Pequenos detalhes percebidos até agora.
• Londres está em obras. Elas estão por toda parte, a qualquer hora. Elas causam desvios no itinerário dos ônibus e paralisam linhas do metrô, mas geralmente duram um dia e acabam. Até nisso eles são mais eficientes...
• Acabaram com uma das marcas registradas de Londres! Tenho andado de metrô de vez em quando, mas muito raramente ouvi o característico "mind the gap". Apenas em uma ou outra estação. Andei prestando atenção, e parece que eles reformaram as estações (ou os trens) para não ter mais o vão entre trem e plataforma. Às vezes o trem vem por cima da plataforma, às vezes os dois estão bem juntos. Acho que os ingleses cansaram das piadinhas com isso. Agora, ao fim dos anúncios no metrô, ouve-se um mundano: "this train is ready to depart, stand clear of the closing doors. Mind the closing doors."
• As lojas do EAT. e Pret-a-manger continuam fabulosas e cheias de coisas saudáveis e baratas. Meu café-da-manhã tem sido em uma perto de Chelsea e, mesmo fazendo a conversão de moedas, eu continua gastando mais ou menos o que eu gastava para tomar café antes.
• Eu tinha esquecido do nome do shandy. Trata-se de uma mistura de soda e chopp que eles fazem nos pubs. Muito popular entre adolescentes por parecer cerveja normal, évendida pra eles meio como medida de desenvolver a tolerância ao álcool em uma sociedade que bebe bastante. Na verdade, é a única coisa que eu consigo beber nos pubs. E ainda assim, só peço meio copo...
Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.
sexta-feira, outubro 15, 2010
segunda-feira, outubro 11, 2010
Primeiro dia
E então chegou o dia do curso começar.
Na hora marcada, cheguei à sala principal da faculdade e entrei pelas portas duplas de madeira trabalhada. Do outro lado, uma centena de alunos de diversos cursos de mestrado estavam sentado aguardando as apresentações do dia. À frente de todos eles, um dos professores titulaes fazia a primeira, ressaltando como, em tempos de doom and gloom (desgraças e pessimismo), era cada vez mais necessário voltar a dar a devida importância ao fazer:
-"It is important that we make 'making things' matter again."
Havia nessa cena o gosto, sem dúvida britânico, das cenas no refeitório de Hogwarts. A impressão de madeira antiga, carpetes e tradição. Misturados aos tons vibrantes e vanguardistas de uma escola de arte.
Depois de uma hora de detalhes burocráticos e recados importantes, setenta daqueles alunos permaneceram na sala como mestrandos de artes enquanto os outros, de outros cursos, saíram com seus tutores. Guiados por nosso tutor, Brian Chalkley, fizemos o primeiro tour pelas dependências da faculdade. Eu fizera questão de encontrar com o Sr. Chalkley no pátio da faculdade, como "estratégia de marketing pessoal" para deixar claro que o conhecia mesmo antes de ser apresentado, e que fizera minha lição de casa quanto a pesquisar a faculdade. Ele era um senhor de seus sessenta anos, franzino e grisalho, mas vestindo camiseta e jeans como um garoto. Fiz questão de criar boa impressão com ele não só por ser o diretor do curso de artes, mas também por ter uma pesquisa baseada em questões de gênero, como a minha (correm pela internet até vídeos de apresentações dele como um alter-ego feminino, como a Rrose Selavy de Duchamp). Algo há de sair dessa coincidência.
O Sr. Chalkley terminou nossa visita guiada em um espaço de exposição, onde nos leu um trecho do escritor Harold Pinter que enfatizava a importância de produzir. De não se ater tanto ao puro significado das coisas e à pesquisa, mas de fazer. Muito. E sempre. O escritor falava de como muito do trabalho às vezes se faz a despeito do criador, que funciona muitas vezes como mero catalisador de algo que tem vida própria. Algo que nem o criador compreende totalmente, mas que precisa encontrar uma saída para o mundo real. E depois ser interpretado pelas pessoas lá fora. Inspirou-me uma nostalgia de coisas que eu escrevera nos meus primeiros cadernos de artista. O mesmo assunto.
Pausa momentânea para um daqueles medos gostosos. Eu estava na Europa. Onde o estudante médio de arte tem muito mais acesso a cultura, e consequentemente muito mais referências. As discussões noturnas com Ross na cozinha do apartamento já prenunciavam isso. Um rapaz no primeiro ano de faculdade conversava no mesmo nível que eu, um mestrando sulamericano. Só lhe faltava mesmo a prática. Será que eu conseguiria me defender no meio destes outros 70 mestrandos?
À tarde, tivemos nossa primeira "tarefa": dividir o enorme espaço no segundo andar entre todos nós, para que cada um tivesse seu canto no ateliê. Minha primeira ilusão megalomaníaca já morreu aí, pois embora eu me considerasse organizado e desejoso de liderar esse tipo de organização, outros mais sociáveis, preparados e maduros tomaram a liderança. Nosso grupo passou a ser guiado por Kristian, um norueguês falante e muito simpático. Todos nós conversamos, planejamos e raciocinamos. Mas acabamos decidindo simplesmente dividir na marra mesmo. Cada um procurou um espaço adequado, negociou, se estabeleceu. E à medida que o processo foi acontecendo, passei a conhecer vários de meus colegas, que depois me convidaram para o pub local.
Depois de Kristian, a segunda pessoa mais pro-ativa era Jeeti, de decendência hidu, falante e expressiva, que me explicou que muitos deles fizeram o grau anterior da faculdade juntos e já se conheciam.
Conheci Isabel, a handy-woman portuguesa que construia coisas do nada; John, o americano construtor de guitarras; Iacopo, um italiano vestido como aquele outro italiano bigodudo dos videogames; Nataliia, a ucraniana com quem negociei meus dois metros de parede; e um sem-numero de orientais com nomes que ainda passarei um mês decorando. De fato, Chelsea é conhecida pelo número de estudantes orientais. Sinto-me como se estivesse no meu antigo colégio...
Como tudo, ainda é cedo para dizer quais desses personagems vão ficar. Mas de maneira geral, o clima entre todos é muito bom. Mal posso esperar para começar sujar a mão de tinta!
Na hora marcada, cheguei à sala principal da faculdade e entrei pelas portas duplas de madeira trabalhada. Do outro lado, uma centena de alunos de diversos cursos de mestrado estavam sentado aguardando as apresentações do dia. À frente de todos eles, um dos professores titulaes fazia a primeira, ressaltando como, em tempos de doom and gloom (desgraças e pessimismo), era cada vez mais necessário voltar a dar a devida importância ao fazer:
-"It is important that we make 'making things' matter again."
Havia nessa cena o gosto, sem dúvida britânico, das cenas no refeitório de Hogwarts. A impressão de madeira antiga, carpetes e tradição. Misturados aos tons vibrantes e vanguardistas de uma escola de arte.
Depois de uma hora de detalhes burocráticos e recados importantes, setenta daqueles alunos permaneceram na sala como mestrandos de artes enquanto os outros, de outros cursos, saíram com seus tutores. Guiados por nosso tutor, Brian Chalkley, fizemos o primeiro tour pelas dependências da faculdade. Eu fizera questão de encontrar com o Sr. Chalkley no pátio da faculdade, como "estratégia de marketing pessoal" para deixar claro que o conhecia mesmo antes de ser apresentado, e que fizera minha lição de casa quanto a pesquisar a faculdade. Ele era um senhor de seus sessenta anos, franzino e grisalho, mas vestindo camiseta e jeans como um garoto. Fiz questão de criar boa impressão com ele não só por ser o diretor do curso de artes, mas também por ter uma pesquisa baseada em questões de gênero, como a minha (correm pela internet até vídeos de apresentações dele como um alter-ego feminino, como a Rrose Selavy de Duchamp). Algo há de sair dessa coincidência.
