Hoje de manhã, voltando de mais uma das aulas de inglês, fui pensando bastante sobre tempo. Tenho muito o que pensar sobre tempo.
Tenho sentido a urgência e vontade de que o tempo passe. Meu maior desejo seria já estar no pós-Londres, com o mestrado feito, podendo fazer ainda a licenciatura e começar a dar aulas no meu antigo colégio. Com o salário e as perspectivas de carreira de lá, eu sentiria que minha vida estaria novamente no lugar certo, no tempo certo, e não com esse atraso monstruoso. Imagino que deixaria de sentir pena de mim mesmo por estar fazendo bicos e sobrevivendo a duras penas, enquanto todos meus antigos colegas já têm carreiras consolidadas e salários que os permitem tocar a vida em frente. Mais do que isso, eu teria um propósito e estaria fazendo algo de construtivo no mundo. Não que as aulas de inglês não sejam algo de construtivo, mas não consigo me dedicar a elas como eu gostaria. My mind just isn't in it...
E no entanto, se esse meu desejo fosse realizado, eu perderia o ano em Londres. Com todas as delícias e agonias instigantes que ele certamente vai me trazer. Todas as pessoa interessantes a conhecer e as experiências que mudam a sua vida para sempre. Além disso, perderia a possibilidade (ainda que remota...) de conseguir um emprego na TATE Modern e trabalhar do lado do quadro da Dorothea Tanning [1]e das obras do Anish Kapoor.
Em outro assunto relacionado ao tempo, queria ter de volta esses últimos meses para poder recomeçar a série do TBC. Não é que eu esteja totalmente insatisfeito com ela, mas algo curioso aconteceu nas últimas semanas, me preparando para o quadro da Cacilda no Dama das Camélias: eu acho que finalmente me enchi de retratar pessoas desse jeito. De copiar todas as diferenças tonais de uma foto e tentar chegar o mais perto da semelhança absoluta. Quero daqui pra frente usar outras técnicas, coisas mais instigantes. E acho que adoraria ter feito isso com os quadros que já terminei. Minha Lexy me diz que eu sou o artita, que posso fazer isso quando quiser. Mas não teria tempo de ter tudo isso pronto para as exposições que quero fazer este ano antes de viajar. O tempo, infelizmente, é sempre muito pouco.
Continuo remoendo sobre as conveniências de tempo desse projeto do TBC. Não existiria melhor tempo para fazê-lo do que agora. Soube pelos jornais que o TBC foi comprado pela Funarte, que pretende reabri-lo com novidades, incluíndo um centro de memória do teatro brasileiro, onde uma exposição do meu trabalho viria bem a calhar. Mais recentemente, uma notícia contou que o próprio teatro Sérgio Cardoso está com planos de reformas para melhor utilizar suas salas de ensaio, incluíndo também fazer um centro cultural com espaços de exposição. Eles têm planos de abrir o espaço com exposições sobre o próprio Sérgio Cardoso e sobre Paschoal Carlos Magno, ambos personagens históricos que dão nome às salas principais do teatro. Gostaria muito de ver como posso me infiltrar nesses assuntos.
E no entanto, por mais conveniente que seja o tempo, ainda é tarde demais para Nino Amato, amicíssimo da família, que estava gerenciando o teatro até sua morte. Como passa o tempo: nem me lembro se isso foi há um ou dois anos. Tenho pressa em terminar esse projeto antes que mais pessoas importantes percam a chance de vê-lo em vida.
Em um comentário em um post recente, o Lala's - com quem felizmente retomei contato após muito tempo - comentou algo que achei pertinente. Tendo estudado análise e começado a clinicar, ele concluiu sobre mim que eu estou frequentemente invalidando meu momento atual e sonhando sobre dias melhores. Achei justo e preciso.
E quiçá este post inteiro tenha sido mais uma lamentação desse tipo.
Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.
terça-feira, janeiro 26, 2010
terça-feira, janeiro 19, 2010
Arte "hi-hi"
"Meu, eu detesto fazer manha de artistinha!" eu disse à Lexy antes de desligar o telefone. Acho manha de artista uma coisa ridícula. O cara se desespera porque a pintura, desenho, foto ou o que seja não está saíndo como ele queria. E no entanto, é só uma pintura.
