terça-feira, setembro 28, 2010

Interlúdio poético

Assistindo As Horas novamente, por acaso.
A sobrinha de Virginia Woolf olha para o pássaro morto:
-"O que acontece quando morremos?"-
Virginia pausa.
-"Nós voltamos para o lugar de onde viemos"-
-"Eu não lembro de onde eu vim"-
-"Nem eu"- [dito aqui na suculenta escolha de palavras britânicas: "Nor I"]
-"Ela parece menor..."-
-"Sim, essa é uma das coisas que acontecem"-
-"...mas muito em paz"-

Lembranças da primeira vez que vi um velório: o de meu primo, relatado aqui mesmo no blog.
E de parentes de amigos próximos que se foram recentemente.

Meio eu retem o sentimento religioso e venera aquele corpo como se ainda fosse a pessoa.
Meio eu vê naquilo apenas um corpo, um resto, uma máquina sem o maquinista. A pessoa se foi. Talvez por isso pareçamos menores. A vida talvez tenha matéria. E quando a perdemos, perdemos tamanho, peso, volume e densidade.

Ou quiçá seja uma questão prática: pra que construir caixões maiores se o corpo não precisa mais de espaço? E então o corpo enquadrado naquela moldura apenas dá a impressão de ser menor. Como um daqueles exercícios simples de ilusão de ótica.

sexta-feira, setembro 03, 2010

Pensamentos da véspera

Minha exposição abre amanhã.

Há uma sensação boa no ar em relação a tudo isso. Como se pela primeira vez eu estivesse fazendo as coisas direito, de modo profissional. Com press-release e imagens de divulgação, convites a pessoas influentes e lobby em outras exposições para que as pessoas apareçam. É um lado que nenhum artista gosta de admitir que existe, porque todos gostam de fazer de conta que ser artista plástico é só fazer arte. Mas tem um pouco de política e marketing na coisa toda. Acabo de receber uma ligação de um contato na Veja. E recebi outro e-mail que divulga assuntos relacionados a teatro e cinema citando a exposição. Uma nota também foi colocada no site do espaço onde vou expôr.

O dia hoje foi passado organizando a montagem. Detalhes, detalhes. No meio disso tudo, comecei a perceber coisas gostosas de comentar que acabei esquecendo de escrever por aqui. Outros detalhes. Esqueci de contar como o fundo do quadro da Raposa e as Uvas, onde aparecem meu avô e minha avó, foi feito com vinho de verdade, em uma daquelas cenas bizarras que só artista protagoniza. Esqueci de mencionar que, no verso do Entre Quatro Paredes (com a Cacilda e meus avôs), lê-se a palavra "Estocolmo", porque a tela foi reaproveitada de outra que não chegou a ir pra frente, e que eu comecei na época em que a filha do Sílvio Santos tinha voltado do sequestro proclamando seu amor pelos sequestradores (e que me lembrou um certo artista que eu vi na Casa da Xiclet). E também esqueci de comentar que em uma ou outra tela, pode-se ver bem fraco o meu emblema do leão, que tinha sido gravado em stencil no verso de algumas das telas como uma espécie de assinatura, até que percebi que a tinta atravessava a tela e interferia no quadro da Mary Stuart, com a Cleyde Yáconis. Óbiamente parei com essa brincadeira. Finalmente, não mencionei por aqui que o fundo do Chá e Simpatia foi decidido três dias antes da abertura da exposição, e executado com sobras de material de transferência do Entre Quatro Paredes.
A rigor, nada disso importa a quem vai ver a exposição. Mas eu sou louco por pequenos detalhes. Eles fazem parte da vivência desse ano que se passou na compania destes atores e personagens. E tem muitos deles escondidos nos cantos das telas de amanhã.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Aproveitando o ensejo, vi ontem na MTV um quadro humorístico onde o Marcelo Adnet cantava uma paródia do "Samba de uma nota só".

Em 1:44
Eis aqui esta cidade, onde o trânsito da nó
Outos carros vão entrar, e só vai ficar pior
Esse acidente é consequência do que acabo de dizer
O mercado automobilístico é mais importante que você.

quarta-feira, agosto 25, 2010

Eu até cheguei a escrever sobre isso por aqui, mas não achei que fosse de fato possível. Uma nota publicada ontem no Estado comentava uma notícia de um jornal chinês, onde aparentemente um congestionamento de aproximadamente 100 quilômetros ficou travado durante 9 dias. E a previsão era que durasse ainda mais!

segunda-feira, agosto 23, 2010

Exposição "Homenagem"

Exposição HOMENAGEM

" A série de telas aborda a geração teatral que iniciou o teatro profissional em São Paulo nos anos 50, e conta não só com referências a meus avos Sérgio Cardoso e Nydia Lícia, mas também a Cacilda Becker, Cleyde Yáconis e Maria Della Costa, entre outros. Também fazem parte da exposição programas e textos originais da época em que as peças foram encenadas."

