Tentarei publicar este no blog de Artes do colégio. A parte sobre o Ai WeiWei já foi escrita aqui.
Eu ando acompanhando com muito interesse tudo relacionado aos protestos que têm ocorrido na nossa cidade. Além de perceber como os protestos mudaram minha própria posição de alienação e apatia, eles também têm me proporcionado uma ótima oportunidade para refletir um pouco sobre algumas das coisas que andei ensinando aos meus alunos de 9o ano, no curso sobre cinema.
Atento-me especificamente a uma aula onde conversamos sobre o cinema sendo usado como ferramenta de dominação. O assunto da aula era o cinema, na forma do filme "Triunfo da Vontade" da cineasta nazista Leni Riefenstahl. Mas a rigor, a aula estende-se à mídia como um todo. Uma das estratégias de mídia que discutimos na aula consistia em omitir o emissor das mensagens. Trocando em miúdos: se você sabe QUEM emite a mensagem, você pode analisar este emissor e chegar à conclusão de que a mensagem é uma opinião de alguém de uma determinada classe social, representando determinados interesses. Mas se o emissor é oculto, a tarefa de contestar essa mensagem fica mais difícil. Nós a aceitamos como verdade mais facilmente.
A semana pasada nos brindou com um exemplo formidável para estudo. O jornalista Arnaldo Jabor apareceu no espaço reservado a ele pela Rede Globo para emitir sua opinião sobre os protestos. De forma geral, desqualificou os protestantes, dizendo serem filhos da classe média ridiculamente protestando contra míseros R$0,20 que eles não precisavam, e descrevendo os policiais que reprimiam os protestos como as verdadeiras vítimas da violência. A opinião não era novidade. Boa parte da mídia mais conservadora repetia a mesma opinião. Mas, conforme nosso exemplo em aula, quando o William Bonner profere a notícia, sabemos que não é a opinião DELE. É uma opinião de alguém que lhe forneceu a notícia, e que permanece oculto, inquestionável, enquanto o âncora do jornal descreve os manifestantes como vândalos. Não se pode protestar contra o Bonner, seria injusto. Da mesma forma que seria injusto xingar um(a) atendente de call center pelas sacanagens perpetradas pela empresa para a qual ele/ela trabalha. "Odeie a mensagem, não o mensageiro". Mais do que isso: com o emissor oculto por trás do vasto e imponente nome da emissora de televisão mais assistida do país, a maioria das pessoas até desconfia, mas cede à ideia de que, se tamanho grupo de jornalistas está dizendo isso, eles devem saber mais do que nós.
O caso do Jabor é diferente. Ele assina o comentário, da uma cara à opinião. O emissor não está mais oculto, ele está escancarado. E mal informado. Ele torna-se extremamente vulnerável ao ataque, à contradição de sua opinião.
Diante da onda de denúncias de violência policial ocorrida na quinta-feira de protestos (dia 13/06), Jabor recebeu uma outra onda de vídeos em resposta ao seu comentário ([1] [2] - para citar alguns). Não teve outra opção que não a de se retratar. Mas fez isso através da CBN, tomando o constrangimento para si e evitando expor a rede Globo.
Na segunda, eu fui ao protesto que começou na Faria Lima. Fui leve, sem nada que me tornasse uma ameaça para a polícia, pronto para correr. Meu coração acelerava com o número de gente na estação de metrô e as palavras de ordem cantadas por todos. Eu não via nada assim desde Londres, no meu mestrado. Larguei a manifestação e voltei para casa quando comecei a sentir no ar o cheiro característico dos solventes contidos nas latas de spray. Pixar propriedade alheia podia ser motivo para a polícia entrar em ação e a coisa iria escalar. Resolvi contribuir para o protesto de outras formas, incluindo este texto e a tentativa de abrir os olhos da criançada para questionar mais as informações que recebem do mundo lá fora.
No caminho de volta para casa, fui lembrando do que eu havia escrito sobre a exposição do chinês Ai Weiwei no MIS, que visitei em Fevereiro deste ano. Eu soube dele pela primeira vez em Londres, uma instalação na Tate Modern onde ele lotou o piso da galeria de sementes de girassol feitas de porcelana. Milhões delas, feitas uma a uma por voluntários chineses. De lá pra cá, Wei Wei foi preso pelo governo chinês, o que causou toda uma polêmica mundial de artistas pela sua libertação, e aparentemente foi viver nos EUA ou algo assim.
Assim como a Yaoni Sanchez que a minha mãe lê, fala corajosa e abertamente sobre as incoerências, e a miséria causada pela ditadura vigente em seu país de origem. Uma ditadura que prometeu igualdade a todos e forneceu uma igualdade de míngua e burocracia. A exposição no MIS era uma coletânea enorme de fotografias tiradas por Wei Wei e seus assistentes, documentando diversos processos de diversos dos trabalhos do artista. Todos trabalhos que falavam sem romantismos desnecessários sobre tudo o que estava acontecendo. Daquele tipo de documentação direta que qualquer blogueiro hoje faz. O que levou à já bastante recorrente pergunta: "mas isso é arte?" De fato, algumas das fotos que Wei Wei faz não chegam a ser muito mais diferentes do que o que muitos conterrâneos meus postam no Facebook, indignados com o nosso país. Nem é possível dizer que elas sejam dotadas daquela mítica "sensibilidade artística" que as separa das fotos das ditas "pessoas comuns". Mas tudo muda para ele (e para a Yaoni Sanchez), porque existe uma força opositora relevante. Isso muda tudo. Se você posta no Facebook a sua indignação contra este ou aquele partido político, esta ou aquela medida do governo, nada disso importa. Você vive em um país livre e supostamente democrático, onde você pode exercer a sua liberdade de expressão sem medo. Isso torna-se uma faca de dois gumes, porque embora você a possa expressar, a sua opinião também pode ser sumariamente ignorada. Se o governo não fizer nada a respeito (nem acatando o seu desejo de justiça, e nem prendendo você por externar o que sente), é quase como se você não tivesse dito nada. Com Wei Wei e Sanchez, a coisa é outra. Qualquer comentário dissidente e eles misteriosamente "são sumidos" por algum tempo, têm seus bens confiscados, sua vida incrivelmente dificultada. Eles precisam de muito mais coragem para dizer o que nós ouvimos tanto que chegamos a ignorar ("mais uma denúncia de corrupção..."). O choque entre a força opositora que nós não temos aqui em nosso país e a coragem deles é o que faz um gesto tão simples como tirar um autorretrato ou blogar sobre o dia-a-dia virar uma obra de arte política. Não tem absolutamente nada a ver com técnica artística. [Disclaimer: sim, eu sei que o Wei Wei tem obras de arquitetura incríveis, foi responsável em parte pelo estádio conhecido como "Ninho de Pássaro" na China e tem outras obras bem mais tecnicamente interessantes, mas estou me atendo aqui à exposição do MIS]. Encerro a reflexão fazendo a pergunta: sendo que não temos aqui tamanha força opositora que valide as nossas expressões de indignação dissidentes, o que é que nós precisaríamos fazer (como trabalho artístico/expressivo) para ter o mesmo impacto que Wei Wei e Sanchez? Talvez, na hora em que a Tropa de Choque abriu fogo contra os manifestantes na quinta, eles tenham cometido o ato que faltava para validar essa nossa grande obra de arte coletiva que aconteceu nestas últimas semanas.
Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.
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segunda-feira, junho 17, 2013
segunda-feira, abril 22, 2013
Romantismo no MASP
O melhor de ser professor é que você acaba aprendendo muito para poder ensinar, e desenvolve um olhar mais detalhado sobre coisas que normalmente passariam mais superficialmente. No ano passado, fui com alunos o Ensino Médio para a exposição sobre o Impressionismo no Centro Cultural Banco do Brasil, no centro da cidade. Aprendi muito mais do que ensinei, e saí com uma visão BEM diferente e muito mais madura do que tinha sido o movimento, o que levou aos pintores a fazerem obras daquele jeito e como os artistas seguintes se apropriaram dessa linguagem. Nesse ano, pensando em fazer o mesmo, fui dar uma olhada inicial na exposição do MASP sobre o Romantismo.
Como falar para alunos de um colégio como o meu sobre o Romantismo?