Nota-se, obviamente, que ando me desesperando por causa do Entre Quatro Paredes. Mas não vou me alongar nos detalhes.
Hoje de manhã, estive servindo de guia de exposição para minha mãe durante nossa visita à exposição de grafite que ficará no MASP até o mês que vem. Lá, passeando pela cores vivas e explicando para minha mãe sobre a filosofia de grafiteiros e pixadores e a luta pelo espaço público, tive uma epifania sobre meu próprio trabalho.
Lembrei-me de uma das tensas sessões de sexta na casa da Dora, durante meu último ano do curso de artes. Ela nos passou um texto que falava sobre obras com um humor "ha-ha" e obras com um humor "hi-hi". As obras "ha-ha" eram piadas completas, com sua lógica e punchline. As obras "hi-hi" tinhas seu detalhe engraçadinho, uma tiradinha surreal qualquer. Daquele tipo de coisa que você vê, dá aquele sorrisinho de canto de boca ou risadinha ("hi-hi") e segue adiante porque não tem nenhuma grande elocubração mental ali. Nenhuma grande crítica social, nenhuma verdade universal, nenhuma grande descoberta.
De parte do artista, ele não está realmente quebrando a cabeça para fazer algo que vai mudar o mundo. Ele só está fazendo aquilo porque "é legal", "deu na telha", "parecia uma boa idéia". Pelo deleite estético ou humorístico da coisa. Uma boa parte dos grafiteiros, dos meus ex-colegas de faculdade e dos artistas jovens em geral faz arte assim. A vasta maioria das galerias comercializa arte assim. É despretensioso. É engraçadinho. Mas acima de tudo, é fresco, gostoso, fácil de apreciar. É jovem.
E é o que está faltando em quantidades industriais na minha pintura.
Durante o almoço que tivemos depois da exposição, minha mãe disse uma daquelas coisas que vou ficar mastigando por alguns dias. Disse ela que eu sempre vejo detalhes e pontos de vista que ninguém vê. Mas na hora da pintura, eu copio fotos. Eu faço o que todo mundo vê. Tenho aprendido a ouvir um pouco mais a minha mãe. Minha avó também comentou algo parecido dia desses: perguntou por que eu copiava as fotos em vez de fazer as imagens "do meu jeito".
Minha Dama das Camélias já rodopia na minha cabeça de um modo diferente, menos conservador, menos preso à foto. Estou louco pra começar!
Nota-se, obviamente, que ando me desesperando por causa do Entre Quatro Paredes. Mas não vou me alongar nos detalhes.
Hoje de manhã, estive servindo de guia de exposição para minha mãe durante nossa visita à exposição de grafite que ficará no MASP até o mês que vem. Lá, passeando pela cores vivas e explicando para minha mãe sobre a filosofia de grafiteiros e pixadores e a luta pelo espaço público, tive uma epifania sobre meu próprio trabalho.
Lembrei-me de uma das tensas sessões de sexta na casa da Dora, durante meu último ano do curso de artes. Ela nos passou um texto que falava sobre obras com um humor "ha-ha" e obras com um humor "hi-hi". As obras "ha-ha" eram piadas completas, com sua lógica e punchline. As obras "hi-hi" tinhas seu detalhe engraçadinho, uma tiradinha surreal qualquer. Daquele tipo de coisa que você vê, dá aquele sorrisinho de canto de boca ou risadinha ("hi-hi") e segue adiante porque não tem nenhuma grande elocubração mental ali. Nenhuma grande crítica social, nenhuma verdade universal, nenhuma grande descoberta.
De parte do artista, ele não está realmente quebrando a cabeça para fazer algo que vai mudar o mundo. Ele só está fazendo aquilo porque "é legal", "deu na telha", "parecia uma boa idéia". Pelo deleite estético ou humorístico da coisa. Uma boa parte dos grafiteiros, dos meus ex-colegas de faculdade e dos artistas jovens em geral faz arte assim. A vasta maioria das galerias comercializa arte assim. É despretensioso. É engraçadinho. Mas acima de tudo, é fresco, gostoso, fácil de apreciar. É jovem.
