Resolvi dar um tempo. Em quase tudo.
Quando saí de viagem, houve por um tempo um efeito muito liberante de não ter obrigações. Eu não digo obrigações como faculdade e essas coisas importantes, mas aquele mar de pequenas coisinhas que sufocam a vida. Aquele freela que talvez resulte num emprego legal (e eu sei que não vai dar em nada...), aquela exposição que talvez resulte em contatos com galeristas (e eu sei que não tenho foco suficiente na carreira de arte pra cultivar um contato desses...), aqueles trezentos favorzinhos de ilustração pra amigos, parentes e etc, o layout novo do blog que eu queria ter pronto no meu aniversário, essass coisas. São pequenices, besteirinhas, detalhes que acabam afogando a vida numa eternidade de coisas inacabadas - e inacabáveis. É tanta coisa, que eu acabo perdendo de vista o que realmente importa, o que realmente me leva a algum lugar. Perco de vista a tranquilidade e a saúde mental que eu tinha durante a viagem, quando não me obrigava a fazer estas coisinhas. Perco de vista minha monografia da faculdade, que é a única coisa que falta para terminar o curso e que até hoje não comecei decentemente. Perco de vista o foco no trabalho. Perco de vista o sonho de voltar e morar em Londres.
Pois agora chega.
No domingo, liguei para as recentes possibilidades de trabalho freelancer e disse que não estava aceitando por enquanto. Terminei o a pintura na parede do quarto da minha mãe, que lhe devia desde seu aniversário em Setembro. Ainda estou debatendo se desisto também da exposição na Casa da Xiclet em Dezembro. Porque ainda não terminei as coisas que quero colocar lá. Estou amputando estas possibilidades com a certeza e o abandono de quem se deu conta de sua esterilidade. Estou podando os ramos da vida, nesse ato de cortar um galho para que outros possam nascer.
Ficam algumas coisas das quais não consigo me livrar. Este blog e o fotolog. As Alices, que ainda não atualizei o suficiente para sincronizar a história dela com a minha. A monografia, que de hoje em diante passa a ser o mais importante.
No Orkut, o primeiro scrap da minha lista é da Marcela Tiboni, minha colega do curso de artes. Ela diz para todos que entrarem lá me darem uma bronca porque eu resolvi deixar de ser artista. Não estou deixando de ser artista: estou apenas reconheccendo que alguns esforços deixam de ser esforços e passam a serem chamados de estupidez. E chega de nonsense na minha vida: vamos levar adiante o que importa.
Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.
segunda-feira, outubro 30, 2006
sexta-feira, outubro 27, 2006
Correção de rota
Eu sei que estou aos 45 minutos da prorrogação, mas não custa nada.
Murphy atacou no nosso Encontro de Blogueiros e o Lala's deu de cara com o Goró falido, de portas fechadas. Eis então que estamos mudando a farra desta noite para o
Piratininga Bar
Rua Wizard 149, Vila Madalena
Espero que vocês leitores de última hora e (doce ilusão...) stalkers meus possam perdoar esta falha de organização e leiam isto a tempo. Se não, prometo que a quarta-feira rola de forma mais organizada...
Murphy atacou no nosso Encontro de Blogueiros e o Lala's deu de cara com o Goró falido, de portas fechadas. Eis então que estamos mudando a farra desta noite para o
Piratininga Bar
Rua Wizard 149, Vila Madalena
Espero que vocês leitores de última hora e (doce ilusão...) stalkers meus possam perdoar esta falha de organização e leiam isto a tempo. Se não, prometo que a quarta-feira rola de forma mais organizada...
quinta-feira, outubro 26, 2006
Encontro de Blogueiros
Aos meus amigos, leitores ou eventuais stalkers:
O Lala`s está organizando mais um Encontro de Blogueiros. Na verdade, não passa de uma ida ao boteco, com a diferença de que o assunto normalmente gira em torno de blogs e temos a posssibilidade de conhecer pessoalmente algumas micro-celebridades literárias que lemos há algum tempo, ou no caso dos escritores, alguns daqueles belos seres que tanto os inspiram. Anyway, qualquer interessado no assunto, mesmo sem possuir um blog, pode aparecer. The more, the merrier.
De acordo com o e-mail do Lala's, o plano é o seguinte:
Bar na 6a feira (27/10): a partir das 20h até o último cliente
Bar na 4a feira (1/11) a partir das 22h até o último cliente (lembrando que dia seguinte tem feriado)
O local será um só:
Bar: Goró
Endereço: Rua dos Pinheiros, 877 - Pinheiros
Telefone: (11) 3088-9009
Site: http://www.goro.com.br
Quem topa?
