quinta-feira, setembro 25, 2008

Juan Francisco Casas

Um dos exercícios que Lexy fez em aula recentemente resultou em uma idéia de fazer uma ação na internet para patrocinar um artista e com isso beneficiar tanto o artista quanto a marca do produto que ele usa. O artista que eles encontraram era uma referência antiga, o espanhol Juan Francisco Casas.
Não lembro ao certo quem foi que me passou a referência pela primeira vez, mas logo de cara me pareceu aquele tipo de idéia que me fez exclamar injuriado "por que que eu não fiz isso antes!?". Ele faz retratos colossalmente grandes a partir de fotos de conhecidos. Dessas fotos que tiramos com as atuais e abundantes máquinas digitais e seus flashes frontais e estourados. As fotos em si nos levam a concluir que Casas é um fotógrafo desleixado, mas ele compensa de forma primorosa pela escolha das expressões cotidianas e debochadas de seus amigos e pela técnica apuradíssima. Tenho que admitir que, se eu de fato tivesse feito isso antes, minhas obras teriam menos gosto do que as dele.

Mas o motivo da minha exclamação injuriada não é só esse.
Ele faz tudo com canetas esferográgicas.

Isso mesmo, canetas BIC, dessas que você compra e alguém pede emprestado e não devolve. Dessas que somem dos balcões das lojas se não estiverem amarradas com barbante. Mencionar isso já faz você, leitor, pensar em desenhos lineares dos contornos dos rostos. Mas vai lá, deixa de preguiça e clica no link do site dele. Sim, é mais do que isso. São verdadeiras pinturas, com volume, sombreado e tudo em uma absurda variedade de tons monocromáticos.
Lembro de ter feito uma anotação em um dos meus cadernos, junto a um desenho do retrato de Lilian que eu estava fazendo na época, sobre como era possível fazer diferentes tons com uma caneta BIC, bastando apenas um controle mais minucioso da pressão que a mão fazia sobre o papel e na proximidade entre as linhas.

A brincadeira de Casas me lembrou ainda de uma aula de história da arte. Claro que, como é típico dessas lembranças, eu não lembro de que período da arte essa aula falava, mas contava de como os franceses daquela época dividiam artistas entre desenhistas e coloristas, sendo que estes valorizavam a precisão na cor em detrimento do desenho e aqueles faziam o contrário. Ingres, por exemplo, era um colorista, e embora sua famosa banhista turca tenha cores e efeitos de luz bem realistas, continua tendo uma estranheza no modo como sua perna direita parece atravessar a cama e ter o joelho perdido em um limbo difícil de entender.
De fato, cada abordagem tem um raciocínio diferente, um modo diferente de compreender como é formada aquela imagem, que vai influenciar na produção de uma ilustração. Todo ilustrador parece ter uma queda para um dos lados, embora tente fazer um pouco dos dois. Eu mesmo tenho uma tendência a ser colorista e a tratar imagens como áreas de cor em vez de compreendê-las como formas lineares. Mas continuo desenhando nas telas antes de começar a pintar.
O divertido sobre o trabalho de Casas é que ele claramente segue um raciocínio colorista, tratando imagens também como áreas tonais mais escuras ou mais claras sem desenhar tantas linhas, mas usa o instrumento de um desenhista e apenas uma cor, o azul BIC.

Fiquei com vontade de fazer um exercício desses...

terça-feira, setembro 23, 2008

Tenho curtido bastante as sequências recentes do Sin Fest. Uma das jóias dos meus links de webcomics, a tirinha virtual é atualizada todos os dias, com páginas maiores e coloridas aos domingos. A frequência de atualização não tira a qualidade de cada tirinha, quem tem personagens muito expressivos e um roteiro hilário, recheado de humor negro e tiração de sarro.

Um dos pontos fortes do roteiro sempre foi sua atitude anti-maniqueísta, onde asseclas de Deus e do diabo travam batalha sem deixar claro quem tem vantagem sobre quem. Tudo isso enquanto um sereno e mudo Buda se nega a tomar qualquer partido na briga e se retira para ouvir seu iPod.
Mas ultimamente o criador da tirinha, o desenhista Tatsuya Ishida tirou lincença da atitude em-cima-do-muro para fazer sátiras políticas dos EUA. Começou timidamente com um dos personagens resolvendo se candidatar para presidente depois de saber dos escândalos sexuais envolvendo candidatos. Sua procura por mulheres para o cargo de vice-presidente chamou a atenção de outro personagem, um porquinho travestido de mulher vendo nisso sua chance de entrar para a política. Este, por sua vez, acabou sendo uma mistura entre Britney Spears e a escandalosamente idiotica candidata a vice do McCain, Sarah Pallin. Pra completar a pornochanchada, Ishida ainda fez uma mistura de Barack Obama com Lenny Kravitz (atenção para a referência ao vídeo do fã enlouquecido da Britney no último quadrinho) e uma curta participação de um McCain desafinado e tão ridículo e insípido quanto o verdadeiro.

