Esse aqui ficou meio caótico. Mas quando escrevo com raiva, não presto muita atenção nessas coisas de técnica literária.
Random Literature
Era um rapaz deveras asqueroso. E mais: conservava traços de quem tinha a possibilidade de ter sido belo algum dia. Os cabelos naquela cor dourada que antecede o loiro mas já não é castanho, os olhos claros. Tinha porte de que algum dia já teve músculos. Mas hoje, na vida sedentária que levava, trabalhando horas frente a um computador, estava obeso. Era ele todo um excesso: o tamanho do abdomem, a barba por fazer que maculava um pele que poderia ser ótima, as olheiras debaixo dos olhos azuis que pareciam duas miniaturas de sacolas de marsupial e o excesso de tecido sobre os olhos que acumulava e dava a impressão de que os olhos eram minúsculos, o lábio inferior grosso e caído como uma enorme e rósea larva.
O grotesco nele era ressaltado por uma infinidade de detalhes e contradições. As cuecas puidas e esburacadas que brotavam da calça jeans de marca quando ele se sentava. As camisas de tecidos finos que ele usava com a barba sempre por fazer. Aliás, tinha muito bom gosto para camisas. Mas junto com todo o resto de sua pessoa, era um detalhe hipocritamente belo em um suporte horrendo.
Tinha péssima atitude com mulheres. Tinha aquele jeito nojento de dizer-lhes agrados, fazendo-se de inocente mas com intenções sexuais que ele não conseguia esconder. Exalava, em toda sua morbosidade, um ar machista e torpe.
Por alguma razão, divertia-se horrores com meu nome. Saudava-me sempre com alguma variação de um suposto apelido, que incluía as três primeiras letras de meu nome, e uma sucessão de fonemas sem nexo. Piorava a cada dia na escolha do novo cacófato pelo qual se dirigia a mim.
Era patente que algo em mim incomodava ele tanto quanto a repulsa que tudo nele me causava. Talvez fosse meu tamanho, meu jeito assexuado ou mesmo qualquer coisa banal como meu cabelo. Tratava-me com o desdém e o abuso de um valentão de escola, sempre testando para encontrar o limite, encontrar o que me tiraria do sério. E no entanto, pelo bem de ambos, mantinhamos uma cordialidade superficial.
Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.
sexta-feira, outubro 29, 2004
quinta-feira, outubro 28, 2004
segunda-feira, outubro 25, 2004
Conto 1:

O garoto havia ido atrás do pai: mensagem qualquer da mãe. Atravessara a parca distância de pouco menos de um quilômetro pela estrada de terra, sem sequer olhar muito para a paisagem que já conhecia muito bem. Havia sido avisado do que é que o pai fazia àquela hora, mas não havia cogitado o espetáculo dantesco que veria. Aconteceu, segundo disseram, que uma das vacas da fazenda havia contraído tuberculose. Sabe Deus como é que souberam do fato. E apesar da variedade bovina da doença não se alastrar entre humanos, causaria verdadeiro genocídio na população animal. A solução fria e direta: matar a vaca.
O rapaz entrou pelos portões da propriedade sem muita cerimônia e foi logo para os fundos, onde ficavam os animais. E já a meio caminho podia ver a imagem violenta e surreal do animal morto, parecendo mais uma coisa que nunca fora viva do que um cadáver. Talvez por isso mesmo que, naqueles primeiros momentos, teve capacidade de permanecer ali o menino, e olhar para aquilo tudo com o desprendimento de um cientista. Estava o animal preso pelos calcanhares trazeiros em dois ganchos presos em uma árvore, e este detalhe apenas gerou no menino uma simulação mental de angústia. Mas piorava: a carne exposta, sem pele, já se transmodificando em bife, desses assado em churrasqueira. As perna abertas em uma alegoria remotamente sexual e o corpo aberto pelo meio, de cabo a rabo. Só então o menino percebeu que faltva-lhe a cabeça, e parou imediatamente onde estava, notando-a a poucos metros de seus pés. Ao lado, as visceras amontoadas em um bolo que supreendia pelo tamanho: cabia mesmo tudo isso dentro de um só animal? O rapaz observava entre impressionado e apavorado -- porque a mera imagem de um animal morto põe qualquer outro animal em estado de alerta contra perigos -- enquanto o capataz fazia um corte em um dos incontáveis estômagos do ex-bicho, fazendo brotar uma massa de pasto semi-digerido. Detalhando sordidamente a cena, um rastro de sangue espalhava-se sem direção certa. E ao contrário das visceras, impressionava o quão pouco sangue havia. Não em quantidade, mas em proporção. O rastro era longo, mas esperava-se mais por tão grande animal. E era de um vermelho profundo, cor de vinho e com todas as nuances peculiares do sangue. Misturava-se com o chão de terra e resultava em uma lama bizarra. O rastro definia para o menino um perímetro além do qual ele não tinha estômago para passar. Mas ao mesmo tempo, queria saber mais detalhes, queria vasculhar as vísceras e compreendê-las, queria estudar a anatomia daquela carcaça. Estava na época de aprender sobre organismos no colégio e a proximidade com aquilo tudo lhe proporcionava algo mais real do que as imagens nos livros didáticos. Mais real até do que os espécimes conservados em clorofórmio do laboratório de biologia.