O Sr. Chalkley terminou nossa visita guiada em um espaço de exposição, onde nos leu um trecho do escritor Harold Pinter que enfatizava a importância de produzir. De não se ater tanto ao puro significado das coisas e à pesquisa, mas de fazer. Muito. E sempre. O escritor falava de como muito do trabalho às vezes se faz a despeito do criador, que funciona muitas vezes como mero catalisador de algo que tem vida própria. Algo que nem o criador compreende totalmente, mas que precisa encontrar uma saída para o mundo real. E depois ser interpretado pelas pessoas lá fora. Inspirou-me uma nostalgia de coisas que eu escrevera nos meus primeiros cadernos de artista. O mesmo assunto.
Pausa momentânea para um daqueles medos gostosos. Eu estava na Europa. Onde o estudante médio de arte tem muito mais acesso a cultura, e consequentemente muito mais referências. As discussões noturnas com Ross na cozinha do apartamento já prenunciavam isso. Um rapaz no primeiro ano de faculdade conversava no mesmo nível que eu, um mestrando sulamericano. Só lhe faltava mesmo a prática. Será que eu conseguiria me defender no meio destes outros 70 mestrandos?
Depois de Kristian, a segunda pessoa mais pro-ativa era Jeeti, de decendência hidu, falante e expressiva, que me explicou que muitos deles fizeram o grau anterior da faculdade juntos e já se conheciam.
Conheci Isabel, a handy-woman portuguesa que construia coisas do nada; John, o americano construtor de guitarras; Iacopo, um italiano vestido como aquele outro italiano bigodudo dos videogames; Nataliia, a ucraniana com quem negociei meus dois metros de parede; e um sem-numero de orientais com nomes que ainda passarei um mês decorando. De fato, Chelsea é conhecida pelo número de estudantes orientais. Sinto-me como se estivesse no meu antigo colégio...
Como tudo, ainda é cedo para dizer quais desses personagems vão ficar. Mas de maneira geral, o clima entre todos é muito bom. Mal posso esperar para começar sujar a mão de tinta!
sexta-feira, outubro 08, 2010
Flatmates
Já estou por aqui há pouco mais de uma semana.
Nesse tempo, deu pra conhecer um pouco dos meus colegas de apartamento e começar a definir algumas amizadas. Ao todo, somos 6 pessoas, cada um em seu quarto.
Alguém que está ficando bem próximo de mim é Ross, um rapaz de Brighton que está fazendo a graduação de artes plásticas. Frequentemente passamos as últimas horas do dia conversando na sala comum do apartamento (a porta no fim do corredor, no vídeo). Os assuntos vão de arte a política, da infância até aquela manhã. É um rapaz simples, calmo como eu, mas incrivelmente culto.
Entre o quarto dele e o meu está Lu'ay. O nome vem de sua origem meio iraquiana, meio britânica. É uma combinação estranha, porque ele é loiro e com uma cara bem inglesa, mas todos os seus assuntos parecem girar em torno de cultura árabe. Lu'ay está em um curso universitário de desenho e pretende ser ilustrador ou tatuador, o que vier primeiro. Anda sempre em roupas de hip hop, curte animação japonesa e rap. Dia desses, mostrou-me um lado de Londres que eu ignorava, falando da brutalidade policial e da dificuldade de culturas que simplesmente não se adaptam ao sistema local. Eu sempre amei a disciplina londrina e as campanhas do governo para educar a população. Mas não tinha percebido o quanto essa cidade é dura com as tribos alternativas que se originaram fora da Inglaterra, como o hip hop e o grafite. De fato, vejo muito pouco deste último por aqui e não tinha percebido isso na primeira viagem. Ainda preciso conversar muito com ele a respeito disso.
No quarto em frente ao meu está Emily. Britânica por excelência. Sua porta carrega post-its com as letras de seu nome e vivemos recombinando as letras para formar coisas absurdas:
- E M I L Y
- M I L E Y (Cirus...)
- M Y L I E ("Minha Mentira", minha sugestão)
Ainda não sei ao certo o curso que ela faz. Sai quase todas as noites para baladas no centro e volta sempre com histórias absurdas a respeito.
Ao seu lado, o mais novo habitante do apartamento é o chinês Lei. Ainda sei muito pouco sobre ele, mas faz algo relacionado a design interativo. Tem um inglês perceptivelmente estudado e imita até a intonação dandy do estereótipo britânico.
No último quarto, em frente ao Ross, está a hindu Shivangi. Esguia, franzina, mas sempre falando muito alto. Frequentemente a ouvimos em seu quarto, cantando junto com música pop ou falando com seus parentes pelo Skype. Dia desses apareceu até um segurança no apê, perguntado se tudo estava bem, por causa do barulho dela. Shivangi faz um curso relacionado como administração de mercado gráfico e pretende voltar à Índia para assumir a gráfica do pai. Fala um inglês de sotaque hindu carregadíssimo e bem interessante. Não é muito sociável e está sempre no quarto. Mas vez por outra nos vemos na cozinha, enquanto ela faz sua comida exótica e condimentada e eu lhe conto sobre o arroz e feijão brasileiro (cujo feijão eu ainda não me arrisquei a fazer...).
Todos são dos cursos de graduação. Mostram-me um respeito que eu ainda desconheço quando explico meu projeto de mestrado e perguntam-me da minha experiência na graduação. As noites têm sido divertidas, embora nem sempre dêem muito certo. Ontem mesmo ficamos andando por metade de Londres atrás de alguma balada legal, mas ninguém decidiu nada. E queria muito fazer outro videozinho para apresentá-los todos, mas dificilmente os vejo todos em casa ao mesmo tempo. A solução é ir por partes...
Nesse tempo, deu pra conhecer um pouco dos meus colegas de apartamento e começar a definir algumas amizadas. Ao todo, somos 6 pessoas, cada um em seu quarto.
Alguém que está ficando bem próximo de mim é Ross, um rapaz de Brighton que está fazendo a graduação de artes plásticas. Frequentemente passamos as últimas horas do dia conversando na sala comum do apartamento (a porta no fim do corredor, no vídeo). Os assuntos vão de arte a política, da infância até aquela manhã. É um rapaz simples, calmo como eu, mas incrivelmente culto.
Entre o quarto dele e o meu está Lu'ay. O nome vem de sua origem meio iraquiana, meio britânica. É uma combinação estranha, porque ele é loiro e com uma cara bem inglesa, mas todos os seus assuntos parecem girar em torno de cultura árabe. Lu'ay está em um curso universitário de desenho e pretende ser ilustrador ou tatuador, o que vier primeiro. Anda sempre em roupas de hip hop, curte animação japonesa e rap. Dia desses, mostrou-me um lado de Londres que eu ignorava, falando da brutalidade policial e da dificuldade de culturas que simplesmente não se adaptam ao sistema local. Eu sempre amei a disciplina londrina e as campanhas do governo para educar a população. Mas não tinha percebido o quanto essa cidade é dura com as tribos alternativas que se originaram fora da Inglaterra, como o hip hop e o grafite. De fato, vejo muito pouco deste último por aqui e não tinha percebido isso na primeira viagem. Ainda preciso conversar muito com ele a respeito disso.
No quarto em frente ao meu está Emily. Britânica por excelência. Sua porta carrega post-its com as letras de seu nome e vivemos recombinando as letras para formar coisas absurdas:
- E M I L Y
- M I L E Y (Cirus...)
- M Y L I E ("Minha Mentira", minha sugestão)
Ainda não sei ao certo o curso que ela faz. Sai quase todas as noites para baladas no centro e volta sempre com histórias absurdas a respeito.
Ao seu lado, o mais novo habitante do apartamento é o chinês Lei. Ainda sei muito pouco sobre ele, mas faz algo relacionado a design interativo. Tem um inglês perceptivelmente estudado e imita até a intonação dandy do estereótipo britânico.
