domingo, dezembro 25, 2005

Fim de Ano

Pessoas, vou passar o reveillon em Araruama, uma cidadezinha ao norte do estado, com meus pais, meus tios e alguns primos. Volto no dia 2, onde colocarei os melhores momentos da coisa toda por aqui e farei um daqueles balanços do ano como fiz no fim do ano passado. Até lá, desejo um bom reveillon para todos vocés, e que 2006 (que começa num domingo e tem a primeira sexta-feira 13 logo no primeiro mes...) traga muita surpresas boas. Na verdade, a frase genérica é: que o ano seguinte seja muito melhor do que este.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Alice no País das Galerias....

Avisando com antecedência...

Vou expôr em Janeiro, no Reserva Cultural, espaço embaixo do prédio da Gazeta. Lembro-me bem do espaço, porque é onde o colégio costumava fazer sessões de cinema aos sábados, exibindo filmes mesmo antes de estrearem no circuíto da cidade.

Ia colocar fotos e os retratos (pintura). Porém, como Gisela Gari, ex-integrante do ateliê, vai expôr fotos antes de mim, a galera do Reserva me pediu para trazer outra coisa em vez das fotos. Interessaram-se muito por aquarelas quando eu disse que gostava de fazer. E, considerando que eu gastaria uma boa grana para ampliar todas as fotos que eu queria colocar lá, achei que fazer aquarelas seria mais legal e econômicamente viável.

Então, é com prazer que anuncio que estarei redesenhando a Alice que tenho publicado no blog, adaptando-a para aquarela, sem perder muito do desenho original. E em Janeito avisarei novamente sobre a exposição. Teremos os mesmos velhos retratos, uma ou outra pintura nova, e cerca de dez aquarelas de minha Alice.

domingo, dezembro 18, 2005

Floripa - Epilogue

Cheguei na casa de Arina às 19:00, horário combinado, totalmente encharcado. Lá, encontrando o resto da turma e conhecendo o motorista que me levaria até São Paulo (Alexandre, um japonês simpaticíssimo que estudava turismo e estava em Floripa... estagiando), resolvemos saír à noite para uma última balada antes da viagem. Estava um pouco indisposto a ir beber antes de viajar. Porém mais indisposto ainda estava a ficar só em casa enquanto os outros se divertiam.

A turma formada em Floripa tivera sempre um objetivo, que eles bradavam aos quatro ventos: procurar a balada perfeita. A última balada foi, de fato, memorável. Restaurante mexicano, música ao vivo de toda américa latina. Nachos. O casal cujo nome nunca soube, dançando maravilhosamente bem qualquer música. Eu e Rita tentando não fazer feio ao lado deles. Músicas que eu ouvira e cantara e tocara em violão quando morei fora:

Mi piel es morena como los cueros de mi tambor
Y mis ombros son um par de maracas que besa el sol


E eu aferrado aos ombros morenos de Rita. Depois de Yo me llamo Cumbia, ainda teve Coralito. Eu ainda lembrava de parte das letras. Rita pedia-me para dançar para que a ajudasse a afugentar a sonolência do álcool: sofrera o ataque de um vaqueiro mexicano que andava pelo bar, jogando tequila garganta abaixo das pessoas.

Com o fim da noite, voltamos para a casa de Arina. Despedidas e fotos. Sabia que, daquele momento em diante, as pessoas sairíam da história gradualmente, enquanto nos encaminhávamos para os créditos finais. Arina, a francesa brincalhona Pauline e o Lala's ficaram por lá mesmo. Ele voltaria no dia seguinte. Carol, que viera conosco, ficou em São Bernardo. Alexandre deixou a mim e a uma ressacada Rita na estação de metrô do Jabaquara depois de dez horas de viagem. Por fim, na estação Ana Rosa, bastou olhar para Rita adormecida para que ela acordasse. Nos despedimos de maneira casual, até banal. E então o metrô se foi. No ônibus que me levou pela última e familiar parte da viagem, as pessoas olhavam meu jeito maltrapilho e descabelado com alguma estranheza. Reconheciam um viajante por causa das malas. O caminho, apesar da sensação confortável de familiaridade, já causava-me também um tipo de torpor: eu já estava funcionando novamente daquela maneira automática que fazemos em casa, passando pelos lugares sem olhar, se usar a cabeça. Em Floripa, tudo era novo, desafiante. Havia pequenos desafios diários que precisavam de raciocínio, memória fotográfica, organização. Aqui tudo funcionava sem fazer esforço. Apatia. Quando desci do ônibus e comecei a caminhar os últimos passos da viagem na trivialmente familiar rua de casa, o rush da viagem começou a se dissipar como se acordasse de um sonho. Ou talvez estivesse submergindo em um, na irrealidade onírica da rotina. De fato, quando entrei em casa, meu pais no sofá da sala me saudaram como se eu tivesse ido apenas até a esquina. De certa forma, pensando na viagem que se anuncia para daqui há pouco mais de um mês, eu só fui até a esquina mesmo.

Interesting people, places and adventures are right around the corner

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Floripa - Day 4 - The Last Shower

Depois de deixar o post anterior, li nos comentários do blog a nota da Lee no dia 14, dizendo-me que ela sentia que algo havia mudado em mim depois do dia em que voltei para casa de madrugada. Saí do cyber e vaguei pelas ruas esperando o tempo passar. Minha cabeça a mil: por um tempo, divagava sobre o curto dia que passei com Gabe, e como eu queria sentir que aquele havia sido nosso verão (vide dia 24 de Outubro, primeiro post). Depois, quando vaguei pela catedral onde encontrei a Gabe pela primeira vez, fez-me a pergunta consequente do comentário da Lee: o que mudou depois daquele dia? Quatro ou cinco teorias sobre isso surgiram, todas prontamente rechaçadas por serem tentativas de enganar a mim mesmo. Será que algo tinha de fato mudado? Lee ainda tinha qualquer vestígio de propriedade ou sincronia para perceber essas coisas em mim? Finalmente, saíndo da praça, andei pelas ruas do centro atrás dos lugares que estivemos naquele dia. Minha cabeça perguntava daquele jeito emo-piegas se aquele dia havia realmente acontecido. Se Gabe não era alguma entidade internética sem manifestação física. Se eu não havia apenas sonhado com Uly e as meninas e abraçar a Gabe para a foto na lagoa. Me achei estúpido por pensar essas coisas. Mais ainda depois que achei a escadaria na rua Trajano, ex-reduto underground de Floripa, que Gabe me apresentara pessoalmente. Algumas ruas pra lá, eu sabia que encontraria o café que ela me mostrou dizendo ser um dos seus favoritos. Aquele com a fachada em cores primárias, bem chamativo. Lá dentro, o suco de laranja tinha gosto de realidade. Este terço rezado de lugares que passamos aquele dia terminou a duras penas, quando percebi que estava do lado errado do centro, e que o bar onde eu bebera com Gabe e Uly nas primeiras horas daquele encontro estava lá do outro lado. Encontrei-o, naquele beco sem nome que termina na rua Tiradentes. Lembrei que lá, pela primeira vez na vida, bebi uma cerveja sem me importar com a amargura do gosto. Teria bebido outra como parte desse meu ritual de reviver, mas teria um sabor ainda mais amargo, um gasto desnecessário.
Cena final. Voltei ao albergue, onde já fizera o check-out, para pegar minha mala. O céu nublado refrescava do calor do dia e uma chuva sem graça já desafiava cair. Peguei a mala e desci a íngreme rua até a estação, onde iria para a casa de uma das pessoas que conhecemos por aqui e de lá, pegaria a carona que me levaria para casa. A cada passo do caminho para a estação, a chuva aumentava de intensidade. Os mesmo fantasmas de areia que corriam na planície da Praia da Ferrugem aqui eram feitos de água soprada pelo vento. Meu passo era calmo, decidido, trivial, enquanto eu me lembrava que, dentre as primeiras coisas que conversei com Gabe estava o fato de ambos gostarmos de chuva, de ficar encharcado, de não se importar com a água e até sentir-se purificado. Quando cheguei na estação, meu All Star fazia aquele barulhinho de calçados encharcados. Comentara isso com ela também. O que era essa coisa que eu tinha com as filhas da chuva?

Floripa - Dia 4

OBJECTIVES:
• Objective read between the lines: failed...
• Return home: In progress

DIRECTIVES:
• Rendezvous with the squad: scheduled at 19:00
• Identify drivers for the way home: N/A

O quarto dia em Floripa deu um pouco errado. Não consegui encontrar a Gabe novamente, e acabei ficando pelo centro da cidade mesmo. O resto da turma foi para Jurerê. Em um cyber, vi que Gabe já colocou algumas das fotos que tiramos no fotolog dela. Melancolia de ter vindo aqui e não ter cumprido minhas expectativas.

Enfim, estou por aqui. Combinei com uma galera do albergue de voltar com eles de carro. Vai sair metade do preço e o dobro da diversão. Estou gostando de viajar assim, sem muitas regalias. Estarei de volta em sampa amanhã de manhã. Ainda não sei a hora exata. E na verdade, não importa. Viajar assim te tinge de um carelessness muito próprio. É uma sensação nova para um control freak como eu. Realmente não se importar tanto com os gastos, com os horários, com os programas. Apenas estar lá. Estar viajando em si já é uma vitória. O resto, o que acontece durante, é lucro.

Ontem à noite, inspirado pelo dia na Ferrugem, voltei para o albergue um pouco mais leve. À noite, tomado por um pouco de inspiração residual, fiquei alguns minutos olhando os corredores vazios do albergue que parecem corredores de manicômio, as táboas rangendo, o teto simplório, a luz da rua entrando pela janela e projetando sombras no teto do beliche. Me deliciei com uma estética muito diferente do meu mundo, um pouco mais crua porém muito mais bela. Senti um estranho prazer com ela: algo que deveria me deprimir e me maravilhava. Me senti bem. Pela primeira noite, deitei para dormir sem medo de crises de ansiedade. Senti um tipo de paz gostosa que eu já tinha esquecido. Queria ficar acordado a noite toda pra aproveitar aquilo. Mas naquela paz, adormeci rápido.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Floripa - Day 3

OBJECTIVES:
• ALL MISSIONS ACCOMPLISHED

DIRECTIVES
• Recover physical/mental health: OK

O terceiro dia foi passado nas praias. Viajamos (eu, Lala's e a turma que conhecemos por aqui) para Garopaba. Foi uma sensação gostosa de rever um lugar no qual eu estivera anos atrás e que me inspirara tanto. Foi lá que eu fiz esta e esta. Quando voltei lá, haviam contruído uma loja em frente à casa demolida. Porém as ruínas ainda estavam lá! Tirei algumas fotos, que vou colocar no fotolog quando chegar em casa.
Depois disso, Praia da Ferrugem. O lugar me inspirou a tal nível, que chegueia ficar naquele estado meio autista, absorvendo as coisas, fazendo pequenas tolices, aproveitando o cenário. Suponho que minha próxima Alice seja inspirada no lugar. A praia era uma planice cortada por uma córrego. Perto do mar, uma colina muito bem cuidada convidava para escalar e ver as coisas de lá de cima. O vento soprava muito forte e, enquanto andávamos para a colina, a névoa feita pela areia movida pelo vento corria pela plan+icie como fantasmas fugindo. Atravessavam nossas pernas e causavam uma sensação de centenas de pequenas agulhas perturbando a pele. No topo da colina, abri os braços e imitei as gaivotas voando, sentindo a aerodinâmica e meus tags militares (coisa de Galeria do Rock...) voando ao vento.
Me xinguei muito por ainda não ter gasto uma grana com uma máquina digital decente. Aquele lugar pedia fotos. Muitas fotos. Mas minha máquina de reles 1.3 megapixels não fazia juz á ocasião e acabou com as pilhas justamente na hora.
Às vezes imagino que eu seja mais interessante assim, mostrando a versão processada, estetizada e poética das minhas impressões, do que sendo observado in loco, enquanto estou experimentando as coisas. É como observar um menino autista. É meio sem graça.
Voltei para o albergue digerindo a experiência, morrendo de vontade de ter meu caderno e lápis à mão. Às vezes estas experiências são tão intensas que chegam a dar uma espécie de "indigestão poética". Como se me sensibilizasse demais. E incomoda. Vocês dizem querer a minha sensibilidade às vezes. Nessas ocasiões, queria poder realmente cedê-la a vocês um pouco. Tirar o peso dos ombros como se tira uma roupa cheia de areia soprada pelo vento.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Floripa - Day 2

OBJECTIVES:
• PRIMARY: Find Gabe: OK

DIRECTIVES:
• Relocate to the hostel downtown: OK
• Re-establish internet connection: Searching...

