segunda-feira, julho 30, 2007

Férias

E então, finalmente, saí do trabalho.
Na sexta passada, enquanto nos preparávamos para sair, a Fran, que cuida da produção e parece ser a sub-chefe da agência, me informou que eu não precisaria mais vir nesta próxima semana. No fim, acho que gostei dessa saída assim. Foi-me informada em uma conversa casual, como quem diz "não precisa mais vir na segunda" da mesma forma que diz "bom final de semana". Quase duvidei. Fato é que saí de lá sem tristeza alguma. Como se fosse natural e correto. Diferente de outros fins de história empregatícia.
O outro emprego, já engatilhado, começa na semana que vem, dia 6. Um lugar um pouco maior, lá perto da Paulista, e que ao menos vai me pagar um salário completo que me permita pensar em sair de casa. Enquanto isso, uma semana de féria arrumando as coisas, revendo amigos e descansando bastante (leia-se dormindo até tarde, porque as semanas anteriores...).
Não há muito o que dizer sobre sair daquele lugar. O processo todo havia começado no fim de Junho, com a viagem do meu chefe. Aproveitei para botar as coisas em ordem em casa com o tempo livre que me sobrava a cada dia que eu não me via coagido a ficar até mais tarde. Com um portfolio atualizado e a decisão de que eu iria para onde me pagassem um salário decente, saí procurando com a ajuda do Publicijobs. Não demorou nada até ter as primeiras entrevistas. E finalmente, achei esse lugar: só o salário dos três meses de experiência que eu vou passar antes da efetivação completa já é maior do que meu salário de efetivo na agência anterior. Espero que o barato não saia caro e eu me veja trabalhando em um lugar desinteressante que me obriga a vir aos sábados...

sexta-feira, julho 20, 2007

Não tenho dormido muito nestas últimas duas semanas. Desde que comecei a fazer aquele trabalho freelancer, que já me pagou e gerou uma continuação nesta semana, tenho passado noites em claro ou dormido uma média de três a quatro horas por noite. A conta bancária agradece, mas espero não ter que gastar a grana cuidando da saúde.

É claro que acordar pela manhã está sendo cada vez mais trabalhoso. Mas outros efeitos curiosos começaram a acontecer ao longo dos dias. As noites de trabalho acontecem em fases: durante a primeira, o sono vem chegando forte e por vezes me ausento por alguns minutos; mas depois dessa fase vem um estranho acordar, uma atenção e adrenalina que me deixam ainda mais atento a pequenos detalhes. O cansaço do corpo é palpável, mas continuo e posso até atravessar a noite, perturbado aqui e ali apenas por aquelas idéias bizarras que começam a surgir quando o cansaço inibe a minha censura e a mente começa a surtar.
Os dias após noites em claro são nulos: as ausências afetam o desempenho, a atenção gasta à noite falta durante o dia, e mesmo raciocínis geométricos simples são esforços incomensuráveis.
Porém os dias das noites mal dormidas parecem transcorrer do modo contrário. É como se aquele segundo estado tomasse conta: a cabeça a mil, resolvendo três, quatro tarefas simultaneamente. E sempre ciente a degradação do corpo.
Ouso dizer que faço muito mais nesses dias do que quando estou perfeitamente descansado. Não sei por que, mas nestes, sou mais propenso a estados de letargia. É como se o meu estado natural, de pesoa com pressão baixa, fosse a letargia, o sono.

segunda-feira, julho 16, 2007

P.S.

Aliás, sempre que falo do Anima Mundi não economizo a propaganda sobre os Irmãos Quay. Em 2002, assisti seu In Absentia no Anima Mundi. Fui saber algum tempo depois que eles eram responsáveis por boa parte das animações de fundo que passavam enquanto os VJs da MTV apresentavam clips nos anos 90. Sempre fiquei muito intrigado e inspirado por eles. Pela estética claustrofílica, gótica e violenta. Estética de decomposição. Pelo stop-motion antiquado que nunca foi tão atual. Por não entregarem o sentido dos filme assim tão facilmente e exigirem um alto nível de raciocínio para uma coisa que deve ser sentida e não pensada.

