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sábado, outubro 02, 2010

Atualizando

Segura que este post vai ser uma colagem de melhores momentos só para atualizar. Bem no estilo "meu querido diário"...

A exposição acabou no último dia 18. Dela, só tenho a dizer que não fiquei completamente radiante com o resultado. Foi uma bela exposição e considero que a homenagem que eu devia aos meus avôs foi cumprida. No entanto, não constatei a presença de um único artista plástico, galerista ou crítico entre o público. Claro, eu não esperava ser um sucesso do dia para a noite e sei que ainda tenho um longo caminho para andar. Mas a ausência mesmo de pessoas que tinham garantido dar uma passada me frustrou um pouco. Parece-me que o comparecer em aberturas de exposição tem muito da diplomacia do "ver e ser visto". E como eu ainda não sou ninguém e não estava expondo em uma galeria propriamente dita, eles provavelmente não viram motivação política para comparecer.
Ainda assim, vendi o meu último, o Raposa e as Uvas, e fiz uma bela amizade com o pessoal da Augôsto Augusta, que me tratou com um carinho imenso. Sinto ainda que foi de fato uma exposição muito mais madura do que as anteriores. Em técnica, montagem, divulgação e mesmo no assunto. Me orgulhei, mesmo que pouca gente das artes tenha testemunhado. E isso deve ser o que importa. Mas não foi um total insucesso. Embora as pessoas não tenham aparecido, os poucos com quem falei nas semanas da exposição, em suas próprias vernissages, sabiam do que se tratava e pareciam achar interessante que eu tivesse voltado à ativa.
Quem compareceu em peso e fez da abertura um sucesso foram as pessoas relacionadas ao teatro, amigos de minha avó e pessoas ligadas à editora dos livros que ela tem ajudado a publicar sobre o teatro brasileiro. Foi uma turma divertida que comentou bastante sobre os trabalhos.
Quanto aos quadros em si, cada pessoa tinha seu favorito. Mas os grandes da Raposa e as Uvas e Hamlet tiveram grande importância, assim como a Dama das Camélias com a Cacilda Becker e o belíssimo Chá e Simpatia que emocionou bastante gente que me conhece e conhece minha avó. Daqui a algum tempo, poderei colocar os quadros no blog profissional finalmente. Com comentários sobre as peças e alguns vídeos da execução de alguns dos quadros. Aguardem!

Mas primeiro, continuemos a atualização.
Os dez dias entre o fechamento da exposição e a viagem tiveram aquele gosto estranho. As aulas de inglês foram chegando ao final, me despedi de meus alunos sem muita cerimônia ou apego. Saí para beber com a turma do circo e parecia mesmo que eu nem estava indo embora, como um dia qualquer. Mas outras coisas fizeram apertar um pouco o coração: despedir-me de minhas duas avós, meus pais, meu carro (adoro dirigir e vou ficar um ano sem isso...) e minha Lexy.
Sabe, quando vim para a Europa pela primeira vez, não havia nada além de possibilidade no ar. Tudo era lindo e novo. Eu facilmente larguei o Brasil, porque tinha perdido o emprego e terminado o namoro. Cortado as duas pontas do Laço de Alice. E não tinha qualquer perspectiva de reencontrar essas duas coisas tão cedo. Mas desta vez é diferente. Encontrei um mercado e uma carreira que pode me sustentar indefinidamente com algo que eu gosto, e já estou no meu relacionamento mais duradouro. Por isso sinto realmente que desta vez estou deixando algo no país do qual estou partindo. Há mais motivos para olhar para trás.

E assim o dia 29 foi chegando. Minha Lexy organizou a despedida no Gorila Café (fotos no Flickr). E me deu de presente um daqueles porta-retratos da Imaginarium, com uma centena de fotos enviadas por todos os meus amigos para que eu fizesse a minha própria "curadoria" delas durante a viagem. Um dos presentes mais lindos que já ganhei, não podia ser melhor! Ela realmente sabe pensar nessas coisas.