O Lala`s está organizando mais um Encontro de Blogueiros. Na verdade, não passa de uma ida ao boteco, com a diferença de que o assunto normalmente gira em torno de blogs e temos a posssibilidade de conhecer pessoalmente algumas micro-celebridades literárias que lemos há algum tempo, ou no caso dos escritores, alguns daqueles belos seres que tanto os inspiram. Anyway, qualquer interessado no assunto, mesmo sem possuir um blog, pode aparecer. The more, the merrier.
De acordo com o e-mail do Lala's, o plano é o seguinte:
Bar na 6a feira (27/10): a partir das 20h até o último cliente
Bar na 4a feira (1/11) a partir das 22h até o último cliente (lembrando que dia seguinte tem feriado)
O local será um só:
Bar: Goró
Endereço: Rua dos Pinheiros, 877 - Pinheiros
Telefone: (11) 3088-9009
Site: http://www.goro.com.br
Quem topa?
segunda-feira, outubro 23, 2006
Devaneios antes de dormir
• ... mas suponho que, acima de tudo, eu queira hoje alguém que não tenha medo de se expôr e de me expôr. Loira, ruiva ou morena, alta ou baixa, nada disso me importa (muito). Faria concessões se encontrasse aquele raro espécime humano que soubesse me cativar não só pela bela forma, pelo modo de estar eternamente posando, mas também pelo olhar, aquele raro conhecimento do melhor ângulo de câmera, da composição bem-humorada, de que esconder às vezes é mais válido do que mostrar. Ou seja, uma rara amálgama de artista e musa.
• As bocas que tenho beijado nas poucas e curtas aventuras lascivas desde que voltei têm uma aspereza que me desanima. Não me incomoda, apenas desanima. Boca de garota deveria ter aquela maciez da Genka. Será que é raro encontrar bocas assim aqui no Brasil? Ou seria uma raridade mundial?
Não lembro mais das texturas de outras bocas que beijei antes dela.
• Uma vez me senti realmente nu com alguém. Não essa nudez de tirar a roupa. Essa só resulta no tédio de uma das duas situações: ou corar diante do outro, ou ter a outra possível reação masculina. Foi a nudez pessoal deestar na presença de alguém que sabia de tudo. Tem uma parte da minha identidade, uma pele vulnerável e feia, que fica escondida debaixo de camadas sufocantes. Com ela, eu podia estar nu e sentir aquela plenitude naturista. Eu podia ser, efetivamente, eu mesmo. Quando é que isso vai acontecer de novo?
• As bocas que tenho beijado nas poucas e curtas aventuras lascivas desde que voltei têm uma aspereza que me desanima. Não me incomoda, apenas desanima. Boca de garota deveria ter aquela maciez da Genka. Será que é raro encontrar bocas assim aqui no Brasil? Ou seria uma raridade mundial?
Não lembro mais das texturas de outras bocas que beijei antes dela.
• Uma vez me senti realmente nu com alguém. Não essa nudez de tirar a roupa. Essa só resulta no tédio de uma das duas situações: ou corar diante do outro, ou ter a outra possível reação masculina. Foi a nudez pessoal deestar na presença de alguém que sabia de tudo. Tem uma parte da minha identidade, uma pele vulnerável e feia, que fica escondida debaixo de camadas sufocantes. Com ela, eu podia estar nu e sentir aquela plenitude naturista. Eu podia ser, efetivamente, eu mesmo. Quando é que isso vai acontecer de novo?
domingo, outubro 22, 2006
terça-feira, outubro 17, 2006
Amidalite
Chegando em casa do feriado: "Mãe, estou com amidalite". Sim, eu tinha certeza. Depois de mais ou menos uns trinta casos da infecção quando eu era criança, aprendi a reconhecer. Eu não tinha isso desde os 13 anos. Naquela época, a somatização dessa doença era a forma do meu corpo protestar contra as minhas vontades. O caso mais clássico era a viagem para o nordeste, que minha família fazia todos fim de ano para ver os parentes: eu adorava o nordeste e não via a hora de chegar, mas meu corpo não queria arcar com os desconfortos da viagem e de ser tirado de seu nicho. E tome infecção. Meus pais, embora ambos médicos, resistiam à idéia de operar minhas amídalas. Sabiam que, sendo de cunho psicossomático, a doença se manifestaria de outro modo depois de extirparem meus órgãos. Mamãe me tascava logo um Benzetacil na bunda. Eita injeção dolorida: suponho que fosse seu modo de se assegurar que eu não estava fingindo uma doença pra escapar de responsabilidade. Eu preferia encarar a prova de matemática a um Benzetacil... Meu pai às vezes se compadecia e me dava antibiótico por via oral: sete dias de pílulas e uma recuperação lenta, mas indolor.