No dilema entre afastar-se com asco e permanecer com curiosidade, nem viu o pai chegar. Levou um susto e foi tomado perante o pai da sensação de que talvez não devesse estar lá. Escondeu o sentimento e passou a mensagem que o trouxera alí. O paí respondeu qualquer coisa e continuou sua examinação, profissional que era, ignorando o horror no qual estava imerso até os joelhos. Em seguida, deixando que o sentimento voltasse a transparecer e decidisse o dilema, o menino deu as costas para tudo aquilo e afastou-se. Ficou na mente o olhar apático da cabeça decepada do animal. E algo mais que ele só saberia depois.
De volta em casa, no dia seguinte. Café da manhã na fazenda. O garoto olhava de forma fixa para o leite sendo entornado em sua caneca. Era leite puro, produzido lá mesmo. Nada mais orgânico e natural. Mas relembrava-o dos eventos do dia anterior. Relembrava-o de morte. Sentia mesmo com o olhar a gordura do leite, a grossura. E tinha uma vaga impressão de estar sentindo mesmo a essência da vaca morta. Tentou afastar o pensamento e temperando o leite com o chocolate de sempre, levou a caneca à boca, fechando os olhos como se trancasse a idéia lá fora. Mas logo sentiu o cheiro do leite. Era uma fração do cheiro que sentira no outro dia. Mas bastava uma fração. Era cheiro de carne viva, suada, imunda. Cheiro de animal mesmo. Cheiro que o menino sentia penetrar na sua própria carne, impregnar-se nela, contaminá-la de asquerosidade. Trazia flashes em rápida sucessão de todo o horror da carcaça. O garoto sequer chegou a beber. Não conseguia. Comeu do pão apenas: cheiro mais convidativo e vegetal.
Veio a tarde e o costumeiro churrasco de domingo. O pai assava uma carne que não tinha nada a ver com o animal da véspera. Carne comprada, limpa, mas carne do mesmo jeito. Assava na churrasqueira e desprendia um cheiro bom, salivante. Mas para o menino, carregava ainda uma fração da fração que sentira no café da manhã. E neste caso, não era apenas questão de cheiro: capa naco de carne que mastigava carregava consido aquele cheiro interpretado em gosto, e a certeza de que o que ele comia era em muito similar àquilo que vira dependurado nos ganchos.
Terminou o final de semana e a família voltou para a cidade. Ao menos o café da manhã agora passava a contar com leite: desnatado, desengordurado, quase inorgânico. Mas era leite. Mantinha uma fração muito miúda daquela impressão toda. Pequena o suficiente para ser ignorada. Deveras, até o leite condensado exalava uma versão congelada daquilo. Mas aqui na cidade, onde tudo era criticado por ser deshumanizado, dava pra ignorar tudo isso sem muita dificuldade. O horror da carne aqui era inodoro, confinado aos filmes de terror, aos livros de biologia e a uma confortante sensação de ser falso.