Comecei hoje a divulgar a exposição das telas que iniciei há quase um ano. Sinto que poderá ser a minha primeira exposição com qualidade profissional, tanto nos trabalhos, quanto na organização do evento. Resta saber se conseguirei atrair a atenção desejada e como poderei aproveitar o que vier desta exposição, sendo que pouco menos de uma semana depois dela eu estarei embarcando para Londres.

Meu Deus, como o tempo passa rápido quando estamos no caminho certo!

Enfim, deixo aqui os detalhes:

Exposição HOMENAGEM
De 4 a 18 de Setembro (segunda a sexta, das 10h às 18h30 e sábados das 10h às 14h)
Abertura dia 4 de Setembro, das 11h às 16h
Espaço Augôsto Augusta
Rua Augusta 2161
Fones: (11) 3082-1830
www.augosto.com.br

quinta-feira, agosto 12, 2010

Gênios, mestres e diluidores

Sessão no Dudi ontem, depois das férias.

Ele mencionou uma definição do poeta americano Ezra Pound, que dizia que há três tipos de artistas (ele se referia a poetas, mas suponho que sirva para artistas em geral): os gênios que criam novas propostas, os mestres que não criam nada novo, mas atingem a mais perfeita execução das propostas dos anteriores, e os diluidores que se prestam apenas a espalhar as boas novas por aí, sem criar nada nem atingir a virtuose.

A discussão estava interessante. Tinha começado com uma pergunta minha que sempre causa uma certa polêmica: se ele conhecia algum artista atualmente que estivesse preocupado em entrar para os livros de história. A pergunta, melhor explicada, é na verdade se alguém está interessado em fazer mais do que apenas vender obras. Se alguém está interessado em de fato propor o próximo passo evolutivo na arte. Ou seja, em ser um gênio poundiano.

Não que vender obras seja um pecado a ser combatido. É algo necessário e eu já passei da fase idealista da faculdade de demonizar as galerias. Mas a arte precisa ser isso e muito mais.

Dudi riu, disse que talvez um ou outro da geração dele tivesse essa preocupação em ser eterno. Demorou-se em seguida em monólogos sobre como isso não pode ser planejado. Não se planeja em determinado dia e hora revolucionar séculos de arte. Simplesmente acontece. O que podemos fazer é viver de forma plena. E terminou por dizer que aspirar ao status de gênio desse jeito era uma espécie de megalomania, prepotência (não usou esses termos, porque ele é educado...).

Certo. Eu no entanto acredito que, embora saiba que sou nada, posso aspirar à grandeza. E o primeiro passo para se aspirar à grandeza seria claro deixar de lado as obviedades artísticas. Dentro do raciocínio todo, não se chega ao gênio artístico poundiano fazendo retratos ilustrativos a óleo sobre tela, por exemplo. Isso já foi feito há séculos e de forma muito melhor. Isso só o torna mais um diluidor.

Há um problema na humildade de achar que aspirar ao gênio é a prepotência. E o problema é que, para não parecermos prepotentes, para sermos mais "realistas", acabamos não tentando. O que me incomoda na minha geração de artistas (e confesso que em mim mesmo) é que não vejo ninguém tentando. Vejo muita gente contente em diluir, às vezes trilhando o caminho para virarem mestres. Mas aspirantes a gênios, não sei... Quando questionados sobre isso, todos riem vagamente incomodados, dizem que isso não é importante. Como não é importante!?

Para concluir o raciocínio, me pego observando o que tenho produzido, mesmo as coisas mais recentes deste ano que me deram tanta satisfação, e só vejo obras de mais um diluidor. Materiais triviais, composições triviais, assuntos talvez um pouco menos triviais. Onde está a trilha de raciocínio e inspiração que pode me levar ao gênio?

terça-feira, agosto 03, 2010

Dos benefícios de falhar

E há um ano, eu saí da minha (espero) última agência de publicidade. O ano que passou me tratou muito bem. A despeito do conselho que sempre recebo de não falar destas coisas por aqui, Julho foi o mês mais rentável desde que saí. E apesar disso, continuo trabalhando quase a metade do tempo que eu passava na agência e passando o resto do dia entretido na carreira de arte.
Muita coisa me passa pela cabeça quando penso no rumo que tomei há um ano.
Pra começar, lembro de duas coisas que assisti recentemente. A primeira é do ótimo filme Up in the Air, com o George Clooney e a bela Vera Farmiga (embora a Anna Kendrick faça mais o meu tipo...). Trata-se de uma linha de diálogo que ele, como uma espécie de auditor de empresas, fala sempre que demite um funcionário: Todo mundo que construiu um império ou mudou o mundo já esteve na sua situação. E foi por estar nela que eles conseguiram.
A segunda coisa foi o bem humorado discurso que a escritora do Harry Potter, a inglesa J. K. Rowling, deu para a turma de formandos de Harvard em 2008.



