Começaram as aulas (na quarta, estou com um pouco de atraso no blog...).
Apesar de termos feito os testes de proficiencia e inscriçoes no
Palazzo Gallenga (digam todos comigo: "é la em Gallenga" - agora digam-no mais rapido...), tenho aula em outro prédio, a uma meia hora de caminhada de onde estou morando, chamado
Pallazzo Prosciutti (curiosiamente traduzido ao pé da letra para "Palacio Presuntos"). No primeiro dia, so consegui encontrar o lugar graças à ajuda de
David, o canadense que faltava apresentar por aqui. Conheci-o faz poucos dias, quando finalmente apareceu em casa. Tem decendencia irlandesa, por isso fala rapido. Como
Brad Pitt em
Snatch (mas nao tao bonito...) ou o personagem brigao de
Trainspotting (
Begbie, eu acho...), às vezes beirando o ininteligivel. Ri muito e bebe muito café.
Enfim, tive a primeira aula. Tive aulas de gramatica e de cidadania italiana (um pouco de historia, um pouco de politica, costumes, etc...). Além de meus companheiros de casa (
Hillis, Su e
David, posso dizer que algumas pessoas da turma do curso ja fazem parte da minha historia por aqui: os personagens foram apresentados.
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Ken Shin (chines): rapaz pequeno, muito amistoso e com um italiano muito bom. Sempre procura conversa.
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Claire (australiana): inteligentissima, com um italiano de sotaque ingles.
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Karen (americana): negra que vive na Europa ha muitos anos, muito dedicada aos estudos e profunda conhecedora da politica do proprio pais.
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Laura (alema): baixinha e com cara de brava, mas é so a aparencia...
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Linnea (suéca): belissima, embora calada devido ao pouco italiano e ingles que conhece. Sempre o centro das atençoes.
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Natalia (paraguaia): mistura o espanhol e o italiano, mas tem um bom nivel da lingua local. Junto comigo, somos os que mais juntam e animam a galera.
Estranho dizer isso, eu sei. No Brasil, normalmente, sou reservado, calado, desinteressante. Aqui, algo aconteceu. Quiz vestir a fantasia do brasileiro alegre, falante, amistoso. Quiz mudar os traços pessoais que tanto estava começando a me incomodar.
E resolvi começar pela galera de casa. Ontem convidei-os todos para jantar em casa, pasta feita por mim. A minha infalivel gorgonzola nao ficou 100%, mas conquistou. O que realmente recebeu elogios foi o molho de salada turbinado que meu pai fazia. Da pra imaginar eu cozinhando por vontade propria?
Depois, sai com
Hillis (os outros tinham outros planos para a noite...) para outra coisa inusitada: tinha convidado metade da minha turma da classe para ir ao bar brasileiro de
Felipe logo no primeiro dia em que nos conhecemos. Os europeus acharam estranho toda essa intimidade tao cedo. Que bom... Assim sao os brasileiros. Pra mim, estranho era justo eu ter feito o convite, no meio de tanta gente do curso. Jamais teria feito isso no Brasil. Pretendo continuar fazendo quando voltar.
Tive medo que ninguém aparecesse. Que achassem tao estranho essa receptividade toda tao cedo, que desconfiassem. Talvez tivesse até um pouco de trauma das baladas de despedida frustradas. Mas estavam la. Nem todos, mas a enorme maioria. E mais: pontualissimos como bons europeus.
Combinei ainda de encontrar no bar ao
Gabriele, filho de um italiano que trabalhou com meu pai. Chegou la com a namorada
Federica. Ambos daqui de Perugia, muito legais e engraçados.
Fi-los experimentar a caipirinha (
Hillis adorou,
Gabriele tomou duas...), a Skol (
Linnea experimentou... Mas tem melhor na Suécia...) e o samba. A banda nao era realmente uma banda: apenas um bando de rapazes cariocas se divertindo na Europa cantando pagode, samba e forro. Mas, acreditem ou nao, eu até dancei! E samba, ainda por cima! Afinal, ninguém la sabia dizer que eu estava dançando certo ou errado. Apenas a banda e os funcionarios do bar, que também dançavam mal. Ouso até dizer que, por um momento, eu gostei da musica e cantei junto. Mas se me perguntarem no Brasil, eu nego.
Dormi melhor do que qualquer outro dia dos que estive aqui em Perugia. Nao era so pelo cansaço: era a sensaçao de fazer a coisa certa. A estrategia certa para juntar uma galera, fazer-me ser notado e, quem sabe, impressionar
Linnea... XD
Afinal, se o assunto do emprego nao vai bem nessa época, pelo menos posso investir meu tempo em outro
business igualmente relevante ao meu espirito.