Demorei para escrever mais porque não estava conseguindo encontrar uma internet barata por aqui e nem tempo para escrever (tenho mais o que fazer por aqui, né?).
Na noite do primeiro dia, depois de um pouco de stalking, descobri os planos de Gabe e a turma. No entanto, não a encontrei na balada. Frustrado, voltei para casa. No dia seguinte, depois de sair do albergue de Canasvieiras eir para o centro, resolvi tomar a abordagem direta: liguei. Encontrei Gabe nas escadarias da catedral de Floripa. Foi surreal. Gostoso perceber os detalhes: perceber como ela era pequena, menor do que eu (proporção é frequentemente a razão do estranhamento ao encontrar amigos de internet...); como ela tinha um tom de ruivo nos cabelos parecido com o de Taís, mas que não aparecia nas fotos; descobrir que a razão disso era o fato dela detestar o sol e que as fotos dela eram todas dentro de algum lugar com lua fluorescente ou à noite; ouvir a voz dela e os regionalismos, inimagináveis antes disso. Terminamos o dia empinando pipa na lagoa (quero as fotos, moça...) com a maravilhosa turma dela, rindo muito de tudo depois de várias cervejas.
Voltei para o albergue com alguma melancolia, ao perceber que um momento havia passado. Que eu devia ter vindo aqui semanas atrás e agora havia essa sensação de ser tarde demais. Não sei explicar. Aliás, sei, mas não sei se devo.

terça-feira, dezembro 13, 2005

Floripa - Day 1

OBJECTIVES:
• PRIMARY: Find Gabe: Stalking...
• SECONDARY: Find Lala's: OK

DIRECTIVES:
• Find lodging: OK
• Find internet connection: stablish communication with superiors: OK

Cheguei em Floripa pontualmente às 8:30. Não tinha idéia de se conseguiria encontrar Lala's. Minha informação era de que ele estaria no albergue do centro a partir de hoje. Porém o dito cujo não tinha vagas, só amanhã. Fiquei em Canasvieiras por hoje. Chegando no albergue de Canasvieiras, depois de dez horas de ônibus e um cabelo de espantar defunto, Assinei minha entrada no albergue. Logo acima do meu nome: Lala's. Reconheci a caligrafia meio torta e por um momento me senti como Humbert, de Nabokov, caçando caligrafias conhecidas. Pedi para ser colocado no mesmo quarto. Quando abri a porta, dei de cara (literalmente: ele dormia perto da porta...) com aquela careca familiar. Não a via há meses. Ele dormia o sono maltrapilho e bagunçado dos recentemente ébrios ou dos viajantes de noite varada. Porém quando fechei a porta com todo cuidado e virei de costas para colocar a mala no chão, ouvi a saudação típica: "Hey, biatch!". De fato, ele havia viajado muito e baladeado muito: estava exausto. Porém em minutos estávamos conversando como se, de fato, esses meses de viagem nunca tivessem acontecido. Como se estivéssemos nos bares da vida.
O resto do dia foi rápido até aqui. Praia, muitas loiras (mulheres, não cervejas...) com caras mal-humoradas e novos amigos. Um israelense pragmático e calmo, um carioca e outro paulista mulherengo. Passamos o dia rindo.

More as the events unfold...

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Pictures of You

by the Cure

I've been looking so long at these pictures of you
That I almost believe that they're real
I've been living so long with my pictures of you
That I almost believe that the pictures are
All I can feel

Remembering
You standing quiet in the rain
As I ran to your heart to be near
And we kissed as the sky fell in
Holding you close
How I always held close in your fear
Remembering
You running soft through the night
You were bigger and brighter and whiter than snow
And screamed at the make-believe
Screamed at the sky
And you finally found all your courage
To let it all go

Remembering
You fallen into my arms
Crying for the death of your heart
You were stone white
So delicate
Lost in the cold
You were always so lost in the dark
Remembering
You how you used to be
Slow drowned
You were angels
So much more than everything
Hold for the last time then slip away quietly
Open my eyes
But I never see anything

If only I'd known all the right words
I could have held on to your heart
If only I'd known all the right words
I wouldn't be breaking apart
All my pictures of you

Looking so long at these pictures of you
But I never hold on to your heart
Looking so long for the words to be true
But always just breaking apart
My pictures of you

There was nothing in the world
That I ever wanted more
Than to feel you deep in my heart
There was nothing in the world
That I ever wanted more
Than to never feel the breaking apart
All my pictures of you


For Gabe.

domingo, dezembro 11, 2005

Alice 13



Alice now had the Journeybook, a very powerfull item
Alice tinha agora o Journeybook (Livro de Viagem), um ítem muito poderoso


P.S.: Experimentei um novo esquema de cores. Espero que gostem. Detalhe: é a primeira vez que os olhos dela têm cor. Demorei pra escolher.

sábado, dezembro 10, 2005

Perfect

by Smashing Pumpkins

And I've known
We're just like old friends
We just can't pretend
That lovers make amends
We are reasons so unreal
We can't help but feel
That something has been lost

But please
You know you're just like me
Next time I promise we'll be perfect
Perfect
Perfect

Strangers down the line
Lovers out of time
Memories unwind
So far, I still know who you are
But now I wonder who I was
Angel, you know it's not the end
We'll always be good friends
The letters have been sent on

So please
You always were so free
You'll see, I promise we'll be perfect
Perfect

Strangers when we meet
Strangers on the street
Lovers walk asleep

Perfect
You know this has to be
We always were so free
We promised that we'd be
Perfect
Perfect


For indecent proposals...

Dawn

Há um tipo único de satisfação em voltar para casa de ônibus ao raiar do dia. É aquela sensação de fim de filme, de ter usado tudo, exaurido as forças, conquistado os objetivos. A segurança de não ter nada mais a perder. Vou andando os quarteirões e as luzes da iluminação pública são desligadas: sensação de estar no lugar certo na hora certa para ver algo inusitado. Só que ao contrário. As pessoas de bem estão no ponto do ônibus, tomando café e bolo vendido por uma garota de cabelos crespos loiros que cobre tudo com plástico. Tomo o ônibus e sem perceber, cochilo. Quando abro os olhos, o sol já está batendo nos prédios daquele jeito que faz às seis da tarde, pouco antes de escurecer. As pessoas olham para meus trajes de quem volta da balada e há uma ponta de reprovação em seus olhares que infla um pouco mais o meu ego de filho de pai rico. Quando chego em casa, meus pais estão acordando. Estranham o filho comportado chegando a essa hora, mas não dizem muito. Deito na cama com roupa e tudo, sem desfazer as cobertas, porque sei que vou apenas cochilar um pouco: o dia já começou e eu detesto desperdiçá-lo dormindo, mesmo tendo passado a noite em claro. E o dia passa mesmo. Tudo tem aquela inconstância e imaterialidade de um sonho, em meio a episódios narcolépticos. No entanto, estou em tal estado de graça pela noite anterior, que não sinto a mínima culpa por isso.

De vez em quando, preciso destas noites de loucura e propostas indecentes, só pra dar uma fustigada na rotina que eu tanto cultivo...

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Stalking

Dentre os comportamentos bizarros que eu cultivo está aquilo que, em inglês, é definido pelo verbo to stalk (tradução aproximada: espreitar - substantivo: stalker). É aquele observar de longe, seguir sem ser notado. Saborear a perseguição como um felino. A delícia de descobrir pequenos detalhes.
Fui o típico adolescente tímido quando o assunto eram minhas musas e tudo o que restava era observar de longe. Depois de um tempo e com alguma prática, a habilidade em stalking cresceu. Principalmente depois de aprender os meandros da internet. Fica fácil adquirir informações sobre a pessoa entre Orkut, blogs e fotologs. Basta saber nome e sobrenome e já é um começo. Há quem diga que é até um pouco assustador pensar nisso, como uma violação de privacidade. Esse comportamento quase patológico não parou mesmo depois de vencer a timidez e passar anos em vários relacionamentos. E só fui compreender o quão fora do comum era esse comportamento, quando percebi que conhecia detalhes íntimos de pessoas que sequer sabiam que eu existia e que ficariam perturbadas se soubessem disso. Continuo tendo um gosto por esse tipo de investigação. É quase como se estivesse construindo uma personagem de livro, porém o processo é reverso.

Tomemos esta pessoa recente:
Ao ver uma pessoa aproximadamente da minha idade em uma revista, veio-me à cabeça a idéia de que o Orkut cresceu tanto e ganhou tantos adeptos, que hoje pode-se encontrar praticamente qualquer um abaixo de uma certa idade (a geração de pais não se interessou muito pela coisa...). Tendo o nome e sobrenome dela na revista, procurei no Orkut: bingo!
Entenda uma coisa: um stalker não escolhe sua "vítima" assim, dessa forma lógica. Algo tem que dar aquele "click". E essa menina não deu. Estava prestes a abandonar a coisa toda, quando vi dois detalhes que chamaram a atenção: o primeiro, era o colégio onde ela ainda estudava, o mesmo que eu estudei. Essa instituição me persegue. Toda situação tem sempre um ex-aluno envolvido. Sorri para a coincidência. O segundo detalhe, foi uma de suas colegas de colégio. Uma garotinha ruiva (tá, eu sei, a obssessão não passou...) que me lembrou Taís na época do colégio, porém com muito mais estilo no vestir-se e uma atitude mais perversa.

Click

Talvez tenha sido só por ela que assisti às peças do teatro do colégio este ano. Cômico: fui com Taís. A comparação era inevitável.

A situação padrão de stalking no mundo real consistiria de ir ao teatro e sentar-se perto dela. Entreouvir as conversas, pescar mais detalhes. Perceber que ela usa aparelho nos dentes e por isso nunca sorri no fotolog. Sair do teatro aproveitando o aperto da multidão para estar perto dela, perceber detalhes mais sensoriais: o perfume, a mistura de loiros e castanhos que forma seu ruivo, o tom de voz. Ela sequer perceberia-me lá.
E pra que tudo isso, você pergunta? Não, eu não tentaria conquistá-la. Como já disse, algumas musas são para serem apreciadas e nada mais. Seria apenas uma obssessão passageira.

Porém esta não era uma situação padrão de stalking. Eu ousara, dias antes, deixar alguma mensagem no fotolog dela. Ela não mostrou muito interesse, porém quando me viu, houve aquela flexão de músculos, uma fagulha de expressão que confessava: eu conheço aquele rapaz. Isso muda tudo. A situação é invertida. Porque, ao mesmo tempo em que observo e registro detalhes, sei que estou sendo observado. mesmo que do canto do olho. Mesmo que sem muito interesse. E depois que os alunos encenam sua peça no palco, eu enceno o personagem que sou para esses olhos que não admitem que me reconhecem. Converso com Taís sobre a peça, sobre coisas de adultos pós-universitários que minha musa ainda não conhece. A vontade, suponho, seja de plantar nela uma semente de interesse como a que ela me plantou, e ver germinar alguma obssessão. Mas isso seria esperar demais...

No dia seguinte, ah sim... Ela coloca no fotolog uma foto do namorado. E em algum outro lugar, comentários sobre shows de bandas que ela venera e que eu, apesar da vontade de pertencer a esse mundo, não consigo apreciar. Percebo a distância entre os mundos e reitero meu papel de mero maníaco.

Vem à cabeça a cena de Drácula, do Coppola, em que o personagem título (personificado pelo magnífico Gary Oldman) diz a Mina Harker: "Then I shall bother you no more".