Nesta primeira parte de seu discurso, ela menciona os benefícios de falhar. Parece estranho falar disso para formandos de Harvard, que provavelmente não têm muita intimidade com o termo. Mas ela escolhe esse assunto porque, sete anos depois de se formar, Rowling se viu como mãe divorciada, desempregada e "tão pobre quanto se pode ser na Inglaterra moderna sem estar morando na rua". Ela percebeu-se como o maior exemplo de falha que ela conhecia. No entanto, a autora reconhece que esse falhar inicial, esse fundo do poço (em inglês conhecido como "rock bottom" - a base de pedra dura) tornou-se a fundação sólida para começar de novo. Mais do que isso, ela reconhece que falhar em uma escala tão épica significou libertar-se de uma série de idiossincrasias e megalomanias inúteis e poder focar no que de fato importava.

Eu não trabalhei em empresas multinacionais para ser demitido de um dia para o outro por um auditor inescrupuloso e nem acredito que escreverei o maior sucesso da literatura infanto-juvenil da minha época, mas guardadas as devidas proposções, essas duas coisas são espelhos da minha realidade. Eu também falhei miseravelmente na carreira para a qual eu havia estudado. Não posso dizer que decepcionei meus pais, pois eles são do tipo ao qual só importa minha felicidade, seja ela em uma multinacional ou vendendo sapatos... Mas decepcionei a mim mesmo. Eu, que tinha essa idéia de que seria um homem de negócios com certo poder, como meu pai, tinha falhado em tamanha magnitude, que não tinha sequer dinheiro para os simples prazeres da vida.
Então veio o "rock bottom". Fui promovido com um aumento de salário pífio, que nem chegava aos pés do que eu deveria estar ganhando quando entrei na empresa. E só fui promovido pela falta de outra opção dentro da agência, não pelo reconhecimento do meu trabalho. Joguei a toalha, saí da publicidade jurando só voltar se alguém me pagasse o que eu merecia (coisa que, obviamente, nunca aconteceu). E comecei a dar aulas de inglês. Se eu pudesse voltar no tempo e dar um conselho a mim mesmo aos 18 anos, ele seria: "trabalhe com o seu inglês". Eu não percebia o quanto eu adorava idiomas, nem o tamanho do mercado para profissionais dessa área no país. Eu poderia estar ganhando o mesmo que um trainee de multinacional, sem as pesadas horas de trabalho ou as decisões inescruplosas.

Hoje escrevo este post em um chalé nas colinas de São Fransciso Xavier. Um chalé com internet e muitos outros mimos. Lexy dorme ao meu lado e em raras ocasiões a vi tão relaxada e bem. Tiramos uma semana de férias e conseguimos um ótimo negócio nessa pousada. Coisa que só é possível, aliás, porque meus horários de trabalho são tão flexíveis que posso me adaptar às férias dela sem problemas. Para quem tinha falhado tão incrivelmente há um ano, pareço ter virado o jogo de forma maestral.

Mas percebo também que parte da inspiração para esta virada veio dela, da Lexy. Ela é de uma família simples, com um pai economista que a ensinou a economizar e controlar gastos. Foi uma habilidade importante de aprender neste ano que passou. Além disso, ela sempre soube que bater a cabeça para conseguir o que todo mundo vê como símbolo de sucesso e status só vai te dar uma enxaqueca daquelas. Em São Paulo, há sempre muitos outros competidores maiores e mais fortes do que você. Então o sucesso não está nos empregos, lugares e baladas que todo mundo quer, mas nas alternativas. Sabendo procurar (e ela sabe...), há delícias simples e baratas aos montes por aí.

quinta-feira, julho 15, 2010

Dia do Homem

Há um ano, eu postava aqui alguns parágrafos falando sobre o Dia do Homem celebrado nesta data em nosso país, diferente do dia considerado pela ONU, UNESCO e etc (19 de Novembro). Ainda não tive paciência para procurar exatamente o porquê desta diferença, mas como vivo por aqui e alguém sempre me lembra da data local, adotei-a para comemorar no blog.

E comemoro-a fazendo um apanhado de momentos do blog mesmo, do que foi a discussão masculista por aqui neste ano que se passou:
• Comecei com Sophie Calle e o estereótipo do homem canalha que termina o namoro com a mulher inocente [1]
• Depois considerei o caminho a trilhar como um artista discutindo o assunto [1][2]
• Conheci as matérias do Ivan Martins graças à Nana quando ele escreveu sobre homens que dizem não quando não querem sexo sem serem diminuídos por isso [1]
• Experimentei novas (e antes desprezadas) mídias para divulgar minhas idéias [1]
• Considerei a velha questão da faculdade entre arte feminina e masculina [1]
• Voltei a comentar do sexismo invertido presente nas propagandas de hoje [1]
• Falei de pais e mestres, a ausência deles e dos meus atuais, aproveitando pra dar um exemplo de um pai formidável [1]
• Brevemente revi o Clube da Luta sob a ótica do Masculismo [1]
• Além de rever também alguns clássicos esquecidos [1]
• Fiz considerações bizarras sobre gestação [1]
• E terminei por comentar sobre a nova geração de pais, muito mais presente na vida dos filhos [1][2]

Espero ter muito mais coisas interessantes para mostrar no próximo ano, depois de um mestrado inteiro dedicado ao assunto.

quinta-feira, julho 08, 2010

Árvore da felicidade

Escrevo apenas pra deixar uma nota para me lembrar disso no futuro.