Pena eu não ter encontrado o In Absentia no YouTube...

[1]
[2 - Do filme Frida]
[3]
[4]

Anima Mundi e nossa guerrilha cultural

Fiquei resolvendo pepinos do trabalho freelancer no sábado, mas tirei o domingo para o Anima Mundi.
Teoricamente em sua 15ª edição, o festival trouxe esse ano a pré-estreia do Garoto Cósmico, longa-metragem de animação do qual a Taís trabalhou durante algum tempo. Lembro de ver o começo do processo, os desenhos sem som. O resultado final é uma delícia pueril cheia de cor e musicas daquelas bem pegajosas, que você fica cantando depois.

Fora isso, vimos alguns poucos curtas do ano passado, incluíndo o belíssimo Tyger, o hilário Gopher Broke e Flat Life, que é bonitinho, mas meio monótono.

De quebra, ainda brincamos nas oficinas de animação. Em edições passadas, eu tinha feito a Alice balançando e postei por aqui. Este ano, assim que disponibilizarem no site do Anima Mundi, coloco por aqui outra animação que fiz dela. Coisa simples. Aguardem.

Mas o que vale mencionar por aqui é que eu e Lexy resolvemos desencadear a nossa guerrilha cultural. Cançados de procurar ingressos dias antes e encontrar tudo esgotado, de chegar nos cinemas dez minutos antes do filme e não encontrar lugar pra sentar, de pagar o triplo do preço por alimentação em eventos como o Anima Mundi, nos enchemos de Ódio Diesel e começamos a tomar medidas drásticas. O Anima Mundi foi visto na compania de uma grande mochila cheia de suprimentos: sanduíches, sucos, bolachas, doces. Preparados pela minha produtora. Nunca fui a um desses com tanto conforto. Os ingressos para as sessões já estavam comprados dois dias antes.
E a guerrilha não para por aí. Ingressos para o Cirque du Soleil no ano que vem já estão comprados. O cinema é comprado ao meio-dia para ser assistido à noite. A antecedência da chegada nos eventos beira a estupidez. Mas pelo menos estamos sempre lá, felizes, confortáveis e sem correria. Porque já deu pra ver que só assim se assiste a algo em São Paulo, onde as pessoas atravessam na sua frente.
Ocorre-me que, passado quase um mês da minha apresentação, ainda não relatei nada dela por aqui. Suponho que tenha sido pela vontade urgente de simplesmente largar tudo aquilo e ir viver um pouquinho.

Pois bem...
Fajardo realmente me surpreendeu. Quando liguei para convidar Marcela Tiboni para a banca e contei-lhe que Fajardo seria um dos convidados, ela disse que tinha medo dele como banca. Não entendi como um senhor tão simpático podia ser tão aterrorizante. Ele começou a banca fazendo uma vasta listagem de erros presentes na monografia. Datas incorretas, citações de versões tidas como imprecisas, essas coisas. O que realmente me surpreendeu nele foi que, depois de mais de cinco anos de USP, eu tinha me acostumado com uma certa estirpe de professores, daqueles meio míopes. Os professores sobre os quais a Nana estivera sempre reclamando e que acarretaram sua decisão de trancar a faculdade. Eu, por outro lado, sempre usara essa miopia para meu benefício, ocultando elementos aqui, menosprezando a precisão de dados alí. A monografia seria minha última risada em cima disso. Porque depois de me dedicar minuciosamente ao trabalho da FAAP e ter uma banca gélida e desinteressante, eu nem considerei levar esta monografia tão a sério no quesito técnico.
Fajardo pescou todas as falhas propositais e algumas que eu nem percebera.
Mas depois do tapa, elogiou muito o conceito da falta de finalidade prática da arte. Eu tinha evitado dizer a frase "arte não serve pra nada", porque achei que seria por onde eles me atacariam (substituindo a frase por "arte não tem finalidade prática"), só pra ouvir ele mesmo, o mestre, dizer a frase e rir. Fiquei feliz por ele ter concordado com a hipótese, até mesmo com ares de que nunca tinha pensado nisso.
O resto foi uma aula de arte. Me ensinou a ver uma teoria maravilhosa na comparação entre Duchamp e Warhol, a ver que às vezes é o espaço expositivo que dota algo do status de arte.