O garoto havia ido atrás do pai: mensagem qualquer da mãe. Atravessara a parca distância de pouco menos de um quilômetro pela estrada de terra, sem sequer olhar muito para a paisagem que já conhecia muito bem. Havia sido avisado do que é que o pai fazia àquela hora, mas não havia cogitado o espetáculo dantesco que veria. Aconteceu, segundo disseram, que uma das vacas da fazenda havia contraído tuberculose. Sabe Deus como é que souberam do fato. E apesar da variedade bovina da doença não se alastrar entre humanos, causaria verdadeiro genocídio na população animal. A solução fria e direta: matar a vaca.
O rapaz entrou pelos portões da propriedade sem muita cerimônia e foi logo para os fundos, onde ficavam os animais. E já a meio caminho podia ver a imagem violenta e surreal do animal morto, parecendo mais uma coisa que nunca fora viva do que um cadáver. Talvez por isso mesmo que, naqueles primeiros momentos, teve capacidade de permanecer ali o menino, e olhar para aquilo tudo com o desprendimento de um cientista. Estava o animal preso pelos calcanhares trazeiros em dois ganchos presos em uma árvore, e este detalhe apenas gerou no menino uma simulação mental de angústia. Mas piorava: a carne exposta, sem pele, já se transmodificando em bife, desses assado em churrasqueira. As perna abertas em uma alegoria remotamente sexual e o corpo aberto pelo meio, de cabo a rabo. Só então o menino percebeu que faltva-lhe a cabeça, e parou imediatamente onde estava, notando-a a poucos metros de seus pés. Ao lado, as visceras amontoadas em um bolo que supreendia pelo tamanho: cabia mesmo tudo isso dentro de um só animal? O rapaz observava entre impressionado e apavorado -- porque a mera imagem de um animal morto põe qualquer outro animal em estado de alerta contra perigos -- enquanto o capataz fazia um corte em um dos incontáveis estômagos do ex-bicho, fazendo brotar uma massa de pasto semi-digerido. Detalhando sordidamente a cena, um rastro de sangue espalhava-se sem direção certa. E ao contrário das visceras, impressionava o quão pouco sangue havia. Não em quantidade, mas em proporção. O rastro era longo, mas esperava-se mais por tão grande animal. E era de um vermelho profundo, cor de vinho e com todas as nuances peculiares do sangue. Misturava-se com o chão de terra e resultava em uma lama bizarra. O rastro definia para o menino um perímetro além do qual ele não tinha estômago para passar. Mas ao mesmo tempo, queria saber mais detalhes, queria vasculhar as vísceras e compreendê-las, queria estudar a anatomia daquela carcaça. Estava na época de aprender sobre organismos no colégio e a proximidade com aquilo tudo lhe proporcionava algo mais real do que as imagens nos livros didáticos. Mais real até do que os espécimes conservados em clorofórmio do laboratório de biologia.
No dilema entre afastar-se com asco e permanecer com curiosidade, nem viu o pai chegar. Levou um susto e foi tomado perante o pai da sensação de que talvez não devesse estar lá. Escondeu o sentimento e passou a mensagem que o trouxera alí. O paí respondeu qualquer coisa e continuou sua examinação, profissional que era, ignorando o horror no qual estava imerso até os joelhos. Em seguida, deixando que o sentimento voltasse a transparecer e decidisse o dilema, o menino deu as costas para tudo aquilo e afastou-se. Ficou na mente o olhar apático da cabeça decepada do animal. E algo mais que ele só saberia depois.
De volta em casa, no dia seguinte. Café da manhã na fazenda. O garoto olhava de forma fixa para o leite sendo entornado em sua caneca. Era leite puro, produzido lá mesmo. Nada mais orgânico e natural. Mas relembrava-o dos eventos do dia anterior. Relembrava-o de morte. Sentia mesmo com o olhar a gordura do leite, a grossura. E tinha uma vaga impressão de estar sentindo mesmo a essência da vaca morta. Tentou afastar o pensamento e temperando o leite com o chocolate de sempre, levou a caneca à boca, fechando os olhos como se trancasse a idéia lá fora. Mas logo sentiu o cheiro do leite. Era uma fração do cheiro que sentira no outro dia. Mas bastava uma fração. Era cheiro de carne viva, suada, imunda. Cheiro de animal mesmo. Cheiro que o menino sentia penetrar na sua própria carne, impregnar-se nela, contaminá-la de asquerosidade. Trazia flashes em rápida sucessão de todo o horror da carcaça. O garoto sequer chegou a beber. Não conseguia. Comeu do pão apenas: cheiro mais convidativo e vegetal.
