Terminei de ler o livro do Marcelo Rubens Paiva, o Feliz Ano Velho. Sei lá... não tenho muito o que dizer.
Como literatura, detestei. Tem aquele tom de pessoa que está começando a escrever, sabe? Falta-lhe recuros de estilo, alguma malícia com as palavras. Muito simplório. A história mesmo é o que me manteve na leitura até o final, querendo saber se ele voltaria a andar, como ele ia dar a volta por cima. Acho também que, no meu momento atual, estava precisando ler sobre alguém que também estivesse se perguntando "O que eu vou fazer com a minha vida agora"? De resto, passagens muito interessantes sobre a política do país naquele momento, o surgimento do nosso atual presidente e outras celebridades políticas. Mas é só. Não recomendo...
Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.
domingo, fevereiro 15, 2004
Na terça passada levei minhas coisas para o ateliê das meninas. Passo a fazer parte de lá agora, pagando a minha parte do aluguel, das contas, etc. Tinha escrito um post enorme sobre isso. Mas o sistema apagou. Verei se lembro alguma coisa.
Cheguei lá quando já anoitecia. Uma noite daquelas de lua cheia, luz azulada. Nuvens pairando tão perto, que dá a impressão de que, se você esticar o braço, poderá levá-las pra casa. Estavam lá apenas Marcela e Gisela, mas logo saíram e fiquei a sós. Apaguei as luzes desnecessárias pois me delicio andando no escuro. No banheiro, a luz da rua e da lua entrava pela janela e deitava nos azulejos, me lembrando de forma vívida o quadro hiper-realista de um pintor latino cujo nome, por mais que eu espanque minha memória, não consigo lembrar. Era como estar dentro da pintura.
Uma vez, logo no começo, algumas das meninas tentaram dormir lá uma noite. Chegaram na fundação no dia seguinte dizendo que achavam que o lugar era assombrado. Compreendo: é o jeito desses lugares desarrumados, onde tudo puxa sua atenção do canto do olho, como se fosse um movimento detectado. Estética de decomposição. Estava nos objetos feitos pela Thais, nas figuras agonizantes das telas da Gisela, na perversão das cadeirinhas e outros bibelôs da Amanda. Eu podia sentir o tipo de arte que eu faria aqui. Coisas da estirpe da minha Virgem e o Menino.
Logo me vi afixando uma tela na parede que me fora designada e pintando-a inteira de preto daquele meu jeito de pintar, esticando tanto a tinta que dá pra ver a trama da tela. No mesmo quarto, as agonias por vezes cômicas de Gisela pintadas do jeito dela, com camadas tão grossas de tinta, que se perde a tela. Fundos que misturam vermelho para aquecer, bege e marrom para suavizar, e tantas outras cores para chegar no mesmo preto que eu pintei direto, mas com muito mais vida.
Gisela estava agora começando a fazer umas monotipias com imagens humanas que se fundiam a imagens de um bode, como um demônio. E antes que ela saísse, lembrei-a de uma aula que tivemos há muito tempo, em que estudamos o Moisés de Michelangelo. A estátua, se você perceber, tem dois chefres na testa. Lembro que a professora dissera que, em hebraico ou latim, não lembro qual, a palavra para chifres era a mesma palavra para luz. E Moisés recebeu a luz. Assim como Lúcifer era o Portador da Luz. Faz sentido, não?
Cheguei lá quando já anoitecia. Uma noite daquelas de lua cheia, luz azulada. Nuvens pairando tão perto, que dá a impressão de que, se você esticar o braço, poderá levá-las pra casa. Estavam lá apenas Marcela e Gisela, mas logo saíram e fiquei a sós. Apaguei as luzes desnecessárias pois me delicio andando no escuro. No banheiro, a luz da rua e da lua entrava pela janela e deitava nos azulejos, me lembrando de forma vívida o quadro hiper-realista de um pintor latino cujo nome, por mais que eu espanque minha memória, não consigo lembrar. Era como estar dentro da pintura.