White nights

Mamãe olha pela janela nessas noites nubladas e sempre me chama: "olha aí, tá fazendo outra daquelas noites brancas". E de fato, embora eu tivesse percebido o suficiente pra escrever por aqui a respeito, só quando ela falou que prestei mais atenção no fenômeno. Tinha escrito aqui como a cidade parece estar dentro de uma redoma de gesso. Como as luzes da cidade sobem e rebatem nas nuvens, voltando difusas e iluminando tudo. Minha mãe diz que parece dia, mas eu acho exagero. Porém depois das observações dela, comecei a perceber com mais atenção as coisas, e não a imagem geral. Vejo pela janela o prédio da frente, daquele estilo mediterrâneo, e consigo ver todas as curvas, todos os detalhes. Vejo os carros na rua e imagino que poderia dirigir sem os faróis acesos. Apago a luz do meu quarto e parece-me irreal que tanta luz entre pela minha janela vinda de fora.
Há noites brancas mais claras que outras. Suponho que seja pelo tom de cinza das nuvens. Minha mãe não entendeu a origem do fenômeno até que eu expliquei minha teoria. Em outro momento da conversa, falei que seria a noite perfeita para caçar, se fóssemos animais selvagens. Ela respondeu, tendo compreendido muito bem minha explicação do fenômeno, que se estivéssemos no mato não haveria luz para termos noites brancas... Touchè.

sábado, dezembro 03, 2005

CAST
(in alphabetical order)


Scarlett Johansson
as Alice Chebel

Mel Lisboa
as Beatriz Lauer (Makel)

John Goodman
as Cleber Martinez

Rita Lee
as Cinília Gisondi

Marina Lima
as Dora Longo Bahia

Annette Benning
as Eliana Rios

Christina Ricci
as Flávia Pincherle

Anthony Edwards
as Laerte de Paula (Lala's Joe)

Milla Jovovich
as Lígia Carriel (Lee)

Zhang Ziyi
as Lin Wei

Leandra Leal
as Mariana Antunes (Nana)

Maura Tierney
as Mariana Metidieri

Gillian Anderson
as Marina Pincherle

Angelina Jolie
as Natalia Traldi (Jolina)

Kirsten Dunst
as Nydia Lícia at 20

Nydia Lícia
as herself at 74

Josh Saviano
as Otávio Clemente

????
as Pedro Leão (Edgewalker)

David Duchovny
as Renato Pincherle

Camila Morgado
as Taís Rios (Tinkerbell)

Jon Lovitz
as Tevo Schiffer

[Queria fazer aquela composição clássica de créditos de filme, mas o blogger ão deixa centralizar daquele jeito, fica tudo bagunçado. Baseado em parte em um sonho que tive, em parte em filmes que vi... e em parte na total falta do que fazer mesmo]

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Aos que perguntaram

Sim, dá pra comprar o ingresso do circo na entrada, embora possivelmente o preço vá subir. Ainda não tenho estimativas de quanto vai custar na hora. Em outras notícias, estou ensaiando uma sequência de solo um pouco menos suicida. Já estou mais seguro de que vocês não vão ser testemunhas de um desastre...

Tirando o atraso.

Recentemente, tenho ouvido muito Cure (por influência da Gabe), algum Smashing Pumpkins (graças ao Lala's) e Pink Floyd (depois de ouvir um pouco no rádio). Aliás, que desperdício de tempo não ter prestado atenção no Pink Floyd antes! É TÃO o estilo de música que eu curto!
Fico pensando em como essas bandas sempre estiveram por aí, no fundo da minha história. Música de figurantes desse filme, que passavam quase despercebidos e me diziam que eram bandas boas. Mas eu estava mais atento à experimentação técnica do Bowie ou à nostalgia da minha infância anos 80 que eu ouvia no Tears for Fears e deixava pra experimentar essas coisas mais viscerais depois. Esse depois, obviamente, nunca chegava. Foi só quando aprendi, graças ao Cazuza, Marina Lima e um pouco de Bush, a experimentar aquele "eu te amo" dolorido de algumas músicas, que fiquei pronto pra ouvir essas coisas que todo mundo ouviu e sofreu no auge da adolescência. Daí hoje a febre por esse tipo de coisa passou e é vista pela galera da minha idade como os sentimentalismos e pieguices da juventude (e por acaso estamos tão velhos assim?). O gosto por essas bandas ficou em algum lugar onde se guardam todas essas coisas ditas imaturas da juventude: a febre pelo gótico, pela maquiagem preta; a ilusão de amar alguém mais do que a própria vida e pensar em suicídio ao perder a pessoa; o sonho de largar tudo e ir viver de arte, literatura, música.
Eu comecei com essas coisas bem tarde. Na verdade, sinto até um pouco de culpa ao perceber que muita gente que conheço já passou por isso e está em algum próximo passo que eu ainda não consigo compreender ou aceitar, gostando de jazz ou samba, conhecendo autores que eu nunca ouvi falar, tendo algum rumo. Estou me prendendo à adolescência que não tive, tentando vivê-la agora. Em menor grau, é como aquela sensação de ser um marmanjo de vinte anos brincando de gangorra no parquinho...
Na minha obssessão por padrões (coisa de artista plástico/escritor que lida com composição o tempo todo...), me pego pensando que talvez eu me torne assim como o Miguel, atual da Lee: aquele cara mais velho (e que portanto aparenta ser mais seguro, mais maduro) e enigmático que toma por namorada séria, daquelas que beiram o casamento, alguma garota bem mais jovem, recém ingressa na faculdade.

A galera que comenta aqui diria que o importante é que eu me sinta bem assim, certo? Pois é... Estou aprendendo a me aceitar...

quarta-feira, novembro 30, 2005

A apresentação do circo vai ser no dia 3, nesse sábado, às 20h00, lá no Circo Escola Picadeiro (Av. Cidade Jardim 1105, do lado da ponte). Ingressos serão vendidos a R$15,00 comigo.

Preço salgado, bem sei. E se meu aniversário foi aquele fiasco por causa de R$12,00, dá pra prever que ninguém vai nesse mesmo. Mas enfim, com a galera tendo que comprar ingresso antecipado, dá pra saber de antemão quem vem e quem não vem, o que tranquiliza um pouco. No mais, já me condicionei a não prestar tanta atenção a isso em apresentações de qualquer natureza, se não me desconcentro e erro tudo, o que neste caso poderia ter consequências nefastas.

Interessados entrem em contato comigo.

segunda-feira, novembro 28, 2005

Indeed...

TRADUZINDO A ETIQUETA:
Atenção: Esta é uma obra de ficção. NÃO a intérprete literalmente.

Aviso de conteúdo: Contém versos descrevendo ou defendendo suicídio, incesto, bestialidade, sadomasoquismo, atividades sexuais em contextos violentos, assassinatos, violência mórbida, uso de drogas ou álcool, homossexualismo, voyeurismo, vingança, corrupção de autoridades, crimes, violação de direitos humanos e atrocidades.

Aviso à exposição: A exposição ao conteúdo por períodos extensos ou durante os anos de formação de uma criança pode causar delírios, alucinações, capacidade de compreensão e senso de razão prejudicada, ódio, fanatismo com violência, e não limitado ao assassinato e genocídio.

[Tradução: Lobo Schmidt]

Chupinhado do Sedentario & Hiperativo

sábado, novembro 26, 2005

Inspiração descontrolada

Pra mim, uma das coisas mais irritantes de ser artista é que você realmente não tem controle sobre a situação. Na verdade, começo a suspeitar que essa história de controle seja outra invenção da cultura ocidental, assim como o chupa-cabra e outros demônios. Mas isso é assunto pra outro post.
Lembro que pintei o retrato da Taís no curso de artes e que as pessoas consideravam aquele o melhor dos meus retratos. Não tinha a ver com a técnica ou com a colagem que eu fiz sobre o retrato. Não tinha a ver com o aspecto lógico e teórico da coisa. Era pelas cores, pela composição... Simplesmente cativava as pessoas. Sei lá. Daí fiz seis outros retratos depios desse e nenhum deles causou aquele efeito nas pessoas. Nunca entendi o que tinha causado aquilo e nunca consegui, conscientemente, reproduzir o efeito. E isso, pra um control freak como eu, é duro...
Recentemente, escrevi meu perfil no Orkut. Tinha ficado quase um ano com aquele primeiro campo em branco, onde eu deveria falar sobre mim mesmo. Daí um dia deu na telha de escrever. Falei sobre mim, das minhas bizarrices, dos meus charmes, das minhas manias. E novamente toquei nessa esfera de qualidade artística que encanta as pessoas. Comecei a receber scraps de gente que nunca vi na vida, de várias partes o país, comentando como era belo, sincero e íntimo aquilo que eu tinha escrito. E novamente, não entendi como tinha chegado nisso. Me tira do sério não ter controle sobre isso. Talvez porque fosse algo diferente do "Sei lá, é dificil falar de mim. huahuahuahua. Me pergunte que eu conto!" que todo mundo escreve. Talvez porque eu tivesse me arriscado a realmente falar de mim em vez de transcrever poemas do Pessoa. Alguém me disse que era porque eu não colocava apenas minhas virtudes, mas também minhas fraquezas. De qualquer forma, fiquei com medo de apagar o que escrevi. Porque gosto de mudar, de escrever alguma coisa nova de vez em quando. Mas sei que dificilmente chegaria em algo que impactasse desse jeito. E ainda estou guardando esse "espécime" para estudos mais detalhados...

sexta-feira, novembro 25, 2005

Sincronicity

É péssimo estar assim, fora de sincronia.
Sair com os amigos e perceber como todo mundo está namorando ou ao menos tendo seus casos. Enquanto isso, você está só. Você é a vela que sai com os casais pra ir no cinema. Fica aquela sensação intensa de que você nunca vai conseguir superar aquele paradoxo: "amor acontece quando você não está procurando, mas dá pra não procurar amor?".
Ou então ir deixar a namorada em casa enquanto o resto da galera de solteiros está indo pra balada ou aproveitando seus pequenos vícios. Fica aquela sensação, quase sólida de tão densa que é, de que você está desperdiçando seu tempo enquanto deveria estar aproveitando a vida.

De quem já esteve nos dois casos: não é a situação que causa esta angústia. É a falta de sincronia. Estar em uma situação, enquanto todos ao redor estão na outra.

quinta-feira, novembro 24, 2005

Avisando com antecedência...

Dia 3 vai ter apresentação no circo. O boicote (pra quem soube dele...) foi suspenso porque conseguimos um acordo, então vamos nos apresentar mesmo. Eu vou fazer ginástica de solo.

Se eu não quebrar o pescoço nos treinos antes disso...

P.S.: no fotolog, daqui a pouco vai ter série com algumas das fotos de lá. Assim que eu conseguir levar alguma câmera decente, porque a minha digital, com seus impressionantes 1.3 megapixels, não dá nem pra saber que sou eu...

domingo, novembro 20, 2005

Pessoas estilo TV Cultura

Voltando pra casa hoje de madrugada, me veio à cabeça que eu sou como um programa da TV Cultura. Isso talvez eu e Taís tenhamos em comum... Sou aquela pessoa culta, que fala de arte, filosofia, psicologia. Eu sou aquela pessoa à qual as amigas vêm atrás de conselho sobre o namorado ou sobre as dúvidas existenciais. Eu sou respeitado por fazer bem aquilo que eu faço, reconhecido por ser uma pessoa que entende de arte. Respeitado também pelo que faço de proezas físicas: o circo, o canto, a dança.
Onde que entra a TV Cultura nisso? É aquele tipo de coisa que você respeita, que você vê como edificante, e que você até queria gostar. Mas na hora de ligar a TV você só pensa em procurar a Warner pra ver o capítulo de hoje de The O.C. ou o South Park onde quer que ele esteja passando agora. Porque a Cultura não é divertida. Você não sai no fim de semana com pessoas estilo TV Cultura.