Veio a tarde e o costumeiro churrasco de domingo. O pai assava uma carne que não tinha nada a ver com o animal da véspera. Carne comprada, limpa, mas carne do mesmo jeito. Assava na churrasqueira e desprendia um cheiro bom, salivante. Mas para o menino, carregava ainda uma fração da fração que sentira no café da manhã. E neste caso, não era apenas questão de cheiro: capa naco de carne que mastigava carregava consido aquele cheiro interpretado em gosto, e a certeza de que o que ele comia era em muito similar àquilo que vira dependurado nos ganchos.
Terminou o final de semana e a família voltou para a cidade. Ao menos o café da manhã agora passava a contar com leite: desnatado, desengordurado, quase inorgânico. Mas era leite. Mantinha uma fração muito miúda daquela impressão toda. Pequena o suficiente para ser ignorada. Deveras, até o leite condensado exalava uma versão congelada daquilo. Mas aqui na cidade, onde tudo era criticado por ser deshumanizado, dava pra ignorar tudo isso sem muita dificuldade. O horror da carne aqui era inodoro, confinado aos filmes de terror, aos livros de biologia e a uma confortante sensação de ser falso.
quinta-feira, outubro 21, 2004
Official statement:
I now have an MSN account. I'll be looking you guys up, but if you want to quicken things up, look me up with my usual e-mail. Not the company e-mail. You should know the one...
==============
Declaração oficial:
Agora possuo uma conta de MSN. Estarei procurando vocês, mas se querem apressar as coisas, me procurem pelomeu e-mail normal. Não o da empresa. Vocês sabem qual...
I now have an MSN account. I'll be looking you guys up, but if you want to quicken things up, look me up with my usual e-mail. Not the company e-mail. You should know the one...
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Declaração oficial:
Agora possuo uma conta de MSN. Estarei procurando vocês, mas se querem apressar as coisas, me procurem pelomeu e-mail normal. Não o da empresa. Vocês sabem qual...
terça-feira, outubro 19, 2004
Guys, Would you help me out on a series of pics for the fotolog?
It's a simple idea: I'll produce a photo of you (I'll pic the place, the lighting if possible, the clothes and make-up). And you, wether you are a photography fan or not, will produce one of me (you can also pic the place, lighting and all the crap...). The idea is to try and capture a person's essence, what he/she means or looks like to you. Anything goes, even Photoshop intervention, if it'll help you reach the desired result. Who's game? Send me a comment or an e-mail.
=====================
Pessoas, vocês me ajudariam com uma série de fotos para o fotolog?
A idéia é simples: eu produzo uma foto de vocês (escolho o lugar, se possível faço a iluminação e escolho figurino). E vocês, interessados ou não em fotografia, produzem uma de mim (também podem escolher lugar, iluminação e o caralho a quatro...). A idéia é tentar capturar a essência da pessoa, o que ela significa e como ela parece para você. Vale tudo, até intervenção de Photoshop (Photochopp para os mais etílicos...), desde que chegue a esse resultado. Alguém topa entrar nessa? Mandem comments ou me escrevam um e-mail.
sexta-feira, outubro 15, 2004
Surreal revelation XV:
Estava certo o redator que trabalha comigo quando disse que não é o mundo que é pequeno, é a renda que é concentrada demais. Faz sentido esse pensamento, não? Se você faz parte da parcela da população com renda alta, você obviamente estará sempre encontrando as mesmas pessoas, que também têm renda alta, e freqüentam os mesmos lugares.
Estava certo o redator que trabalha comigo quando disse que não é o mundo que é pequeno, é a renda que é concentrada demais. Faz sentido esse pensamento, não? Se você faz parte da parcela da população com renda alta, você obviamente estará sempre encontrando as mesmas pessoas, que também têm renda alta, e freqüentam os mesmos lugares.
quarta-feira, outubro 13, 2004
Há noites em que eu consigo até sentir a sanidade escapando. A minha definição de loucura patológica é quando, em determinada situação, aquela parte consciente da sua mente que você acredita controlar escapa do seu controle completamente e começa a te torturar com pensamentos que você não consegue agüentar. Coisas sádicas, pervertidas, ou simplesmente horrorosas. E você tenta se distrair e pensar em outra coisa, mas fica tão abismado com o que acabou de imaginar, que volta naturalmente àquelas idéias.