Uma vez, logo no começo, algumas das meninas tentaram dormir lá uma noite. Chegaram na fundação no dia seguinte dizendo que achavam que o lugar era assombrado. Compreendo: é o jeito desses lugares desarrumados, onde tudo puxa sua atenção do canto do olho, como se fosse um movimento detectado. Estética de decomposição. Estava nos objetos feitos pela Thais, nas figuras agonizantes das telas da Gisela, na perversão das cadeirinhas e outros bibelôs da Amanda. Eu podia sentir o tipo de arte que eu faria aqui. Coisas da estirpe da minha Virgem e o Menino.
Logo me vi afixando uma tela na parede que me fora designada e pintando-a inteira de preto daquele meu jeito de pintar, esticando tanto a tinta que dá pra ver a trama da tela. No mesmo quarto, as agonias por vezes cômicas de Gisela pintadas do jeito dela, com camadas tão grossas de tinta, que se perde a tela. Fundos que misturam vermelho para aquecer, bege e marrom para suavizar, e tantas outras cores para chegar no mesmo preto que eu pintei direto, mas com muito mais vida.
Gisela estava agora começando a fazer umas monotipias com imagens humanas que se fundiam a imagens de um bode, como um demônio. E antes que ela saísse, lembrei-a de uma aula que tivemos há muito tempo, em que estudamos o Moisés de Michelangelo. A estátua, se você perceber, tem dois chefres na testa. Lembro que a professora dissera que, em hebraico ou latim, não lembro qual, a palavra para chifres era a mesma palavra para luz. E Moisés recebeu a luz. Assim como Lúcifer era o Portador da Luz. Faz sentido, não?
segunda-feira, fevereiro 09, 2004
Todo ano, desde que entrei na faculdade de artes, tenho escrito pequenos cadernos com minhas idéias, anotações banais, teorias de conspiração e esboços variados. E quase mecanicamente comecei a definir que cada um deles teria sua capa, com uma ilustração qualquer, e um nome. O primeiro, nada mais que um amontoado de sulfites A4 do montinho da impressora, tinha na capa um desenho de uma calça jeans da namorada de então, que eu havia desenhado como exercício do curso de artes. Não tinha nome. Já o segundo chamou-se Lunacy, com o desenho de uma fadinha tentando segurar toda sorte de materiais artísticos: pincéis, lápis, borracha, estilete... O terceiro chamou-se Rage, com um dos estudos para o rosto da Virgem do meu Virgem e o Menino na capa. Coisa grotesca. O quarto, Dream, ficou com uma capa em branco. Na borda inferior, o conceito era escrito em diversas línguas e tipos de letra: Dream, Sueño, Traum, Reve, Sonho, Sogno. E na borda superior, um grafismo meu que representava o que eu sentia na passagem da vigília para o sonho, uma sensação de diminuir o ritmo, como aquilo que se sente quando você está numa rua barulhenta e de repente entra em um lugar com isolamento acústico. Deixei um espaço em branco enorme lá, esperando que, ao escrever o caderno, alguma imagem viesse à mente para traduzir o que para mim era esse estado de sonho. Nunca veio nada. O que poderia sintetizar um sonho? Seria escolher uma coisa em detrimento de tantas outras.
O caderno deste ano, chamei-o Eclosion. Passei os últimos dias do ano passado pensando em um título. Algo que significasse nascer, ou renascer ( e nada tão clichê quanto Fênix ou algo assim...). A idéia de eclosão me foi sussurrada um dia desses por uma fada qualquer do meu imaginário. E fiquei pensando: o ano seguinte à minha formatura da faculdade de artes. O ano em que tudo para o que eu me preparei começa a ser posto à prova. É como eclodir de um ovo: você faz uma força para criar o trabalho final e sai para o mundo real assim, frágil, ignorante, cheio de sonhos. Confesso que a ilustração acabou sendo uma coisa meio clichê mesmo: de uma ecdise com a minha forma partida ao meio, emerge uma figura parecida com a anterior, coberta ainda em qualquer material viscoso que a envolvia dentro da casca. Se chegar a algum outro desenho mais criativo, acabo colando por cima. Mas não gostei de ter deixado o último caderno em branco.
