yamaguchi me pareceram ser uma versão mais simples e não tão corajosa das crianças violentadas de Trevor Brown.
A maioria destes tem um conteúdo específico em comum: eles tomam a geralmente inofensivo universo das crianças e o misturam com violência excessiva e abuso sexual para gerar aquela perversa sensação de choque que tanto instiga pessoas como eu. Parece ser a última moda em assuntos para pintura.
Claro que a percepção desse padrão pode ter algo a ver com o objetivo do blog de criticar o meigo e fofinho. Mas o próprio fato de que eu já vi os pintores lembrados pelo blog antes me fez pensar a respeito.
Outra coisa a mencionar: embora eu tenha mencionado alguns artistas asiáticos ao longo do post, não tenho certeza se este padrão se aplica de fato à pintura em âmbito mundial. Sinto como se só acontecesse na Europa (e consequentemente na América, seguindo a onda de choque...). Os asiáticos, me parece, têm uma evolução diferente da sua simbologia, duas noções de estética e composição. Os poucos que mencionei (e este post não seria completo sem falar também da toy art deJunko Mizuno),
parecem estar atuando na Europa, sendo influenciados (e influenciando) o padrão.
terça-feira, outubro 16, 2007
Utopia
Procurando apartamentos para alugar, ocorre-me uma série de pequenas fantasias sobre coisas que gostaria de fazer na casa nova. São aqueles pensamentos utópicos relacionados à qualidade de vida que ainda tenho esperança de poder coordenar, mas que no fundo sei que provavelmente jamais colocarei em prática. Pela falta de tempo, de paciência, de dinheiro. Porque estarei ocupado demais cuidando da vida para vivê-la.
• Pesquisar sobre reciclagem e separar tudo adequadamente em casa, para levar ao centro de reciclagem uma vez ao mês.
• Pegar as manhãs de sábado ou domingo para uma rápida faxina que vai me economizar a contratação da empregada.
• Cozinhar coisas interessantes e saudáveis como eu fazia na Europa, para comer durante a semana e evitar os quilos perto do trabalho.
• Fazer quantidades industriais de chá gelado e sucos pra complementar.
• Me acostumar a usar água e energia de uma forma mais racional.
• Ir trabalhar de ônibus, metrô ou bicicleta e só sair com o carro nos finais de semana.
• Aliás, a bicicleta é uma ótima opção: não poluo, não gasto e ainda cuido do condicionamento físico...
• Separar algum tempo do dia para ler direito o jornal.
• Adotar uma gata.
• Pesquisar sobre reciclagem e separar tudo adequadamente em casa, para levar ao centro de reciclagem uma vez ao mês.
• Pegar as manhãs de sábado ou domingo para uma rápida faxina que vai me economizar a contratação da empregada.
• Cozinhar coisas interessantes e saudáveis como eu fazia na Europa, para comer durante a semana e evitar os quilos perto do trabalho.
• Fazer quantidades industriais de chá gelado e sucos pra complementar.
• Me acostumar a usar água e energia de uma forma mais racional.
• Ir trabalhar de ônibus, metrô ou bicicleta e só sair com o carro nos finais de semana.
• Aliás, a bicicleta é uma ótima opção: não poluo, não gasto e ainda cuido do condicionamento físico...
• Separar algum tempo do dia para ler direito o jornal.
• Adotar uma gata.
terça-feira, outubro 09, 2007
Perdi alguns minutos do dia corrido para observar a pintura. Quando comecei a gostar de pintura mesmo, meu favorito era Renoir. Na verdade, eu não me interessava nem um pouco pelo vanguardismo impressionaista do mestre, mas sim pelo modo como ele pintava pessoas. Os tons das peles e a suavidade virginal com a qual ilustrava garotas. Mas me incomodavam bastante os seus maneirismos, os olhos grandes demais, as bocas sempre muito parecidas. Só fui descobrir Bouguereau na Itália. E então, eu já não tinha predileções por pintores específicos, mas sim por imagens em si. Dorothea Tanning pintou inúmeros quadros, mas só me interessei verdadeiramente por seu Ein Klein Nachtmusik. Mas voltando a Bouguereau, ele substituiu Renoir entre meus favoritos. Embora não fizesse diferença na história da arte (e atualmente isso não define para mim um bom ou mau artista...), pintava seres humanos de uma pureza encantadora. E melhor, dava-lhes rostos que pareciam mais verdadeiros, mais proporcionados. As duas irmãs do quadro pareciam mais reais do que as irmãs D'Anvers que Renoir costumava pintar. E embora andassem por aí descalças e em roupas pouco refinadas, pareciam puras, assépticas, de uma limpeza antibiótica.
Quiçá a pintura mais famosa de Bouguereau tenha sido a do cupido beijando a fada justamente por isso: são avatares de uma pureza sobrenatural.
Lasciate ogni speranza o voi che entrate
Há quem acredite piamente que o inferno astral acontece todo ano, um mês antes da data do nosso aniversário.