Antigamente, eu não tinha esse medo de enlouquecer. Porque, na verdade, quando eu pensava nisso, sempre havia a idéia de que, ao enlouquecer, eu naturalmente perderia a consciência e passaria para um estado de "não ser". Um estado animal em que você não sabe o que faz e na verdade nem se importa. Mas não é assim. Eu continuo "sendo" inexoravelmente. Continuo tendo perfeita consciência do quão mal me sinto, numa vigília de pesadelos momentâneos ao anoitecer, em que cogito o fim da existência e acabo decidindo esperar pra ver como me sinto no dia seguinte. Dormir. ("Dormir e talvez sonhar: sim, eis aí o negócio"). Porque dormir e como apertar Ctrl + Alt + Del e reiniciar a máquina. Se um dia eu acordar e essa sensação horrível de ansiedade ainda estiver presente....
Mas quem sabe eu seja apenas covarde demais pra isso. Ainda bem.

Antigamente, eu não tinha esse medo de enlouquecer. Porque, na verdade, quando eu pensava nisso, sempre havia a idéia de que, ao enlouquecer, eu naturalmente perderia a consciência e passaria para um estado de "não ser". Um estado animal em que você não sabe o que faz e na verdade nem se importa. Mas não é assim. Eu continuo "sendo" inexoravelmente. Continuo tendo perfeita consciência do quão mal me sinto, numa vigília de pesadelos momentâneos ao anoitecer, em que cogito o fim da existência e acabo decidindo esperar pra ver como me sinto no dia seguinte. Dormir. ("Dormir e talvez sonhar: sim, eis aí o negócio"). Porque dormir e como apertar Ctrl + Alt + Del e reiniciar a máquina. Se um dia eu acordar e essa sensação horrível de ansiedade ainda estiver presente....
Mas quem sabe eu seja apenas covarde demais pra isso. Ainda bem.
segunda-feira, outubro 11, 2004
RIP Christopher Reeve:
Actor Christopher Reeve, star of the Superman series died this sunday of a heart failure. He was 52. Details are still fuzzy, but that's what I gathered. As one of the not so politically correct guys from Megatokyo wrote, he was someone "who once made us believe that a man could fly, and spent the later years of himself convincing us that a man could walk."
Dark humor aside, he was a fighter, who didn't stop working even after the accident that put him in a wheelchair for the rest of his life. His condition inspired him to create a foundation for the study of spinal cord injuries. The last movie I saw with him was a remake of Hitchcock's Rear Window (Janela Indiscreta in my contry).
Actor Christopher Reeve, star of the Superman series died this sunday of a heart failure. He was 52. Details are still fuzzy, but that's what I gathered. As one of the not so politically correct guys from Megatokyo wrote, he was someone "who once made us believe that a man could fly, and spent the later years of himself convincing us that a man could walk."
Dark humor aside, he was a fighter, who didn't stop working even after the accident that put him in a wheelchair for the rest of his life. His condition inspired him to create a foundation for the study of spinal cord injuries. The last movie I saw with him was a remake of Hitchcock's Rear Window (Janela Indiscreta in my contry).
quinta-feira, outubro 07, 2004
Surreal revelations XIV:
In a short space of less than twenty years, communication has evolved dramatically, from the common telephone, to mobile phones that get smaller every year. At this rate, and with a little research on human-machine interfaces, humanity could develop something close to technological telepathy. Imagine planting a microchip on the brain that could transmit and receive data like a mobile phone. And with a system like the internet, humanity would soon develop into a hive-minded breed, where everyone would be connected to everyone else at all times (by everyone I obviously mean whomever can afford it: there will always be those who are left behind...). As I picture this, I remember Ghost in the Shell
The really trippy part is imagining that such a technology could develop beyond language: one could transmit pure concepts, regardless of whether they are in english, portuguese or japanese.