O caderno deste ano, chamei-o Eclosion. Passei os últimos dias do ano passado pensando em um título. Algo que significasse nascer, ou renascer ( e nada tão clichê quanto Fênix ou algo assim...). A idéia de eclosão me foi sussurrada um dia desses por uma fada qualquer do meu imaginário. E fiquei pensando: o ano seguinte à minha formatura da faculdade de artes. O ano em que tudo para o que eu me preparei começa a ser posto à prova. É como eclodir de um ovo: você faz uma força para criar o trabalho final e sai para o mundo real assim, frágil, ignorante, cheio de sonhos. Confesso que a ilustração acabou sendo uma coisa meio clichê mesmo: de uma ecdise com a minha forma partida ao meio, emerge uma figura parecida com a anterior, coberta ainda em qualquer material viscoso que a envolvia dentro da casca. Se chegar a algum outro desenho mais criativo, acabo colando por cima. Mas não gostei de ter deixado o último caderno em branco.
Another good movie seen recently was Sofia Coppola's Lost in Translation. Word has it, she wrote the script for Bill Murray. Had he said no, the movie wouldn't have been made.
I can't say much about this movie, for fear that I might spoil something great. But I will leave a couple of remarks. First of all, remember The Hours?? In that one, two characters say they once had a great summer once, and then spent the rest of their lives trying to relive that summer. This movie feels like that summer. If those two characters meet again, it won't be the same.
The other remark is about the lead actress, Scarlett Johansson. It'sone of my weird comparisons, but the way she smiles, the way she uses her lips, kinda reminds me vividly of Chebel. A blonde Chebel. Too bad I don't have any pictures of her... But I'll look it up.
domingo, fevereiro 08, 2004
Watched 21 grams last friday. The latest of a kind of movies that has been en vogue for the past few years. That kind of movie where chronological organization is shot to hell and you have to pick up the pieces and build the movie in your head. Like Pulp Fiction, or Memento. Or even the starting sequences of Girl interrupted. As I watched the movie, I couldn't help making a sort of checklist in my head: "I know those two will end up toghether, now how does his girlfriend leave the scene?"
21 grams presents you with a set of characters that couldn't be more different from each other. A religious fanatic, a man suffering from heart disease, a housewife and all the people around them. Eventually, as you'd expect, their lives come toghether. It's one of those movies about the meaning of life, not much more to say about it.
What's really great is the direction. Alejandro Gonzales Inarritu directed one of those short movies in the 9/11 documentary. He directed one where the screen remained black all the time, and the audience was left with just the sounds of the towers falling and the buzz of news broadcasting. Occasionally, flashes of light showed the people who jumped from the towers, commiting suicide to avoid the flames. In the end, the screen would turn white and a text would appear, asking: "Does God's light guide us or blind us?".
This time, Inarritu directed a movie that asks another religious/logical question regarding 21 grams we loose in the exact moment of our death. What wheights 21 grams? Our soul? Where does it go? Do we get it back if we are given a second chance? Inarritu's camera angles are carefully picked, often surprising. The film's grain makes you sick at first, but then adds to a certain degree of dirt present in most scenes of the movie. Like the dirt on a Lucian Freud. And the lack of chronological order creates that checklist behaviour I wrote earlier, and obligates you to pay a load of attention to the dialogue: specific words determine if certain events are happening for the first or second time in the life of each character.
This movie is like a good painting: it pleases the common audience, and the specialists in the media at the same time. You can pay attention to the plot; or to the quality of the images, the script, the actors. In any case, you'll go home and think about it for days to come.
Note from the author:I know the director's name isn't spelled that way, but Blogger's puctuation won't allow me to spell it correctly...
quinta-feira, fevereiro 05, 2004
Bia descobriu o blog...
Não que ela não soubesse. Eu contei que tinha um blog desde que comecei. Mas ela nunca leu. Eu achava que ela nunca ia ler mesmo. Não é do tipo de coisa que interessa a ela. E agora, por alguma razão, ela se interessou e começou a ler. Leu através dos arquivos, até chegar naquelas coisas lá no fundo onde eu falei mal dela. E como tudo na vida, não poderia ter acotecido em hora pior.