No último quarto, em frente ao Ross, está a hindu Shivangi. Esguia, franzina, mas sempre falando muito alto. Frequentemente a ouvimos em seu quarto, cantando junto com música pop ou falando com seus parentes pelo Skype. Dia desses apareceu até um segurança no apê, perguntado se tudo estava bem, por causa do barulho dela. Shivangi faz um curso relacionado como administração de mercado gráfico e pretende voltar à Índia para assumir a gráfica do pai. Fala um inglês de sotaque hindu carregadíssimo e bem interessante. Não é muito sociável e está sempre no quarto. Mas vez por outra nos vemos na cozinha, enquanto ela faz sua comida exótica e condimentada e eu lhe conto sobre o arroz e feijão brasileiro (cujo feijão eu ainda não me arrisquei a fazer...).
Todos são dos cursos de graduação. Mostram-me um respeito que eu ainda desconheço quando explico meu projeto de mestrado e perguntam-me da minha experiência na graduação. As noites têm sido divertidas, embora nem sempre dêem muito certo. Ontem mesmo ficamos andando por metade de Londres atrás de alguma balada legal, mas ninguém decidiu nada. E queria muito fazer outro videozinho para apresentá-los todos, mas dificilmente os vejo todos em casa ao mesmo tempo. A solução é ir por partes...
quarta-feira, outubro 06, 2010
The lone M.A.
Já faz cinco dias que estou por aqui. Pasmem: até agora, sou o único mestrando da região.
Dia desses, estava trazendo as compras para o apartamento. Uma garota me para na porta:
-"Senhor, você mora aqui?"-
-"Sim, acabei de me mudar"- retruquei
-"Ótimo! Quantos anos você tem?"-
E diante da minha resposta, ela ficou exultante em saber que daquele momento em diante não seria a mais velha do prédio. Ela tinha 24 anos.
Juro, às vezes me pergunto se os mestrandos não estão todos em algum lugar que não me foi informado, indo a festas das quais não fiquei sabendo. Mesmo nos encontros do Freshers' Festival, o festival para a galera nova, só vi eu de mestrando. Mistério...
Essa sensação de displacement é combatida em parte por outra sensação: uma de superioridade. Os que vivem comigo estão todos passando pelo que eles chamam de foundation, o equivalente ao nosso primeiro ano de faculdade. Incomodados com as dúvidas e ansiedades do que vão escolher para o resto de suas vidas enquanto lamentam a falta de dinheiro e a preguiça. Enquanto isso, eu conto-lhes da minha experiência no meu país, do awakening há dois anos que me fez largar a publicidade e consertar a minha vida, e retiro-me ao meu quarto para trabalhar nas traduções que pagam o meu aluguel. O apartamento, vitimado por cinco jovens com idades por volta dos 20 anos, é um amontoado de pratos e panelas sujos das refeições de ontem, carpetes que suplicam por um aspirador e muita bituca de cigarro. Eles comem mal ou às vezes nem comem. Comentam sarcásticos que acabaram de acordar às quatro da tarde e pensaram em fazer algo de útil. E têm sempre um comentário de maravilhamento ao perceber que meu quarto vive arrumado, eu cozinho suficientemente bem para fazer coisas com sabor e jamais deixo prato ou panela suja depois da refeição. Minha sensação quanto a isso é uma de ser bem mais experiente. E é uma delícia sentir isso para alguém que frequentemente se sente ingênuo, imaturo, inadequado. Quase passo a me sentir responsável por eles.
Mas há ainda outros momentos em que nem a idade nem a hierarquia dos cursos faz diferença. Tenho passado noites com essa turma, nos apartamentos vizinhos, bebendo e comendo besteiras, tendo discussões ideológicas e filosóficas sobre arte, política e existência. Rimos muito um do outro, dos acasos, das piadas prontas. E sinto-me mais jovem até. Como se tivesse voltado para tudo o que eu devia ter feito durante os meus anos de graduação e não fiz por estar fazendo duas faculdades ao mesmo tempo. Como se estivesse compensando o tempo desperdiçado. Nesses momentos, não sinto a diferença de idades. Eu tenho 20 anos de novo. E é a melhor época da minha vida.
Dia desses, estava trazendo as compras para o apartamento. Uma garota me para na porta:
-"Senhor, você mora aqui?"-
-"Sim, acabei de me mudar"- retruquei
-"Ótimo! Quantos anos você tem?"-
E diante da minha resposta, ela ficou exultante em saber que daquele momento em diante não seria a mais velha do prédio. Ela tinha 24 anos.
Juro, às vezes me pergunto se os mestrandos não estão todos em algum lugar que não me foi informado, indo a festas das quais não fiquei sabendo. Mesmo nos encontros do Freshers' Festival, o festival para a galera nova, só vi eu de mestrando. Mistério...
Essa sensação de displacement é combatida em parte por outra sensação: uma de superioridade. Os que vivem comigo estão todos passando pelo que eles chamam de foundation, o equivalente ao nosso primeiro ano de faculdade. Incomodados com as dúvidas e ansiedades do que vão escolher para o resto de suas vidas enquanto lamentam a falta de dinheiro e a preguiça. Enquanto isso, eu conto-lhes da minha experiência no meu país, do awakening há dois anos que me fez largar a publicidade e consertar a minha vida, e retiro-me ao meu quarto para trabalhar nas traduções que pagam o meu aluguel. O apartamento, vitimado por cinco jovens com idades por volta dos 20 anos, é um amontoado de pratos e panelas sujos das refeições de ontem, carpetes que suplicam por um aspirador e muita bituca de cigarro. Eles comem mal ou às vezes nem comem. Comentam sarcásticos que acabaram de acordar às quatro da tarde e pensaram em fazer algo de útil. E têm sempre um comentário de maravilhamento ao perceber que meu quarto vive arrumado, eu cozinho suficientemente bem para fazer coisas com sabor e jamais deixo prato ou panela suja depois da refeição. Minha sensação quanto a isso é uma de ser bem mais experiente. E é uma delícia sentir isso para alguém que frequentemente se sente ingênuo, imaturo, inadequado. Quase passo a me sentir responsável por eles.
Mas há ainda outros momentos em que nem a idade nem a hierarquia dos cursos faz diferença. Tenho passado noites com essa turma, nos apartamentos vizinhos, bebendo e comendo besteiras, tendo discussões ideológicas e filosóficas sobre arte, política e existência. Rimos muito um do outro, dos acasos, das piadas prontas. E sinto-me mais jovem até. Como se tivesse voltado para tudo o que eu devia ter feito durante os meus anos de graduação e não fiz por estar fazendo duas faculdades ao mesmo tempo. Como se estivesse compensando o tempo desperdiçado. Nesses momentos, não sinto a diferença de idades. Eu tenho 20 anos de novo. E é a melhor época da minha vida.
sábado, outubro 02, 2010
Atualizando
Segura que este post vai ser uma colagem de melhores momentos só para atualizar. Bem no estilo "meu querido diário"...
A exposição acabou no último dia 18. Dela, só tenho a dizer que não fiquei completamente radiante com o resultado. Foi uma bela exposição e considero que a homenagem que eu devia aos meus avôs foi cumprida. No entanto, não constatei a presença de um único artista plástico, galerista ou crítico entre o público. Claro, eu não esperava ser um sucesso do dia para a noite e sei que ainda tenho um longo caminho para andar. Mas a ausência mesmo de pessoas que tinham garantido dar uma passada me frustrou um pouco. Parece-me que o comparecer em aberturas de exposição tem muito da diplomacia do "ver e ser visto". E como eu ainda não sou ninguém e não estava expondo em uma galeria propriamente dita, eles provavelmente não viram motivação política para comparecer.
Ainda assim, vendi o meu último, o Raposa e as Uvas, e fiz uma bela amizade com o pessoal da Augôsto Augusta, que me tratou com um carinho imenso. Sinto ainda que foi de fato uma exposição muito mais madura do que as anteriores. Em técnica, montagem, divulgação e mesmo no assunto. Me orgulhei, mesmo que pouca gente das artes tenha testemunhado. E isso deve ser o que importa. Mas não foi um total insucesso. Embora as pessoas não tenham aparecido, os poucos com quem falei nas semanas da exposição, em suas próprias vernissages, sabiam do que se tratava e pareciam achar interessante que eu tivesse voltado à ativa.