O movimento encerra tudo do que eles mais precisam, e ao mesmo tempo nada do que eles podem compreender tão racionalmente. Pode-se falar das questões formais que fazem uma pintura romântica: como o tom escuro da vegetação às margens do quadro isola o espectador do mundo real, fazendo-o atravessar por um buraco na mata em penumbra para visualizar um por do sol perfeito e brilhante atrás de uma catedral esfumaçada pela perspectiva atmosférica. Falar disso é falar de como nós, espectadores do quadro, estamos colocados nessa mata fechada que pode representar um monte de coisas: uma vida difícil, sufocante como mata fechada; uma escuridão fria que representa a falta de razão, de sentimento. Enfim, a vida real é tediosa, difícil e fria; é isso que os românticos dizem. E criam até um termo para isso: a vida é cheia de spleen. O quadro romântico fala da possibilidade de encontrar uma abertura por entre essas folhagens escuras e modorrentas, para visualizar aquele por do sol quentinho, brilhante e colorido, representando sensações positivas e êxtase, como se a vida pudesse ser melhor, mais interessante e plena. O por do sol surge por trás de uma catedral perfeita, representando o acalanto da fé e da civilização, que são vistas como fonte desses sentimentos positivos. Porém o quadro também tem um elemento pessimista, já que a catedral e o por do sol estão muito além da floresta negra em que nos encontramos, fora do alcance. A distância é tanta que os contornos da catedral ficam azulados e perdem a nitidez. A composição é um jogo de seduzir este ser da floresta com esses confortos e segurança, e ao mesmo tempo lhe negar o acesso.
A maioria dos quadros do Romantismo têm essa configuração de ambiguidades: o escuro e a luz, o selvagem e a civilização, o violento e o seguro, o arrebatamento e a razão. E a grande brincadeira do Romantismo vai ser criar tamanha tensão entre essas duas coisas, entre seduzir e negar, que o espectador vai ter medo de quando essa tensão for satisfeita. Medo de ter aquela sensação de "ué, depois de toda essa antecipação, era só isso?". Medo de que a ideia que ele criou do êxtase seja muito maior do que o êxtase em si.
Em termos mundanos, é como ser seduzido(a) pela pessoa gostosa, bem vestida e culta, apenas para descobrir que ele(a) beija mal e é um tédio na cama. E o resultado, em termos ainda mais mundanos, é que boa parte dos Românticos vai preferir a ereção ao orgasmo, a idealização à realidade.
Mas e daí? Falar para meus alunos sobre estes aspectos visuais do Romantismo (sem mencionar ereções e orgasmos, claro... ¬.¬) faria com que eles entendessem a cara de uma pintura romântica, sem entender sua graça, sua alma. Para entender o Romantismo, seria preciso falar do sublime. Mas que criança de família abastada e vida segura conseguiria entender o pavor, a loucura e o maravilhamento do sublime? O sublime que, na época do Romantismo, era relacionado ao terror do selvagem, da noite, da violência irracional.
Um terror muito maior do que qualquer um de nós, incompreensível, indomável. A Natureza era o maior monstro! E era por isso que pessoas, nos quadros Românticos, apareciam sempre pequeninas, perdidas na mata, à deriva no mar; e as edificações pareciam ser pequenos oásis de civilização e linhas retas, sendo lenta e inexoravelmente tragados pela Natureza (alô, casa da tia Suzy...) de borrões escuros esverdeados até virar ruinas.
O Romantismo, no MASP, recebeu o subtítulo de "Arte do Entusiasmo". Na verdade, o movimento de fato expressa sentimentos muito fortes. Mas nem sempre positivos, entusiásticos. Nas vertentes mais extremas, foi o movimento que levou ao Werther de Goethe, e ao Drácula de Bram Stoker. Às poesias de Lord Byron e Álvares de Azevedo (no Brasil). Essa busca por emoções fortes (positivas e negativas) pode ser encontrada até hoje em muito da nossa cultura que procura o êxtase (extasy) a qualquer preço (inclusive pagando com a saúde). O que mostra que o Romantismo foi mais do que um movimento passageiro da primeira metade do século XIX. Ele perdura até hoje, meio escondido, debaixo da sua cama, na escuridão da mata à noite, no fundo do mar. Esperando para atacar com todo seu caráter sublime a qualquer momento.
[SERVIÇO]
Quem se interessar pela exposição, pode encontrar mais informações no site do MASP.
A exposição fica aberta de terça a domingo e feriados, das 11h às 18h. Às quintas, das 11h às 20h.
Preços vão de R$7,00 para estudantes a R$15,00 a inteira. [Terça é de graça!!!]
E mais informações sobre o romantismo podem ser encontradas nos links abaixo:
• http://pt.wikipedia.org/wiki/Romantismo
• http://pt.wikipedia.org/wiki/Romantismo_no_Brasil
• http://www.suapesquisa.com/romantismo/romantismo.htm
• http://www.soliteratura.com.br/romantismo/
Como falar para alunos de um colégio como o meu sobre o Romantismo?
| Catedral de Salisbury Vista do Jardim do Bispo por John Constable |
A maioria dos quadros do Romantismo têm essa configuração de ambiguidades: o escuro e a luz, o selvagem e a civilização, o violento e o seguro, o arrebatamento e a razão. E a grande brincadeira do Romantismo vai ser criar tamanha tensão entre essas duas coisas, entre seduzir e negar, que o espectador vai ter medo de quando essa tensão for satisfeita. Medo de ter aquela sensação de "ué, depois de toda essa antecipação, era só isso?". Medo de que a ideia que ele criou do êxtase seja muito maior do que o êxtase em si.
Em termos mundanos, é como ser seduzido(a) pela pessoa gostosa, bem vestida e culta, apenas para descobrir que ele(a) beija mal e é um tédio na cama. E o resultado, em termos ainda mais mundanos, é que boa parte dos Românticos vai preferir a ereção ao orgasmo, a idealização à realidade.
Mas e daí? Falar para meus alunos sobre estes aspectos visuais do Romantismo (sem mencionar ereções e orgasmos, claro... ¬.¬) faria com que eles entendessem a cara de uma pintura romântica, sem entender sua graça, sua alma. Para entender o Romantismo, seria preciso falar do sublime. Mas que criança de família abastada e vida segura conseguiria entender o pavor, a loucura e o maravilhamento do sublime? O sublime que, na época do Romantismo, era relacionado ao terror do selvagem, da noite, da violência irracional.
Um terror muito maior do que qualquer um de nós, incompreensível, indomável. A Natureza era o maior monstro! E era por isso que pessoas, nos quadros Românticos, apareciam sempre pequeninas, perdidas na mata, à deriva no mar; e as edificações pareciam ser pequenos oásis de civilização e linhas retas, sendo lenta e inexoravelmente tragados pela Natureza (alô, casa da tia Suzy...) de borrões escuros esverdeados até virar ruinas.
| Cachoeira de Paulo Afonso de E. F. Schute |
| Paisagem com Fonte de Charles-Émile Vacher de Tournemine |
O Romantismo, no MASP, recebeu o subtítulo de "Arte do Entusiasmo". Na verdade, o movimento de fato expressa sentimentos muito fortes. Mas nem sempre positivos, entusiásticos. Nas vertentes mais extremas, foi o movimento que levou ao Werther de Goethe, e ao Drácula de Bram Stoker. Às poesias de Lord Byron e Álvares de Azevedo (no Brasil). Essa busca por emoções fortes (positivas e negativas) pode ser encontrada até hoje em muito da nossa cultura que procura o êxtase (extasy) a qualquer preço (inclusive pagando com a saúde). O que mostra que o Romantismo foi mais do que um movimento passageiro da primeira metade do século XIX. Ele perdura até hoje, meio escondido, debaixo da sua cama, na escuridão da mata à noite, no fundo do mar. Esperando para atacar com todo seu caráter sublime a qualquer momento.
[SERVIÇO]
Quem se interessar pela exposição, pode encontrar mais informações no site do MASP.
A exposição fica aberta de terça a domingo e feriados, das 11h às 18h. Às quintas, das 11h às 20h.
Preços vão de R$7,00 para estudantes a R$15,00 a inteira. [Terça é de graça!!!]
E mais informações sobre o romantismo podem ser encontradas nos links abaixo:
• http://pt.wikipedia.org/wiki/Romantismo
• http://pt.wikipedia.org/wiki/Romantismo_no_Brasil
• http://www.suapesquisa.com/romantismo/romantismo.htm
• http://www.soliteratura.com.br/romantismo/
terça-feira, janeiro 10, 2012
Balanço de 2011
À medida em que a vida vai adquirindo contornos mais sérios, eu vou tendo menos tempo pra escrever por aqui. Questão de escolher de maneira sóbria quais são as suas bolas de golfe e o que é a areia [1]. O blog ainda está longe de terminar. Ele é parte intrínseca da minha presença virtual, de quem eu sou no mundo real também. Mas com certeza, eu já percebi que nesse ano, como dizia a Chebel, "I need to be living, not internerding...".
Mas vamos ao que interessa. Janeiro está quase na metade e eu ainda não fiz o balanço do ano passado. Um ano que dificilmente será superado (eu já não disse isso?), onde eu...
