quarta-feira, outubro 17, 2012

Crônicas de Professor

Um dos meus alunos me entregou hoje uma sacolinha. Disse que era um presente de dia do professor. Confesso que recebi o mimo um pouco desconfiado: eu nunca tinha recebido nada assim e nem esperava criar esse impacto na cabeça de alguém tão cedo. Por que logo eu de todos os professores? Ele não precisava de nota, era um bom aluno. Também duvido que tivesse feito isso para muitos outros professores, pois os pais teriam desembolsado uma quantia salgada para mimar professores. Me pareceu algo sincero e exclusivo. Me senti especial.

Dentro da sacola, uns poucos produtos da Phebo. O presente gerou sensações engraçadas. Meu pai usava Phebo e eu identificava os perfumes ao estilo de masculinidade dele. Por isso, senti minha "adultice" confirmada com esse presente. O estilo de masculino paterno que eu lembrava na minha infância era um para o qual sabonetes com "1/4 de creme hidratante" ainda eram algo inexistente ou irrelevante. Um estilo que sentia um tipo de validação naquela sensação de pele esticada depois do banho. Eu lembro que eu gostava da sensação (talvez por gostar da ligação aspiracional que ela tinha com meu pai). Era um prazer meio bronco, meio rústico. Uma das minhas colegas professoras chamou de um prazer meio S&M. Eu não o estranharia depois das baladas do meu ano passado...
Havia também o deleite do perfume, que na infância fora marcadamente diferente dos perfumes dos meus produtos infantis. Era alheio, era mais complexo. Era daquele universo simbólico do moleque imberbe que se maravilha com os produtos de barbearia do pai.
Esse significado todo me pegou tão de surpresa que nem agradeci o aluno o suficiente. Preciso fazer isso!

Já fiquei sabendo que amanhã ganharei um outro presentinho. Enquanto isso, fico aqui pensando que deveria ter feito mais pela minha inspiradora professora de história do que apenas uma homenagem sincera no Facebook. Ela tinha que saber o quanto tinha sido importante.

E de preferência, enquanto ela estava viva.