E é o que está faltando em quantidades industriais na minha pintura.
Durante o almoço que tivemos depois da exposição, minha mãe disse uma daquelas coisas que vou ficar mastigando por alguns dias. Disse ela que eu sempre vejo detalhes e pontos de vista que ninguém vê. Mas na hora da pintura, eu copio fotos. Eu faço o que todo mundo vê. Tenho aprendido a ouvir um pouco mais a minha mãe. Minha avó também comentou algo parecido dia desses: perguntou por que eu copiava as fotos em vez de fazer as imagens "do meu jeito".
Minha Dama das Camélias já rodopia na minha cabeça de um modo diferente, menos conservador, menos preso à foto. Estou louco pra começar!
segunda-feira, janeiro 18, 2010
Grafite em casa
Conversando com meu irmão alguns meses atrás, chegamos na idéia de que eu comercializasse algum tipo de pintura decorativa para a casa das pessoas, algo que pudesse ser feito diretamente na parede das casas, e que me permitisse cobrar pelo trabalho de produção e não apenas pelo produto físico final. Lembrei na hora de uma loja que vi em algum shopping, que comercializava adesivos vendidos em pedaços de papel enormes, que você podia destacar e colar na parede. Seria difícil concorrer com uma empresa (mesmo pequena) que já tinha desenvolvido todo o método e provavelmente tinha idéias de design mais frescas do que os meus conceitos embolorados pelos anos de agência.
Semanas depois, ele me mandou um link para uma notícia relacionada ao assunto. A notícia falava de como o grafite, após conquistar as galerias de arte, tinha continuado o processo para adquirir o status de mídia artística entrando nas casas dos colecionadores e tomando paredes que antes eram reservadas para pinturas mais tradicionais.
Achei a notícia propícia para este começo de ano. Na semana que vem estarei na Escola São Paulo, fazendo um workshop de grafite - com um professor que coincidentemente também fez a faculdade londrina para onde eu vou no fim do ano. Além disso, fez-me lembrar que meu começo na pintura foi pintando a parede do meu quarto, que me rendeu o contato com o Percival Tirapelli, pai da Tarsila, e uma ou outra oportunidade de pintar paredes de outras pessoas (o teto da Kita, uma parede do Piero, o quarto dos meus pais, diversos detalhes em paredes de amigos, etc...). Lembro que o longo processo em acrílico e o corre-corre da cidade, juntados à minha falta de disciplina na época, me fizeram abandonar várias dessas pinturas no meio. Porém me pergunto se, com técnicas de grafite aprendidas e a disciplina atual, eu não poderia voltar a esse meio e de fato ganhar algum dinheiro vendendo esse serviço.
Alguém se habilita a ser o primeiro cliente?
Semanas depois, ele me mandou um link para uma notícia relacionada ao assunto. A notícia falava de como o grafite, após conquistar as galerias de arte, tinha continuado o processo para adquirir o status de mídia artística entrando nas casas dos colecionadores e tomando paredes que antes eram reservadas para pinturas mais tradicionais.
Achei a notícia propícia para este começo de ano. Na semana que vem estarei na Escola São Paulo, fazendo um workshop de grafite - com um professor que coincidentemente também fez a faculdade londrina para onde eu vou no fim do ano. Além disso, fez-me lembrar que meu começo na pintura foi pintando a parede do meu quarto, que me rendeu o contato com o Percival Tirapelli, pai da Tarsila, e uma ou outra oportunidade de pintar paredes de outras pessoas (o teto da Kita, uma parede do Piero, o quarto dos meus pais, diversos detalhes em paredes de amigos, etc...). Lembro que o longo processo em acrílico e o corre-corre da cidade, juntados à minha falta de disciplina na época, me fizeram abandonar várias dessas pinturas no meio. Porém me pergunto se, com técnicas de grafite aprendidas e a disciplina atual, eu não poderia voltar a esse meio e de fato ganhar algum dinheiro vendendo esse serviço.