• ...estruturei muito melhor tudo o que eu pensava do Masculismo [1][2][3][4][5][6][7][8][9]
• ...comecei a encontrar pontos onde, apesar de diferentes, as compreensões do masculino dos ingleses e a minha se encontravam. [1]
• ...observei ativistas, protestantes e gente alternativa de verdade com visões de mundo e ideologias muito interessantes. [1][2][
• ...recebi gente lá em Londres para afastar a minha saudade. [1]
• ...conheci uma turma que não estava nem totalmente do lado masculino e nem do feminino. E estava vivendo perfeitamente bem com isso! [1][2][3][4][5]
• ...fiz vários vídeos! [1][2][3][4]
• ...percebi as crises, incoerências e o caos da faculdade em Londres. Quando a academia vira empresa, o caos se instala. Seja em que país for! [1][2]
• ...convivi com gente nova, estranha, estressante e interessante. [1][2]
• ...observei os "odds and ends" de Londres. [1][2][3]
• ...coloquei meu trabalho para inglês ver! [1][2][3][4]
• ...aproveitei que ninguém me conhecia tanto assim em Londres para ousar, dando início a uma mudança sorrateira de personalidade em direção a algo mais sexualmente ambíguo [1][2][3][4][5]
• ...visitei a Romênia, à procura do lendário e do verdadeiro conde Drácula! Aproveitei para aprender um nada de romeno. [1]
• ...comecei a cair na real em relação a ser artista, ao mercado e à academia, ao meu futuro. [1][2]
• ...me envolvi com o catálogo da turma, uma responsabilidade cheia de dor e de delícia. [1][2]
• ...assisti bem de perto à Europa entrando em crise. [1]
• ...tive que deixar a rotina gostosa de um lugar onde eu fui realmente muito feliz por um ano, para voltar ao meu país de origem e me readaptadar a estar entre conhecidos novamente. [1][2][3]
• ...tive meus choques culturais, desgostos nativos e pequenas frustrações de volta no meu país. A vida aqui jamais será a vida de lá. [1][2][3][4]
E o que será de 2012?
O ano promete muito. E embora esse muito seja muito trabalho e muitas obrigações, são também muitas possibilidades, muito gosto de vida adulta. Se tudo correr bem, será um ano em que eu...
• ...colocarei um pouco de lado as megalomanias da adolescência, o sonho não realizado e atualmente muito questionado de virar artista plástico de carreira.
• ...começarei a dar aulas de educação artística no meu saudoso Colégio Bandeirantes.
• ...investirei mais e melhor na carreira de idiomas.
• ...finalmente sairei da casa dos pais para ter o meu lugarzinho!
• ...continuarei interessado nas questões masculinas e nas ambiguidades de gênero, tentando levar uma vida que seja fiel à ideologia.
• ...voltarei brevemente à minha Londres para a cerimônia de graduação do mestrado.
• ...viajarei mais com a minha Lexy!
Mas vamos ao que interessa. Janeiro está quase na metade e eu ainda não fiz o balanço do ano passado. Um ano que dificilmente será superado (eu já não disse isso?), onde eu...
• ...estruturei muito melhor tudo o que eu pensava do Masculismo [1][2][3][4][5][6][7][8][9]
• ...comecei a encontrar pontos onde, apesar de diferentes, as compreensões do masculino dos ingleses e a minha se encontravam. [1]
• ...observei ativistas, protestantes e gente alternativa de verdade com visões de mundo e ideologias muito interessantes. [1][2][
• ...recebi gente lá em Londres para afastar a minha saudade. [1]
• ...conheci uma turma que não estava nem totalmente do lado masculino e nem do feminino. E estava vivendo perfeitamente bem com isso! [1][2][3][4][5]
• ...fiz vários vídeos! [1][2][3][4]
• ...percebi as crises, incoerências e o caos da faculdade em Londres. Quando a academia vira empresa, o caos se instala. Seja em que país for! [1][2]
• ...convivi com gente nova, estranha, estressante e interessante. [1][2]
• ...observei os "odds and ends" de Londres. [1][2][3]
• ...coloquei meu trabalho para inglês ver! [1][2][3][4]
• ...aproveitei que ninguém me conhecia tanto assim em Londres para ousar, dando início a uma mudança sorrateira de personalidade em direção a algo mais sexualmente ambíguo [1][2][3][4][5]
• ...visitei a Romênia, à procura do lendário e do verdadeiro conde Drácula! Aproveitei para aprender um nada de romeno. [1]
• ...comecei a cair na real em relação a ser artista, ao mercado e à academia, ao meu futuro. [1][2]
• ...me envolvi com o catálogo da turma, uma responsabilidade cheia de dor e de delícia. [1][2]
• ...assisti bem de perto à Europa entrando em crise. [1]
• ...tive que deixar a rotina gostosa de um lugar onde eu fui realmente muito feliz por um ano, para voltar ao meu país de origem e me readaptadar a estar entre conhecidos novamente. [1][2][3]
• ...tive meus choques culturais, desgostos nativos e pequenas frustrações de volta no meu país. A vida aqui jamais será a vida de lá. [1][2][3][4]
E o que será de 2012?
O ano promete muito. E embora esse muito seja muito trabalho e muitas obrigações, são também muitas possibilidades, muito gosto de vida adulta. Se tudo correr bem, será um ano em que eu...
• ...colocarei um pouco de lado as megalomanias da adolescência, o sonho não realizado e atualmente muito questionado de virar artista plástico de carreira.
• ...começarei a dar aulas de educação artística no meu saudoso Colégio Bandeirantes.
• ...investirei mais e melhor na carreira de idiomas.
• ...finalmente sairei da casa dos pais para ter o meu lugarzinho!
• ...continuarei interessado nas questões masculinas e nas ambiguidades de gênero, tentando levar uma vida que seja fiel à ideologia.
• ...voltarei brevemente à minha Londres para a cerimônia de graduação do mestrado.
• ...viajarei mais com a minha Lexy!
terça-feira, dezembro 13, 2011
Conversa no chat do Facebook
Sempre, aos 45 do segundo tempo, quando você está quase desistindo da carreira, acontecem umas conversas como esta:
O "celsinhu" em questão é o Celso Fioravante, organizador do Mapa das Artes, que sai todos os meses com as principais exposições da cidade.
Logo que cheguei de viagem, coloquei os cartões da Filha do Açougueiro na Casa da Xiclet, para uma bem-humorada retrospectiva de 10 anos da casa chamada "10 anos sem sucesso - o fracasso nunca me subiu à cabeça". Nem comentei por aqui, por já estar desiludido com minhas perspectivas como artista.
Minha carreira de artes é aquele paciente na UTI que tá pra morrer, mas ninguém deixa desligarem os aparelhos.
ei pedro
Fala, moça!
quero deixar seus trabalhos no quarto in janeiro pode? sem custo adicional.
pq quem não viu , tem que ver.
Opa! Quer deixar os cartões e o jornal lá em Janeiro?
Tem alguém interessante pra quem você quer mostrar?
isso isso
u celsinhu du mapa perguntou preu la fora de quem e a obra dus cartões du meu quarto
Eba! Maravilha!
yes é nois
Valeuuuuuuu!
imagina euq ue agradeço é bao poder socolocar trabaios bao nu meu quarto pq acordar e dormir com arte é foda
Hahahaha! Certeza!
O "celsinhu" em questão é o Celso Fioravante, organizador do Mapa das Artes, que sai todos os meses com as principais exposições da cidade.
Logo que cheguei de viagem, coloquei os cartões da Filha do Açougueiro na Casa da Xiclet, para uma bem-humorada retrospectiva de 10 anos da casa chamada "10 anos sem sucesso - o fracasso nunca me subiu à cabeça". Nem comentei por aqui, por já estar desiludido com minhas perspectivas como artista.
