sábado, novembro 18, 2006

Vídeos do Bowie

Me surgiu a brilhante idéia de usar o Youtube pra procurar os vídeos do Bowie que eu tanto gosto.
Vídeos como o maravilhoso Strangers when we meet, que foi o primeiro vídeo que eu vi dele, a primeira música que ouvi, e que gerou todo meu gosto por ele. Ou o Survive, que me deu aquela sensação de literalmente "perder o chão" frente a um relacionamento que termina (prestem atenção na letra). E ainda o Thursday's Child, onde ele aparece com a esposa super-model (não me perguntem qual delas...). Sem falar no animal I'm affraid of Americans, com a participação do vocalista do Nine Inch Nails, Trent Reznor; e o remix dos Pet Shop Boys de Hallo Spaceboy.

Vídeos cheios de uma coisa muito estranha e sobrenatural.

E por falar em participações, o Bowie participou de um show do Placebo, de onde saiu um vídeo do Without you I'm nothing da banda, que eu recomendo mais pela edição do vídeo e pelo dueto fabuloso do que pelo vídeo em si. Mas se formos falar de vídeos do Placebo, a dica é Song to say goodbye e o já mencionado This picture.

sexta-feira, novembro 17, 2006

Defesa

Conversando com a Loo sobre pintura.
Me dei conta de um comportamento recorrente durante o ato de pintar. Me aproximo da tela no cavalete e aplico umas dez pinceladas rápidas, no mesmo local, esticando a tinta ao máximo: o que importa é economia de tinta e uma impressão tão fina que se possa ver a trama da tela através dela, estilo meu que eu gosto. O gesto é quase agressivo, pela pressão que faço na tela, e meio psicótico, pela repetição. Uma violência criadora.
Mas daí eu dou três passos pra trás, tintas e pincéis entre os dedos como mãos ensanguentadas. Inclino a cabeça para o lado como se estivesse analisando a obra, avaliando os traços, mas na verdade não é isso. Eu dou esses passos pra trás como um gesto de defesa. É a estratégia de luta mais básica e eficaz: atacar e fugir, saíndo do alcance do oponente antes que ele possa revidar.
Na verdade, reavaliando, eu estou me defendendo de mim mesmo. Porque o gesto da pintura seria uma violência, não fosse a minha obssessão pelas minúcias, os detalhes, pela perfeição técnica impossível de ser alcançada. E eu dou aqueles passos pra trás não para sair do alcance da tela, mas para tirá-la do meu. Assim eu não posso fazer besteiras impulsivas. Assim eu mantenho meu precioso controle.
E descobri pelo blog da MaWa que a Alice que inspirou aquela do Lewis Carrol morreu em 15 de Novembro.

Também ouvi dizer que o ano em que eu nasci foi o ano em que a existência da AIDS veio a público.

Faz um bem para a auto-estima...

quinta-feira, novembro 16, 2006

Pra compensar

Considerando alguns aspectos burocráticos, acho que foi um dos melhores aniversários que tive faz muito tempo.

Começou com o tradicional almoço de família que eu não troco por nada. Lasanha de funghi, vinho, vovó no outro lado da mesa fazendo comentários com seu humor maroto e meu pai despejando todo seu sarcasmo sobre o governo do PT. Meu irmão combatendo os excessos de direitismo do meu pai e mamãe servindo de voto de Minerva. Eu? Só mastigava e ouvia...

Chegando a tarde, fui para a piscina da casa da Ju, namorada do Piero. Ela fazia aniversário no dia antes do meu e meu irmão seguia logo após, no 16. Aproveitamos a descendência japonesa da anfitriã pra comer muito sushi, nadar bastante e surrupiar músicas do computador do Piero para o meu tocador de MP3. No final da festa, já estavam até jogando a irmãzinha da Ju na piscina, de roupa e tudo. A mãe foi carregada filho logo em seguida, de calça jeans.

E até então eu não tinha dado muita bola para o fato de que fazia sol. Murphy aparentemente escolhera tirar sarro de mim, dando-me um raríssimo aniversário sem chuva, justo quando eu não tinha combinado nada, em vez de estragar a balada da Ju. Mas foi só me despedir, que as primeiras gotas caíram na piscina, anunciando o temporal que viria em minutos. Murphy tem uma ironia muito fina...