Alguém se habilita a ser o primeiro cliente?
quarta-feira, janeiro 13, 2010
Sobre a Dama das Camélias
Diferente do que fiz com Ralé, onde me vali apenas do relato de minha avó sobre a trama e do material impresso ao qual tive acesso; e diferente do que estou fazendo com Entre 4 Paredes, onde fui atrás da minha experiência pessoal com a peça e do que eu lembrava do texto; estou pesquisando um pouco mais antes de me lançar à pintura da Cacilda. Por enquanto, infelizmente, tudo que tenho são pedaços crus de informação dos mais variados tipos.
Li o texto da peça na versão cinquentona e amarelada que minha avó tinha guardada (apesar dela não participar da peça) e procurei com algum afinco para encontrar alguma imagem que não estivesse entre as exaustivamente usadas para a divulgação da peça. O resto veio da internet.
A peça foi escrita por Alexandre Dumas Filho. Parece que Marguerite Gautier, a.k.a. Dama das Camélias, foi inspirada em grande escala na vida da cortesã Marie Duplessis, cujo nome real era Rose Alphonsine Plessi (já temos aí camélias, rosas e margaridas...). Assim como a personagem, ela morreu de tuberculose aos 23 anos de idade. Duplessi foi dama de companhia do próprio Dumas, além de vários homens poderosíssimos. Essa homenagem póstuma do autor rendeu referências históricas como a ópera La Traviata de Verdi (onde a protagonista também tem nome de flor: Violeta) e, mais recentemente, o Moulin Rouge.
Duplessi morreu em 1847. Embora muitos dos seus pertences tenham sido leiloados para pagar dívidas, diz-se que teve um funeral pródigo atendido por centenas de pessoas.
Esse último fato e o texto da peça me deixaram pensando por algum tempo. As cortesãs eram de fato algo vagamente comparável às gueixas japonesas, por serem versadas na arte de agradar aos homens de poder. Eram também uma companhia intelectual, além de estética e sexual. A própria Duplessi sabia ler e escrever em uma época onde eram raras as mulheres letradas, para que pudesse se manter informada dos assuntos do mundo. As cortesãs eram pagas para acompanharem os homens "tanto em ambientes privados como nos sociais". Deviam ser alegres, inteligentes, educadas e cultas, além de belas. Ou seja, ainda que a própria peça de Dumas mostre que as cortesãs não eram muito bem vistas na sociedade francesa, pessoalmente acho que elas tinham virtudes que íam além da dona-de-casa comum ou da prostituta. Ter a companhia de uma boa cortesã deveria ser um deleite caro, porém inigualável pelo qual compreendo que muitos homens pagariam pequenas fortunas.
Quando trabalhei no pub em Londres, entrei em contato com essa filosofia de vida onde servir a outra pessoa não era em nenhum modo algo humilhante e servir bem, sem queixas do cliente, uma espécie de arte. No entanto, a única palavra destinada a essas mulher que serve aos homens parece ser "puta". Principalmente hoje, no pós-Feminismo.
No caso de Duplessi, de luxo.
Li o texto da peça na versão cinquentona e amarelada que minha avó tinha guardada (apesar dela não participar da peça) e procurei com algum afinco para encontrar alguma imagem que não estivesse entre as exaustivamente usadas para a divulgação da peça. O resto veio da internet.
A peça foi escrita por Alexandre Dumas Filho. Parece que Marguerite Gautier, a.k.a. Dama das Camélias, foi inspirada em grande escala na vida da cortesã Marie Duplessis, cujo nome real era Rose Alphonsine Plessi (já temos aí camélias, rosas e margaridas...). Assim como a personagem, ela morreu de tuberculose aos 23 anos de idade. Duplessi foi dama de companhia do próprio Dumas, além de vários homens poderosíssimos. Essa homenagem póstuma do autor rendeu referências históricas como a ópera La Traviata de Verdi (onde a protagonista também tem nome de flor: Violeta) e, mais recentemente, o Moulin Rouge.