Minha carreira de artes é aquele paciente na UTI que tá pra morrer, mas ninguém deixa desligarem os aparelhos.
sábado, junho 04, 2011
Dinh Q. Lê e as mazelas de pai pra filho
No sábado passado, fui até a Whitechapel Gallery assistir ao vídeo de do artista vietnamita Dinh Q. Le. O vídeo, separando a tela ao meio, uma delas passando cenas do ator Charlie Sheen no filme Platoon, e a outra com cenas de seu pai, Martin Sheen em Apocalypse Now. A montagem de Le era muito interessante. O começo tinha um filho olhando com um misto de preocupação e confusão para a tela ao lado (originalmente olhando para o horizonte no filme), onde o pai, isolado em um quarto de hotel, enlouquecia lentamente, lidando com os efeitos psicológicos do pós-guerra. O filho então vai seguir os passos do pai, anacronicamente participando até da mesma guerra. Há até um brevedueto de cenas em que o pai pergunta ao filho por que ele entrou para o exército, e o filho responde que seu pai e avô tinham lutado pelo país e ele queria fazer o mesmo, ao que o pai responde que com certeza ele não ia aprender nada sobre si mesmo trabalhan do em alguma fábrica no interior dos EUA. Pai e filho estão presos, escravizados por uma lógica circular que se reproduz de geração para geração, e que os faz vítimas seduzidas de uma violência que sequer lhes diz respeito e um horror que eles enfrentam com medo e deleite. As cenas emblemáticas se repetem em ambos os filmes, com pai e filho atravessando um tipo de rito de passagem para a masculinidade adulta que exige que eles matem seus superiores. A montagem termina com uma inversão, onde o pai olha com um misto de preocupação e culpa para um filho que lida à sua maneira com o lento enlouquecer dos traumas de guerra, seu espírito paradoxalmente quebrado e fortificado pelo horror que ele procurou voluntariamente (?) seguindo os passos do pai.
O resto são contingências que parecem se encaixar perfeitamente. O fato do artista ser vietnamita faz da obra algo um pouco menos americanófilo. E os recentes escândalos envolvendo Sheen Filho parecem incrementar ainda mais a imagem do moleque que aprendeu da influência patológica de um pai que provavelmente também aprendeu da influência patológica de um avô (e assim sucessivamente...).
O resto são contingências que parecem se encaixar perfeitamente. O fato do artista ser vietnamita faz da obra algo um pouco menos americanófilo. E os recentes escândalos envolvendo Sheen Filho parecem incrementar ainda mais a imagem do moleque que aprendeu da influência patológica de um pai que provavelmente também aprendeu da influência patológica de um avô (e assim sucessivamente...).
terça-feira, fevereiro 22, 2011
Interim Show
Então vamos lá... Vou tentar escrever o que eu lembro disso.
O longo processo começou em Dezembro com a discussão do que fazer. Tínhamos um desafio bem claro: colocar 75 alunos em um espaço onde mal daria para expor 30. A discussão durou dois meses. As propostas começaram com a divisão do espaço em 75 partes iguais, uma para cada um. Daí nos tocamos que a faculdade queria que colaborássemos uns com os outros, mas fazer isso em 75 pessoas de culturas tão variadas (europeus diversos, um brasileiro, dois colombianos, miríade de asiáticos, persas, paquistaneses e tudo mais que você possa imaginar) não seria tarefa fácil. Os anarco-socialistas do grupo protestaram que não queriam entrar nas "ideologias antediluvianas e opressoras do capital", então deveríamos fazer um show que não procurasse vender obras e nem estabelecer hierarquias. Alguém sugeriu um evento de uma semana onde sequer mostraríamos obras, haveria apenas a interação com o público. Os alunos que já tinham carreiras iniciantes protestaram dizendo que queriam expôr o que tinham para seus colecionadores e galeristas. Alguém lembrou do Nomadic Hive Manifesto e contemplamos discutir o atual cenário político. Alguns dos asiáticos proclamaram que não tinham o menor interesse pela política local. E assim foi a conversa até o começo de Fevereiro, quando os anarco-socialistas intervieram na discussão de novo pra tomar a posição hierarquica superior de decisores e estabelecer que dividiríamos o espaço em 75 partes iguais, uma pra cada um. Ceeeeerto...
Eu confesso que, durante os dias que antecederam o Interim Show, eu estava mais preocupado com outras coisas. Estava relativamente apavordo com a primeira performance da minha vida, no Q-Art Convenor. Produzindo partes para isso, pensando na logística do transporte e horários, no que dizer. A performance foi feita no dia anterior á abertura do show, e foi tão bem recebida, que cogitei mudar radicalmente o que eu mostraria no Interim. Mas seria tão complicado arranjar espaço em um dia, que resolvi continuar com o plano inicial de mostrar a Filha do Açogueiro.
Não lembro direito do termo usado, mas um dos meus colegas referiu-se à atividade intensa que acontecia no diminuto Triangle Space como uma espécie de "sucursal do inferno" ou "casa do rancor". Porque todos estavam tentando adquirir os materiais que precisavam, colocar seus trabalhos em lugares visíveis e fazer a politicagem necessária ("Eu não estou te atrapalhando, né? Me diz se eu estiver. Ah, estou? Putz, que pena eu não posso mudar...") até o horário da abertura. Eu mesmo passei boa parte do dia negociando um espaço alternativo, porque eu tinha sido colocado atrás de um alemão minimalista que construiu trés caixas de luz do tamanho de geladeiras e ninguém ia ver os meus cartões postais... Espaço negociado, eu estava quase perdendo a sanidade tentando negociar o andaime pra pendurar os fios para os cartões. E foi então que Brian Chalkley, o coordenador do curso, entrou no espaço e começou a dar sua opinião. Me disse que seu eu fosse o trigésimo aluno a pendurar coisas no teto, ele ficaria muito desapontado que ninguém estava pensando em outra solução mais criativa. Quase perco a compostura. Num ímpeto raivoso, fui aos estúdios de metal e madeira e produzi em duas horas um machado de carne cravado em uma tábua de cortar carne colocada no chão, com uma empunhadura cumprida na ponta da qual ficaram pendurados os carões. O efeito visual foi interessante, mas roubou a cena dos cartões, que ficaram meio desimportantes. E no fim o conjunto todo ficou pequenininho e escondido nos escombros do que virou uma grande amontoado amorfo e nonsense de arte contemporânea.
Eu participei de algumas outras coisas, colaborações interessantes. Dois noruegueses me chamaram para encenar uma versão condensada e encenada apenas por homens da Casa de Bonecas do Ibsen, escritor norueguês. Minha avó chegou a encenar essa peça na década de 50. E uma alemã me colocou entre três participantes (3 = triângulo = Triangle Space) de uma performance onde esvaziamos latas de uma espuma isolante que expandia em um amontoado no chão.
Claro que O Sistema se encarregou de dar sentido àquilo, como sempre faz com os artistas depois que os confundiu bastante. Professores argumentaram como aquilo fazia um comentário à falta de espaço da faculdade, ao multiculturalismo de Londres, como cada visitante teria uma experiência diferente dependendo de como andasse por entre as coisas e outros blablablás com cara de conteúdo. E no fim, todo mundo considerou o acontecimento um relativo sucesso.
Eu ainda não sei ao certo o que pensar a respeito. E na verdade, resolvi não pensar muito a respeito. Estou apenas colhendo as opiniões sobre a minha personagem (por enquanto bem positivas) e esperando o stress e o rancor passarem.
O longo processo começou em Dezembro com a discussão do que fazer. Tínhamos um desafio bem claro: colocar 75 alunos em um espaço onde mal daria para expor 30. A discussão durou dois meses. As propostas começaram com a divisão do espaço em 75 partes iguais, uma para cada um. Daí nos tocamos que a faculdade queria que colaborássemos uns com os outros, mas fazer isso em 75 pessoas de culturas tão variadas (europeus diversos, um brasileiro, dois colombianos, miríade de asiáticos, persas, paquistaneses e tudo mais que você possa imaginar) não seria tarefa fácil. Os anarco-socialistas do grupo protestaram que não queriam entrar nas "ideologias antediluvianas e opressoras do capital", então deveríamos fazer um show que não procurasse vender obras e nem estabelecer hierarquias. Alguém sugeriu um evento de uma semana onde sequer mostraríamos obras, haveria apenas a interação com o público. Os alunos que já tinham carreiras iniciantes protestaram dizendo que queriam expôr o que tinham para seus colecionadores e galeristas. Alguém lembrou do Nomadic Hive Manifesto e contemplamos discutir o atual cenário político. Alguns dos asiáticos proclamaram que não tinham o menor interesse pela política local. E assim foi a conversa até o começo de Fevereiro, quando os anarco-socialistas intervieram na discussão de novo pra tomar a posição hierarquica superior de decisores e estabelecer que dividiríamos o espaço em 75 partes iguais, uma pra cada um. Ceeeeerto...
Eu confesso que, durante os dias que antecederam o Interim Show, eu estava mais preocupado com outras coisas. Estava relativamente apavordo com a primeira performance da minha vida, no Q-Art Convenor. Produzindo partes para isso, pensando na logística do transporte e horários, no que dizer. A performance foi feita no dia anterior á abertura do show, e foi tão bem recebida, que cogitei mudar radicalmente o que eu mostraria no Interim. Mas seria tão complicado arranjar espaço em um dia, que resolvi continuar com o plano inicial de mostrar a Filha do Açogueiro.