Daí veio a volta ao Brasil e a adolescência. Não sei o que aconteceu. Talvez o corpo tivesse cansado de lidar com os desconfortos da doença (e as dores nas nádegas do Benzetacil de mamãe...). Talvez percebesse que havia nessa idade tantas ocorrências de discordância entre corpo e mente, que ele precisava de um protesto mais pontual e rápido do que a amidalite. Só sei que, do dia pra noite, a infecção deixou de fazer parte da minha vida, sendo substituída pela crise de ansiedade: o mal-estar, os sentimentos de inadequação, as viradas repentinas de situações tranquilas para infernos de nervos. Era um protesto muito mais eficaz e pontual.
Ainda é cedo para dizer se a minha atual capacidade de controlar a ansiedade está trazendo de volta a amidalite. Passou pela minha cabeça, mas estou ignorando essa lógica hipocondríaca. Uma andorinha não faz verão...
Daí veio a volta ao Brasil e a adolescência. Não sei o que aconteceu. Talvez o corpo tivesse cansado de lidar com os desconfortos da doença (e as dores nas nádegas do Benzetacil de mamãe...). Talvez percebesse que havia nessa idade tantas ocorrências de discordância entre corpo e mente, que ele precisava de um protesto mais pontual e rápido do que a amidalite. Só sei que, do dia pra noite, a infecção deixou de fazer parte da minha vida, sendo substituída pela crise de ansiedade: o mal-estar, os sentimentos de inadequação, as viradas repentinas de situações tranquilas para infernos de nervos. Era um protesto muito mais eficaz e pontual.
Ainda é cedo para dizer se a minha atual capacidade de controlar a ansiedade está trazendo de volta a amidalite. Passou pela minha cabeça, mas estou ignorando essa lógica hipocondríaca. Uma andorinha não faz verão...
Highlights do feriado
• Os postes de iluminação solitários na subida da serra a altas horas da madrugada, como bolhas de claridade no meio da densa massa de escuridão.
• E quem disse que algum dos passageiros do carro sabia chegar em Ilha Bela?
• O primeiro vestígio de uma crise de ansiedade depois de oito meses de calmaria. Mas neste caso os motivos eram claros e controlar a situação foi fácil.
• Na noite de sexta-feira 13, a brilhante idéia de ir a uma praia deserta contar histórias de terror. Me senti Mary Shelley, contando uma que roubou a cena, deixando um frio na espinha e uma tensa possibilidade no ar. Preciso de mais amigos com essas idéias que aguçam a minha criatividade...
• Na mesma noite, eu mergulhei no mar da mesma densidade negra que a estrada da serra, pra pescar de lá uma sereia bêbada que estava deixando todo mundo meio preocupado. Preciso de menos gente com essa total falta de bom senso...
• Discussões com gente teimosa. Serviu pra descarregar um pouco de raiva e ser cruel, coisa que eu sempre adoro fazer quando a intenção é justificada. Mas se alguém disser que eu gostei, eu nego. Porque realmente, detesto gente com essa atitude de "quero do meu jeito e foda-se o mundo".
• Sauna. `Nuff said.
• Por lá, conheci Mel, de Jundiaí. Conversa curta, mas que conseguiu adoçar a tarde agridoce.
• A cara e escatomimética culinária local, que gerou um jantar de risadas incontroláveis.
• Festa à fantasia onde o único disponível era maquiagem. Criativo, embora meio bizarro.
• Muita dança, o tempo inteiro. Delícia!
• A cena uma vez rara e que agora torna-se quase banal, de tão constante: eu assumindo a cozinha. Ainda não tenho auto-estima nesse departamento pra acreditar que os elogios são verdadeiros e não apenas educados. Mas vez por outra, alguém me pede uma receita, e isso pra mim serve de uma quase-prova.
•A turma: um rapaz que escapou da morte, pra encontrar o sentido e muito humor na vida; a namorada que dançava pouco, mas na hora do funk...; o insone cheio de manias, que existia da forma como eu me sentia; e a garota teimosa, que oscilava entre o meu interesse e o meu desprezo.
• Na volta, não aguentei e explodi de raiva com a fumante que não se continha e que precisava que tudo fosse do jeito dela (onde foi que eu já vi teimosia semelhante?). O que me incomoda dos fumantes não é o cheiro do cigarro ou a bagunça das cinzas, mas a desnecessária escravidão química pela droga.