Caio complementou com poucos toques, surgindo mais como um discípulo do próprio Fajardo. Por vezes, os dois divagavam em conversas paralelas sobre arte entre eles e saíam um pouco do âmbito da monografia. Caio foi só elogios. Não contestou nada, voltou a aprovar a hipótese, dizendo não ter pensado nisso.

Quem ficou meio perdido na conversa toda foi meu orientador. De fato, chegando ao fim desse processo todo, percebo que ele nunca esteve muito confortável nessa orientação. Mas suponho que, dentro da ECA, só ele teria a capacidade de orientar uma monografia como essa. No fim, fiquei com um gosto meio agridoce em relação a ele como orientador. Porque acho que ele foi um dos poucos professores da ECA que realmente ensinou alguma coisa, mas teve durante o processo da monografia aquela miopia que falei no começo do post. E em graus avançados.

quinta-feira, julho 12, 2007

Ódio Diesel

Ensaio ontem. Os rapazes começaram a brincar como fazem às vezes, improvisando nos instrumentos com aquela sincronia louca que eles têm. E geralmente eu fico lá, boiando, apenas curtindo os floreios de guitarra ou concentrando no caminhar do baixo até que eles resolvam voltar a algo que eu conheço e possa cantar.

Mas ontem, lembrando que várias das músicas do vocalista anterior surgiram de improvisos assim, arrisquei. Eu tinha escrito as três primeiras frases dessa música. O resto veio na hora.

Still needs a lot of work...


ÓDIO DIESEL
[royalties deverão ser pagos ao Lala`s por cunhar a expressão...]

Cansou dessa moral de desenho animado
Começou correto e terminou frustrado
Tem horas meu caro, em que ser nobre não *****
*************** (a definir)

[CHORUS]
Ódio Diesel (x2)
O combustível que te leva a algum lugar
Ódio Diesel (x2)
Sem ele não dá pra encarar
[/CHORUS]

No mesmo estágio há quantos meses?
Salário baixo pago em vezes.
Pra que tanto estudo *************
O jeito é largar tudo *************

[CHORUS]

O preço da gasolina anda alto
O álcool rapaz é um assalto
Mas um combustível nunca vai faltar
É Ódio Diesel que te leva a algum lugar

[CHORUS]


Ainda vou incluir outras estrofes e mudar algumas coisas. Tem assuntos que eu quero colocar nessa música, mas ainda não sei como.

Patchwork

Karaokê na semana passada.
O pessoal da agência estava tentando marcar isso há muito tempo. Boteco marcado, vozes afinadas, mas à medida que ia chegando a hora, as pessoas interessadas iam pulando fora. Acabei indo eu e Lexy. Só.
O que não significa que a noite foi ruim. Aliás, pelo contrário, foi uma das noites de karaokê mais interessantes, porque as novas capacidades vocais treinadas ao longo dos seis meses de banda renderam bons elogios e a amizade de algumas figuras frequentes por lá.

Quando Luciana, a atendimento da agência e uma das mais interessadas no evento, me ligou pra dizer que não poderia ir, brinquei com ela. Sendo do nordeste, ela sempre dizia que os paulistas marcam as coisas e não aparecem. Ela desculpou-se dizendo que tinha esquecido o compromisso com o aniversário de uma grande amiga lá nos confins da zona norte da cidade.
A ausência dela me fez pensar. O que causa essa falta paulista a compromissos, e que também vitimou minha colega nordestina, é na verdade a densidade da vida em São Paulo. O habitante médio da cidade tem no mínimo quatro turmas separadas: a família, os amígos da vizinhança, os amigos da vida acadêmica (e nem estou diferenciando entre colégio e faculdade...) e os colegas de trabalho. Sem contar com outras turmas que venham a surgir, como pessoas conhecidas em cursos, a galera do clube, o pessoal dos blogs e etc. Imagine conciliar aniversários, botecos, formaturas e afins de tudo isso de gente. A densidade populacional é tanta, que esses convites a eventos divertidos começam a se sobrepor, coincidir horários, formando uma trama tão intrincada que é difícil de ser controlada de cabeça. Minha mãe já havia comentado há algum tempo sobre como ela tinha impressão de que, nessa cidade, as pessoas estavam sempre entrando na sua frente, atravessando o seu caminho.