Não lembro direito do termo usado, mas um dos meus colegas referiu-se à atividade intensa que acontecia no diminuto Triangle Space como uma espécie de "sucursal do inferno" ou "casa do rancor". Porque todos estavam tentando adquirir os materiais que precisavam, colocar seus trabalhos em lugares visíveis e fazer a politicagem necessária ("Eu não estou te atrapalhando, né? Me diz se eu estiver. Ah, estou? Putz, que pena eu não posso mudar...") até o horário da abertura. Eu mesmo passei boa parte do dia negociando um espaço alternativo, porque eu tinha sido colocado atrás de um alemão minimalista que construiu trés caixas de luz do tamanho de geladeiras e ninguém ia ver os meus cartões postais... Espaço negociado, eu estava quase perdendo a sanidade tentando negociar o andaime pra pendurar os fios para os cartões. E foi então que Brian Chalkley, o coordenador do curso, entrou no espaço e começou a dar sua opinião. Me disse que seu eu fosse o trigésimo aluno a pendurar coisas no teto, ele ficaria muito desapontado que ninguém estava pensando em outra solução mais criativa. Quase perco a compostura. Num ímpeto raivoso, fui aos estúdios de metal e madeira e produzi em duas horas um machado de carne cravado em uma tábua de cortar carne colocada no chão, com uma empunhadura cumprida na ponta da qual ficaram pendurados os carões. O efeito visual foi interessante, mas roubou a cena dos cartões, que ficaram meio desimportantes. E no fim o conjunto todo ficou pequenininho e escondido nos escombros do que virou uma grande amontoado amorfo e nonsense de arte contemporânea.
Eu participei de algumas outras coisas, colaborações interessantes. Dois noruegueses me chamaram para encenar uma versão condensada e encenada apenas por homens da Casa de Bonecas do Ibsen, escritor norueguês. Minha avó chegou a encenar essa peça na década de 50. E uma alemã me colocou entre três participantes (3 = triângulo = Triangle Space) de uma performance onde esvaziamos latas de uma espuma isolante que expandia em um amontoado no chão.
Claro que O Sistema se encarregou de dar sentido àquilo, como sempre faz com os artistas depois que os confundiu bastante. Professores argumentaram como aquilo fazia um comentário à falta de espaço da faculdade, ao multiculturalismo de Londres, como cada visitante teria uma experiência diferente dependendo de como andasse por entre as coisas e outros blablablás com cara de conteúdo. E no fim, todo mundo considerou o acontecimento um relativo sucesso.
Eu ainda não sei ao certo o que pensar a respeito. E na verdade, resolvi não pensar muito a respeito. Estou apenas colhendo as opiniões sobre a minha personagem (por enquanto bem positivas) e esperando o stress e o rancor passarem.
domingo, outubro 24, 2010
London art scene [simplified]
After a few weeks in London, I begin to get a feel of the current British art scene from talking to coleagues and flatmates. The picture that slowly comes together in my mind is a mix of personal interests and recurring names, from which I've pointed out a few relevant things in this post.
First and foremost, there was the Frieze Art Fair.
The concept, although not entirely new here in Britain, seemed to echo the SP Arte fair in São Paulo, which has turned the tide of things back in my homeland. Perhaps for the first time out there, collectors, gallery owners and artists are talking about art as a marketable product, buying and selling it shamelessly in an open fair. It's something that wildly differs from the mood of academia, where marketing art was seen as a sort of necessary evil, spoken of in almost hushed tones amidst BA students.
As for the Frieze, I narrowly missed it, seeing as I was caught in the middle of landing in London and sorting out all the bureaucracy. I heard it got marginally bad reviews, as indeed most of the art events seem to get recently. Which, in fact, matters little if nothing at all.
Another considerable art event frequently mentioned is the ongoing Turner Prize exhibition, which, as expected, also got fairly poor reviews. Including obviously a rather provocative cartoon published in the Freize blog, which curiously could also be targeted at the Frieze Fair itself.
I haven't been to the Prize yet, but that is supposed to change in the next few days, since one of our MA tutors gave us free tickets. I expect to have a better understanding of what all the fuss is about before commenting on its relevance in here.
Something I have researched enough to have a proper opinion about is British artist Tracey Emin. Her name was on the lips of every BA student living in my residence hall (of which I'm one of two MA residents) and even friends from outside the art world have come to ask my opinion about her recently. It felt much like the hype bestowed upon Mattew Barney when I was doing my own BA back in Brazil some five years ago. I had only a vague understanding of what Emin's work was about, mostly derived from her work at Saatchi's famous Sensation exhibit. But a quick search through Google gave me a wider impression. About her, I can hesitatingly issue the following paragraph:
There is poetry, and there is vesceral truth.
I believe most poetry is naive or blind by choice. And most visceral truths are downright ugly and non-poetic. Most arts students only ever get to be poetic. Very few people (I could name fellow Brazilians Erich Baptista, Rivane Neuenschwander, Dora Longo Bahia, Cazuza and Marina Lima, British band Placebo and perhaps a few Grunge bands) get a healthy, satisfying mixture of both in my opinion. They're among my favorite artists. Emin belongs to a third kind of people (akin to Pedro Juan Gutierrez, Tracey's pal Damien Hirst and some instances of Lourenço Mutarelli), those who just go for the gross visceral truth, and fuck poetry. Personally, I have no taste for that. It all just feels to me like "shock and awe" guerrilla tactics instead of art. But what do I know?
I'll end my issued opinion there. Although there are other things to be said on future posts about her.
Researching Emin, I again came upon another recurring term: Stuckism. Which a BA student flatmate described as being a sort of return to conventional illustrative painting carried out by artists who were all fed up of excessively conceptual art and the way it no longer communicated with the general public. The movement, that curiously has amidst its founders one Billy Childish, former boyfriend to (you guessed it...) Tracey Emin, had its official start in 1999. However, the prototypes for it date back as far as 1979 and the Medway Poets group.
I'm currently quite interested in the group, their past reactions to the Turner Prize. But mostly, I'm interested in their promotion of a return to understandable art and illustrative painting not seen as a heresy anymore.
More on the Turner Prize after my visit in the next few days.
=====================
Escrevi o post acima em inglês para tentar um bico em uma revista que estava pedindo colaboradores para escrever sobre arte. Quem sabe...
Abaixo, a tradução:
Após algumas semanas em Londres, posso ter uma noção do atual cenário das artes britânicas através de conversas com colegas e companheiros de apê. A imagem que lentamente se forma na minha mente é uma mistura de interesses pessoas e nomes recorrentes, dos quais pincei algumas coisas relevantes para este post.
Primeiro e mais importante, houve a Frieze Art Fair.
Embora não inteiramente novo aqui na Inglaterra, o conceito pareceu ecoar a SP Arte em São Paulo, que causou uma mudança de ares na minha terra natal. Talvez pela primeira vez por lá, colecionadores, galeristas e artistas estão falando de arte como um produto vendável, comprando e vendendo-o despudoradamente em uma feira livre. É algo que em muito difere do clima da academia, onde vender arte era visto como uma espécie de mau necessário, mencionado quase em tons sussurrados pelos alunos de bacharelado.
Quanto à Frieze, eu perdi por pouco, sendo que estava ocupado com pousar em Londres e atravessar toda a burocracia. Ouvi que teve críticas relativamente ruins, como na verdade a maioria dos eventos de arte parecem ter recentemente. Coisa que, na verdade, pouco ou nada importa.
Outro evento de arte consideravel e frequentemente mencionado foi a atual exposição do Turner Prize que, como era de se esperar, também obteve críticas ruins. Incluindo obviamente a provocative charge publicada no blog do Frieze, que curiosamente poderia também ser direcionada à Frieze Art Fair em si.
Ainda não fui ao Turner, mas isso supostamente vai mudar nos próximos dias, já que um de nossos orientadores de metrado nos deu ingressos de graça. Espero ter uma melhor compreensão do que é todo o alvoroço a respeito do assunto antes de comentar sua relevância por aqui.
Algo que eu pesquisei o suficiente para ter uma opinião a respeito foi a artista britânica Tracey Emin. O nome dela estava na boca de todo graduando de arte vivendo no meu residence hall (do qual eu sou um de dois únicos mestrandos residentes) e até de amigos de fora do universo das artes que vieram perguntar minha opinião sobre ela recentemente. Tudo parecia muito com o hype outorgado a Mattew Barney quando eu estava fazendo a minha graduaação no Brasil há cinco anos. Eu tinha apenas uma vaga compreensão do que o trabalho de Emin era, em grande parte derivada do seu trabalho na famosa exposição Sensations do Saatchi. Mas uma rápida busca no Google me deu uma impressão mais ampla. Sobre ela, posso hesitantemente publicar o seguinte parágrafo:
Há poesia, e há verdades viscerais.