Nos dias mais quentes e abafados, normalmente quando estou saíndo do ateliê no final da tarde, a entrada da casa da minha avó fica perfumada com um aroma muito característico e que eu aprecio imensamente. Essa frente da casa é abarrotada de vasos de flores dos mais variados tipos. Invejo a capacidade de minha avó de ter um jardim aparentemente sem muito esforço.
O perfume em questão não é exatamente de uma flor. Está lá mesmo quando tudo está verde e sem nenhuma flor. Gastei muito tempo seguindo meu parco sentido do olfato até descobrir de onde vinha aquilo. Afinal, não dá pra perguntar para minha avó, porque cheiro não é algo possível de ser descrito a menos que você saiba de onde vem ("cheiro de grama cortada", "cheiro de maçã verde", etc.)
Enfim, meses de seguir o meu nariz me levaram até a planta em questão, em um vaso médio logo ao lado da porta. O vaso tinha duas plantas crescendo juntas nele. Vovó diz que ambas são consideradas árvores da felicidade. Mas só a "fêmea" exala o perfume que eu tanto gosto nos fins de tarde. Na Wikipedia, ela aparece com o nome científico de Polyscias fruticosa [1][2], enquanto a planta "macho", que não me interessa muito, aparece como Polyscias guilfoylei.

Quero que minha casa também tenha esse perfume...

terça-feira, junho 29, 2010

Licença-paternidade sueca

Saiu outra matéria no New York Times comentando sobre pais que cuidam do filhos. Desta vez, a matéria escrita por Katrin Bennhold comentava sobre a licença paternidade concedida aos homens na Suécia. Licenças relacionadas ao nascimento de bebês no país garantem a ambos os pais um total de 13 meses de dispensa paga, dentre os quais os homens podem tirar até dois meses para permanecer com o filhote enquanto a mãe trabalha e folga nos outros 11. Aliás, "podem tirar" é o termo incorreto: a pressão social dita que eles devem tirar esse tempo para cuidar dos filhos. Homens que descartam o benefício e continuam a trabalhar são vistos com muito maus olhos tanto pela sociedade como pela empresa, embora não haja sanções previstas a quem o faça.

A medida está tendo resultados benéficos por lá. Os salários das mulheres estão se igualando aos dos homens, já que elas não são vistas como as únicas que podem ficar um tempo afastadas da empresa por causa dos filhos, e o número de divórcios diminuiu depois que pais passaram a cuidar dos afazeres domésticos nesse período sabático.
O vice-premiê sueco, que introdduziu um primeiro mês de licença-paternidade em 1995, comentou que "muitos homens não querem mais ser identificados apenas por seus empregos", algo que está virando uma tendência entre homens da minha geração.

Aqui no país, infelizmente, a realidade ainda é a de sempre. Meu primo Renato, que recentemente virou pai e inaugurou a nova geração da família de minha mãe, trabalha com sistemas de informática. Desde o mês passado, quando seu filho nasceu, tirou pouco menos de duas semanas para passar com o filho. Descontadas de suas férias. Mas convenhamos, não dá pra esperar essas medidas vanguardistas em modorrentas carreiras empresariais nacionais por enquanto. Ainda é tudo muito conservador e eles só enxergam a lógica do tempo de serviço, e não o lado emocional do empregado.

Mas quem sabe um dia...
Não tenho certeza quanto ao âmbito médico do pós-parto para a mulher, quanto tempo ela precisa para se recuperar e poder voltar ao trabalho e etc. Mas exceto por qualquer eventual detalhe desse tipo, ainda espero ver uma licença-paternidade em igual proporção à concedida às mães. Quem sabe assim as próximas gerações voltem a ter homens com alguma referência do que é masculino.

terça-feira, junho 22, 2010

Curar-se da arte

Em 2007, defendi minha monografia de graduação onde eu postulava que a arte era qualquer ato estético que não tivesse finalidade prática. A minha crença era de que era possível sim definir logicamente a arte e tirá-la desse âmbito dos assuntos místicos e sem inefáveis.
Um dos membros da banca, o professor Carlos Fajardo, praticamente deu uma aula durante a banca sobre a Brillo Box do Andy Warhol: uma caixa de sabão em pó comum que ganhanva um certo peso como obra de arte pelo simples fato de estar exposta em uma galeria. Apesar do professor concordar com a minha tese, ele defendia ainda que a intenção do artista também tinha peso em definir determinada coisa como arte. Sim, você também pode pregar a sua caixa de Omo na parede e dizer que é arte...

