segunda-feira, outubro 10, 2011

Melancholia

[Post cheio de spoilers - se você não assistiu o filme, não leia]

Lars von Trier tem aos poucos se tornado um dos meus diretores favoritos. Pelo lado técnico, ele tem a proeza do Gerhard Richter na pintura, de transitar por diversos níveis técnicos com igual competência, de produções minimalistas como Dogvile e a sequência Manderlay, para exuberâncias visuais e técnicas como Antichrist e o recente Melancholia. Eu absorvo suas cenas em câmera lenta com o deleite de quem está diante de uma boa pintura, daquelas antigas e grandiosas. Pelo lado do conteúdo, Ele me dá aquela impressão venerável de alguém que já andou por muito mais do lado negro e visceral da vida do que eu, e está tentando me acautelar a respeito.

Melancholia by Lars Von TrierMelancholia é essencialmente, um filme sobre a depressão clínica. E talvez um dos melhores relatos do assunto que eu tenho visto ultimamente. Porque ele não se preocupa apenas em ilustrar a depressão, mas consegue com certo sucesso fazer a ponte para explicar às pessoas "normais" o que é a depressão usando termos que elas entendem. Não sei se posso dizer que é o melhor filme de Von Trier. Com toda a produção minimalista, ainda acho que Dogvile e Manderlay conseguiam ter mais recall. Ainda assim, é um grande filme por tudo que eu consegui entender dele e pelo que ele conquista em termos visuais.

Pra início de conversa, há a paciente deprimida. Justine, (Kirsten Dunst, ainda meu sonho de consumo, mesmo depois da vida real roubar-lhe algo do brilho de antes) está se casando em grande estilo com Michael (Alexander Skarsgard de True Blood) em uma fabulosa mansão. Concordo que, com uma mãe daquelas (Charlotte Rampling) vociferando contra as noções românticas de casamento, qualquer um ficaria triste. Mas o incômodo de Justine é mais do que apenas essa questão pontual.

Para Justine, a vida comum, a sociedade e seus rituais e noções do que é "correto" (perfeitamente expressado pelo adjetivo britânico "proper") parecem não ter a menor relevância. Mais do que isso, causam até um desconforto, são coisas que ela se esforça para aguentar. Todo esse ter que sorrir e esbanjar felicidade e vitalidade, quando tudo que ela quer é ficar em um canto, quieta, ensimesmada. Para ela é sofrer para agradar aos outros e nada disso faz sentido. Lidar com as pessoas é enfadonho, ter que subentender o que elas querem e adaptar-se às situações é maçante. Até esses adjetivos que estou usando não fazem jus ao sentimento (ou a falta dele) de Justine. Parecem adjetivos pertinentes a uma garotinha mimada, e Justine não é isso. Garotinhas mimadas querem driblar o tédio com aventuras, ela só quer ser deixada em paz.

As pessoas em volta dela comportam-se como qualquer família ao redor de um deprimido: fazem tudo errado. Exortam-na a manter as aparências, evitar cenas, sorrir para os convidados. Tudo está bem, pessoas! Somos felizes! Ficam furiosos quando ela não consegue suportar isso tudo e se ausenta, quando desiste de se ater às convenções. Jogam na cara dela o quanto estão gastando no casamento, quanto tempo, dinheiro e paciência. Como se a culpa e o dever de mostrar-se grata pudessem suplantar a depressão. A doença acaba custando-lhe o casamento antes mesmo da noite de núpcias (outra coisa que ela não consegue suportar).

O problema de Justine é um problema de perspectiva: a dela em relação à vida, contra a do resto da humanidade. E aqui está uma das lições do filme sobre a depressão. Justine não tem um desejo ativo e suicida por morrer, como a maioria pensa que os deprimidos têm. Em momento algum do filme ela demonstra isso. Ela preferiria definhar lentamente e em paz a executar qualquer violência dolorosa contra si mesma, e essa é a maior diferença. Mas ela não se importaria se o fim chegasse logo. Mais do que isso, ela gostaria que os outros tivessem mais noção da perspectiva dela. Nem todo deprimido é suicida. Nem todo suicida é deprimido.

Atendendo aos seus anseios, o planeta Melancholia é avistado por astrônomos, vindo em direção à Terra. Com um tamanho várias vezes maior do que o nosso planeta, ele é inicialmente previsto como passando perto da Terra, mas depois revela-se em rota de colisão, inevitavelmente aniquilando-a.

A revelação altera o equilibrio das coisas entre Justine e seus familiares. Antes deprimida e dificilmente aguentando o fardo da sociedade sobre ela, Justine torna-se livre, até por vezes feliz. Capaz de curtir a poesia e transgressão representada pela presença desse enorme planeta crescendo a cada dia, chega a permitir-se o luxo lascivo de banhar-se na luz refletida do planeta para a Terra. Com a vida na Terra extinta (que ela "sabe" ser a única existente no universo), tudo voltará à ordem complacente e banal que deveria ser, sem rituais, "propriety", dinheiro, certo ou errado. Nada mais importa e essa sensação a liberta.

O resto da família tem o colapso considerado "normal". Os mais racionais se suicidam por não aguentarem a inevitabilidade do desastre (um suicídio mais realista do que o clichê do deprimido) e a irmã de Justine, a pragmática Claire (Charlotte Gainsborough, de Antichrist), tenta racionalizar o melhor jeito de passar esses últimos momentos.

Há uma cena que eu achei de uma lucidez deliciosa nessa inversão emocional. Claire pede a Justine que passem o último momento juntas com Leo, filho de Claire. Para que a coisa seja mais suportável para Claire, ela pede que estejam juntos no belíssimo jardim da mansão, tomando vinho, ouvindo música. Um fim digno.

Justine se recusa.

Em todos os anos que ela teve que suportar os rituais e aparências da "normalidade" dos outros, ninguém nunca atenuou as coisas para ela. Agora que eles estão diante da "normalidade" dela, ela também não fará gentilezas irrelevantes. A vantagem está do lado dela e ela deleita-se na vingança.

Em vez disso, ela passa seus últimos momentos construíndo uma "caverna mágica" para seu sobrinho. Há algo de ritual nisso também, dela preparar seu último momento. Mas há uma diferença nesse ritual, similar à diferença nos anseios de morte do deprimido e do suicida. O ritual que ela faz com o sobrinho é uma banalidade de faz-de-conta. Ela faz por prazer, sabendo que não fará a mínima diferença. Aceitar o ritual de Claire seria diferente: seria um inútil "manter as aparências", imposto como se Claire ainda acreditasse que elas importariam para os outros durante o fim do mundo.

quinta-feira, outubro 06, 2011

Gisele and Hopeless Men

Nana comentou recentemente que a Gisele Bundchen tinha aparecido em um comercial da marca de lingerie Hope [1][2][3] que a fez pensar em mim. E eu fiquei muito feliz com essa lembrança suscitada pelo comercial, onde a modelo "ensina" que dar notícias ruins aos homens vestindo lingerie diminui o impacto do problema e a consequente bronca. Fiquei feliz, porque enquanto muita gente comentava sobre o mau gosto do comercial ao supostamente objetificar as mulheres (há controvérsias, já que uma vertente atual do feminismo até enxerga nisso uma espécie de poder feminino), Nana não pode deixar de perceber o quanto o comercial denigria os homens. De fato, eu sempre detestei essa idéia de homens cegados pela mera promessa de sexo, do sexo usado como mecanismo de controle.

