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terça-feira, janeiro 26, 2010

Sobre tempo

Hoje de manhã, voltando de mais uma das aulas de inglês, fui pensando bastante sobre tempo. Tenho muito o que pensar sobre tempo.
Tenho sentido a urgência e vontade de que o tempo passe. Meu maior desejo seria já estar no pós-Londres, com o mestrado feito, podendo fazer ainda a licenciatura e começar a dar aulas no meu antigo colégio. Com o salário e as perspectivas de carreira de lá, eu sentiria que minha vida estaria novamente no lugar certo, no tempo certo, e não com esse atraso monstruoso. Imagino que deixaria de sentir pena de mim mesmo por estar fazendo bicos e sobrevivendo a duras penas, enquanto todos meus antigos colegas já têm carreiras consolidadas e salários que os permitem tocar a vida em frente. Mais do que isso, eu teria um propósito e estaria fazendo algo de construtivo no mundo. Não que as aulas de inglês não sejam algo de construtivo, mas não consigo me dedicar a elas como eu gostaria. My mind just isn't in it...
E no entanto, se esse meu desejo fosse realizado, eu perderia o ano em Londres. Com todas as delícias e agonias instigantes que ele certamente vai me trazer. Todas as pessoa interessantes a conhecer e as experiências que mudam a sua vida para sempre. Além disso, perderia a possibilidade (ainda que remota...) de conseguir um emprego na TATE Modern e trabalhar do lado do quadro da Dorothea Tanning [1]e das obras do Anish Kapoor.

Em outro assunto relacionado ao tempo, queria ter de volta esses últimos meses para poder recomeçar a série do TBC. Não é que eu esteja totalmente insatisfeito com ela, mas algo curioso aconteceu nas últimas semanas, me preparando para o quadro da Cacilda no Dama das Camélias: eu acho que finalmente me enchi de retratar pessoas desse jeito. De copiar todas as diferenças tonais de uma foto e tentar chegar o mais perto da semelhança absoluta. Quero daqui pra frente usar outras técnicas, coisas mais instigantes. E acho que adoraria ter feito isso com os quadros que já terminei. Minha Lexy me diz que eu sou o artita, que posso fazer isso quando quiser. Mas não teria tempo de ter tudo isso pronto para as exposições que quero fazer este ano antes de viajar. O tempo, infelizmente, é sempre muito pouco.
Continuo remoendo sobre as conveniências de tempo desse projeto do TBC. Não existiria melhor tempo para fazê-lo do que agora. Soube pelos jornais que o TBC foi comprado pela Funarte, que pretende reabri-lo com novidades, incluíndo um centro de memória do teatro brasileiro, onde uma exposição do meu trabalho viria bem a calhar. Mais recentemente, uma notícia contou que o próprio teatro Sérgio Cardoso está com planos de reformas para melhor utilizar suas salas de ensaio, incluíndo também fazer um centro cultural com espaços de exposição. Eles têm planos de abrir o espaço com exposições sobre o próprio Sérgio Cardoso e sobre Paschoal Carlos Magno, ambos personagens históricos que dão nome às salas principais do teatro. Gostaria muito de ver como posso me infiltrar nesses assuntos.
E no entanto, por mais conveniente que seja o tempo, ainda é tarde demais para Nino Amato, amicíssimo da família, que estava gerenciando o teatro até sua morte. Como passa o tempo: nem me lembro se isso foi há um ou dois anos. Tenho pressa em terminar esse projeto antes que mais pessoas importantes percam a chance de vê-lo em vida.

Em um comentário em um post recente, o Lala's - com quem felizmente retomei contato após muito tempo - comentou algo que achei pertinente. Tendo estudado análise e começado a clinicar, ele concluiu sobre mim que eu estou frequentemente invalidando meu momento atual e sonhando sobre dias melhores. Achei justo e preciso.
E quiçá este post inteiro tenha sido mais uma lamentação desse tipo.