Acredito que a maior parte da poesia é ingênua ou cega por escolha própria. E a maioria das verdades viscerais é de fato feia ou não poética. A maioria dos estudantes de arte chegam apenas a serem poéticos. Poucas pessoas (poderia mentionar os compatriotas Erich Baptista, Rivane Neuenschwander, Dora Longo Bahia, Cazuza e Marina Lima, a banda britânica Placebo e talvez algumas bandas grunge) chegam a uma mistura saudavel e satisfatória dos dois, na minha opinião. Estão entre os meus artistas favoritos. Emin pertence a um terceiro tipo de pessoa (partidários de Pedro Juan Gutierrez, Damien Hirst- colega de Emin e algumas instâncias de Lourenço Mutarelli), aqueles que estão atrás apenas da grotesca verdade visceral, e foda-se a poesia. Pessoalmente, não tenho gosto para isso. Tudo me parece como tática de guerrilha de chocar e atordoar em vez de arte. Mas quem sou eu pra falar disso?
Terminarei minha opinião pública por aqui. Embora haja outras coisas a serem ditas sobre ela em posts futuros.
Pesquisando Emin, novamente cheguei a outro termo recorrente: Stuckism. Algo que o meu companheiro de apê graduando descreveu como sendo um tipo de retorno à pintura ilustrativa convencional praticado por artistas que estavam fartos da arte excessivamente conceitual e o jeito como ela não comunicava mais nada ao público geral. O movimento, que cuiosamente conta entre seus fundadores com um certoBilly Childish, antigo namorado de (adivinha...)Tracey Emin, teve seu começo oficial em 1999. No entanto, protótipos dele datam dos idos de 1979 e o grupo dos Medway Poets.
Estou atualmente bem interessado pelo grupo e suas reações a edições passadas do Turner Prize. Mas estou principalmente interessado na sua divulgação de uma volta à arte compreensível e à pintura ilustrativa vista não mais como uma heresia.
Mais a respeito do Turner Prize depois da minha visita daqui a alguns dias.
First and foremost, there was the Frieze Art Fair.
The concept, although not entirely new here in Britain, seemed to echo the SP Arte fair in São Paulo, which has turned the tide of things back in my homeland. Perhaps for the first time out there, collectors, gallery owners and artists are talking about art as a marketable product, buying and selling it shamelessly in an open fair. It's something that wildly differs from the mood of academia, where marketing art was seen as a sort of necessary evil, spoken of in almost hushed tones amidst BA students.
As for the Frieze, I narrowly missed it, seeing as I was caught in the middle of landing in London and sorting out all the bureaucracy. I heard it got marginally bad reviews, as indeed most of the art events seem to get recently. Which, in fact, matters little if nothing at all.
Another considerable art event frequently mentioned is the ongoing Turner Prize exhibition, which, as expected, also got fairly poor reviews. Including obviously a rather provocative cartoon published in the Freize blog, which curiously could also be targeted at the Frieze Fair itself.
I haven't been to the Prize yet, but that is supposed to change in the next few days, since one of our MA tutors gave us free tickets. I expect to have a better understanding of what all the fuss is about before commenting on its relevance in here.
Something I have researched enough to have a proper opinion about is British artist Tracey Emin. Her name was on the lips of every BA student living in my residence hall (of which I'm one of two MA residents) and even friends from outside the art world have come to ask my opinion about her recently. It felt much like the hype bestowed upon Mattew Barney when I was doing my own BA back in Brazil some five years ago. I had only a vague understanding of what Emin's work was about, mostly derived from her work at Saatchi's famous Sensation exhibit. But a quick search through Google gave me a wider impression. About her, I can hesitatingly issue the following paragraph:
There is poetry, and there is vesceral truth.
I believe most poetry is naive or blind by choice. And most visceral truths are downright ugly and non-poetic. Most arts students only ever get to be poetic. Very few people (I could name fellow Brazilians Erich Baptista, Rivane Neuenschwander, Dora Longo Bahia, Cazuza and Marina Lima, British band Placebo and perhaps a few Grunge bands) get a healthy, satisfying mixture of both in my opinion. They're among my favorite artists. Emin belongs to a third kind of people (akin to Pedro Juan Gutierrez, Tracey's pal Damien Hirst and some instances of Lourenço Mutarelli), those who just go for the gross visceral truth, and fuck poetry. Personally, I have no taste for that. It all just feels to me like "shock and awe" guerrilla tactics instead of art. But what do I know?
I'll end my issued opinion there. Although there are other things to be said on future posts about her.
Researching Emin, I again came upon another recurring term: Stuckism. Which a BA student flatmate described as being a sort of return to conventional illustrative painting carried out by artists who were all fed up of excessively conceptual art and the way it no longer communicated with the general public. The movement, that curiously has amidst its founders one Billy Childish, former boyfriend to (you guessed it...) Tracey Emin, had its official start in 1999. However, the prototypes for it date back as far as 1979 and the Medway Poets group.
I'm currently quite interested in the group, their past reactions to the Turner Prize. But mostly, I'm interested in their promotion of a return to understandable art and illustrative painting not seen as a heresy anymore.
More on the Turner Prize after my visit in the next few days.
=====================
Escrevi o post acima em inglês para tentar um bico em uma revista que estava pedindo colaboradores para escrever sobre arte. Quem sabe...
Abaixo, a tradução:
Após algumas semanas em Londres, posso ter uma noção do atual cenário das artes britânicas através de conversas com colegas e companheiros de apê. A imagem que lentamente se forma na minha mente é uma mistura de interesses pessoas e nomes recorrentes, dos quais pincei algumas coisas relevantes para este post.
Primeiro e mais importante, houve a Frieze Art Fair.
Embora não inteiramente novo aqui na Inglaterra, o conceito pareceu ecoar a SP Arte em São Paulo, que causou uma mudança de ares na minha terra natal. Talvez pela primeira vez por lá, colecionadores, galeristas e artistas estão falando de arte como um produto vendável, comprando e vendendo-o despudoradamente em uma feira livre. É algo que em muito difere do clima da academia, onde vender arte era visto como uma espécie de mau necessário, mencionado quase em tons sussurrados pelos alunos de bacharelado.
Quanto à Frieze, eu perdi por pouco, sendo que estava ocupado com pousar em Londres e atravessar toda a burocracia. Ouvi que teve críticas relativamente ruins, como na verdade a maioria dos eventos de arte parecem ter recentemente. Coisa que, na verdade, pouco ou nada importa.
Outro evento de arte consideravel e frequentemente mencionado foi a atual exposição do Turner Prize que, como era de se esperar, também obteve críticas ruins. Incluindo obviamente a provocative charge publicada no blog do Frieze, que curiosamente poderia também ser direcionada à Frieze Art Fair em si.
Ainda não fui ao Turner, mas isso supostamente vai mudar nos próximos dias, já que um de nossos orientadores de metrado nos deu ingressos de graça. Espero ter uma melhor compreensão do que é todo o alvoroço a respeito do assunto antes de comentar sua relevância por aqui.
Algo que eu pesquisei o suficiente para ter uma opinião a respeito foi a artista britânica Tracey Emin. O nome dela estava na boca de todo graduando de arte vivendo no meu residence hall (do qual eu sou um de dois únicos mestrandos residentes) e até de amigos de fora do universo das artes que vieram perguntar minha opinião sobre ela recentemente. Tudo parecia muito com o hype outorgado a Mattew Barney quando eu estava fazendo a minha graduaação no Brasil há cinco anos. Eu tinha apenas uma vaga compreensão do que o trabalho de Emin era, em grande parte derivada do seu trabalho na famosa exposição Sensations do Saatchi. Mas uma rápida busca no Google me deu uma impressão mais ampla. Sobre ela, posso hesitantemente publicar o seguinte parágrafo:
Há poesia, e há verdades viscerais.
Acredito que a maior parte da poesia é ingênua ou cega por escolha própria. E a maioria das verdades viscerais é de fato feia ou não poética. A maioria dos estudantes de arte chegam apenas a serem poéticos. Poucas pessoas (poderia mentionar os compatriotas Erich Baptista, Rivane Neuenschwander, Dora Longo Bahia, Cazuza e Marina Lima, a banda britânica Placebo e talvez algumas bandas grunge) chegam a uma mistura saudavel e satisfatória dos dois, na minha opinião. Estão entre os meus artistas favoritos. Emin pertence a um terceiro tipo de pessoa (partidários de Pedro Juan Gutierrez, Damien Hirst- colega de Emin e algumas instâncias de Lourenço Mutarelli), aqueles que estão atrás apenas da grotesca verdade visceral, e foda-se a poesia. Pessoalmente, não tenho gosto para isso. Tudo me parece como tática de guerrilha de chocar e atordoar em vez de arte. Mas quem sou eu pra falar disso?