Obviamente, conto nos dedos as pessoas que apareceram por lá ontem. Me surpreendi ao ver gente da faculdade por lá. E adorei ver meus fiéis escudeiros de sempre, que nunca me abandonam. São, em grande parte, gente estilo TV Cultura também. Birds of a feather... Me frustrei ao perceber que ninguém da turma do colégio foi. Ninguém, zero, nihil, no one. Nem mesmo meu irmão. Estou aqui na dúvida se escrevo que eu os abandonei faz tempo ou se foram eles que o fizeram. Salvo um ou outro que ainda mantem contato. Anyway... Também não apareceram as quatro ou cinco pessoas que disseram que adoram karaokê. E é claro, todos darão suas desculpas amanhã. Mas o negócio dessas desculpas individuais tipo “peguei uma virose” ou “tava sem dinheiro” é que elas servem pra aliviar a consciência pesada dos culpados. A minha só seria aliviada com desculpas de grande porte do tipo “a chuva alagou a entrada da cidade e um terço de todo mundo que eu convidei não conseguiu chegar”. Deu pra entender? Grandes catástrofes que explicariam que o baixo ibope da noite não foi por causa da minha quase nula popularidade, mas por causa de algum fator externo.

A noite só não foi uma completa desgraça porque, além de eu estar com meus escudeiros e já ter me preparado de antemão pra algum fracasso similar, eu estava fazendo algo que eu gosto. Sim, cafona, eu sei. Mas eu gosto de karaokê mesmo. Porque você, rapaz comum, vai à balada na Vila Olímpia e satisfaz sua vaidade pegando menininhas porque você pode. Eu satisfaço a minha indo em um karaokê e arrancando aplausos com meu New York, New York ou minha semelhança diáfana com o Cazuza. Porque eu posso. E convenhamos, ambos somos uma bosta quando estamos no ambiente do outro, certo? Você sequer tem coragem pra subir no palco. E já foi muito discutido por aqui o meu insucesso com menininhas em balada. O que eu quero dizer com esse parágrafo é que descobri uma coisa que eu curto. Assim como anime e video-game. E já sofri demais tentando gostar das coisas que os outros dizem ser aceitável gostar. Agora tá na hora de gostar do que eu gosto mesmo.

Dá licença que eu vou ali viver um pouco. E pro inferno com todos vocês.

sábado, novembro 19, 2005

Tick, tock...

Falta pouco para a festa.
Normalmente, eu ia ficar meio inseguro, achando que ninguém vai. Bom, isso é porque, via de regra, quase ninguém vai mesmo...
Mas depois de perceber a relação direta que esse tipo de insegurança tem com minhas crises de ansiedade (o sickness: chamá-lo do nome adequado ajuda a diminuir seu poder...), resolvi tentar não dar muita importância pra isso.

Tá, como se fosse fácil...

Bom, vamos continuar fingindo: não me importo se ninguém for, eu vou me divertir.
Agora temos lírios na janela da sala. Minha tia que colocou. Na hora, veio-me à cabeça a Lilly, do segundo dos meus retratos.

E por falar em musas, depois de algum tempo de completa solidão, começam a surgir as primeiras. Volto a repetir, musas são aquelas pessoas que inspiram. Não são necessariamente possibilidades amorosas a serem efetivadas: isso pode acontecer, mas não é a raison d'etre delas.

terça-feira, novembro 15, 2005

Cosmetic Congrats

Acordei hoje e era meu aniversário.
Chegou assim, meio sorrateiramente, antes que eu pudesse fixar qualquer plano de festejo. Alguns amigos me ligaram na virada da meia-noite. E fui acordado com um telefonema de Taís (alguns hábitos não mudam... que bom). Ao longo do dia, outros me desejaram felicidades de modos diversos.
Mas qando abri meu e-mail, comecei a pensar naquela praga que é o Orkut. Porque, de uma certa forma, ninguém que te deseja feliz aniversário pelo Orkut se lembrou realmente do seu aniversário. O programa avisou. Daí você acaba recebendo parabéns de amicíssimos seus, lado a lado com parabéns de gente que você não vê desde que saiu do colégio e que não significa nada. Não posso evitar a sensação de menosprezar essas congratulações orkúticas. É cosmético, entende? Desejar feliz aniversário é uma espécie de prova de que você tem a pessoa em mente, conhece dados mais minuciosos sobre ela e se importa. Mas no Orkut, não é você que faz isso, é o programa. E você sai maquiado (bem cinicamente...) como uma pessoa legal, que lembrou e se importa com o aniversariante, quando tudo que você fez foi apertar um botãozinho e escrever alguma mensagem bem seca como "Parabéns! Abraço, Fulano".
Mas enfim, acredito na hipocrisia mínima necessária pra se viver em sociedade. Então obviamente, vou sentar aqui no fim do dia e redigir uma daquelas mensagens igualmente cínicas agradecendo (também pelo Orkut) a todo mundo que me deu feliz aniversário...

E vocês que escreveram scraps antes de ler isto, não se sintam mal. Tenho discernimento pra saber quem faz isso com um pouco de significado e quem é só batom e pó de arroz. Mas um telefonema bem que ajudaria, né?

sábado, novembro 12, 2005

Do you see music?



Cada elemento bizarro nesta foto corresponde a uma banda de música. Quais vocês conseguem encontrar. Clique na imagem para aumentar um pouco.



As que eu achei:
Alice in Chains
B52's
Beach Boys
Blur
Cake
Cowboy Junkies
Eagles
Garbage
Gorillaz (é o único sentido que eu achei para aqueles King Kongs...)
Guns N' Roses
Led Zeppelin
Matchbox 20
Pet Shop Boys
Pixies
Queen
Rolling Stones
Smashing Pumpkins
White Snake
Achei isso em um blog chamado !mamãe já foi trapezista:

"you grow up used to making silly little thingies out of playdough and then one day you realise your art is crap. and then you think you're no big shit anymore. and you realise your mom had been lying to you all along... and then you take a handful of those awful looking pills your dad leaves in the kitchen cupboard just above the stove - but they fail you. and you remain... like all other things in life. and then you think "what the heck? and why am i doing this, anyway?" and then you get yourself caught in love. "it's oh, so pure" you say. and then you realise there's nothing to it but lust, and lust, and lust. and lust ends up being the only good thing you'll ever have. and then you leave home and get yourself a half-decent apartment to live in on your own. and then you get yourself a cat, but hey! guess what? the cat got dead. and what you're gonna do about that? get yourself another cat? no, you're too lazy for that. you then get yourself a flowerpot. and you start growing little pinkish flowers in it and then they bloom and make your room feel so complete you'd trade anything else you deem good for that feeling. and then you think "wow! happiness, eh? so this is it". but then your friend starts complaining about how canadian you sound and the cycle starts all over again..."

Começou muito bem. Muito mesmo. Daqueles que você espera alguma revelação catárdica no fim. Mas perdeu o rumo no meio... Pena.
Nesses dias mesmo escrevi um post deletado posteriormente (tá, me processa... quem de vocês nunca fez isso?) onde eu falava justamente desse começo. De crescer fazendo coisinhas bonitinhas (desenhos no meu caso) e um dia acordar e perceber que tudo aquilo é uma bosta e não vai mudar nada. E de como você cresce ouvindo dos pais que você vai ser uma grande pessoa e vai fazer coisas maravilhosas porque tem muito talento, mas chega aos vinte e poucos sem a mínima idéia do que são essas "coisas maravilhosas" ou de como dirigir seu talento para consumá-las(you realise your mom had been lying to you all along...). No fim, você acorda um dia e percebe que o seu avô foi um ator que fez parte da história do teatro; seu outro avô mudou a história da indústria do açucar; sua mãe trabalhou com o pioneiro na vacina contra a malária e é reconhecida no trabalho com tuberculose; seu pai, apesar de não mudar a história por ser muito pragmático, fez um puta sucesso em tudo o que trabalhou... mas que você ainda sequer sabe o que fazer da vida e provavelmente não vai mudar nada.

Esse blog tá muito deprimente, eu sei... Calma que já já melhora.

Saldo da noite de jogatina...

Apesar de serem quase duas da manhã e eu não conseguir dormir por causa de uma das minhas crises de ansiedade, a noite foi fantástica.
Primeiramente pela peça de teatro. Vocês gostaram de Closer? Vejam A Escolha do Jogador. Se antes Marber falava de amor, incerteza e identidade, nessa ele fala de vício, de hierarquia e de dependência. Nas questões de vício, obviamente me lembrei do meu pelo video-game. Porque as atitudes e fraquezas de alguns dos personagens me lembraram das minhas. Fora isso, diálogos interessantes e uma boa adaptação das gírias e referências de cultura pop para a realidade brasileira (tem gente que critica isso, mas eu achei muito bom nesse caso...).

Em segundo lugar, pela compania. Embora muitos tenham se ausentado, estive bem acompanhado. Terminei a noite discutindo com a Kita sobre nossas crises mútuas de ansiedade. Porque ela também tem, mas se manifesta em rompantes de raiva. Quem dera fosse tão simples pra mim...
Dentre essas conversas, acabei percebendo que talvez o ponto chave que desencadeia as crises seja a importância. A importância que eu dava às baladas que eu ia e me sentia mal, a importância dada a reuniões de amigos, a importância colocada em viagens (incluíndo Itália - COUNTDOWN: T - 2 meses e 13 dias.
Kita talvez tenha ainda salvo minha vida mencionando um medicamento específico para este caso. Vocês que me conhecem sabem que eu faço qualquer coisa pra não depender de medicamentos. Mas nesse caso, a coisa está ficando muito séria. Mais séria do que um orgulho besta...

quarta-feira, novembro 09, 2005

Alice 12



"The Roach and the Fish showed Alice that the real Edge was actually many miles away..."
"A Barata e o Peixe mostraram a Alice que a verdadeira Beira do Abismo estava há milhas de distância..."


P.S.: Eu sei que essa coisa do Edge é relativa, questão de perspectiva e tal. Poupem-me a lição de moral.
P.P.S.: Sim, eu mandei os prazos e a regularidade de publicação de Alice às favas....
P.P.P.S.:Esse estrupício é o que acontece quando eu tento colorir alguma coisa usando lápis de cor. Eu não nasci pra lápis de cor...

terça-feira, novembro 08, 2005

Programinha cultural

Na sexta, às 21:30, vou ao Teatro Augusta (Rua Augusta 943, pra quem tem preguiça de pesquisar...) assistir A Escolha do Jogador, do Patrick Marber (aquele que escreveu Closer). Achei que poderíamos ver a peça e depois, talvez, passar num Fran's Café qualquer. Alguém topa? A peça custa R$20,00 (provaveis R$10,00 com carteirinha...).

quinta-feira, novembro 03, 2005

Não, não precisa ser exatamente chá, bolachas e cafuné no sofá.
Eu só quero alguém que me dê colo e me deixe chorar e dormir um pouco, sem fazer perguntas.

Überssexual

O Estado de domingo tinha uma reportagem sobre rótulos de comportamento masculino. Variava do patriarca da década de 50, que achava que lugar de mulher é na cozinha e cuidando dos filhos; passando pelo misterioso metrossexual e uma variação bizarra que eles chamaram de emo-boy; até uma suposta nova classificação: o überssexual.
Eu sei que é uma questão delicada comparar esse assunto a orientação sexual, mas na recente série The L Word, que tenta em vão retratar o universo de mulheres lésbicas, uma das personagens dizia que sexualidade é algo fluido (sem piadinhas, please...), independente de rótulos. Você deixa rolar. Concordo e, nesse aspecto, acho que talvez essa rotulagem toda seja uma perda de tempo (vindo de um obcecado com organização e classificação como eu, até parece inverossimil, não?). Eu mesmo não consigo entender em qual dos rótulos eu me encaixo. Tenho várias das preocupações e veleidades vaidades que os ogros considerariam viadagem, mas ao mesmo tempo muitos machismos que não se enquadram nos perfis.
No entanto, não consigo deixar de ver, na preocupação por fazer pesquisas que analisem esses novos comportamentos masculinos, um pouco do que eu tentava apregoar no meu trabalho de graduação da faculdade de artes, com os retratos de mulheres. Sobre como as mulheres mudaram, ganharam poder e consciência sobre si mesmas a ponto de competirem com os homens em termos de capacidades. E como os homens estão meio perdidos, sem saber como lidar com essas mulheres, mas acima de tudo, percebendo que eles próprios não têm consciência formada sobre si mesmos.
Detalhe: apesar dos novos comportamentos, os homens continuam racionais por natureza. Parte dos homens a necessidade de analisar esses comportamentos e criar rótulos. Não vejo a mesma coisa acontecendo sobre as novas mulheres. Aí, a única classificação é a mais genérica: mulheres pré-feminismo e pós-feminismo.