Pensando em escrever este post, lembrei de outro comercial que rolou no começo do ano, a tentativa da Bombril de continuar na cabeça do consumidor depois da saída do Carlos Moreno, o garoto Bombril. Nessa nova campanha, a Marisa Orth, Dani Calabresa e Monica Iozzi fazem uma apelo para que "mulheres evoluídas" forcem seus homens retrógrados a ajudarem nos afazeres domésticos.

Apesar das duas campanhas terem esse apelo para a guerra dos sexos, acho que é muito válido ressaltar algumas diferenças cruciais. A campanha da Bombril tem aquele ar de brincadeira com um fundo de verdade. O jeito absurdo e caricato das humoristas não está insinuando que a mulher evoluída trate o homem de fato feito cachorro. Tudo tem um ar de sátira que é muito difícil de levar a sério. No entanto, ela consegue comunicar nas entrelinhas um retrato da utopia atual, onde as mulheres têm liberdade para ter pulso mais firme, e os homens têm a possibilidade de "evoluírem" também e passarem a ser mais presentes na vida doméstica. A idéia é que, na vida real, longe da sátira, ambos os sexos passem a respeitar um ao outro de forma mais igualitária. Quem ataca esse comercial de cara por ser sexista (tá, confesso, eu pensei em fazer isso quando vi...) está perdendo boa parte da mensagem e fazendo uma leitura simplista da coisa.

O comercial da Hope é outra coisa e esse eu não tenho receio em criticar. Ele procura ser mais uma espécie de verdade em tom de brincadeira. A Gisele é uma das chamadas figuras aspiracionais, aquela que algumas mulheres querem ser. Sendo assim, ela é muito mais passível de seduzir (não no sentido sexual) a espectadora a agir de fato desse jeito, a usar o que o comercial chama de "charme da mulher brasileira" pra subjugar o homem. Como eu mencionei antes, há quem ache que o uso consciente desse dito poder feminino é uma forma de feminismo atual, enquanto que outras pessoas criticam o comercial por voltar a objetificar a mulher. No caso do homem insinuado nesse comercial, não há dúvidas: ele é torpe, controlado por sexo e sem esperança de evoluir além disso.

quinta-feira, setembro 29, 2011

A quem se interessar, estou escrevendo sobre os meses passados para documentar esse fim de processo. Vejam lá embaixo entre o fim de Julho e começo de Agosto porque eu vou ir colocando relatos sobre o turbulento mês de Julho por lá.

E em breve, vídeos da montagem da exposição final!

quinta-feira, setembro 22, 2011

Amargas lições finais

As notas saíram hoje.
A maioria das pessoas dizia não se importar, mas no momento em que recebia o envelope, hesitava ao abrir, sentindo o coração disparar. Era afinal o resultado de um ano inteiro.
As minhas reações foram diferentes. Eu também dizia não me importar. E continuei não me importando, enquanto recebia e abria o envelope. Lá estava o veredito: "PASS".

Eu passei. Que bom.

Mas essa frieza toda foi mudando quando continuei lendo os documentos. Havia três qualificações possíveis: "PASS", "MERIT" e "DISTINCTION", sendo a última a mais alta. Eu havia passado simplesmente. Meu coração ficou pequeno.
A verdade é que todo mundo passa. Até aquela aluna que deu as caras na faculdade um punhado de vezes e fez um trabalho pífio na exposição final passou. Mas eu achava que tinha feito tudo certo dessa vez, que tinha gerado influência com minha participação no catálogo da turma, tinha demonstrado crescimento pessoal no tanto que a minha mentalidade e até aparência mudaram ao longo do ano, tinha mostrado serviço fazendo peças que chamaram atenção na exposição final e tinha desenvolvido uma pesquisa acadêmica sólida com referências atuais.
Mais do que isso, eu achei que tivesse feito toda a política necessária. Nem tive tempo de comentar aqui, mas na semana antes da exposição final abrir, estive entre os quatro finalistas do prêmio GAM, um conceituado prêmio dado os alunos que demonstraram maior desenvolvimento durante o ano. Tenho consciência de que essa indicação veio devido ao bom relacionamento que cultivei com Brian Chalkley, nosso líder do curso, que escoltou os juízes do prêmio pela faculdade e com certeza teve grande influência na escolha do ganhador (que no final das contas, não fui eu...).
Eu achava que depois de tudo isso, eu merecia ao menos o "MERIT"...

Na carreira de artes, passar com um "PASS" ou mesmo o "DISTINCTION" não quer dizer muita coisa para efeitos de carreira. Não é algo que faça muita diferença no currículo e há até uma lei em Londres que proíbe empregadores de investigar notas, podendo apenas saber se o potencial empregado passou ou não no curso que ele diz ter feito. Mas já faz tempo que a minha questão aqui deixou de ser uma questão de carreira. Esse "PASS" é uma coisa pessoal pra mim. Fez com que eu me sentisse rebaixado pessoalmente. Insuficiente.

Como sempre, eu não pude evitar as comparações. Soube de três alunos que ganharam "DISTINCTION". Todos britânicos. Todos fazendo um tipo de arte sem ideologia prática, um fazer pelo fazer. Eu até gostei de um deles, pelo humor. Mas a questão é que deu pra entender o padrão. E deu pra entender como eu estava fora dele.
Soube ainda da colega da República Tcheca que ganhou o GAM. E de rumores de que esses prêmios eram frequentemente dados a alunos do leste europeu por algum motivo. Rumor corroborado pela colega polonesa que tinha ganhado o prêmio de escultura da CASS Arts no ano passado.

No fim das contas, quais foram as lições finais aqui? Eu aprendi o tipo de arte que é levada a sério, e que é bem diferente do tipo de coisa que eu faço. No entanto, se eu adaptasse minha arte pra ser adequada a isso, eu seria considerado falso, vendido, prostituído. Eu aprendi que toda a política de que eu sou capaz me leva longe, mas não até o fim. Para ir até o fim e ganhar prêmios, oportunidades de carreira e etc, eu precisaria ter o tipo de arte levada a sério, aquela que eu não tenho. Aprendi ainda que muita coisa depende de variáveis sobre as quais eu não tenho o menor controle ou escolha (como ser do leste europeu, por exemplo).

Eu termino o ano em Chelsea sem ganhar nenhum prêmio, sem ser aceito em nenhuma exposição com curadoria, sem ter vendido nada e com um "PASS". Sinto que paguei por um diploma e nada mais.
Não foi um ano inútil. Eu descobri muito sobre mim e a masculinidade que eu herdei da cultura brasileira, fiz trabalhos dos quais eu gostei muito e que muita gente veio elogiar. Mas eu sempre sobro com essa sensação de que eu sou ótimo para entreter meus amigos e familiares (não me entendam mal, eles são tudo pra mim), mas insuficiente para qualquer instituição de arte. E só isso não faz carreira.