Or imagining that, just as there are hackers in the common internet, there'd be hackers in such a system, capable of accessing data from your head regardless of the barriers you set up.
Last but not least, humanity would need to raise to a new level of tolerance. Gaining access directly into people's heads would mean gaining access to things that would be best kept hidden: perversions, bottled up emotions, prejudices. We'd have to learn to live with these things and that's something we've been trying to master ever since the dawn of mankind. One can only hope that human morals and ethics evolve faster than technology.
In a short space of less than twenty years, communication has evolved dramatically, from the common telephone, to mobile phones that get smaller every year. At this rate, and with a little research on human-machine interfaces, humanity could develop something close to technological telepathy. Imagine planting a microchip on the brain that could transmit and receive data like a mobile phone. And with a system like the internet, humanity would soon develop into a hive-minded breed, where everyone would be connected to everyone else at all times (by everyone I obviously mean whomever can afford it: there will always be those who are left behind...). As I picture this, I remember Ghost in the Shell
The really trippy part is imagining that such a technology could develop beyond language: one could transmit pure concepts, regardless of whether they are in english, portuguese or japanese.
Or imagining that, just as there are hackers in the common internet, there'd be hackers in such a system, capable of accessing data from your head regardless of the barriers you set up.
Last but not least, humanity would need to raise to a new level of tolerance. Gaining access directly into people's heads would mean gaining access to things that would be best kept hidden: perversions, bottled up emotions, prejudices. We'd have to learn to live with these things and that's something we've been trying to master ever since the dawn of mankind. One can only hope that human morals and ethics evolve faster than technology.
There's this character, a goth girl of sorts, who works as a computer tech. In two or three particular comics, she gets these calls from people who claim to have trouble with their computers, but who are actually just using them in the wrong way (for instance, this guy says he turned the computer on but nothing showed on the screen and it turns out he didn't turn on the screen...). Kinda reminds me vividly of my fellow co-workers.
Both the copywriters in my room (a girl in her twenties and working for the first time and a guy in his late forties who's been on the business for the past twenty years) have serious difficulties with their machines. In both cases, it seems kinda surreal. I mean, the girl is even younger than me and spends most of the day on MSN or Orkut. Belonging to such a generation, she should at least be familiar with the basics. As for the older guy, after twenty years, you`d figure he would have gotten the hang of it by now. Since I'm the only other person who's always in the room, I always get called over to fix whatever stupidity they can't seem to work out on their own.
Sure, I should be politically correct and aknowledge the fact that not every one deals well with computers. But it gets to a point where it's no longer inaptitude, it's just plain old stupidity... And besides, at least up until last year, I was the one to call myself technologically inapt. And now I`m the one solving computer problems?
quarta-feira, outubro 06, 2004
Looking out my office window, I get a glimpse of a part of an airport thtough the gaps between other office buildings. I`ve mentioned this before, and the Goodyear blimp that takes off from that airport. In the short cofee breaks I allow myself to take during the day, I look at the airport while sipping my coffee. Just as the coffee break is a tiny relief from the tensions of work (deadlines, small computer problems, asking for this or that briefing for the eleventh time...), the openness of the airport space is a relief from the claustrophobia of office buildings and the sterile whiteness of my own office (white walls, white desks and concrete everywhere...). But perhaps the most soothing thing is to watch the helicopters taking off and landing. In a busy metropolis such as mine, more choppers fly out of airports than private jets because business is conducted inside the city. I watch the helicpters and feel the same projection I felt when I watched the birds as a child. Back then I watched seagulls flying at the beach and my mind would simulate the feeling of weightlessness, of being carried by air masses. And the pit in my stomach when the seagulls would dive for fish in the sea. Now I look at choppers and feel the way their movement seems to be based on balance and momentum. Tilting in any direction means moving that way. Tilting in the oposite direction reduces speed. It`s tense, but at the same time kinda fun and relaxing in a "Desert Combat" kinda way... I know, it`s paradoxal...
*Sigh* Even in the most subjective moments, I yield to rational explanations...