Quem compareceu em peso e fez da abertura um sucesso foram as pessoas relacionadas ao teatro, amigos de minha avó e pessoas ligadas à editora dos livros que ela tem ajudado a publicar sobre o teatro brasileiro. Foi uma turma divertida que comentou bastante sobre os trabalhos.
Quanto aos quadros em si, cada pessoa tinha seu favorito. Mas os grandes da Raposa e as Uvas e Hamlet tiveram grande importância, assim como a Dama das Camélias com a Cacilda Becker e o belíssimo Chá e Simpatia que emocionou bastante gente que me conhece e conhece minha avó. Daqui a algum tempo, poderei colocar os quadros no blog profissional finalmente. Com comentários sobre as peças e alguns vídeos da execução de alguns dos quadros. Aguardem!
Mas primeiro, continuemos a atualização.
Os dez dias entre o fechamento da exposição e a viagem tiveram aquele gosto estranho. As aulas de inglês foram chegando ao final, me despedi de meus alunos sem muita cerimônia ou apego. Saí para beber com a turma do circo e parecia mesmo que eu nem estava indo embora, como um dia qualquer. Mas outras coisas fizeram apertar um pouco o coração: despedir-me de minhas duas avós, meus pais, meu carro (adoro dirigir e vou ficar um ano sem isso...) e minha Lexy.
Sabe, quando vim para a Europa pela primeira vez, não havia nada além de possibilidade no ar. Tudo era lindo e novo. Eu facilmente larguei o Brasil, porque tinha perdido o emprego e terminado o namoro. Cortado as duas pontas do Laço de Alice. E não tinha qualquer perspectiva de reencontrar essas duas coisas tão cedo. Mas desta vez é diferente. Encontrei um mercado e uma carreira que pode me sustentar indefinidamente com algo que eu gosto, e já estou no meu relacionamento mais duradouro. Por isso sinto realmente que desta vez estou deixando algo no país do qual estou partindo. Há mais motivos para olhar para trás.
E assim o dia 29 foi chegando. Minha Lexy organizou a despedida no Gorila Café (fotos no Flickr). E me deu de presente um daqueles porta-retratos da Imaginarium, com uma centena de fotos enviadas por todos os meus amigos para que eu fizesse a minha própria "curadoria" delas durante a viagem. Um dos presentes mais lindos que já ganhei, não podia ser melhor! Ela realmente sabe pensar nessas coisas.
Na manhã do 29, ainda percebi uma ou outra coisa que faltou fazer. A viagem estava muito bem organizada, já que eu tive um ano para pensar em tudo. Mas não importa quanto tempo tempos, sempre falta algo.
Fiz duas malas gigantescas, levando em mente que eu ficarei o dobro do tempo da viagem anterior. Cuidado com a embalagem de eletrônicos que serão vitais para o meu sucesso e que eu não tinha há quatro anos.
E então, era hora de sair para o aeroporto. Um último adeus ao meu quarto, ao meu prédio, à minha cidade. Aos meus pais.
E então eu estava sozinho de novo.
Medo. Não era isso mesmo que eu queria? Metade de mim sentia-se muito bem. A outra perguntava se isso não estava sendo um erro. Foi devidamente ignorada.
Na sala de espera, voltei a pensar nas coincidências desta segunda viagem. Eu estava partindo logo depois de uma exposição dos meus melhores trabalhos, como na viagem anterior. Fui deixado com duas malas no aeroporto pelos meus pais, como na viagem anterior. Era ano de Copa do Mundo e o Brasil perdeu, como na viagem anterior. Eu sei que nada disso significa nada. Mas minha mente adora coincidências. Eu tinha feito a viagem anterior ao lado de uma aspirante a modelo chamada Franciele. Desta vez fui ao lado de um inglês calado.
No avião da TAP, Percy Jackson com legendas em português de Portugal. Ele falava "malta" para turma, "fixe" para legal, "porreiro" como maneiro. Divertido.
Depois de menos de uma hora em Portugal e uma máquina de refrigerantes que me roubou um euro e meio, embarquei para Londres definitivamente.
Mas o que aconteceu a partir daí fica para próximos e mais detalhados posts.
A exposição acabou no último dia 18. Dela, só tenho a dizer que não fiquei completamente radiante com o resultado. Foi uma bela exposição e considero que a homenagem que eu devia aos meus avôs foi cumprida. No entanto, não constatei a presença de um único artista plástico, galerista ou crítico entre o público. Claro, eu não esperava ser um sucesso do dia para a noite e sei que ainda tenho um longo caminho para andar. Mas a ausência mesmo de pessoas que tinham garantido dar uma passada me frustrou um pouco. Parece-me que o comparecer em aberturas de exposição tem muito da diplomacia do "ver e ser visto". E como eu ainda não sou ninguém e não estava expondo em uma galeria propriamente dita, eles provavelmente não viram motivação política para comparecer.
Ainda assim, vendi o meu último, o Raposa e as Uvas, e fiz uma bela amizade com o pessoal da Augôsto Augusta, que me tratou com um carinho imenso. Sinto ainda que foi de fato uma exposição muito mais madura do que as anteriores. Em técnica, montagem, divulgação e mesmo no assunto. Me orgulhei, mesmo que pouca gente das artes tenha testemunhado. E isso deve ser o que importa. Mas não foi um total insucesso. Embora as pessoas não tenham aparecido, os poucos com quem falei nas semanas da exposição, em suas próprias vernissages, sabiam do que se tratava e pareciam achar interessante que eu tivesse voltado à ativa.
Quem compareceu em peso e fez da abertura um sucesso foram as pessoas relacionadas ao teatro, amigos de minha avó e pessoas ligadas à editora dos livros que ela tem ajudado a publicar sobre o teatro brasileiro. Foi uma turma divertida que comentou bastante sobre os trabalhos.
Quanto aos quadros em si, cada pessoa tinha seu favorito. Mas os grandes da Raposa e as Uvas e Hamlet tiveram grande importância, assim como a Dama das Camélias com a Cacilda Becker e o belíssimo Chá e Simpatia que emocionou bastante gente que me conhece e conhece minha avó. Daqui a algum tempo, poderei colocar os quadros no blog profissional finalmente. Com comentários sobre as peças e alguns vídeos da execução de alguns dos quadros. Aguardem!
Mas primeiro, continuemos a atualização.
Os dez dias entre o fechamento da exposição e a viagem tiveram aquele gosto estranho. As aulas de inglês foram chegando ao final, me despedi de meus alunos sem muita cerimônia ou apego. Saí para beber com a turma do circo e parecia mesmo que eu nem estava indo embora, como um dia qualquer. Mas outras coisas fizeram apertar um pouco o coração: despedir-me de minhas duas avós, meus pais, meu carro (adoro dirigir e vou ficar um ano sem isso...) e minha Lexy.
Sabe, quando vim para a Europa pela primeira vez, não havia nada além de possibilidade no ar. Tudo era lindo e novo. Eu facilmente larguei o Brasil, porque tinha perdido o emprego e terminado o namoro. Cortado as duas pontas do Laço de Alice. E não tinha qualquer perspectiva de reencontrar essas duas coisas tão cedo. Mas desta vez é diferente. Encontrei um mercado e uma carreira que pode me sustentar indefinidamente com algo que eu gosto, e já estou no meu relacionamento mais duradouro. Por isso sinto realmente que desta vez estou deixando algo no país do qual estou partindo. Há mais motivos para olhar para trás.
E assim o dia 29 foi chegando. Minha Lexy organizou a despedida no Gorila Café (fotos no Flickr). E me deu de presente um daqueles porta-retratos da Imaginarium, com uma centena de fotos enviadas por todos os meus amigos para que eu fizesse a minha própria "curadoria" delas durante a viagem. Um dos presentes mais lindos que já ganhei, não podia ser melhor! Ela realmente sabe pensar nessas coisas.