Tenho pensado no futuro, na volta para o meu país, com igual pessimismo. Eu também não sou ninguém lá, não estou fazendo a arte que tá na moda por lá e sei menos ainda de como fazer a política necessária para a carreira naquele contexto. Há uma parte de mim que quer simplesmente não ter que se importar mais com isso, aposentar a arte como carreira e resolver o resto da vida com a carreira de idiomas que tem me respeitado e recompensado mais. Outra parte quer dar um tempo nas artes e tentar a literatura por um ano. E uma terceira parte quer experimentar fazer esse outro tipo de arte que é levada a sério, embora EU não consiga levá-la a sério...

quarta-feira, setembro 21, 2011

London Odds and Ends

Eu sei, eu prometi novidades por aqui, mas até agora nada... Uma mistura de necessidade física de horas de sono, oportunidades de tirar o atraso da minha conta bancária com traduções e textos sobre assuntos delicados que eu ainda preciso redigir direito me fizeram atrasar o que já está insuportavelmente atrasado. Mas eu tô chegando... Calma!

Enquanto isso, mais alguns odds and ends sobre Londres e os ingleses.

• Um colega do País de Gales, que já esteve na minha terra, comentou outro dia que eu me vestia como um verdadeiro brasileiro. Como assim? "Tênis preto com meia branca", ele respondeu. Super normal, certo? Mas foi aí que percebi que os ingleses usavam meias de uma miríade de cores, mas o branco era realmente meio raro. Se ele não tivesse comentado, não teria percebido...

• Esse mesmo colega comentou sobre a comida brasileira, iguarías como a coxinha e o brigadeiro (er... peraí, tem algo errado...). Mas acima de tudo, ele comentou maravilhado sobre as churrascarias. Eu tinha falado por aqui da coisa meio estranha para os Europeus de comer algo tão pesado como arroz e feijão todos os dias. Mas não tinha me dado conta da coisa esquisita que deve ser pra eles a churrascaria. Um monte de garçom desfilando com uns nacos de carne enormes por aí e oferecendo pra todas as mesas! Eles estão acostumados a se concentrarem em um tipo de carne por refeição, a prestar atenção no preparo, no tempero, na apresentação. Esse lance de comer um pouco de cada tipo confunde eles demais...

• E o outro assunto que fez muita gente levantar as sobrancelhas por aqui: eles até agora não entendem como é que o governo pode OBRIGAR todo mundo a votar. "Isso acaba com o propósito da democracia", eu ouvi de um deles. De fato, vira uma obrigação quase ditatorial. Eu nunca cheguei a perguntar como a coisa rola na Ásia, mas entre América do Norte e Europa, todo mundo continua achando isso um absurdo.

sexta-feira, setembro 09, 2011

Endgame - the Final Show

Our final show closed to the public yesterday. It was a success for the critics, but a marketing failure. I didn`t mind. I have become clearly aware that my work here turned into more of a personal journey than the career strategy it started out as.

Setting up the final show, I believe, was the final and most revealing experience. I chose two pieces for it: the Male Varnish video and an instalation for the college’s parade ground that would be a gigantic version of one of my phallics done back in November.

I chose Male Varnish mostly because of eveyone’s opinions. Most people considered it the best video I had, the best performance. I agreed. It was brave, but also sent a somewhat clear message. It had been executed apropriately, with good equipment and editing. I wanted to project the video onto my wall space, but couldn’t find a projector and settled for a screen. This posed a problem, because I was quite afraid of having that screen stolen throughout the show. So I decided to build an extension of the wall with the screen built in. I also wanted to write some of the things about my teenage traumas that I had been exploring in text on the wall.
It was a wonderful, organic experience. It changed as I progressed. I became very interested in the manliness of the carpentry required for the task, in the haphazard results of someone who had never done that before (and wasn’t sure how to be a carpenter or a man). I was also interested in the fact that the timbers I was using for structure had belonged to a student who exhibited last year in the same space I was exhibiting now. As a result, the boring text-ladden wall I first had in mind was cut in places to reveal the structure behind it and the text was scrapped, giving way to a shinny, high gloss surface that mimicked the gloss of nail varnish, establishing another connection to the video displayed on the built-in screen. I even added tiny buttons on the wall that went right through to push the buttons on the screen.

The other piece, which I adequately named Big Phallic, was a ten meter high fabric banner that would hang from one of the towers in one of the buildings. Straight away, it put me through very feminine issues of selecting fabric, learning how to use a sewing machine to prepare it, sewing parts by hand and just keeping all that fabric neat and clean. But other parts were very masculine. The two days spent elbow-deep in acetone to transfer the image of a gigantic fountain pen onto the fabric, the phallic nature of the challenge of doing something so big and the complex rope system that would keep the piece in place were all things that I contemplated as very nice conflations with the feminine side.
It wasn’t all easy. once tied to the building, the fabric piece acted as a sail, billowing up with the wind and harnessing tremendous pulling power. It was so strong, that on a particular day, it lifted two metal railings tied to its base to keep it down. They flew some two meters into the air and almost smashed nearby windows before being contained by college staff. I reviewed my roping system and things wend smoothly after that. It was actually quite fun to see a system like that working.

There was a third piece that was only visible in the opening night. I was wearing it. It was a skirt designed in collaboration with costume designer Anastasios Kleisias. It mimicked the same fabrics as my shirt, vest and velvet jacket I was wearing on top. Despite it being a skirt, we had managed a certain might to it. I felt powerful parading around the college in it. Closer to that stereotype of the vampire.

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Nossa exposição final fechou para o público ontem. Foi um sucesso de crítica, mas um fracasso de mercado. Não me importei. Tornei-me muito ciente de que meu trabalho por aqui virou mais uma jornada pessoal do que a estratégia de carreira que era no começo.

Montar a exposição final, acredito, foi a última e mais reveladora experiência. Eu escolhi duas obras para isso: o vídeo Male Varnish e uma instalação para o pátio da faculdade que seria uma versão gigantesca de um dos meus phallics feitos em Novembro.

Eu escolhi o Male Varnish principalmente por causa das opiniões da turma. A maioria considerou-o o melhor vídeo que eu tenho, a melhor performance. Concordo. Ela é corajosa, mas também tem uma mensagem clara. Ela foi executada direito, com bom equipamento e edição de vídeo. Eu quis projetar o vídeo na parede do meu espaço, mas não consegui encontrar um projetor e me contentei com uma tela. Isto gerou um problema, porque eu tinha receio de que ela fosse roubada no meio da exposição. Então eu decidi montar uma extensão da parede com a tela embutida. Eu também queria escrever algumas das coisas sobre traumas adolescentes que eu tinha explorado em texto na parede.
Foi uma experiência maravilhosa e bem orgânica. Ela mudou à medida que avançou. Fiquei muito interessado no caráter masculino da carpintaria necessária para a obra, nos resultados toscos de alguém que nunca havia feito isso antes (e não tinha muita certeza de como ser um carpinteiro ou um homem adulto). Também me interessei pelo fato dis sarrafos que eu estava usando para a estrutura terem pertencido a um estudante que expôs no ano passado no mesmo espaço em que eu estava expondo neste ano. Como resultado, a parede maçante e cheia de texto que eu tinha em mente no começo teve alguns pedaços cortados para revelar a estrutura atrás dela e desisti do texto, que deu lugar a uma superfície brilhante que imitava o brilho do esmalte de unha, estabelecendo outra conexão com o vídeo mostrado na tela embutida. Eu até consegui fazer uns pequenos botões na parede que atravessavam até o outro lado para controlar os botões da tela.