Há algumas semanas, lendo o Arte Conceitual de Paul Wood, soube do trabalho de Robert Morris que, em 1963, vendeu uma obra chamada Litanias a um certo Philip Johnsson, que atrasou o pagamento pela obra. Sabendo da teoria de Donald Judd de que a arte é tudo que o artista diz que é arte, Morris inverteu a estratégia e criou um documento (com firma reconhecida) onde ele escreveu:

O abaixo assinato, Robert Morris, no papel de construtor da estrutura de metal intitulada Litanias, descrita no Objeto Exposto A anexo, por meio desta revoga em relação à referida estrutura qualquer qualidade e conteúdo estéticos e declara que, a partir dessa data, a referida estrutura não tem mais tais qualidades e conteúdo. Datado 15 de Novembro de 1963.

Desta forma, comenta Paul Wood, Morris "inverteu a estratégia dechampiana de conferir um status de arte a objetos originalmente produzidos para outros fins". Ele tirou o status de arte de uma obra.

Há controvérsias. A obra de Morris é tida como conceitual por rir e debochar dessa frase do Donald Judd. Afinal, ao tentar "desvalorizar" artisticamente a sua obra, ele acabou conferindo-lhe ainda mais valor. Poxa, até eu adoraria ter esse documento e a obra em casa.

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Recentemente li na Folha a iniciativa de dois alemães. Benjamin Blanke e Claudia Kapp fundaram uma espécie de centro de desintoxicação de artistas, galeristas e colecionadores em Berlim. Pelo que eu pude compreender, o Hotel Marienbad funcionava de duas formas: primeiro como um centro de desintoxicação (com verdadeiro acompanhamento médico) para profissionais das artes efetivamente viciados em drogas, mas também como um lugar para as pessoas se "desintoxicarem da arte", do frenesi das galerias e o stresso do mercado. Os pacientes do centro passam dez dias internados nele, praticando pintura, escultura e ginástica longe do ambiente pesado e viciante das galerias e do mercado de arte. A idéia é curar estas pessoas do stress, do pensamento estreito do mercado de arte, e reconectá-las com a arte em seu propósito mais puro: o fazer pela diversão e expressão, não para o mercado. Dizem que, curando esses desvios de propósito, a iniciativa já conseguiu prover alívio para críticos alcoólatras, artistas cocainômanos e outros males do espírito associados ao stress da carreira e que só têm um objetivo: produzir e vender mais e MAIS.
Detalhe: nada do que foi feito durante o tratamente deve ser exposto. Óbvio.

A idéia de se "desintoxicar" do mundo da arte me lembra um pouco a iniciativa do Joseph Beuys que, em determinado ponto de sua vida, decidiu simplesmente "deixar de ser artista". Frequentemente me pergunto se isso é possível. Sair de uma existência que gira em torno da atividade criativa, e onde até caixas de sabão em pó podem ser obras de arte, para voltar a uma existência mundana de pagar as contas sem poesia, pegar objetos sempre utilitários, fazer gestos mais eficientes. Francamente, eu não vejo como. A arte me parece uma espécie de doença rara, difícil de contraír, mas sem cura depois de adquirida.

Mas o fato é que eu estou na primeira fase de uma existência em três atos:
1) Você é nada e faz um esforço hercúleo para adquirir a status de artista. Tudo que você quer é ter seu lugar no mercado.
2) Você existe como artista até o corpo e mente não aguentarem mais a pressão do mercado. Então você começa a fazer um esforço ainda maior para "deixar de ser artista".
3) Você existe como uma pessoa simples e trivial, enquanto o seu nome e o seu trabalho existem em um plano mitológico dissociado de você. Os críticos e colecionadores brigam pela sua arte, mas de forma geral, te deixam mais em paz.

Eu ainda estou mendigando a atenção do mercado...

sexta-feira, junho 04, 2010

Dream [nightmare, actually...]

I love dreams about flying. I love the sensation I get of just rising into the air out of my own will.