As últimas tirinhas que vi tinham deixado esse assunto um pouco de lado. Concentram-se atualmente na derrocada do sistema econômico americano, completo com referências ao estouro das "bolhas" econômicas e a queda da bolsa de NY. O Tio Sam emo é a cereja do bolo nessa crônica do declínio do império americano.

Tempo

E de repente, dois anos se passaram desde que voltei de viagem.
O mais desesperador de tudo é que não os senti passarem. Um contraste amargo quando comparado aos seis meses daquela viagem que ainda não me saem da cabeça, e que pareceram por si só terem durado dois anos inteiros, um em cada país onde fiquei.

Foi pensando nisso e em tudo que meu irmão relatou de sua própria viagem que comecei a pensar sobre como a minha percepção de tempo está intimamente ligada à memória de eventos peculiares. Semanas de pura labuta, onde cada dia não se distingue do outro, não oferecem qualquer referência que as marque na memória. O tempo entre o hoje e a última vez que algo memorável aconteceu se estica em uma massa homogênea e imensurável a não ser pelos artifícios socias: os nomes dos dias, os números nos calendários, a movimentação bancária. Mas tudo isso são de fato apenas artifícios. A impressão que tenho é que o tempo não passou.
Será assim para todo mundo? Os anos ineventuais parecem passar depressa e os sabáticos parecem equivaler a três ou quatro?
O ano passado ao menos durou um pouco mais do que este. A banda pontilhou meus meses de noites especiais onde eu vivia aquele sonho de infância de estar sob o palco e reger uma pequena multidão. Mas este... Chegamos quase ao décimo mês e nada aconteceu. Faz-me sentir um desperdício de tempo, uma velhice prematura. Velhice esta que está até no modo como escrevo hoje, cheio de floreios barrocos e rugas.

Minha vida demanda uma mudança de vida. E planos já estão sendo feitos para que o ano que vem seja novamente duradouro.

domingo, setembro 21, 2008

Burning Man

Como todos os anos, o festival do Burning Man aconteceu na última semana de Agosto, tendo seu último dia no "Labor Day" americano. Este ano, reuniu 50 mil pessoas na cidade de Black Rock, Nevada, nos EUA. O festival reúne gente do mundo todo durante uma semana, para uma experiência única. O foco principal do evento está na expressão, nas mais variadas formas de arte. Claro que, estando no deserto, a ocupação de espaço tem um papel fundamental na diferença entre ser visto ou completamente ignorado. Por isso, obras tridimensionais gigantescas têm vantagem sobre a pintura ou outras formas de arte mais singelas. Os participantes usam os elementos ( o calor, o vento, a areia) na criação de obras flamejantes, trabalhos que se movem, coisas altivas que enfrentam o deserto.
Mas o festival não é só isso. Muita gente deixa a participação com obras físicas para experimentar com obras interativas ou experimentos sociais. Há uma outra característica fortíssima do Burning Man que é a questão social. De acordo com o site do evento, não há regras comportamentais (exceto aquelas que preservam a saúde e segurança da comunidade). Ou seja, você não é mais o outsider, o esquisito: tem sempre alguém fazendo algo mais inusitado. Dinheiro não tem valor no evento. Tudo é feito na base da troca e da bondade entre as pessoas. Você está lá para ter uma experiência fantástica e ajudar os outros a terem o mesmo. Você está lá não só para sobreviver ao deserto, mas para fazer dessa sobrevivência uma epifania artística.
Claro que nem tudo são flores. Ao que dizem os veteranos, o sol é inclemente durante o dia, e a noite é gélida. Característica do deserto. Não há lojas de comida no lugar e cada participante deve trazer seus mantimentos (água e comida) para toda a duração do evento. Chovem recomendações de protetor solar. Mas até mesmo a dificuldade deve ser encarada como um desafio esclarecedor. Quanto você precisa para passar uma semana no deserto?
A noite de sábado é reservada para o acontecimento que dá o nome ao evento: uma gigantesca construção em forma humana é queimada durante a noite em um ritual que encerra a edição daquele ano. Pelo que eu entendi, no fogo são queimados, entre outras coisas, o lixo e restos. Tudo para manter o ideal de não deixar nada no deserto. Claro que, após a fatídica semana, grupos de voluntários permaneccem no local para ajudar a retorná-lo à sua forma anterior. O evento não deixa vestígios a não ser a profunda transformação nos visitantes.