Evitando rachaduras na calçada...

Assisti As good as it gets (Melhor Impossível) ontem. De novo.
Ainda preciso comprar o DVD. Os dois personagens masculinos do filme causam-me uma forte sensação de identificação. Porque eu também tenho minhas neuroses e pequenas manias obssessivo-compulsivas como o escritor. Vide minhas crises de ansiedade... Eu queria algum dia ser um escritor como ele (daquelas vontades bestas de ser famoso, sabe?). Porque eu tenho dessas coisas de querer de vez em quando dizer pra alguém "não se mexa" e pegar meu caderno e começar a desenhar (mas raríssimas pessoas aceitaram até hoje...). Porque eu queria uma noite como a que o pintor passou com a garçonete, só desenhando uma bela garota e falando da vida. Porque eu queria alguém que compreendesse as manias, excentricidades e picuinhas psicológicas (e talvez tivesse as próprias...) pra cuidar de mim.

Mas não, eu não teria um cachorro feio daqueles com um nome ridículo de pintor europeu...

quarta-feira, novembro 02, 2005

Farewell to Lala's Joe?

Lala's partiu para o Chile nesta segunda. Minha cabeça tem a mania de passar pra mim todo o filme do que vai acontecer, com riqueza de detalhes, em determinadas situações. O filme que vi sobre essa viagem dele não me agradou em nada. Porque ele só vai voltar lá pra Dezembro, e isso se voltar. E daí vou ter pouco mais de um mês para saídas a botecos e mais conversas de filosofia de bar antes de ir para a Itália (COUNTDOWN: T - 2 meses e 23 dias). Depois disso, é tudo meio incerto. Porque não acho que ele fique no Brasil. Pra ser sincero, talvez nem eu... E convenhamos: por blogs, a comunicação seria pífia.
Lala's foi, perdoem a puxação de saco, um role model pra mim. Não exagero ao dizer que foi a parte que estava faltando na minha educação paterna. Porque meu pai sempre foi ótimo para assuntos de raciocínio, organização, estratégia e carreira. Mas nunca soube lidar com sentimentos, ensinar ética ou falar dos assuntos mais profundos. Pra isso, precisei de outra pessoa. De fato, a psicologia diz que é um processo natural: encontrar "pais secunários" pra sublimar o laço com os pais verdadeiros. Esses pais secundários suprem as falhas dos verdadeiros na formação do indivíduo. Psicólogos, não me perguntem onde li isso.
Depois fiquei pensando no mesmo efeito que a minha ida para a Itália teria para algumas pessoas daqui. Nana tem reclamado um bocado disso, porque não quer que eu vá. Quem dera saber-me esse mesmo pai secundário para outra pessoa. Calma, meus amigos. Não se pode parar o fluxo das coisas. Ou acabamos um dia sentados numa mesa de restaurante, engrossando o número de Dinning Dead... Se temos que partir, vamos partir. Voltar é uma coisa deliciosa também. E eu volto sim. Prometo.

Revendo traillers antigos...

Estava relendo isso (dia 5 de Julho...). Feliz em perceber que estou a caminho de algumas dessas vontades.

segunda-feira, outubro 31, 2005

Faz algum tempo eu escrevi sobre como, nas grandes cidades, você é a sua carreira. É quase como uma raça. Daí que nesses dias me peguei pensando na minha situação atual. Porque não estou nem procurando emprego. Ninguém me contrataria em fim de ano e por apenas dois meses. Estou sobrevivendo de poucos freelas e o seguro-desemprego do meu emprego anterior, enquanto espero pela Itália e resolvo as burocracias. Mas a formação que tenho ainda me deixa meio noiado de vez em quando, pensando em como eu estou fora desse tipo de classificação. Para todos os efeitos, eu não sou um publicitário. Nem um artista plástico, se é que já fui. Sou apenas alguém esperando por uma viagem. Não vou mentir, embora eu esteja ultimamente tentando me livrar do condicionamento ideológico instilado em mim pelo colégio, ainda me pego julgando-me um vagal, um desocupado, mesmo que minha situação de desempregado seja justificável. Auto-estima beirando a nulidade...

Algum dia, nos filas de banco...

Atendimento preferencial:
• Deficientes físicos
• Idosos
• Mulheres grávidas ou com crianças de colo

• Pessoas que, às 14:30, ainda não almoçaram...

segunda-feira, outubro 24, 2005

Lee citava a trama de As Horas ao falar daquelas épocas memoráveis da vida, aqueles pedaços de paraíso que ficam na memória pra sempre como referência de épocas felizes. Falava do verão que os protagonistas do filme passaram juntos e depois ficaram o resto da vida tentando reviver. Passou a ser uma espécie de referência na minha vida. Eu e Lee tivemos nosso verão também, na época em que eu a ensinei a andar de bicicleta ou nos dias que passamos em Àguas de São Pedro e que relatei no começo do blog.

Nesses dias, me peguei lembrando de outro verão: estar na cobertura de um prédio perto da Paulista onde o Jho, um dos vampiros do coven de Zion, estava morando. Tinha acabado de se mudar. Uma pechincha. Ele fez um almoço para festejar, convidou todos os vampiros e nós (eu e Taís). Comemos até não poder mais. Conversamos sobre nem lembro o que. Ao cair da tarde, Dani nos estimulou a jogar daqueles deliciosos jogos promíscuos que envolviam beijar os outros. No fim da noite, falando de circo, Taís começou com a idéia de tentar ensinar os vampiros a fazer paradas de mão. Alegria (sim, é o nome de uma delas) trocou as calças estilosas por uma samba-canção e desfilou as belíssimas pernas. Fizemos parada de mão contra a parede da varanda tendo a cidade por testemunha da proeza acrobática. Acho que foi essa cena específica, deles tentando jogar as pernas para o alto e caíndo no chão e rindo como se nada importasse, que se fixou na memória para sempre, como mais uma época da vida que eu vou estar eternamente tentando reviver.

Explicando...

Depois do post anterior, recebi duas ou três mensagens por diversos meios de gente que estava totalmente por fora da minha odisséia, perguntando surpresa o que queria dizer tudo aquilo. Explico.

Sempre quis viajar sozinho. Intercâmbio ou qualquer coisa assim. O colégio me deu boas oportunidades, mas meus pais sempre tinham uma desculpa e naquela época eu dependia muito deles para as questões financeiras dessa aventura. Disseram-me "espere até o colegial, porque aí você vai estar mais maduro e vai poder aproveitar mais". Mas no primeiro colegial eles estavam pagando a viagem de formatura da 8a do meu irmão. Depois disso, entrei no segundo colegial e todo o inferno do vestibular começou a chegar perto. Deixei para a faculdade. Quase no fim do curso de artes, resolvi procurar um curso de restauração de pintura na Itália. Mas novamente, apesar de eu ter ido atrás de toda a informação e documentação necessária, eles acharam o curso muito caro e não quiseram bancar. Depois de um ano trabalhando e juntando grana, desta vez eu vou pra lá pagando parte das contas. Então não tem desculpa.
Troquei o curso de restauração por um modesto curso de italiano, mas também pela possibilidade de passar um ano inteiro por lá. Serei sincero: não fosse a necessidade de estar aqui para terminar o curso de publicidade, eu tentaria ficar por lá definitivamente.

Os motivos que me levam à Itália são diversos.
O Italiano, pra começar: não vou aprender mais nada se ficar fazendo curso de idiomas. Preciso falar com as pessoas, entender como pensar em italiano. Aprender naturalmente.
Outra coisa: muitos amigos meus foram para viagens de ano inteiro e voltaram mais maduros, auto-suficientes. Sinto que me falta esse amadurecimento e o procuro nessa viagem.
Demitido do emprego e tendo terminado meu namoro, não vejo perspectivas para mim aqui e nem tenho vontade de procurar. Este país infernal perdeu a graça, se é que a teve algum dia para mim.
Por último, minha família é originalmente da Itália. Às vezes acho que trocar a Itália pelo Brasil foi uma péssima idéia. Teve seus bons motivos na época, mas hoje... Passa pela minha cabeça a idéia de, digamos, retornar a família à Itália. É um objetivo de vida que me parece mais louvável do que me matar pra conseguir outro emprego em agência publicitária e morrer de ataque cardíaco aos 50. Esse objetivo implicaria passar a viver por lá e constituir família. A quem interessar possa: essa é uma possibilidade remota. O mais provável é que eu volte ao Brasil mesmo e infarte aos 50...

Tá, eu sei, esse post ficou meio confuso. Mas tem as minhas razões dessa coisa toda. Simplificando: eu vou pra Itália tentar passar um ano por lá, procurando um sentido pra minha vida e avaliando as possibilidades de ficar por lá definitivamente depois de terminar meu curso de publicidade aqui.

COUNTDOWN: T - 3 meses

sexta-feira, outubro 21, 2005

Stage 2

Ready?

GO!!!

Imaturidade típica minha: comparar toda essa odisséia de conseguir a viagem para a Itália a um jogo de video-game. Pois é, mas eu sou assim. Get used to it.

Hoje, no balcão da Varig do aeroporto, recebi minhas passagens! Era como receber um novo e crucial ítem do jogo. E percebi que tinha passado para a fase 2, onde a perspectiva de ir para a Itália é mais do que um mero sonho. Aliás, toda fase não podia deixar de ter um chefão final, certo? Se não tenho escrito muito por aqui, era porque passei estes últimos dias enfrentando o chefão da primeira fase: o consulado italiano! Três dias, várias páginas de sites e toneladas de papelada, burocracia e funcionários mal-educados.

Na verdade, o chefão desta primeira fase deveria ter sido o aeroporto e conseguir as passagens. Mas eu usei um cheat básico, peguei milhagens dos meus pais e resolvi isso logo. Sem grandes dificuldades. O consulado é outra história. Da galera que já foi pra lá, muito poucos se preocuparam em tirar passaporte europeu. Foram como turistas brasileiros e deram o famoso jeitinho. Eu resolvi pegar uma rota alternativa nesta primeira fase do jogo, com outro chefão, e conseguir um ítem oculto, por assim dizer. Uma arma que vai me dar mais poder e facilitar outras fases do jogo. Com o passaporte, acredito que seja mais fácil conseguir emprego, lugares pra ficar, conta no banco, uma série de coisas.

Fase 2: a organização até a viagem propriamente dita. Não sei muito bem qual vai ser o chefão da fase ou que ítens eu ainda preciso conseguir. Mas enfim, vou deixar a analogia de lado porque eu tenho senso do ridículo. Pouco, mas tenho. Tá bom, quase nada, eu admito...

COUNTDOWN: T - 3 meses e 4 dias.

quarta-feira, outubro 19, 2005

Calamidade

O Brasil é roído pela seca.
Os Estados Unidos afogados pelo Vilma
A Itália teme a gripe aviária.
E eu aqui decidindo pra onde ir, o que fazer...

Acho que a primeira atitude é deixar de assistir o telejornal.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Alice 11




"Through Zoe's eyes, Alice finally knew the real Abyss... and how close she was to it."
"Através dos olhos de Zoe, Alice finalmente conheceu o verdadeiro Abismo... e o quão perto ela estava dele."



P.S.: Depois de um longo e tenebroso inverno, nova personagem.

sexta-feira, outubro 14, 2005

Shortcuts

"Vocês trazem as meninas pra casa, daí a gente conhece elas e gosta. Depois vocês terminam e a gente fica com saudade delas."
Minha mãe não é linda?