Na manhã do 29, ainda percebi uma ou outra coisa que faltou fazer. A viagem estava muito bem organizada, já que eu tive um ano para pensar em tudo. Mas não importa quanto tempo tempos, sempre falta algo.
Fiz duas malas gigantescas, levando em mente que eu ficarei o dobro do tempo da viagem anterior. Cuidado com a embalagem de eletrônicos que serão vitais para o meu sucesso e que eu não tinha há quatro anos.
E então, era hora de sair para o aeroporto. Um último adeus ao meu quarto, ao meu prédio, à minha cidade. Aos meus pais.

E então eu estava sozinho de novo.

Medo. Não era isso mesmo que eu queria? Metade de mim sentia-se muito bem. A outra perguntava se isso não estava sendo um erro. Foi devidamente ignorada.

Na sala de espera, voltei a pensar nas coincidências desta segunda viagem. Eu estava partindo logo depois de uma exposição dos meus melhores trabalhos, como na viagem anterior. Fui deixado com duas malas no aeroporto pelos meus pais, como na viagem anterior. Era ano de Copa do Mundo e o Brasil perdeu, como na viagem anterior. Eu sei que nada disso significa nada. Mas minha mente adora coincidências. Eu tinha feito a viagem anterior ao lado de uma aspirante a modelo chamada Franciele. Desta vez fui ao lado de um inglês calado.
No avião da TAP, Percy Jackson com legendas em português de Portugal. Ele falava "malta" para turma, "fixe" para legal, "porreiro" como maneiro. Divertido.
Depois de menos de uma hora em Portugal e uma máquina de refrigerantes que me roubou um euro e meio, embarquei para Londres definitivamente.

Mas o que aconteceu a partir daí fica para próximos e mais detalhados posts.

quinta-feira, março 08, 2007

Tecendo um lado do Laço e desfiando o outro...

No trabalho, o stress amontoa com a saída da Loo e a pilha de trabalho dos quais eu e Cíntia não estamos dando conta.
Depois de alguns esporros totalmente desnecessários, estouro do meu jeito calmo e contesto meu chefe. Coisa que um estagiário não devia fazer. Minha situação na agência não vai nada bem.
A caminho de casa, me pego pensando se realmente quero fazer isso para o resto da vida. Porque se chego a este ponto em uma agência tão calma, que me fez trabalhar em apenas um sábado nos seis meses em que estou aqui e me deu todos os feriados, imagine como será em agências maiores.
Em cima de tudo, estou amargando o fato de que desenho e design são duas coisas muito diferentes, embora uma palavra derive da outra. Minhas ilustrações são meu orgulho no trabalho, mas meus layouts podem ser superados por qualquer estagiário... A pena é que o emprego em publicidade depende mais de design que de desenho. Poupem-me da réplica de que isso eu aprendo com o tempo: eu sei disso, mas que empresa me daria esse tempo todo para aprender?
Mais complicada é a questão que vem como consequência: se não vou fazer isso, o que posso fazer?

No escuro do quarto à noite, cogito trabalhar em banco...

quinta-feira, março 01, 2007

Dias densos

Dias densos. Não posso dizer que sejam intensos. Apenas densos. A diferença é que em dias intensos eu faço poucas coisas que serão lembradas por muito tempo. Limbos de Verão Perfeito. Dias densos cansam porque são cheios de realizações efêmeras e desimportantes. Mas ao menos estou fazendo alguma coisa.

Sou uma pessoa sem tempo algum.
Trabalho na agência e ganho pouco como estagiário. O trabalho é interessante e eu já me percebo fazendo exigências mais adultas aos colegas, perguntando coisas difíceis, percebendo falhas deles onde antes eu é que era corrigido.
Daí volto pra casa e trabalho do mesmo jeito, horas diante do computador, sem ganhar nada. Pequenos favores para a família, para pessoas que não ouso cobrar porque me ajudaram demais sem pensar no dinheiro. Fico feliz: me pego resolvendo mesmo estas coisas mais divertidas e familiares com um profissionalismo que eu não tinha. Mas eu bem que podia estar ganhando em cima disso... Alguém precisa de freelas de direção de arte?
A outra arte, aquela pessoal, está numa paralisia com fim indeterminado.
Fora tudo isso, monografia. `Nuff said.