Na manhã do 29, ainda percebi uma ou outra coisa que faltou fazer. A viagem estava muito bem organizada, já que eu tive um ano para pensar em tudo. Mas não importa quanto tempo tempos, sempre falta algo.
Fiz duas malas gigantescas, levando em mente que eu ficarei o dobro do tempo da viagem anterior. Cuidado com a embalagem de eletrônicos que serão vitais para o meu sucesso e que eu não tinha há quatro anos.
E então, era hora de sair para o aeroporto. Um último adeus ao meu quarto, ao meu prédio, à minha cidade. Aos meus pais.
E então eu estava sozinho de novo.
Medo. Não era isso mesmo que eu queria? Metade de mim sentia-se muito bem. A outra perguntava se isso não estava sendo um erro. Foi devidamente ignorada.
Na sala de espera, voltei a pensar nas coincidências desta segunda viagem. Eu estava partindo logo depois de uma exposição dos meus melhores trabalhos, como na viagem anterior. Fui deixado com duas malas no aeroporto pelos meus pais, como na viagem anterior. Era ano de Copa do Mundo e o Brasil perdeu, como na viagem anterior. Eu sei que nada disso significa nada. Mas minha mente adora coincidências. Eu tinha feito a viagem anterior ao lado de uma aspirante a modelo chamada Franciele. Desta vez fui ao lado de um inglês calado.
No avião da TAP, Percy Jackson com legendas em português de Portugal. Ele falava "malta" para turma, "fixe" para legal, "porreiro" como maneiro. Divertido.
Depois de menos de uma hora em Portugal e uma máquina de refrigerantes que me roubou um euro e meio, embarquei para Londres definitivamente.
Mas o que aconteceu a partir daí fica para próximos e mais detalhados posts.
terça-feira, setembro 28, 2010
Interlúdio poético
Assistindo As Horas novamente, por acaso.
A sobrinha de Virginia Woolf olha para o pássaro morto:
-"O que acontece quando morremos?"-
Virginia pausa.
-"Nós voltamos para o lugar de onde viemos"-
-"Eu não lembro de onde eu vim"-
-"Nem eu"- [dito aqui na suculenta escolha de palavras britânicas: "Nor I"]
-"Ela parece menor..."-
-"Sim, essa é uma das coisas que acontecem"-
-"...mas muito em paz"-
Lembranças da primeira vez que vi um velório: o de meu primo, relatado aqui mesmo no blog.
E de parentes de amigos próximos que se foram recentemente.
Meio eu retem o sentimento religioso e venera aquele corpo como se ainda fosse a pessoa.
Meio eu vê naquilo apenas um corpo, um resto, uma máquina sem o maquinista. A pessoa se foi. Talvez por isso pareçamos menores. A vida talvez tenha matéria. E quando a perdemos, perdemos tamanho, peso, volume e densidade.
Ou quiçá seja uma questão prática: pra que construir caixões maiores se o corpo não precisa mais de espaço? E então o corpo enquadrado naquela moldura apenas dá a impressão de ser menor. Como um daqueles exercícios simples de ilusão de ótica.
A sobrinha de Virginia Woolf olha para o pássaro morto:
-"O que acontece quando morremos?"-
Virginia pausa.
-"Nós voltamos para o lugar de onde viemos"-
-"Eu não lembro de onde eu vim"-
-"Nem eu"- [dito aqui na suculenta escolha de palavras britânicas: "Nor I"]
-"Ela parece menor..."-
-"Sim, essa é uma das coisas que acontecem"-
-"...mas muito em paz"-
Lembranças da primeira vez que vi um velório: o de meu primo, relatado aqui mesmo no blog.
E de parentes de amigos próximos que se foram recentemente.
Meio eu retem o sentimento religioso e venera aquele corpo como se ainda fosse a pessoa.
Meio eu vê naquilo apenas um corpo, um resto, uma máquina sem o maquinista. A pessoa se foi. Talvez por isso pareçamos menores. A vida talvez tenha matéria. E quando a perdemos, perdemos tamanho, peso, volume e densidade.
Ou quiçá seja uma questão prática: pra que construir caixões maiores se o corpo não precisa mais de espaço? E então o corpo enquadrado naquela moldura apenas dá a impressão de ser menor. Como um daqueles exercícios simples de ilusão de ótica.
sexta-feira, setembro 03, 2010
Pensamentos da véspera
Minha exposição abre amanhã.
Há uma sensação boa no ar em relação a tudo isso. Como se pela primeira vez eu estivesse fazendo as coisas direito, de modo profissional. Com press-release e imagens de divulgação, convites a pessoas influentes e lobby em outras exposições para que as pessoas apareçam. É um lado que nenhum artista gosta de admitir que existe, porque todos gostam de fazer de conta que ser artista plástico é só fazer arte. Mas tem um pouco de política e marketing na coisa toda. Acabo de receber uma ligação de um contato na Veja. E recebi outro e-mail que divulga assuntos relacionados a teatro e cinema citando a exposição. Uma nota também foi colocada no site do espaço onde vou expôr.
O dia hoje foi passado organizando a montagem. Detalhes, detalhes. No meio disso tudo, comecei a perceber coisas gostosas de comentar que acabei esquecendo de escrever por aqui. Outros detalhes. Esqueci de contar como o fundo do quadro da Raposa e as Uvas, onde aparecem meu avô e minha avó, foi feito com vinho de verdade, em uma daquelas cenas bizarras que só artista protagoniza. Esqueci de mencionar que, no verso do Entre Quatro Paredes (com a Cacilda e meus avôs), lê-se a palavra "Estocolmo", porque a tela foi reaproveitada de outra que não chegou a ir pra frente, e que eu comecei na época em que a filha do Sílvio Santos tinha voltado do sequestro proclamando seu amor pelos sequestradores (e que me lembrou um certo artista que eu vi na Casa da Xiclet). E também esqueci de comentar que em uma ou outra tela, pode-se ver bem fraco o meu emblema do leão, que tinha sido gravado em stencil no verso de algumas das telas como uma espécie de assinatura, até que percebi que a tinta atravessava a tela e interferia no quadro da Mary Stuart, com a Cleyde Yáconis. Óbiamente parei com essa brincadeira. Finalmente, não mencionei por aqui que o fundo do Chá e Simpatia foi decidido três dias antes da abertura da exposição, e executado com sobras de material de transferência do Entre Quatro Paredes.
A rigor, nada disso importa a quem vai ver a exposição. Mas eu sou louco por pequenos detalhes. Eles fazem parte da vivência desse ano que se passou na compania destes atores e personagens. E tem muitos deles escondidos nos cantos das telas de amanhã.
Há uma sensação boa no ar em relação a tudo isso. Como se pela primeira vez eu estivesse fazendo as coisas direito, de modo profissional. Com press-release e imagens de divulgação, convites a pessoas influentes e lobby em outras exposições para que as pessoas apareçam. É um lado que nenhum artista gosta de admitir que existe, porque todos gostam de fazer de conta que ser artista plástico é só fazer arte. Mas tem um pouco de política e marketing na coisa toda. Acabo de receber uma ligação de um contato na Veja. E recebi outro e-mail que divulga assuntos relacionados a teatro e cinema citando a exposição. Uma nota também foi colocada no site do espaço onde vou expôr.