A chuva, no entanto, não fez tanto estrago na minha balada deste ano. Convencido por um punhado de gente, acabei organizando de última hora o mesmo karaokê do ano passado. Tendo chamado não mais que umas doze pessoas, não me frustrei demais quando chegaram nove. Aliás, fiquei surpreso por tanta gente ter aparecido em algo feio tão às pressas.
Cantei Codinome Beija-flor para Lee.
Strani Amori foi o pedido da Nana, que queria me ouvir cantar em italiano.
Eu, Ri e Napaula pulamos bastante ao som do Take me out.
E eu pude até terminar a noite com Jeremy, presente pra mim mesmo.
Só faltou Pra terminar ou Nada por mim, mas a pessoa para quem eu as cantaria não apareceu...
Tampouco apareceu a pessoa que me convenceu a organizar o karaokê, para quem eu teria cantado This picture, se eles tivessem a música...

A festa e o dia terminaram percorrendo as ruas até o Fran's Café mais próximo, onde uma xícara de chocolate e a compania do Lala's tiveram um gosto e uma iluminação meio Edward Hopper. E falamos de viagens, de amores que nunca foram e viraram boas amizades, de planos para o futuro e felinos com nomes carinhosos em russo. Eu achei que foi o fim perfeito para um aniversário que deu certo.

Mas então eu fui para casa e dormi, e meu aniversário realmente terminou bem quando sonhei com os lábios macios de Genka.

terça-feira, novembro 14, 2006

Dialeto

[Na agência, 14:00hrs.]

Loo - Bom, acho que eu vou embebedar essa foto (referência: embed é uma função do Illustrator, programa que normalmente produz arquivos de imagem vetorial com links para imagens externas em JPG. A função grava a imagem externa dentro do arquivo, tornando-o independente do arquivo externo, porém maior. Não entendeu nada, né?).
Leão - Pra que?
Loo - Porque assim eu não preciso zicar um monte de JPGs quando for mandar para a gráfica (referência: zip é um sistema de compactação de arquivos. Ao mandar um arquivo de Illustrator para a gráfica, é preciso mandar junto todos os JPGs linkados.)
Leão - Ué, abre o Fotojovem e grava por cima. Ele diminui o tamanho do arquivo (referência: Photoshop, programa para trabalho com imagens em JPG. Com um poder de compactação maior, ele pode às vezes diminuir tamanhos de imagens em alta resolução.)
Loo - Não precisa. O arquivo com as imagens embebedadas não fica tão grande assim.
Leão - Hmm. Beleza. Não esquece de converter os Panetones pra CMYK (referência: Pantone é um sistema de cores, como CMYK e RGB, que às vezes dá problema nas gráficas...).

Loo - Cê conseguiu sacanear aquela textura? (referência: scanear é o conhecido processo de passar imagens para o computador.)
Leão - sacaneeei, mas depois, quando eu abri no Pataxó, não ficou como eu queria... (referência: novamente, o Photoshop.)

[Me faz lembrar dos dialetos italianos...]

quinta-feira, novembro 09, 2006

Não combinei nada para o meu aniversário. Apesar de serem 25 anos e eu ter essa coisa por números exatos e significativos desse tipo, não combinei nada. Cansei de ter essa expectativa de que meus amigos apareceriam em peso na balada, coisa utópica que nunca aconteceu e sempre me frustrou. Chega uma hora em que insistência vira burrice mesmo...

No entanto, uma amiga que faz aniversário um dia antes resolveu fazer uma "Pool Party" na casa dela, bem no meu dia. Ótimo: como a festa não é minha mesmo, a frustração vai ser menor.

Daí hoje eu estava saindo da agência para almoçar e lembrei da maldição do meu aniversário. A desculpa que uma razoável parcela dos amigos usa pra não comparecer aos meus aniversários é de que a chuva os impediu. Porque é quase um axioma: aniversário do Leão = dia de chuva.

Resta saber qual das punchlines vai agradar mais ao Murphy: chover na pool party ou me dar um de raríssimos aniversários ensolarados justo quando eu não combino nada...