• E quem disse que algum dos passageiros do carro sabia chegar em Ilha Bela?
• O primeiro vestígio de uma crise de ansiedade depois de oito meses de calmaria. Mas neste caso os motivos eram claros e controlar a situação foi fácil.
• Na noite de sexta-feira 13, a brilhante idéia de ir a uma praia deserta contar histórias de terror. Me senti Mary Shelley, contando uma que roubou a cena, deixando um frio na espinha e uma tensa possibilidade no ar. Preciso de mais amigos com essas idéias que aguçam a minha criatividade...
• Na mesma noite, eu mergulhei no mar da mesma densidade negra que a estrada da serra, pra pescar de lá uma sereia bêbada que estava deixando todo mundo meio preocupado. Preciso de menos gente com essa total falta de bom senso...
• Discussões com gente teimosa. Serviu pra descarregar um pouco de raiva e ser cruel, coisa que eu sempre adoro fazer quando a intenção é justificada. Mas se alguém disser que eu gostei, eu nego. Porque realmente, detesto gente com essa atitude de "quero do meu jeito e foda-se o mundo".
• Sauna. `Nuff said.
• Por lá, conheci Mel, de Jundiaí. Conversa curta, mas que conseguiu adoçar a tarde agridoce.
• A cara e escatomimética culinária local, que gerou um jantar de risadas incontroláveis.
• Festa à fantasia onde o único disponível era maquiagem. Criativo, embora meio bizarro.
• Muita dança, o tempo inteiro. Delícia!
• A cena uma vez rara e que agora torna-se quase banal, de tão constante: eu assumindo a cozinha. Ainda não tenho auto-estima nesse departamento pra acreditar que os elogios são verdadeiros e não apenas educados. Mas vez por outra, alguém me pede uma receita, e isso pra mim serve de uma quase-prova.
•A turma: um rapaz que escapou da morte, pra encontrar o sentido e muito humor na vida; a namorada que dançava pouco, mas na hora do funk...; o insone cheio de manias, que existia da forma como eu me sentia; e a garota teimosa, que oscilava entre o meu interesse e o meu desprezo.
• Na volta, não aguentei e explodi de raiva com a fumante que não se continha e que precisava que tudo fosse do jeito dela (onde foi que eu já vi teimosia semelhante?). O que me incomoda dos fumantes não é o cheiro do cigarro ou a bagunça das cinzas, mas a desnecessária escravidão química pela droga.
terça-feira, outubro 10, 2006
Alice 22 & 23


"Dentro do Farol da Vitória, na Cidade de Origem, Alice encontrou o Amuleto"
P.S.:Preciso dar uma apressada nisso aqui. Ontem me dei conta de que já fazem cincomeses que saí da Itália e Alice ainda está na Cidade de Origem... Preciso apressar as coisas. Pelo menos os meses em Londres serão simples de representar.
sexta-feira, outubro 06, 2006
Loo
Foi uma semana ótima, passada ao lado de Luciana, minha colega de trabalho. Nos entendemos bem como equipe, cada um ajudando o outro nos pontos fracos (ela pede ajuda para lidar com o Macintosh, eu peço ajuda com questões de layout e minha lentidão...). Surgem, ao longo do dia, comentários cômicos dos mais diversos. O tema recorrente por enquanto parece ser a rádio que a faxineira deixa ligada, e que desenterra músicas brasileiras breguíssimas dos anos 80, além do eventual Lionel Richie. Temos um tipo similar de sarcasmo, sensação que me traz de volta a memória de Lee e dos seis meses que tivemos. Mas este caso atual é muito diferente: não existe qualquer traço mínimo de tensão sexual entre nós. Ela tem os mesmo gestos, o mesmo jeito de falar e o mesmo sarcasmo de Lee, mas falta algo. Faltam muitas coisas importantes. Falta completamente a magia. Por outro lado, tenho gostado muito desse relacionamento assexuado. Quiçá, na fase atual de tentar me concentrar no trabalho e afogar minha libido em apatia até o surgimento de pretês relevantes, seja exatamente disso que eu estou precisando.
Hoje, no fim do dia e de minha primeira semana em compania dela, tive um daqueles insights cômicos. Pensando por um momento nesses inúmeros detalhes semelhantes na composição de ambas as personagens, rabisquei no canto de um papelzinho no qual estava fazendo rascunhos:
Lee
Luciana
Lu
Loo
Apesar de que a palavra, em certas versões de inglês, é também um sinônimo de banheiro...