Duplessi morreu em 1847. Embora muitos dos seus pertences tenham sido leiloados para pagar dívidas, diz-se que teve um funeral pródigo atendido por centenas de pessoas.
Esse último fato e o texto da peça me deixaram pensando por algum tempo. As cortesãs eram de fato algo vagamente comparável às gueixas japonesas, por serem versadas na arte de agradar aos homens de poder. Eram também uma companhia intelectual, além de estética e sexual. A própria Duplessi sabia ler e escrever em uma época onde eram raras as mulheres letradas, para que pudesse se manter informada dos assuntos do mundo. As cortesãs eram pagas para acompanharem os homens "tanto em ambientes privados como nos sociais". Deviam ser alegres, inteligentes, educadas e cultas, além de belas. Ou seja, ainda que a própria peça de Dumas mostre que as cortesãs não eram muito bem vistas na sociedade francesa, pessoalmente acho que elas tinham virtudes que íam além da dona-de-casa comum ou da prostituta. Ter a companhia de uma boa cortesã deveria ser um deleite caro, porém inigualável pelo qual compreendo que muitos homens pagariam pequenas fortunas.
Quando trabalhei no pub em Londres, entrei em contato com essa filosofia de vida onde servir a outra pessoa não era em nenhum modo algo humilhante e servir bem, sem queixas do cliente, uma espécie de arte. No entanto, a única palavra destinada a essas mulher que serve aos homens parece ser "puta". Principalmente hoje, no pós-Feminismo.
No caso de Duplessi, de luxo.
Percebi recentemente o efeito do período de fim de ano. Como meu ritmo de trabalho caiu bastante e a capacidade de coordenar mais de uma pintura ao mesmo tempo desapareceu. Estou a duras penas terminando o Entre 4 Paredes, que demorou mais do que o combinado por causa das festividades e do fundo complicado com padrão de papel de parede inglês, e já pesquisando para fazer a Cacilda Becker na Dama das Camélias de 1951.
Trata-se na verdade da transição de uma rotina de trabalho sob as imposições de um chefe, o que garantia que eu tivesse alguém que me daria aquele empurrão necessário para voltar ao trabalho; para a rotina de trabalho autônomo, onde eu sou meu próprio chefe e só eu me cobro. Ouso dizer que sinto falta de alguém me pressionando por causa de prazos, demanda, qualidade. Eu não consigo ser tão carrasco comigo mesmo como eram meus chefes.
Mas algo me perturba recentemente. Este trabalho com as atrizes do TBC tem sido muito gostoso e sinto até que é uma homenagem necessária. Mas há meses que não pesquiso, penso ou falo por aqui do Masculismo e do outro rumo que eu deveria dar aos meus trabalhos. Na verdade o que me preocupa mais a respeito disso é que o trabalho do TBC não quer dizer muita coisa para o pessoal de Londres. Não terá tanto peso a meu favor para me darem a bolsa quanto teriam trabalhos sobre o Masculismo. Preciso aumentar o ritmo e diversificar, fazer várias coisas ao mesmo tempo.
A questão agora é qual será a próxima pintura da série masculista.
Mas já tenho uma idéia...
Trata-se na verdade da transição de uma rotina de trabalho sob as imposições de um chefe, o que garantia que eu tivesse alguém que me daria aquele empurrão necessário para voltar ao trabalho; para a rotina de trabalho autônomo, onde eu sou meu próprio chefe e só eu me cobro. Ouso dizer que sinto falta de alguém me pressionando por causa de prazos, demanda, qualidade. Eu não consigo ser tão carrasco comigo mesmo como eram meus chefes.
Mas algo me perturba recentemente. Este trabalho com as atrizes do TBC tem sido muito gostoso e sinto até que é uma homenagem necessária. Mas há meses que não pesquiso, penso ou falo por aqui do Masculismo e do outro rumo que eu deveria dar aos meus trabalhos. Na verdade o que me preocupa mais a respeito disso é que o trabalho do TBC não quer dizer muita coisa para o pessoal de Londres. Não terá tanto peso a meu favor para me darem a bolsa quanto teriam trabalhos sobre o Masculismo. Preciso aumentar o ritmo e diversificar, fazer várias coisas ao mesmo tempo.