Terminarei minha opinião pública por aqui. Embora haja outras coisas a serem ditas sobre ela em posts futuros.
Pesquisando Emin, novamente cheguei a outro termo recorrente: Stuckism. Algo que o meu companheiro de apê graduando descreveu como sendo um tipo de retorno à pintura ilustrativa convencional praticado por artistas que estavam fartos da arte excessivamente conceitual e o jeito como ela não comunicava mais nada ao público geral. O movimento, que cuiosamente conta entre seus fundadores com um certoBilly Childish, antigo namorado de (adivinha...)Tracey Emin, teve seu começo oficial em 1999. No entanto, protótipos dele datam dos idos de 1979 e o grupo dos Medway Poets.
Estou atualmente bem interessado pelo grupo e suas reações a edições passadas do Turner Prize. Mas estou principalmente interessado na sua divulgação de uma volta à arte compreensível e à pintura ilustrativa vista não mais como uma heresia.
Mais a respeito do Turner Prize depois da minha visita daqui a alguns dias.
sábado, outubro 02, 2010
Atualizando
Segura que este post vai ser uma colagem de melhores momentos só para atualizar. Bem no estilo "meu querido diário"...
A exposição acabou no último dia 18. Dela, só tenho a dizer que não fiquei completamente radiante com o resultado. Foi uma bela exposição e considero que a homenagem que eu devia aos meus avôs foi cumprida. No entanto, não constatei a presença de um único artista plástico, galerista ou crítico entre o público. Claro, eu não esperava ser um sucesso do dia para a noite e sei que ainda tenho um longo caminho para andar. Mas a ausência mesmo de pessoas que tinham garantido dar uma passada me frustrou um pouco. Parece-me que o comparecer em aberturas de exposição tem muito da diplomacia do "ver e ser visto". E como eu ainda não sou ninguém e não estava expondo em uma galeria propriamente dita, eles provavelmente não viram motivação política para comparecer.
Ainda assim, vendi o meu último, o Raposa e as Uvas, e fiz uma bela amizade com o pessoal da Augôsto Augusta, que me tratou com um carinho imenso. Sinto ainda que foi de fato uma exposição muito mais madura do que as anteriores. Em técnica, montagem, divulgação e mesmo no assunto. Me orgulhei, mesmo que pouca gente das artes tenha testemunhado. E isso deve ser o que importa. Mas não foi um total insucesso. Embora as pessoas não tenham aparecido, os poucos com quem falei nas semanas da exposição, em suas próprias vernissages, sabiam do que se tratava e pareciam achar interessante que eu tivesse voltado à ativa.
Quem compareceu em peso e fez da abertura um sucesso foram as pessoas relacionadas ao teatro, amigos de minha avó e pessoas ligadas à editora dos livros que ela tem ajudado a publicar sobre o teatro brasileiro. Foi uma turma divertida que comentou bastante sobre os trabalhos.
Quanto aos quadros em si, cada pessoa tinha seu favorito. Mas os grandes da Raposa e as Uvas e Hamlet tiveram grande importância, assim como a Dama das Camélias com a Cacilda Becker e o belíssimo Chá e Simpatia que emocionou bastante gente que me conhece e conhece minha avó. Daqui a algum tempo, poderei colocar os quadros no blog profissional finalmente. Com comentários sobre as peças e alguns vídeos da execução de alguns dos quadros. Aguardem!
Mas primeiro, continuemos a atualização.
Os dez dias entre o fechamento da exposição e a viagem tiveram aquele gosto estranho. As aulas de inglês foram chegando ao final, me despedi de meus alunos sem muita cerimônia ou apego. Saí para beber com a turma do circo e parecia mesmo que eu nem estava indo embora, como um dia qualquer. Mas outras coisas fizeram apertar um pouco o coração: despedir-me de minhas duas avós, meus pais, meu carro (adoro dirigir e vou ficar um ano sem isso...) e minha Lexy.
Sabe, quando vim para a Europa pela primeira vez, não havia nada além de possibilidade no ar. Tudo era lindo e novo. Eu facilmente larguei o Brasil, porque tinha perdido o emprego e terminado o namoro. Cortado as duas pontas do Laço de Alice. E não tinha qualquer perspectiva de reencontrar essas duas coisas tão cedo. Mas desta vez é diferente. Encontrei um mercado e uma carreira que pode me sustentar indefinidamente com algo que eu gosto, e já estou no meu relacionamento mais duradouro. Por isso sinto realmente que desta vez estou deixando algo no país do qual estou partindo. Há mais motivos para olhar para trás.
E assim o dia 29 foi chegando. Minha Lexy organizou a despedida no Gorila Café (fotos no Flickr). E me deu de presente um daqueles porta-retratos da Imaginarium, com uma centena de fotos enviadas por todos os meus amigos para que eu fizesse a minha própria "curadoria" delas durante a viagem. Um dos presentes mais lindos que já ganhei, não podia ser melhor! Ela realmente sabe pensar nessas coisas.
Na manhã do 29, ainda percebi uma ou outra coisa que faltou fazer. A viagem estava muito bem organizada, já que eu tive um ano para pensar em tudo. Mas não importa quanto tempo tempos, sempre falta algo.
Fiz duas malas gigantescas, levando em mente que eu ficarei o dobro do tempo da viagem anterior. Cuidado com a embalagem de eletrônicos que serão vitais para o meu sucesso e que eu não tinha há quatro anos.
E então, era hora de sair para o aeroporto. Um último adeus ao meu quarto, ao meu prédio, à minha cidade. Aos meus pais.
E então eu estava sozinho de novo.
Medo. Não era isso mesmo que eu queria? Metade de mim sentia-se muito bem. A outra perguntava se isso não estava sendo um erro. Foi devidamente ignorada.
Na sala de espera, voltei a pensar nas coincidências desta segunda viagem. Eu estava partindo logo depois de uma exposição dos meus melhores trabalhos, como na viagem anterior. Fui deixado com duas malas no aeroporto pelos meus pais, como na viagem anterior. Era ano de Copa do Mundo e o Brasil perdeu, como na viagem anterior. Eu sei que nada disso significa nada. Mas minha mente adora coincidências. Eu tinha feito a viagem anterior ao lado de uma aspirante a modelo chamada Franciele. Desta vez fui ao lado de um inglês calado.
No avião da TAP, Percy Jackson com legendas em português de Portugal. Ele falava "malta" para turma, "fixe" para legal, "porreiro" como maneiro. Divertido.
Depois de menos de uma hora em Portugal e uma máquina de refrigerantes que me roubou um euro e meio, embarquei para Londres definitivamente.
Mas o que aconteceu a partir daí fica para próximos e mais detalhados posts.
A exposição acabou no último dia 18. Dela, só tenho a dizer que não fiquei completamente radiante com o resultado. Foi uma bela exposição e considero que a homenagem que eu devia aos meus avôs foi cumprida. No entanto, não constatei a presença de um único artista plástico, galerista ou crítico entre o público. Claro, eu não esperava ser um sucesso do dia para a noite e sei que ainda tenho um longo caminho para andar. Mas a ausência mesmo de pessoas que tinham garantido dar uma passada me frustrou um pouco. Parece-me que o comparecer em aberturas de exposição tem muito da diplomacia do "ver e ser visto". E como eu ainda não sou ninguém e não estava expondo em uma galeria propriamente dita, eles provavelmente não viram motivação política para comparecer.
Ainda assim, vendi o meu último, o Raposa e as Uvas, e fiz uma bela amizade com o pessoal da Augôsto Augusta, que me tratou com um carinho imenso. Sinto ainda que foi de fato uma exposição muito mais madura do que as anteriores. Em técnica, montagem, divulgação e mesmo no assunto. Me orgulhei, mesmo que pouca gente das artes tenha testemunhado. E isso deve ser o que importa. Mas não foi um total insucesso. Embora as pessoas não tenham aparecido, os poucos com quem falei nas semanas da exposição, em suas próprias vernissages, sabiam do que se tratava e pareciam achar interessante que eu tivesse voltado à ativa.
Quem compareceu em peso e fez da abertura um sucesso foram as pessoas relacionadas ao teatro, amigos de minha avó e pessoas ligadas à editora dos livros que ela tem ajudado a publicar sobre o teatro brasileiro. Foi uma turma divertida que comentou bastante sobre os trabalhos.
Quanto aos quadros em si, cada pessoa tinha seu favorito. Mas os grandes da Raposa e as Uvas e Hamlet tiveram grande importância, assim como a Dama das Camélias com a Cacilda Becker e o belíssimo Chá e Simpatia que emocionou bastante gente que me conhece e conhece minha avó. Daqui a algum tempo, poderei colocar os quadros no blog profissional finalmente. Com comentários sobre as peças e alguns vídeos da execução de alguns dos quadros. Aguardem!