Claro, esse fenômeno não é exclusivo desta cidade e acontece em qualquer grande cidade. Pensando bem, deve acontecer até mesmo nas pequenas. Mas não me escapa essa sensação de que só nas grandes metrópoles que temos uma turma de bairro com quinze fulanos, uma classe de quarenta e três e trabalhamos em uma empresa com trinta funcionários só no seu setor.

terça-feira, julho 10, 2007

Let it roooooooooooll, all night long!

Claro, eu posso relaxar no feriado que ainda consigo terminar o trabalho freelance à noite. Bastam apenas algumas horinhas de edição de imagem.

20:30 - Chego em casa com minha avó no celular, enquanto procuro a fita para gravar Lost.

21:00 - Vencendo a preguiça com um esforço sobre-humano, começo a edição de imagem. Faltam-me cinco a começar e preciso retocar as quinze que já tenho.

23:00 - Batem as onze e minha pálpebras pesam. Depois de retocar a última imagem virgem, vou para a cozinha fazer um café: ainda preciso montar os catálogos com as fotos. O bule de café, desses octagonais que se esquentam no fogão, me lembra muito da Itália, das meninas e Mimmo. Imagino-me fazendo esse freela por lá e sinto pontadas de desejo de voltar. O café é feito nos intervalos entre fechar um programa e abrir outro: o resultado da falta de atenção é uma água escura, opaca e intragavelmente amarga que jogo na pia.

23:15 - Percebo que não jantei. Escarafuncho na geladeira e acho uma sopa de palmito e uma carne. Lembro com carinho um fim de semana de assistir TV tomando sopa com Lexy. A pedra de sopa gelada cai na panela e desvio com destreza dos pingos. A janta ainda vai demorar.

00:00 - Entro no quarto com a sopa em caneca e começo a montar os catálogos sob os olhares do vizinho do prédio da frente. O sono é inenarrável. Sigo em frente através da letargia tingida de leve desespero.

00:20 - Não entendo porque é que o InDesign do PC não aceita imagens com transparência se eu faço isso o tempo todo na agência. Inicio testes com imagens mais simples. Repentinamente, o torpor acaba, como uma fome que some depois de muito incomodar. Mas o ritmo ainda é lento.

1:00 - Entro no help do InDesign e só encontro o óbvio ululante. Existe transparência, mas a qualidade final é ridícula. Sigo em frente com mais testes. Já estou falando comigo mesmo e divagando entre o inglês e o italiano.

2:30 - Tendo encontrado uma alternativa plausível, embarco em mais edição de imagem: tenho que reformatar as imagens de um dos catálogos.

3:00 - Versão para aprovação do primeiro catálogo concluído e mandado por e-mail. Falta mais um. Começo a ter ausências de alguns segundos, nos quais nem chego a fechar os olhos, mas a vista sai de foco e a mente entra em raciocínios circulares infinitos.

4:00 - Resolvo experimentar outra tática, com outro programa, reconstruíndo o segundo catálogo do zero por causa do lance das transparências. a capacidade de processamento de informação já caiu tanto, que raciocínios geométricos me parecem muito complexos e imprecisos: sei que é possível, só não consigo formalizar como fazê-lo.

4:45 - Uma das minhas táticas dá certo e a imagem resultante tem boa qualidade na transparência. Ouço os primeiros pássaros lá fora.

5:30 - Meio da montagem do segundo catálogo. Um medo me invade de que se o cliente aprovar, eu vou ter que mandar a versão final para gráfica a partir da agência. E se o meu arquivo de PC encrencar na hora de abrir em um Mac? Começo a planejar como vou legar cerca de dois gigabytes de imagens para a agência. Isso no pen-drive, aquilo em CD, este outro por e-mail.