A questão agora é qual será a próxima pintura da série masculista.
Mas já tenho uma idéia...
sábado, janeiro 09, 2010
Me rendi a mais uma modinha de internet e criei uma conta no Formspring.me. Pra quem não conhece, é um serviço como o Twitter, mas você deixa perguntas para o dono da conta responder. Lembra um pouco aquela modinha dos tempos de escola de fazer um caderno de questionário que as meninas passavam para a classe toda responder (supostamente esperando que o cara que elas estavam afim respondesse também...). A moda pegou há vários meses, mas sumiu tão rápido como surgiu. Parece que ninguém estava deixando perguntas pertinentes. Resolvi experimentar mesmo assim. Vamos ver no que dá.
Você pode fazer a sua pergunta lá no fim da sidebar aqui do lado.
Você pode fazer a sua pergunta lá no fim da sidebar aqui do lado.
terça-feira, janeiro 05, 2010
Balanço de 2009
Há alguns dias revi o post que sempre faço no começo de ano, com o balanço do ano que acabou e as perspectivas para o ano seguinte. Fiquei feliz ao perceber que várias das resoluções feitas para este ano tinham sido concretizadas. Eu consegui...
• ...conscientização, clareza, foco. Deixar a apatia e inércia de lado.
• ...aumentar o número de participações em exposições (tá bom, a resolução era DOBRAR o número, mas o aumento já foi significativo...).
• ...viabilizar outras formas de sustento além do trabalho em agência.
• ...manter e cativar os novos amigos, rever os velhos. Ser um cara mais sociável.
Mas além disso tudo, eu...
• ...finalmente encontrei um assunto para tratar com toda a técnica de artes que eu aprendi, e comecei a ler, pesquisar e escrever assiduamente sobre o Masculismo. [1][2][3][4][5][6][7][8][9]
• ...usei essa pesquisa toda pra começar a ter resultados nas artes. [1]
• ...quase perdi o carro. De novo. [1]
• ...consegui ser aceito para o mestrado em Londres com alta recomendação do entrevistador [1]
• ...percebi que a minha crise pessoal era um fenômeno muito mais amplo, difundido entre os jovens de vinte e poucos anos: a quarterlife crisis. [1][2][3]
• ...me interessei muito pelo pós-moderno. [1]
• ...visitei a exposição de uma das minhas artistas favoritas, Sophie Calle. [1][2][3]
• ...larguei (e espero que para sempre) a publicidade, para finalmente me jogar de cabeça nessa loucura de ser um artista plástico. [1][2][3]
• ...voltei à produção do ateliê com muito mais ímpeto e disciplina, prometendo postar por aqui as histórias, processos e idéias dos quadros.
• ...vi o nascer da Aurora! [1][2]
• ...comecei uma longa e já atrasada homenagem em pintura à geração teatral dos meus avôs. A história de vida deles foi a história da criação do TBC e do teatro profissional brasileiro.[1][2][3][4]
• ...finalmente mudei o layout do blog e tirei a musiquinha pentelha! [1]
• ...tive um reveillon delicioso com antigas e queridas amizades e um gosto de coisa européia.
E para o primeiro ano da nova década de 2010 eu...
• ...levarei a cabo pelo menos uma das três possibilidades de exposição grande e profissionalmente relevante (nada de exposiçõezinhas com produção falha).
• ...continuarei com a discussão interessante sobre o Masculismo e novas obras pra ilustrar as conclusões.
• ...voltarei à minha Londres!
• ...começarei a ganhar dinheiro com arte.
Vamo que vamo!
• ...conscientização, clareza, foco. Deixar a apatia e inércia de lado.
• ...aumentar o número de participações em exposições (tá bom, a resolução era DOBRAR o número, mas o aumento já foi significativo...).
• ...viabilizar outras formas de sustento além do trabalho em agência.
• ...manter e cativar os novos amigos, rever os velhos. Ser um cara mais sociável.