A outra obra, que eu adequadamente chamei de Big Phallic, era um banner em tecido de dez metros de altura que ficaria pendurado de uma das torres em um dos prédios. Logo no começo, ele me fez passar por práticas bem femininas de selecionar tecido, aprender a usar a máquina de costura para prepará-lo, costurar partes à mão e manter tudo aquilo organizado e limpo. Mas outras partes eram bem masculinas. Os dois dias passados em acetona até os cotovelos para transferir a imagem da gigantesca caneta tinteiro para o tecido, a natureza fálica do desafio de fazer algo tão grande e o complexo sistema de cordas que prenderia a obra no lugar eram todas coisas que eu contemplei como belos encontros com o lado feminino.
Nem tudo foi fácil. Uma vez amarrado ao prédio, o tecido agia como uma vela, inflando com o vento e acumulando um tremendo poder de tração. Era tão forte, que um dia levantou as duas barreiras de metal amarradas à sua baase para mante-lo esticado no lugar. Elas subiram dois metros no ar e quase quebraram as portas de vidro ao lado, antes de serem contidas pelos funcionários da faculdade. Eu revi o meu sistema de cordas e as coisas correram bem depois disso. Foi até divertido ver todo aquele sistema funcionando.

Havia uma terceira obra que só foi vista na noite da abertura. Eu a estava usando. Era uma saia criada em colaboração com o designer de figurino Anastasios Kleisias. Ela imitava os mesmos tecidos da minha camisa, colete e palitó de veludo que eu estava usando. Apesar de ser uma saia, conseguimos dar-lhe um certo poder. Eu me sentia imponente trajando aquilo pela faculdade. Mais próximo do estereótipo do vampiro.

quarta-feira, agosto 17, 2011

Carpinteiro de unhas feitas.

Achei importante separar um tempo para documentar isso por aqui, ainda que rapidamente.

Resolvi que a parte principal do meu trabalho na exposição final vai ser a versão finalizada do Male Varnish (essa do link foi apenas um estudo e não coloco a versão final online porque possívies compradores na exposição final iriam querer algo com tiragem limitada e exclusividade...). Na versão final, antes de pintar as unhas, eu as lixo em uma lixadeira da oficina de madeira da faculdade e ainda uso um polidor para polir e remover resíduos antes de pintar.
Resolvii ainda construir uma parede extra no meu espaço da exposição, para colocar a tela do vídeo embutida na parede e poder ainda escrever e desenhar na parede também. Tenho passado os dias em uma febril atividade de carpintaria, construíndo a parede.

Flashback para o fim de semana anterior.
Visitei Allyson, um maquiador brasileiro que se apresenta como drag queen por aqui. Ally, como ele se apelida, foi a principal entrevista da minha dissertação (substituíndo o não-cooperativo Lady Lloyd), confirmando como segunda opinião várias das minhas visões da sociedade brasileira referentes à masculinidade. Conversamos muito e resolvi fazer um dos vídeos de entrevista com ele, como aquele em que Neba corta o meu cabelo e barba. A primeira visita era para combinarmos direito o que íamos fazer e arranjar uma data.
Conversa vai, conversa vem. Ele me falava das interpretações errôneas e diferenças entre cross-dressers, drag queens e afins. Eu explicava a exposição final, os meus vídeos e a liberdade que eu sentia em uma cultura diferente da brasileira.

Mas quando expliquei sobre a parede que eu ia ter que construir esta semana, ele olhou de canto de olho para minhas unhas que já haviam voltado a crescer depois do vídeo (e que eu planejava ter confortavelmente longas para a abertura da exposição, fazendo a ligação com o vídeo em si). Sem conseguir se conter, Allyson pediu permissão e começou a fazer minhas unhas. Lixando, cortando... Com gestos de quem já faz isso há anos, arranjou um pequeno vidrinho de base para unhas e começou a passar. Disse que aquilo iria proteger as minhas unhas durante a atividade dessa semana, evitando que quebrassem.
Passei o domingo admirando o estranho brilho que elas tinham, e o quase imperceptível aumento de peso. Extremidades cuidadas e singelas em mãos peludas de homem. Era algo estranho, mas curioso, interessante. Me lembrava trechos dos livros de Anne Rice onde Lestat (ou Louis) descrevia suas unhas como tendo um brilho estranho depois que ele foi transformado em vampiro.

Enquanto escrevo aqui (as unhas já voltando a clicar nas teclas, indicando que já ficaram grandes demais), percebo que a proteção da base já descascou em vários lugares, revelando a superfície fosca da unha verdadeira. Era de se esperar: passei dois dias levantando madeiras, arrancando pregos, escalando andaimes, usando uma miríade de ferramentas. Não me importei. A base estava aí para isso mesmo, para receber o castigo destinado às unhas. Para dar lugar a esse aspecto de algo que era cuidado e perfeito, mas foi devidamente usado. Me interessei muito pelo contraste masculino/feminino desses eventos. Pela coisa meio cômica, meio bonita, de ser esse carpinteiro (machão...) de unhas feitas. Aprendi que é desse tipo de estranheza que eu devo me inspirar para falar do Masculismo no meu trabalho.

segunda-feira, agosto 08, 2011

Panic on the Streets of London

Postando para acalmar os nervos da turma de casa.

Vocês já devem ter ouvido das ondas de violência aqui em Londres. Elas vêm acontecendo desde sábado, quando aparentemente um rapaz negro de 29 anos foi (acidentalmente?) morto pela polícia no bairo pobre de Tottenham. A turma do bairro exigiu satisfações da polícia, que abriu um inquérito. Mas a coisa demorou demais e os moradores do bairro, impacientes, irromperam em violência contra o preconeito da polícia.

Lembra daquela turma que transformou o primeiro protesto contra os cortes do governo em uma invasão à sede do partido conservador? Não os estudantes, mas sim os "protestantes profissionais" misturados no meio deles? Então, assim que a violência em Tottenham começou, esses daí começaram a organizar a baderna em outros bairros, através de mídias sociais e Blackberrys. Suponho que eles até disseram que queriam protestar contra o preconceito também. Acredito que na verdade só queriam uma baderna mesmo. Chances para saquear lojas e incendiar algumas coisas, porque é legal. Como resultado, rompantes de destruição atingiram Brixton no domingo, Hackney, Islington e Peckham na segunda. Bairros aparentemente desconexos, em diversar regiões de Londres, que só tinham em comum o fato de serem bairros pobres. Emily, minha ex-colega de apê, comentou no Facebook: "o que tem pra roubar em Peckham, extensão capilar?" referindo-se à profusão de cabeleireiros africanos do bairro vizinho ao que nós moramos por dez meses.

Quanto a mim, não se preocupem. Eu estou muito bem até agora. Inocente, fui comprar material em Brixton hoje de manhã. Encontrei o bairro todo isolado por fitas policiais, que tomavam um quarteirão a mais a cada vinte minutos. A sensação era de ter chegado no dia seguinte a uma senhora balada...
Em Vauxhall, onde estou morando agora, tudo continua tranquilo. Ouço as sirenes passando sem parar na rua. Mas duvido que eles venham aqui incendiar baladas gays e espancar drag queens.

Depois que ouvi casos de violência em Birmingham também, me peguei cantarolando o começo da música dos Smiths hoje à noite:

Panic on the streets of London
Panic on the streets of Birmingham
I wonder to myself
Could life ever be sane again ?

quinta-feira, agosto 04, 2011

Texto do catálogo

Achei relevante fazer uma curta nota disso por aqui.