[blogterapia mode ON]
Pois bem, vamos ao desabafo.
Pra início de conversa, o que eu achava que seria uma estabilidade financeira decente quando eu começasse a trabalhar na nova agência está voando pela janela. Claro, o salário vem e é muito bom, mas os gastos com os quais eu repentinamente tive que arcar estão corroendo a economia. Eu queria listar aqui todo o rosário de contas a pagar, especialmente em relação ao meu carro (potencializado pelas escolhas nada sensatas de mamãe...). Mas poupo-os do martírio.
E por falar em trabalho, escrevo após a meia-noite, porque já faz uma semana que não chego em casa antes das 11. O último sábado, gastei-o na agência também, fazendo um trabalho que no fim foi completa e totalmente sucateado e não serviu pra nada... Divertido, né?
O fato é que não tenho dormido muito. Aliás, quase nada. O pouco tempo que tenho em casa (e que eu deveria gastar dormindo) é gasto com zilhões de miudezas diárias: aquele vídeo do último show da banda que os rapazes estão me enchendo pra colocar na net, a ilustração para a amiga que hospeda meu site quase gratuitamente, a casa que meu irmão achou para dividirmos e que eu tenho que ver.
Aliás, esse é outro assunto. Começo a perceber que a forte tendência dele ao estilo de vida mundrungo pode ser uma divergência irreconciliável. A casa que vi era um sonho pra ele, mas teria me deprimido nos primeiros meses. Não sei explicar, é o estilo: a tinta descascando das paredes, aqueles ladrilhos com padrões florais de três décadas atrás, os restos de material de construção que provavelmente estão encostados lá há ainda mais tempo do que isso, a dona do lugar com dentes amarelados pelos anos de fumo e o cabelo desgrenhado insinuando insanidade. Eu não pretendo morar em um lugar luxuoso. Mas este, simplesmente não bateu. E desconfio que nenhum dos que ele escolher vai bater. No entanto, eu realmente não tenho tempo de procurar.
Restam-me três opções: acabar em alguma república mundrunga mesmo, ir morar com o Lala's (o que seria terrivelmente fora de mão, mas a compania seria ótima e o lugar bem mais arrumado), ou procurar um lugar como o do Iraê e arcar com os custos sozinho.
A lista deste desabafo continuaria por mais diversos parágrafos. Mas novamente vejo que já é uma hora da manhã e eu preciso ir dormir para aguentar amanhã.
[/blogterapia mode ON]
Kill me.
[blogterapia mode ON]
Pois bem, vamos ao desabafo.
Pra início de conversa, o que eu achava que seria uma estabilidade financeira decente quando eu começasse a trabalhar na nova agência está voando pela janela. Claro, o salário vem e é muito bom, mas os gastos com os quais eu repentinamente tive que arcar estão corroendo a economia. Eu queria listar aqui todo o rosário de contas a pagar, especialmente em relação ao meu carro (potencializado pelas escolhas nada sensatas de mamãe...). Mas poupo-os do martírio.
E por falar em trabalho, escrevo após a meia-noite, porque já faz uma semana que não chego em casa antes das 11. O último sábado, gastei-o na agência também, fazendo um trabalho que no fim foi completa e totalmente sucateado e não serviu pra nada... Divertido, né?
O fato é que não tenho dormido muito. Aliás, quase nada. O pouco tempo que tenho em casa (e que eu deveria gastar dormindo) é gasto com zilhões de miudezas diárias: aquele vídeo do último show da banda que os rapazes estão me enchendo pra colocar na net, a ilustração para a amiga que hospeda meu site quase gratuitamente, a casa que meu irmão achou para dividirmos e que eu tenho que ver.
Aliás, esse é outro assunto. Começo a perceber que a forte tendência dele ao estilo de vida mundrungo pode ser uma divergência irreconciliável. A casa que vi era um sonho pra ele, mas teria me deprimido nos primeiros meses. Não sei explicar, é o estilo: a tinta descascando das paredes, aqueles ladrilhos com padrões florais de três décadas atrás, os restos de material de construção que provavelmente estão encostados lá há ainda mais tempo do que isso, a dona do lugar com dentes amarelados pelos anos de fumo e o cabelo desgrenhado insinuando insanidade. Eu não pretendo morar em um lugar luxuoso. Mas este, simplesmente não bateu. E desconfio que nenhum dos que ele escolher vai bater. No entanto, eu realmente não tenho tempo de procurar.
Restam-me três opções: acabar em alguma república mundrunga mesmo, ir morar com o Lala's (o que seria terrivelmente fora de mão, mas a compania seria ótima e o lugar bem mais arrumado), ou procurar um lugar como o do Iraê e arcar com os custos sozinho.
A lista deste desabafo continuaria por mais diversos parágrafos. Mas novamente vejo que já é uma hora da manhã e eu preciso ir dormir para aguentar amanhã.
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