domingo, outubro 11, 2009

Educação Artística

Soube recentemente que o Ministério da Educação andou promovendo reformas no ensino de arte nas escolas. Dentre outras coisas, tornou obrigatório a partir do ano que vem o ensino de música nas escolas de Ensino Fundamental. Achei até que a medida foi tardia. Em outros países onde estive, a música é parte obrigatória do programa de qualquer escola. Aprendi a tocar aquela odiosa flauta doce quando criança por causa disso. Embora tenha esquecido quase tudo do instrumento assim que saí daquele colégio em outro país, as noções de canto me acompanham pela vida toda e facilitaram o episódio da banda de rock que tive em 2007. Mas não é apenas isso, me deram uma noção de música, de composição e de compositores.
De volta à terra natal, tive aulas de educação artística no restante do Ensino Fundamental. Eram aulas de qualidade questionável. Embora ensinassem o desenho de perspectiva, coisa que eu veria novamente no curso de desenho que fiz na adolescência e uma terceira vez quando entrei para a faculdade de arte, o resto de seu conteúdo era praticamente irrelevante. Por exemplo, passamos um semestre vendo o Futurismo, um movimento das vanguardas do século XX que não chega a ser mais do que uma nota de rodapé nos livros de história da arte sobre a época e pouco nos ensinou das importantes mudanças de pensamento que ocorreram nas primeiras décadas do século. Não é de se espantar que o colégio onde estudei fosse notório pela quantidade de alunos que saíam de lá para entrar em faculdades de engenharia e que as estatísticas apontasse pouquíssimos alunos interessados pelos cursos superiores de artes plásticas.
Mas o ensino deficitário de arte na adolescência tem outras consequências visíveis na população do país. Estive conversando com Marília "Bombom" Jardim, uma performance artist conhecida da Lexy que acabou virando boa amiga e colaboradora em projetos de arte. Discutímos recentemente sobre a situação dos colecionadores de arte na cidade e do que de fato chega ao mercado. Obras que na maioria das vezes têm um apelo pop ou decorativo, produzidas por artistas que não estão realmente interessados em fazer qualquer ligação com a história da arte, compradas por gente endinheirada que nada entende do que está comprando e escolhe de acordo com a reputação do artista ou o quanto a obra vai combinar com a sala de estar. Poucos são os colecionadores que de fato entendem de arte: uma elite cultural. Poucos também são os artistas, depois desse tempo todo em que o MEC menosprezou o ensino de arte nas escolas. Bombom parece ser uma pessoa com boa formação artística em colégio construtivista, que sabe o que está fazendo e como aquilo se enquadra na história. De minha parte, tenho que me admitir fruto do colégio onde estudei, e confessar que talvez ainda esteja pensando na minha produção como algo isolado da história, como o fazem todos os outros pintores da minha geração. Afinal, nossas técnicas são centenárias e voltam aos resultados vistos antes dessas décadas de abstração e negação da pintura de cavalete. Na verdade, sequer consideramos muito do que se passou na arte das últimas décadas quando escolhemos o bom e velho óleo sobre tela. Sei que no futuro chamarão este momento de uma espécie de "retorno à ordem e à técnica". Concordo, mas não deixa de ser justamente um retorno, uma espécie de retrocesso.

Voltado à questão dos Ensino Fundamental, passei no meu antigo colégio esta semana. Conversei com professores e com o diretor para ter uma noção do que é preciso para tornar-me um professor de artes do colégio. E fiquei sinceramente maravilhado com o modo como as determinações do MEC mudaram o ensino de arte por lá. O curso agora é bem prático, ensinando desenho, depois pintura, e então fotografia e vídeo nos últimos anos. Os alunos fazem. Não apenas isso, encontrei nos trabalhos que vi, referências a artistas desde Da Vinci até Andy Warhol, e técnicas tão alternativas para crianças quanto a xilogravura, que só fui conhecer no segundo ano da faculdade.
Régis, o coordenador do curso, me conta que alguns vetibulares já estão perguntando até sobre os metaesquemas do Hélio Oiticica, como aconteceu na última prova do recém-criado curso de direito da FGV. Claro: crie essa necessidade no vestibular e todos os colégios passarão a ensinar a matéria.
O assunto todo me deixou interessado: com essa nova determinação do MEC, a demanda por professores de arte vai crescer. É aí que eu entro: já estou pesquisando como e onde fazer a licenciatura...

domingo, maio 31, 2009

Residências

Nota para mim mesmo: lembrar de dar uma boa olhada no blog da Adriana Guivo. Tem todo o relato de seu processo para conseguir uma residência artística em Paris e seu processo de trabalho enquanto esteve lá.

As residências artísticas são ótima opção para artistas recém-formados, mas não têm restrição de idade, formação ou experiência. Os artistas enviam projetos e as instituições em questão avaliam. Os projetos escolhidos são financiados. Por "financiados" entende-se que a instituição provê moradia, ajuda de custo e muitas vezes até a passagem para que o artista more na cidade e desenvolva seu trabalho durante determinado tempo (seis meses a um ano). Ou seja, não é um negócio que vai te trazer o retorno financeiro direto, mas é um tremendo impulso no seu currículo, pois você passa um ano isolado do seu mundinho na sua cidade nata, só concentrado no desenvolvimento da sua linguagem e produção, e sem precisar se preocupar com essas coisas mundanas como salário e aluguel. Acho a alternativa perfeita para aquele momento de pânico pós-faculdade ("O que que eu faço agora? Já sei! Vou trabalhar em agência de publicidade e tentar pintar nas parcas horas vagas!").

Até uns dois anos atrás, a residência ainda tinha a vantagem de ser uma coisa fácil de conseguir para alunos das faculdades prestigiadas de arte como FAAP e ECA-USP. Isso porque as informações a respeito eram tão escassas que poucos se inscreviam, mesmo nessas faculdades. Mas então a FAAP dedicou parte de sua última Anual de Artes Plásticas a fazer uma exposição retrospectiva (muito bem produzida, por sinal) de todos os seus alunos e professores que participaram de seu programa de residência na França (incluíndo minha colega Marcela Tiboni e minha orientadora Dora Longo Bahia). As inscrições vieram em manada depois disso.