Atari ontem. Adoro aquele tipo de gente. Quem dera conhecesse mais gente assim, com esse estilo e esse verve. Aliás, nem sinal do sickness... Algum dia ainda entendo como essa coisa maldita funciona.
Alguém topa ir no Atari na semana que vem?

quinta-feira, outubro 13, 2005

Havia um post gostoso aqui, sobre a poesia no ar destes últimos dias. Mas minha auto-estima acaba de ser esquartejada e agora eu tô achando tudo aquilo que escrevi uma merda. It happens, you know. Shit happens...

sábado, outubro 08, 2005

Neo-amor

Estou no ateliê conversando com Thaís Albuquerque sobre relacionamentos, nosso assunto predileto. Súbito, toca o telefone. É o "Peixe" (signo dele...). Peixe foi o namorado da Thaís na época em que estavamos no curso de artes. Foi: terminaram por essas razões pelas quais os namoros terminam. Thaís atende e imediatamente conta pra ele sobre o esculacho que deu em um ex-ficante folgado. Os dois se divertem com a história, ele presta um ou outro conselho a ela e todo mundo ri. Percebo-me lembrando de Bia contando-me sobre Eduardo, atualmente seu marido; e eu contando a ela de vários casos meus.
Isso é neo-amor. Aquela coisa que os pais não entendem, de ex-namorados que continuam bons confidentes. De pessoas que continuam saíndo, ficando, transando e etc, mesmo depois do fim do namoro e que usam essa saída gradual da vida do outro para evitar dores profundas. De relacionamentos que borram os limites das oficialidades e não têm palavra para serem definidos. Adoro. Mesmo sendo, por excelência, uma coisa da nossa geraçõa "adolescentes de 25", que tem medo de assumir compromissos.

Sex & the City & the Matrix

Estranho... mas hilário!
De vez em quando, o Saturday Night Live acerta no humor. De vez em quando. A maioria das vezes é só imbecil mesmo.

quinta-feira, outubro 06, 2005

Site pronto!

Pessoas, montei esse site com as ilustrações que fiz nesse um ano trabalhando em agência e algumas coisinhas a mais, de arte e coisinhas pessoais.

O endereço é http://www.pedroleao.com

Chique, não?
Espalhem por aí!!

quarta-feira, outubro 05, 2005

Chega de adolescência!

Diz minha terapeuta que a adolescência foi uma espécie de coisa inventada socialmente. Que antes disso, passava-se da infância (que também, de certa forma, é uma convenção social) diretamente para a vida adulta, tendo apenas talvez um ritual de passagem entre um e outro. Diz ela que fez-se necessário o surgimento desse "período de latência" entre infância e vida adulta logo depois da revolução industrial, e depois de que começaram a ter "vagas" em empregos. Faz sentido: todo ano, milhares de formandos saem das faculdades dizendo-se prontos para o mercado de trabalho, mas não há emprego pra toda essa gente. Então criou-se essa estratégia de fazê-los pensar que ainda eram imaturos demais para terem as responsabilidades de um emprego de verdade. Jogou-se todos eles em estágios, que não são propriamente empregos e os transformam em uma espécie de mão de obra coringa, que faz de tudo, desde tirar xerox e fazer café, até o trabalho propriamente dito.
Algumas considerações: sendo que o número de formandos vai sempre ser maior do que o número de empregos, esse atraso vai crescer cada vez mais. Seguindo a teoria, nossos filhos só vão sair da casa dos pais e ter empregos de verdade com... uns 35 anos, mais ou menos. Outro fato é que essa estratégia funcionou tão bem que, junto com outras falhas de educação que eu e o Lala's discutimos, criou uma geração que, mesmo aos 25, ainda se acha imatura e indecisa demais pra tomar decisões que as gerações anteriores tomavam com 18 (tomo como mero exemplo a decisão de sair da casa dos pais...).

Deu pra perceber que, desde que eu li o post do Lala's, eu tô lutando contra isso obssessivamente?

segunda-feira, outubro 03, 2005

Lord of War

Foi o filme do fim de semana.
Nicolas Cage é um traficante de armas reconhecido mundialmente que parece não sentir remorso pelo que faz, até que sua vida começa a se despedaçar e ele começa e questionar as implicações morais do seu sucesso.

[AVISO: não se lê um post sobre o filme sem ter visto o filme. A menos que você não se importe de ler uma ou outra cena interessante por aqui antes de vê-la na tela.]

Quando Lala's propôs o filme, aceitei achando que talvez trouxesse novas opiniões a considerar sobre todo o atual bafafá em torno da proibição da venda de armas. Porém, à medida que o filme ia passando, encontrei mais estímulos pra pensar na minha carreira de artista plástico trabalhando em publicidade e na minha situação de vida atual do que em metralhadoras, pistolas e granadas...
Durante anos, fiz o curso de publicidade sabendo que esta era a origem dos males do mundo, apesar deles se esforçarem pra provar o contrário. A publicidade (principalmente a não-consciente, aquela que só quer o lucro mesmo) é responsável por boa parte da frustração e destruição da auto-estima de um contingente incalculável de pessoas. E eu fiz parte daquilo sem sentir culpa. É como o traficante de armas: "eu não estou colocando a arma na cabeça das pessoas e atirando". Tá, mas algumas das empresas que contratam os serviços publicitários sim. Veja The Corporation para mais detalhes. Eu mesmo já fiz ilustrações para produtos nos quais eu não acreditava, produtos que tinham contra-indicações e não as esclareciam (aliás, meu trabalho de graduação em grupo vai ser sobre a Red Bull...), produtos que eram idênticos e tão danosos quanto os concorrentes mas usavam da publicidade pra cobrar mais caro e parecerem melhores. E durante tudo isso, não senti culpa. E não posso dizer que a sinta agora, mesmo depois de ver o filme. Mas sinto que ela virá algum dia. Um dia em que eu perceber que eu não fiz nada de relevante para a humanidade, apenas vendi mais uma marca de sabão, que também "lava mais branco". E me diziam que eu tinha tanto potencial...
Meu primeiro impulso, durante o filme, foi uma lufada de posicionamento ético. Por exemplo: hoje mesmo, pretendo avançar bastante na produção de ilustrações para um trabalho freelance que caiu no meu colo na quinta-feira. O produto, não vou revelar qual é. Mas tem a ver com a indústria tabagista. Obviamente cogitei a hipótese de, num ato patético de suposto heroísmo, dizer que não podia fazer esse serviço por estar encorajando as pessoas a fumarem ou qualquer outra besteira. Num segundo momento, pensei: a questão do cigarro realmente me incomoda tanto assim? A verdade é que não. Quando muito, deu o clima para diversas situações memoráveis da minha vida. Logo veio a segunda questão: o que me incomoda? Contra o que eu vou lutar e quais serviços eu me sentiria compelido a negar? A seguir, cenas do próximo capítulo...
No fim, percebi que, não importa a carreira escolhida, as implicações morais e éticas do que você faz sempre acabarão te alcançando. Se eu fosse artista plástico mesmo, seria a implicação de ficar sendo sustentado pelos pais e não ter dinheiro pra sustentar uma família. Com a publicidade, é vender o que eu não acredito. Sempre vai ter algo pra se culpar. É até uma questão filosófica: é possível ser totalmente inocente? No filme, o melhor conselho é "don't go to war with yourself". Se você descobrir como fazer isso, me manda um scrap, tá?
Mas acho que a melhor opinião do filme é de que o ditado "evil prevails when good men do nothing" deveria ser simplificado para "evil prevails". Afinal, o mundo prova que, não importa se você se torna um vegetariano, recicla seu lixo e participa de passeatas contra a crueldade aos animais; guerras inúteis vão continuar, a humanidade vai continuar detruíndo o planeta e você ainda vai se arrepender da sua vida quando chegar aos 60. O único que se pode fazer é tentar amenizar a sua parte na carnificina. O que, de certa forma, ainda valida o vegetarianismo, a reciclagem e as Sociedade Protetora dos Animais. Só não supõe que eles resolvam os problemas do mundo...

Outras questões interessantes do filme.
Em dada cena, perguntam a Cage por que ele faz aquilo. A resposta simples: "porque eu sou bom nisso". Questão interessante. E se você descobrisse que tem um talento nato (tá, eu esqueço que não acredito muito nisso...) para uma atividade moralmente questionável? Roubar, matar, falsificar... E se você percebesse que não é bom em nada mais além disso? Que poderia resolver todos os seus problemas causando problemas para os outros ou viver uma vidinha medíocre e pobre, porém correta?
Outro tópico recente de conversas entre pessoas que gostam de arte foi a inexistência, hoje, da figura do mecenas. Aquelas pessoas que financiavam artistas, pelo simples prazer de investir em arte, pelo status que isso lhes oferecia, e por acreditarem no artista. O filme trouxe a questão: e se você, artista, descobrisse que seu mecenas, uma raridade hoje em dia, estivesse financiando você com dinheiro de fontes discutíveis como a venda de armas, tráfico de drogas, etc.? Você abriria mão da raridade que é ser financiado desse jeito?

Minha cabeça fervilha de questões interessantes depois de ver esse filme.
Garotas, entendam de uma vez: sim, os rapazes gostam de situações dúbias. Eles procuram, eles fomentam essas situações.
Por situações dúbias eu quero dizer aquelas amizades coloridas que deixam namoradas enciumadas. Aqueles flertes descompromissados. DESCOMPROMISSADOS! Ou seja, a menos que você esteja dando motivos sólidos para o cara ter segundas intenções ou a menos que ele seja um canalha comprovado, NADA VAI ACONTECER. "Mas então por que ele não me conta sobre ela?". Porque ele sabe que você vai surtar. E você vai surtar. Não se faça de boa moça. O fato dele ter uma grande amiga, que deixa aquele cheiro de aventura nova no ar, vai te roer por dentro. O fato dele ter assuntos que são só entre eles dois vai te ofender. O fato dele flertar com ela, se você souber, vai roer ainda mais. Convenhamos: mulher nenhuma confia no próprio taco. Pensando bem, acho que homem nenhum também.
Mas confie no que eu digo: a menos que você dê motivos, nada vai acontecer. Ele vai sair com ela (sem você saber, é claro...), vai se divertir de maneira educada e lítica, e vai voltar pra casa pensando "e se um dia... nah, prefiro minha namorada". Mas quanto mais você proibir essa diversão dele, mais motivos vai dar pra essa última opinião mudar.
Pense nisso desse jeito: você tem vontade de que ele seja romântico pra sempre, certo? De que ele te dê pequenos presentinhos significativos, surpresinhas, conversas até as duas da manhã bebendo vinho? Ele tem uma vontade igualmente forte de poder continuar flertando com amigas.

Por favor, joguem só as pedras redondas, porque as pontudas machucam demais...

domingo, outubro 02, 2005

Sickness X: o retorno... de novo.

[AVISO: post bizarro sobre minhas tormentas psicológicas, possivelmente desinteressante]