[Ai, como esse blog tá ficando deprê...]

quarta-feira, novembro 08, 2006

Fora esse lapso, a vida vai bem e eu estou tentando não pensar nesse assunto.
A reclamação está ficando velha, batida, monótona, eu sei...
Mas cada vez que cometo o acidente consciente de procurar saber daquele casal, isto ou aquilo me dói. Mas são dores importantes, que eu estou aprendendo a conhecer e esmiuçar, em vez de fazer como todo mundo e simplesmente dizer que dói. Eu preciso disso. Dizem que a lótus mais bela nasce na lama mais fétida.
Desta vez, foi por ele, não por ela. Como escrevi antes, eu queria encontrar um rapaz vil, desprezível, menos do que eu. E encontrei um cara legal, muito mais digno dela. Desta vez, encontrei um rapaz que escreve linhas maravilhosas, que ainda não sei julgar se melhores ou piores do que as minhas sobre ela, porque são diferentes e eu já estou viciado demais nos meus modismos literários pra compreender seus valores. Ele escreve sobre as cores como eu escrevi quando nos apaixonamos no colégio. O azul e o fogo. Ele usa palavras que eu não pensei em usar, como eu usei palavras que outros jamais usariam.
Mas principalmente, ele escreve apaixonado. Um jeito que eu não saberia ser com ela hoje em dia. Perdido em algum lugar, em alguma cama alheia, entre longas pernas estrangeiras. E na verdade, o que percebo e compreendo é que me faz mais falta o amor que eu tive por ela do que ela mesma. Me faz mais falta poder chamar de minha uma musa antes inatingível do que aquela garota. Mas como me faz falta! E como eu queria poder ter de novo isso! Escrever sobre aquela pessoa que é o mundo e mais um pouco. Escrever tendo símbolos tão fortes como o fogo dos cabelos ou o idioma e cultura estrangeiros. Dizer dela, que ela é o fogo com o qual são acesas todas as velas e que queimou Roma na paixão de Nero. Ou mencionar frases perfeitas sussurradas em uma língua desconhecida e macia.

Eu queria ser como ele de novo.

[E poupem-me os consolos de que "um dia serei novamente, quando menos esperar", porque eles também estão ficando velhos, batidos e monótonos...]

terça-feira, novembro 07, 2006

27ª BIENAL DE SÃO PAULO COMO VER JUNTO

Topam?

27ª BIENAL DE SÃO PAULO COMO   VER   JUNTO

Alice 25

For milaya moya...

Going home, Alice and the Turtle got lost in the Limbo of Perfect Summer, where a faun named Dorogaya charmed the Turtle with gentle foreign lyrics

"Going home, Alice and the Turtle got lost in the Limbo of Perfect Summer, where a faun named Dorogaya charmed the Turtle with gentle foreign lyrics"
"Voltando, Alice e a Tartaruga perderam-se no Limbo do Verão Perfeito, onde um fauno chamado Dorogaya encantou a Tartaruga com suaves cantos estrangeiros"


P.S.: A certain someone would hate the fact that I used real photos to draw this one. It's a good thing she doesn't read these pages anymore.

domingo, novembro 05, 2006

Foi só eu falar que lá vou eu fazer o contrário...

Resolvi passar este feriado em casa, imerso em tintas. Rodeado por chapas de acrílico onde estava pintando as aventuras de Alice na procura pela Cidade de Origem, reformando a "Letting the Cables Sleep" e limpando o díptico "Nada por mim", todas possibilidades para a exposição de Dezembro na Casa da Xiclet.

Me senti bem estando de volta à pintura.
Não, a verdade é um pouco mais complexa. Eu me senti bem por ter um foco de novo. Por resolver que, durante estes quatro dias, eu não ia mais pensar nos afazeres do trabalho, em criar coragem para a monografia, em resolver esta ou aquela pendência. Eu ia pintar. E apenas pintar. Dane-se o resto, dane-se a vida social, dane-se a tarde ensolarada: não iria me sentir culpado. Eu ia sair dos quatro dias com algo produzido e finalizado. Me senti muito bem por ter um foco de novo. Porque o problema da falta de foco é tentar abarcar tudo que todos dizem que eu deveria estar aproveitando, e no fim não aproveitar nada. Não concluir nada. Pretendo levar a vida assim de agora em diante, cada coisa com seu tempo, mas cada coisa com minha atenção completa e indivisível.
Mas também senti outras coisas. Senti o quão despreparado eu estava para pintar. Depois de anos sem me dedicar diretamente a essas coisas, sem fazer nada mais complexo do que as Alices, percebi que agora eu tinha medo. Eu levava boa parte de umas três horas pra finalmente sentar e efetivamente começar uma pintura. Parte era preguiça, mas eu percebi que acima de tudo, era medo. Hesitação, pudor. O medo que hoje eu não tenho de mexer com imagens no computador. Poderia ter feito duas ou três Alices no Photohop, no mesmo tempo que levei pra pintar uma em chapas de acrílico.
Não é um medo paralisante, inviabilizante. É um medo perfeitamente transponível, mas que requer sua dose diária de custo emocional™ (expressão trade mark da Nana) altíssima. Preciso me disciplinar para isso novamente.