Hoje, no fim do dia e de minha primeira semana em compania dela, tive um daqueles insights cômicos. Pensando por um momento nesses inúmeros detalhes semelhantes na composição de ambas as personagens, rabisquei no canto de um papelzinho no qual estava fazendo rascunhos:
Lee
Luciana
Lu
Loo
Apesar de que a palavra, em certas versões de inglês, é também um sinônimo de banheiro...
Duas novidades do meu perfil de Orkut
• Separei uma das fotos do meu album para sempre colocar a Alice mais recente.
• Por enquanto, uma outra foto será sempre dedicada ao espaço da parede do meu quarto, cujos quadros pendurados mudam de tempos em tempos. Nessa semana, o primeiro de uma série que nunca teve nome e que permanece um pequeno mistério até pra mim. Mais adiante, pretendo colocar ainda outras duas fotos de detalhes das coisas expostas no espaço. Percebam ainda, na foto dessa semana, a linha cronológica com os movimentos e principais artistas do século XX que eu estou fazendo no espaço acima das obras expostas.
• Por enquanto, uma outra foto será sempre dedicada ao espaço da parede do meu quarto, cujos quadros pendurados mudam de tempos em tempos. Nessa semana, o primeiro de uma série que nunca teve nome e que permanece um pequeno mistério até pra mim. Mais adiante, pretendo colocar ainda outras duas fotos de detalhes das coisas expostas no espaço. Percebam ainda, na foto dessa semana, a linha cronológica com os movimentos e principais artistas do século XX que eu estou fazendo no espaço acima das obras expostas.
Forever Alien
I used to listen to Bush`s Alien and get a flash of image in my head. It was an image of me lying in a bed in my family`s house in Guarujá. I had this girl sleeping by my side. The reason I used to get this image in my head as Gavin Rosdale whispered his lyrics was too subjective to understand. It had to do with some ressonance between the feeling in that music and the image of that house`s ceiling. It was the feeling I`d get if I was lying in that bed, with that random girl who`s face I could never see, staring at the ceiling of the room as the music played vividly in my head.
Nowadays, as Alien starts gently on my MP3 player, I get this residual memory of a feeling. I`m also lying in bed, staring at the ceiling with a girl sleeping at my side. But the bed is in that tiny room in Mrs. Sparrow`s house in Acton Town, London. The ceiling has no resemblance to the one in Guarujá, but I get the same feeling of ressonance from the composition of the scene. I can feel Genka`s limp weight over my body as she sleeps deeply and I feel rather than hear the cars in Gunnersbury avenue. The echo of Gavin`s voice in the music feels to me as if it were travelling of the roof of the cars,going over the horizon; or flying over the typical british rooftops.
I now have little or no time for these poetic memories. I`ve started working in a small agency, smaller than the previous one. The good thing is they`re putting more responsabilities in my hands, allowing me to make more mistakes and learn a lot more. It feels good. But I`ve established a few rules and boundaries for myself. Contrary to what I did in the other company, as soon as I step through the doors, I leave all my personal life and thoughts, even these fond little mementos, outside. I fight the urge to surf the web, I hide the fact that I even have a blog from anyone inside the company. I must appear as if I had no personal life. Total loyalty to my job.
I can`t say I learned much in the previous company. I indulged in all my little personal vices and payed no attention yp the company`s affairs. I feel like I`m
lagging behind in comparison to all my other university collegues. Time to catch up.
There will be plenty of time for poetry later.
Nowadays, as Alien starts gently on my MP3 player, I get this residual memory of a feeling. I`m also lying in bed, staring at the ceiling with a girl sleeping at my side. But the bed is in that tiny room in Mrs. Sparrow`s house in Acton Town, London. The ceiling has no resemblance to the one in Guarujá, but I get the same feeling of ressonance from the composition of the scene. I can feel Genka`s limp weight over my body as she sleeps deeply and I feel rather than hear the cars in Gunnersbury avenue. The echo of Gavin`s voice in the music feels to me as if it were travelling of the roof of the cars,going over the horizon; or flying over the typical british rooftops.
I now have little or no time for these poetic memories. I`ve started working in a small agency, smaller than the previous one. The good thing is they`re putting more responsabilities in my hands, allowing me to make more mistakes and learn a lot more. It feels good. But I`ve established a few rules and boundaries for myself. Contrary to what I did in the other company, as soon as I step through the doors, I leave all my personal life and thoughts, even these fond little mementos, outside. I fight the urge to surf the web, I hide the fact that I even have a blog from anyone inside the company. I must appear as if I had no personal life. Total loyalty to my job.