Na outra ponta do Laço de Alice, um caos sem tamanho e sem explicação. O meu hábito de omitir os nomes das minhas aventuras por aqui já causou malentendidos. Outra pessoa me deixa na ambiguidade, sem me dizer um não mas ainda se mostrando interessada. Eu não lido bem com ambiguidades... Em outro front, soube da dor e a delícia de dizer um não: ótimo ser cortejado, péssimo ser o vilão.
Tudo muito bom. Mas eu continuo precisando apenas de colo e cafuné, finais de semana tranquilos e vocabulários íntimos. E tudo isso ainda está muito além do horizonte.


[or is it?]

quinta-feira, novembro 02, 2006

Uma ponta do Laço de Alice

Trabalho em uma agencinha pequena. Fica em uma casa tão comum, que se não soubesse de antemão que havia uma agência lá, passaria reto. É uma casinha gostosa, decorada naquele estilo clean de agência de publicidade. Trabalho em uma sala dos fundos, tão pequena que só cabemos eu, a Loo, as máquinas e uma mesa de luz. Uma janela dá para um pátio interno meio claustrófilo, mas muito aconchegante.

De tão pequena que é a casa, ouve-se muita coisa acontecer e eu experimento pela primeira vez na vida uma sensação de awareness em relação ao emprego que não tive nos outros. No meio da retocagem de uma foto, ouço pedaços de uma conversa do Mr. President com um cliente, dizendo que a galera do estúdio (eu) conseguiu resolver aquele logotipo complicado, ou que eles aprovaram justo aquele layout que eu não gostei. Quando a notícia chega até mim, eu finjo que não sabia, mas já comentei com a Loo e ela sorri de canto da boca. Não se trata daquela coisa mal-educada que, em inglês, chamam de eavesdropping: é que não tem como não ouvir em um lugar tão pequeno e decorado com superfícies que não absorvem som.
Porém o mais cômico é ver que meus ouvidos já foram treinados pra isolar no burburinho o som das teclas de telefone. Porque mesmo sendo pequena, a agência tem um ramal para cada um (apesar de que, se eles levantarem o tom de voz, eu já escuto...). E assim que ouço a garota do atendimento digitar três números, minha mão já está sobre o aparelho, esperando o toque. Parece vidência.

Ontem descobri que a garota do atendimento fala italiano. Pouco, visto que aprendeu sozinha e não tem com quem praticar. Mas nos divertimos com isso. Garota com um jeito misturado entre o sério e o divertido, ela vive cantarolando por aí. Tem uma voz boa e já disse ter trabalhado com música antes. Soube, assim como quem não quer nada, que ela também tem seu vício por karaokê. Mas antes que vocês pensem demais nas semelhanças, ela tem seu rapaz e não faz muito meu tipo.

Vou pra casa de ônibus, lendo um livro que já está quase no fim, sobre um daqueles garotos que causou um massacre na escola. Os cobradores no ônibus são sempre os mesmos, na ida e na volta. Já estou ficando íntimo.
No caminho para casa, frequentemente me pego com aquela sensação de ter ficado para trás. Tantos amigos meus que já têm empregos (empregos, não estágios...) fixos nessa área e ganham relativamente bem. Fosse eu, já teria até saído da casa dos pais. Eles avançaram para a próxima fase da vida e eu ainda estou aqui. Meu instinto competitivo de Bandeirantes não me deixa ignorar esse fato. Me acalmo sabendo que estou aqui porque no ano passado tive um emprego desses. Ou seja, estou invertendo, fazendo agora o que eu devia ter feito lá. Mais importante: estou aprendendo. Muito mais do que aprendi no outro emprego, porque pulei a parte de estagiar, e isso é fantástico.
Essa inversão tem seu paralelo cômico com o modo como eu estou ouvindo Placebo, Goldfrapp e Lacuna Coil; estou usando delineador preto quando saio para as baladas e vestindo minhas roupas esquisitas. São coisas que eu devia ter feito aos dezoito, quando estava mais preocupado em parecer adulto, escutando Mahler, Satie e MPB e vestindo roupas comportadas que não me caiam bem, tentando pular essa fase adolescente.