Estou terminando o feriado tendo realizado menos do que esperava. Mas ainda assim, é uma sensação muito boa de voltar a fazer o que se gosta, o que me dá orgulho. Uma sensação quase viciante.

Daqui a pouco tem mais Alice no blog. Esta próxima, feita com carinho em homenagem.

sábado, novembro 04, 2006

quinta-feira, novembro 02, 2006

Uma ponta do Laço de Alice

Trabalho em uma agencinha pequena. Fica em uma casa tão comum, que se não soubesse de antemão que havia uma agência lá, passaria reto. É uma casinha gostosa, decorada naquele estilo clean de agência de publicidade. Trabalho em uma sala dos fundos, tão pequena que só cabemos eu, a Loo, as máquinas e uma mesa de luz. Uma janela dá para um pátio interno meio claustrófilo, mas muito aconchegante.

De tão pequena que é a casa, ouve-se muita coisa acontecer e eu experimento pela primeira vez na vida uma sensação de awareness em relação ao emprego que não tive nos outros. No meio da retocagem de uma foto, ouço pedaços de uma conversa do Mr. President com um cliente, dizendo que a galera do estúdio (eu) conseguiu resolver aquele logotipo complicado, ou que eles aprovaram justo aquele layout que eu não gostei. Quando a notícia chega até mim, eu finjo que não sabia, mas já comentei com a Loo e ela sorri de canto da boca. Não se trata daquela coisa mal-educada que, em inglês, chamam de eavesdropping: é que não tem como não ouvir em um lugar tão pequeno e decorado com superfícies que não absorvem som.
Porém o mais cômico é ver que meus ouvidos já foram treinados pra isolar no burburinho o som das teclas de telefone. Porque mesmo sendo pequena, a agência tem um ramal para cada um (apesar de que, se eles levantarem o tom de voz, eu já escuto...). E assim que ouço a garota do atendimento digitar três números, minha mão já está sobre o aparelho, esperando o toque. Parece vidência.

Ontem descobri que a garota do atendimento fala italiano. Pouco, visto que aprendeu sozinha e não tem com quem praticar. Mas nos divertimos com isso. Garota com um jeito misturado entre o sério e o divertido, ela vive cantarolando por aí. Tem uma voz boa e já disse ter trabalhado com música antes. Soube, assim como quem não quer nada, que ela também tem seu vício por karaokê. Mas antes que vocês pensem demais nas semelhanças, ela tem seu rapaz e não faz muito meu tipo.

Vou pra casa de ônibus, lendo um livro que já está quase no fim, sobre um daqueles garotos que causou um massacre na escola. Os cobradores no ônibus são sempre os mesmos, na ida e na volta. Já estou ficando íntimo.
No caminho para casa, frequentemente me pego com aquela sensação de ter ficado para trás. Tantos amigos meus que já têm empregos (empregos, não estágios...) fixos nessa área e ganham relativamente bem. Fosse eu, já teria até saído da casa dos pais. Eles avançaram para a próxima fase da vida e eu ainda estou aqui. Meu instinto competitivo de Bandeirantes não me deixa ignorar esse fato. Me acalmo sabendo que estou aqui porque no ano passado tive um emprego desses. Ou seja, estou invertendo, fazendo agora o que eu devia ter feito lá. Mais importante: estou aprendendo. Muito mais do que aprendi no outro emprego, porque pulei a parte de estagiar, e isso é fantástico.
Essa inversão tem seu paralelo cômico com o modo como eu estou ouvindo Placebo, Goldfrapp e Lacuna Coil; estou usando delineador preto quando saio para as baladas e vestindo minhas roupas esquisitas. São coisas que eu devia ter feito aos dezoito, quando estava mais preocupado em parecer adulto, escutando Mahler, Satie e MPB e vestindo roupas comportadas que não me caiam bem, tentando pular essa fase adolescente.