Já estávamos brigados com o que escrevi no meu trabalho de graduação. A personagem que montei dela. Tivemos uma conversa por telefone sobre o meu trabalho, ela e os medos dela de que isso afetasse ela no futuro. Depois eu fui para o nordeste. E naqueles dias de fazer nada e cair no sono por causa do calor, eu me peguei pensando na conversa vez ou outra. No quão triste ela tinha ficado pelo que eu fiz. Me senti desprezível: a coisa toda entre nós já tinha acabado, ela estava só tentando viver a vida dela em paz com o noivo, e eu desenterrando sujeira como uma criança contrariada. Ninguém merece. Voltei do nordeste pensando em falar com ela, contar tudo isso. Até telefonei um dia. Mas o medo, a vergonha, tudo isso me deixava sem ter como encarar ela. E então hoje levei o susto.
Não sei o que fazer.
Segunda vez que esta porcaria me mete em problemas. Será que faço como todo mundo que passou por isso e desisto de escrever?
Não que ela não soubesse. Eu contei que tinha um blog desde que comecei. Mas ela nunca leu. Eu achava que ela nunca ia ler mesmo. Não é do tipo de coisa que interessa a ela. E agora, por alguma razão, ela se interessou e começou a ler. Leu através dos arquivos, até chegar naquelas coisas lá no fundo onde eu falei mal dela. E como tudo na vida, não poderia ter acotecido em hora pior.
Já estávamos brigados com o que escrevi no meu trabalho de graduação. A personagem que montei dela. Tivemos uma conversa por telefone sobre o meu trabalho, ela e os medos dela de que isso afetasse ela no futuro. Depois eu fui para o nordeste. E naqueles dias de fazer nada e cair no sono por causa do calor, eu me peguei pensando na conversa vez ou outra. No quão triste ela tinha ficado pelo que eu fiz. Me senti desprezível: a coisa toda entre nós já tinha acabado, ela estava só tentando viver a vida dela em paz com o noivo, e eu desenterrando sujeira como uma criança contrariada. Ninguém merece. Voltei do nordeste pensando em falar com ela, contar tudo isso. Até telefonei um dia. Mas o medo, a vergonha, tudo isso me deixava sem ter como encarar ela. E então hoje levei o susto.
Não sei o que fazer.
Segunda vez que esta porcaria me mete em problemas. Será que faço como todo mundo que passou por isso e desisto de escrever?
terça-feira, fevereiro 03, 2004
Sonho 2:
Tenho passado os dias em casa. Procuro estágio em publicidade, faço peças para portfolio, faço contatos por telefone/e-mail. E como todo mundo está fazendo outras coisas, almoço sozinho em casa. Da janela da sala, dá pra ver janelas dos quartos de um hotel ao lado do meu prédio.
No meu sonho, estava me sentando para almoçar. Na janela do hotel, meu irmão estava chegando no quarto e se despindo para dormir. Referência clara ao fato de que ele não tem passado as noites aqui em casa, por vezes dormindo na casa de seu novo amor, por vezes chegando muito tarde e saíndo muito cedo. Eu sabia que ele tinha algum plano, estava tramando alguma coisa, e por isso não dormia aqui em casa. E sabia que ele dormia muito pouco: uma, duas horas por dia. Mas eu não sabia qual era o plano.
Em seguida, eu estava conversando com a Lee (Lioness) no que parecia ser o cursinho que fiz para o curso de publicidade. Falávamos da dor de nos separarmos. Ela me dizia que antes era uma dor focada, concentrada em um ponto, como uma dor de cabeça, uma dor de consciência. E era importante, eclipsava todo o resto da vida. E eu dizia-lhe que compreendia, porque eu também tinha sentido. Assim como compreendia que essa dor havia se tornado para ambos hoje uma dor dissolvida, infiltrada para outras partes do corpo/consciência, e consequentemente havia perdido a importância, a força. Havia se tornado uma dor do passado, uma cicatriz, para se lembrar e sofrer um pouquinho, mas seguir adiante em seguida.
Ela me dizia tudo isso, e o cursinho ficava cada vez mais escuro e cheio de túneis e corredores, até que tínhamos mergulhado no meu mundo interior gótico, com ilhas de pedra negra flutuando no nada que abrigavam diversos monstros de uma criatividade pervertida. Algo acontecia naquela terra: um monstro começara a devorar os outros monstros, amalgamar-se com eles, tornando-se enorme e poderoso, com o objetivo de conquistar e destruir tudo.