Saíndo da faculdade hoje, minha colega irlandesa Fiona comentou: "Sabe o seu texto do catálogo (cada um de nós enviou um pequeno texto sobre nosso projeto em Chelsea este ano)? Eu achei esse texto brilhante! Você mudou muito o seu jeito de falar sobre o seu trabalho, está perfeito."
Claro, ela refere-se a esse texto em comparação a como eu me apresentei no começo do curso. Esse comentário fez o meu dia!

Abaixo, o texto do catálogo traduzido:

"Eu sou um homem branco ocidental heterossexual. Mas eu não sou o Patriarcado. Meu trabalho em video-performance, literatura e pintura tenta fazer a crônica de uma procura por um modo alternativo de existência que não me aliene do meu corpo e minhas emoções como condição para a masculinidade. É um caminho que deve ser percorrido cuidadosamente, ou corro o risco de ser compreendido como um crítico contra o Feminismo e suas importantes conquistas ou um partidário de masculinidades essencialistas e ultrapassadas. Meu trabalho nunca foi sobre isso. Em vez disso, ele lida com minha experiência pessoal de masculinidade brasileira, na esperança de que outros se identifiquem com minhas questões e compartilhem suas próprias 'mazelas de meninice [boyhood]'.

Eu ainda acho que os homens não nomearam e lidaram com suas 'mazelas de meninice' da mesma forma que o feminismo deu às mulheres jeitos de nomear algumas das tragédias da nossa 'adultice' na sociedade sexista. - Bell Hooks"

quarta-feira, agosto 03, 2011

Existere

O cartaz era daquelas coisas que você só vê em faculdade de artes: "Procura-se 90 participantes nus para performance". Logo pensei no Spencer Tunick, uma experiência da qual eu sempre quis participar e nunca consegui. Ele até foi à minha cidade, mas essa foi outra daquelas tantas coisas que eu perdi quando estava jogando minha vida fora nas agências de publicidade.

O premiado trio de artistas JocJonJosh, composto pelo inglês Joc Marchington, o suiço Jonathan Brantschen e Joschi Herczeg da Eslováquia, era conhecido por instalações e performances que usavam o corpo humano (nem sempre nu) em composições que variam do simples até aquelas em que não se entende onde um corpo acaba e o outro começa.
Para este projeto, chamado Existere, a idéia era criar um empilhado de cerca de 60 a 70 corpos no espaço Testbed 1 em Battersea. Seria uma estrutura que lembrava uma casa cilíndrica, e que os artistas tinham pensado em produzir como resposta aos desastres no Japão, Austrália e Nova Zelândia, lembrando que não foram só casas que foram destruídas, mas vidas também.

A idéia era simples. A execução, nem tanto...
Eramos diversos voluntários de vários lugares da Inglaterra, e a coordenação para que todos viessem aos ensaios ficou a cargo de Jevgenija Ravcova, conhecida como Eugenie, que manteve todo mundo comunicado por e-mails. Os ensaios duraram um mês e foram coordenados pelo trio de artistas e a coreografa Hedva Eltanani. E havia muita coreografia nisso tudo. Desde o aquecimento rigoroso, a entrada dos voluntários, por entre a pequena platéia (diversas sessões foram organizadas para que a platéia sempre fosse em número menor do que os participantes), a montagem e a desmontagem da estrutura, em perfeito mutismo. Havia toda uma lógica desenvolvida durante meses de como cada corpo sustentaria o peso dos outros. E um profissionalismo excelente no trato com pessoas que estariam expondo sua nudez.

Havia gente de todos os jeitos. Senhores cinquentões enormes da classe trabalhadora inglesa, estudantes de arte de países diversos como eu, nudistas, modelos de arte (uma que eu já desenhara na faculdade), profissionais de dança, adeptos de ioga, negros, brancos, asiáticos, homens, mulheres, jovens, velhos, casais, pais e filhos (filhos adultos...). Em comum, todos eles tinham ótima aceitação de seus corpos (embora quase ninguém tivesse aquele corpo perfeito) e um desprezo pelas noções comuns de pudor. Aceitavam que se pudesse estar nu fora de um contexto sexual, embora alguns nunca o tivessem experimentado.
Uma coisa que percebi no entanto era que quase nenhum deles era muito peludo. Como se o biotipo europeu suprimisse isso (ou talvez eles lidassem com isso de alguma forma). Eu estava no auge da minha experimentação disso (um mês depois que Neba raspara minha cabeça e barba e ainda mantendo a calvície diariamente...) e por sorte havia removido boa parte dos meus pelos, podendo me passar por um deles sem problemas.

A cômica dignidade com a qual todo mundo se despiu no primeiro dia foi talvez o único momento de desconforto. Quando nos juntamos no primeiro ensaio para formar pela primeira vez a estrutura, já sabíamos o suficiente da coreografia para que a nudez não incomodasse, tendo ensaiado partes dela com roupas. Havia uma sensação de que as coisas estavam indo ao contrário: de que nos víamos pelados para depois nos conhecermos melhor. Mas isso funcionava muito bem, evitando aquele efeito da acquainted nudity, o pudor de ver uma pessoa conhecida nua.

Depois da última apresentação no dia 23 de Julho, fomos todos ao pub local. Tendo completado o projeto, a coisa toda perdia sua seriedade e nos permitíamos rir dos pequenos detalhes. Rimos imaginando os mortos e feridos do que teria acontecido se, naquele momento solene em que a estrutura está montada e ficamos inertes e calados por dois minutos, alguém peidasse... E fizemos chacota do único rapaz encabulado que não conseguiu evitar uma ereção no desmontar da estrutura.

Foi uma experiência maravilhosa. De aceitação do corpo, de compreensão do pudor, de arquitetura (!?).

terça-feira, agosto 02, 2011

Eu tinha prometido um texto por dia....
Mas entre internet falhando, sacanagens de última hora do catálogo, gente despejando trabalho alheio no meu colo, preparativos para a exposição final e pura e simples exaustão, eu acho que vou ter que esticar essa meta.

Segura aí um pouco que já já eu estou de volta...

sábado, julho 30, 2011

Dissertação de dia, balada de noite

O professor Cussans insistia que a minha dissertação não tinha uma pergunta acadêmica adequada. O que eu sempre detestei da academia era a problematização até das coisas mais simples. Eu já tinha apresentado três possíveis questões acadêmicas a serem desenvolvidas na minha dissertação e todas tinham problemas. "O que é o homem contemporâneo?" A pergunta já saia por terra na primeira referência pesquisada, que me revelou que, na era pós-moderna, qualquer conceito (como "homem", por exemplo) é fluido e maleável, incapaz de ser definido e dependente de uma miríade de conceitos que o rodeiam. "A prática de artistas masculinos adotarem alter egos femininos ainda se mantém relevante após as mudanças propostas pelo Feminismo?" Legal, mas eu teria que especificar o que é relevância e para quem a prática ainda é relevante. "Existe uma suposta ligação entre hábitos (práticas) e orientação sexual?" Bom, eu ainda teria que especificar quem faz a suposição e quais hábitos são esses em questão.