Mas quem sabe meu projeto relacionado ao Masculismo interesse a eles... Afinal, Niki de Saint Phalle, artista feminista que tem sido minha inspiração para o Masculismo recentemente, era francesa. E eles adoram esse tipo de discussão.

Duro vai ser aguentar o idioma.
Merde!

quinta-feira, maio 14, 2009

SP Arte

Começou hoje no Pavilhão da Bienal a 5ª edição da SP Arte.
A feira, organizada pela colecionadora Fernanda Feitosa, acontece anualmente e reúne 80 das principais galerias do mundo para comercializar seus acervos.

Pessoalmente, acho que a Feira causa-me mais interesse do que a falida Bienal, por vários motivos. Primeiramente, porque acho que há algo de muito verdadeiro, embora também meio satírico, em uma feira de arte. Sou de uma turma na faculdade que discutia largamente sobre a comercialização da arte em tons pejorativos, como se trabalhar para vender sua obra de arte fosse um sacrilégio. Sim, era bem isso: atribuíamos às obras (mesmo àquelas banais) uma qualidade sacra que era profanada com algo tão mundano como a venda. E de repente vemos aqui uma feira inteira dedicada a esse comportamento herege. Havia toda aquela discussão que ainda acho pertinente sobre como um patrono ou mecenas pode vir a influenciar de forma negativa no processo criativo do artista. Mas daí para essa fobia comercial, acho que demos o passo errado. Talvez por isso mesmo que da minha turma tenham saído tão poucos que hoje de fato vivem da arte enquanto alunos de outras turmas, como o Rodolpho Parigi, assumiram a arte como produto e vendem quadros a preços tão exorbitantes. Acho que o tom satírico-sério da SP Arte é acentuado ainda mais pelo caráter vil que a palavra feira tem no nosso país: aquele ambiente sujo, mambembe, cheio de gente competindo no grito e tentando vender seu produto mais barato do que a barraquinha do lado.

Mas, quando descemos do pedestal de sacralidade e superamos o nojo que temos do termo, a Feira torna-se de fato um ambiente cheio de potencial. Imagine você, pessoa ativa no mundo das artes, tendo ao seu alcance e em um só lugar todas aquelas galerias. As possibilidades são vastas: contatos, compras, vendas, serviços, empregos... Há dias que venho tentando arranjar tempo para montar um pequeno material, algumas folhas apenas, para deixar nos estandes. A pergunta é se me apresento como potencial empregado ou como artista. Quiçá como ambos.

Pesquisando sobre o evento por aí, soube da presença de Tanya Barson, curadora do Tate Modern [1][2][3]. Vontade que tenho de entregar-lhe algum material em mãos e pedir que ela me arranje um emprego (QUALQUER emprego) no TATE quando eu for para Londres novamente...

A SP Arte acontece no Pavilhão da Bienal. Hoje e amanhã, vai das 14h às 22h. No sábado e domingo, das 12h às 20h. A entrada custa a módica (¬.¬') quantia de R$ 25.

FONTES: [1] [2] [3]

segunda-feira, maio 11, 2009

Projeto Tripé (SESC)

Vou começar a postar por aqui as oportunidades de artes plásticas das quais eu ficar sabendo.

PROJETO TRIPÉ DO SESC POMPÉIA

O projeto tripé estimula a produção contemporânea na área de artes visuais e apresenta obras de três artistas em cada uma de suas quatro edições previstas para cada ano, havendo uma temática para cada exposição.

O projeto, uma iniciativa do Núcleo de Artes Visuais e Multimeios do SESC Pompéia, reúne diferentes expressões artísticas, com as mostras trazendo discussões sobre os temas apresentados e promovendo encontros entre os artistas e estudiosos da área, acontecendo um bate-papo a cada exposição. O processo de seleção dos artistas participantes será de responsabilidade da equipe por meio de uma comissão de avaliação.

Para participar deverá mandar imagens da produção artística com currículo (CD ou impresso), aos cuidados de Julieta Machado e Natalia Nolli Sasso – Núcleo de Artes Visuais e Multimeios, na Rua Clélia, 93, cep 05042-000 Pompéia, São Paulo. Qualquer duvida pode ligar 3871.7738 / 3871.7793


Já fui ver duas das exposições desse projeto, uma delas com colegas minhas da faculdade de artes expondo: Thaís Albuquerque e Amanda Mei. O projeto é como todos esses projetos deveríam ser e não são: bem organizado, relevante, de fato promove artistas jovens em início de carreira. Detalhe raro hoje em dia é que esse projeto garante um pro-labore, um pagamento ao artista pela exposição, em vez de fazer como a grande maioria dos espaços que chegam com aquela conversa fiada de que você está ganhando visibilidade e não dão um centavo (alguém aí lembra do W.A.G.E.?). Fora isso há outras regalias: coquetel de abertura, equipe de montagem, dvulgação e catálogo no fim do ano com todos os artistas que participaram naquele ano.

A dica é de outra colega de profissão, Marcela Tiboni, que recomendou o projeto por experiência própria.

Artistas, participem!