Depois de dois anos do mais absoluto marasmo que aconteceram após minha viagem à Europa, estou dando tratos à bola de participar do evento no ano que vem. Tenho um ano inteiro para ir atrás de informação, material e burocracia. Quem se candidata e ir comigo?

segunda-feira, setembro 15, 2008

2000e8 ao vivo

Na sexta passada, compareci novamente às palestras do grupo 2000e8. Desta vez, a conversa foi com os pintores Rodolpho Parigi e Rodrigo Bivar
A conversa teve início com um ponto muito interessante de se ouvir, com ambos explicando como a atenção atraída pela matéria de jornal há alguns meses atrás rendeu muita coisa, contatos, propostas, etc. Bivar tomou a palavra para questionar o modo como o grupo estava sendo alardeado como uma espécie de renascimento da pintura que, na opinião dele, sequer havia morrido. Comentou que para gerações anteriores de artistas, a pintura era uma questão complicada: por que pintar em uma era onde a captação e reprodução de imagens já era avançadíssima e o abstrato já tinha sido explorado à exaustão? Mas para o grupo 2000e8 (e, até certo grau, para os demais pintores atuais), essa questão estava superada (ignorada?): pintamos por gosto. O gosto pelo metier da pintura, seu processo de produção. A conversa seguiu então para um ponto que Parigi concordou, de que a arte atual havia alcançado uma situação onde, mais do que a qualidade do trabalho em si, havia uma importância exacerbada sobre as questões periféricas à arte: o mise en cene em torno do artista, da mídia, da moda, de vocativos e manchetes de jornal do tipo da "geração tinta fresca" que anunciava a matéria sobre o grupo. Ou seja, a relação com a arte, principalmente nos grandes centros, era indireta, mediada. As pessoas viam as obras pelas fotos do jornal, pelos sites, não pessoalmente.
Preciso concordar veementemente. A sensação de maravilhamento que tive diante do Eine Kleine Nachtmusik da Dorothea Tanning na Tate em Londres, por exemplo. Vê-la em livros já havia sido uma experiência poderosa, mas estar diante da obra em si, da precisão de minúcia das pinceladas, é outra coisa. E perdemos isso cada vez mais, pela possibilidade de procurar no Google e ter acesso a qualquer imagem.

Isto posto, o resto foi a apresentação dos trabalhos.
Parigi começou, apresentando seus abstratos. Seu jeito cômico, debochado e sexual aparecia nas pinturas [1][2], que misturavam cores extravagantes a efeitos de luz e formas que lembravam coisas úmidas, líquidas, orgânicas. Mas ele tinha ainda outro trabalho: abstratos gigantescos que tomavam conta de fachadas de prédios como o da Galeria Vermelho ou o interior da Nara Roesler. Ele explicava o uso exclusivo de preto para os desenhos devido à rapidez que ele precisava para executá-los. A mente trabalhava mais rápido do que as mãos, dizia ele, e a cor seria mais um dado que consumiria tempo demais para incorporar na produção. Mas havia outra coisa nisso: perguntei a ele se ele acreditava que seu trabalho em fachadas tinha algo a ver com o grafite ou pixação, aproveitando para citar o caso da Choque Cultural. E ele admitiu que tinha sua queda pela pixação. Mais do que pelo grafite, que ele considerava ingênuo. Obviamente, Parigi seria o típico alvo do protesto na Choque Cultural: o artista plástico que se apropria da linguagem do grafite/pixo sem nunca ter sentido a adrenalina transgressora de pixar sem autorização. Deve-se no entanto prestar atenção ao fato de que ele não se intitula pixador. Diz-se artista plástico, com muita propriedade. Apenas se interessa pela estética, a expressividade, e pelo conceito transgressor. De qualquer forma, deixou escapar que tem seus planos de consumar todo o ato da pixação. Proibições e tudo.