In this dream, I vaguely remember a launch somewhere. Like a rocket or jet plane launch. But somewhere along the way, I lost the plane and was flying through the air by myself. Above the clouds, in the direction of a tiny pale moon on the horizon. I wasn't actually alone: Lexy was flying with me. We were going east, over the ocean, towards Africa. Angola, to be precise. For some reason, we had decided we were going to get out friend BBK out of the country and bring him home.
On the air, we debated whether we should head to Africa, or if he would be in Europe by then. But from the schedule he had given us, we decided he was still in Angola. We descended slowly, as the sea ended and gave way to a sandy shore. It had dawned by then, as we flew under the cover of some trees and then upward, carefully dodging electrical power cables. Lexy landed on what seemed to be a freeway, and I told her to stay there for a minute while I ascended to get a better view of the landscape from above. I could see small houses everywhere, and a place with tall buildings I decided was the commercial district. 'That's where he is', I thought. I landed next to Lexy, giving my first actual steps on this dream. From here on, we seemed to forget how to fly for the rest of the dream, since we never used the ability again, even when in trouble.
It seemed the freeway was actually the runnway of a small airport. I pointed the way, and we left on foot. She wore shoes, but I was barefooted. And I regreted not bringing any shoes when the asphalt gave way to a dirt road littered with shards of glass. I walked among them, and never once stepped on a shard, but I felt I wasn't walking with ease.
As people began to appear, I remembered BBK telling me that in Africa, we were the racial minority, the one people shunned. I told Lexy to be aware of that, to bare it as well as she could and not to provoke anyone. The people in my dream's Angola weren't exactly black. They were tanned, like the denizens of Caribbean coastal towns. Still, Lexy's fair skin was strikingly different, and people couldn't help but stare at her. I could feel the tension rise as we made our way through the locals. She pretended to speak to me in a foreign language and I told her not to bother: they wouldn't understand Portuguese.
At a point in the road, we came accross a group of young teenagers playing on the street. When a young girl in the group saw us walking with an arm around each other's waist, she came close, put her arm around Lexy's waist and playfully pretended we were a trio instead of a couple. I felt some of that was mockery: she was making fun of the white couple somehow. I whispered to Lexy to play along and not show any sign of discomfort. Until one of the boys, probably a jealous brother or boyfriend, yanked the girl from us and threw her to the ground, grumbling something about how he'd show her what a real man was, as he unbuttoned his pants.
I told Lexy to keep walking and don't look back. But as I glanced over my shoulder, I could see the girl alone back there. The boy had vanished. I gently pushed Lexy away from me and told her to get ready. I bent my legs in an attack stance and waited. He would come. From somewhere.
A second later I saw him, coming from the trees on the side of the road, stark-naked and with a small sharp piece of metal in his fingers. With a quick move, I took him down and disarmed him, but he wouldn't give up. He threw rocks at me and tried to get his cutting tool back. When I could finally hold him down, I started reasoning with him. I could see he didn't want to kill me, but for some cultural reason like honour, he had to. It took much bargaining, pleading to him, telling him to think of the girl and what this would do to their relationship. We spoke in English, but he addressed the girl in a strange form of French I couldn't understand. In the end, he let us go.

As the sun was setting again, we still walked the dirt roads. We came upon a police station on the side of the road and I decided we would be safer with the authorities. Walking at night after what had happened was out of the question.
The officer at the station was a fat, bald, Indian-looking guy with a mustache. He welcomed us in as I asked him in English where the airport was (as if we weren't trying to go to the commercial district anymore). But the combined confusion of his accent, his strangely grave tone of voice and his inability to give coherent directions in English made his answers incomprehensible. We were lost and hopeless.

I decided we would wait for the dawn before walking any further. But Lexy was beginning to get impatient, as she would in these situations. She sat on one of the plastic chairs in the station and told me she was thirsty. As I promptly reached for a glass in the makeshift kitchen the officer had in there and started pouring water from a jug in the corner, he told us he had a last bottle of cold water somewhere. It hit me rather too late, after I had taken a first sip of water, that we were in Africa: rumor had it that non-bottled water there would make you sick. I threw the rest of the water away before Lexy could reach for it, all the while thinking I had drunk from it and would certainly fall ill in a few hours. As the officer gave her what little water he had left, I sat next to her and pressed her against me. How had I dragged her into all this? What was I thinking? I wouldn't mind doing this alone, but bringing her was just too irresponsible.


Waking up was a great relief. I suppose it's one of the best parts of having nightmares: the relief of reality.
Later I would think about the references that brought me this dream. BBK is indeed stationed in Angola for a few months, and we've heard of local unrest out there. The rest of the dream bears such prejudiced notions of what Africa is, that I feel ashamed of myself. Starting with the location of Angola: we were flying closer to Sierra Leone or Guinnea-Bissau. The official language there is Portuguese due to their colonization, and people have a fairly darker skin than Caribbean denizens. As for the racial issues and violence, I have no information about that.

But I suppose, in a way, the dream was actually more about London. Strange, isn't it? As things stand, I will probably land on my beloved city in October 1st, for the one-year MA course. Lexy is making plans to come and visit me in November, during my birthday. And I know I'm mixing into the dream the complete failure that was Tink's visit back in 2006: I had been stressed and disorganized and wasn't able to host her propperly. She had been so scared out there. I somehow feel it put a definitive end to our relationship. The dream shows me I'm affraid it will happen with Lexy as well.
I was actually thinking the night before about useful sentences Lexy could master before going. She does speak English, and faily well, but she lacks confidence to just go ahead and start a conversation with the brits. And one of the things I though of was, if she got lost, she could ask people how to get to the airport and I would meet her there. Sort of like I asked the officer in the dream. It's not a very practical strategy, since the airport is way out of town, and I gave up on that idea, but it remained in the dream.

terça-feira, maio 25, 2010

Da briga das rainhas

Ocorreu-me uma coisa, depois de assistir e ter tempo para digerir o Alice no País das Maravilhas do Tim Burton. Eu tinha ouvido as terríveis críticas contra o filme, que não deixam de ter seu fundamento, já que Burton passou por cima do cerne da história original de Lewis Carroll, que eram as brincadeiras semânticas no idioma inglês. E ele tem cérebro e capacidade de cineasta para fazer algo mais próximo do original, mesmo que esteja contando uma história intrinsecamente diferente com sua Alice (Kingsley, não Liddell como a original).

