Cá estamos nós. Os velhos, as primas e os adendos. Por adendos entenda-se amigas (os), namoradas (os) e outros. Getting down to business, a convivência com as primas está um pouco menos excludente este ano. A tradicional vinda para Campos no feriado de Porcos Tristes sempre apresenta o desafio de lidar com as primas. Não sei explicar direito e suponho que seja tema para minha terapeuta, mas lidar com elas é como lidar com todo meu complexo de inferioridade, toda aquela ladainha de mulheres superiores e a minha sempre presente sensação de ser ingênuo e imaturo demais. Não vou elaborar mais no assunto senão você dorme na frente da tela.
Como eu disse, a convivência com elas está um pouco menos agressiva e excludente. Consigo ao menos conversar de coisas inteligentes... Gosto de supor que tenha a ver com todo aquele exercício de olhar nos olhos e se fazer mais presente.
Um dos primos trouxe a namorada, Aline. E ao que parece, o olhá-la nos olhos chamou-lhe tanto a atenção, que ela começou a perceber detalhes de comportamento meus que eu nunca tinha atentado. Ri-se do fato de que eu frequentemente pareço embarcar em devaneios, olhando fixamente para um objeto qualquer. Digo-lhe que não tem a ver com o objeto: é como se, sempre que eu imergisse em pensamentos, eu desligasse o olhar, deixando-o pousado em qualquer coisa. Ela ri um sorriso lindo com olhos expressivos. Primo de sorte que eu tenho.
O segundo fantasma foi o sussurro de Marcus, o arquétipo nascido aqui em Campos para personificar o lado racional, social e maquiavélico. O Conselho já se desfez há tempos e não brinco mais com essas coisas, mas não posso negar que o lugar me traga memórias dele.
O terceiro fantasma, que mais me impressionou, foi a visita de um certo fantasminha de olhos verdes. Uma modelo com uma pequenice de fada, que eu conhecera no aniversário do Lala's (foto ao lado). Lembrou-se de mim rapidamente, o que encheu meu ego. Me falou de como estava detestando trabalhar com eventos, enquanto me entregava um flyer de uma balada superfaturada, e depois sumiu no mar de rostos, deixando meu coração pequenino e na boca novamente o conselho para que voltasse à cidade natal e se dedicasse à veterinária. Por um momento, passou na cabeça o clichê sobre destino, sobre nos encontrarmos assim novamente. Afago minha tristeza entregando-me à crença infundada de que, se é assim, vamos nos ver novamente. Quiçá em tempos melhores.