I can`t say I learned much in the previous company. I indulged in all my little personal vices and payed no attention yp the company`s affairs. I feel like I`m
lagging behind in comparison to all my other university collegues. Time to catch up.
There will be plenty of time for poetry later.
terça-feira, outubro 03, 2006
Um pouco de política.
O Maluf foi o deputado mais votado de São Paulo. Isso o salva, até o fim de seu mandato, da punição da justiça por todos os crimes contra o patrimônio público que ele cometeu. Eu, na minha ingenuidade, ainda não entendi por que qualquer um ainda votaria nele, quanto menos como ele pode conseguir o maior número de votos.
O terceiro lugar vai para o Clodovil, que por si só já é uma piada. Mas com o nosso sistema político, um fato desse já não é novidade. Foi-se o tempo em que até macaco de zoológico era candidato e ainda recebia votos. Suponho que metade dos votos foram da galera que já perdeu a esperança na política e tá tirando sarro mesmo. A outra metade foi das donas de casa e empregadas paulistas que assistiam às suas frivolidades na TV.
Falar dos deputados envolvidos no mensalão e derivados seria batido demais.
Em algum lugar da lista, encontrei o Eneas. Eu podia falar dele como um desses candidatos-piada. Mas o Clodovil já é o suficiente pra ilustrar o assunto.
Por último, nosso presidente pseudo-esquerdista quase levou a eleição no primeiro turno, recebendo votos de uma avassaladora maioria do povo mais humilde, que acreditou, como eu confesso que acreditava no começo, nas estatísticas e números da economia, enxergando um suposto crescimento e melhora da situação do país. Há chances de que ele ganhe no segundo turno pelo mesmo motivo.
Depois do Bush (o presidente, não o meu chefe...) sendo reeleito nos Estados Unidos, essas eleições brasileiras estão me convencendo pouco a pouco que a democracia, na era da comunicação de massa, perde completamente a eficiência, favorecendo o candidato que conseguir fixar sua imagem na cabeça dos eleitores mais desinformados. Por bem, ou por mal.
O terceiro lugar vai para o Clodovil, que por si só já é uma piada. Mas com o nosso sistema político, um fato desse já não é novidade. Foi-se o tempo em que até macaco de zoológico era candidato e ainda recebia votos. Suponho que metade dos votos foram da galera que já perdeu a esperança na política e tá tirando sarro mesmo. A outra metade foi das donas de casa e empregadas paulistas que assistiam às suas frivolidades na TV.
Falar dos deputados envolvidos no mensalão e derivados seria batido demais.
Em algum lugar da lista, encontrei o Eneas. Eu podia falar dele como um desses candidatos-piada. Mas o Clodovil já é o suficiente pra ilustrar o assunto.
Por último, nosso presidente pseudo-esquerdista quase levou a eleição no primeiro turno, recebendo votos de uma avassaladora maioria do povo mais humilde, que acreditou, como eu confesso que acreditava no começo, nas estatísticas e números da economia, enxergando um suposto crescimento e melhora da situação do país. Há chances de que ele ganhe no segundo turno pelo mesmo motivo.
Depois do Bush (o presidente, não o meu chefe...) sendo reeleito nos Estados Unidos, essas eleições brasileiras estão me convencendo pouco a pouco que a democracia, na era da comunicação de massa, perde completamente a eficiência, favorecendo o candidato que conseguir fixar sua imagem na cabeça dos eleitores mais desinformados. Por bem, ou por mal.
E as comparações não param...
Hoje me dei conta.
A garota do atendimento é o claro estereótipo. Ela é loira, muito boazinha mas ambiciosa, meio mandona. Anda de salto-alto, que no chão de madeira da agência, permite que eu a perceba chegando. Vem de Recife, porque todas elas tem algum sotaque. Ela lembra muito a loira com sotaque que atendia na outra agência anterior.
Meu chefe também lembra alguém. Ele tem os trejeitos, a voz e o tipo físico do principal diretor de arte da agência anterior. Até a mesma pele. Falta só o cavanhaque, mas em matéria de rosto, a coisa é outra. No meu primeiro dia, conversando com a outra iniciante, chegamos à conclusão: ele parece o Bush. São os olhos e alguma coisa na boca. Estou trabalhando para o Mr. President...
Falando de pele, achei que a outra iniciante me lembrava alguém também. Mas no primeiro dia, não entendi quem era ou por que. Foi no segundo dia que compreendi: a qualidade da pele, o jeito do corpo, até mesmo muita coisa do jeito de falar, embora sem a mesma imponência... ela lembra a Lee. O rosto não tem nada a ver e lhe falta um pouco da força da personagem. É como Lee sendo interpretada por uma atriz ruim.