No entanto, tirando esse grave deslize, o filme funciona muito bem pra mim. Achei os personagens relativamente bem construídos, o visual muito bem elaborado e o roteiro interessante.
Fui vê-lo na sala 3D com sistema IMAX e tenho que admitir que foi o primeiro filme que vi onde o 3D de fato funciona. Mas também é preciso ressaltar que o sistema IMAX perde um pouco a noção do que é o limite inferior da tela e as legendas acabam aparecendo sobre o rosto de quem está falando.

Quanto ao roteiro, muita gente não entende muita coisa e acha que Burton inventou algo completamente diferente da história original. Na verdade, ele se baseia em um poema mencionado casualmente na segunda aventura de Alice (Através do Espelho e o que Alice encontrou lá), sobre o tal monstro Jabberwocky, o Frabjuous Day, o violento Bandersnatch e até o Jubjub bird que rouba os gêmeos Tweedledee e Dweedledum (Ótimos na interpretação do ator Matt Lucas). Aliás, o próprio Chapeleiro interpretado por Johnny Depp recita o início do poema em um tom soturno, enquanto caminha pelos escombros do País das Maravilhas com uma diminuta Alice em seu chapéu. O mesmo poema que o Gato cantarola no desenho original de Walt Disney. Nos livros, não passa de uma menção inócua, uma ponta solta no roteiro de Carroll. Mas Burton faz do poema o mote para esta nova aventura, como se tentasse resolver algo que ficou no ar no original.

O que realmente me deixou interessado foi a batalha final. Li críticas que a desmereceram, dizendo que as poduções estão agora teimando em terminar com batalhas épicas depois do sucesso do Senhor dos Anéis. Mas essa batalha é mais do que isso. Claro, é preciso estar um pouco por dentro da história britânica para perceber, e eu mesmo não teria percebido se não tivesse pintado a Cleyde Yáconis fazendo a rainha Elizabeth em Mary Stuart há alguns meses atrás.
Elizabeth, rainha da Inglaterra, era prima de Mary Stuart, rainha da Escócia. Elizabeth descobriu os planos de Mary Stuart para roubar-lhe o trono, prendeu a prima por décadas e acabou por julgá-la e sentenciá-la a ser decaptada ("Cortem-lhe a cabeça!"). Todos sabem aliás que Elizabeth, uma ruiva, usava muito vermelho e tinha uma cabeça enorme.
A batalha final do filme é uma amálgama disso e muito mais. De um lado, a rainha cabeçuda é ao mesmo tempo Elizabeth, a rainha de copas do primeiro livro de Carroll, baseado em jogos de cartas (daí os soldados em forma de carta e o valete Stayne que sempre a acompanha), e a rainha vermelha do segundo livro, basado em jogos de xadrez. Do outro lado, sua irmã, a rainha branca do segundo livro, que é ao mesmo tempo Mary Stuart. Esta segunda é um pouco mais difícil de reconhecer, e eu mesmo só fui perceber o fato quando seu exército de peças de xadrez se aprontou, tendo à frente o Chapaleiro trajando kilt com uma claymore (enorme espada escocesa), ao lado da Lebre com seu inconfundível sotaque escocês.

Burton no entanto inverte o resultado da história, dando a vitória para Mary Stuart. Ainda não entendi completamente o motivo. Se ele está apenas seguindo o paradigma da Disney, diante do qual a rainha vermelha de copas é a vilã e deve perder; se ele tem alguma predileção pela Escócia ou ódio pela Inglaterra; ou mesmo se o próprio Carroll em algum momento fez essa crítica política em suas histórias (que adoravam criticar a realeza).

segunda-feira, maio 17, 2010

Dream

It's been a while since I've written, I know. As life moves on at an ever more intense pace, nearing my departure for London, I get very little time to write. I also believe, despite being out of the advertising agencies and into the world again, that nothing has happened lately that seemed interesting enough to write. Only things that were interesing enough for me. Details about the English language, random surreal thoughts, plans for the future and frustrations with my painting. That's all I've thought about. Oh, and an obssession with Frank Wedekind's Spring Awakening that has lasted for two whole weeks after I saw it in my grandfather's theater [1][2][3]