Referências adicionais: os bonecos da série "Twisted Land of Oz" e "Tortured Souls", que Todd McFarlane criou com Clive Barker.
Tenho passado os dias em casa. Procuro estágio em publicidade, faço peças para portfolio, faço contatos por telefone/e-mail. E como todo mundo está fazendo outras coisas, almoço sozinho em casa. Da janela da sala, dá pra ver janelas dos quartos de um hotel ao lado do meu prédio.
No meu sonho, estava me sentando para almoçar. Na janela do hotel, meu irmão estava chegando no quarto e se despindo para dormir. Referência clara ao fato de que ele não tem passado as noites aqui em casa, por vezes dormindo na casa de seu novo amor, por vezes chegando muito tarde e saíndo muito cedo. Eu sabia que ele tinha algum plano, estava tramando alguma coisa, e por isso não dormia aqui em casa. E sabia que ele dormia muito pouco: uma, duas horas por dia. Mas eu não sabia qual era o plano.
Em seguida, eu estava conversando com a Lee (Lioness) no que parecia ser o cursinho que fiz para o curso de publicidade. Falávamos da dor de nos separarmos. Ela me dizia que antes era uma dor focada, concentrada em um ponto, como uma dor de cabeça, uma dor de consciência. E era importante, eclipsava todo o resto da vida. E eu dizia-lhe que compreendia, porque eu também tinha sentido. Assim como compreendia que essa dor havia se tornado para ambos hoje uma dor dissolvida, infiltrada para outras partes do corpo/consciência, e consequentemente havia perdido a importância, a força. Havia se tornado uma dor do passado, uma cicatriz, para se lembrar e sofrer um pouquinho, mas seguir adiante em seguida.
Ela me dizia tudo isso, e o cursinho ficava cada vez mais escuro e cheio de túneis e corredores, até que tínhamos mergulhado no meu mundo interior gótico, com ilhas de pedra negra flutuando no nada que abrigavam diversos monstros de uma criatividade pervertida. Algo acontecia naquela terra: um monstro começara a devorar os outros monstros, amalgamar-se com eles, tornando-se enorme e poderoso, com o objetivo de conquistar e destruir tudo.
Referências adicionais: os bonecos da série "Twisted Land of Oz" e "Tortured Souls", que Todd McFarlane criou com Clive Barker.
segunda-feira, fevereiro 02, 2004
Right... I still have to fix a thing or two. My archives aren't working yet, I'm having doubts about the title for this place, and I still have to change the post signature. But other than that, all's well. BIG, HUGE, COLOSSAL thanks to my dearest Aerandir for the big help!
While the last changes are made, go on and read what I've written the last few days.
While the last changes are made, go on and read what I've written the last few days.
quinta-feira, janeiro 29, 2004
Mais lembranças do nordeste:
Acho que foi o ano em que mais compareci a missas lá no nordeste. Sempre vamos à missa de natal. Mais por respeito às tradições do que por crença mesmo. E mamãe ficava fazendo comentários a respeito dos costumes religiosos e perguntando curiosidades ao papai, que não é muito crente mas conhece muito dos costumes, por ter estudado em colégio de padres. Voltávamos para casa comentando sobre como as orações sempre dizem variações da mesma coisa: "Eu sou um miserável, imbecil e só faço besteira. Não mereço nada porque eu faço tudo errado. Mas me perdoe, me ajude, me dê a vida eterna." Faz algum sentido?
Assistimos à missa de natal, a de trinta dias da morte de Tia Margot e uma missa de ano novo. Três: é mais do que eu assisto durante o ano todo.
Mas foi na missa de natal que eu me peguei olhando para a estátua do Cristo na manjedoura e vagando por revelações surreais. Manjedoura: parece ter radical em um verbo italiano (mangiare) que significa comer. Como se esse objeto fosse um instrumento para animais comerem e esse menino ali deitado fosse uma refeição sendo oferecida. Logo fiz duas associações. A primeira foi com o final da história desse menino deitado na manjedoura, em que ele senta em uma mesa com doze outras pessoas e diz para tomarem um pedaço do pão e comerem pois simboliza o corpo dele. A segunda associação foi entre os animais que comem na manjedoura, normalmente organizados em rebanhos, e a referência aos praticantes da religião católica como sendo o rebanho, assim como a designação dada aos sacerdotes: pastores. Enfim, tudo conectado em uma só metáfora.