O dia hoje foi passado organizando a montagem. Detalhes, detalhes. No meio disso tudo, comecei a perceber coisas gostosas de comentar que acabei esquecendo de escrever por aqui. Outros detalhes. Esqueci de contar como o fundo do quadro da Raposa e as Uvas, onde aparecem meu avô e minha avó, foi feito com vinho de verdade, em uma daquelas cenas bizarras que só artista protagoniza. Esqueci de mencionar que, no verso do Entre Quatro Paredes (com a Cacilda e meus avôs), lê-se a palavra "Estocolmo", porque a tela foi reaproveitada de outra que não chegou a ir pra frente, e que eu comecei na época em que a filha do Sílvio Santos tinha voltado do sequestro proclamando seu amor pelos sequestradores (e que me lembrou um certo artista que eu vi na Casa da Xiclet). E também esqueci de comentar que em uma ou outra tela, pode-se ver bem fraco o meu emblema do leão, que tinha sido gravado em stencil no verso de algumas das telas como uma espécie de assinatura, até que percebi que a tinta atravessava a tela e interferia no quadro da Mary Stuart, com a Cleyde Yáconis. Óbiamente parei com essa brincadeira. Finalmente, não mencionei por aqui que o fundo do Chá e Simpatia foi decidido três dias antes da abertura da exposição, e executado com sobras de material de transferência do Entre Quatro Paredes.
A rigor, nada disso importa a quem vai ver a exposição. Mas eu sou louco por pequenos detalhes. Eles fazem parte da vivência desse ano que se passou na compania destes atores e personagens. E tem muitos deles escondidos nos cantos das telas de amanhã.
quinta-feira, setembro 02, 2010
Aproveitando o ensejo, vi ontem na MTV um quadro humorístico onde o Marcelo Adnet cantava uma paródia do "Samba de uma nota só".
Em 1:44
Eis aqui esta cidade, onde o trânsito da nó
Outos carros vão entrar, e só vai ficar pior
Esse acidente é consequência do que acabo de dizer
O mercado automobilístico é mais importante que você.
Em 1:44
Eis aqui esta cidade, onde o trânsito da nó
Outos carros vão entrar, e só vai ficar pior
Esse acidente é consequência do que acabo de dizer
O mercado automobilístico é mais importante que você.
quarta-feira, agosto 25, 2010
Eu até cheguei a escrever sobre isso por aqui, mas não achei que fosse de fato possível. Uma nota publicada ontem no Estado comentava uma notícia de um jornal chinês, onde aparentemente um congestionamento de aproximadamente 100 quilômetros ficou travado durante 9 dias. E a previsão era que durasse ainda mais!
segunda-feira, agosto 23, 2010
Exposição "Homenagem"

" A série de telas aborda a geração teatral que iniciou o teatro profissional em São Paulo nos anos 50, e conta não só com referências a meus avos Sérgio Cardoso e Nydia Lícia, mas também a Cacilda Becker, Cleyde Yáconis e Maria Della Costa, entre outros. Também fazem parte da exposição programas e textos originais da época em que as peças foram encenadas."
Comecei hoje a divulgar a exposição das telas que iniciei há quase um ano. Sinto que poderá ser a minha primeira exposição com qualidade profissional, tanto nos trabalhos, quanto na organização do evento. Resta saber se conseguirei atrair a atenção desejada e como poderei aproveitar o que vier desta exposição, sendo que pouco menos de uma semana depois dela eu estarei embarcando para Londres.
Meu Deus, como o tempo passa rápido quando estamos no caminho certo!
Enfim, deixo aqui os detalhes:
Exposição HOMENAGEM
De 4 a 18 de Setembro (segunda a sexta, das 10h às 18h30 e sábados das 10h às 14h)
Abertura dia 4 de Setembro, das 11h às 16h
Espaço Augôsto Augusta
Rua Augusta 2161
Fones: (11) 3082-1830
www.augosto.com.br
quinta-feira, agosto 12, 2010
Gênios, mestres e diluidores
Sessão no Dudi ontem, depois das férias.
Ele mencionou uma definição do poeta americano Ezra Pound, que dizia que há três tipos de artistas (ele se referia a poetas, mas suponho que sirva para artistas em geral): os gênios que criam novas propostas, os mestres que não criam nada novo, mas atingem a mais perfeita execução das propostas dos anteriores, e os diluidores que se prestam apenas a espalhar as boas novas por aí, sem criar nada nem atingir a virtuose.
A discussão estava interessante. Tinha começado com uma pergunta minha que sempre causa uma certa polêmica: se ele conhecia algum artista atualmente que estivesse preocupado em entrar para os livros de história. A pergunta, melhor explicada, é na verdade se alguém está interessado em fazer mais do que apenas vender obras. Se alguém está interessado em de fato propor o próximo passo evolutivo na arte. Ou seja, em ser um gênio poundiano.
Não que vender obras seja um pecado a ser combatido. É algo necessário e eu já passei da fase idealista da faculdade de demonizar as galerias. Mas a arte precisa ser isso e muito mais.
Dudi riu, disse que talvez um ou outro da geração dele tivesse essa preocupação em ser eterno. Demorou-se em seguida em monólogos sobre como isso não pode ser planejado. Não se planeja em determinado dia e hora revolucionar séculos de arte. Simplesmente acontece. O que podemos fazer é viver de forma plena. E terminou por dizer que aspirar ao status de gênio desse jeito era uma espécie de megalomania, prepotência (não usou esses termos, porque ele é educado...).
Certo. Eu no entanto acredito que, embora saiba que sou nada, posso aspirar à grandeza. E o primeiro passo para se aspirar à grandeza seria claro deixar de lado as obviedades artísticas. Dentro do raciocínio todo, não se chega ao gênio artístico poundiano fazendo retratos ilustrativos a óleo sobre tela, por exemplo. Isso já foi feito há séculos e de forma muito melhor. Isso só o torna mais um diluidor.
Há um problema na humildade de achar que aspirar ao gênio é a prepotência. E o problema é que, para não parecermos prepotentes, para sermos mais "realistas", acabamos não tentando. O que me incomoda na minha geração de artistas (e confesso que em mim mesmo) é que não vejo ninguém tentando. Vejo muita gente contente em diluir, às vezes trilhando o caminho para virarem mestres. Mas aspirantes a gênios, não sei... Quando questionados sobre isso, todos riem vagamente incomodados, dizem que isso não é importante. Como não é importante!?
Para concluir o raciocínio, me pego observando o que tenho produzido, mesmo as coisas mais recentes deste ano que me deram tanta satisfação, e só vejo obras de mais um diluidor. Materiais triviais, composições triviais, assuntos talvez um pouco menos triviais. Onde está a trilha de raciocínio e inspiração que pode me levar ao gênio?
Ele mencionou uma definição do poeta americano Ezra Pound, que dizia que há três tipos de artistas (ele se referia a poetas, mas suponho que sirva para artistas em geral): os gênios que criam novas propostas, os mestres que não criam nada novo, mas atingem a mais perfeita execução das propostas dos anteriores, e os diluidores que se prestam apenas a espalhar as boas novas por aí, sem criar nada nem atingir a virtuose.
A discussão estava interessante. Tinha começado com uma pergunta minha que sempre causa uma certa polêmica: se ele conhecia algum artista atualmente que estivesse preocupado em entrar para os livros de história. A pergunta, melhor explicada, é na verdade se alguém está interessado em fazer mais do que apenas vender obras. Se alguém está interessado em de fato propor o próximo passo evolutivo na arte. Ou seja, em ser um gênio poundiano.
Não que vender obras seja um pecado a ser combatido. É algo necessário e eu já passei da fase idealista da faculdade de demonizar as galerias. Mas a arte precisa ser isso e muito mais.
Dudi riu, disse que talvez um ou outro da geração dele tivesse essa preocupação em ser eterno. Demorou-se em seguida em monólogos sobre como isso não pode ser planejado. Não se planeja em determinado dia e hora revolucionar séculos de arte. Simplesmente acontece. O que podemos fazer é viver de forma plena. E terminou por dizer que aspirar ao status de gênio desse jeito era uma espécie de megalomania, prepotência (não usou esses termos, porque ele é educado...).