Mas além disso tudo, eu...
• ...finalmente encontrei um assunto para tratar com toda a técnica de artes que eu aprendi, e comecei a ler, pesquisar e escrever assiduamente sobre o Masculismo. [1][2][3][4][5][6][7][8][9]
• ...usei essa pesquisa toda pra começar a ter resultados nas artes. [1]
• ...quase perdi o carro. De novo. [1]
• ...consegui ser aceito para o mestrado em Londres com alta recomendação do entrevistador [1]
• ...percebi que a minha crise pessoal era um fenômeno muito mais amplo, difundido entre os jovens de vinte e poucos anos: a quarterlife crisis. [1][2][3]
• ...me interessei muito pelo pós-moderno. [1]
• ...visitei a exposição de uma das minhas artistas favoritas, Sophie Calle. [1][2][3]
• ...larguei (e espero que para sempre) a publicidade, para finalmente me jogar de cabeça nessa loucura de ser um artista plástico. [1][2][3]
• ...voltei à produção do ateliê com muito mais ímpeto e disciplina, prometendo postar por aqui as histórias, processos e idéias dos quadros.
• ...vi o nascer da Aurora! [1][2]
• ...comecei uma longa e já atrasada homenagem em pintura à geração teatral dos meus avôs. A história de vida deles foi a história da criação do TBC e do teatro profissional brasileiro.[1][2][3][4]
• ...finalmente mudei o layout do blog e tirei a musiquinha pentelha! [1]
• ...tive um reveillon delicioso com antigas e queridas amizades e um gosto de coisa européia.
E para o primeiro ano da nova década de 2010 eu...
• ...levarei a cabo pelo menos uma das três possibilidades de exposição grande e profissionalmente relevante (nada de exposiçõezinhas com produção falha).
• ...continuarei com a discussão interessante sobre o Masculismo e novas obras pra ilustrar as conclusões.
• ...voltarei à minha Londres!
• ...começarei a ganhar dinheiro com arte.
Vamo que vamo!
segunda-feira, janeiro 04, 2010
Reveillon 2009
Preciso escrever para comentar que tivemos, eu e Lexy, um reveillon à moda européia: pouca gente, conversa culta e ótima comida. Apesar dos entraves, essa combinação não deixou o bom humor esmorecer.
Tendo visto todos os nossos planos de finais de ano familiares se dissolvendo à medida que viagens eram canceladas e parentes brigavam, não nos sobrou outra alternativa além de repetir a idéia do ano passado, de arrebanhar todo mundo que também tivesse planos frustrados para passar os últimos dias do ano na fazenda. Mas mesmo esse plano naufragou quando nos informaram da escalada de violência na região e do recente indulto natalino dado a centenas de presos de uma cidade vizinha... Que fazer? Virada na Paulista?
Faltando poucos dias para a virada, Tarsila mandou uma mensagem convidando-me para a virada em sua casa na Serra, onde seu pai tem um belo ateliê e uma boa coleção de obras barrocas. Seria uma festa para algo em torno de 15 pessoas, amigos próximos. Conhecendo Tarsila, logo aceitei, sabendo que a festa teria boa comida, muita animação e uma bela vista dos fogos da cidade.
As 15 pessoas, no entanto, jamais apareceram. Foram dando suas desculpas, seus atrasos, seus adiamentos. Mas a ausência delas só serviu para melhorar ainda mais o reveillon. Pois restando apenas eu, Lexy, Tarsila e Saulo (um rapaz com ótimos dotes para pintura e escultura), as conversas e atividades do dia giravam prazeirosamente em torno de boa comida e bebida, e altas doses de arte. Papos sobre obras e técnicas, viagens pelo mundo, marcas de vinho e tipos de queijo (além das ocasionais digressões sobre sexo e subcelebridades). Tudo temperado pelo humor particular de cada um.
Quando os fogos anunciaram a meia-noite, estávamos no meio do risoto de funghi da Tarsila. Abrimos um dos melhores champanhes que eu já tomei (minha experiência no assunto é ínfima...) e subimos para o alto da casa para ver o show de luzes. As árvores haviam crescido mais do que em reveillons anteriores, mas ainda assim deu pra ver alguma coisa.