Mas primeiro, continuemos a atualização.
Os dez dias entre o fechamento da exposição e a viagem tiveram aquele gosto estranho. As aulas de inglês foram chegando ao final, me despedi de meus alunos sem muita cerimônia ou apego. Saí para beber com a turma do circo e parecia mesmo que eu nem estava indo embora, como um dia qualquer. Mas outras coisas fizeram apertar um pouco o coração: despedir-me de minhas duas avós, meus pais, meu carro (adoro dirigir e vou ficar um ano sem isso...) e minha Lexy.
Sabe, quando vim para a Europa pela primeira vez, não havia nada além de possibilidade no ar. Tudo era lindo e novo. Eu facilmente larguei o Brasil, porque tinha perdido o emprego e terminado o namoro. Cortado as duas pontas do Laço de Alice. E não tinha qualquer perspectiva de reencontrar essas duas coisas tão cedo. Mas desta vez é diferente. Encontrei um mercado e uma carreira que pode me sustentar indefinidamente com algo que eu gosto, e já estou no meu relacionamento mais duradouro. Por isso sinto realmente que desta vez estou deixando algo no país do qual estou partindo. Há mais motivos para olhar para trás.
E assim o dia 29 foi chegando. Minha Lexy organizou a despedida no Gorila Café (fotos no Flickr). E me deu de presente um daqueles porta-retratos da Imaginarium, com uma centena de fotos enviadas por todos os meus amigos para que eu fizesse a minha própria "curadoria" delas durante a viagem. Um dos presentes mais lindos que já ganhei, não podia ser melhor! Ela realmente sabe pensar nessas coisas.
Na manhã do 29, ainda percebi uma ou outra coisa que faltou fazer. A viagem estava muito bem organizada, já que eu tive um ano para pensar em tudo. Mas não importa quanto tempo tempos, sempre falta algo.
Fiz duas malas gigantescas, levando em mente que eu ficarei o dobro do tempo da viagem anterior. Cuidado com a embalagem de eletrônicos que serão vitais para o meu sucesso e que eu não tinha há quatro anos.
E então, era hora de sair para o aeroporto. Um último adeus ao meu quarto, ao meu prédio, à minha cidade. Aos meus pais.
E então eu estava sozinho de novo.
Medo. Não era isso mesmo que eu queria? Metade de mim sentia-se muito bem. A outra perguntava se isso não estava sendo um erro. Foi devidamente ignorada.
Na sala de espera, voltei a pensar nas coincidências desta segunda viagem. Eu estava partindo logo depois de uma exposição dos meus melhores trabalhos, como na viagem anterior. Fui deixado com duas malas no aeroporto pelos meus pais, como na viagem anterior. Era ano de Copa do Mundo e o Brasil perdeu, como na viagem anterior. Eu sei que nada disso significa nada. Mas minha mente adora coincidências. Eu tinha feito a viagem anterior ao lado de uma aspirante a modelo chamada Franciele. Desta vez fui ao lado de um inglês calado.
No avião da TAP, Percy Jackson com legendas em português de Portugal. Ele falava "malta" para turma, "fixe" para legal, "porreiro" como maneiro. Divertido.
Depois de menos de uma hora em Portugal e uma máquina de refrigerantes que me roubou um euro e meio, embarquei para Londres definitivamente.
Mas o que aconteceu a partir daí fica para próximos e mais detalhados posts.
segunda-feira, agosto 23, 2010
Exposição "Homenagem"

" A série de telas aborda a geração teatral que iniciou o teatro profissional em São Paulo nos anos 50, e conta não só com referências a meus avos Sérgio Cardoso e Nydia Lícia, mas também a Cacilda Becker, Cleyde Yáconis e Maria Della Costa, entre outros. Também fazem parte da exposição programas e textos originais da época em que as peças foram encenadas."
Comecei hoje a divulgar a exposição das telas que iniciei há quase um ano. Sinto que poderá ser a minha primeira exposição com qualidade profissional, tanto nos trabalhos, quanto na organização do evento. Resta saber se conseguirei atrair a atenção desejada e como poderei aproveitar o que vier desta exposição, sendo que pouco menos de uma semana depois dela eu estarei embarcando para Londres.
Meu Deus, como o tempo passa rápido quando estamos no caminho certo!
Enfim, deixo aqui os detalhes:
Exposição HOMENAGEM
De 4 a 18 de Setembro (segunda a sexta, das 10h às 18h30 e sábados das 10h às 14h)
Abertura dia 4 de Setembro, das 11h às 16h
Espaço Augôsto Augusta
Rua Augusta 2161
Fones: (11) 3082-1830
www.augosto.com.br
sábado, dezembro 12, 2009
Bazar Art in Chepa
O ano está terminando muito bem. Acho que consegui uma das minhas promessas de ano novo que era dobrar o número de exposições. Na abertura da Escola São Paulo (o mais importante é sempre a abertura), encontrei Georgia Vilela. Colega do curso de arte, um ano depois do meu, sempre muito alegre. Estava vendendo bem na Escola São Paulo. Antes que eu fosse embora, ela me puxou de lado e me falou do bazar que estava organizando. Não era a primeira vez que ela me convidava, mas na anterior, eu ainda era um publicitário sem tempo.
Alguma troca de e-mails e eu já estava fazendo parte do bazar, junto ocm nomes relativamente conhecidos do mundinhos das artes, como Vivian Kass, Aline van Langendonck, meu professor Matangra e Flávia Junqueira. Mas o que expor? Mais Alices? Que tédio... E obviamente não podia colocar o quadro mais recente, porque não seria compatível com o preço de um bazar.
Foi aí que resolvi tirar da gaveta uma idéia antiga, porém divertida e fácil de fazer: a antiga Battle for Importance. Na verdade já estava cogitando retomar essa série como projeto paralelo do ateliê, dazendo um pouquinho por dia, sempre que batesse aquele marasmo de fim de expediente, onde estou esperando a pintura principal secar pra continuar.
Resolvi quatro pinturas pequenas em dois dias. E com um pouco de organização e amigos prestativos, já fotografei e coloquei no outro blog.
Então aproveitem! Telas recém-saídas do cavalete a preços de bazar. Vai ser a partir de hoje, às 19h00, até terça (com possibilidade de prorrogar se aparecer bastante gente).
Mais detalhes no flyer abaixo.

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Alguma troca de e-mails e eu já estava fazendo parte do bazar, junto ocm nomes relativamente conhecidos do mundinhos das artes, como Vivian Kass, Aline van Langendonck, meu professor Matangra e Flávia Junqueira. Mas o que expor? Mais Alices? Que tédio... E obviamente não podia colocar o quadro mais recente, porque não seria compatível com o preço de um bazar.
Foi aí que resolvi tirar da gaveta uma idéia antiga, porém divertida e fácil de fazer: a antiga Battle for Importance. Na verdade já estava cogitando retomar essa série como projeto paralelo do ateliê, dazendo um pouquinho por dia, sempre que batesse aquele marasmo de fim de expediente, onde estou esperando a pintura principal secar pra continuar.
Resolvi quatro pinturas pequenas em dois dias. E com um pouco de organização e amigos prestativos, já fotografei e coloquei no outro blog.
Então aproveitem! Telas recém-saídas do cavalete a preços de bazar. Vai ser a partir de hoje, às 19h00, até terça (com possibilidade de prorrogar se aparecer bastante gente).
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sexta-feira, dezembro 04, 2009
100 a mil (Escola São Paulo)

Continuando a loucura de Dezembro, depois da exposição no Rio Verde, é a vez agora da 100 a mil na Escola São Paulo. A exposição acontece todo ano e reúne os trabalhos dos alunos e ex-alunos de destaque na Escola em uma feira de arte que tem o objetivo de vender a maior quantidade de obras por preços que variam entre R$100 e R$1.000.
Quem já foi na do ano passado vai notar que fizeram uma pequena modificação na exposição deste ano, começando pelo nome. O valor mínimo da exposição do ano passado era de R$10. Provavelmente nenhum artista teve coragem de fazer algo tão barato.
Estarei por lá vendendo quatro edições da Alice, feitas em chapa de acrílico dupla, figura em uma chapa, fundo na outra. São quatro imagens que contam a entrada de Alice na Blankness, seu encontro com o Tartaruga e a chegada ao Burgo. Há fotos delas no blog profissional.
A exposição começa hoje! A partir das 19h00 na Escola São Paulo (Avenida Augusta, 2239) e vai até 16 de Janeiro. Mas recomendo ir rápido, porque como toda a feira, quem chega primeiro leva as melhores coisas!
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