6:00 - As ausências ficam mais violentas, quase narcolépticas. A mente começa a fechar a força. A censura e coerência sofrem baixas e me pego submergindo em semi-sonhos com criaturas bizarras, imperadores chineses, cantores caipiras e um porco falante. A sensação me faz pensar em viagens de ácido e uma doce perda de controle.

6:40 - Terminei o segundo catálogo. Faço um esforço pra parar tudo, reunir os últimos resquícios de concentração e pensar em paginação para gráfica. Preciso do auxílio de pedaços de papel com o número das páginas.

7:00 - Enquanto o computador processa o primeiro catálogo paginado, olho com tristeza para o relógio que me diz que não restaram horas de sono. Estou terminado exatamente em cima da hora. Cometo o erro de deitar só um pouquinho na cama.

7:15 - Acordo de susto. O computador terminou. A paginação do segundo catálogo terá que ser feita na agênca. May God have mercy on my soul.... Preparo para por em prática o plano de levar 2Gb de arquivos para a agência.

7:45 - O despertador toca e eu resmungo que já estou acordado. O último CD começa a ser gravado. Medo de ter esquecido alguma coisa.

8:00 - Pego a roupa do dia e vou para o banho. A cama está perfeitamente arrumada. Queria poder dizer o mesmo do meu rosto.

Saio de casa mais pontual do que eu poderia ser se tivesse dormido. Serei um dos primeiros a chegar na agência. Tenho ataques narcolépticos em dois semáforos fechados e não consigo lembrar em que ponto dos trabalhos em andamento eu parei...

quarta-feira, julho 04, 2007

Ever so gently...

Comecei a fazer nesta semana um trabalho freelancer para um catálogo de moda. Recebi as fotos no fim da semana passada, uma modelete menor de idade de pele tão translúcida, que a edição de foto vai incluir horas de retoques apagando veias. O resto serão fundos coloridos com o bom e velho desafio: um design esperto e abstrato. Como eu odeio abstrato...
[Mas o pagamento é bom, então eu fico calado]

Hoje de manhã, enquato a cidade ainda dormia, fui encontrar-me com o meu contato na empresa. O bairro do Bom Retiro tem uma área de quarteirões dedicada especialmente à moda. Tem cara de bairro pobre, as ruas sujas e as pessoas feias. Mas, vez em quando, uma esquina é polvilhada de pequeníssimos retalhos e fiapos coloridos de tecidos usados. Ou então pego de canto de olho alguma modelo esguia caminhando com charme na frente de alguma fábrica. Pontos fora da curva contrastando com o cenário.

Eu nunca tinha feito nada relacionado a moda.
Apresentei algumas primeiras versões do trabalho e, apesar deles gostarem do design (aleluia!), disseram que as cores eram muito fortes. Quem é de fora da área não percebe e acha que designer é tudo igual. Mas há uma diferença entre alguém voltado para a publicidade e alguém voltado para moda. Tão palpável quanto a diferença entre um pintor a óleo e um aquarelista. A publicidade exige cores muito fortes. Cada elemento precisa gritar bem alto e a harmonia resultante tem que agradar justamente por isso. Mas no trabalho de moda, o design tem que ficar lá no cantinho, escondido, secundário, enquanto as roupas e a modelo alçam a voz como solistas. Os detalhes que vou fazer ainda hoje são tênues, quase imperceptíveis.
Experiência semelhante aconteceu na época em que namorava Bia. Ela, ingênua, achou que meus dotes de pintor a óleo serviriam para maquiá-la. Quando terminei, ela parecia ter levado uma surra, um bofetão em cada olho. Fosse eu um aquarelista, ainda teria uma chance.

terça-feira, julho 03, 2007

Random Literature

Her eyes were what piercing eyes should look like. And she insisted in framing them with black eyeliner, to maximize that effect. Her gaze shot straight through the coppery fringe of her hair on most of the pictures I took of her. Or stared over the edge of the beer glass as she drank at the pub, eyebrows raised in cute surprise. The sheer capacity for expression in those eyes would drive an actor into a jealous fit. There was something about them that was hard to put a finger on. Took me months to understand: it was youth. The kind of young puppy-eyed look that could rule the world. The freshness most women desperately tried not to lose.