Acho que foi o ano em que mais compareci a missas lá no nordeste. Sempre vamos à missa de natal. Mais por respeito às tradições do que por crença mesmo. E mamãe ficava fazendo comentários a respeito dos costumes religiosos e perguntando curiosidades ao papai, que não é muito crente mas conhece muito dos costumes, por ter estudado em colégio de padres. Voltávamos para casa comentando sobre como as orações sempre dizem variações da mesma coisa: "Eu sou um miserável, imbecil e só faço besteira. Não mereço nada porque eu faço tudo errado. Mas me perdoe, me ajude, me dê a vida eterna." Faz algum sentido?
Assistimos à missa de natal, a de trinta dias da morte de Tia Margot e uma missa de ano novo. Três: é mais do que eu assisto durante o ano todo.
Mas foi na missa de natal que eu me peguei olhando para a estátua do Cristo na manjedoura e vagando por revelações surreais. Manjedoura: parece ter radical em um verbo italiano (mangiare) que significa comer. Como se esse objeto fosse um instrumento para animais comerem e esse menino ali deitado fosse uma refeição sendo oferecida. Logo fiz duas associações. A primeira foi com o final da história desse menino deitado na manjedoura, em que ele senta em uma mesa com doze outras pessoas e diz para tomarem um pedaço do pão e comerem pois simboliza o corpo dele. A segunda associação foi entre os animais que comem na manjedoura, normalmente organizados em rebanhos, e a referência aos praticantes da religião católica como sendo o rebanho, assim como a designação dada aos sacerdotes: pastores. Enfim, tudo conectado em uma só metáfora.
Uma lembrança do nordeste
Remexendo nas minhas coisas, encontrei anotações que fiz no nordeste para escrever aqui.
A primeira falava da areia na praia. Eu tinha escrito aqui, há algum tempo (16/11/2003), que me incomodava a fisicalidade das coisas. Sua teimosia em permanecerem imutáveis, sólidas, materiais. E então cheguei lá no nordeste e fui à praia e a areia cedia sob meus passos. Meus pais procuravam areia mais sólida que não cansasse tanto ao andar, e eu ficava a alguns passos para o lado, na areia fofa. Em dado momento, peguei um punhado de areia nas mãos. Ela escorria entre meus dedos: não-sólida. Permitia que eu a moldasse, mudasse. Mas ainda conseguia sustentar meus passos. Ah, se o mundo fossse assim...
Remexendo nas minhas coisas, encontrei anotações que fiz no nordeste para escrever aqui.
A primeira falava da areia na praia. Eu tinha escrito aqui, há algum tempo (16/11/2003), que me incomodava a fisicalidade das coisas. Sua teimosia em permanecerem imutáveis, sólidas, materiais. E então cheguei lá no nordeste e fui à praia e a areia cedia sob meus passos. Meus pais procuravam areia mais sólida que não cansasse tanto ao andar, e eu ficava a alguns passos para o lado, na areia fofa. Em dado momento, peguei um punhado de areia nas mãos. Ela escorria entre meus dedos: não-sólida. Permitia que eu a moldasse, mudasse. Mas ainda conseguia sustentar meus passos. Ah, se o mundo fossse assim...
quinta-feira, janeiro 22, 2004
Estou fazendo minhas últimas visitas à fundação (eu acho...) para retirar documentos.
Hoje vim retirar meu certificado de conclusão de curso, certificado do estágio na Águia de Ouro e programa de disciplinas para pedir equivalências no curso de publicidade. Papelada, burocracia, comprovação.
A central de atendimento da fundação tem a cara das pessoas que lhe emprestam a reputação: sala bem cuidada, tocando música de discoteca. As garotas são lindas patricinhas. Modelos cuidando de burocracia. Mas quem me atendeu foi Shin Iti: personagem de livros modernos. Porque em livros modernos, ninguém é estereotipado. Todo mundo tem uma peculiaridade. Shin Iti, apesar do nome oriental, tem um rosto ocidental com olhos azul-gelo. Cabelos negros. Um nariz batatudo de italiano ou coisa que o valha. E aquele jeito de quem tem ambição pra progredir na vida. Em sete a cada dez vezes que estive aqui, fui atendido por ele. Adeus.