A garota do atendimento é o claro estereótipo. Ela é loira, muito boazinha mas ambiciosa, meio mandona. Anda de salto-alto, que no chão de madeira da agência, permite que eu a perceba chegando. Vem de Recife, porque todas elas tem algum sotaque. Ela lembra muito a loira com sotaque que atendia na outra agência anterior.
Meu chefe também lembra alguém. Ele tem os trejeitos, a voz e o tipo físico do principal diretor de arte da agência anterior. Até a mesma pele. Falta só o cavanhaque, mas em matéria de rosto, a coisa é outra. No meu primeiro dia, conversando com a outra iniciante, chegamos à conclusão: ele parece o Bush. São os olhos e alguma coisa na boca. Estou trabalhando para o Mr. President...
Falando de pele, achei que a outra iniciante me lembrava alguém também. Mas no primeiro dia, não entendi quem era ou por que. Foi no segundo dia que compreendi: a qualidade da pele, o jeito do corpo, até mesmo muita coisa do jeito de falar, embora sem a mesma imponência... ela lembra a Lee. O rosto não tem nada a ver e lhe falta um pouco da força da personagem. É como Lee sendo interpretada por uma atriz ruim.
domingo, outubro 01, 2006
Dream
Recentemente, sonhei com um mundo em cores mais escuras, contrastes mais fortes. Na verdade, meus sonhos já são assim há algum tempo, com essa direção de arte meio dark, pseudo-gótica do jeito que eu gosto.
Mas não vem ao caso. No sonho, eu saia de casa para ir com amigos para um parque aquático. Quando entrei no lugar, passando pela catraca e sendo obrigado a pagar os preços exorbitantes desses lugares, meu celular tocou: era Bia. Na verdade, não me lembro da cena anterior, de estar em casa. Mas sei que ela aconteceu e que essa não era daquelas memórias de sonho que simplesmente estão lá, sem acontecer. No entanto, lembro que ela estivera em casa. Viera me visitar e eu tinha saído assim, esquecendo-a em casa. A situação tinha gosto das besteiras que eu fazia quando namorávamos. Mas a cereja do bolo foi quando ela exigiu que eu saísse do lugar (pagando o preço exorbitante, aliás...) pra ir busá-la porque ela se recusava a tomar o ônibus pra vir até lá. Depois de acordar, eu me lembraria de uma ou outra situação onde a composição dos fatos era similar.
Tomado pela ansiedade e raiva da situação, eu fiz o que era mais sensato no sonho: eu acordei. Puxei o cobertor para me cobrir melhor e voltei a submergir no inconsciente por mais duas horas.
Nesse tempo, sonhei que estava em um lugar que eu chamava de casa, e que estruturalmente era uma das casas nas quais morei aos sete anos de idade. Nenhuma razão aparente para ser especificamente aquela. E eu estava no quarto com duas pessoas. Uma garota morena, que agora não consigo definir em que pessoa real era baseada, e uma outra, amálgama de Genka e Taís. Enquanto uma conversa sem som rolava entre os três, eu e a morena nos aproximávamos da amálgama, com claras atitudes de predadores sexuais, tomando-a a quatro braços e nos forçando sobre ela, que não parecia se incomodar. Ao contrário, instigava, puxava a ambos.
Repentinamente, viro para a porta: meus pais estão em casa. Nos recompomos e eles chamam as duas para uma daquelas conversas sérias que se têm com os pais nessa fase de descobertas sexuais. Enquanto eles fazem seus ataques para proteger a santidade do lar, dizendo às meninas que não querem esse tipo de comportamento dentro de casa, que querem que respeitemos a casa deles, eu fico calado, andando pelo quarto. Os olhares delas para mim exigem que eu as defenda, encare meus pais e exija respeito pela nossa vida sexual. Fico calado: na minha opinião, eles é que têm razão e nós é que estamos errados. Ainda assim, sinto o orgulho ferido de não entrar no combate. Sou menos homem por não poder proteger minha(s) mulher(es). Era também uma sensação recorrente e uma situação que eu tive que enfrentar (exceto pelo detalhe da poligamia...) aos dezoito anos, com a Bia e meus pais.
Não lembro como acordei. Mas lembro que ainda tinha memória do outro sonho, do parque aquático. E instantaneamente, sem sequer fazer um esforço consciente, percebi que tinha sonhado a noite inetira com a Bia, direta ou indiretamente.