*Sigh* Even in the most subjective moments, I yield to rational explanations...
segunda-feira, outubro 04, 2004
Last friday, one of the teachers in the advertising course quoted Shakespeare to explain something. Specifically, he quoted among other things, the famous "to be or not to be" monologue, from Hamlet. And I finally understood how perfectly the title of To what dreams may come (the last title in my list of movies to the left...) fits into the movie`s plot.
At a certain point, Hamlet says:
To die, to sleep;
To sleep: perchance to dream: ay, there's the rub;
For in that sleep of death what dreams may come
When we have shuffled off this mortal coil,
Must give us pause: there's the respect
That makes calamity of so long life.
Roughly "translated":
To die, to sleep and maybe even to dream: there's the thing. We must think (give pause) of what dreams may come in that sleep of death once we`ve shuffled off this mortal coil: that's the fear that makes us go on living.
He is thus considering what exists in the afterlife. If death is compared to sleep, the afterlife would be a dream. The whole monologue ends with him saying that, before one ends his own life, preferring death over all the outrages and pains we suffer in life, one must consider what comes after death. Where does one expect to go after death. What if it there is no heaven?
What will you dream of?
My weekend was spent dwelling on the subject, and for a first time in ages, rethinking all my suicidal thoughts in a much more positive, pro-life point-of-view...
At a certain point, Hamlet says:
To die, to sleep;
To sleep: perchance to dream: ay, there's the rub;
For in that sleep of death what dreams may come
When we have shuffled off this mortal coil,
Must give us pause: there's the respect
That makes calamity of so long life.
Roughly "translated":
To die, to sleep and maybe even to dream: there's the thing. We must think (give pause) of what dreams may come in that sleep of death once we`ve shuffled off this mortal coil: that's the fear that makes us go on living.
He is thus considering what exists in the afterlife. If death is compared to sleep, the afterlife would be a dream. The whole monologue ends with him saying that, before one ends his own life, preferring death over all the outrages and pains we suffer in life, one must consider what comes after death. Where does one expect to go after death. What if it there is no heaven?
What will you dream of?
My weekend was spent dwelling on the subject, and for a first time in ages, rethinking all my suicidal thoughts in a much more positive, pro-life point-of-view...
sexta-feira, outubro 01, 2004
Dream
I discovered that I had the marvelous ability to hug one of those helium-filled baloons and just float with it high above the sky. And I flew, careless as to where to go. Just taken by the wind. I remember seeing the dirtroads of grandma`s farm stretching for miles in a straight line. And then, all of a sudden, I decended and entered a subway station. I landed close to the turnstiles and noticed how the station was entirely made of brushed iron plates. Mom was there. We greeted each other briefly and with the casualty of not expecting to find each other there. And then she climbed on my back and I hugged the baloon again. As we began to gain altitude, the train went by. And that`s the last thing I remember before waking up with the joyous feeling of weightlessness.
I went to work that day and looked out the window. The Goodyear blimp, which as I wrote earlier, takes off from an airstrip close to the office, greeted me and seemed to be the obvious reference to the whole dream. Looking around, I saw the subway rail cutting through the city in an straight line that stretched for miles. Like the roads in the dream. And likewise, there was a subway station just ahead. The subway trains exited from it, all made in brushed iron plates.
Funny how you can dream of a place without having an actual image of it in the dream...
I discovered that I had the marvelous ability to hug one of those helium-filled baloons and just float with it high above the sky. And I flew, careless as to where to go. Just taken by the wind. I remember seeing the dirtroads of grandma`s farm stretching for miles in a straight line. And then, all of a sudden, I decended and entered a subway station. I landed close to the turnstiles and noticed how the station was entirely made of brushed iron plates. Mom was there. We greeted each other briefly and with the casualty of not expecting to find each other there. And then she climbed on my back and I hugged the baloon again. As we began to gain altitude, the train went by. And that`s the last thing I remember before waking up with the joyous feeling of weightlessness.
I went to work that day and looked out the window. The Goodyear blimp, which as I wrote earlier, takes off from an airstrip close to the office, greeted me and seemed to be the obvious reference to the whole dream. Looking around, I saw the subway rail cutting through the city in an straight line that stretched for miles. Like the roads in the dream. And likewise, there was a subway station just ahead. The subway trains exited from it, all made in brushed iron plates.
Funny how you can dream of a place without having an actual image of it in the dream...
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