No começo de Julho, eu finalmente cheguei a uma questão aceitável. Eu ia pesquisar as áreas de Vauxhall e Soho, notoriamente conhecidas como redutos LGBT onde as delimitações entre os sexos (genders) eram mais imprecisas, atrás de exemplos de preconceito sistêmico (não partido da opinião de indivíduos) contra o sexo masculino.
A pesquisa juntou detalhes que eu percebera de canto de olho durante o ano inteiro e outras coisas que eu pensara logo no começo. Acabei pesquisando o exército por aqui. O serviço militar inglês é opcional (ao contrátio da nossa dita democracia livre americana) e aberto a ambos os sexos. No entanto, determinadas unidades, como as de infantaria, são apenas masculinas. Em uma curta sessão de bate-papo online com representantes do exército, perguntei a respeito dessas unidades. Um deles respondeu:

Embora o exército reconheça a capacidade de muitas mulheres em apresentar os requisitos necessários, o exército questiona o impacto de ter equipes mistas e como isso afetaria a sua coesão em combates de curta distância.

A resposta bem elaborada mostrava que o assunto já tinha sido discutido. E pra dizer a verdade, eu via o sentido em não criar unidades com ambos os sexos. No entanto, por que não criar unidades masculinas e femininas separadas? Por que só homens? Esse raciocínio perigava ser duplamente sexista: considerando mulheres inadequadas para esse tipo de combate por limitações físicas, ou considerando homens mais descartáveis e adequados para unidades com muitas baixas.
Outro assunto que eu pesquisei foram as escolas primárias inglêsas. Depois da entrevista com um colega do curso que fora professor primário, passei a me interessar pelo medo britânico do professor pedófilo. Apesar de ter encontrado casos noticiados de mulheres (grupos delas até) envolvidas em casos de abuso infantil, o maior medo ainda era em relação aos homens. As escolas das áreas pesquisadas mantinham um corpo docente com uma média de 10% a 15% de professores homens. Obviamente, nenhuma escola quis comentar a respeito.

Quando a noite caía nesses bairros, eu aproveitava para ir às baladas locais. Além do Escape, que eu já frequentava pelo karaokê e para tentar arranjar entrevistas com as drags e crossdressers, eu passei algumas noites na Royal Vauxhall Tavern, que apresentava artistas da chamada queer culture (a palavra "queer" normalmente tem conotações de homossexualismo, mas aqui é usada para qualquer prática sexual que desvie da dita "normalidade"). E aqui eu preciso admitir abertamente: descobri um novo e fascinante mundo.

Estamos entrando em águas perigosamente pessoais e controversas... Segurem-se.

Demorei muito a escrever sobre isso porque percebi ao longo dessa minha experiência o quanto muito disso aqui era diferente da experiência que eu tinha do meu país. E o quanto a fama do Brasil de país sexualizado onde tudo era permitido por causa do Carnaval esbarrava em uma realidade católica conservadora que voltava a reprimir tudo na Quarta-feira de cinzas. Que via todo queer como "viado" (no sentido mais pejorativo da palavra) e que pintava o Brasil como um país retrógrado em comparação com os "frios e tediosos" ingleses. Demorei a escrever, porque ainda não conseguia prever as reações de gente que lê estas páginas (que desde alguns relacionamentos passados passaram a ser escritas com mais zelo pelos sentimentos dos outros...). Mas também porque eu não conseguia definir onde eu me colocava nisso, e isso causava certa confusão que me impedia de escrever. O meu processo todo no
mestrado me fizera rever traumas de infância que tinham colocado em questão a minha orientação sexual e experiências adolescentes que confirmaram minha heterossexualidade em meio a tantas outras questões emocionais complicadas. Mas eu continuava discordando da masculinidade brasileira que eu experimentei. Achava-a entediante, mentirosa e muito, muito conservadora. Além disso, percebi que eu fora ensinado a ter vergonha da minha criatividade sexual, a considerar todos os desvios do padrão católico conservador como "perversão", algo a ser reprimido ou contado em voz baixa e embaraçada.

Mas então havia Londres. Onde o coordenador do curso de mestrado de uma faculdade de renome apresentava-se como drag sem medo de ser feliz. Onde projetos como o Torture Garden organizavam festas de fetiche comentadas em artigos nos jornais gratúitos do metrô como qualquer balada normal. Onde as práticas de BDSM ("Bondage, Domination, Sadism, Masochism") eram vistas como opções de uma vida sexual sadia e criativa, tão naturais quanto preferir ruivas a morenas. Onde apresentadoras burlescas tinha um certo status decadente de celebridades.
Aqui, longe de tudo e de todos que me conheciam antes, eu passei a me permitir mais. Passei a ir nas apresentações burlescas em Vauxhall, nas festas fetichistas em Brixton, nos bares drags de Soho. Quer saber? Estar nesses lugares fez saltar aos olhos o quanto as baladas na minha cidade eram uma mentira. As discotecas comuns eram palco de um jogo de aparência na cultura brasileira, onde eu tinha a impressão de que todo mundo dizia estar lá pra "dançar, beber e se divertir", mas estava lá de fato para pegar alguém. Eram lugares de um erotismo velado, onde as roupas mantinham a decência mas as atitudes não. Aqui nesses lugares de Londres ao menos a coisa era menos hipócrita. As pessoas estavam lá pelo erotismo sim, e não escondiam isso.
Embora uma parte de mim ainda tivesse medo desses lugares, pela educação católica que eu recebi , o tanto que eu me sentia à vontade neles me fazia querer ir mais e mais a fundo. O medo era baseado em todas aquelas premissas estúpidas que alimentam a homofobia no meu país: o medo de que me meter com essa gente me tornaria homossexual, o medo de alguém me pegar à força e me forçar a algo que eu não queria, um medo de contaminação. O sentir-me à vontade era baseado em um mar de novidades que eu experimentava em cada lugar: o "não é não" na porta da balada em Brixton que era respeitado como um mandamento religioso, o quão bem eu me sentia nas roupas incomuns que eu podia usar em Vauxhall e o quanto eu parecia atrair a atenção dos rapazes em Soho sem fazer qualquer esforço. Esse último detalhe era curiosíssimo, porque eu sempre invejara a capacidade feminina de simplesmente estar na balada e atraír interessados enquanto que nós homens tínhamos que correr atrás. E embora eu não me interessasse por rapazes, esse interesse deles por mim fazia um bem incomparável à auto-estima, descontadas as reações homofóbicas.

sexta-feira, julho 29, 2011

Moving on to greener pastures

Julho também foi o mês da mudança.
Há uma incoerência no sistema universitário daqui, centrada no fato de que todos os serviços relacionados à faculdade são sincronizados com os cursos de graduação. No entanto, os cursos de pós são o que tem mantido a faculdade longe da falência, motivo pelo qual eles têm cada vez mais alunos (e cada vez uma porcentagem maior de estrangeiros). Um artigo recente no Guardian mencionou que, como forma de sobreviver à época de austeridade promovida pelos cortes de financiamento do governo, Chelsea tem planos de diminuir e eventualmente acabar com seu curso de graduação (que passará a ser ministrado pela faculdade de Camberwell, parte da mesma universidade), passando a concentrar esforços nos cursos de pós e cursos de férias. Para isso, muita coisa terá que mudar. Porque tudo aqui fecha para férias assim que os alunos de graduação se formam. Lojas de material, serviços da faculdade, a biblioteca fecha mais cedo e nada abre mais aos sábados.