Me identifiquei, como pintor, com os trabalhos de Bivar. Apesar dele ousar menos com as cores, também pinta a partir de fotos de conhecidos. Sua procura, assim como com a Renata de Bonis na palestra anterior, é pela homogeneização. Ela procurava o menor contraste entre as cores. Ele, a menor diferença hierarquica entre os elementos da pintura. Por isso, dizia pintar um detalhe como um braço ou um rosto com o mesmo desprendimento que pintava um objeto inanimado. Entendi sua procura: era a tentativa de esvaziar os olhos de significado, ver até mesmo um corpo conhecido como não mais do que forma, sem o fardo do seu significado. Mas isso, na minha opinião, acaba sendo um detalhe pessoal de quem executa a pintura, difícil de ser compreendido por quem a observa. É como a minha sensação de lascívia ao pintar a curva de um lábio ou escolher o tom correto de uma pele de garota. O produto final, para o observador, raramente lhe transmite essa mesma experiência.
Mas será que isso torna a experiência do pintor menos válida?
O que vale mais, a experiência do artista ou a que ele causa no leigo?

A próxima palestra do grupo 2000e8 acontece no dia 17 de Outubro, às 19:30, na Escola São Paulo. Desta vez, com a presença de Bruno Dunley e Regina Parra.

terça-feira, setembro 09, 2008

Ataque à galeria Choque Cultural

Essa história do grafite está me rendendo muito assunto por aqui.

Recebi notícias hoje sobre um ataque acontecido neste fim de semana à galeria Choque Cultural, protagonizado por cerca de 30 pixadores [1][2][3]. Ao que tudo indica, o ataque foi organizado por Rafael Guedes Augustaitiz (Rafael Pixobomb), o mesmo artista que em julho deste ano tinha sido expulso da Faculdade de Belas Artes por ter apresentado como trabalho final uma ação semelhante, onde pixou as dependências da faculdade. Os donos da galeria estavam fora do país quando tudo aconteceu. A "ação" foi documentada com fotos em uma conta de Flickr onde li a maior parte da discussão gerada.

Diz-se por aí que o ataque foi um protesto dos pixadores contra a "comercialização, institucionalização e domesticação da Cultura de Rua", revoltados com a popularidade que os grafiteiros conquistaram recentemente (vendendo-se para "O Sistema"), enquanto o "pixo" ainda é marginalizado. Cabe aqui uma breve explicação que talvez eu não tenha escrito por aqui. Com a ascensão dos grafiteiros ao status de artistas, abriu-se ainda mais o abismo entre o grafite e a pixação. Entenda-se grafite como um estilo de arte predominantemente figurativo, ilustrativo, executado em muros da cidade. O pouco de texto que se vê é estilizado e abusa das cores. Já a pixação é compreendida como o ato de demarcar território (geralmente em lugares altos e de difícil acesso) com assinaturas etilizadas e pouco uso de imagem. A cor principal é o preto fosco, embora alguns pixadores experimentem com outras cores. Ambos têm fortes ligações com a questão do espaço publico e sua privatização pelas chamadas "classes burguesas" e "O Sistema". Mas de forma geral (e mesmo antes da ascensão do grafite), a primeira é vista como uma forma de expressão tolerada em maior ou menor grau, e a segunda ainda é vista por muitos com o desprezo reservado apenas a animais que mijam para marcar território.