Eita post inútil... Mas é só pra marcar a época.
Hoje vim retirar meu certificado de conclusão de curso, certificado do estágio na Águia de Ouro e programa de disciplinas para pedir equivalências no curso de publicidade. Papelada, burocracia, comprovação.
A central de atendimento da fundação tem a cara das pessoas que lhe emprestam a reputação: sala bem cuidada, tocando música de discoteca. As garotas são lindas patricinhas. Modelos cuidando de burocracia. Mas quem me atendeu foi Shin Iti: personagem de livros modernos. Porque em livros modernos, ninguém é estereotipado. Todo mundo tem uma peculiaridade. Shin Iti, apesar do nome oriental, tem um rosto ocidental com olhos azul-gelo. Cabelos negros. Um nariz batatudo de italiano ou coisa que o valha. E aquele jeito de quem tem ambição pra progredir na vida. Em sete a cada dez vezes que estive aqui, fui atendido por ele. Adeus.
Eita post inútil... Mas é só pra marcar a época.
segunda-feira, janeiro 19, 2004
I've recently finished reading Aldous Huxley's The Doors of Perception. Marcela (Methodless) has written to me saying she believes it was this book that inspired Jim Morrison to create The Doors. It seems I've heard something similar.
I had retrieved the book from a rather large collection that my grandmother (the philosopher, not the one from the attelier), was giving away because she can no longer read. The pages were yellowed, but despite that, it was in perfect condition.
The book was divided in two parts. On the first one, Huxley narrated an experience conducted by him, his wife and a few friends, when he agreed to swallow a few grams of a cactus flower called peyote, which contains a drug called mescalin. He described the changes in his perception of the world: he had expected to hallucinate, as if he had taken LSD. But intead of drifting away from reality, he found himself looking at the world around him with deeper attention and amazement. Everything seemed more real. Everything seemed to be one with everything else, infused of something he called "Suchness" or "Is-ness". He described how this new perception of his was still nonetheless affected by distance and time (the drug wears off in a few hours....). He made many comparisons between this new perception of his and the perception an artist has of the world. And indeed, I found myself reading what he wrote and identifying my sickness in some of it: the writhing flesh and it's cravings. Or the amazement I felt towards certain things, certain lighting. The experience of aprehending a human face as mere organic matter and yet painting the canvas as if my fingers caressed skin. All in all, he spoke of that unbearable physicality of things, being what they are and not allowing themselves to be changed...
He also spoke of a feeling provided by mescalin which he could only describe as some sort of relief from selfhood. You no longer care if you have total control over your body. You no longer care for your individuality: something that would really shock capitalist society... But it doesn't mean it alters your behaviour. He remained sober and lucid: only the priorities changed.
On the second part, he spoke of ritual drugs used by Native American tribes to achieve a more fulfilling notion of the divine, of Christianity and it's refusal to acknowledge any ritual drug, along with it's tolerance towards other drugs like tobacco and alcohol in society. He also spoke of mescalin as a less destructive alternative to alcohol and tobacco. The mescalin taker isn't incomvenient like the drunkard and hence can still abide common society and his body isn't overrun with side-effects like the yellowing of the teeth, odours or lung cancer, like the tobacco smoker. Alas, the only downside he saw to mescalin was that it's effects last for hours. Imagine a surgeon high on mescalin suddenly being called to operate...
Anyway, good reading. Strongly reccomended.
sexta-feira, janeiro 16, 2004
Surreal revelations XI:
Late last year, I met with and old friend from school days at the club. We engaged on the usual chatter: "What have you been doing all these years?", "Where are you working?", "Have you seen ****?", "Are you still dating that girl.... I forgot her name....".
And when the subject became dating, personal relations, and such, he told me, ever so carefully, that for the past year he had no longer dated girls. Yes, he had assumed homossexuality. He felt OK in telling me that, he trusted me. Later on, he would tell me that most of the others he hung out with at school had traveled the same road. Not that it would surprise too many people, I`d say.