A outra coisa que funciona para os alunos de graduação são as acomodações. Meu contrato no apê da compania ligada à faculdade acabou em Junho. Assim de simples, danem-se os mestrandos. Os jovens com os quais eu morei por dez meses foram gradualmente voltando aos seus lugares de origem, a cozinha lentamente ficando limpa e habitável e as noites mais silenciosas. Até que finalmente, chegou a minha vez de sair.
Fiz as malas e rumei para Vauxhall, um bairro logo ao lado da faculdade, conhecido pela vida noturna LGBT. Ia morar com Missi Liu, uma colega chinesa da faculdade. Além dela, também dividiria o apê com Lora, da Bulgária.
A mudança não foi fácil. Três viagens para trazer toda a parafernália, algumas com malas emprestadas de Missi, depois que a minha maior (e mais não-ergonômica) mala quebrou duas rodinhas enquanto eu a puxava do ponto de ônibus para o apê novo (sorry, mom!). Missi foi um amor. Fez questão de me ajudar a subir os quatro andares sem elevador com parte das malas. Aceitou minhas complicações financeiras enquanto a compania do apê anterior fazias os laudos necessários e me devolvia o depósito que eu usaria para pagar o apê novo.
Porém Missi era muito viajadora. E só em Julho deu um pulo em Genebra e depois voltou para a China para resolver problemas familiares. Assim que, nesse primeiro mês, passei boa parte do tempo mais com Lora. Uma bióloga, ela estava participando de pesquisas sobre lupus, uma doença autoimune complicada. Muito simpática, disciplinada e aparentemente tímida, ela no entanto recebia algumas pessoas que passavam a noite com ela, não deixando muito claro qual era o grau de relacionamento dela com esses amigos e amigas. Não que isso me importasse... De manhã, competíamos tacitamente pelo banheiro. Quem acordasse primeiro tomava banho. Depois de um tempo, acabei me dando conta que eu podia chegar meia hora mais tarde na faculdade, mas ela tinha que estar no laboratório em um horário específico, e quando eu pegava o banheiro primeiro ela era forçada a sair sem banho. Passei a dar-lhe primazia.
Outras coisas me deixavam menos certo do quanto estávamos competindo. Ela parecia não se importar com o prato ou copo que eu por vezes deixava na pia depois da janta e lavava tudo, junto com os dela. Chegou até a comentar, quando eu lhe disse para deixar minhas coisas que eu as lavaria depois, que ela não era uma "dish nazi" (algo como nazista de louças) e não se importava com essas delimitações de tarefas tão rigidas com as quais eu tinha me acostumado (e me frustrado) morando com a turma de 18 a 20 anos. Ela ainda tirava o lixo com uma diligência à qual eu não estava acostumado, enquanto Missi varria e aspirava a cozinha. No geral, eu passei a me sentir como o mais bagunceiro e desleixado da turma, percebendo o quanto dos maus hábitos da garotada anterior eu tinha absorvido. Mas eu tinha uma desculpa (ou pelo menos me dizia isso) no catálogo e na dissertação da faculdade. Eu era desleixado porque não tinha tempo!

Outras rotinas externas mudaram. O supermercado mais próximo era um Sainsbury's, que vendia carne mais caro do que o Morrisons ao qual eu me acostumara. Então continuei peregrinando até Camberwell todo fim de semana para fazer supermercado. Mas não era só por isso: alguns dos meus projetos de fotografia não ligados à faculdade estavam acontecendo lá. Fotos sobre as quatro estações que eu tirava todos os dias e agora passava a só poder tirar nos finais de semana. Além disso, alguns dos meus colegas do mestrado moravam perto de Camberwell, e estávamos passando a nos encontrar fora da faculdade com mais frequência.

De volta ao apê, meu quarto era levemente maior do que o anterior. Uma janela bastante grande dava uma vista para a estação de metrô de Vauxhall e o prédio do MI5 ao fundo. A janela, com uma cortina de palha que até hoje não aprendi a operar, estava acima do nível dos prédios vizinhos. O que significava que eu podia ter aquela deliciosa sensação exibicionista de andar pelo quarto pelado com a janela aberta, sem que ninguém pudesse me ver (a menos que um tarado no prédio do MI5 tivesse uma luneta...).
Eu ganhei um armário de pano e armação de alumínio que parecia prestes a cair com o peso das roupas, três cactos na janela, um sofá e uma mesa baixa. Sem mesa para trabalhar... Ignorei o fato quando estava procurando lugar pra ficar, mas logo na primeira tradução que recebi, minhas costas pediram arrego. Rapidamente tratei de montar uma mesinha na oficina de madeira da faculdade, que eu pudesse sentar no sofá e colocar no colo com o computador. Era uma coisa tosca, feita às pressas e com pernas dobráveis, mas servia seu propósito. Depois de um tempo, coloquei até buracos para facilitar a ventilação do meu computador, que estava aquecendo e desligando quando eu renderizava vídeos. No geral, o quarto tinha um ar até meio sensual, mediterrâneo. Não sei explicar. É algo que distoava de Londres de uma forma muito interessante. Tinha o desleixo de casa de praia. A porta não tinha tranca (mas tinha um adorno de penas na maçaneta...) e as paredes eram mais grossas em cima do que na base, criando um ângulo esquisito.

Mas apesar das peculiaridades, era um lar. A localização era uma delícia, a dez minutos de caminhada da faculdade. Podia voltar para almoçar (e pegar as várias coisas que eu esqueço...). Porém o mais interessante de Vauxhall era a vida noturna e os personagens caricatos da comunidade LGBT.

Mas isso fica para próximos posts...

quinta-feira, julho 28, 2011

O acidente de Brian, a consequente onda de destruição e o catálogo

Na faculdade, o efeito dominó começou quando Brian, nosso líder do curso, teve um acidente de bicicleta logo após a minha avaliação com ele e Dawn Mellor. Quebrou um braço e teve algum problema na bacia. Demorou duas semanas para voltar à faculdade, de muleta e sob o efeito de analgésicos. Durante esse tempo, o curso caminhou como uma daquelas galinhas que continuam correndo depois de terem a cabeça cortada. As avaliações dos outros alunos foram mal feitas por professores substitutos chamados de última hora, as notas tiveram que esperar até que Brian voltasse e a visita de um avaliador externo, parte importantíssima dessas avaliações, nunca aconteceu.

Esse período de caos evidenciou uma das maiores falhas da faculdade, que todos nós já tínhamos observado: o curso inteiro estava nas costas de Brian, um senhor de uma certa idade que voltava para casa de bicicleta no meio de Londres todos os dias.

O incidente teve um impacto enorme na moral da turma. Os que já tinham suas práticas estabelecidas, continuaram produzindo. Mas a maioria (eu incluso), tendo sido colocada nesse estado de experimentação hard core que o mestrado promove, perdeu completamente o rumo até nosso líder de curso voltar.

Da minha parte, eu acabei me concentrando em algumas coisas paralelas à arte, mas principalmente na procura por patrocínio para o catálogo final da turma. Uma tarefa cuja chefia a essa altura eu estava dividindo com Sonke, um artista plástico alemão. Devo a ele muitas das sacadas que sequer teriam me ocorrido ou que eu não teria coragem de levar a cabo. Ele peitou muita gente dentro da faculdade para conseguir alguma ajuda, organizou partes da minha gestão que estavam meio caóticas por pura inépcia minha e levantou a moral do resto do grupo do catálogo. Com a ajuda das garotas da turma de design, chefiadas pela brasileira Joana, o catálogo começava a parecer novamente como uma coisa possível. Ambiciosa pra caramba, mas possível. Autoridades da faculdade diriam nas reuniões, que a qualidade do catálogo era muito superior a muita coisa que eles tiveram nos anos anteriores. E isso, devo a Joana, que venceu a competição de design que montamos, e mostrou por A + B que o preço exorbitante desse design podia ser diminuido e negociado com os fornecedores até custar quase o mesmo que o horrendo catálogo do ano passado. Designer profissional é outra coisa...