However, I did dream something lately that I thought was worth mentioning.
As usual, I cannot remember much of the dream except for the last few minutes of it. I was walking through a city landscape with a young child in hand. We were both looking for something. Although I'm not aware of what it was, I know it was something that fell into a river and was flowing downstream. As a consequence, we were visiting all the sites with rivers in the city, being exposed to much of the putrid water and misery that usually resides in the riverbanks. At some point, we came to a place were the river ran in a very thin stream along a concrete canal. There's a detail though: we walked past the second half of a nuclear submarine that seemed to have run ashore in that canal. In the dream, it seemed to me like something perfectly possible. Tragic, but possible nonetheless, like one of those big oil tankers we might find in beaches, corroded by time and rust. But now that I think about it with my waking mind, I see the incoherence of a nucleear submarine sailing up a shallow stream like that. A little after the tragic sub, we found a place where the stream broadened, and chunks of metal floated still on it. On one of these, we talked to denizens of the riverside, creatures who were half men and half dolls, like living toy art. Half of their faces were stricken with famine and disease. The other half gleamed like plastic with nonchallant geometric shapes. There was the oddness of the occasional plastic duck foot where a human foot should be, but other than that, they seemed to stand tall and somewhat healthy for miserable people. The child went ahead to ask them about whatever it was we were looking for. They said they hadn't seen it, but it should have floated further down the river by then.
My dream ended with the child and I hopping off the piece of metal, as it hit the curb on the side of the river. I say "curb", because by then the river was turning into something similar to a paved street, with the fetid polluted water resembling asphalt in its blackness and thickness. The child told me we should head back.

"The only thing we'll find further down the river is your deeper instinct", he said. As if perhaps that was something we should avoid.

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After I woke up, I struggled not to forget that last scenario of the dream. I knew there was something to that submarine. Later on, while I took my morning bath, I found out what it was. Aside from the strangeness of it being where it was, there was another erotic metaphor to be understood. The phallic shape of the submarine, entering what could only be described as a canal, forcing itself up the canal, where it shouldn't be. I also felt perhaps there was another meaning to be understood in the dream, regarding the fact that I was a grown up, being lead by a child who had more maturity and understanding about what was going on than I did. It related to that idea in Masculist literature about the abscence of the mentor/father figure. But I'm still not sure how to put this in words.

The dream also expresses this veiled fear of mine, that the path of instincts ("your deeper instincts") only leads to (or perhaps leads past) much misery and decadence. And that is why I usually prefer the path of discipline and reason.

There are other hidden meanings in the dream. But those, I believe are best kept to myself. After years of blogging, I've come to learn that there is such a things as being too personal to tell...

quinta-feira, abril 22, 2010

Há algumas semanas, minha Lexy me mostrou um artigo na TPM sobre homens novaiorquinos que cuidavam das crianças enquanto as mulheres iam trabalhar. Achei graça. De fato, até me imaginei sendo um desses pais, já que meu atual trabalho me dá várias horas em casa. Nesse meu querer utópico, imaginei que talvez esse contato paterno logo no início da vida talvez ajudasse a equilibrar melhor o resto da vida do moleque, que provavelmente terá professoras e chefes mulheres empregando-o na maioridade. Ajudaria a ensiná-lo algumas tantas coisas que os pais de escritório não têm tempo de ensinar. Talvez a lição principal seria a de que essa criança, quando adulta, não deve temer o desemprego, a atividade autônoma, a vida fora da empresa. Pelo contrário, deve aprender a vivê-la direito, com qualidade.
O sistema antigo de emprego empresarial está aceitando cada vez menos homens. Vejo isso em diversos ramos que antes só tinham engravatados e hoje ressoam com o bater dos saltos femininos. Grande parte disso se deve, como afirmam muitos artigos de jornal, à maior capacidade de sociabilização das mulheres. As estratégias de venda masculinas, agressivas, que maximizam os lucros, estão dando lugar a estratégias femininas mais focadas em ser a melhor amiga da cliente. É uma grande diferença, e a maioria dos homens não consegue fazer igual. Para nós, os negócios são uma guerra. E homem que tenta ser amiguinho do inimigo é visto como pilantra.

Voltado ao artigo da TPM, o que me interessou a respeito foi que, apesar dele ser um retrato real dessa mudança de ares no mundo empresarial/doméstico, ele ainda conseguia pintar os homens com um pouco de dignidade. Porque ainda existe esse estigma forte de considerar os homens nessa situação como frouxos. Me faz lembrar o texto que escrevi por aqui há algum tempo sobre os Simpsons e o Masculismo. Como o Homer e todos os outros homens da série eram un inúteis frouxos e as mulheres eram formidáveis.
Hoje anunciaram na TV o filme da Erin Brockovich. Outro exemplo onde ela está lá conquistando o mundo e o homem do filme é um motoqueiro cheio de boas intenções mas completamente imaturo e frouxo.

Quanto mais penso a respeito, mais vejo exemplos disso por aí. Queria escrever sobre eles aqui, porque os exemplos chegam a ser caricatos, mas tenho medo de mencionar até os mais óbvios, por não querer parecer pejorativo com os homens das situações. Há até alguns nesse jogo que estão se saíndo admiravelmente bem longe das empresas. Outros permanecem um retrato fiel do homem frouxo que todos nós estamos querendo evitar ser.

A propósito, estou escrevendo um novo projeto para pedido de bolsa na faculdade de Londres. Nele, menciono um dos primeiros livros a serem escritos sobre os assuntos masculistas. Warren Farrell escreveu The Liberated Man enquanto ainda era mais um feminista do que um pensador masculista. No livro, ele fala da dinâmica familiar em famílias onde a mãe trabalha e o pai cuida dos filhos. Detalhe: ele publicou o livro em 1974.