São duas horas da manhã de um domingo. Suponho que seja a melhor hora pra escrever sobre isso. Muitos motivos me levam a escrever isso. Foi ouvir a Lee falando sobre o caso clínico de depressão de uma pessoa próxima a ela e como esta pessoa descreveu o que sentia. Foi eu tentar descrever qual era o meu problema para o Lala's e constatar no final da minha narrativa que tudo aquilo era ridículo e não chegava a explicar um décimo do que eu sentia. Mas principalmente, foi voltar a ter crises mesmo depois de um ano de terapia e de ter adquirido novas compreensões do problema. Goes to show que compreender é parte da solução, mas não é tudo. De fato, fazia tempo que eu não sentia isso e me achei curado. Até semana passada...
Eu chamava isso, no começo do blog, simplesmente de sickness. Não percebi na época que a palavra que eu usava pra designar "enjôo", um dos sintomas, também designava "doença".
Muita gente me perguntou o que eu sinto. Pergunta básica. Tentarei explicar. Bem sabe a Lee que explicar estas coisas psicológicas não é tão simples quanto dizer "sinto dor no joelho" ou "sinto uma queimação no estômago". Mas inspirado pelos relatos que ela contou da pessoa próxima a ela, eu posso tentar conjurar uma imagem do que eu sinto.
Bem no centro do seu peito, unindo as costelas e protegendo órgãos vitais, está um osso chamado esterno (com "s" mesmo...). Sinto como se meu esterno inchasse, estivesse a ponto de explodir do meu peito. Como se o coração de repente contraísse com tal força, mandando sangue altamente pressurisado para o resto do corpo e já começasse a emitir uma dor muito similar a cãibra. A sensação começa então a irradiar para o resto do corpo, como se causada pelo tal sangue pressurisado. O primeiro a ser atingido é todo o aparelho digestivo: um fortíssimo enjôo se instala. É algo fora do comum porque, quando se come algo ruim, o enjôo leva à consequência natural e mecânica do vômito. Neste caso, não há vômito. Apenas o enjôo. Poderia encarar a base de uma privada por horas sem dar-lhe nada. Cena patética, eu sei. Ingerir qualquer coisa está fora de questão. Dependendo da gravidade da situação, não posso sequer mascar algo ou ter algo pendurado no pescoço que o enjôo aumenta. Finalmente, a sensação se alastra para as mãos e pés, causando formigamento, deixando-me trêmulo, e sem muito força. Na verdade essa última parece até meio incoerente, porque seriam os sintomas de baixa pressão, não do tal sangue pressurisado.
Na terapia, a conclusão óbvia foi tratar-se de ansiedade. Relatando as situações em que me acontecia, ficava claro que era desencadeada em situações em que eu sentia não ter controle nenhum: ser levado contra a minha vontade por uma massa dançante de patricinhas em uma balada da Vila Olímpia, ser completamente ignorado ou deixado falando sozinho por uma turma de pessoas que acabei de conhecer, perceber efitos indesejados de uma droga que tomei e que agora devo esperar que passe, até mesmo situações preconceituosas como me embrenhar em lugares de extrema pobreza onde eu suponho não ter acesso a serviços básicos. Enfim, simples ataque de ansiedade.
Mas então por que tenho surtos disso à noite, nessas horas da madrugada como esta em que escrevo? Por que tem dias em que devo ler até cair no sono ou me valer de distrações mais passivas como a TV pra poder enfrentar uma madrugada de vez em quando? Por que ainda há situações onde tudo vai bem e eu estou no controle e de repente meu peito quer explodir daquele jeito? Coisas ainda não explicadas...
No ano passado, eu procurei a terapia porque, durante uma crise severa disso, alguma parte sádica da minha consciência sussurrou para mim a possibilidade de eu ter que viver a vida inteira com isso. A idéia parecia desesperadora: lutar por mais cinquenta anos contra isso, no mínimo. A esse desespero juntaram-se todos os desesperos de um jovem: ter que lutar contra todas as outras necessidades e dores de um corpo que só iria definhar daqui pra frente (o desespero frente ao corpo orgânico), enquanto eu tentava dar algum objetivo para minha vida através de uma carreira (a inexistência de sentido), em um mundo que cada dia parecia mais fadado à auto-destruição devido à imbecilidade humana (a falta de esperança). Não fazia o mínimo sentido. Mais sentido fazia eu arranjar um jeito rápido e indolor de deixar de existir. Se pelo menos isso me garantisse deixar de sentir tanto... o choque de estar pensando seriamente em acabar com a vida me fez procurar ajuda logo.
Hoje vejo também que parte disso funciona como uma ferida recente: você sente o corte e dói muito. E sangra, como sangra! Aí você aguenta a dor e ela diminui até o suportável e o sangramento para. Mas fica aquela borda avermelhada em torno da ferida e aquela dorzinha latejante no fundo. E qualquer coisa que faça alguma pressão na ferida vai fazer ela doer mais e talvez abrir e começar a sangrar de novo. Acontece da mesma forma: algum evento dispara uma crise de ansiedade e ela já é tão profunda que os pensamentos suicidas são mera consequência, como o sangramento após um corte. Mas eu aguento e, como com um corte, procuro qualquer coisa pra distrarir a cabeça e não pensar na dor. A ansiedade diminui bastante e eu continuo a vida, mas sempre fica lá, bem no fundo, como uma borda de ferida inflamada. Presente sempre naquela perguta que gira obssessivamente no fundo da minha consciência: "como eu estou me sentindo?". É cíclico. Se eu conseguisse parar a pergunta, provavelmente pararia o sintoma, que me faria parar de perguntar. E qualquer evento que insinue um enjôo ou um ataque de ansiedade dispara esse mecanismo cíclico. Nas crises mais severas, minha sensibilidade é tanta que qualquer evento relacionado ao corpo e estimulos que ele receba logo dispara a pergunta. E a ferida pode voltar a abrir e a sangrar. Lá se vai meu esterno...
É quase poético, daquele jeito meio cafona clichê: o cara que sente tanto a dor da existência, que teme não suportar a própria existência. Shoot me...
Disciplina sempre foi um bom placebo. Me afundar em trabalho ou arranjar outra preocupação mais prática sempre ajudou até certo ponto. Tira a minha cabeça do ciclo até o próximo evento que abra a ferida. Mas no fim, ela continua lá, no silêncio do meu quarto quando deito pra dormir e não tem nada mais pra ocupar a cabeça. Já diziam: "cabeça vazia é a casa do diabo". So true...

Daí você que heróicamente leu até aqui fica pensando "esse cara precisa get a life" ou como diria meu pai em uma metáfora rural, "vê se depois de pegar no cabo da enxada o dia inteiro ele vai ter tempo pra depressão...". Claro. Mas arranjar um trabalho ou a life (o que quer que isso seja...) faz parte do "ter que lutar contra todas as necessidades e dores de um corpo que só irá definhar daqui pra frente, enquanto eu tento dar algum objetivo para minha vida através de uma carreira, em um mundo que cada dia parece mais fadado à auto-destruição devido à imbecilidade humana" que eu escrevi lá em cima. Ou seja, continua não fazendo nenhum sentido.

I wonder if I'll ever be what they call normal.
De qualquer forma, obrigado pela paciência de ler sobre isso mais uma vez. De tempos em tempos eu preciso escrever um destes, pra registrar a evolução do que eu sei sobre essa coisa.

quinta-feira, setembro 29, 2005

Recentemente aconteceu de novo...

Um dia, durante um pesadelo em que eu fugia de um maníaco armado até os dentes, dobrei uma esquina da cidade onírica, em um beco escuro, e fui dar em um lugar atrás dos prédios. Percebia a ação do sonho se desenrolar lá na rua principal sem mim. Nesse lugar que eu achei, havia ao menos uma dúzia de esculturas e objetos de arte, feitos dos mais variados materiais, mas principalmente ferro e madeira. Alguém estava comigo, embora eu não me lembre quem. Um desses personagens meus que só aparecem em sonho, que não são ninguém da vida real, ou talvez sejam uma amálgama de muitas pessoas. E esta personagem me disse que eu não devia estar lá. Que, fugindo do meu pesadelo, eu tinha encontrado opr acidente uma área do meu subconsciente à qual eu não devia ter acesso. Uma área onde minha mente guardava as obras de arte que eu ainda ia produzir no futuro... Retendo um pouco de consciência naquela hora, eu sabia que eu esqueceria daquilo tudo no momento em que eu acordasse, e que esse momento não tardaria em chegar. Sempre chega quando eu ouso transgredir as regras dos meus sonhos (sim, eles têm regras, um assunto muito interessante...). Rapidamente, fixei os olhos na obra mais próxima afim de guardá-la na lembrança (estranho: eu, uma consciência dentro do meu subconsciente, tentava memorizar algo, função que pertence à consciência externa...). Acordei e só pude me lembrar de uma peça, algo até banal, sobre a qual até hoje não encontrei o significado ou o motivo para produzir. Talvez até essa história fosse em si o motivo.

Há alguns dias, aconteceu novamente. Sonhei que estava retirando minhas obras de uma exposição no lugar onde eu tenho feito minhas últimas exposições. A dona do lugar tirou uma pintura minha da parede. Tomei-a nas mãos e percebi que a tinta ainda estava fresca. Óleo: talvez tivesse sonhado com óleo porque Taís me convencera a pintar em tinta acrílica na época... Saudades da mídia. Era uma tela, sem chassis, que parecia fazer parte do que tenho pintado ultimamente: era uma crucificação. Eu havia colado uma tábua vertical sobre a tela, deixando o resto da tela solto sem chassis. E nisso tudo havia pintado um fundo de piceladas grossas e vigorosas em preto, inacabado na parte inferior (aliás, belo efeito, que me lembrou as pinturas de Gisela Gari, colega minha do curso de artes). Não cheguei a examinar a figura do Cristo pintada sobre a tábua, mas apostaria tratar-se do Cristo que desenhei em cadernos antigos, estudando a anatomia da carne dilacerada pelos pregos, os ossos deslocados, os efeitos mortais da crucificação. Penso talvez que o sonho tenha fornecido o fundo para uma pintura que nunca comecei, por só ter o personagem principal.
Aliás, neste caso, noto que eu não estava em lugares proibidos do meu subconsciente. Por alguma razão, ele (suponho que esse "ele" seja eu mesmo) resolveu me mostrar isso assim, de livre e espontânea vontade. Por que?

Acho que vou matar a saudade do óleo...

quarta-feira, setembro 28, 2005

Só pra constar: o vampiro do coven de Zion finalmente permitiu que eu colocasse o link para o blog dele.

Apresento-lhes Brilho Eterno, do Ri. Ele fala basicamente de amor. De um jeito visceral, bem emotivo, como se deve falar de amor. Enfim, não devo falar muito a respeito: leiam para entender a grandeza de sua literatura.

domingo, setembro 25, 2005

Quando a depressão bate, ela usa uma marreta...

Estive no Morrisson com amigos da antiga turma do colégio. Achei que precisasse sair um pouco com eles e me divertir. Achei que o Morrisson seria mais de acordo com o estilo de vida que eu quero levar.
Em um telão, cenas da banda tocando em outra parte do bar estavam sendo projetadas. As imagens superexpostas faziam com que as coisas fossem vistas com detalhes, mas os rostos das pessoas ficassem vazios, sem olhos, boca ou nariz. Pessoas sem rosto e sem personalidade. Fui até onde a banda tocava e fiquei lá um pouco. Tocavam Ozzy e coisas do gênero e por um momento pensei que talvez a turma grunge do colégio tivesse razão ao acordar todo mundo nos acantonamentos colocando música desse naipe toda manhã. Na verdade, durante a madrugada também. Era mínimamente divertido. Mas eu não sabia as letras, não me importava e, de fato, estava achando tudo aquilo uma merda. Porque eles pulavam no ritmo da música como macacos. Como aqueles macacos alados do filme do Mágico de Oz. E claramente, menos da metade entendia inglês suficiente pra entender as músicas. De forma geral, aquilo tudo apenas dizia "você não pertence aqui".
Na mesa, conversando com uma ex-namorada do meu irmão. Me dizia, depois que lhe contei da minha demissão e do fim de meu namoro, que eu precisava tirar um tempo pra mim. O que é tirar um tempo pra mim? É acordar e assistir TV o dia inteiro? É deixar a procura por emprego de lado e ficar jogando bumerangue no Ibirapuera? É gastar uma volumosa porcentagem do dinheiro da minha demissão na lan house? Ela definia como tirar um tempo pra fazer as coisas que eu gosto. Eu gosto de quê mesmo?
Na rua, conversei com um amigo meu que tinha pretensões de ser guitarrista. Ele disse que não acreditava na qualidade do que ele mesmo fazia, então que não sentia que poderia efetivamente ser um guitarrista de sucesso algum dia. Dedicar-se-ia ao direito. Súbito me peguei pensando nas minha recentes idas ao ateliê das meninas. De como eu só tenho pintado merda. Da grossa. Tenho orgulho das minhas fotografias. Mas essas boas só acontecem uma vez a cada dois ou três anos. Em média.
Em casa, o site que estou fazendo com minhas ilustrações pra caçar emprego e freelas ainda não está pronto. Não está indo muito bem, pra ser sincero. Design meia-boca, falta de organização (vindo de mim, isso é raridade...) e já toma mais tempo do que eu imaginava. E quando penso nisso, me pergunto se eu realmente quero trabalhar com publicidade mesmo. Publicidade é a origem dos males do mundo. You press the button, some country somewhere explodes...

Nos quatro parágrafos, e em incontáveis outros aspectos da minha vida atualmente, a mesmo pergunta implícita: O QUE EU REALMENTE QUERO?

Ninguém me responde. Afinal, sou eu quem deveria responder, certo?