No entanto, Julho foi um mês de frustrações nessa área. Todos os nossos possíveis patrocinadores negaram ajuda. E mesmo a faculdade, para surpresa do grupo, não estava disposta a pagar um centavo para um projeto que ela nos incitou a fazer e que claramente serviria para promovê-la.
Essa posição da faculdade complicou ainda mais as coisas quando chegou aos ouvidos da turma geral de artes plásticas. Quando comunicamos que os alunos teriam que contribuir com algum dinheiro para o catálogo, os mais idealistas (artista plástico idealista é quase um pleonasmo...) se negaram a pagar por algo que a faculdade devia prover. Muito bem, concordo plenamente. Mas esse dinheiro teria que vir de algum lugar, e se eles não pagassem, não haveria catálogo. O pior de tudo é que, com a turma do design trabalhando no catálogo em si e Sonke correndo atrás de possibilidades dentro da faculdade, a responsabilidade pelo patrocínio externo ficou inteira na minha mão. E eu nunca soube mendigar...

Voltando ao assunto inicial do acidente de Brian, no meio do mês, os alunos altamente descontentes (e os mais idealistas) se juntaram para protestar. A tensão estava tão palpável, que Brian sacou que algo estava acontecendo, só não sabia o que era. Nos reunimos no Banqueting Hall, um salão nobre que, apesar de muito menor, tinha a solenidade do salão principal de Hogwarts (HAHAHAHAHA). Com nosso manual do curso, procuramos especificamente tudo o que tinha sido prometido pela faculdade quando nos inscrevemos e que não foi entregue. A visita do avaliador externo foi só o começo. A idéia era exigir um encontro com o reitor da faculdade e exigir uma compensação pelas falhas. Falou-se muito em exigir financiamento para o catálogo.
Entre a reunião no Banqueting Hall e o encontro com o reitor, o leilão de cartões postais aconteceu. O evento acontecia todos os anos, para levantar dinheiro para o catálogo e a exposição final. Com cartões (na verdade, vale qualquer coisa que tenha o tamanho de um postal) feitos pelos alunos e doados por ex-alunos famosos, o evento geralmente levantava uma boa grana e era uma noite divertida de frivolidade. Pessoalmente, meu cartão tinha sido talvez a única obra que eu tinha feito até aquele ponto de Julho. Uma mistura de carpintaria (masculina) e costura (feminina), o cartão tinha um enorme artigo “THE” no meio, que em inglês não especifica sexo, diferente do que acontece nas línguas latinas. Sob o título de “Articulated Conflation” (algo como “Fusão Articulada”) , a peça foi vendida para uma coreana por vinte libras.
Mas infelizmente, e para aumentar as frustrações do mês, o leilão arrecadou metade do que tínhamos previsto, aumentando a pressão na turma do catálogo para arranjar dinheiro. Nesse ponto, eu voltei para casa depois do leilão com a certeza de que o catálogo já era. Eu tinha gasto uma boa porção do meu tempo e concentração em um projeto faraônico que, apesar de lindo, não ia sair do PDF. Já estava pensando na redação do e-mail para a turma me desculpando e explicando que estávamos cancelando o projeto.

E foi aí que uma daquelas reviravoltas emocionantes aconteceu.

Na sexta passada, o bando descontente com o curso se reuniu com o reitor para reclamar sobre os eventos recentes. Ele, muito diplomático e político nato, aceitou o que era inevitável (que o examinador externo nunca veio, que Brian e John Cussans estavam trabalhando em suas áreas com um contingente muito maior do que podiam lidar e sem ajuda alguma e que o acidente de Brian foi remediado da pior maneira possível) e montou um pequeno show de desculpa, dizendo que não sabia do que estava acontecendo (né, companheiro Lula?). Como compensação, iria reabrir a faculdade aos sábados, uma regalia que havia acabado depois que os alunos de graduação se formaram (pra vocês verem como tudo aqui gira em torno da graduação, mas isso fica para o próximo post). Além disso, iria falar com o diretor da universidade da qual Chelsea fazia parte para ver se podia nos dar algum financiamento para o catálogo!
O dinheiro veio em menos de uma semana. Uma fração do que precisávamos, mas já era o suficiente para diminuir a quantidade que os alunos teriam que pagar, tornando-a tão modesta, que mesmo os idealistas aceitaram pagar. Neste ponto, não era mais uma questão apenas do dinheiro. Nós tínhamos feito um catálogo muito melhor do que os anteriores, para uma das mais numerosas turmas da história da faculdade (o que complicava o processo e aumentava o preço), e conseguiramos reduzir o preço para que os alunos pagassem metade do que os do ano passado tinham pagado. Claro, idealmente, a faculdade devia pagar por isso e os alunos deveriam ter o catálogo de graça. Mas depois de todo esse esforço e dedicação da equipe do catálogo, e com um resultado tão incrível, mesmo os idealistas achavam que seria um desperdício negar isso por causa de ideologia. E claro, termos colocado uma simulação do catálogo em exposição na biblioteca também seduziu alguns dos indecisos.

Enquanto escrevo isso, os últimos alunos estão pagando suas partes. Cada e-mail que recebo avisando sobre pagamentos vem com notas de agradecimento dos alunos pelo esforço da equipe. Acho que jamais senti esse carinho e respeito, esse agradecimento por um trabalho bem feito. É mais do que um "você fez um bom trabalho", é um "você se importou com o coletivo". E é uma delícia.

Em assuntos relacionados, a visibilidade que ganhei como gerenciador do grupo do catálogo me rendeu algumas regalias na faculdade. Pude atrasar datas de entrega de projetos e ter a atenção dos tutores por mais tempo ou fora dos horários oficiais. Afinal, eu tinha gasto tanto tempo com um projeto em prol da faculdade, que eles respeitavam a dedicação de fazer isso e ainda levar a cabo um mestrado. Eu já ficava maravilhado com o fato de todo mundo saber quem era o Pedro e dos tutores me tratarem como mais do que um mero aluno, uma notoriedade que eu nunca experimentara.

Seria ótimo se isso também revertesse em perspectivas de carreira...

segunda-feira, julho 25, 2011

Julho

Nossa, já faz quase um mês que eu não escrevo!
Não é a toa que o pessoal anda perguntando se eu ainda estou vivo...

Como resumir Julho?
Uma forma de resumir tudo seria dizer que o curso desandou, mas que eu continuei crescendo imensamente. Tanto que me pergunto se consigo comunicar aqui o rápido transformar acontecido nessas semanas.

Pensando nisso, s vocês parcos leitores aguentarem, proponho um intensivão de posts daqueles. Um post por dia, sobre todos os diversos e complexos assuntos que aconteceram na minha estadia na terra da Rainha em Julho.

Visitem diariamente. Aposto que vai ser melhor do que a novela.