Certo. Eu no entanto acredito que, embora saiba que sou nada, posso aspirar à grandeza. E o primeiro passo para se aspirar à grandeza seria claro deixar de lado as obviedades artísticas. Dentro do raciocínio todo, não se chega ao gênio artístico poundiano fazendo retratos ilustrativos a óleo sobre tela, por exemplo. Isso já foi feito há séculos e de forma muito melhor. Isso só o torna mais um diluidor.
Há um problema na humildade de achar que aspirar ao gênio é a prepotência. E o problema é que, para não parecermos prepotentes, para sermos mais "realistas", acabamos não tentando. O que me incomoda na minha geração de artistas (e confesso que em mim mesmo) é que não vejo ninguém tentando. Vejo muita gente contente em diluir, às vezes trilhando o caminho para virarem mestres. Mas aspirantes a gênios, não sei... Quando questionados sobre isso, todos riem vagamente incomodados, dizem que isso não é importante. Como não é importante!?
Para concluir o raciocínio, me pego observando o que tenho produzido, mesmo as coisas mais recentes deste ano que me deram tanta satisfação, e só vejo obras de mais um diluidor. Materiais triviais, composições triviais, assuntos talvez um pouco menos triviais. Onde está a trilha de raciocínio e inspiração que pode me levar ao gênio?
terça-feira, agosto 03, 2010
Dos benefícios de falhar
E há um ano, eu saí da minha (espero) última agência de publicidade. O ano que passou me tratou muito bem. A despeito do conselho que sempre recebo de não falar destas coisas por aqui, Julho foi o mês mais rentável desde que saí. E apesar disso, continuo trabalhando quase a metade do tempo que eu passava na agência e passando o resto do dia entretido na carreira de arte.
Muita coisa me passa pela cabeça quando penso no rumo que tomei há um ano.
Pra começar, lembro de duas coisas que assisti recentemente. A primeira é do ótimo filme Up in the Air, com o George Clooney e a bela Vera Farmiga (embora a Anna Kendrick faça mais o meu tipo...). Trata-se de uma linha de diálogo que ele, como uma espécie de auditor de empresas, fala sempre que demite um funcionário: Todo mundo que construiu um império ou mudou o mundo já esteve na sua situação. E foi por estar nela que eles conseguiram.
A segunda coisa foi o bem humorado discurso que a escritora do Harry Potter, a inglesa J. K. Rowling, deu para a turma de formandos de Harvard em 2008.
Nesta primeira parte de seu discurso, ela menciona os benefícios de falhar. Parece estranho falar disso para formandos de Harvard, que provavelmente não têm muita intimidade com o termo. Mas ela escolhe esse assunto porque, sete anos depois de se formar, Rowling se viu como mãe divorciada, desempregada e "tão pobre quanto se pode ser na Inglaterra moderna sem estar morando na rua". Ela percebeu-se como o maior exemplo de falha que ela conhecia. No entanto, a autora reconhece que esse falhar inicial, esse fundo do poço (em inglês conhecido como "rock bottom" - a base de pedra dura) tornou-se a fundação sólida para começar de novo. Mais do que isso, ela reconhece que falhar em uma escala tão épica significou libertar-se de uma série de idiossincrasias e megalomanias inúteis e poder focar no que de fato importava.
Eu não trabalhei em empresas multinacionais para ser demitido de um dia para o outro por um auditor inescrupuloso e nem acredito que escreverei o maior sucesso da literatura infanto-juvenil da minha época, mas guardadas as devidas proposções, essas duas coisas são espelhos da minha realidade. Eu também falhei miseravelmente na carreira para a qual eu havia estudado. Não posso dizer que decepcionei meus pais, pois eles são do tipo ao qual só importa minha felicidade, seja ela em uma multinacional ou vendendo sapatos... Mas decepcionei a mim mesmo. Eu, que tinha essa idéia de que seria um homem de negócios com certo poder, como meu pai, tinha falhado em tamanha magnitude, que não tinha sequer dinheiro para os simples prazeres da vida.
Então veio o "rock bottom". Fui promovido com um aumento de salário pífio, que nem chegava aos pés do que eu deveria estar ganhando quando entrei na empresa. E só fui promovido pela falta de outra opção dentro da agência, não pelo reconhecimento do meu trabalho. Joguei a toalha, saí da publicidade jurando só voltar se alguém me pagasse o que eu merecia (coisa que, obviamente, nunca aconteceu). E comecei a dar aulas de inglês. Se eu pudesse voltar no tempo e dar um conselho a mim mesmo aos 18 anos, ele seria: "trabalhe com o seu inglês". Eu não percebia o quanto eu adorava idiomas, nem o tamanho do mercado para profissionais dessa área no país. Eu poderia estar ganhando o mesmo que um trainee de multinacional, sem as pesadas horas de trabalho ou as decisões inescruplosas.
Hoje escrevo este post em um chalé nas colinas de São Fransciso Xavier. Um chalé com internet e muitos outros mimos. Lexy dorme ao meu lado e em raras ocasiões a vi tão relaxada e bem. Tiramos uma semana de férias e conseguimos um ótimo negócio nessa pousada. Coisa que só é possível, aliás, porque meus horários de trabalho são tão flexíveis que posso me adaptar às férias dela sem problemas. Para quem tinha falhado tão incrivelmente há um ano, pareço ter virado o jogo de forma maestral.
Mas percebo também que parte da inspiração para esta virada veio dela, da Lexy. Ela é de uma família simples, com um pai economista que a ensinou a economizar e controlar gastos. Foi uma habilidade importante de aprender neste ano que passou. Além disso, ela sempre soube que bater a cabeça para conseguir o que todo mundo vê como símbolo de sucesso e status só vai te dar uma enxaqueca daquelas. Em São Paulo, há sempre muitos outros competidores maiores e mais fortes do que você. Então o sucesso não está nos empregos, lugares e baladas que todo mundo quer, mas nas alternativas. Sabendo procurar (e ela sabe...), há delícias simples e baratas aos montes por aí.
Muita coisa me passa pela cabeça quando penso no rumo que tomei há um ano.
Pra começar, lembro de duas coisas que assisti recentemente. A primeira é do ótimo filme Up in the Air, com o George Clooney e a bela Vera Farmiga (embora a Anna Kendrick faça mais o meu tipo...). Trata-se de uma linha de diálogo que ele, como uma espécie de auditor de empresas, fala sempre que demite um funcionário: Todo mundo que construiu um império ou mudou o mundo já esteve na sua situação. E foi por estar nela que eles conseguiram.
A segunda coisa foi o bem humorado discurso que a escritora do Harry Potter, a inglesa J. K. Rowling, deu para a turma de formandos de Harvard em 2008.
Nesta primeira parte de seu discurso, ela menciona os benefícios de falhar. Parece estranho falar disso para formandos de Harvard, que provavelmente não têm muita intimidade com o termo. Mas ela escolhe esse assunto porque, sete anos depois de se formar, Rowling se viu como mãe divorciada, desempregada e "tão pobre quanto se pode ser na Inglaterra moderna sem estar morando na rua". Ela percebeu-se como o maior exemplo de falha que ela conhecia. No entanto, a autora reconhece que esse falhar inicial, esse fundo do poço (em inglês conhecido como "rock bottom" - a base de pedra dura) tornou-se a fundação sólida para começar de novo. Mais do que isso, ela reconhece que falhar em uma escala tão épica significou libertar-se de uma série de idiossincrasias e megalomanias inúteis e poder focar no que de fato importava.
Eu não trabalhei em empresas multinacionais para ser demitido de um dia para o outro por um auditor inescrupuloso e nem acredito que escreverei o maior sucesso da literatura infanto-juvenil da minha época, mas guardadas as devidas proposções, essas duas coisas são espelhos da minha realidade. Eu também falhei miseravelmente na carreira para a qual eu havia estudado. Não posso dizer que decepcionei meus pais, pois eles são do tipo ao qual só importa minha felicidade, seja ela em uma multinacional ou vendendo sapatos... Mas decepcionei a mim mesmo. Eu, que tinha essa idéia de que seria um homem de negócios com certo poder, como meu pai, tinha falhado em tamanha magnitude, que não tinha sequer dinheiro para os simples prazeres da vida.