Muito bem, vamos às questões...
Sabe-se contra o quê foi o protesto. Mas contra quem foi? Contra a galeria? Acho que isso é o mesmo que vandalizar um McDonald's e esperar que isso afete o capitalismo. Não, segundo talita virginia, uma das pessoas comentando no Flickr, o ataque não foi contra quem quer levar a arte das ruas para a galeria, mas contra quem se diz "grafiteiro" e faz "arte de rua" sem nunca ter pintado um muro. Certo. Vamos às duas questões consequentes.
Primeiro, se o ataque era contra esse tipo de falso grafiteiro, então por que detonaram a galeria em vez de ir ter com os falsários em si? E segundo, concordo que é falso dizer-se grafiteiro sem nunca ter pintado uma parede, mas se o individuo em questão se diz artista plástico e se apropria dessa estética pra usar em outro contexto (uma pintura em tela, por exemplo), ele está tão errado assim? Tem muito ex-grafiteiro que virou artista plástico. Mas os que eu conheço sempre tiveram a decência de separar as duas coisas.
A Choque Cultural nunca afirmou vender grafite. Usando de termos ambíguos, afirmou ser dedicada à estética underground. Os defensores da galeria afirmam que de fato ela nunca vendeu grafite: para isso teria que vender um muro inteiro. E isso é espaço público. Ela comercializa coisas vendáveis (telas, esculturas, revistas, etc) com a estética underground.
Fiquei surpreso ao ver muitos pixadores comentando no Flickr contra a ação. Aparentemente, há uma regra de conduta entre pixadores de que não se pixa sobre trabalho dos outros. "Atropelou é TOY", escreveu um, usando a gíria que significa, trocando uma tribo urbana pela outra, ser n00b (newbie, o novato e inexperiente que só faz besteira, entre tribos da internet) em pixação. Fez-me lembrar de outra questão recente tratada na mídia, onde os punks veteranos que tinham motivos para a violência desobediente criticaram as gangs de punks recentes, que promovem a violência pela violência. Estes pixadores parecem promover o "pixo pelo pixo", sem pensar direito na subversão que pretendiam promover. Reitero meu repúdio a esse pensamento tipicamente americano do "rebelde sem causa", do "ser diferente, único e contra O Sistema" só porque disseram que é legal. Outro dos que comentaram, jotapepabst, exemplificou essa minha sensação escrevendo "o trabalho que tava exposto na galeria era de um inglês chamado gerald laing, que tem o dobro da minha e da sua idade juntos, que participou de outro tipo de subversão em outra época... e nunca se disse grafiteiro. batalhou muitos anos pra chegar onde ele tá agora e poder viver com dignidade fazendo o trampo dele. esse cara foi atropelado, inexoravelmente. só me diz o que ele tinha a ver com a história".

A dona da galeria, Mariana Pabst Martins, não desceu do salto e deu uma resposta à altura no próprio Flickr em questão, comentando que eles tinham deixado uns quadros legais por lá, que deveriam ser muito valorizados com o ocorrido. O comentário deu o tom para o sarro da discussão, transformando o ataque sofrido em uma ajuda imprevista à galeria e ao que ela representa e completando a desmoralização do grupo de pixadores.

O resto ainda está meio confuso para mim. Há quem diga que a ação foi encomendada, como um marketing de guerrilha. Se comprovado, o feito faria apenas desmoralizar ainda mais os pixadores que participaram, por colaborarem com "O Sistema", e enaltecer a galeria entre os publicitários (mas não entre os artistas...), porque convenhamos, seria uma estratégia bizarra mas muito eficiente de gerar buzz (tá, me processem, eu uso termos publicitários...). Há quem aponte para o fato de terem tirado fotos e publicado no Flickr como indício de que o negócio foi armado. Mas para uma galera que vandaliza as coisas assinando a própria identidade, acho que segredo não é uma prioridade. De qualquer jeito, é algo a se pensar: nas fotos do Flickr, as únicas obras pixadas são as que têm moldura com vidro pra proteger...

[DISCLAIMER]
Pessoalmente, eu nunca pintei um muro que não fosse meu ou de amigos. Nunca senti a adrenalina do grafite ou pixação (coisa que, entre os comentários, parece validar alguém como artista de rua). Sou de um estilo de arte bem mais conservador e careta, longe da street art. Portanto pode-se dizer que não me cabe esse juizo de valores. Mas ainda sou livre para ter opiniões.[/DISCLAIMER]

[EDIT]Mais links adicionados em 11/09/2008[/EDIT]

quinta-feira, setembro 04, 2008

Complementando

Pra complementar coisas que eu tenho postado por aqui, vi duas notícias que me chamaram a atenção recentemente.

A primeira é um de um site sobre grafite ecológico (?) que lista as 35 maiores obras de grafite reverso.
O grafite reverso, como o nome indica, é a ação executada por alguns grafiteiros que trocam as latas de spray e outros instrumentos mais rotineiros por material de limpeza. Ou seja, em vez deles gerarem ilustrações por um processo de adição, colocando tinta em superfícies públicas; eles realizam os seus trabalhos por subtração, limpando partes de superfícies imundas da cidade para criar suas imagens. Achei fantástico. Sem falar que reverte a idéia de que grafite é uma coisa suja.

A segunda notícia veio do site do Yahoo!. Parece que uma empresa está se preparando para lançar bicicletas elétricas por aqui. A idéia é suprir um crescente mercado de gente que não aguenta mais o transito desta cidade (que tem batido récordes e deixado muita gente perplexa ultimamente), mas também não gosta da idéia de chegar suado no local de trabalho logo de manhã. Embora a notícia não dê palpite sobre o preço, diz que com certeza será menos do que as motos mais baratas. Quem sabe... Agora só falta o governo acordar para a realidade e cooperar com as ciclovias.