No dia seguinte, Piero apareceu para animar ainda mais o clima. Ficou um pouco e se foi. E mais tarde, os pais da Tarsila chegaram, fugidos das tragédias causadas pela chuva em Paraty e de seu próprio fim de ano caótico, para incrementar ainda mais o nível das conversas.
Ao raiar do ano novo, acordei pensando que nunca um fiasco de programa trouxera-me tanto deleite. E que talvez, se viessem as 15 pessoas, a coisa teria sido muito mais barulhenta e incrivelmente mais monótona. Sei que estou suscetível a comentários como o que fiz sobre o Dia dos Namorados, mas é verdade. Passar esta virada em companhia mais seleta foi um prazer imenso. De fato, percebi que fazia muito tempo que não lidava individualmente com as pessoas. Porque estamos sempre andando em bandos e nas aglomerações eu diminuo e me anulo. Lidando com uma pessoa de cada vez, ou em grupos pequenos de pessoas seletas, eu consigo ser alguém. E é muito gostoso.
Tendo visto todos os nossos planos de finais de ano familiares se dissolvendo à medida que viagens eram canceladas e parentes brigavam, não nos sobrou outra alternativa além de repetir a idéia do ano passado, de arrebanhar todo mundo que também tivesse planos frustrados para passar os últimos dias do ano na fazenda. Mas mesmo esse plano naufragou quando nos informaram da escalada de violência na região e do recente indulto natalino dado a centenas de presos de uma cidade vizinha... Que fazer? Virada na Paulista?
Faltando poucos dias para a virada, Tarsila mandou uma mensagem convidando-me para a virada em sua casa na Serra, onde seu pai tem um belo ateliê e uma boa coleção de obras barrocas. Seria uma festa para algo em torno de 15 pessoas, amigos próximos. Conhecendo Tarsila, logo aceitei, sabendo que a festa teria boa comida, muita animação e uma bela vista dos fogos da cidade.
As 15 pessoas, no entanto, jamais apareceram. Foram dando suas desculpas, seus atrasos, seus adiamentos. Mas a ausência delas só serviu para melhorar ainda mais o reveillon. Pois restando apenas eu, Lexy, Tarsila e Saulo (um rapaz com ótimos dotes para pintura e escultura), as conversas e atividades do dia giravam prazeirosamente em torno de boa comida e bebida, e altas doses de arte. Papos sobre obras e técnicas, viagens pelo mundo, marcas de vinho e tipos de queijo (além das ocasionais digressões sobre sexo e subcelebridades). Tudo temperado pelo humor particular de cada um.
Quando os fogos anunciaram a meia-noite, estávamos no meio do risoto de funghi da Tarsila. Abrimos um dos melhores champanhes que eu já tomei (minha experiência no assunto é ínfima...) e subimos para o alto da casa para ver o show de luzes. As árvores haviam crescido mais do que em reveillons anteriores, mas ainda assim deu pra ver alguma coisa.
No dia seguinte, Piero apareceu para animar ainda mais o clima. Ficou um pouco e se foi. E mais tarde, os pais da Tarsila chegaram, fugidos das tragédias causadas pela chuva em Paraty e de seu próprio fim de ano caótico, para incrementar ainda mais o nível das conversas.
Ao raiar do ano novo, acordei pensando que nunca um fiasco de programa trouxera-me tanto deleite. E que talvez, se viessem as 15 pessoas, a coisa teria sido muito mais barulhenta e incrivelmente mais monótona. Sei que estou suscetível a comentários como o que fiz sobre o Dia dos Namorados, mas é verdade. Passar esta virada em companhia mais seleta foi um prazer imenso. De fato, percebi que fazia muito tempo que não lidava individualmente com as pessoas. Porque estamos sempre andando em bandos e nas aglomerações eu diminuo e me anulo. Lidando com uma pessoa de cada vez, ou em grupos pequenos de pessoas seletas, eu consigo ser alguém. E é muito gostoso.
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