Então veio o "rock bottom". Fui promovido com um aumento de salário pífio, que nem chegava aos pés do que eu deveria estar ganhando quando entrei na empresa. E só fui promovido pela falta de outra opção dentro da agência, não pelo reconhecimento do meu trabalho. Joguei a toalha, saí da publicidade jurando só voltar se alguém me pagasse o que eu merecia (coisa que, obviamente, nunca aconteceu). E comecei a dar aulas de inglês. Se eu pudesse voltar no tempo e dar um conselho a mim mesmo aos 18 anos, ele seria: "trabalhe com o seu inglês". Eu não percebia o quanto eu adorava idiomas, nem o tamanho do mercado para profissionais dessa área no país. Eu poderia estar ganhando o mesmo que um trainee de multinacional, sem as pesadas horas de trabalho ou as decisões inescruplosas.
Hoje escrevo este post em um chalé nas colinas de São Fransciso Xavier. Um chalé com internet e muitos outros mimos. Lexy dorme ao meu lado e em raras ocasiões a vi tão relaxada e bem. Tiramos uma semana de férias e conseguimos um ótimo negócio nessa pousada. Coisa que só é possível, aliás, porque meus horários de trabalho são tão flexíveis que posso me adaptar às férias dela sem problemas. Para quem tinha falhado tão incrivelmente há um ano, pareço ter virado o jogo de forma maestral.
Mas percebo também que parte da inspiração para esta virada veio dela, da Lexy. Ela é de uma família simples, com um pai economista que a ensinou a economizar e controlar gastos. Foi uma habilidade importante de aprender neste ano que passou. Além disso, ela sempre soube que bater a cabeça para conseguir o que todo mundo vê como símbolo de sucesso e status só vai te dar uma enxaqueca daquelas. Em São Paulo, há sempre muitos outros competidores maiores e mais fortes do que você. Então o sucesso não está nos empregos, lugares e baladas que todo mundo quer, mas nas alternativas. Sabendo procurar (e ela sabe...), há delícias simples e baratas aos montes por aí.
quinta-feira, julho 15, 2010
Dia do Homem
Há um ano, eu postava aqui alguns parágrafos falando sobre o Dia do Homem celebrado nesta data em nosso país, diferente do dia considerado pela ONU, UNESCO e etc (19 de Novembro). Ainda não tive paciência para procurar exatamente o porquê desta diferença, mas como vivo por aqui e alguém sempre me lembra da data local, adotei-a para comemorar no blog.
E comemoro-a fazendo um apanhado de momentos do blog mesmo, do que foi a discussão masculista por aqui neste ano que se passou:
• Comecei com Sophie Calle e o estereótipo do homem canalha que termina o namoro com a mulher inocente [1]
• Depois considerei o caminho a trilhar como um artista discutindo o assunto [1][2]
• Conheci as matérias do Ivan Martins graças à Nana quando ele escreveu sobre homens que dizem não quando não querem sexo sem serem diminuídos por isso [1]
• Experimentei novas (e antes desprezadas) mídias para divulgar minhas idéias [1]
• Considerei a velha questão da faculdade entre arte feminina e masculina [1]
• Voltei a comentar do sexismo invertido presente nas propagandas de hoje [1]
• Falei de pais e mestres, a ausência deles e dos meus atuais, aproveitando pra dar um exemplo de um pai formidável [1]
• Brevemente revi o Clube da Luta sob a ótica do Masculismo [1]
• Além de rever também alguns clássicos esquecidos [1]
• Fiz considerações bizarras sobre gestação [1]
• E terminei por comentar sobre a nova geração de pais, muito mais presente na vida dos filhos [1][2]
Espero ter muito mais coisas interessantes para mostrar no próximo ano, depois de um mestrado inteiro dedicado ao assunto.
E comemoro-a fazendo um apanhado de momentos do blog mesmo, do que foi a discussão masculista por aqui neste ano que se passou:
• Comecei com Sophie Calle e o estereótipo do homem canalha que termina o namoro com a mulher inocente [1]
• Depois considerei o caminho a trilhar como um artista discutindo o assunto [1][2]
• Conheci as matérias do Ivan Martins graças à Nana quando ele escreveu sobre homens que dizem não quando não querem sexo sem serem diminuídos por isso [1]
• Experimentei novas (e antes desprezadas) mídias para divulgar minhas idéias [1]
• Considerei a velha questão da faculdade entre arte feminina e masculina [1]
• Voltei a comentar do sexismo invertido presente nas propagandas de hoje [1]
• Falei de pais e mestres, a ausência deles e dos meus atuais, aproveitando pra dar um exemplo de um pai formidável [1]
• Brevemente revi o Clube da Luta sob a ótica do Masculismo [1]
• Além de rever também alguns clássicos esquecidos [1]
• Fiz considerações bizarras sobre gestação [1]
• E terminei por comentar sobre a nova geração de pais, muito mais presente na vida dos filhos [1][2]
Espero ter muito mais coisas interessantes para mostrar no próximo ano, depois de um mestrado inteiro dedicado ao assunto.
quinta-feira, julho 08, 2010
Árvore da felicidade
Escrevo apenas pra deixar uma nota para me lembrar disso no futuro.
Nos dias mais quentes e abafados, normalmente quando estou saíndo do ateliê no final da tarde, a entrada da casa da minha avó fica perfumada com um aroma muito característico e que eu aprecio imensamente. Essa frente da casa é abarrotada de vasos de flores dos mais variados tipos. Invejo a capacidade de minha avó de ter um jardim aparentemente sem muito esforço.
O perfume em questão não é exatamente de uma flor. Está lá mesmo quando tudo está verde e sem nenhuma flor. Gastei muito tempo seguindo meu parco sentido do olfato até descobrir de onde vinha aquilo. Afinal, não dá pra perguntar para minha avó, porque cheiro não é algo possível de ser descrito a menos que você saiba de onde vem ("cheiro de grama cortada", "cheiro de maçã verde", etc.)
Enfim, meses de seguir o meu nariz me levaram até a planta em questão, em um vaso médio logo ao lado da porta. O vaso tinha duas plantas crescendo juntas nele. Vovó diz que ambas são consideradas árvores da felicidade. Mas só a "fêmea" exala o perfume que eu tanto gosto nos fins de tarde. Na Wikipedia, ela aparece com o nome científico de Polyscias fruticosa [1][2], enquanto a planta "macho", que não me interessa muito, aparece como Polyscias guilfoylei.
Quero que minha casa também tenha esse perfume...
Nos dias mais quentes e abafados, normalmente quando estou saíndo do ateliê no final da tarde, a entrada da casa da minha avó fica perfumada com um aroma muito característico e que eu aprecio imensamente. Essa frente da casa é abarrotada de vasos de flores dos mais variados tipos. Invejo a capacidade de minha avó de ter um jardim aparentemente sem muito esforço.
O perfume em questão não é exatamente de uma flor. Está lá mesmo quando tudo está verde e sem nenhuma flor. Gastei muito tempo seguindo meu parco sentido do olfato até descobrir de onde vinha aquilo. Afinal, não dá pra perguntar para minha avó, porque cheiro não é algo possível de ser descrito a menos que você saiba de onde vem ("cheiro de grama cortada", "cheiro de maçã verde", etc.)
Enfim, meses de seguir o meu nariz me levaram até a planta em questão, em um vaso médio logo ao lado da porta. O vaso tinha duas plantas crescendo juntas nele. Vovó diz que ambas são consideradas árvores da felicidade. Mas só a "fêmea" exala o perfume que eu tanto gosto nos fins de tarde. Na Wikipedia, ela aparece com o nome científico de Polyscias fruticosa [1][2], enquanto a planta "macho", que não me interessa muito, aparece como Polyscias guilfoylei.
Quero que minha casa também tenha esse perfume...
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