Out of morbid curiosity, I began to ask him what it was like. Was the homossexual dating system any different from the heterossexual one? He explained to me the little details: the substantial increase in partners, the tendency for casual sex instead of lasting relationships, the underworld in which they seemed to live -- like an alternative society inside the bigger one. Which obviously led to that kind of conversation where he`d say "and you know whom else is in on it?"
When I bid him farewell and went home, I had all these thoughts in my head. The social organization he had presented to me seemed somewhat familiar. I spent the next few days making weird comparisons between what he had told me and what I had once written about vampires.
See, vampires would also be a hidden society within the bigger society. You`d have to know who is also a vampire/homossexual in order to reveal your true nature. Or the few other people you could trust. And gossip as to who is or isn`t a vampire/homossexual would spread naturally. Likewise, there would be the slayers/prejudiced, who would seek out and destroy you. You`d need an increase in partners to keep you "well-fed" and all the matters of "common" life/sex would cease to have any importance or appeal to you. Also, you'd usually need someone to guide into this. To show you around. To "Embrace" you. Very few people spontaneously decide to turn homossexual without previous experiences. Like in the vamp stories, where very few people obtain the curse without being bitten: only those who pact with the Devil and such....
Now read that paragraph again, but choose the other words from the pairs with "/".
Does any of this make sense?
Late last year, I met with and old friend from school days at the club. We engaged on the usual chatter: "What have you been doing all these years?", "Where are you working?", "Have you seen ****?", "Are you still dating that girl.... I forgot her name....".
And when the subject became dating, personal relations, and such, he told me, ever so carefully, that for the past year he had no longer dated girls. Yes, he had assumed homossexuality. He felt OK in telling me that, he trusted me. Later on, he would tell me that most of the others he hung out with at school had traveled the same road. Not that it would surprise too many people, I`d say.
Out of morbid curiosity, I began to ask him what it was like. Was the homossexual dating system any different from the heterossexual one? He explained to me the little details: the substantial increase in partners, the tendency for casual sex instead of lasting relationships, the underworld in which they seemed to live -- like an alternative society inside the bigger one. Which obviously led to that kind of conversation where he`d say "and you know whom else is in on it?"
When I bid him farewell and went home, I had all these thoughts in my head. The social organization he had presented to me seemed somewhat familiar. I spent the next few days making weird comparisons between what he had told me and what I had once written about vampires.
See, vampires would also be a hidden society within the bigger society. You`d have to know who is also a vampire/homossexual in order to reveal your true nature. Or the few other people you could trust. And gossip as to who is or isn`t a vampire/homossexual would spread naturally. Likewise, there would be the slayers/prejudiced, who would seek out and destroy you. You`d need an increase in partners to keep you "well-fed" and all the matters of "common" life/sex would cease to have any importance or appeal to you. Also, you'd usually need someone to guide into this. To show you around. To "Embrace" you. Very few people spontaneously decide to turn homossexual without previous experiences. Like in the vamp stories, where very few people obtain the curse without being bitten: only those who pact with the Devil and such....
Now read that paragraph again, but choose the other words from the pairs with "/".
Does any of this make sense?
Sonho 1:
No meu sonho de ontem, eu estava sendo intimado a comparecer ao tribunal para me defender de acusações feitas por Bia (Makel). Estava sendo acusado de calúnia e difamação por causa do que eu escrevi no meu trabalho de graduação do curso de artes. Referência óbvia à nossa última conversa telefônica antes da minha viagem para o nordeste. Meu advogado de defesa era o Lebensold (Former Rebel). E minha orientadora (?) era uma amálgama de Dora e Marina Lima.
Makes sense??
No meu sonho de ontem, eu estava sendo intimado a comparecer ao tribunal para me defender de acusações feitas por Bia (Makel). Estava sendo acusado de calúnia e difamação por causa do que eu escrevi no meu trabalho de graduação do curso de artes. Referência óbvia à nossa última conversa telefônica antes da minha viagem para o nordeste. Meu advogado de defesa era o Lebensold (Former Rebel). E minha orientadora (?) era uma amálgama de Dora e Marina Lima.
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