O caso é que eu não estava tendo uma recaída ou ataques nostálgicos daqueles aspectos cáusticos dela. Na verdade, eventos recentes, que a censura não me permite relatar, trouxeram à mente o quanto uma pessoa com a qual tenho me relacionado ultimamente se parece com a Bia. Não com os aspectos encenados no sonho, mas com tantos outros, tantas pequenas coisas que causaram tanta briga e tanto problema entre nós.
Sorrio agora, conseguindo prever o quanto agumas pessoas protestarão quanto a este post: pela minha mania de estereotipar as pessoas em personagens, pela minha mania de falar destes detalhes íntimos (que na verdade não tem nada de perigo ou verdadeira intimidade).
Enfim... Percebi que vou ter que me afastar desta amiga. Porque nem ela faz bem pra mim, e nem eu a ela.
Mas não vem ao caso. No sonho, eu saia de casa para ir com amigos para um parque aquático. Quando entrei no lugar, passando pela catraca e sendo obrigado a pagar os preços exorbitantes desses lugares, meu celular tocou: era Bia. Na verdade, não me lembro da cena anterior, de estar em casa. Mas sei que ela aconteceu e que essa não era daquelas memórias de sonho que simplesmente estão lá, sem acontecer. No entanto, lembro que ela estivera em casa. Viera me visitar e eu tinha saído assim, esquecendo-a em casa. A situação tinha gosto das besteiras que eu fazia quando namorávamos. Mas a cereja do bolo foi quando ela exigiu que eu saísse do lugar (pagando o preço exorbitante, aliás...) pra ir busá-la porque ela se recusava a tomar o ônibus pra vir até lá. Depois de acordar, eu me lembraria de uma ou outra situação onde a composição dos fatos era similar.
Tomado pela ansiedade e raiva da situação, eu fiz o que era mais sensato no sonho: eu acordei. Puxei o cobertor para me cobrir melhor e voltei a submergir no inconsciente por mais duas horas.
Nesse tempo, sonhei que estava em um lugar que eu chamava de casa, e que estruturalmente era uma das casas nas quais morei aos sete anos de idade. Nenhuma razão aparente para ser especificamente aquela. E eu estava no quarto com duas pessoas. Uma garota morena, que agora não consigo definir em que pessoa real era baseada, e uma outra, amálgama de Genka e Taís. Enquanto uma conversa sem som rolava entre os três, eu e a morena nos aproximávamos da amálgama, com claras atitudes de predadores sexuais, tomando-a a quatro braços e nos forçando sobre ela, que não parecia se incomodar. Ao contrário, instigava, puxava a ambos.
Repentinamente, viro para a porta: meus pais estão em casa. Nos recompomos e eles chamam as duas para uma daquelas conversas sérias que se têm com os pais nessa fase de descobertas sexuais. Enquanto eles fazem seus ataques para proteger a santidade do lar, dizendo às meninas que não querem esse tipo de comportamento dentro de casa, que querem que respeitemos a casa deles, eu fico calado, andando pelo quarto. Os olhares delas para mim exigem que eu as defenda, encare meus pais e exija respeito pela nossa vida sexual. Fico calado: na minha opinião, eles é que têm razão e nós é que estamos errados. Ainda assim, sinto o orgulho ferido de não entrar no combate. Sou menos homem por não poder proteger minha(s) mulher(es). Era também uma sensação recorrente e uma situação que eu tive que enfrentar (exceto pelo detalhe da poligamia...) aos dezoito anos, com a Bia e meus pais.
Não lembro como acordei. Mas lembro que ainda tinha memória do outro sonho, do parque aquático. E instantaneamente, sem sequer fazer um esforço consciente, percebi que tinha sonhado a noite inetira com a Bia, direta ou indiretamente.
O caso é que eu não estava tendo uma recaída ou ataques nostálgicos daqueles aspectos cáusticos dela. Na verdade, eventos recentes, que a censura não me permite relatar, trouxeram à mente o quanto uma pessoa com a qual tenho me relacionado ultimamente se parece com a Bia. Não com os aspectos encenados no sonho, mas com tantos outros, tantas pequenas coisas que causaram tanta briga e tanto problema entre nós.
Sorrio agora, conseguindo prever o quanto agumas pessoas protestarão quanto a este post: pela minha mania de estereotipar as pessoas em personagens, pela minha mania de falar destes detalhes íntimos (que na verdade não tem nada de perigo ou verdadeira intimidade).
Enfim... Percebi que vou ter que me afastar desta amiga. Porque nem ela faz bem pra mim, e nem eu a ela.
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