Antes de dormir, vou ao banheiro escovar os dentes. Acendo a luz e, por um momento, enquanto meus olhos se ajustam à claridade, a imagem também parece estar superexposta. Viro rapidamente para olhar o espelho e me certificar se o meu rosto ainda está lá.

sexta-feira, setembro 23, 2005

Estequiometria

4/5s de uma lata de Bohemia
+
2/5s de um copo de caipirinha
+
Sinais certos
-
Bundamolice
+
Key moment

=

Satisfação de nostalgias arcáicas
+
Ressaca fudida
-
Horas de sono

quarta-feira, setembro 21, 2005

One headlight

by Wallflowers

Eu sei que ficar colocando letra de música em blog é sacal... Prometo que vai ser a última por um tempo. É que me lembra de coisas (e pessoas) boas, apesar da mensagem não estar na letra da música.


So long ago, I don't remember when
That's when they say I lost my only friend
Well they said she died easy of a broken heart disease
As I listened through the cemetery trees

I seen the sun comin' up at the funeral at dawn
The long broken arm of human law
Now it always seemed such a waste
She always had a pretty face
So I wondered how she hung around this place

Chorus:
Hey, come on try a little
Nothing is forever
There's got to be something better than
In the middle
But me & Cinderella
We put it all together
We can drive it home
With one headlight

She said it's cold
It feels like Independence Day
And I can't break away from this parade
But there's got to be an opening
Somewhere here in front of me
Through this maze of ugliness and greed
And I seen the sun up ahead
At the county line bridge
Sayin' all there's good and nothingness is dead
We'll run until she's out of breath
She ran until there's nothin' left
She hit the end-it's just her window ledge

(chorus)

Well this place is old
It feels just like a beat up truck
I turn the engine, but the engine doesn't turn
Well it smells of cheap wine & cigarettes
This place is always such a mess
Sometimes I think I'd like to watch it burn
I'm so alone, and I feel just like somebody else
Man, I ain't changed, but I know I ain't the same
But somewhere here in between the city walls of dyin' dreams
I think her death it must be killin' me

(chorus)

Alice 10




"Unlike me, these bonds do not define who you are, Alice"
"Ao contrário de mim, estes laços não definem quem você é, Alice"

terça-feira, setembro 20, 2005

Às vezes queria poder voltar no tempo como se volta a ler um livro que paramos no meio. Pegar de novo, abrir naquela página que ficou marcada e perceber que não lembramos muito bem como andava a história. Então voltamos alguns capítulo e vamos lembrando aos poucos, passando por cenas que já foram vividas e saboreando-as novamente até chegar no capítulo que estava marcado. Daí pra frente são novidades boas e aquela sensação de poder terminar uma história que ficou pendente.

Ontem à noite, voltei a ler Ensaio sobre a cegueira, do Saramago.

domingo, setembro 18, 2005

Hai, genki desu!

Minha vez de escrever sobre danças folclóricas.

Estive em uma das apresentações de danças croatas da Nana. Acho que ela falou o suficiente no texto dela pra deixar qualquer um curioso. Eu vi e gostei muito. Adorei o mulherocoptero! As danças croatas tem uma espécie de humor, de tiração de sarro mesmo, em alguns dos passos. O modo como pulam em um pé só, levantam as mulheres nos braços, viram a cabeça com charme...

Porém outra experiência além das danças croatas ficou na minha cabeça quando voltei pra casa: dentre outras danças folclóricas divertidas de tantos russos, alemães, protugueses e italianos, havia ainda a turma dos japonses. Depois de uma fantástica apresentação de uma bateria de tambores nipônicos e toda a técnica e coreografia que lembram as artes marcias empregadas só para fazer soar um tambor, houve ainda uma sessão de dança de roda, onde uma pequena banda ficava em uma torre no centro da roda e todos dançavam em volta. Os espectadores eram encorajados a participar, então lá fui eu: não resisto a danças coreografadas assim, com um monte de gente.
E a coisa da dança japonesa é que ela tem menos a ver com o ímpeto e a explosão que norteiam a dança ocidental, e mais de algo parecido à filosofia do bushido, em que a pessoa deve se dedicar a atingir a perfeição em tudo que faz. Explico: a dança japonesa consiste de movimentos simples que se repetem até o fim da música em ciclos pequenos. São movimentos lentos, suaves. O importante é fluir. No começo, a pessoa que entra na roda os repete de forma tosca, porque ainda não sentiu completamente aquilo. Mas a cada repetição, vai aprimorando cada pequeno gesto. A cada repetição, se acostuma com pequenas mudanças, percebe pequenos erros e prepara-se para corrigir no próximo ciclo. E não há limites para o quão se pode aperfeiçoar aqueles pequenos gestos. Eu mesmo, com a minha obssessão por fazer direito, poderia passar horas dançando aquela mesma coreografia simples.
A repetição dos movimentos e o som dos tambores promovem aquele estado zen de meditação durante a dança. Nada mais ao redor importa, apenas o ciclo de movimentos. Encontrei uma paz naquilo, inspirado pelas pequeninas senhoras japonesas que faziam os movimentos sem esboçar a mínima expressão de dificuldade ou vergonha dos erros. E como fluíam! Enquanto o meu fluir era mesmo geométrico, de movimentos circulares e retas, os gestos delas eram muito humanos, muito tranquilos. Só assistir já trazia uma sensação de paz naquilo.

Já não sei mais se fui inglês ou japonês em alguma vida passada...

sábado, setembro 17, 2005

I don't want your civil war...

Ocorreu-me, depois do mais recente encontro com a turma dos blogs, que não coloquei aqui a definição de arte que estou usando para minha monografia da faculdade. Antes de fazê-lo, já aviso: muitos de vocês vão discordar. Mas vai ser aquele discordar de dizer "ah... eu não acho que seja assim" e calar a boca, em vez de me dar argumentos. Isso porque, admito, é uma definição simplificadora. Estou simplificando um daqueles conceitos místicos e sublimes, como Amor, Vida, Deus, Alma... Arte.

No conceito que postulei, arte é a junção de três fatores: técnica, estilo e conceito subjetivo. Estou usando os termos livremente. Por técnica, me refiro a qualquer procedimento. Aqui entrariam quesitos como tecnologia e método, por exemplo. Por estilo, me refiro ao modo como essa técnica é empregada, se é objetivo ou abstrato, apolíneo ou dionisíaco, entre outras características. Por conceito subjetivo, me refiro a uma idéia desvinculada de axiomas. Uma idéia que não precisa ser uma verdade absoluta. Pode ser uma opinião, um sentimento, uma nova maneira de ver o mundo. Porém, se é desvinculada de axiomas, seu emprego em qualquer coisa prática é irrelevante. Assim, de forma geral, arte não tem finalidade prática: é efêmera e serve apenas à contemplação do dito conceito subjetivo. Me arrisco a dizer que talvez a única finalidade relativamente prática seja o entretenimento. Isto posto, desconsidero ofícios como a arquitetura, o design e a culinária como sendo artes. Elas têm finalidades práticas.

Peguem leve com o apedrejamento, tá?

Quando expus a teoria ao BBK, amigo do Lala's, dizendo que a usaria para falar de video-games como arte, ficamos até altas horas discutindo, para o tédio dos que haviam sobrado na mesa àquela hora. O rapaz também conhece muito sobre video-games. A discussão durou um bom tempo até eu perceber que, enquanto minha teoria fundava-se na finalidade do produto a ser julgado como arte (aquele lance da finalidade prática), ele comparava procedimentos. Não obstante, ele entendeu e concordou com a teoria. Não sem antes passarmos um bom tempo falando a respeito.

E foi quase no fim da discussão que me permiti ver esta cena um pouco mais de longe, observá-la como se observasse personagens em um filme. E aí que vi estes dois rapazes, adolescentes de vinte e poucos anos, pra citar o post do Lala's (10/09/2005) num embate completamente inútil, visto que baseado em opiniões, pra definir o que é arte e o que não é. Me vi claramente como um daqueles rapazes de quinze anos e camiseta preta de banda de heavy metal, falando: "Mas mano, Iron Maiden é que é música! O resto é lixo" enquanto o outro retrucava acalourado: "Que Iron Maiden! Música mesmo tem que ser Guns N' Roses! O guitarrista do Iron não chega nem aos pés do Slash!". Daquele ponto de vista onde eu estava, ambas as discussões eram igualmente fúteis.

De qualquer forma, serviu pra animar a noite.

Acho que aquele post do Lala's não me fez bem...

quinta-feira, setembro 15, 2005

Love Song for a Vampire

By Annie Lennox

Descobri recentemente, na trilha sonora do Drácula do Coppola. Embora não tenha nada de aproveitável no meu momento atual, não me sai da cabeça. Procurem: vale a pena.

Come into these arms again
And lay your body down
Th' rhythm of this trembling heart
Is beating like a drum.
It beats for you, it bleeds for you
It knows not how it sounds.
For it is the drum of drums
It is the song of songs.

Once I had the rarest rose that
ever deigned to bloom.
Cruel winter chilled the balm,
And stole my flower too soon
O loneliness, O hopelessness
To search the ends of time,
For there is in all the world
No greater love than mine.

Love....Still falls the rain.
Be mine forever...

Let me be the only one
To keep you from the cold.
Now the floor of heav'n is laid,
Its stars of brightest glow.
They shine for you.
They shine for you.
They burn for all to see.
Come into these arms again
And set this spirit free.


Música assim dói demais. Mas é muito bom.

terça-feira, setembro 13, 2005

Outros furacões além do Katrina.

Chega deste silêncio, deste luto.

Pra quem ainda não ficou sabendo, terminei meu namoro com Taís. Quem me conhece sabe das minhas razões, e quem não me conhece não precisa ficar sabendo. Taís, aliás, era o verdadeiro nome de Tinkerbel, e o que usarei para tratar dela de hoje em diante, como fiz com Makel/Bia.

Na terapia, cheguei à conclusão recentemente que minha vida sempre foi balizada por dois fios condutores: o da carreira e o da musa. Passa-me pela cabeça que Alice tem duas pontas do laço de seu vestido balançando ao vento... Por carreira, entenda-se qualquer aspiração profissional, seja nas artes ou na publicidade. Ser alguém, fazer algo. Por musa, não entendam especificamente uma namorada. Em vez disso, pensem em alguém para obcecar. Sim, obcecar, do jeito que fiz com Lilly, para fazer seu retrato. Pois mesmo namorando alguém, dedicando-se a alguém, é sempre possível obcecar com outras pessoas. Não é ético, mas é possível. A musa não necessariamente precisa ser conquistada. Pelo contrário, as frustrações da vida me mostraram que algumas são, talvez, apenas para serem observadas mesmo. Para sorver-lhes a beleza como fiz nos retratos. Já obcequei com tanta gente... Sentimento maravilhoso.

Mas eis que me encontro sem amarras em nenhum de meus fios condutores. Perdido. Claro, o primeiro conselho que vocês pensam em dar é aquela boa e velha moral de desenho animado de que é bom assim, porque significa começar do zero, conhecer coisas novas e blá³... Mas nenhum desses dizeres do senso comum pode diminuir o pânico e o desnorteamento destes dias. Essa névoa, esse fog, só vai passar quando eu conseguir recomeçar a contruir minha cidadela, meu pequeno império.

Sempre foi minha opinião que os países que hoje são considerados "primeiro mundo" chegaram a tal nível de desenvolvimento por causa das adversidades. De tempos em tempos, uma grande catástrofe natural varria cidades inteiras, forçando-os a recomeçar do zero. Porém possibilitava que os erros fossem consertados e que a nova cidade fosse melhor do que a arruinada. E o vendaval que passou por minha cidade nestas últimas semanas levou tudo. Sobraram-me as ruínas e meus amigos. Hora de limpar os escombros, ver quais porcelanas não quebraram e preparar a argamassa.

Já vejo nisso tudo uma pequena vantagem a brilhar através da névoa: sem amarras a um emprego ou responsabilidade pelo estado emocional de uma pessoa, posso diminuir a censura neste blog. Voltar a falar um pouco daquelas coisas que dão sabor à vida. Sabor de verdade, spice. Falar de futuras musas, de desejo, de aventuras libertárias, do que eu quero. Assim que eu souber exatamente o que eu quero...

[Perdoem, mas o único assunto que permanecerá censurado será justamente os proquês do nosso término e qualquer opinião minha a respeito. Ainda julgo-me responsável por um estado emocional...]